11 de setembro de 2016

1 Crônicas 13.1 a 4

A Centralidade da Vida Doxológica no Governo do Rei-Pastor
1 Crônicas 13. 1 a 4

Foco da Nossa Decaída
Quando pensamos em um projeto de vida, com certeza, elementos como família, segurança futura, bens materiais, saúde, estão entre as avenidas que determinam a construção de nossos planos. A percepção da dimensão doxológica como central para a construção de nossa vida e o alcance de nossa plenitude criacional não é um dado mental comum para a maior parte das pessoas. NO texto para o qual nos guiamos nesta mensagem, veremos como a centralidade da vida doxológica estava nas bases da construção do governo teocrático de Davi e como este REI-PASTOR conduziu o seu povo a perceber esta mesma necessidade. Acredito que este seja um ponto a ser revisto no projeto de vida que estamos levando a efeito nos dias do século XXI e precisamos conduzir a família na direção de Deus.

Introdução
Caros irmãos, precisamos pensar a respeito de alguns valores que têm conduzido nossa experiência neste mundo. Em geral, construímos nossa história pensando em algumas conquistas que podemos empreender, o que, muitas vezes, nos conduzem a planos simples, como cuidar da família e preparar o futuro dos filhos, afinal não há nada de mal em se preparar para a aposentaria e desejar viajar o mundo.
O ponto não é a indignidade destas coisas, afinal são lícitas e realmente desejáveis. O que precisamos considerar é o papel da dimensão doxológica da nossa vida. Qual o peso que damos para o que iremos fazer nesta rápida passagem no mundo para o fator doxológico?
Quando Davi iniciou o seu governo em Israel, o Rei-Pastor sabia que não haveria povo de Deus sem vida doxológica e no último domingo tratamos de como Davi conduziu seu povo a pensar em conjunto este projeto, como a unidade de pensamento doxológico era central, como as pessoas reconheceram o papel que Davi exercia e como a Palavra de Deus era sua guia.
NO texto de hoje, dando continuidade, iremos ver o aprofundamento deste projeto com a percepção da parte mais importante do governo de Davi: A centralidade cúltica do governo e da vida de Davi. Nossa busca neste texto é pelos elementos que norteavam este aprofundamento e tornavam a dimensão doxológica uma espécie de “ambição positiva” para Davi e todo o povo de Israel. O que buscamos, na verdade, são os elementos que também nos façam assim desejar fazer da vida cúltica um centro motor da nossa experiência nesta vida.  

SE DESEJAMOS CONSTRUIR UMA VIDA DOXOLÓGICA PRECISAMOS ORGANIZAR NOSSOS ESFORÇOS NA DIREÇÃO CERTA
Já comentamos sobre o fato de que os Livros das Crônicas diferem dos Livros dos Reis e dos livros de Samuel, por serem escritos com uma visão doxológica do Reino. Para mim, um dos fatores mais importantes para esta ênfase é o fato de que o povo que retornou do exílio e viu as ruínas do Templo e não se importava com isto, precisava ser instruído e exortado sobre a importância e a centralidade da vida cúltica para o ser humano.
Perder a dimensão doxológica da vida é perder a vida. A morte do homem no jardim do Éden foi uma perda profunda da sensibilidade cúltica da vida. Não é à toa que Gênesis 4, dá um destaque especial para algo que deveria ser natural, mas não era:
A Sete nasceu-lhe também um filho, ao qual pôs o nome de Enos; daí se começou a invocar o nome do Senhor (Gênesis 4.26).
Deveríamos desfrutar da vida de um modo diferente. Afinal, se todas as coisas criadas refletem a glória de Deus, como nos diz o Salmo 19, porque estamos tão perturbados e tantas vezes nos desesperamos, em um mar de confusões e insegurança sobre o nosso futuro?
Na verdade, nós colocamos o nosso coração em outros tesouros e nos tornamos tardios para olhar para Deus e a deseja-lo, amá-lo e apreciar a sua glória. O que precisamos é retomar a centralidade da vida cúltica. Veja como Davi trabalhou neste sentido.
Consultou Davi os capitães de mil, os de cem, e todos os príncipes; e disse à toda a congregação de Israel: Se bem vos parece, e se vem isso do Senhor, nosso Deus, enviemos depressa mensageiros a todos os nossos outros irmãos em todas as terras de Israel, e aos sacerdotes, e aos levitas, para que se reúnam conosco (1Crônicas 13.1-2).
O Valor da Unidade Doxológica – já trabalhamos este conceito no último domingo, quando meditamos no capítulo 11, versos 1 a 3, não vamos repetir o que já afirmamos ali. Mas, vale a pena pensar de forma clara o que o texto está novamente propondo sobre isto: a vida cúltica não é um propósito pessoal, um desejo de Davi, mas uma proposta que nasce de Deus para o homem e todo homem deve buscá-la.

