19 de fevereiro de 2017

Mateus 5.21-26

A Missão de Amar

MATEUS 5.21 a 26


FCD – o texto nos fala da integralidade da vida humana, o que relaciona a sobrenaturalidade de nossa relação com Deus e a naturalidade da nossa relação com o próximo. Fazer uma dissociação, ou separação destas duas esferas é o erro que a Escritura corrige. Viver, tendo o foco na unidade destas duas esferas, é o mesmo que “cumprir a Lei”, como Jesus disse que viria fazer.

Introdução

Eu não vim revogar a lei e sim cumprir - Jesus Cristo veio cumprir a Lei e o que isto significa? Quem viola os mandamentos e mínimo no reino dos céus, mas o que observa é grande. Como é que isso realmente funciona? Para o apóstolo Paulo, o cumprimento da Lei é o amor. Afinal, a Lei se resume no amor a Deus, que se torna evidente e materializa no amor ao próximo. Como estas coisas podem e devem ser relacionadas?

O texto que nos guia na mensagem desta noite é uma espécie de ilustração do que Jesus quis dizer com: ser mínimo quando quebramos a lei e ser grande quando a cumprimos. O ponto mais importante que precisamos estabelecer para entender isto é que a Lei de Deus é a ferramenta do Pai para fazer a importante conexão entre o céu e a terra. Entre o celestial e o terreal, entre a vida natural e sobrenatural.

A Palavra de Deus é a revelação que aponta para o fato de que toda a nossa vida tem uma relação com Deus e, portanto, homens que se aproximam de Deus, estão mais próximos de realmente entender a vida e todas as coisas que a compõem.

Por isso, Jesus toma como exemplo o nosso relacionamento e estabelece uma conexão direta entre a nossa adoração, isto é, a relação com o espectro sobrenatural da vida, e a nossa relação com as pessoas, nosso espectro natural da vida.

Reconcilia com o teu irmão depois entrega a tua oferta - A entrega de um culto que esteja desconectada da nossa realidade enquanto, pais, mães, vizinhos, irmãos de fé etc... nossos compromissos existências em todas as suas esferas, não é adoração de fato. Para uma adoração plena, leia no salmo 15, implica em “não emprestar dinheiro com usura, não falar mal do próximo etc”.,e aqui, em Mateus, implica em uma relação de harmonia com as pessoas e com a própria vida, representada aqui no exemplo do perdão que devemos dar e receber uns dos outros.

Para Tornar Consistente a Nossa Missão de Amar Precisamos Considerar Que a Nossa Realidade Natural Está Conectada à Nossa Realidade Espiritual ou Sobrenatural

Muitos foram os efeitos do pecado na vida humana e na sua relação com a realidade. O mais danoso destes efeitos, na minha opinião, foi o encobrimento da totalidade da realidade na qual vivemos.
Deixe-me explicar um pouco mais.  O apóstolo Paulo, falou que os homens, mortos em seus delitos e pecados, vivem de forma “alheia” a Deus. Ou seja, o pecado causa uma alienação e passamos a vivenciar a nossa realidade como se Deus não existisse.
Este tipo de percepção da realidade, que afasta o homem da realidade de Deus, é chamado nas Escrituras de “viver em trevas”. Tento exemplificar isto com uma pessoa que entrou em um quarto escuro, que ele não consegue enxergar nada e alguém diz para ele que aquele lugar é um parque de diversões. Ele encontra um objeto que julga ser o carrinho de uma montanha russa e começa a sentir a sensação de subir e descer da montanha russa.
De repente, alguém acende a luz e percebe que está nas instalações de uma mina abandonada e que o carrinho que ele agora está sentado é um daqueles carrinhos de mina que está caminhando para o mais profundo abismo das escavações. Bem, com certeza, o desfrute e a sensação desta nova realidade é muito diferente da primeira.
Quando uma pessoa vive no mundo sem a realidade de Deus, pode até desfrutar do ato de existir, mas não tem a noção completa do que é. Por isso, é que muitas vezes, o viver é difícil e cheio de problemas insolúveis, porque estamos vivendo uma realidade parcial.
Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás; e Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão, estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento de tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo (Mateus 5.21-22).
Não matarás – Jesus está tomando como ponto de partida para o seu argumento a própria Lei. Aqui, ele não está só propondo um aprofundamento da interpretação da Lei, como em geral nós tratamos neste texto. Acredito que Jesus está propondo uma reorientação da mentalidade dos seus discípulos para entender que a Lei aponta e desvela uma realidade superior que todos precisamos enxergar: ela une a realidade natural com a sobrenatural.
Julgamento – Julgamento de Tribunal – Inferno de Fogo – Existe nestas palavras uma certa progressão de conceitos. Ele começa com uma ideia mais leve de justiça para uma crescente construção até chegar ao ponto do inferno de fogo. Ou seja, ele está mostrando que existe uma relação entre os valores que regulam nossas relações nas esferas humanas e horizontais com aqueles valores que regulam a nossa relação com Deus. Curiosamente, propositadamente, Jesus une estes conceitos crescentes de justiça com os conceitos decrescentes de males: Irar – insultar – chamar tolo. Assim ele nos faz perceber o quanto importante é fazer uma relação entre a nossa realidade natural e a nossa realidade sobrenatural, o que fazemos em relação ao próximo e o que isso representa na nossa relação com Deus. O detalhe desta inversão de importâncias entre a falta e o julgamento é que, ao chegar no ponto da realidade espiritual, ou sobrenatural mais evidenciada, a atitude de menor poder ofensivo é considerada importante.
Precisamos discernir que a nossa realidade material é também uma realidade espiritual, que a nossa nossa vida natural tem uma relação direta com a nossa vida sobrenatural.
Para Tornar consistente a nossa percepção de que amar é uma missão, precisamos começar a perceber que as nossas relações naturais estão ligadas à nossa relação com Deus.



