21 de janeiro de 2017

João 21.15-23

RESTAURANDO O COMPROMISSO COMO O SENHOR DA IGREJA E COM A IGREJA DO SENHOR


RESSUSCITANDO O AMOR DE DEUS EM MEU CORAÇÃO
(IP Jd Helian – 21 de janeiro 2016)

João 21.15-23

O último capítulo do Evangelho de João parece nos convidar para um momento mais na vida de relacionamento entre Jesus e os seus discípulos.
Em particular, quando olhamos o capítulo 20, versos 30 e 31, ficamos com a sensação de que João terminaria o seu evangelho, entretanto, ele inclui ainda mais uma narrativa, com duas cenas desenvolvendo ainda mais o tema da humanidade restaurada de Cristo Jesus e as provas de sua ressurreição, fechando o foco da cena na figura de Pedro e no modo como Jesus tratou de fazer reviver o amor de Pedro por si mesmo, pelo Senhor e por seu próximo.


Pedro Cabisbaixo
Simão Pedro é o protagonista da cena. João descreve suas atitudes, pensamentos, dramas etc.
No início do capítulo, introduzido pelo resumo do que João queria contar, qual seja a manifestação de Jesus aos seus discípulos junto ao Mar de Tiberíades, pontua-se que Pedro está junto a outros discípulos e toma a frente de uma pescaria: "vou pescar, ao que respondem os outros: nós vamos contigo" (Jo 21.3).
Essa cena nos remete a algumas possibilidades. Uma delas é que havia passado alguns dias e Jesus deixara de manifestar-se com a regularidade mostrada no capítulo 20, oito em oito dias. Essa possibilidade nasce do fato de que João muda o modo introdutório da narrativa, que no capítulo 20, pontuava sempre pela menção: "no primeiro dia da semana...".

No capítulo 21 a partícula introdutória do texto é "Depois disto...", o que parece ser um estilo bem joanino, conforme podemos ver em outros capítulos, quando o tempo de cronologia não é tão definido, mas pretende-se assim mesmo mostrar a idéia de progressividade na narrativa dos fatos.
A questão é que vemos Pedro e os discípulos demonstrando uma certa impaciência na espera. Sua decisão de ir pescar sugere um desconforto com a situação e até mesmo uma insegurança com o futuro.
Na progressão da narrativa, quando Jesus se aproxima deles na praia e é reconhecido, como sempre, primeiro por João e depois por Pedro e, novamente o Mestre lhes sugere onde pescar, sendo esta a segunda vez que Jesus os ajudava na pescaria, apontando para o lugar onde estavam, percebemos que a aproximação dos discípulos não é de alegria, nem parece confortável, pois todos sabem que é Jesus, mas não ousavam fazer perguntas a ele (verso 12).
Jesus toma a iniciativa e procura Pedro (verso 15) iniciando uma segunda cena, com o foco todo centrado em Pedro, suas tristezas, perguntas e incertezas. Neste momento, cremos que Deus está fazendo "ressurgir a visão do amor de Deus no coração do discípulo que havia fraquejado, negando o seu Mestre".
Todos nós, em algum momento da vida, nos sentimos como este discípulo. Sentimos que nossa vida não agrada a Deus e que estamos em tão grande falta que não somos dignos de sua companhia, sequer dignos de sua compaixão ou amor. 
Podemos dizer que este é um processo natural da consciência cristã, que se ressente de sua própria pecaminosidade e inconsistência, por querer o bem e não conseguir fazê-lo, antes, praticando o que é mal e perverso, contra o amor do Senhor.
Essa é a mesma inclinação ensinada no Salmo 51 e na parábola do filho pródigo: Pequei contra ti, contra ti somente... não sou digno... trata-me segundo a sua justiça...
Não obstante Deus realmente se entristecer com o pecado, Ele nos declara que haverá de sempre restaurar o seu povo e fazer com esse povo volte para Ele mesmo. E percebemos, desde os tempos do antigo Israel, que uma das primeiras coias que Deus faz, quando deseja manifestar este amor por seu povo, é fazer renascer em nosso coração (mente) o entendimento correto, a perspectiva adequada, a visão própria deste Seu amor por nós.
Este processo ocorreu na vida de Pedro e isto podemos extrair deste texto, incluso por João para que a nossa fé se mantivesse firme em Deus e no seu amor.