Consultou Davi os capitães de mil, os de cem, e todos os príncipes; e disse à toda a congregação de Israel: Se bem vos parece, e se vem isso do Senhor, nosso Deus
A questão que vamos levantar neste ponto é: SE DESEJAMOS UMA VIDA DOXOLÓGICA PRECISAMOS ORGANIZAR NOSSOS ESFORÇOS NA DIREÇÃO CERTA. Uma maneira interessante de ver isso é pensar no próprio esforço do cronista ao escrever este livro. Neste caminho, vale a pena destacar alguns aspectos particulares do próprio texto:
Disse a toda a congregação de Israel – O cronista, neste ponto, não usa, como usou o escritor do Livro de Samuel, a palavra “povo” para se referir aos israelitas, ele usou a palavra “congregação”. Esta é uma palavra hebraica que é usada para se referir a um ajuntamento religioso: Qahal. O cronista está disposto a provocar um espírito doxológico e a mostrar a realidade do povo de Deus como um povo de adoração. O mesmo fez Pedro quando definiu que nós somos O SACERDÓRCIO REAL.
Enviemos mensageiros aos irmãos, aos sacerdotes e aos levitas – O cronista mostra o esforço doxológico de Davi e nos revela um detalhe que o Livro de Samuel não mostrou, ele nos diz que Davi mandou convocar OS SACERDOTES E OS LEVITAS. Estes membros da estrutura cúltica eram essenciais para o desenvolvimento do projeto doxológico. O esforço de Davi em conduzir o seu povo para ser um povo de adoração precisava dos elementos certos.
Para que se reúnam conosco – Aqui, a expressão “reunir conosco” é uma palavra só, declinada para a primeira pessoa do plural. Na frase ela tem uma proposta de ser uma conclusiva, ou seja, o final da proposta. O que o cronista desejou destacar é que a convocação geral da congregação (Qahal) era a unidade doxológica. A palavra usada pelo cronista é, novamente, uma palavra de cunho religioso: Vaiekavitzu. Kavitz, deu origem a uma palavra israelense usada hoje e bastante conhecida dos brasileiros:  Kavitz deu origem ao termo Kibutz. O ponto que precisamos destacar é que Davi, na visão do cronista inspirado, buscou reunir os recursos com um propósito definido, um propósito doxológico.     
Meus irmãos, enquanto nossos esforços não forem na direção de uma vida doxológica, poderemos continuar vindo aos cultos, outras vezes não, investindo tudo de nós em muitas coisas, deixando o que sobra para a adoração; podemos ser até dizimistas, desde que não interfira nas reservas para as férias; ler a Bíblia de vez em quando, o suficiente para não esquecer onde ela está; chorar durante a pregação ou não, depende do tema; etc... podemos pensar que estamos vivendo para Deus, mas vivemos para nós mesmos.
Davi sabia que Israel precisava viver para Deus e não viver apenas figuradamente com Deus. Então, investiu e organizou todos os esforços nesta direção.
SE DESEJAMOS CONSTRUIR UMA VIDA DOXOLÓGICA PRECISAMOS REALMENTE NOS APROXIMAR DE DEUS
Tente imaginar você comprando um bolo de cenoura. Vai ao balcão e pede: “por favor, me dê aquele bolo cenoura que está na vitrine!” Bem, como todos sabem, ou ao menos a maioria deve saber, o bolo de cenoura é tradicionalmente revestido por uma deliciosa camada de chocolate, que esconde o tom amarelado da cenoura. Bem, você pega aquele bolo marrom, coberto de chocolate e dá uma mordida e descobre que é bolo de banana, por dentro. Eu não sei se você gosta de banana, mas o fato é que você queria bolo de cenoura e foi enganado.
Tem uma passagem bíblica bem interessante sobre isso. Não sobre bolo de cenoura, mas sobre uma figueira, que ao longe parecia ter figos, mas quando Jesus se aproximou dela, não havia nada, senão folhas. Ela secou! Porque o que Jesus queria encontrar nela, não encontrou. Esta passagem era uma referência à decepção de Jesus com a religiosidade de Israel e o fracasso de um Templo que deveria ser um lugar da presença de Deus e não era.
Davi sabia que um projeto doxológico não poderia ser bem sucedido só com levitas, sacerdotes e reuniões religiosas, DAVI SABIA QUE UM VERDADEIRO PROJETO DOXOLÓGICO PRECISA TER A PRESENÇA DE DEUS.
Tornemos a trazer para nós a arca do nosso Deus; porque nos dias de Saul não nos valemos dela (1Crônicas 13.3).
 Não vamos nos deter em comentar sobre a importância da Arca da Aliança. Apenas e resumidamente, pensemos no fato de que ela representava a presença de Deus no meio do povo. Com certeza, essa é uma informação importante, mas não podemos nos voltar para essa demonstração.
Tornemos a trazer para nós – Note a perspectiva coletiva e o alvo pretendido. Esse é um ponto importante, a presença de Deus que Davi procura não é um projeto pessoal, mas um projeto da coletividade. O objetivo nunca é pessoal e individual, mas coletivo. O verdadeiro culto a Deus é uma perspectiva que une as pessoas, que conduz pessoas à Deus e não meramente pessoal, egoísta, narcisista.
A arca do nosso Deus – Eloheinu – A ideia de um Deus que estava sobre todos e dava significado à nação e não somente a pessoas isoladas. Este é um ponto importante. A promessa de Deus à Abraão é que seríamos o seu povo e Ele seria o nosso Deus. Davi tem a percepção correta da dimensão cúltica de toda a vida.
Nos dias de Saul não a seguimos – Essa é a ideia da expressão: não nos valemos dela – Davi talvez esteja se referindo à experiência vivida por Israel na travessia do Jordão e às lutas na terra prometida, quando a Arca ia adiante do povo e representava a presença do Deus dos Exércitos e lhes dava a vitória. Davi estava dizendo que era necessário seguir a direção de Deus. Um projeto doxológico precisa da presença de Deus.
Meus irmãos, não conseguiremos construir uma vida doxológica sem Deus. Sem que sua presença permeie nossa maneira de viver, pensar, sentir... Sem que a sua palavra realmente nos conduza. Qualquer coisa menos que a presença definidora de Deus é uma situação que nos desqualifica como adoradores verdadeiros de Deus.  