Para Tornar Consistente a Nossa Missão de Amar Precisamos Considerar Que Deus Só Pode Ser Completamente Amado, Quando Amamos ao Nosso Próximo

As Escrituras tratam a relação entre o amor a Deus e o amor ao próximo como uma decorrência mútua. João propôs a mais importante reflexão a este respeito quando declarou: Como podemos dizer que amamos a Deus a quem não vemos, se não amamos ao irmão a quem vemos?
Seu irmão tem algo contra você – Lembre-se que nos versos anteriores, Jesus apontou sobre coisas que fazemos uns contra os outros, por causa das quais somos levados às instâncias de julgamento, inclusive, lembrando que  a menor ação é julgada no maior tribunal. Partindo deste princípio, agora, Jesus chama à consciência do crente para outra realidade, de que devemos nos lembrar de que se estivermos em falha com o próximo, essa própria pessoa é nossa adversária e acusadora. A realidade do que fazemos é a prova contra nós.
Deixa a tua oferta no altar – Você não perde o interesse da oferta, mas você precisa trabalhar sua vida como um todo. A ideia não é deixar de oferecer culto a Deus, mas de saber que ele só se completa na ação de amar o outro de forma completa. A ideia que este verso nos passa é de uma construção de adoração que se inicia nos alicerces da vida natural e da relação com o próximo e se completa na relação com Deus.
Primeiro reconciliar depois adorar – A construção da nossa vida com Deus começa na construção da nossa visão de mundo conectada com Deus. Toda a realidade que nos cerca fala sobre Deus e aponta para ele. Contudo, isso acontece de forma muito especial com todos os seres humanos que nos cercam, afinal, todos os homens, além de serem criados por Deus, são a imagem e semelhança do seu Criador.
Note o processo que Jesus propõe: você se aproxima de Deus primeiro. Vem ao altar e traz a sua oferta. Contudo, você contempla a Deus e pensa sobre a sua vida e a relação que tem com as outras pessoas e percebe se sua vida tem acusações contra você. Então vai ao próximo – O ato de deixar a oferta e ir na direção do próximo é parte do ato de adoração inicial, que começou em uma percepção do próprio pecado.
Depois volta e faz a oferta – Ao final do processo, a reconciliação entre o amor a Deus e ao próximo é o conjunto da integridade da adoração.
Quando você começar a perceber essa relação direta do amor a Deus e ao próximo e começar a exercitar isto, você começará a pensar no AMOR COMO UMA MISSÃO.
Imagine pessoas que não se importam se estão ou não se relacionando bem com Deus, mas que querem adorar a Deus, o quanto a sua quebra da Lei está evidenciando a separação entre realidade material e espiritual e o quanto estão em processo de empobrecimento espiritual. A correção disto é a reconstrução do caminho para Deus usando o seguinte trajeto: DEUS-PROXIMO-DEUS.


Para Tornar Consistente a Nossa Missão de Amar
Precisamos Considerar Que o Amor é a Chave Para Uma Liberdade Eterna

Embora tenhamos que trabalhar os mesmos conceitos já postos nos pontos anteriores, nos versos, 25-26 temos uma consideração sobre a urgência desta obra e o perigo de não realizá-la.
O tema da justiça está presente em toda esta passagem e já estava nos versículos anteriores, quando Jesus disse que a justiça dos discípulos deve ser maior que a dos fariseus. Até porque, o ponto de discussão é a Lei de Deus, portanto, o conceito de justiça tem de estar presente.
Entra em acordo sem demora – literalmente podemos dizer: corra e faça amizade com o teu adversário. A ideia de urgência está ligada, claramente à ideia fuga do julgamento, mas sobretudo de importância do ato. A urgência de se entrar em acordo com o adversário não é pelo medo de ser julgado somente, mas pela importância de entregar a oferta.
Enquanto está com ele a caminho -  parece apontar para o tempo em que a oportunidade está dentro do que seria uma reconciliação amigável. Acredito que o conceito é o mesmo que está em Isaías 55.7: Buscai a Deus enquanto se pode achar.
Antes de ser entregue ao juiz -  claro que o julgamento de Deus sobre os nossos pecados está no horizonte da nossa urgência e mais uma vez há uma noção de progressão: juiz – oficial de justiça – prisão.
Por este verso, podemos dizer que a missão de amar é uma prioridade absoluta e para ela devemos estar muitíssimo atentos. O ponto crucial desta prioridade é que o amor ao próximo é a parte fundamental do nosso amor a Deus e não amar a Deus é não perceber o real e não perceber a realidade de Deus na existência é viver sob condenação.
Não sairá enquanto não pagar – irmãos, precisamos conceber em nossa mente que enquanto vivermos alheios a esta realidade de Deus e da necessidade de servi-lo integralmente por meio do amor, seremos pessoas sempre incompletas e jamais libertas. O pecado, que nos afasta da realidade de Deus é uma prisão e precisamos ficar livres dela com urgência.
Você dará grau elevado de consciência à sua missão de amar, quando notar que sem isto, é impossível realmente ser livre. Deus não está tratando de uma questão social de nossa convivência e Jesus Cristo não está só criando uma regra para que a igreja consiga conviver. O que está em jogo é a nossa própria percepção da realidade, é o viver livre, que significa, conseguir ver Deus em todas as dinâmicas da vida, mesmo e até no relacionamento com os inimigos.