Ressuscite a Visão de Que o Amor de Deus se Manifesta Por Meio de Nosso Amor Manifesto à Sua Igreja

"Tu me amas?" - "Sim, tu sabes que te amo" - "Apascenta as minhas ovelhas." 
Essa seqüência proposital do diálogo entre Pedro e Jesus, repetida por três vezes, nos versos 15, 16 e 17, revela a intenção de Jesus em provocar uma reação na mente de Pedro. O texto nos informa que Pedro se entristeceu com estas perguntas.
Curiosamente, no verso 17, a pergunta de Jesus sobre o amor de Pedro por ele, vem com o uso de um verbo diferente. Nas duas primeiras ocasiões, Jesus prefere a idéia de um amor que inclui uma idéia mais "sacrificial", utilizando o verbo "aghapáo", já no verso 17, ele prefere trabalhar com a idéia de "irmandade e fidelidade" utilizando o verbo "filéo".
Tento imaginar que era como Jesus estivesse dizendo a Pedro: Pedro, você se sacrificaria por mim, estaria disposto a dar a vida por mim? Você faria algo muito difícil por mim? Pedro responde, sim Senhor, tu sabes que eu daria a vida por ti! Pedro, você é fiel a mim? Essa era uma pergunta ainda mais pesada, pois trazia à memória o fato de que Pedro o havia negado. Sim, Senhor, tu sabes todas as coisas e sabes que desejo ser fiel a ti.
Como conseqüência natural das respostas de Pedro, Jesus termina com a frase: cuide (bosqueh), guie (poimêne) e alimente (bosqueh) o meu rebanho (meus cordeiros, minhas ovelhas - arniah e probatá).
Jesus está restaurando a visão de Pedro em relação ao amor que ainda tem por ele, mostrando-lhe que aquele amor que ele, Pedro, nutre pelo seu Senhor é coroado com o fato de que Deus não o afastou de sua obra de amar os seus filhos, suas ovelhas.
Jesus chama Pedro para a tarefa de pastoreio, para o ministério em seu rebanho. Em outras palavras, Jesus chama Pedro para continuar o seu trabalho, pois Ele é o Bom Pastor, que Pedro mesmo irá chamar de "Supremo Pastor".
Deus nos ama, dando oportunidade de servi-lo em sua seara, em seu aprisco, exercendo nossos dons e cuidando da sua vinha, seu rebanho, seu povo.
João mesmo, nos ensinou que provamos nosso amor a Deus, quando o amor ao próximo se evidencia em nossas atitudes e, quando isto acontece, Deus prova que nos ama, pois aprendemos a amar, porque Ele nos amou primeiro.
Mas o amor de Deus por nós não se manifesta apenas desta forma, Deus cuida de nós e nos guia pelo caminho. Assim passaremos a considerar os versos 18 e 19.


Ressuscite a Visão de Que o Amor de Deus se Manifesta Quando Nos Propomos Conscientemente a Viver Para a Sua Glória

"Em verdade, em verdade te digo que, quando eras mais moço, tu te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias; quando, porém, fores velho, estenderás as mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres. Disse isto para significar com que gênero de morte Pedro havia de glorificar a Deus. Depois de assim falar, acrescentou-lhe: segue-me" 