SE DESEJAMOS CONSTRUIR UMA VIDA DOXOLÓGICA PRECISAMOS RECONHECER O REAL VALOR DESTE PROJETO DE VIDA
Todos sabemos que as nossas escolhas e a organização dos nossos maiores esforços estão vinculados à importância que damos ou não damos às coisas. Acredito que é isso que Jesus nos ensina quando nos diz: onde estiver o teu tesouro ali estará também o teu coração (Mateus 6.21).
Então, toda a congregação concordou em que assim se fizesse; porque isso pareceu justo aos olhos de todo o povo (1Crônicas 13.4).  
Certa vez, Josué desafiou ao povo sobre a adoração e lhes disse que deveriam escolher qual realmente seria o seu projeto de vida. Viver segundo as ambições ligadas aos deuses dalém do Eufrates, seguindo a tradição dos antigos pais; ou se era segundo as ambições políticas dos povos da terra dos amorreus e cananeus e seus deuses. Ele faz uma das mais famosas afirmativas bíblicas sobre um projeto de vida doxológica:
Eu e a minha casa serviremos ao Senhor (Josué 24.15).
Os valores que o seu coração preza é que serão construirão a sua vida cúltica e ela pode ser idólatra. Mas se o seu coração PERCEBER A GRANDEZA DE  DEUS E ISSO O LEVAR A VALORIZAR O PROJETO DOXOLÓGICO CORRETO, VOCÊ DEIXARÁ TUDO E SEGUIRÁ A DEUS.
Então, toda a congregação concordou em que assim se fizesse – Toda a Qahal percebeu o valor daquela proposta de Davi, todo o povo, percebeu que sem Deus não é possível viver e que isso era o  que deveria ser feito. Eles estariam, a partir dali, a pagar o preço necessário para atingir o seu alvo doxológico, porque o coração do povo estava inclinado a Deus.
Isso pareceu justo aos olhos de todos – o que os motivou era a percepção do valor daquele projeto doxológico. Literalmente, o que o escritor disse foi: porque aquela palavra era reta, perfeita aos olhos de todos. O que se pretende dizer quando se aponta aos olhos é ao processo de reflexão, de avaliação. OU seja, eles não tomaram uma decisão qualquer, eles realmente tinham chegado à uma séria e profunda conclusão, depois de um processo de avaliação. 
Aquilo que valorizamos acima de tudo é o nosso deus. Se amarmos a Deus acima de todas as coisas e ele realmente for o ponto focal mais importante da nossa vida, se conseguirmos nos transportar para este modelo de valor supremo, então não teremos dificuldade para construir nossa vida doxológica e da nossa família.
Quando não o fazemos, o que precisamos pensar é sobre o que realmente é importante para nós. Você e só você pode fazer isso por você. Mas HÁ ALGO QUE VOCÊ PRECISA SABER: ESSA TAREFA DE AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS É ALGO QUE ACONTECE EM NÓS QUANDO ESTAMOS ENTREGUES AO ESPÍRITO DE DEUS. É ASSIM QUE COMEÇAMOS.


Conclusão  
Preciso dizer que Davi cometeu um grave erro, você poderá notar isso nos versículos que revelam que a sua primeira tentativa foi falha. Com certeza, poderemos errar como Davi. Mas o que você verá na descrição do processo até o final do capítulo 16 é que Davi não desistiu do projeto, ele e toda a congregação (Qahal) de Israel estavam unânimes na “boa ambição” de uma vida doxológica.
Comece a pensar assim e a organizar a sua vida para um viver doxológico. Lembre-se que o propósito maior é a presença de Deus e que isso acontecerá quando, guiado pelo Espírito de Deus, você começar a realmente amar a Deus.

Quando realmente você amar a Deus, desfrutará de algo indizível, um tipo de prazer que somente um verdadeiro adorador tem: o prazer de ver Deus em tudo.  

4 de setembro de 2016

1 Crônicas 11.1 a 3

Como o Povo Ajudou Davi a se Tornar o Mais Bem Sucedido Rei-Pastor e um Modelo do Supremo Pastor Que é Cristo
1 Crônicas 11. 1 a 3
Foco da Nossa Decaída
A grande tarefa de conduzir o povo de Deus à adoração é o resultado de uma particular e muito especial relação de pastoreio que acontece no contexto das relações de vida entre o povo de Deus. No texto que tomamos hoje, o que vemos é o quanto o sucesso do pastoreio de Davi dependeu do pastoreio do próprio povo sobre a sua vida. Cremos que a atividade de pastorear não é um ato isolado de liderança, mas o resultado de forças complementares dentro do relacionamento do corpo, que permitem que uns pastoreiem os outros e se fortaleçam mutuamente. Contra a ideia de pastoreio presidencialista, dominador, parece-nos que o  melhor modelo é o da convivência debaixo do supremo Pastor.