Conclusão
Claro que temos muita dificuldade para a amar o próximo. Jesus, porém, propõe que sejamos guiados pela Lei e o que ela significa. Ou seja, que possamos ver e ter como referência a relação que a vida natural, o cotidiano tem com o empreendimento de uma relação com Deus.
Jesus toma um exemplo de que como o cumprimento da Lei é libertador e provoca a integridade de nossa fé e vida. Entrar no Reino é vivê-lo agora e não somente ter esperança dele no futuro.
Somos a luz de Cristo e podemos desfrutar desta luz já agora.
Aplicações Para a IPBVF
Caros irmãos, entre as coisas que mais atrapalham uma igreja como a nossa a ser uma agência de reprodução de um evangelho transformador é a nossa resistência em enxergar a realidade dividida que vivemos em muitas circunstâncias.
Há muitos que preferem fazer de conta que o evangelho que vivem é pleno, mas sabem, no fundo sabem que está errado. Sabem que precisam perdoar, viver bem com o outro, entrar em acordo e que não estão praticando a verdadeira vida cristã.
Algumas vezes nos alegramos em atrapalhar a vida dos outros com Deus, semeando dúvidas, acusando pessoas por meio da maledicência e de outros processos que só diminuem nossa confiança uns nos outros.
Claro que não somos perfeitos e que temos muitos defeitos! Será que alguém duvida desta realidade? Claro que não fazemos a obra do Senhor do jeito que tem de ser, porque somos pecadores e nos desviamos para cuidar mais de nossos interesses que dos interesses de Deus!
Mas, uma coisa é certa. É nesse esparramar de defeitos e pecados, que somos chamados a amar e servir a Deus, servindo uns aos outros. A realidade de que Deus existe e que deve ser amado e servido se torna evidente do grande desafio que temos de nos aproximar uns dos outros com amor e compaixão.
Três lembretes antes que você ouça este sermão e volte para a sua vida como se Deus estivesse aqui falando contigo:
1)   Sua realidade espiritual está concectada ao modo como vive sua vida natural, então seja sábio.
2)   Não é possível amar a Deus completamente e permanecer dividido em relação ao próximo
3)   Você não sentirá a liberdade dos filhos de Deus enquanto não amar.

PORTANTO, ASSUMA O AMOR COMO UMA MISSÃO PARA VOCÊ

  

5 de fevereiro de 2017

Mateus 5.13-16

O Que as Pessoas Precisam Sentir e Ver Quando Olham Para a Igreja?

Mateus 5.13-16

(Sermão Pregado em 05 de Fevereiro de 2017)

Introdução

Em nossos dias, a Igreja é uma instituição a caminho do descrédito. Devido à sua pouca ou quase nenhuma influência positiva na nossa sociedade, a Igreja, para muitos, é considerada um “câncer”. O problema fica ainda mais grave quando os próprios cristãos pensam assim e, eles próprios, trabalham desqualificando o Evangelho.
Boa parte dos filhos dos crentes não vêem nenhuma importância na Igreja porque seus pais constroem uma imagem tão horrível da Igreja que afeta o senso de Corpo de Cristo que seus filhos precisariam desenvolver.
Em boa medida, esta atitude ingrata e injusta para com a Igreja de Cristo, atrapalha e afasta os mais jovens da Igreja, além de enfraquecer as possibilidades de que estes jovens sejam, algum dia, realmente ajudados e conduzidos a Cristo pelo trabalho da Igreja.
É verdade que esta visão negativa da Igreja não é somente um exagero. Devemos admitir que muitas vezes a própria Igreja, por não saber exatamente o que é a Igreja, alimenta com condutas equivocadas este pensamento negativo. Também é verdade, que muitos crentes, mal formados em sua fé, preferem se colocar como juízes dos outros e da Igreja, sem nada fazerem de realmente prático para que ela seja a grande agência do Reino de Deus que precisa ser e para o que foi chamada à existência.
A  nossa passagem desta noite é um clássico texto para a Eclesiologia. O Sermão da Montanha, como uma espécie de roteiro geral da conduta no Reino de Deus, propôs estas duas ilustrações “Sal” e “luz” como ferramenta para indicar o que Deus espera de seus discípulos. Portanto, os versos 13 a 16 do capítulo 5 de Mateus, são prioritários como porta vozes da vontade de Deus para o seu povo.
Hoje, vamos nos deter e refletir sobre o que estas metáforas apontam como sendo qualidades necessárias à igreja para que cumpra a sua missão. O QUE DEVEMOS SENTIR E VER QUANDO OLHAMOS PARA A IGREJA? Você precisará encontrar nestes versos os pontos de sua conduta que precisam se ajustar ao padrão de Deus para o seu povo.

QUANDO AS PESSOAS OLHAM PARA A IGREJA PRECISAM SENTIR E VER O COMPROMISSO DE DAR AO MUNDO UMA QUALIDADE DE VIDA SUPERIOR


Vós sois o sal da terra – Jesus está propondo uma visão bem clara da presença do Sal neste mundo. Era como se estivesse anunciando: pensem no sal que há na terra. Na palestina era comum uma grande concentração de sal nas rochas. Haja vista que o Mar-morto era um lugar de altíssima salinidade provinda dos grandes blocos de rochas salíneas da região.
Jesus está dizendo que a terra é preservada pelo sal que nela se contém. Eles entendiam muito bem este papel preservador do sal, o que dava aos alimentos não somente sobrevida, mas também qualidade e sabor.
Se o sal perder o sabor – a reflexão que Jesus propõe é baseado na possibilidade de que o sal venha a perder a características que o define, sua salinidade. Como lhe restaurar o sabor – Como fazê-lo de novo “sal”? Jesus está usando de uma figura de linguagem cuja ideia é que a resposta seja: um sonoro “não é possível”.
AS pessoas precisam ver e sentir em nós o sabor que implementamos a esta vida, quando somos os porta-vozes de uma vida mais elevada, de valor muito maior que a mera situação de existência biológica. A igreja não pode se acomodar ao mundo e não pode permitir que o mundo se deteriore tanto ao seu redor, sem nada fazer por isto.
Sabemos o que a Bíblia fala sobre o fato de que este mundo caminha para o caos. Entretanto, não podemos nos omitir e simplesmente se esquecer de que NOSSA PRESENÇA NESTE MUNDO PRECISA SER SENTIDA NÃO COMO AGENTE DO CAOS, MAS DA RESTAURAÇÃO EM CRISTO JESUS.
Para nada presta – ser lançado fora – pisado – Possivelmente temos aqui uma referência aos calçamentos das estradas romanas, cujo elemento agregador era o sal insosso, produzido por algumas pedras, cujo destino era menos nobre e serviam de patamar de travessia para carroças, cavalos, camelos, e homens.
A realidade da igreja no mundo precisa ser de distinção pelo seu modo de agir no mundo. O sal é imperceptível, sua presença não é vista à olho nu, senão quando a comida é realmente experimentada.

