3 de setembro de 2017

Gálatas 5.16-26

Identificando a Presença da Graça no Coração
Gálatas 5.16-26


Introdução
Toda a luta do apóstolo Paulo com as igrejas da Galácia não tinha nenhum interesse de supremacia do seu domínio sobre o pensamento da igreja. O problema de Paulo é que a igreja estava entregando ao mundo uma vida prática que revelava sua imatura relação com Deus.
O grande sinal do problema e da doença que eles tinham estava claro no fato de que no seio da igreja o que havia crescido era um movimento de luta interna e disputas de egos possuídos de vanglória. Evidentemente, as coisas não estavam bem. Eles precisavam refletir sobre isto.
Dentro deste pensamento, vamos nos deter nos versos 16 a 26 e falar um pouco sobre os sinais práticos da vida no espírito e como é necessário identifica-los para que possamos avaliar nosso caminho e fazer caminhos novos e retos para nossos pés.
Você precisa estar disposto a essa autoinvestigação esta noite. Precisa preparar seu coração para olhar no espelho por meio da fé e perceber quem realmente você é. Caso o que você irá encontrar em você não seja os sinais da graça do Espírito, o que é necessário não é o desespero, mas a fé. A fé para dispor seu coração a retomar a caminhada certa.
Acredito que muitos perceberão que estão no caminho certo. Muitos saberão que tem falhas, mas também notarão que muitas coisas boas já se mostram na sua vida. Isto é bom, mas não se deixe acomodar, não permita que isso seja apenas confortável, lembre-se que temos de ser zelosos pelo bem e ter toda a nossa vida e natureza cativa de Cristo.

Identificamos a Presença da Graça no Coração Quando nos Identificamos Sinais da Vida do Espírito em Nós

Digo, porém, andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer (Gálatas 5.16-17).
O apóstolo Paulo está partindo de uma observação clara sobre o que estava acontecendo no seio da Igreja. As lutas, disputas internas, acusações, facções e todas a falta de amor presente naquela igreja eram sinais evidentes de que eles não estavam caminhando bem, estavam desviados da verdade. No entanto, Paulo quer que eles busquem essa percepção neles próprios, que investiguem a si mesmos e se notem no erro.
Andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne – O apóstolo Paulo está chamando os crentes a olharem para o fato de que o dia a dia deles estava permeado pela inclinação da carne. A linguagem que ele usa “peripasete” (andai), indica um ato natural e contínuo no andar comum. Não se trata de desenvolver grandes habilidades misteriosas, ou secretas, especiais, que somente os grandes mestres são capazes, Paulo está dizendo que o crente que faz o básico, segundo a direção do Espírito não satisfaz à uma inclinação natural da carne. Portanto, o que realmente revela e identifica a graça na nossa vida é a natural inclinação para vencer a também natural inclinação para o mal (epiphemia – concuspiscência, uma forte inclinação para o que é mal).
A carne milita contra o Espírito e o Espírito contra a carne – a luta interior é, num certo sentido uma grande bênção, afinal ela aponta para o fato de que o Espírito está vivo em nós e resiste às inclinações naturais da carne. A questão que Paulo qualifica aqui é que os crentes deveriam perceber que isto estava acontecendo entre eles. Eles sabiam que aquele estado de coisas não era bom e precisavam lutar corretamente contra tudo o que estava acontecendo que os estavam levando a viver longe da graça.
A vida do Espírito em nós nos leva a clamar: Aba Pai! Isto e tantos outros aspectos dessa nossa relação com Deus são frutos do agir do Espírito Santo em nossa mente, em nosso coração.
O Espírito Santo é o responsável pelo desenvolvimento de nossa vida com Deus. Os filhos de Deus são aqueles que nasceram de novo e o Espírito trabalha em nossa mente para que descubramos e venhamos à consciência de que realmente somos filhos de Deus. Paulo está dizendo que este mesmo Espírito opera em nós a percepção de nossos erros, nossos desvios e nos faz ver quem realmente somos. Ele nos convence do pecado, do juízo e da justiça. Essa é uma obra do parácleto divino.
Pessoas altamente autocentradas, autoconvencidas de espiritualidade e que estão somente dispostas a apontar erros dos outros, sem nunca perceberem-se pecadores, os legalistas em geral, assim como os libertinos, os que vivem de qualquer maneira são pessoas que não denotam esta percepção do próprio pecado. Perceber-se pecador, perceber as próprias trevas não é um sinal de ruim, ao contrário, é um sinal de vida.
O Espírito é oposto à carne e por isso mesmo não podem conviver harmonicamente. Portanto, qualquer um que viver no Espírito não se sentirá bem com as obras da carne.