Introdução
Sem dúvida alguma, Davi foi o maior dos Reis de Israel, como nação sobre a face da terra. Faço esta pequena observação porque acredito que o verdadeiro e maior de todos os Reis do Israel de Deus é Jesus Cristo, mas ele é incomparável.
De longe, Davi superou a todos os seus congêneres no grande esforço de conduzir a nação a uma verdadeira condição de “nação adoradora”. Este é o ponto! O que é um bom governo? Nos moldes do  projeto bíblico, todo governo deveria ser um governo de pastoreio dos homens, levando-os à viverem em condições tais que glorifiquem a Deus.
Infelizmente, no Brasil e no mundo atual, estamos longe de ter uma nação como aquela apontada no Salmo 144: Bem aventurado é o povo, cujo Deus é o Senhor! (Salmo 142.15). Mas, quando olhamos para as Escrituras o que nós vemos como o ideal de governo é uma Teocracia Mediada pelo governo humano. Esse é o entendimento que temos a partir do fato de que Deus deu ao homem a tarefa de governar o mundo, em seu nome, de forma pactualmente administrada, para que tudo o que existe, em particular os próprios seres humanos existam para glorificar a Deus.
Contudo, o homem e pecado está com o coração longe de Deus e se perde na idolatria e não percebe que existe para Deus. Por isso, a grande tarefa que Deus dá aos seus filhos é o de trabalharem para pastorear as pessoas de volta ao princípio maior de adoração. E nesta tarefa, Davi foi um homem muito bem sucedido. Talvez, nenhum governo humano, até os dias de hoje, conseguiu realizar tão bem a tarefa de fazer os homens caminharem na direção e Deus e a se renderem em adoração a Deus, como Davi conseguiu.
O que vamos buscar no texto das Crônicas de Israel esta noite é avaliar alguns valores que possibilitaram este grande sucesso governamental teocrático. Que elementos estiveram presentes no ministério deste homem, que lhe permitiram se tornar um Rei-Pastor tão abençoado e eficaz.
Na verdade, o que vamos buscar neste texto não é o que estava por detrás de Davi e de seu sucesso, mas o que podemos buscar praticar em nossos dias para que também nós possamos ter grande eficácia, na nossa família, entre os nossos amigos e por meio de nossa atuação neste mundo. Aqueles que acham que não é possível conduzir homens a Cristo e à adoração de seu precioso Nome nada sabem sobre o que é o poder de Deus.
Por isso, partimos do princípio de que  é possível e precisamos saber qual é a nossa parte neste empreendimento. Afinal, a história do Cristianismo mostra que, sempre é possível que doze homens, nas mãos de Deus, podem mudar o mundo.
O que notamos como ponto de saída para este texto é que este sucesso do Rei-Pastor era o resultado de uma preciosa relação entre liderança e liderados, Rei e povo. Davi não governou e tornou Israel uma nação adoradora sozinho, ele o fez por causa do poder de Deus, que usou seu povo e pessoas muito próximas para que o jovem pastor de ovelhas, pastoreasse toda a nação de Israel

O POVO AJUDOU DAVI A SER O MAIS BEM SUCEDIDO REI-PASTOR DA HISTÓRIA PORQUE ESTAVA CONVICTO DO VALOR PRECIOSO DA UNIDADE DO POVO DE DEUS
O Livro das Crônicas é uma proposta de reflexão sobre o caráter doxológico da vida com Deus. Embora, tenha a conotação de um livro histórico, porque relata, em suma, a história dos reis de Israel, diferentemente dos Livros dos Reis, as Crônicas apontam para a história com o olhar da história doxológica da vida de Israel. Ou seja, ela conta a história dos reis enfatizando como o governo de Israel conduzia, ou pastoreava o rebanho de Deus na terra, com vistas a conduzi-lo à uma verdadeira adoração.
Uma leitura mais atenta dos Salmos logo nos mostrará essa centralidade da adoração como o projeto de Deus para o seu povo. Com certeza, como já dissemos, dentro deste projeto, nenhum rei foi tão bem sucedido como Davi, o filho de Jessé.
O povo era um elemento de suma importância nessa construção doxológica.  O povo de Deus tinha uma participação ativa e não somente reativa nessa  construção. O que podemos ver neste episódio que temos diante de nós é que o povo foi o apoio necessário para que Davi empreendesse sua jornada real.
Então, todo o Israel se ajuntou a Davi, em Hebrom, dizendo: Somos do mesmo povo de que tu és (1Crônicas 11.1).
A cidade de Jerusalém ainda não havia sido conquistada, o reino não estava completamente estabelecido e, apesar de muitas grandes vitórias que Davi já tivera, muita coisa ainda precisava ser realizada para que Israel fosse uma nação doxológica. O que estaria no chão, como suporte para este grande projeto era a IDEIA DE UNIDADE DO POVO DE DEUS.
Todo o Israel se ajuntou com Davi - Somos do mesmo povo de que tu és - estas expressões são uma construção propositada para revelar que a luta de Davi era a luta do povo, o anseio do Rei era o anseio do povo. Davi não somente pastoreou este povo e o levou a Deus, o povo pastoreava ao seu rei para que este o  pastoreasse.
Eu acredito que este seja um dos fortes valores que permitiram o grande sucesso de Davi, a unidade de Israel. Mais à frente na história desta nação, quando as coisas começam a degringolar no reino de adoradores, o que se tem em tela é que Israel passou a ser um reino dividido.
A unidade era em torno do projeto doxológico, ou seja, em torno da adoração de Deus. Não era um projeto político de Davi e em torno de Davi e seus partidários, mas um projeto em torno de um fim que todos vislumbravam: Deus é digno de adoração.
Ele exalta o poder do seu povo, o louvor de todos os seus santos, dos filhos de Israel, povo que lhe é chegado. Aleluia (Salmo 148.14).