QUANDO AS PESSOAS OLHAM PARA A IGREJA PRECISAM SENTIR E VER A CORAGEM DE ASSUMIR O SEU PAPEL CUSTE O QUE CUSTAR

Não se pode esconder a cidade edificada sobre o monte – Quando Jesus fez a afirmação: sois a luz do mundo. Ele logo tratou de afirmar que esta é uma realidade que não se pode negar. Ou seja, ao se referir ao papel de seus discípulos, ele não coloca a sua condição de luz como uma possibilidade e sim como uma realidade. A cidade está edificada, escondê-la é impossível.
Precisamos repensar qual é a nossa situação no mundo. A igreja precisa lutar contra a tendência pecaminosa de se esconder. Existe uma natural inclinação do coração pecador, inclusive dos crentes, de abafar a voz de Deus e a fazer esconder a presença de Deus.
Deus se faz presente por meio do seu povo. A Igreja é quem reflete para o mundo a LUZ DE DEUS. Portanto, tentar esconder a IGREJA é um ato impossível, mas que muitas vezes parece ser o único plano de alguns crentes, no que diz respeito ao seu interesse nas coisas de Deus.
Não debaixo do alqueire mas no velador – O Evangelho de Lucas usa dizer que ninguém acende uma vela e a cobre com um vaso para por debaixo da cama. A ideia é que a luz precisa estar e ocupar o lugar certo. Precisamos ter a coragem de levar a Igreja a ocupar o lugar certo neste mundo, o lugar onde pode cumprir o seu papel como elemento transformador. Essa coragem passa por uma mais completa ideia de O QUE É A IGREJA E O QUE ELA DEVE FAZER.
Mas se ainda temos crentes tão imaturos e tão preocupados em administrar as trevas que norteiam suas escolhas, exatamente como os outros homens do mundo o fazem, como levaremos a Igreja ao alqueire, ao lugar mais alto da casa?
A CORAGEM PARA FAZER A IGREJA BRILHAR é um compromisso que as pessoas precisam ver em nós. Afinal, a omissão dos cristãos tem sido uma das marcas do nosso mundo. O mundo já nos odeia, mas em alguns momentos parece que nós odiamos mais a Igreja.
Irmão, em lugar de você ser um depreciador da Igreja, reveja a sua postura, porque ela é covarde. É muito fácil aliar-se ao mundo para atacar a Noiva de Cristo. O difícil e necessário é sair de casa e estar aqui ao nosso lado, nas reuniões de oração, nos estudos bíblicos, dando sua contribuição, sustentando a obra moral e financeiramente. Corajoso é aquela irmã, que mesmo doente e idosa, sai da sua casa de ônibus e vem para cultuar a Deus, como fazia Dna Augusta Pereira, nossa querida que já mora como Senhor.
Aliar-se ao mundo para fazer o papel do Diabo de apontar os defeitos da Igreja é um ato de covardia. Mas unir-se ao rebanho para lutar pela santificação dos eleitos e fazê-los brilhar no aconselhamento, no ensino, na pregação, no louvor, no testemunho... é ISSO QUE O MUNDO PRECISA VER EM NÓS, A CORAGEM PARA LEVAR A IGREJA A SER A LUZ DE CRISTO NO MUNDO.

QUANDO AS PESSOAS OLHAM PARA A IGREJA PRECISAM SENTIR E VER EM NÓS A PRESENÇA DE DEUS

Brilhe a nossa luz – Quando Jesus falou aos discípulos sobre eles serem a luz do mundo, certamente não estava lhes dizendo que eram bons por si mesmos, mas que eram um reflexo da nova vida do Reino que agora brilhava neles e lhes tornava em refletores da luz de Deus.
Diante dos homens – o que a igreja precisa fazer é entrar no campo minado do mundo, o lugar onde a Escritura diz que são odiados e repudiados por todos. Eles precisam, apesar das perseguições previstas nos versos 11 e 12, atuar entre os homens. Jesus disse que foram chamados para viver como ovelhas no meio de lobos. A igreja precisa ter coragem e fibra no seu caráter. Aqueles que preferem fazer o jogo do mundo não serão capazes de brilhar diante dos homens.
John Piper, falando sobre o Evangelho da Prosperidade, diz que ele não será capaz de dar ao mundo o testemunho de quem está disposto a perder tudo para seguir a Cristo. Sim, crentes que fazem o jogo do mundo não possuem as fibras do caráter que precisam para fazer a diferença e trazer luz ao mundo caído.
Para que vejam a igreja agindo e glorifiquem a Deus – a grande missão da Igreja é mostrar ao mundo o seu Deus e revelar, por meio de sua vida, um compromisso e percepção maior da vida, baseada e centrada em Deus e na sua glória. A igreja, tem o chamado de ser a agência que revela Deus ao mundo. Cristo fez isto para a Igreja e nos deu a mesma missão.