Identificamos a Presença da Graça no Coração Quando Identificamos Resultados Práticos da Vida do Espírito em Nós

Mas, se sois guiados pelo Espírito não estais sob a lei. Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam. Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. (Gálatas 5.18-23).
Se sois guiados pelo Espírito não estais sob a lei - Neste trecho, o apóstolo Paulo resolve descrever de um lado as obras da carne e do outro o resultado da obra do Espírito. A desculpa deles para deixarem o Evangelho da graça era a de que estavam tentando viver pela Lei de Deus. Neste ponto Paulo, então, está dizendo que o Espírito santo nos guia a um resultado prático que não é em tempo algum condenado pela lei. Por isso, ele começa dizendo que a Lei não condena que anda no Espírito, porque o resultado prático do andar na Lei é um tipo de vida, baseado no cumprimento da Lei.
Obras da carne são conhecidas e são... – Não se trata de nenhuma coisa nova para eles, ao contrário, eram coisas conhecidas. Paulo começa acusando aquilo que era mais claro para todos: prostituição (porneia), impureza (akatarsia), lascívia (asselgheia)... estes pecados, quase sempre ligados à licenciosidade sexual eram claramente recebidos como obras da carne, da mente pecaminosa. Idolatrias e feitiçarias (famaquéias), apontavam para falta de compromisso com o Deus verdadeiro.  

Paulo, no entanto, completa fazendo menção à pecados que estavam sendo cometidos entre eles e que se escondiam sob uma capa de vida de acordo com a Lei. Ou seja, em nome da retidão, eles deixaram a igreja se impregnar de lutas, dissensões, inimizades, facções etc... O que o apóstolo está fazendo é levando-o as perceber que o resultado prático da vida deles não era retidão da Lei, mas apontava para a natureza maligna que os dominava fortemente.
Não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam – a força desta frase é que ela nos faz pensar na prática, no resultado do que realmente estamos fazendo. Isso deveria nos servir de alerta fortemente. No final, devemos fortemente pensar, o que realmente estamos entregando como vida tem sinais práticos da vida do Espírito ou não?!
Mas o fruto do Espírito é – essa maneira de dizer é uma forma de usar a força da comparação, isto é, o resultado prático da vida no Espírito não pode ter, de forma alguma, contradições práticas do resultado da lei, que é amor.
Contra estas coisas não há lei – o que Paulo intencionava é que eles compreendessem que se eles realmente estavam interessados em viver para Deus e não contrariar a Lei, não poderiam deixar de notar o resultado prático de sua vida na Lei. Ou seja, a maturidade na Lei não pode, de forma alguma, nos conduzir a qualquer tipo de vida prática que nega a Lei, ao contrário, temos de trabalhar para que a nossa vida resulte em coisas que comprovem que somos mais maduros como a Lei nos quer direcionar.
Seria interessante, mas deixarei para um outro momento, um detalhamento maior deste fruto do Espírito. Por hora, vale a pena notar eu o ponto de Paulo é nos fazer perceber o resultado prático da nossa vida e notar o que realmente estamos revelando, mais domínico da carne ou do Espírito.

Identificamos a Presença da Graça no Coração Quando  Identificamos em Nós Movimentos de Autonegação e Auteridade

