14 de agosto de 2016

Atos 15.36-41

O Lugar do Ego na Missão da Igreja
Atos 15.36-41

FCD
A partir do exemplo apresentado por Lucas, entenderemos como o conflito entre Paulo e Barnabé nos ensina sobre o lugar do ego no desenvolvimento da nossa missão de servir e viver para Deus.
INTRODUÇÃO
Autoafirmação, egocentrismo, busca por protagonismo e relevância pessoal, a mentalidade do homem em nossos dias é a de se posicionar em condições de ser visto, notado e aplaudido pelos demais. O facebook, o instagram, twitter e outras redes sociais estão entre as ferramentas que mais alimentam este sentimento narcisista dos nossos dias.
Por um lado, podemos pensar que este desejo de ser notado, pode ter algum aspecto positivo. Afinal, sair do anonimato e aceitar o desafio de se expor e participar é um investimento no desenvolvimento de nossa personalidade. Por outro lado, é verdade que precisamos de cuidado redobrado com aquilo que chamamos de “ego”.
O conceito de “ego” tornou-se um dos conceitos centrais do modo  de pensar Ocidental, especialmente depois de Freud, quando ele explorou a ideia de que existe, guardados dentro de nosso inconsciente, um diverso  conteúdo que muitas vezes determina nossas ações.
Não obstante, ser Freud o responsável por uma profunda revolução na consciência do “ego”, as Escrituras já nos ensinava a respeito desta profunda interioridade e recomendava muito cuidado, porque nossa interioridade pode esconder pecaminosidade e potencial perigo para o desfrutar de um profundo e significativo relacionamento com Deus.
Quer quiser vir após mim, negue-se a si mesmo e siga-me.
O que vemos no texto que separamos para a exposição bíblica desta noite é a sucinta descrição que Lucas fez de uma grande desavença entre os missionário e companheiros Paulo e Barnabé. A discussão girou em torno da pessoa de João Marcos, primo de Barnabé, que havia se afastado da comitiva missionária de Barnabé e Paulo, quando estes adentraram a região da Panfília, voltando para a Jerusalém.
Vale a pena destacar que Lucas poderia iniciar o relato da segunda viagem missionária sem sequer mencionar este episódio, mas entendeu que seria importante para a igreja saber desta desavença. Não é fácil determinar quais as razões pelas quais Lucas imaginou ser importante este relato, mas podemos imaginar algumas possibilidades.
Acredito que possamos aprender muito sobre o modo como Barnabé e Paulo, os protagonistas deste episódio, lidaram com o “ego” na tarefa de servirem a Deus e cumprirem a sua missão.
Nós que muitas vezes, lidamos com muita dificuldade quando o assunto mistura “missão e ego”, talvez precisemos mesmo refletir sobre o  que aconteceu  com estes irmãos.

No Cumprimento de Nossa Missão Não Podemos Deixar o Nosso Ego Nos Fazer Esquecer de Ajudar o Outro Mesmo Quando o Outro Não se Portou Como Devia
Evidentemente a personagem que nos ensina sobre esta lição é Barnabé. O  texto é  construído para nos fazer ver que o que está no horizonte de Barnabé e Paulo é o empreendimento missionário. Eles foram muito bem-sucedidos na sua primeira viagem e voltaram à Antioquia com muitos frutos colhidos. Estavam dispostos a voltar para fortalecer aquelas igrejas na Palavra do Senhor.
Alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: voltemos, agora, para visitar os irmãos por todas as cidades nas quais anunciamos a palavra do Senhor, para ver como passam (Atos 15.36).
NO capítulo 13, vemos o relato de que João Marcos decidiu não seguir viagem para a Panfília, com Barnabé e Paulo, preferindo voltar à Jerusalém, à casa de sua família. Não temos informações sobre esta decisão de João e não precisamos pensar que tenha sido covardia, ou qualquer outra razão negativa em si. Seja como for, Paulo, acreditava que não era “justo” ou ainda mais literalmente “digno” que aquele que não fizera parte da primeira viagem com todos os seus percalços, voltasse com eles, colhendo frutos de seu trabalho.
E Barnabé, queria levar também a João, chamado Marcos. Mas Paulo não achava justo levarem aquele que se afastara desde a Panfília, não os acompanhando no trabalho (Atos 15.37-38).
Este é o ponto! Talvez João Marcos não tenha se tornado “digno” de colher estes frutos ou de receber algum privilégio de um trabalho alheio. As razões de Paulo são sucintamente descritas, mas não me parecem ser razões vergonhosas, apenas, uma forma de dar a justa medida às ações. NO entanto, Barnabé é capaz de não se sentir em nada lesado pela pessoa de João Marcos, mesmo ele tendo se tornado “indigno” de assumir aquele trabalho. Barnabé consegue vencer os brios do próprio ego e dividir uma glória com João Marcos que ele não deveria receber.
Irmãos, Barnabé é capaz de retomar a caminhada com alguém que errou, com alguém que não parecia digno e empreender nova caminhada com tal pessoa. Barnabé não colocou os interesses pessoais de qualquer natureza à frente da possibilidade de dar a João Marcos uma segunda chance.
Sem dúvida alguma, Barnabé precisou vencer elementos do ego que normalmente nos conduzem a um senso de justiça que procura manter sob as amarras dos rigores do que é justo, aqueles que não se entregaram a fazer o que deviam fazer.
Jesus Cristo deixa um exemplo parecido no trato com Pedro e, na verdade, com todos os seus apóstolos, até mesmo Paulo, o perseguidor da Igreja. Parece-me que neste ponto, a atitude de Barnabé coloca o EGO no lugar certo e não permite ao senso de JUSTIÇA PRÓPRIA comandar a relação com as outras pessoas.
Não podemos ser conduzidos pelo EGO, quando tratamos do tema de dar outras oportunidades a quem já errou conosco. Este é o ponto! A nossa missão de salvar vidas, inclui a vida daqueles que salvam vidas junto conosco!