29 de janeiro de 2017

Mateus 5.1-12

Uma Vida Formosa
MATEUS 5.1-12
(Pregado no Culto de Ações de Graças pelo 58º da Igreja Presbiteriana de Vila Formosa)

Nos anos que vivo nesta igreja, mesmo antes de ser seu pastor, vivi coisas impressionantes. A meninice, adolescência, juventude que construí aqui me deram ferramentas que levarei para sempre no núcleo do meu ser. Acredito que esta seja minha maior virtude como pastor da Igreja Presbiteriana de Vila Formosa, mas também meu maior obstáculo.
Pois, por um lado, sei muito bem o que é ser um filho de Vila Formosa e como as coisas foram e são construídas aqui. Claro, muita coisa mudou, a nossa Igreja não é a mesma de 20, 30 ou 58 anos atrás. Mas, tem muita coisa que está aqui, vivendo e sobrevivendo nestes anos.
O lado ruim disto é que os defeitos, trejeitos, vícios de ser um filho de Vila Formosa estão em mim. Claro também, fui lapidado, não sou o mesmo, como a igreja não é, e muitos outros que vieram depois nos ajudaram a mudar e a corrigir muita coisa.
O ponto aonde quero chegar é este: a função de um pastor não é manter a igreja como está, mas trabalhar para leva-la o mais perto de Cristo. A nossa história não é tudo, afinal é só a história de um grupo de pecadores que se juntou para caminhar. Com certeza, temos muito que transformar em nós mesmos para sermos realmente uma igreja FORMOSA para Cristo.
O ser humano é capaz de viver ideais. Diferentemente dos outros animais, que existem para satisfazer seus instintos, o ser humano é capaz de amar e, por isto, mais que seguir instintos, ele é capaz de viver ideais. O que são ideais? São aquelas mentalizações da realidade que, ainda que não existam de fato, apontam para algo desejável e melhor do que o que se pode encontrar no presente.
A falta de ideais está tornando os cristãos um povo apático, domingueiro e incapaz de agir pela causa, senão quando os seus interesses estão em jogo. Um homem sem ideais, é um ser que tende à paralisia. Ele passa os seus dias sem a perspectiva do futuro e, por isso, não sabe o que é esperança. E, infelizmente, isto pode ser dito de muitos cristãos que estão tão desmotivados que sejam a praticar um evangelho vergonhosamente descomprometido.
Mas qual é o motivo de nos sentirmos inspirados para seguir um ideal? O que nos motiva é o amor. É o amor por uma causa nos moverá a lutar por ela, é o nosso amor por um ideal que nos moverá a trabalhar por sua concretização.
O ideal capaz de dar aos discípulos uma disposição totalmente voltada à Deus é o amor e eles viram isto em Jesus. O ideal que viram em Jesus é mais que uma história de vitória no final ou um sonho possível como disse um dia Martin Luther King e fez pessoas marcharem numa mesma direção. Os discípulos viram o seu ideal em Cristo. Sim, aquele homem de Nazaré e o seu modo de viver, sua retidão pessoal, seu  apego à Palavra de Deus, seu desejo de ver pessoas restauradas, etc.. Tudo o que eles viram em Jesus se lhes tornou alvo. Eles mantiveram os seus olhos fitos nele, quando o viram transfigurado e não se contiveram quando o viram confiante enquanto o mar se agitava. O apóstolo Paulo, um nascido fora do tempo, andou com Jesus e disse: NÃO SOU EU QUEM VIVE, MAS CRISTO VIVE EM MIM.
A VIDA FORMOSA de que estamos falando é o ideal de parecermos com Jesus, o que só pode ser alcançado mediante uma decisão dupla: deixar o velho homem e se revestir de uma nova vida em Cristo. Isso só acontece quando estamos dispostos a caminhar na direção certa.
O início do Sermão da Montanha é uma série de famosas afirmações de Jesus que podem resumir o que realmente significa essa nova vida formosa que podemos alcançar se andarmos na direção certa. Ali, pelas famosas “Bem-Aventuranças”, Jesus estipula o caminho fundamental para quem deseja viver para ser o Sal da Terra e a Luz do Mundo.
Vamos explorar estes versículos como blocos e não porções individuais, o que eu tenho certeza de que também seria uma grande bênção, contudo, faremos isto noutro momento, em pequenos grupos que podem se reunir nas casas para se aprofundar. Hoje, vamos nos deter nos blocos de versículos que conseguimos identificar nesta primeira porção do Sermão da Montanha, dos versos 1 a 12, do capítulo 5.
Vamos dividir este texto em quatro blocos de versos (1-2; 3-6; 7-10; 11-12) e vamos procurar discernir os elementos fundamentais para uma VIDA FORMOSA, isto é, para um preenchimento da alma com tudo o que pode nos transformar e aproximar do ideal visualizado em Cristo, em tudo o que ele era.