O POVO AJUDOU DAVI A SER O MAIS BEM SUCEDIDO REI-PASTOR DA HISTÓRIA PORQUE SABIA O VALOR DO PAPEL PARA O QUAL DEUS O HAVIA CHAMADO A CUMPRIR
Nem sempre as pessoas compreendem com clareza o papel que precisam desempenhar para que um grande projeto seja realizado. Essa falta de auto compreensão pode ser um grande entrave para o desenvolvimento de qualquer projeto. Contudo, acredito que tão grave quanto não saber qual é o próprio papel é não compreender, valorizar e honrar qual é o papel do outro.
Quando o povo se ajuntou a Davi e se fez um com ele, duas coisas se destacam no texto sobre como eles foram convencidos para estarem ao lado de Davi naquele projeto doxológico.
Eles viram que Davi tinha dom para o serviço
Outrora, sendo Saul ainda rei, eras tu que fazias saídas e entradas militares com Israel (1Crônicas 11.2a).
O povo reconhecia o talento de Davi e sua capacidade pessoal para realizar aquele serviço e os liderar na busca elevada de um padrão de vida que honrasse a Deus. Eles sabiam que aquele homem tinha as qualificações para o serviço de liderar o projeto de Deus para a nação.
Em geral, este é um fator extremamente significativo. Afinal, cada peça tem a sua função  dentro do contexto do funcionamento de um motor e cada instrumento cumpre um papel no conjunto de uma orquestra. Saber reconhecer o valor de cada um e suas qualificações é um passo certeiro para um bem sucedido projeto.
Eles reconheciam em Davi a divina vocação
Também o Senhor, teu Deus, te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel e serás chefe sobre o meu povo de Israel (1Crônicas 11.2b).
No fundo, o que realmente contava é que todo aquele talento para cumprir o papel de liderança era somente uma decorrência do fato de que Deus é quem estava por detrás de tudo. O povo compreendia que a maior credencial de Davi era o chamado de Deus para realizar aquela obra.
Entra em cena um grande contraste entre Saul e Davi. Saul era rei, mas o chamado de Deus era para o homem que o coração de Deus escolhera. Este é um ponto que precisamos considerar fortemente no que tange ao pastoreio de vidas, somos chamados por Deus para cumprir com tarefas e o que precisamos e reconhecer este chamado, em nós e também nos outros.
Na verdade, a verdadeira submissão está em reconhecer e cumprir com os chamados de Deus para a nossa vida. Estes valores podemos aplicar para coisas mais simples que ser o Rei de uma nação. Podemos pensar nos valores do chamado para os Pais, que são vocacionados para cumprir a missão de conduzir seus filhos a Deus.
Filhos que não reconhecem e resistem ao chamado de Deus para os seus pais e, portanto, não se submetem, são como rebeldes que não reconhecem a Deus.  Do mesmo modo, pais que não cumprem o seu chamado e não põe em prática o plano de pastorearem seus filhos que é  sua missão, são igualmente devedores a Deus.
A ideia de reconhecer o chamado de Deus é fundamental para que nos tornemos um povo adorador, desde as nossas casas, na igreja e na nação.

O POVO AJUDOU DAVI A SER O MAIS BEM SUCEDIDO REI-PASTOR DA HISTÓRIA PORQUE ESTABELECEU UM MODELO DE VIDA PACTUAL BASEADO NA PALAVRA DE DEUS
Acredito que este verso é o coração desta passagem. Nele o que vemos é o grande ato de unção de Davi como Rei. Este ato era a formalização de uma consciência interna que já dominava os corações dos filhos de Israel, a consciência de que Deus estava estabelecendo uma relação pactual com o seu povo.
Assim, pois, todos os anciãos de Israel vieram ter com o rei em Hebrom; e Davi fez com eles aliança em Hebrom, perante o Senhor. Ungiram Davi sobre Israel, segundo a palavra do Senhor por intermédio de Samuel (1Crônicas 11.3).
Todos os anciãos - um ato desta natureza não poderia ser considerado verdadeiramente oficial sem que as autoridades das famílias estivessem presentes. A presença dos anciãos de Israel, portanto, demonstrava a seriedade com que o povo tratou a questão do projeto doxológico de Deus, que seria realizado através de Davi.
A falta de consideração sobre a seriedade do que é a condução da vida de adoração pode ser um dos fatores que estão desestruturando a construção de nossa vida com Deus. NO caso do povo de Deus e na sua relação pastoral com Davi, dentro do projeto doxológico que vislumbravam como sendo a vontade de Deus, esta consideração de seriedade foi fundamental.

Davi fez com eles aliança em Hebrom, perante o Senhor - Alguns termos bíblicos são muito importantes e um deles é BERITH, aliança ou pacto. Este é o termo que o escritor usa para apontar o que consolidou aquela unidade. Da mesma forma como Deus estabelece uma aliança com o seu povo, Davi o fez com toda a liderança. Eles compreendiam que a vida diante de Deus é uma relação pactual, tanto com Deus como uns com os outros.
A consciência de que nossa vida diante de Deus é uma relação pactual pode ser elemento de forte impacto sobre nossa unidade, trabalho e sucesso no empreendimento doxológico.
Segundo a palavra do Senhor - o elemento que dá a direção, estabelece os contornos, limites e possibilidades deste relacionamento pactual não é o sentimento humano, a intelectualidade humana ou sua percepção, mas a PALAVRA DE DEUS. Este foi o ponto de unidade que comandou toda a atitude doxológica de Israel e do seu Rei Pastor.
A consciência do valor e abrangência da Palavra de Deus como mestra da nossa vida irá causar uma revolução em nossa perspectiva de vida. Não será possível construir este projeto de Deus para todos nós, como família, como igreja, como luzes neste mundo, sem um profundo, verdadeiro e constante apego à Palavra de Deus. Sem real submissão à Palavra de Deus traçaremos o melhor caminho que nosso coração imaginar, mas, como a própria Palavra diz: no final são caminhos de morte.