No Cumprimento de Nossa Missão Não Podemos Deixar o Desejo do Ego por Glória Impedir que Façamos a Obra do Senhor
Ainda olhando para o exemplo de Barnabé, podemos aprender um segundo aspecto da sua decisão.
Houve entre eles tal desavença, que vieram a separar-se. Então, Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre (Atos 15.39).
Não sabemos nada sobre o que Barnabé e João Marcos fizeram em Chipre. Apenas sabemos que a decisão de Barnabé o tirou do roteiro que Lucas descreveu no restante do seu livro sobre o modo como a Igreja cumpriu o IDE.
Quando Paulo se converteu, Barnabé foi o homem que assumiu o papel de ser o seu tutor:
Tendo chegado a Jerusalém, procurou juntar-se com os discípulos, todos, porém, o temiam, não acreditando que ele fosse discípulo. Mas Barnabé, tomando-o consigo, levou-o aos apóstolos, e contou-lhes como ele vira o Senhor no caminho, e que este lhe falara, e como em Damasco pregara ousadamente em nome de Jesus (Atos 9.26-27).
Sem dúvida Barnabé era um homem de uma característica de amor bastante singular. Não é à toa que é chamado de “homem de consolação”, capaz de se condoer e ajudar o próximo. Assim como um dia ele havia feito com Paulo, se dispôs a fazer com João Marcos.
Durante a primeira viagem missionária, Barnabé era um líder e, em muitos momentos, considerado o verdadeiro líder inicial daquele empreendimento missionário. Um recurso de linguagem, usado para afirmar isto, é a posição dos nomes na descrição de Lucas.
Desde o capítulo 11, quando Lucas descreve o trabalho destes dois obreiros, você verá a referência de ambos assim “Barnabé e Saulo”. Até mesmo no começo da primeira viagem missionária você lerá: “Barnabé e Saulo” (At 13.2; 7). Somente a partir de 13.46 é que estas posições se inverterão, logo após o grande discurso de Paulo em Antioquia da Psídia.
Barnabé poderia tomar para si a prerrogativa de liderar a nova expedição missionária para colher os frutos plantados. Ele foi o tutor de Paulo, ele foi o primeiro líder da missão. Porque deveria deixar para Paulo este protagonismo.
Bem, pelo que o texto nos mostra, ele deixou este protagonismo, por não considerar a busca do EGO por glória como mais importante. O desejo de glória não o impediria de servir a Deus e preferiu o anonimato de uma missão menor, para ajudar João Marcos.
No lugar de Barnabé, algumas pessoas escolheriam nada fazer. Alguns chegam a dizer que não querem ser cauda, já que podem ser cabeça. Tenho uma grande dificuldade com esta ideia de que só podemos ser úteis se estivermos em situação de protagonismo. Precisamos aprender a continuar fazendo a vontade de Deus, mesmo quando isto aponta para o anonimato.
Na verdade, não existe anonimato quando se trata de servir na missão de Deus. Porque, Deus sabe qual é o nosso NOME e por isso é que nos chama  e envia para cumprir o nosso papel.
No Cumprimento de Nossa Missão Não Podemos Deixar o Nosso Ego Transformar o Nosso Coração em Um Poço de Soberba Insensata
Vamos tomar o exemplo a partir da história do Apóstolo Paulo. Os versos 40 e 41 são apenas o início da descrição de mais uma grande jornada de fé vitoriosa do apóstolo Paulo, agora na companhia de Silas, depois com Timóteo, com Lucas e tantos outros companheiros que se achegariam ao longo de sua bem sucedida jornada como anunciador do NOME DE CRISTO.
Mas Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu encomendado pelos irmãos à graça do Senhor. E passou pela Síria e Cilícia, confirmando as igrejas (Atos 15.40-41).
Paulo protagonizará diversas situações como pregador do Evangelho e Silas com ele. Enfim, todos sabemos da sua importância para o desenvolvimento e o espalhar da fé cristã.
Na verdade, Paulo poderia ter se esquecido de João Marcos e tê-lo deixado para lá. Afinal, não é assim que muitas vezes os famosos fazem, esquecendo-se daqueles que não cresceram com eles. Pois, quando nos tornamos pessoas importantes corremos o risco de ter o coração tomado por uma soberba insensata e perder o valor do amor pelas pessoas, deixando com que o amor por nós mesmos nos leve a esquecer dos outros.
Em Colossenses 4.10, nas suas saudações finais, Paulo recomenda que os irmãos cuidem de receber bem a João Marcos, o primo de Barnabé.
Saúda-vos Aristarco, prisioneiro comigo, e Marcos, primo de Barnabé (sobre quem recebestes instruções, se ele for ter convosco, acolhei-o) (Cl 4.10).
No final de seu ministério, diante de um momento de certo sentimento de solidão, Paulo chama Timóteo e pede que este venha ter com ele na prisão. Ele descreve este momento de solidão, aparentemente com certa tristeza por ter sido abandonado por Demas e de outros irmãos terem partido para outros trabalhos.
Procura vir ter comigo depressa. Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica; Crescente foi para a Galácia, Tito, para a Dalmácia. Somente Lucas está comigo (2Tm 4.9-11a).
A surpresa deste ponto da história de Paulo é o que ele pede que Timóteo faça no momento em que estiver vindo para estar com ele:
Toma contigo Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério (2Tm 4.11b).  
Talvez, numa situação de abandono ele pudesse pensar em muitas pessoas, menos naquele jovem que o havia deixado na missão. Mas, Paulo não deixou seu coração se afundar em uma soberba que o afastasse de ser abençoado pela vida de João Marcos, ao contrário, para Paulo, ele é agora um companheiro no momento de solidão.
O lugar do nosso EGO na MISSÃO DE DEUS não é o de se tornar soberbo e julgador eterno dos irmãos, mas o de humildemente aceitar a benção de Deus não importa por intermédio de quem ela venha.