E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros (Gálatas 5.24-26).
A palavra “auteridade” não é muito comum, por isso, precisamos defini-la melhor. Auteridade é aquilo que é próprio do outro, que pertence à natureza do outro, da outra pessoa. Auteridade é também a capacidade de pensar como o outro, ou pensar no outro. Não somente a autonegação é um valor do cristianismo, mas o pensar e sofrer o que sofre o outro é um distintivo do verdadeiro cristianismo.
Os que são de Cristo crucificaram a carne e suas paixões e concupiscências – com certeza, Paulo está sendo bastante claro em dizer que eles não estavam em Cristo se a marca e sua vida era justamente o oposto do que o Espírito realmente faz no crente. Então, ele deseja que pensem com muita seriedade sobre o resultado daquele falso evangelho que fazia Cristo nada significar para eles, antes, ao contrário, os estava levando a negar a obra de Cristo.
Se vivemos no Espírito andemos também no espírito – dito do jeito que Paulo disse: sonem pneumati – pneumati stoikomem – tem a força da sonoridade, como um dito popular que rima, que tem um efeito retórico pela sonoridade. Isto é, Paulo está mais ou menos dizendo que aquilo que deve ser conceitual deve ser também prático.
Não nos deixemos possuir de vanglória – esta é profunda exortação final. Paulo está dizendo que o tipo de cristianismo que eles estavam buscando, que se baseava neles próprios e num autoconvencimento da justiça pessoal, era um tipo de vida que na prática negava o que eles buscavam. Então, eles não poderiam ceder aquilo e sim, lutar contra este modelo fracassado de vida autocentrada.
Paulo usa aqui algumas palavras que podem nos ajudar. Gnomai – Ele diz, que não devemos nos tornar por meio do pensamento. Ou seja, ele deseja que os crentes pensem melhor sobre o que estão fazendo e lhes diz enfaticamente, não se deixem convencer de que são – kenodoxai – cheios de glória. A demonstração mais clara de que eles não eram, é que eles estavam tendo facções e lutas entre eles. Este sinal era o mais perigoso e mais importante a ser detectado.
Auteridade – Uma igreja madura, que vive o evangelho da graça estará inclinada a auteridade, porque o evangelho da graça muda o foco da nossa atenção. O outro se torna prioridade e o principal objeto interesse. Quando você percebe esta intencionalidade, ficará mais fácil ler os versos seguintes, basta dar uma olhada no que ele diz. Por isso é preciso ser tão enfático com o “não nos deixemos convencer de glória pessoal”.

Conclusão
Claro que podemos ouvir este sermão e ficar pensando em tudo o que outras pessoas precisam fazer para serem melhores e não errarem tanto. Mas, com certeza, o que realmente precisamos é nos perceber e identificar em nós os sinais da presença da graça.
A graça nos faz ver nossos próprios pecados? Estamos sensíveis para perceber nossa própria maldade. O verdadeiro e profundo despertamento do Espírito primeiramente nos faz perceber quem somos. Somos atingidos pela percepção e nossa própria pecaminosidade e isso nos leva ao chão, nos leva ao patamar do clamor, da necessidade.
Podemos sim, pensar em tudo que outras pessoas precisam fazer para serem melhores. Mas sem dúvida hoje notamos o quanto precisamos olhar na prática aonde o Evangelho está nos levando, quando voltamos para nossa casa e vamos viver o dia a dia do casamento, lidar com os filhos, qual é o nosso real comportamento mais natural. Somos mais dominados pela carne e percebemos isto.
O sinal prático da vida do Espírito é que estaremos incomodados de ver estas coisas acontecendo em nós. O sinal prático da vida do espírito em nós é que queremos ver a vida se manifestando e não a morte nos dominando. Com certeza, Paulo sabia que a igreja sentiria isto e refletiria sobre essa situação. Esse é o ponto que precisamos parar para concluir esta noite.
Aonde ser o que somos e fazer o que fazemos está nos levando na prática. Está nos moldando a fazer as coisas próprias do Espírito, está nos levando a amar? Irmãos, olhemos para nós mesmos como igreja, olhemos para nós, como maridos, esposas, pais, mães, filhos, filhas, amigos, companheiros de luta... olhemos para nós como pessoas e nos percebamos...
A auteridade tem moldado a nossa postura diante das coisas que nos cercam, ou o orgulho e a vanglória têm comandado? Aqui está o que precisamos fazer: precisamos buscar a vida no Espírito, precisamos buscar andar no espírito.

Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.



20 de agosto de 2017

Gálatas 4.8-20 - IP Filadelfia Jd. Eliane

Tome Cuidado e Não Viva Um Evangelho Falso
Gálatas 4.8-20

(Aniversário 36 anos da IP Filadélfia em Jardim Eliane)