Conclusão  
Eu sei que uma mensagem com um tema destes pode sugerir que você pense que tudo o que o pastor da igreja quer é que se reforce sua liderança. Mas, na verdade, o que eu quero é que aprendamos a compartilhar o pastoreio, porque nós pastores precisamos da igreja, tanto quanto a igreja precisa de nós. Não se trata de uma questão apenas de ministério pastoral, mas do ministério pastoral de todos nós, porque, em alguma medida, todos somos vocacionados para pastorear alguém, na família, no grupo menor, lidar com os incrédulos etc.
Destaco o valor da unidade - infelizmente, o coração humano trabalha muito mais com a acusação e a desunião que com a palavra de edificação e a unidade. Basta ver o que foi que Adão fez, logo que pecou: acusou. Isso é próprio do Diabo e do pecado a que tentou o homem, porque Satanás é o acusador e o coração do homem se inclina mais à acusação.
Destaco o valor dos talentos e do chamado de Deus - devemos honrar a Deus, honrado o chamado de Deus para nós e para os outros. A inveja, a intriga, ou a omissão, a displicência e o relaxo, são apenas lados diferentes da mesma moeda de pecado contra Deus. Ou seja, quando você não valoriza o outro ou não se aplica ao seu próprio chamado, você não constrói na direção certa e está pecando.
Destaco a importância da vida pactual segundo a Palavra - tudo o que precisamos para crescer na direção certa e conduzir as pessoas dentro do projeto doxológico de Deus é estabelecer um compromisso, diante de Deus, norteado pela Palavra, de viver de forma pactuada, como corpo e família de Deus.
Eu acredito com todas as minhas forças de que não existe vida que valha a pena ser vivida se não for para adoração de Deus. Para mim, a tarefa de pastorear é ter a mente bem focada em um propósito: que todos glorifiquem a Deus. Nada machuca mais o coração de Deus e, devo dizer, o coração de qualquer que esteja incumbido de pastorear alguém, que o fato de que, os homens abandonam a adoração de Deus. Mas, reconheço que este é o nosso maior desafio, na verdade, esta é a nossa meta. Que Deus nos ajude!!


Você pode ter algum tipo de objeção ou pergunta sobre este grande projeto doxológico. Será que ele dará certo? Seremos mesmo capazes de repetir o que fez Davi ou os primeiros apóstolos? Há somente uma coisa que me faz desejar realizar isto: CRISTO  JESUS, O SUPREMO PASTOR VAI VOLTAR. A BÍBLIA DIZ QUE ELE VIRÁ BUSCAR A SUA IGREJA E QUE SE MANIFESTARÁ PARA NOS RECOMPENSAR O FATO DE TERMOS NOS PASTOREADO. A MESA DA CEIA ME DIZ QUE SUA MORTE NÃO FOI EM VÃO, PORTANTO, ATÉ QUE ELE VOLTE, ESTE É O MEU  CHAMADO É O NOSSO CHAMADO E ISTO, POR SI SÓ, JÁ ME É SUFICIENTE PARA SEGUIR ADIANTE. 



28 de agosto de 2016

Atos 18.24-28

A Missão Com Excelência
Atos 18.24-28

INTRODUÇÃO
Na minha opinião, o relato de Lucas sobre a segunda viagem missionária tem como foco principal mostrar como a mensagem do Evangelho produzia um profundo impacto e transformação nas cidades onde chegou. O fato é que também nas cidades relatadas, o número dos que se erguiam contra o Evangelho era sempre muito grande.
O relato de Lucas se fixa em uma cidade muito importante,  Corinto. Ali, Paulo permaneceu  muitos dias, um ano e seis meses, e em sua companhia duas pessoas que seriam muitíssimo importantes para Paulo: Áquila e sua esposa Priscila, os quais o acompanharam, depois de Corinto, até Éfeso, quando ele resolveu voltar para Antioquia, deixando-os ali.
Lucas, antes de relatar sobre a terceira viagem missionária, apresenta mais uma personagem importante da Igreja naqueles dias, Apolo. Este judeu, nascido em Alexandria, no norte da África, no Egito, é tomado por Lucas como um exemplo do crescimento da Igreja que não era uma prerrogativa somente de Paulo. Talvez a intenção de Lucas em nos contar esta breve história do grande pregador Apolo, tenha a ver com o início da carreira de um homem que seria um dos grandes fortalecedores da Igreja de Corinto, uma das mais importantes da história da Igreja Primitiva.
A principal característica do ministério de Apolo era a excelência de seu trabalho como pregador do Evangelho. Tanto se tornou importante e tão grande foi a qualidade do seu ministério que na epístola aos Coríntios, Paulo diz que ele conseguia dividir as afeições dos crentes daquela cidade com o próprio Paulo, o fundador, Pedro ou Cefas, o grande líder do cristianismo inicial e até mesmo com Cristo. Você consegue imaginar o que significa que este jovem pregador conseguiu realizar, considerando o fato de que: não era de Jerusalém, não era de tradição ortodoxa do judaísmo, tinha vivido longe do grande centro da fé cristã, entre outras limitações?
O breve relato de Lucas sobre o ministério de Apolo é muito útil para conhecermos um pouco desta impressionante trajetória ministerial, mas também para que colhamos algumas lições sobre o que pode nos tornar crentes que vivem a sua vida a serviço do reino com excelência. Espero que você esteja disposta a não somente pensar curiosamente acerca de Apolo e sua vida, mas a refletir muito sobre o que tem definido a sua relação com o Reino de Cristo e a missão de tornar Cristo conhecido neste mundo.