Conclusão
Sem dúvida, um dos maiores perigos na nossa jornada em cumprimento ao chamado de Deus é aquele que jaz em nosso próprio coração, o nosso EGO. O lugar que o EGO deve ocupar não pode ser o de ser o Senhor da nossa vida, mas precisamos estar prontos para fazer morrer o nosso EU e promover a obra do Senhor.
Algumas vezes, precisamos vencer o EGO para oferecer oportunidades àqueles que andam ao nosso lado; Outras vezes, precisamos vencer o EGO para poder achar contentamento em uma obra que aparentemente não nos trará glória e nos levará ao anonimato, lembrando que não existe anonimato para quem faz a obra do senhor. Por fim, precisamos fazer com nosso EGO, não se torne soberbo e insensato, para podermos aproveitar, ao máximo, da graça de Deus e de sua maneira peculiar de cuidar de nós.
Não existe tarefa mais difícil que dominar o próprio coração e não existe tarefa mais grandiosa e abençoadora para nosso próprio EGO, quando conseguimos dar a ele o que ele mais precisa: VIDA HUMILDE E ENTREGUE NAS MÃOS DO SENHOR PARA PODER FAZER A SUA OBRA.

Oração
Que a minha vida possa ser um reflexo da tua vida em mim e como Jesus eu aprenda a viver humildemente na tua presença.

Amém

7 de agosto de 2016

Atos 14.1 a 7

Os Desafios de Quem Deseja Atrair Pessoas a Cristo
Atos 14.1 a 7

FCD
Neste texto perseguiremos os elementos desafiadores que Paulo enfrentou na pregação do Evangelho. Aquele apóstolo, deixou todas as coisas da sua vida para empreender uma jornada missionária para espalhar o conhecimento de Cristo entre os  gentios e esta jornada foi cravada por diversas circunstâncias adversas, que só deram ao  seu ministério mais caráter e força. Descobrir estes elementos poderá nos ajudar a perceber que precisamos aprender a vencer desafios que nos impedem seguir adiante atraindo pessoas a Cristo. Portanto, vamos nos exortar a seguir adiante na nossa tarefa de trazer às pessoas o conhecimento de Cristo, mesmo diante de importantes e aparementemente, intransponíveis desafios.  
 
INTRODUÇÃO
A história que lemos nestes versos se passa durante a chamada “Primeira Viagem Missionária”. Paulo e Barnabé são enviados pela igreja de Antioquia da Síria, passam pela terra natal de Barnabé, Chipre e dali são encaminhados para o continente na região da Cilícia, na Ásia  Menor, até a cidade de Antioquia da Panfília.
Nesta cidade, os missionários viram o poder maravilhoso do Evangelho. No segundo sábado de sua permanência ali, quase toda a cidade foi à sinagoga para ouvir o Evangelho. Isso gerou inveja dos dirigentes judeus, que com a ajuda de algumas mulheres da alta sociedade antioquena e das lideranças em geral do povo, expulsaram Paulo e Barnabé do seu território.
Paulo e Barnabé seguiram para outra cidade da região: Icônio. Esta era uma cidade importante da rota de comércio romana. Ali, da mesma forma, eles pregaram o Evangelho a judeus e gentios e muitas pessoas foram atraídas a Cristo e da mesma forma, como vemos no texto, houve perseguição.
A obra missionária de Deus, através do apóstolo Paulo, em particular, é um dos mais belos exemplos bíblicos de vida cristã e atitude no Reino de Cristo. O que fez um homem que tinha tudo deste mundo à sua disposição, deixar todas a sua boa vida, suas oportunidades de lado para empreender uma carreira de ser um pregador da Palavra e um instrumento para atrair pessoas a Cristo?
Porque nós, com muito mais facilidades à nossa disposição, muito mais ferramentas ao nosso alcance, não temos o mesmo impulso de fé para atrair pessoas a Cristo? Porque, em geral, estamos tão indisponíveis para cumprir este papel?
Devo lembrar que estamos no mês de agosto, no qual  celebramos o aniversário de 157 anos da Igreja Presbiteriana do Brasil. Poderíamos dizer coisas semelhantes ao que dissemos de Paulo, a respeito do jovem de 26 anos, Ashbel Green Simonto. O que move um servo de Deus a viver e morrer pelo Evangelho, com a finalidade de atrair pessoas a Cristo? O que nos falta para tal ventura de vida?
Vamos a este texto esta noite com a seguinte pergunta: quais os desafios que precisamos vencer se queremos atrair pessoas a Cristo? Vamos pedir a Deus que nos faça  enxergar e viver um padrão de vida cristã que nos transforme de meros frequentadores de igreja em espalhadores de uma nova maneira de viver: o viver cristocêntrico.