Introdução
Tenho me detido um pouco em fazer exposições no texto de Gálatas. Acredito que um entendimento mais completo deste texto pode nos ajudar com vários problemas que enfrentamos em nossos dias.
Irmãos, precisamos pensar seriamente sobre os problemas que afetam a nossa vida cristã. Acredito que, algumas vezes, temos vivido coisas da vida cristã, praticado ações da vida cristã, desenvolvido hábitos cristãos, mas não estamos progredindo na direção que a vida cristã precisa progredir.
O que realmente significa ser um cristão? O que Deus realmente espera de sua igreja e para a sua igreja? No verso de número 19, temos uma ideia que domina a mente de Paulo e o leva a insistir com os Gálatas sobre o que eles estavam fazendo com a relação deles com Deus.
Até ver Cristo formado em vós – irmãos, este é o coração da vida Cristã, ou seja, o desenvolvimento de uma vida modelada no caráter de Cristo. Na verdade, Deus deseja que seus filhos adotados sejam como é perfeitamente seu filho unigênito e tenham uma relação filial perfeita com o Pai. Deus deseja formar uma família, perfeita em sua comunhão com o Pai.
Paulo luta porque vê os crentes da Galácia se afastando deste projeto divino. Eles permitiram que sua vida cristã fosse contaminada de elementos que não contribuíam para alcançar a graça de serem filhos que se tornavam mais próximo do Pai.
Nesta mensagem, veremos como Paulo identificou este desvio e precisamos considerar se a nossa maneira de ser igreja também não apresenta os mesmos desvios. Talvez, você esteja se permitindo viver um evangelho que não te aproxima de Deus e nem percebeu. Nesta mensagem, vamos pensar sobre os sinais que a vida cristã emite e que nos permite pensar sobre estes desvios.
O tipo de fé que os crentes da galácia estavam vivendo era uma negação do Evangelho e Paulo está ocupado em lhes mostrar isto. Neste capítulo, ele toma a ideia de que eles estavam perdendo o valor da vida como filhos e vivendo como escravos.
Neste trecho, capítulo 4, versos 8 a 20, ele se mostra perplexo sobre o que estava acontecendo com eles e como haviam perdido os valores do Evangelho da graça, transformando a boa e doce comunhão com o Pai em uma fé de ritos e obediência destituída de vida.  
Quais os sinais que eles davam desta mudança? Este trecho que separamos para nossa meditação parece trabalhar com estes sinais. Aqui, o apostolo Paulo levanta os fatos que servirão mais à frente para sua conclusão a respeito do que eles precisam fazer.

Tome Cuidado! Não Viva Um Evangelho Sem Sinais da Presença de Um Deus Vivo

Outrora, porém, não conhecendo a Deus, servíeis a deuses que, por natureza, não o são, mas agora que conheceis a Deus ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres, aos quais, de novo, quereis ainda escravizar-vos? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós tenha eu trabalho em vão para convosco (Gálatas 4.8-11).
Neste primeiro trecho o que temos é uma primeira constatação sobre o que estava acontecendo com aqueles crentes, eles haviam transformado o Evangelho da Graça em um projeto ritualístico escravista de fé baseada em obras humanas.
Outrora servíeis a deuses que não são – Paulo usa a história da maior parte daquelas pessoas antes de conhecerem o amor de Deus. Eles serviam a deuses que descobriram que eram falsos, meros rituais vazios de qualquer sentido. O Evangelho das obras humanas e da auto-justiça faz da relação com relação uma relação parecida com uma fé idólatra que despersonaliza Deus.
Como estais voltando aos rudimentos fracos e pobres - Num evangelho em que Deus é um mero expectador sem vontade e tudo está baseado no homem e nas suas obras, Deus não é diferente de uma fé idólatra em um pedaço de madeira. Irmãos, precisamos notar se há em nós sinais de que tiramos a personalidade de nosso Deus.
Eles haviam tirado a personalidade de Deus naquele novo evangelho que estavam vivendo baseados em si mesmos. Deus não era uma pessoa, um Pai que precisava ser considerado, cujo amor era vivido, vivenciado, experimentados, apreciado, mas um protocolar atendedor de pedidos e observador de fidelidade.
Guardais dias, e meses, e tempos, e anos – A confiança baseada na fidelidade de Deus e no amor de Deus havia sido transformada em uma lealdade deles a seus rituais. Você talvez tenha perdido isto e suas orações passaram a ser uma mera obrigação que faz você simplesmente ficar contente em ter vindo ao culto, mesmo que não tenha se encontrado com Deus e não tenha ouvido ele falar, ou ainda se contenta em fazer de conta que estava vivendo uma fé, que não faz sentido algum, porque você está frio e distante.
Quais são os sinais que sua fé está emitindo? Por acaso, você está destituindo Deus de personalidade na sua religiosidade baseada em você?