QUANDO VOCÊ BUSCA UMA VIDA FORMOSA É FUNDAMENTAL A DISPOSIÇÃO DE APRENDÊ-LA COM CRISTO
Quando o apóstolo Paulo precisou explicitar a origem de sua percepção de fé e do modo como se conduzia no Evangelho, ele afirmou sem nenhum receio:
Falo-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não ´segundo o homem, porque não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo (Gl 1.11-12).
Claro que Paulo é um caso excepcional! Claro que não acontecerá exatamente assim conosco. Mas a fé que está em nosso coração é que toda a vez que abrimos a Palavra de Deus e Ela fala conosco, o que está acontecendo é mais do que simplesmente ouvir algo sobre Jesus, mas poderemos começar a desfrutar da Palavra como a voz do próprio Jesus. Porque a Palavra de Deus é viva!! O próprio Deus nos fala.
O Sermão da Montanha começa, nos versos 1 e 2 com uma espetacular figura quando descreve a aproximação dos discípulos junto a Jesus e ele passou a ensiná-los.
Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte, e como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos; e ele passou a ensiná-los dizendo (Mt 5.1-2).
Vendo Jesus as multidões – o primeiro movimento desta passagem nos mostra que o ensino sobre a vida é uma obra que começa na percepção do Mestre e não dos discípulos. Ele decide subir ao monte para ensinar por que notou a nossa própria carência. Portanto, o movimento de mudança para uma VIDA FORMOSA é um movimento que começa com nosso Senhor e não em nosso coração. Ele sabe que precisamos aprender o seu modo de vida e se dispõe a atender esta necessidade.
Jesus já estava em plena prática de seu ministério, curando multidões. Isso podemos ver nos versos anteriores. O verso 25, enfatiza que numerosas multidões o seguiam. Jesus notou as nossas enfermidades e certamente percebeu que o nosso problema ia além das enfermidades do corpo, mas estava aprofundado no coração. O conteúdo do Sermão da Montanha vai revelar isto, basta ver como ele fala sobre o que é matar e adulterar, ou mesmo sobre o que é orar e falar com Deus.
Jesus sabe que você precisa e está disposto a atender a necessidade de mudança de vida que você precisa e que, nem sempre sabe que precisa. Este é o ponto! Nem todos sabem que precisam!! Mas Jesus sabe, por isso, ele pacientemente, como um mestre das escolas peripatéticas, se dirige ao Monte, se assenta e passa a ensinar.
Aproximaram-se os seus discípulos – O segundo movimento deste ato de mudança tem a ver com a atitude dos discípulos. E vemos nesta expressão que um grupo de homens se aproximou deles. Note que é possível fazer uma distinção entre dois grupos: a multidão e os discípulos. Jesus viu a necessidade da MULTIDÃO, mas quem se aproximou dele? OS SEUS DISCÍPULOS.
Num outro momento, em Mateus 9.35-38, Jesus vai novamente fazer menção destes dois grupos: ele vê as multidões e as identifica como sendo a SEARA e vê os seus discípulos como os TRABALHADORES de Deus na seara.
O discípulo é aquele que decide sair da multidão para aprender a VIDA FORMOSA COM CRISTO. Você precisa deixar de buscar sua fé no mundo, em si mesmo e nas coisas que faz por aí. Você precisa começar a subir aonde Cristo está disposto para te ensinar.
Não haverá VIDA FORMOSA enquanto o seu movimento for tentar aprender a viver em outras escolas. Muitos serão os mestres que tentarão conquistar a sua mente, mas só um pode te TRANSFORMAR O CORAÇÃO, somente UM PODE TE DAR UMA NOVA VIDA e somente UM PODE TE ENSINAR O QUE É SER NOVA CRIATURA.

QUANDO VOCÊ BUSCA UMA VIDA FORMOSA É FUNDAMENTAL A DISPOSIÇÃO DE SUBIR A MONTANHA NA DIREÇÃO DE DEUS
Vamos agora para o que eu considero ser o segundo bloco de versículos deste trecho. Os versos 3 a 12, são chamados de “As Bem-aventuranças”. Contudo eu prefiro separar os versos 11-12, como uma espécie de aplicação prática do que é apresentado nos versos anteriores e vamos trabalhar assim, hoje.
Facilmente você nota que existe uma estrutura repetida nos versos 3 a 12:
1) A declaração de “bem-aventurança”;
2) A condição do bem-aventurado;
3) A explicação do “porque” desta esperança de felicidade.
Cada afirmação destas pode ser estudada e aprofundada, e como eu disse, podemos fazer isto em um outro momento. Hoje, entretanto, vamos separar este trecho em três blocos, sendo os dois primeiros uma espécie de movimento de subida e descida de uma montanha.
Neste segundo bloco, os versos 3 a 6 eu identifico a parte da subida da montanha. Imaginando que o caráter de Deus é elevado e que o pecador está numa condição inferior, caminhar da direção de Deus é o mesmo que subir uma Montanha.
As bem-aventuranças dos versos 3 a 6 tem uma relação direta com o nosso caráter e a transformação que ele pode sofrer se caminharmos na direção certa. Por isso, digo que esta é a parte da subida.
Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos (Mt 5.3-6).
Tentando identificar algo comum entre estas bem-aventuranças, eu percebi que elas estão ligadas à percepções que temos de nós mesmos. 
Humildes de Espírito – Ou simplesmente, como diz outra tradução “os pobres de espírito”, é um indicativo não de uma virtude, mas do encontrar de uma fragilidade. Os humildes de espírito são aqueles que conseguiram perceber que nada possuem diante de Deus que lhes possa garantir qualquer segurança ou alegria. Eles são bem-aventurados porque percebem sua pobreza pessoal.
Os que choram – como uma consequencia da primeira percepção de si mesmos, o choro aqui não é um indicativo de sofrimento com o que outras pessoas fazem contra nós, mas uma percepção clara de que o fato de nada terem diante de Deus, senão a pobreza de uma alma pecadora, acentua a consciência de perdição. Estes choram por causa de sua condição e não por outros motivos.
Os mansos (praeis) – muitas vezes tentei entender de que maneira esta descrição se encaixava com as outras e pensei em Moisés, o homem mais manso do mundo. A palavra grega é usada para definir mansidão é usada para falar de alguém que sabe reconhecer o momento em que vive, sabe se reconhecer e se colocar no seu lugar sem planejar ser mais do que é. Jesus é manso e humilde, embora seja o Rei da Glória, mas ele sabe que é o Filho e não o Pai. A pessoa da bem-aventurança, neste momento da subida do monte em direção a Deus, tudo o que sabe é o seu lugar.
Os que tem fome e sede de justiça – como uma corrente, em que cada elo se une ao seguinte, esta bem-aventurança é a consequencia natural das outras três: o que se reconhece pobre diante de Deus, perdido e se coloca em seu lugar, sabe que tudo o que precisa é ser mais justo, por isso, almeja ser diferente.
Desculpe me delongar nestas explicações, embora haja muito a ser dito sobre cada uma destas características. Mas quando vistas de forma conjunta, o que identificamos aqui é um homem que aprende sua condição e busca caminhar na direção de ser alguém melhor.
Este é o ponto que leva você a uma VIDA FORMOSA, caminhar não na direção de seu pobre coração pecador, mas na direção daquele que pode lhe dar novas ferramentas para uma vida mais justa, mais parecida com Jesus.