QUEM QUER ATRAIR PESSOAS A CRISTO PRECISA TER CONSCIÊNCIA DE QUE NOSSA LEALDADE A CRISTO É PROVADA QUANDO SEGUIMOS EM FRENTE SUPERANDO DESAFIOS E OPOSIÇÃO
É uma grande ingenuidade e imaturidade cristã imaginar que empreender uma jornada de vida cristã com o propósito de espalhar a cultura cristocêntrica será uma grande viagem de diversões e só haverá coisas positivas a serem cultivadas. Precisamos nos conscientizar daquilo que o próprio Jesus disse: o mundo vos odiará, porque primeiro odiou a mim.
Em Icônio, Paulo e Barnabé entraram juntos na sinagoga judaica e falaram de tal modo, que veio a crer grande multidão, tanto de judeus como de gregos. Mas os judeus incrédulos incitaram e irritaram os ânimos dos gentios contra os irmãos (At 14.1-2).
Com certeza, houve um momento de grande alegria para Paulo e Barnabé na cidade de Icônio. Afinal, grande multidão veio a crer em Jesus. Muitos judeus e muitos gregos foram atraídos a Jesus. O texto diz que esta foi uma resposta positiva à intrepidez de Paulo e Barnabé na pregação da Palavra de Deus.
Eles fizeram o mesmo que haviam feito em Antioquia da Pisídia, foram à sinagoga da cidade e anunciaram a Cristo. Aqui não registra o seu sermão, mas mostra claramente que Deus trouxe muitos à luz para crer em Cristo. NO entanto, a construção do texto, mostra que a intenção de Lucas era principalmente nos mostrar a oposição que se levantou neste episódio.
É claro que as conversões são mais importantes que a oposição. Mas Lucas tem a intenção de instruir a Igreja, a Teófilo (ler o capítulo 1.1 a 4), aqueles que amam a Deus, que nosso amor a Cristo e nossa lealdade à verdade é provada principalmente quando seguimos em frente, quando enfrentamos oposição e grandes desafios.
Um padrão de vida fugidia, sempre escapando à responsabilidades, desviando o caminho para rotas de vida menos traumáticas, pode ser um erro que estamos desenvolvendo ao longo dos anos. Muitos cristãos não aceitam o fato de que o seu chamado não é para uma vida tranquila emoldurada em festividades religiosas. Estes, preferem o comodismo de ver as coisas acontecendo de longe e não querem envolvimento. Dizem em seu coração que não querem se machucar, então não querem relacionamentos verdadeiramente sérios com a igreja e os outros irmãos. Têm medo de se colocar em risco.
Um Evangelho fácil e seguro é o que desejam estes cristãos comodistas. Mas este não é o padrão de quem atrai pessoas a Cristo. O padrão de quem atrai pessoas a Cristo é o padrão de Cristo. Pessoas que encaram a vida com realidade, na realidade das lutas que é o viver espontâneo e verdadeiro. O desafio de estar onde está a bênção e a oposição.
Vocês acham que Paulo não sabia dos efeitos da pregação do Evangelho. Ou acham que o ele disse aos ouvintes que eram desprezadores de Deus e que isso seria recebido só com alegria:
Notai, pois, que não vos sobrevenha o que está dito nos profetas: Vede, ó desprezadores, maravilhai-vos e desvanecei, porque eu realizo, em vossos dias, obra tal que não crereis se alguém vo-la contar (At 13.40-41).
Paulo estava ciente de que estaria propondo uma grande bênção, mas enfrentando um grande desafio. Não é fácil enfrentar a vida cristã, mas precisamos pagar o preço por isto, para atrair pessoas a Cristo, precisamos também vencer os desafios de atrair oposição e superar.
Provamos nossa lealdade a Cristo não somente quando pregamos a verdade,  mas quando somos corajosos para seguir em frente quando somos expostos a situações difíceis e preferimos a luta, à fuga.
QUEM QUER ATRAIR PESSOAS A CRISTO PRECISA FIRMAR SUA FORÇA NÃO EM SI, MAS NO FATO DE QUE DEUS É QUEM VAI FAZER A OBRA
O apóstolo Paulo tinha uma força e uma segurança no seu chamado que parecem inacabáveis. Mas o que lhe dava forças para atrair pessoas a Cristo com a pregação do Evangelho, mesmo sabendo que muita oposição iria se levantar, é o fato de que Paulo sabia que Deus é quem faria a obra através dele.
Entretanto, demoraram-se ali muito tempo, falando ousadamente no Senhor, o qual confirmava a palavra da sua graça, concedendo que, por mão deles, se fizessem sinais e prodígios (At 14.3).
Apesar da experiência ruim de Antioquia e de vê-la se repetindo em Icônio, Paulo e Barnabé ainda permanecem muito tempo naquela cidade. Nesta primeira viagem missionária foi o maior período de permanência de Paulo em uma cidade.