Tome Cuidado! Não Viva Um Evangelho Que Substitui a Verdade Pela Vaidade

Sede qual eu sou; pois também eu sou como vós. Irmãos, assim vos suplico. Em nada me ofendestes. E vós sabeis que vos preguei o evangelho a primeira vez por causa de uma enfermidade física. E, posto que minha enfermidade na carne vos foi uma tentação, contudo, não me revelastes desprezo nem desgosto; antes, me recebestes como anjo de Deus, como o próprio Cristo Jesus. Que é feito, pois da vossa exultação? Pois vos dou testemunho de que, se possível fora, teríeis arrancado os próprios olhos para mos dar. Tornei-me, porventura, vosso inimigo, por vos dizer a verdade? (Gálatas 4.12-16).
Paulo fala de um processo de mudança tal que os levou de uma postura de amor em relação à Paulo à um antagonismo que beirava as raias da discórdia. Sim, o inicio do Evangelho que Paulo lhes pregou apontava para uma relação não baseada na glória humana, mas na verdade de Cristo, agora, entretanto, eles estavam rejeitando Paulo, em busca de um Evangelho de valores humanos que buscava agora o favor humano e não mais a verdade.
A enfermidade não nos afastou porque Cristo nos unia – a enfermidade de Paulo não é relatada e provalmente não saberemos do que se tratava. Em geral, se fala que Paulo parecia ter sofrido muito em virtude da luz que lhe cegou os olhos no dia em que se converteu. Possivelmente algum tipo de ferida que lhe marcava a face, algo que deixava uma marca visível. Mas este é um terro de pressuposições,que não queremos trilhar.
Bem o fato é que Paulo diz que, a sua enfermidade não foi um empecilho e bem que poderia ter sido e não foi! Justamente porque o que havia conquistado aqueles crentes era a verdade de Cristo sobre a sua condição de pecado e o perdão que, apesar do pecado, Cristo lhes oferecia. O Evangelho da Graça não aponta para valores do homem, mas o amor de Deus. Agora, entretanto, eles estavam mudando de matriz de evangelho e buscando um evangelho baseado na sua perfeição pessoal, portanto, agora o Evangelho de Paulo não servia mais.
Que é feito da vossa exultação (makarismos) – O que aconteceu com vocês, que eram capazes até mesmo de tirarem os olhos para darem a mim, agora passaram a buscar valores humanos? Paulo se lembra que a grande alegria, a grande bem aventurança deles era a VERDADE, a mensagem o Evangelho que foi pregado, Cristo era a VERDADE QUE ELES AMAVAM.
Agora a sua exultação na graça não existe mais? Este é um sinal que precisamos começar a notar se está determinando a nossa fé. O que é realmente que estamos buscando? Glórias humanas, reconhecimento, valores em nós? Quando a VERDADE ASSUME UMA FUNÇÃO SECUNDÁRIA E DEIXA O LUGAR DE SER O PRINCIPAL MOTIVO DE FÉ, sendo substituída pela vaidade, este é um sinal de que CRISTO NÃO ESTÁ MAIS SENDO MODELADO EM NÓS.
Irmãos precisamos recuperar a centralidade e a força da VERDADE na condução de nossa fé. Pode acontecer, com o passar do tempo, que outros valores se tornem mais determinantes para nossa vida e substituam a força da verdade como modeladora da nossa conduta. Interesses pessoais talvez possam falar mais auto e um evangelho mais parecido com os nossos gostos, pode ser mais proeminente em nossa visão. Enfim, podemos estar buscando uma VERDADE mais modelada a nós mesmos que um VERDADE MODELADORA DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS.
TErieis arrancado os olhos para mos dar – agora somos inimigos – Paulo está dizendo que o caráter deles era modelado pela verdade de tal forma que seriam capazes de vencer qualquer repugnância que uma enfermidade poderia lhes causar para amar, alguém como o próprio apóstolo. Agora, no entanto, essa repugnância pode ter se tornado efetiva, na medida em que o Evangelho que fala do pecado, conforme Paulo o pregava e que apontava para a feiura da alma que precisa ser corrigida não pode ser mais ouvido e nem é bem vindo.
Quando a verdade se torna incômoda precisamos de uma revisão pessoal séria. O caráter de Cristo, quando é modelado em nós pela verdade, precisa trabalhar os valores desviados de nossa alma. O que precisamos não é de um evangelho de vaidades e elogios falsos. Precisamos de uma fé verdadeira, de uma palavra que nos movo na direção certa, que nos ofereça um caminho verdadeiro.