QUANDO VOCÊ BUSCA UMA VIDA FORMOSA É FUNDAMENTAL A DISPOSIÇÃO DE DESCER A MONTANHA NA DIREÇÃO DO SEU PRÓXIMO
Quando Jesus ensinou a respeito do que é a verdadeira obediência, ele apontou para os mandamentos de Deus. Aprender a viver com Jesus, isto é, aprender dele o que é A VIDA FORMOSA, é, em resumo, aprender duas coisas centrais: AMAR A DEUS E AO PRÓXIMO, foi assim que ele resumiu a Lei e a obediência.
Quando um crente sobe a Montanha na direção de Deus e aprende a respeito de suas próprias fragilidades e a necessidade de ser mais reto diante do Senhor, logo ele consegue conviver melhor com as pessoas. Em geral, posso dizer o seguinte: a nossa dificuldade de conviver com as pessoas tem uma forte relação com uma fragilidade na nossa aproximação com Deus.
Bem-aventurado os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus (Mt 5.7-10).
Estou com coceiras nos dedos para dar mais detalhes sobre estas afirmações, mas vou evitar agora. Mais uma vez, vou tentar identificar o que há em comum nestes versos e o que eu identifico é que eles revelam uma forte relação entre o bem-aventurado e outras pessoas.
As Escrituras traçam uma forte relação entre o nosso amor a Deus e o nosso relacionamento com as outras pessoas, o nosso próximo. João fala muito de amar a Deus e o próximo nas suas cartas. Aqui no Sermão da Montanha, no capítulo 5 mesmo temos essa forte relação nos versos 23-24:
Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão, e, então, voltando, faze a tua oferta (Mt 5.23-24).
Essa relação não pode ser negada na Escritura e nós não podemos negá-la no nosso dia a dia e no processo que temos em nosso horizonte espiritual: UMA VIDA FORMOSA. Em nosso trecho, temos o caminho numa direção do próximo.
Os misericordiosos (Elehmones) -  A misericórdia é um ato que está relacionado à condição do outro. Eléos – a palavra grega usada por Mateus para raíz desta bem-aventurança indica que o discípulos precisa ter uma atitude positiva diante da ação negativa do outro. Porque, ninguém precisa ser misericordioso com quem acerta, mas com quem erra. Meu professor de grego, REv. João Alves, escreveu em uma das minhas provas: “eléos” (em grego, é claro), porque havia considerado alguns pontos que, normalmente, ele consideraria um erro.
Os limpos de coração (Katharoi tei Kardia) - Os limpos de coração são pessoas que caminham sem pesos guardados dentro de si. Eles são capazes de ver Deus, mesmo em momentos difíceis e este é o referencial que lhes guia o coração. No nosso contexto, estes são aqueles que estão abertos para o próximo e se voltam aos homens sem preocupação do que irão encontrar, eles não carregam mágoas e não se relacionam a partir de feridas. Acho que estamos falando de gente que subiu a montanha primeiro, com certeza.
Os pacificadores – Os pacificadores se destacam em tempos de guerra. Portanto, a missão destes que sobem a montanha é descer para encontrar um mundo em guerra. Sempre que caminhamos na direção do próximo, devemos lembrar que estamos caminhando na direção da guerra. Mas, o homem de VIDA FORMOSA não focaliza a guerra, mas em como ele pode trazer a PAZ. Filhos de Deus não podem ser os responsáveis pelas guerras. Você já notou como é comum que as pessoas estejam tão armadas umas contra as outras. Pois bem, aqui, mais uma vez, o que vemos é que aqueles que sobem na direção de Deus mostram uma VIDA FORMOSA, quando caminham na direção do outro levando a paz.
Os perseguidos por causa da justiça – Agora, o tema da justiça vem duma outra forma. Na primeira parte, a ênfase era na falta de justiça pessoal que percebemos em nós. Agora, porém, é descrito aqueles que são perseguidos por causa da falta de justiça dos outros. Afinal, UMA VIDA FORMOSA EM UM MUNDO EM GUERRA não é uma vida fácil. Mas, estes tais que são capazes de ter fome e sede de justiça, são capazes também de saber que o mundo odeia a justiça de Deus, mas eles precisam mostrar o reino de Deus para as outras pessoas e o jeito de fazer isto é: viver a justiça do reino, custe o que custar.
Em todas estas bem-aventuranças, os bem-aventurados são pessoas que estão deixando a sua vida ser usada por Deus para abençoar o PRÓXIMO. UMA VIDA FORMOSA é aquela que é forte e capaz de viver o padrão de DEUS em meio ao caos da humanidade.