Ele se dispôs a permanecer ali, porque percebeu que Deus estava agindo, oferecendo ao seu ministério a possibilidade de pregar ousadamente. Os sinais e prodígios que fizeram era somente uma maneira de Deus lhes mostrar e mostrar a todas as pessoas que a força do Evangelho não estava em Paulo e na sua pregação, mas no próprio Deus, que era o Senhor da obra.
Talvez seja esta falta de consciência de Deus que nos limite tanto e nos torne tão tímidos, ou tão ineficientes na ação de atrair pessoas a Cristo. Talvez as pessoas também vejam pouco da presença de Deus em nós.
De fato, quando Deus realizava prodígios por meio dos seus enviados, o que ele estava mostrando na vida daqueles homens é que eles estavam vivendo na presença de Deus e tinham Deus a seu lado.
Foi o professor de Paulo, o sábio GAmaliel que aconselhou as principais autoridade religiosas de Jerusalém a serem cuidadosas no trato com os discípulos, quando disse:
Se esta obra vem de homens perecerá, mas se é de Deus, não podereis destruí-los (At 5.38-39).
Saber que Deus está agindo em favor da sua obra é o verdadeiro motivo por detrás da coragem de Paulo e não ter esta mesma consciência pode ser a razão por detrás de tanta desconfiança da nossa parte e tanto medo de seguir em frente.
Não podemos confiar em nossa capacidade de fazer as coisas certas ou de manter a igreja no caminho. Temos de confiar em Cristo, que é o Senhor da Igreja que a conduzirá. Sem dúvida temos uma grande responsabilidade, porque é por nosso intermédio que Cristo faz a sua obra, mas no final, a nossa segurança de êxito não está em nós, mas nEle.
QUEM QUER ATRAIR PESSOAS A CRISTO PRECISA TER A DISPOSIÇÃO DE CONTINUAR SEMPRE
Há um ditado popular que diz: cão que foi mordido por uma cobra, tem medo até de linguiça. A ideia é que se sofremos com alguma coisa, temos a tendência de evitar qualquer coisa que se aproxime daquilo que nos fez sofrer. Acredito até que esta é uma maneira sábia de pensar, mas não pode ser aplicada totalmente à vida, porque sempre haverá circunstâncias em que é necessário se expor aos mesmos enfrentamentos. Esse é o caso de Paulo no final deste trecho.
Mas dividiu-se o povo da cidade, uns eram pelos judeus, outros, pelos apóstolos. E, como surgisse um tumulto dos gentios e judeus, associados com as suas autoridades, para os ultrajar e apedrejar, sabendo eles, fugiram para Listra e Derbe, cidades da Licaônia e circunvizinhança, onde anunciaram o Evangelho (At 14.4-7).
Pode ser que em alguma situação particular o mais sábio seria dar um tempo, mas não para a tarefa de atrair pessoas a Cristo. Paulo e Barnabé estavam dispostos a seguir em frente pregando o Evangelho.
Eles perceberam que a situação estava fugindo ao controle e que haveria grande dano, talvez para a própria igreja que estava nascendo em Icônio. Paulo e Barnabé vão para Derbe e Listra. E quando vão para esta região, o texto de Lucas aponta que o seu objetivo não era se livrar do problema somente, eles não foram e resolveram dar um tempo até a poeira baixar, eles seguiram pregando o Evangelho.
O desafio de seguir adiante no Evangelho é mais relevante quando enfrentamos os problemas e decidimos continuar o trabalho da fé, atraindo pessoas a Cristo.
A  disposição de continuar a obra de atrair pessoas a Cristo é uma das mais atraentes qualidades de um Cristão. Essa força que nos faz persistir vem de Deus e é uma amostra segura da presença de Deus na nossa vida. Mais que isso, a prova de nossa convicção e a nossa convicção faz outras pessoas convictas também.
Conclusão
O Evangelho não é apresentado somente quando pregamos a palavra. Atraímos pessoa a Cristo mais eficientemente quando nossa vida, diante dos desafios, revela que estamos prontos para pagar o preço que nossa fé exige.
O que Lucas propõe aos seus leitores, certamente caminha na direção de que as pessoas precisam sentir em nós que realmente amamos a Deus e a melhor maneira de fazê-lo é superar as dificuldades para fazer o que Deus quer que façamos.
Esta noite, voltaremos nosso olhar para a mesa do Senhor e para o seu sacrifício e eu sei que não existe melhor exemplo do que o de Jesus que venceu todos os desafios para cumprir a obra do Pai e foi assim que nos salvou.
Oração
Ajuda-nos, Senhor, a viver na força do seu poder e a atrair pessoas a Cristo, com uma vida dedicada e voltada para ti.