A Missão é Realizada Com Excelência Quando Conciliamos Conhecimento e Amor
Quando olhamos para o breve relato de Lucas acerca de Apolo, notamos que uma das características que se destacam do ministério deste pregador alexandrino é que a missão, por seu intermédio, era realizada com conhecimento e amor.  
Nesse meio tempo, chegou a Éfeso um judeu, natural de Alexandria, chamado Apolo, homem eloquente e poderoso nas Escrituras. Era ele instruído no caminho do Senhor, e, sendo fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão a respeito de Jesus, conhecendo apenas o batismo de João (Atos 18.24-25).
Nesse meio tempo - O ponto de contato para que essa expressão tenha sentido é a chegada de Paulo à Éfeso, quando deixou Áquila e Priscila ali e partiu rumo à Antioquia, sua base missionária.
Chegou a Éfeso um judeu, natural de Alexandria, chamado Apolo – Lucas não explica a razão de Apolo ter deixado Alexandria e seguido em direção à Ásia, sua explicação sobre o fato de ser judeu, nascido em Alexandria, parece ter o propósito de nos mostrar a distância que o Evangelho já havia alcançado e o quanto a Igreja já estava apresentando seus frutos em vários lugares.
Eloquente e Poderoso nas Escrituras – depois, portanto, desta rápida apresentação da cena, Lucas começa a focar na pessoa e no ministério de Apolo. Ele começa por definir elementos preponderantes do modo como Apolo servia ao Evangelho e as primeiras características que descreve é que ele era um HOMEM ELOQUENTE, isto é, conhecedor daquilo que falava (logios) e PODEROSO NAS ESCRITURAS, que era o outro lado da moeda, que tratava as Escrituras com um ânimo de alma, que o fazia extremamente persuasivo na pregação, apresentação da Palavra de Deus (dinatos graphais).
Lucas constrói a sua descrição, dando ainda mais informações sobre Apolo e todas são  uma espécie de variações destas duas primeiras.
Instruído no caminho – (katekemenon odon kurion) – alguém que tinha sido iniciado e se tornado capaz de falar a respeito do caminho, que era como as pessoas se referiam ao cristianismo prático daqueles dias.
Fervoroso de espírito – (zeon pneumati) – que traduz a ideia de ser alguém que transbordava a vida no Espírito.
Falava e ensinava com precisão -  (elalei, edidasken, akribos) – era um excelente pregador e mestre do caminho, que apresentava Jesus às pessoas com precisão, ou podemos dizer, de forma crítica, propondo os argumentos certos para que todos possam conhecer a sua fé em Jesus Cristo.
Caros irmãos, gostaria muito e seria até possível passar várias horas falando sobre os pormenores destas qualidades de Apolo e o que podemos fazer, apenas buscando e praticando estas qualidades valiosas do ministéro de Apolo. Entretanto, deixe-me apresentar um pequeno resumo do que eu acredito que Lucas está nos dizendo sobre este poderoso ministro de Cristo: ELE REALIZAVA A MISSÃO EXCELÊNCIA PORQUE A FAZIA COM CONHECIMENTO E AMOR.
Ele conseguia reunir duas qualidades que, em geral, as pessoas separam. Enquanto alguns dizem que o conhecimento atrapalha o amor e outros que o excesso de empenho emocional atrapalha a razão, Apolo unia estas duas coisas para fazer a obra de Deus com excelência.
Quero falar sobre estes dois erros. Primeiro, aquele dos que pensam que a melhor maneira de amar a Deus é fazer tudo de forma espontânea, seguindo sua intuição pessoal, sem isso de buscar conhecimento, porque a letra mata. Quero afirmar que aquele que diz que ama a Deus e não  busca conhece-lo está praticando a pior forma de falso amor, que é um amor que procura ignorar quem realmente Deus é, e deixa construir em seu coração uma imagem egocentrada do próprio Deus.
O outro lado da moeda é muito parecido. Afinal, aqueles que dizem conhecer a Deus com exatidão, conhecendo teologia e detalhes sobre a Bíblia e não é movido a uma intensa afeição interior de amor ao Evangelho e não se emociona ao ver uma criança aprendendo a orar, ou uma conversão do pecador, da qual os anjos fazem festa, este tal realmente conheceu  tudo, menos a Deus. Porque, a boa teologia não é a que tem respostas na ponta da língua, mas aquela que quebranta o coração.
A MISSÃO É REALIZADA COM EXCELÊNCIA QUANDO JUNTAMOS AMOR E CONHECIMENTO.