QUANDO VOCÊ BUSCA UMA VIDA FORMOSA É FUNDAMENTAL A DISPOSIÇÃO DE PERDER O QUE FOR NECESSÁRIO PARA TER O MELHOR
Jesus apresentou o conceito de “perder para ganhar” quando afirmou que é preciso aprender a perder a si mesmo para ganhar a Cristo.
Portanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a vida por minha causa achá-la-á (Mt 16.25).
O ponto central desta afirmação é o conhecimento de nosso apego a coisas deste mundo que aprisionam a nossa vida em uma condição muito distante e inferior àquela que podemos ter em Cristo. Vivemos presos e precisamos da liberdade de quem realmente conhece a Deus e busca essa elevação de alma.
No Sermão da Montanha, o que Jesus propõe é um modelo de vida em bases diferentes destas que se desfazem com o tempo, uma VIDA FORMOSA, firmada na Rocha, estabelecida em valores que não se degeneram e não se desfazem (Mt 7.22-24).
Portanto, subir a Montanha e perceber a grandeza da vida com dirigida à Deus e ser desafiado a vive-la no mundo caótico da guerra da alma humana (John Bunyan) exigirá a coragem de saber que há possibilidades de perdas e estar disposto a enfrenta-las com coragem.
Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus, pois assim perseguiram os profetas que viveram antes de vós (Mt 5.11-12).
Ter um alvo de vida elevada, VIDA FORMOSA, implica em ter uma percepção clara do que realmente importa no ato de viver. Hoje, eu ouvi um poeta português que fez a seguinte afirmação poética: o verbo viver é um verbo que tem tamanho, pois ele é extenso e elevado.
A vida a que somos chamados exige uma percepção do verdadeiro valor da vida. Aqui, Jesus conclama seus discípulos a enfrentarem a vida com coragem, desprendimento e alegria, não importando as consequências.
Quando por minha causa – Este é um indicativo da busca de uma elevada maneira de viver que causa uma aparente disfunção entre o discípulo e o mundo, mas que o discípulo deve ter coragem para encarar, porque luta não por si mesmo, mas por Cristo. Em outro lugar, Jesus disse que o MUNDO ODEIA OS SEUS DISCIPULOS PORQUE ODIOU A ELE PRÓPRIO.
Regozijai-vos e exultai porque é grande o seu galardão nos céus – A VIDA FORMOSA é uma consequência natural de um olhar elevado sobre o que é viver para Deus e que realmente somos seus filhos e cidadãos do Reino dos Céus. As mais preciosas expectativas do povo de Deus residem em uma grandiosa noção de que pertence a Deus e a uma outra natureza de vida. Sem essa percepção tudo o que fazemos é quase sempre fraco e pouco expressivo de nossa fé. A nossa própria presença no mundo é sem graça e sem grandes diferenças com o os outros homens.
Bem-aventurados sois – meus irmãos, ao longo deste trecho há uma coisa que não comentei, mas que me chama a atenção. As bem-aventuranças são propostas não somente para indivíduos, mas para uma coletividade de discípulos. Note que todas estão propondo reflexões no plural. Isso é importante, porque, no final das contas, uma das coisas que irão nos sustentar é o  nosso conceito de caminhada e luta coletiva. Não somos um exército “Branca Leone” (o filme que retratava o exército de um homem só), somos um CORPO, uma IGREJA, um POVO, que luta uma luta comum.  

CONCLUSÃO
Eu disse no início irmãos que o que nos move na direção de um ideal é o AMOR. O meu trabalho e dos pastores, assim como é o papel dos pais, dos líderes dos departamentos da igreja, como é o trabalho de todo verdadeiro crente, não é viver a vida dos outros. O TRABALHO PASTORAL QUE TODOS EXERCEMOS EM ALGUMA MEDIDA TEM A VER COM A PROMOÇÃO DE UM VERDADEIRO AMOR A DEUS QUE SE TORNA EM UMA CLARA PERCEPÇÃO DA NECESSIDADE DO PRÓXIMO.
Quando Jesus notou nossa necessidade e decidiu nos ensinar o que é a VIDA FORMOSA, ele propôs a todos os que o seguiam, os seus discípulos, duas grandes necessidades que precisamos considerar seriamente hoje: PRECISAMOS SUBIR NA DIREÇÃO DE DEUS E DEPOIS DESCER A MONTANHA NA DIREÇÃO DO PRÓXIMO.
Quando aprendermos estes dois movimentos: subida e descida e o fizermos sem medo das perdas que podem se apresentar e queremos o que realmente é o melhor, então estaremos sendo a IGREJA FORMOSA e vivendo a VIDA FORMOSA que Deus tem para nos dar.

Aplicação para a Igreja Presbiteriana de Vila Formosa
Hoje, completamos 58 anos como igreja organizada. Isso tem um valor enorme, mas pode não significar nada se a sua vida não está caminhando na direção certa.
O que queremos como igreja é que cada um de nós seja mais parecido com Jesus Cristo. Esse é o verdadeiro compromisso! Mas, não exija de nós que sejamos perfeitos, porque afinal, estamos todos caminhando. Não exija de nós que viva o que você precisa viver, não seja tão infantil e não trate a sua fé de forma tão displicente.
Igreja Presbiteriana de Vila Formosa! Vamos subir juntos esta montanha na direção de Deus. Saberemos que andamos bem quando o nosso olhar para o próximo nos fizer descer na direção certa e a dar valor maior ao que realmente importa. Nenhum preço que Deus exigir será alto demais, se o que tivermos em nosso coração se chamar AMOR A DEUS E AO PRÓXIMO.
Parabéns a todos da IPBVF e, particularmente, parabéns àqueles que desejam oferecer como presente a Deus sua vida e fazer um compromisso de UMA VIDA MAIS FORMOSA.

QUÃO FORMOSA É TUA IGREJA JESUS!!


Em Cristo e no temor do Supremo

Rev. José Mauricio Passos Nepomuceno