Amém

10 de julho de 2016

Atos 10.44 a 48

O Espírito Rompe Barreiras Entre os Filhos de Deus
Atos 10.44 a 48

FCD
Uma Igreja verdadeiramente espiritual tem uma marca fundamental: a sua unidade. Seres humanos, por causa da queda, resistem à ideia de verdadeira unidade, porque o egocentrismo domina o coração humano, mas o novo nascimento produz uma nova percepção do outro e esta é uma marca essencial de uma igreja verdadeiramente espiritual. No texto de hoje, assim como Pedro aprendeu, podemos aprender também a respeito da nossa unidade no Espírito.   
INTRODUÇÃO
O capítulo 9, certamente é dedicado a nos mostrar as grandes lições aprendidas pela igreja através da instrumentalidade de Pedro. O capítulo 10, por outro lado, certamente é dedicado a nos mostrar as lições que o próprio Pedro aprendeu.
Quando Lucas escreveu este livro não tinha a intenção de promover pessoas, construir reputações heroicas para a motivação da igreja. Não estava na agenda de Lucas outra coisa senão nos mostrar como o poder do Espírito Santo usou homens simples nas mãos do Senhor.
A igreja que crescia e se espalhava pela Galiléia, Samaria, Judeia e depois por toda a Ásia, Acaia, Europa etc., tinha um ministério impressionante, mas não se tratava de uma igreja em si impressionante. Era uma igreja comum, de gente comum, uma igreja simples, de gente simples.
Quando Paulo escreveu para os crentes de Corinto ele deixou claro que a vocação da igreja havia privilegiados os homens simples, aqueles que nada são. Deus o fez assim para que o poder que viesse a ser exaltado na Igreja não fosse o do homem, mas o de Deus e do Espírito de Cristo.
O capítulo 10 de Atos é dedicado a uma história de transformação da visão e do coração de Pedro. Nele, Lucas relata que Cornélio, um gentio, manda chamar Pedro. Ele é um homem temente a Deus, está orando e Deus o orienta a chamar o grande apóstolo.
Pedro, por sua vez, tinha uma visão restrita da obra de Deus. Mas irá, após uma visão espetacular de um lençol com animais imundos, aprender a lição do valor dos gentios para o Senhor e do amor do Senhor por todos os povos da terra. Isto mudaria radicalmente a visão dos apóstolos, pois estes encontrariam o caminho para a verdadeira obra de Deus: alcançar todos os filhos de Deus e não somente aqueles que interessavam aos judeus.
Aprender a receber o outro, não apenas por educação, não apenas por causa do convívio social, mas recebe-lo como irmão, como parte de nós, como alguém que foi amado e escolhido por Deus, este foi o grande desafio de Pedro naquele dia, assim como é para nós.
Vamos buscar neste texto os elementos que nos ajudem a repensar os valores que guiam o processo que nos faz irmãos. Vamos buscar neste a importância de entender que o que nos une está acima de nós.
O ESPÍRITO SANTO USA A PALAVRA COMO INSTRUMENTO PARA ROMPER AS BARREIRAS ENTRE OS FILHOS DE DEUS
Nem sempre é fácil entender a importância deste texto para o argumento que Lucas está construindo com a história da igreja primitiva. Lucas, viveu o contexto das importantes discussões iniciais do cristianismo e, entre as questões mais difíceis, estava a união entre gentios e judeus.
Lucas toma Pedro como o seu exemplo mais importante. Ele mostra aos seus leitores iniciais e para nós como Pedro, aquele que representava melhor que todos os demais a origem judaica do cristianismo, para servir de aprendizado para toda a igreja dos seus dias sobre a natureza espiritual da Igreja.
As diferenças entre judeus e gentios eram históricas e profundamente arraigadas no coração dos judeus, em particular. Era muito difícil para um judeu compreender o que é uma vida espiritual para um gentio. O judeu não conseguia conceber que o pacto de Abraão se estendesse também a homens que não fossem descendentes de Abraão no sangue. O Novo Testamento, em muitas das suas cartas, discutirá fortemente esta questão.
Mas Pedro foi enviado ao Centurião Cornélio por um chamado do Espírito Santo. Teve uma visão desafiadora sobre o valor das pessoas que Deus criou e que não deveriam jamais ser consideradas imundas, quando chegam os homens de Cornélio com uma mensagem:
Enquanto meditava Pedro acerca da visão, disse-lhe o Espírito: estão aí dois homens que te procuram; levanta-te, pois, desce e vai com eles, nada duvidando, porque eu os enviei. E, descendo Pedro para junto dos homens, disse: Aqui me tendes, sou eu a quem buscais? A que viestes? Então, disseram: O centurião Cornélio, homem reto, temente a Deus e tendo bom testemunho de toda a nação judaica, foi instruído por um santo anjo para chamar-te a sua casa e ouviras tuas palavras (Atos 10.19-22).
O Espírito Santo estava conduzindo aquele episódio e preparando para Pedro ter este encontro na casa de Cornélio. O que é interessante é que Cornélio mandou chamar Pedro para poder “ouvir a suas palavras”. Pedro foi com eles e na casa de Cornélio expôs a mensagem do Evangelho.
O próprio Cornélio ajuntou em sua casa seus parentes e se posicionaram para ouvir o que Deus tinha ordenado para a sua vida:
Portanto, sem demora, mande chamar-te, e fizeste bem em vir. Agora, pois, estamos todos aqui, na presença de Deus, prontos para ouvir tuo que te foi ordenado da parte do Senhor (Atos 10.33).
Pedro, portanto, anunciou como o Espírito Santo ungiu Jesus de Nazaré para o seu ministério e como ele foi morto e ressuscitou, tendo aparecido aos apóstolos e os enviado a pregar a mensagem do juízo de Deus contra os homens e de sua salvação.
Ainda, Pedro, falava estas coisas quando caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro, admiravam-se, portanto, que também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo; pois os ouviam falando em línguas e engrandecendo a Deus (Atos 10.44-45).
O Espírito, como resultado da Palavra, ofereceu aos homens da casa de Cornélio o mesmo dom que havia concedido aos apóstolos em Jerusalém no dia de Pentecostes. O Espírito estava mostrando que OUVIR A PALAVRA DE DEUS É UMA DÁVIDA QUE DEUS DÁ SOMENTE AOS SEUS FILHOS.
Naquele momento ele estava rompendo várias barreiras culturais, religiosas, que se impunha separando as pessoas. Os judeus, como o texto destaca, não faziam mal juízo dos gentios porque eram simplesmente homens maus, mas tinham construído uma maneira de ver a vida que precisava mudar e uma maneira de ver as outras pessoas que precisava mudar e DEUS ESTAVA MUDANDO A SUA VISÃO DOS OUTROS.
É tão fácil construir barreiras para a nossa relação com os outros. Basta o nosso coração sentir que há erros nos outros ou coisas que não apreciamos: ele tem isso, aquilo, faz isto ou aquilo, se veste assim ou assado... Para Pedro e seus irmãos judeus, o Espírito precisou lhes mostrar: ELES TAMBÉM OUVEM A PALAVRA DE DEUS.
Irmãos, precisamos trabalhar com uma visão de irmandade que se faz em torno da Palavra de Deus e não da nossa. O outro é seu irmão por vontade de Deus e não por sua vontade. Tomemos muito cuidado com as barreiras que temos levantado, porque o fato de levantar barreiras pode indicar que quem não está ouvindo a Palavra somos nós.  