Tome Cuidado! Não Viva Um Evangelho Que Não Te Faça Parecido Com Cristo

Alguns interesses humanos estavam se sobrepondo aos interesses de Deus e do Evangelho de Deus. Aqui na Carta aos Gálatas, Paulo parece indicar que algumas pessoas estavam se valendo da posição que tinham na Igreja para convencer a igreja em favor de seus planos de poder pessoais.
Os que vos obsequiam não o fazem sinceramente, mas querem afastar-vos de mim, para que o vosso zelo seja em favor deles (Gálatas 4.17).
Paulo, no entanto, não busca dos galátas o agrado ou algum benefício pessoal. Ele, na verdade, busca ver neles formado o caráter de Cristo.
Meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós (Gálatas 4.19).
Este deve ser o grande alvo de nossos ministérios uns para com os outros. Como pais, irmãos em Cristo, filhos da Igreja, líderes, membros, dizimistas... qualquer que seja nossa função, posição, privilégio etc... no reino, o nosso compromisso é fazer deste lugar, da igreja da nossa irmandade uma agência modeladora do caráter de Cristo.
O Evangelho existe para nos fazer parecidos com Cristo e, portanto, filhos do altíssimo. A grande alegria, o grande desfrute que a verdade nos oferece é a verdadeira transformação de nosso caráter, limpeza pela verdade.
Paulo não quer só agradar, fazer amigos, ter adeptos do seu ministério, Paulo quer ver filhos parecidos com o Pai, modelados segundo a imagem do Filho Unigênito. Este prazer é o maior e único prazer que o Evangelho tem como objetivo...
Por isso, Paulo está disposto a lhes escrever carta tão dura, corretiva, mesmo que no íntimo ele queria poder ser menos severo, contudo, a sua perplexidade, quanto ao que estava acontecendo era que eles estavam se afastando do caráter de Cristo.
Irmãos, amados, a IPB tem uma história que começou em 12 de agosto de 1859 com Simonton. O Diário de Simonton conta algumas das esperanças que ele nutria nos eu coração. Talvez ele nunca tivesse imaginado o que viria a ser a Igreja Presbiteriana do Brasil, que começara tão humildemente na publica profissão de fé de duas pessoas no Rio de Janeiro ou em uma pequena reunião na Rua Nova de São José, no centro da Cidade de São Paulo. Deus, porém, sabia o que ele buscava: DEUS ESTAVA MODELANDO FILHOS PARA SI E PREPARANDO UM POVO PARA SER IGUAL A CRISTO.
Quando você olha para você é isso que você vê. TOME CUIDADO QUANDO OUTRAS METAS TOMAREM O LUGAR DE CRISTO NA SUA VIDA CRISTÃ. Frequentar cultos para não nos parecermos com Cristo é um erro. Cantar louvores só para mostrar que sabemos cantar e não sermos transformados no caráter de Cristo é como olhar no espelho sem se ver.
Quando você realmente buscar a Deus e começar a ver o caráter de Cristo sendo modelado na sua vida, então terá realmente encontrado o Evangelho. Nada poderá substituir a verdade, nada pode tomar o lugar do caráter de Cristo na sua vida. Qualquer outra busca, é vã.

Conclusão
Que quero te fazer um convite! Quero te convidar a pensar muito sobre o que é EVANGELHO PARA VOCÊ E QUAIS OS VALORES QUE TEM NORTEADO A SUA FÉ.
Eu pergunto o quanto a você a respeito do quanto você está empenhado em ENCONTRAR UMA RELAÇÃO PESSOAL COM UM DEUS VIVO. Quanto da sua fé realmente tem a ver com um Deus vivo, que fala ao seu coração, que ouve sua oração, que fala com você e aponta o caminho? O quanto seu Pai é realmente Pai para você?
Quero lhe perguntar qual é a função e o lugar da Verdade na construção da sua fé. Você é alguém que realmente abrirará mão de si mesmos e de suas certezas para seguir na direção que Cristo lhe chama a seguir.
Quero esta noite te convidar a pensar sobre isto! Pensar sobre o fato de estar tentando construir uma vida onde o seu caráter esta sendo modelado por você e não pela verdade do Evangelho.
Gente de bom caráter é possível encontrar até mesmo fora do Cristianismo e até no paganismo e em outras modalidades. O que buscamos não é só gente honesta, capaz de trabalhar e viver de forma adequada. Embora estas sejam coisas que esperamos de todos os crentes, o que realmente buscamos tem a ver com o caráter de Cristo modelado nos crentes.
O quanto o Evangelho faz você mais parecido com Cristo? O quanto de Cristo já está formado em você? Este é o seu alvo? Nesta noite, repense os valores que estão te guiando e não se deixe enganar. Nada pode ser mais importante que, a cada dia mais, você ser um filho que agrada ao seu Pai Celestial, como Jesus Cristo, o Filho no qual o Pai tem todo o prazer.