Estes dois versos têm uma mensagem maravilhosa. Sinto uma real alegria ao ver retratado nestes versos o propósito maior de Deus e a maior manifestação do seu amor em nossa própria vida, que é o fato de que Deus nos conduzirá pela vida, de tal forma, que serviremos para que seja exaltada a sua glória.
Olhando para esta estrutura, perceberemos que João intercala a narrativa com uma palavra "editorial", uma espécie de nota explicativa, quando diz: Disse isto para significar com que gênero de morte Pedro havia de glorificar a Deus. Por isso, tratemos a passagem, primeiramente sem esta nota explicativa e depois voltemos a ela.
Alguém te levará pela mão para onde não queres - O ponto de Jesus é chegar a esta fala, ou seja, dizer a Pedro que sua vida mudará completamente. Nem sempre ele será o Pedro que era, antes, a força de Deus em sua vida o transformará. A mudança tem relação com o amadurecimento do apóstolo. Por isso, o texto trata de fazer uma comparação entre o jovem Pedro e o Pedro "gerow", "gerassen" (ancião).
Pedro, mais tarde, se referirá a si mesmo nestes termos: "eu ancião com eles (presbítero)", o que sem dúvida alguma nos mostra que de fato, Deus trabalhou o amadurecimento da vida de Pedro.
No entanto, o amor de Deus se evidencia neste momento, quando Deus revela a Pedro que ele seria transformado e que Deus guiaria o seu caminho, por isso, Jesus não perde tempo em dizer a ele: vem e segue-me. O que em outras palavras pode ser compreendido desta forma: você me seguirá não segundo o seu modo de andar, mas segundo o modo como eu provocarei os seus passos. Isso é maravilhoso, que Deus nos faça andar segundo a sua vontade, pois, se assim for, ainda que for no vale da sombra da morte, não precisamos temer, porque é Ele quem está nos levando.
É muito melhor andar no vale da sombra da morte tendo Deus como pastor, que ir para lá, apenas com as próprias pernas.

Glorificar a Deus com a vida - Embora João registre a palavra morte (Phanaton), a idéia geral do verso é que Pedro glorificaria a Deus com a sua trajetória de vida, culminando em uma morte que mostraria sua fidelidade (filéo) e sua vida sacrificial (aghapáo), conforme declarada pelo próprio Pedro nos versos precedentes. João fala em tons explicativos, pois, no momento em que escreve estas palavras, o próprio Pedro já havia deixado este testemunho para todos os irmãos, o que possivelmente, motivou João a incluir esta passagem, como uma nota póstuma ao amigo, companheiro e líder que foi o apóstolo Pedro para a sua vida.
Na verdade, João está disposto a esclarecer alguns possíveis equívocos a respeito de sua própria pessoa e os demais apóstolos. Ele João recebeu o privilégio de ser o último dos apóstolos a morrer. Isso fez com que muitos julgassem que sua lealdade a Cristo fosse maior que a dos outros, uma vez que ele esteve presente no momento dramático da cruz. Mas João deseja mostrar a todos que, na verdade, a vida de cada um dos filhos de Deus glorificará ao Senhor de uma maneira diferente. Isso nos leva ao último trecho da perícope selecionada.


Ressuscite a Visão de Que o Amor de Deus se Manifesta Quando Você se Submete ao Fato de que Ele Tem Um Plano Específico Para a Vida de Cada um Dos Seus Filhos e o Tem Para Você

"Então, Pedro, voltando-se, viu que também o ia seguindo o discípulo a quem Jesus amava, o qual na ceia se reclinara sobre o peito de Jesus e perguntara: Senhor, quem é o traidor? Vendo-o, pois, Pedro perguntou a Jesus: E quanto a este? Respondeu-lhe Jesus: SE eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa? Quanto a ti, segue-me. Então, tornou-se corrente entre os irmãos o dito de que aquele discípulo não morreria. Ora, Jesus não dissera que tal discípulo não morreria, mas: SE eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa? 