O ESPÍRITO SANTO USA O NOVO NASCIMENTO E SEUS DONS PARA ROMPER BARREIRAS ENTRE OS FILHOS DE DEUS
Quando o Espírito Santo deu aos gentios da casa de Cornélio o mesmo dom que dera aos discípulos no cenáculo em Jerusalém, ficou claro para os judeus que Deus estava agindo no coração deles. Pedro, chegou a uma conclusão teológica fundamental: eles haviam nascido de no Espírito!
Então, perguntou Pedro: Porventura, pode alguém recusar a água, para que não sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo? (Atos 10.46-47).
Pedro propõe uma reflexão aos irmãos judeus que o seguem e, implicitamente uma reflexão para todo o pensamento judaico a respeito do que significa alguém ser batizado com o novo nascimento do Espírito Santo, com as evidências naturais disto.
Mais tarde, Pedro teve de dar explicações em Jerusalém e disse que entendeu que o que havia acontecido era um batismo com o Espírito Santo, como Jesus havia ensinado e que diante disto não pode resistir a Deus.
Quando, porém, comecei a falar, caiu o Espírito Santo sobre eles, como também sobre nós, no princípio. Então, me lembrei da palavra do Senhor, quando disse: João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo. Pois, se Deus lhes concedeu o mesmo dom que a nós nos outorgou quando cremos no Senhor Jesus, quem era eu para que pudesse resistir a Deus? (Atos 11.15-17).
Irmãos, a vida em irmandade é produto da soberana vontade de Deus e de nenhuma outra realidade humana. Precisamos discernir estes aspectos de quem somos e de quem são os nossos irmãos. As barreiras que deixamos construir, muitas vezes, são negações capciosas do pecado que age em nosso coração e DUREZA DE CORAÇÃO PARA COM DEUS.
Pedro desafiou os seus companheiros, mais ou menos dizendo: vocês estão vendo o que Deus está fazendo, vocês conseguem negar a água para recebe-los na nossa irmandade da fé? Pedro estava identificando a natureza comum do chamado do Espírito naqueles gentios e em todos os judeus que haviam crido em Cristo Jesus.
Os valores que devem ser considerados para a construção da nossa visão de irmandade não podem se estabelecer em nossas percepções pessoais. Devemos ter muito cuidado quando nos tornamos seletivos demais em nossa relação espiritual dentro da nossa irmandade. Corremos o risco de estar resistindo a Deus e isto é muito sério.