A Missão é Realizada Com Excelência Quando Estamos Dispostos a Servir à Verdade de Deus e Não a Nós Mesmos
Conhecendo apenas o batismo de João - Lucas aponta uma limitação da pregação de Apolo. Afinal, embora o grande pregador alexandrino se aplicasse em fazer tudo com amor e conhecimento, de forma apaixonada por Jesus, ele ainda tinha uma teologia que precisava ser lapidada. Aparentemente, este é um tema unificador entre esta passagem e a que se segue no capítulo 19. Pode ser que isso explique um pouco porque este homem veio até Éfeso, afinal, ali também havia uma comunidade de pessoas que tinham a mesma tradição de fé que apolo (At 19.1-2).
O problema da teologia de Apolo é que ele não conhecia exatamente a obra e o ministério do Espírito Santo. Lembrando que Lucas está escrevendo a respeito da agenda do poder do Espírito Santo na progressão do Evangelho, faz sentido que esta história esteja posta nestes termos.
Voltando ao nosso texto, aqui, mais uma vez, entra em cena um requisito que parece indispensável para fazer a obra do Senhor: a modéstia e a humildade de alma.
Ele, pois, começou a falar ousadamente na sinagoga. Ouvindo-o, porém, Priscila e Áquila, tomaram-no consigo e, com mais exatidão, lhe expuseram o caminho de Deus (Atos 18.26).
Priscila e Áquila - Meus irmãos, antes de qualquer coisa, vale a penas mencionar estes irmãos e o seu papel. Quando Paulo chegou em Corinto, este casal foi de grande valia no ministério de Paulo. Eles não eram exatamente os protagonistas da pregação, mas sua missão era dar suporte a Paulo e a todos os pregadores que chegaram depois, Silas e Timóteo, em particular. Agora, estes irmãos, demonstram de novo a mesma humildade, tomando aquele jovem e eloquente pregador para o instruir na fé cristã.
Tomaram-no consigo - Estes irmãos não são tomados de inveja porque aquele que nem sabe nada sobre o Espírito Santo está pregando e fazendo “sucesso” na sinagoga. Eles querem apenas ver aquele homem de Deus aperfeiçoado no seu ministério.
Com mais exatidão expuseram o  caminho  de Deus – o ponto que podemos e precisamos destacar é que Priscila e Áquila cumpriam uma missão maravilhosa e isto faziam com humildade, eles conduziam pessoas a Cristo, eles não buscavam promoção pessoal, os holofotes ou coisa do tipo. Eles sabiam que aquele homem deveria cumprir um papel ministerial e era o  seu intento participar com a sua parte, instruí-lo e fizeram o melhor do que era o seu próprio dom.
Apolo – temos de perceber o papel de Apolo neste momento. Eu o comparo a Timóteo, num certo sentido. Pois, do mesmo modo como Timóteo se submetia ao que era necessário para que a obra fosse cumprida e alcançasse o melhor resultado, também Apolo estava disposto a aprender e a submeter-se à instrução para que seu ministério fosse mais completo.
Todo o “sucesso” inicial de Apolo e toda a atenção que teve de muitas pessoas e a até a aprovação do próprio Deus, não fez de Apolo um homem impermeável ao saber. Isto ele deveu a um coração humilde, pronto para servir.
Na verdade, APOLO ESTAVA SUBMISSO À VERDADE DE DEUS E NÃO A SEUS PRÓPRIOS INTERESSES PESSOAIS. A MISSÃO É REALIZADA COM EXCELÊNCIA QUANDO A VERDADE DE DEUS É O NOSSO ALVO E NÃO A NOSSA PROMOÇÃO PESSOAL, AFINAL SOMOS SERVOS DA VERDADE E NÃO O CONTRÁRIO.
A Missão é Realizada Com Excelência Quando a Nossa Ambição é Tornar Cristo Conhecido
Vocês sabem que o REv. Giancarlo, está passando uns dias no Brasil. Vocês também já sabem da grande admiração que tenho por ele. Quero dizer que não somente pelo pastor Gian, mas por muitos missionários e pela história de pessoas que deram a vida pelo Evangelho, uma das que mais me impressiona é a vida de Simonton e eu recomendo a leitura do seu Diário, do qual faço uma pequena citação na mensagem pastoral do boletim de hoje.
O que me impressiona, dentre outras coisas, nos missionários é a sua determinação e desprendimento. Vocês conseguem imaginar o que uma mulher como a irmã Esther Guedes, com sua inteligência e capacidade organizadora seria capaz de realizar em termos de uma carreira pessoal? Ou o que um homem como Giancarlo, poderia realizar como pastor em uma das nossas igrejas locais, ajudado pela sua carismática esposa Adriana?
Mas estes servos de Deus, tem um horizonte mais elevado que a maior parte de nós. Na verdade, não estou dizendo que eles são melhores do que eu ou você, mas que sua visão da obra lhes concede um privilégio, o de ver além dos muros, que nos fecham.
A MISSÃO É REALIZADA COM EXCELENCIA QUANDO É FEITA COM A AMBIÇÃO DE TORNAR CRISTO CONHECIDO.
A ambição de tornar Cristo conhecido é uma mola propulsora do ministério cristão de qualquer pessoa. O que percebemos neste texto e em todo o livro de Atos é este mover de todos na direção de fazer Cristo conhecido.
Querendo percorrer a Acaia, animaram-no os irmãos e escreveram aos discípulos para o receberem. Tendo chegado, auxiliou muito aqueles que, mediante a graça, haviam crido, porque, com grande poder, convencia publicamente os judeus, provando, por meio das Escrituras, que o Cristo é Jesus (Atos 18.27-28).
Você consegue ver o que Apolo tinha em mente e qual era o horizonte do seu ministério?
Querendo percorrer a Acaia - Corinto, que era a cidade onde Apolo desenvolveu este grande ministério da Acaia, foi o lugar onde Paulo foi levado ao tribunal por causa da fé e onde, Sóstenes foi espancado por ser um amigo de Paulo. Apolo não está incomodado com o problema que havia acontecido em Corinto, ele sabe que o Evangelho de Cristo Rei é a mensagem que mudará o coração dos Corintios, então ele vai para onde o perigo está, onde também está a bênção. O ponto aqui é fazer Cristo conhecido e não a preocupação com segurança, riqueza ou qualquer outro valor desta vida.
Animaram-no os irmãos – escreveram aos irmãos – auxiliaram muito os que haviam crido por causa da graça – nestas expressões, Lucas proporciona que vejamos que a obra do Senhor é feita por uma série de pessoas com o mesmo interesse pessoal: tornar Cristo conhecido. Eles o fazem porque tinham a consciência clara do papel da graça como a força transformadora.
Corinto pode ser uma cidade perigosa, mas o Evangelho de Deus é o poder para a transformação, a graça de Deus é poderosa!! Aqueles irmãos sabem que o seu empreendimento é na graça baseado.
Apolo publicamente – por isso aquele homem de Deus não pregou de forma reservada, mas se expunha publicamente com a mensagem de Cristo.  
A EXCELENCIA DA MISSÃO DEPENDE DIRETAMENTE DESTA VISÃO E PERCEPÇÃO DE TORNAR CRISTO CONHECIDO.

Conclusão
Eu não tenho dúvidas de que deveríamos repensar o que é que fazemos neste mundo com excelência. Talvez a sua excelência esteja só para o trabalho, com o qual você se sustenta, para a sua saúde, ou para a sua formação pessoal etc.
Acredito que sei  os motivos porque em muitos casos as pessoas não fazem a obra de Deus com excelência, deixando os restos para Cristo. Acredito que seja só porque, NÃO CONHECEM A DEUS, NÃO AMAM A DEUS, NÃO BUSCAM SERVIR À VERDADE e NÃO TEM NO SEU HORIZONTE DE VIDA TORNAR CRISTO CONHECIDO.
Acredito que melhor conclusão é você quem pode fazer. VOCÊ FAZ A MISSÃO DO SENHOR COM EXCELÊNCIA?

Oração
Ajuda-me a fazer a tua obra, não relaxadamente, mas com excelência.

Amém