O ESPÍRITO SANTO USA A COMUNHÃO PARA ROMPER AS BARREIRAS ENTRE OS FILHOS DE DEUS
Esta unidade entre judeus e gentios não foi resolvida muito facilmente. Diferenças, em geral, não são resolvidas com facilidade. Precisamos aprender a usar melhor os recursos que Deus nos dá para diminuir estes problemas.
O próprio Pedro lidou com uma enorme dificuldade diante desta relação. O apóstolo Paulo, na sua carta aos Gálatas, nos diz que teve de resistir a Pedro e repreendê-lo, porque teve um comportamento estranho em Antioquia. Afinal, quando estava só com gentios, comia e se alegrava, mas quando chegaram alguns judeus, enviados por Tiago, ele se afastou dos gentios.
Como eu disse, a Bíblia não está a serviço das reputações pessoais, mas a serviço de uma verdadeira vida com Deus, a serviço da construção de uma família da fé, daqueles que são chamados por Deus para serem seus filhos.
Assim que Pedro identificou a irmandade dos que foram batizados na casa de Cornélio, ele permaneceu com eles por alguns dias.
E ordenou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Então, lhe pediram que permanecesse com eles por alguns dias (Atos 10.48).
Duas coisas se destacam neste verso. A primeira é que Pedro ordenou que eles fossem batizados como cumprimento da ordem de Jesus: em nome de Jesus, ou seja, deu início à vida deles como discípulos de Cristo, reconhecendo-os na irmandade de Cristo. O segundo destaque é que a comunhão é o resultado mais direto da vida em irmandade.
Quando Pedro retornou à Jerusalém, as inquirições começaram justamente sobre o fato deles terem comido com pessoas incircuncisas.
Quando Pedro subiu a Jerusalém, os que eram da circuncisão o arguiram, dizendo: Entraste em casa de homens incircuncisos e comeste com eles. (Atos 11.2-3).
Pouco percebemos, porque achamos que comunhão é fruto apenas de uma relação social. Portanto, imaginamos que comunhão é uma atitude que deriva de nossa simples preferencia social.
O convívio social é uma coisa própria da nossa humanidade e até os que não crêem são capazes de viver bem uns com os outros. Comunhão na irmandade da fé é algo espiritual e só pode acontecer quando começamos a ver o outro com os olhos de Cristo. As regras do convívio social são, em geral, baseadas em questões das preferências pessoais, as regras da comunhão espiritual são baseadas nas regras do Espírito Santo.
Viver em comunhão é coisa que se aprende. Mas para aprender isto precisamos usar os recursos de que dispomos e estar juntos uns dos outros é fundamental.
As últimas décadas do século XX, por causa do progresso da tecnologia, marcou a história humana como a época do individualismo e da solidão social. De muitas formas, nos tornamos pessoas tendentes à solidão e isto está nos matando como sociedade. Quando isto chega à igreja rompe a mais importante marca do que é ser cristão: o amor ao irmão.
Pedro foi instado a permanecer com eles e ele ali ficou. Jesus também foi acusado de comer com pecadores, pessoas indesejáveis, mas foi assim que o Mestre nos mostrou a vencer barreiras. Foi convivendo com Paulo que Barnabé pode lapidar o maior de todos os pregadores do mundo antigo.
A igreja se constrói não nos sermões, mas na prática da verdade na nossa vida do dia a dia como irmãos uns dos outros. Vocês são para mim a bênção do desenvolvimento da nossa vida cristã. Sabe porque temos tantos crentes infantis na sua fé, porque não conseguem afiar sua fé, como o ferro afia o ferro, na comunhão com os outros.
Por esta razão é que a igreja de Corinto era tão criticada, por causa da sua dificuldade na comunhão. Isto refletiu na ceia, em que cada um buscava o seu interesse. Mas, Paulo, para corrigir este problema escreve o grande capítulo 12, do Corpo e conclui com o capítulo 13 sobre o amor.
O Espírito usa a nossa comunhão para romper as barreiras que existem entre nós. De tal forma que podemos sim aprender a amar o outro, mas para isto, precisamos de comunhão, o que implica em dar e receber vida uns aos outros.

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO
Irmãos, a igreja que Deus usa neste mundo é aquela que está disposta a pagar o preço ´para ser um só corpo no Senhor. Aquela que irá buscar pessoas não para serem frequentadores do seu culto, mas para serem membros do corpo.
Por isso, é tão importante que você tenha tempo para comunhão, traga seu filho para construir amizades no corpo, abrace o visitante e o receba como alguém para viver ao seu lado e saiba estar ao lado do irmão quando ele está fraco e caído.
O Espírito SANTO é quem torna a nossa unidade espiritual e ele é aquele que habita no coração de todos nós. Portanto, não há nada em mim que me torme melhor ou pior que você, ao contrário, espiritualmente falando, a mesma graça nos une.

Aplicação para a Igreja Presbiteriana de Vila Formosa
Quero que você se desperte para ser menos individualista e viva mais a vida da Igreja como uma coletividade da fé. Alguns moram muito longe, sei da dificuldade de vocês, outros têm muitas ocupações profissionais, estudantis, muitos projetos pessoais. Tenham muito cuidado para não deixarem de lado aquilo que pode dar à sua vida a experiência mais verdadeira e preciosa, a comunhão do Espírito.
Precisamos trabalhar em algum ministério, em alguma necessidade ou simplesmente ter amigos que possam frequentar nossa casa e que possamos ir em suas casas. Cultos nos lares, almoços, jantares, momentos sociais, estudos bíblicos em grupo, participar das sociedades internas... seremos cobrados por Deus por desperdiçarmos tantas oportunidades para desfrutar do Espírito Santo que foi dado também aos outros irmãos.

Oração
Senhor, produza quebrantamento e verdadeira comunhão em nossa igreja. Ajuda-nos a viver para Cristo e somente para ele!
Amém