Mais uma vez a estrutura dos versos nos ajuda a chegar ao ponto fundamental a ser considerado. Novamente, João inclui uma nota explicativa. Desta feita, tem a ver com a sua vida e morte. Quando ele diz: "então, tornou-se corrente entre os irmãos o dito de que aquele discípulo (ele mesmo) não morreria", ele completa a nota explicativa com a seguinte conclusão: Ora, Jesus, não dissera que tal discípulo não morreria, mas: (enfatiza) Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa?
Com essa explicação, João faz uma exegese das palavras de Jesus, corrigindo a visão que tinham em relação a ele próprio e nos fazendo pensar seriamente no fato de que Jesus está falando para Pedro que devemos nos concentrar em nosso próprio ministério sem uma preocupação tão extensa em relação aos outros, senão for apenas para prestar-lhe serviços.
Que te importa? (...) segue-me - Podemos dizer que Jesus está dizendo para Pedro: não procures comparação no modo como eu trato meus filhos. Cada um será tratado segundo o meu plano soberano, cada um receberá o seu ministério e cada um receberá o seu próprio galardão. Não se concentre no modo como eu trato os outros, mas pense no fato de que cada um passará por coisas diferentes e, deste modo, todos me servirão.
Essa perspectiva de Jesus é reforçada com as palavras intermediárias que dizem: "se eu quero". Esta palavra - Thelos em grego - foi usada anteriormente para fazer aquele contraste em relação a Pedro: andavas por onde querias e irás por onde não queres. Naquele momento, fora aplicada a Pedro, mostrando que o querer de Pedro não era soberano, mas Deus iria mover o seu querer e transformá-lo. Agora, entretanto, a palavra é utlizada para denotar a soberania de Cristo e da manifestação do seu amor aos seus discípulos. O "thelos" agora é inquestionável: "Se eu quero..." - que te importas? Definitivamente, devemos admitir: Deus tem um plano para cada um dos seus filhos. O que importa? Importa que façamos a nossa parte...

Segue-me - A raiz da palavra grega é o verbo "akoloupheo", o qual denota a idéia de acompanhar e imitar aquele a quem acompanho. Em outras palavras: seja um discípulo de Jesus. Jesus chamava Pedro e lhe mostrava o modo como a sua vida o glorificaria. E ele o ensinou que a maneira como o viver o glorificaria é que Pedro seria um imitador do próprio Senhor. Primeiro, ele o imitaria tendo como prerrogativa o cuidado pastoral com o seu rebanho, em segundo lugar, ele o glorificaria com uma morte muito semelhante a do seu Senhor. Fundamentalmente, ele o glorificaria seguindo-o e tornando-se cada vez mais conformado à sua imagem.
E esta é a maneira como Deus melhor manifesta o seu amor por nós. Nos guiando pela vida, segundo um plano específico, fazendo-nos passar por situações direfentes, com o propósito de revelar em nós o seu próprio Filho.


Conclusão

Desejo fazer aqui uma distinção entre "explosão" e "implosão". Os dois métodos visam a destruição de coisas, talvez para limpar o espaço onde se deseja construir algo novo. Existe um programa no History Channel intitulado "cemitério de máquinas". Em um dos seus episódios eles falam de implosões de velhos prédios nos Estados Unidos.
Mas a diferença significativa entre a implosão e a explosão não está na destruição que ambos promovem, mas no modo como ambas promovem esta destruição. A explosão espalha partes por todos os lados, a implosão faz com que todos os pedaços fiquem no mesmo lugar, embora destruídos. 
O evangelho de Deus é o poder de Deus para destruir e construir vidas novas em seu lugar. Mas o evangelho não nos explode, espalhando pedacinhos de nós por todos os lados, pelo contrário, o evangelho destrói nossa própria auto-confiança, deixando com todos os pedaços de nosso coração no mesmo lugar e nos reconstrói a partir destes pedaços e não de outros. 
Creio que podemos considerar que foi isso que Jesus fez com Pedro ao longo de sua vida. Creio que podemos começar essa conclusão com essa visão do que aconteceu com Pedro. 
É fundamental para nossa vida cristã que tenhamos uma visão cada vez mais clara do amor de Deus por nós. Algumas vezes nos sentimos frutrados com nossa própria vida. Outras tantas, nossas frustrações apontam contra o modo de Deus agir em nossa vida. 
Nem sempre compreendemos porque passamos por situações difíceis, porque fomos nós que pecamos vergonhosamente e porque somente nós somos os que sofrem. 
Esse estado mental precisa ser corrigido, como precisava acontecer com Pedro. Cristo levou Pedro a repensar, ele implodiu os seus pensamentos e o levou a sua alma aos pedaços, alguns deles tão pequenos que mal Pedro podia vê-los. Ele o fez sentir os seus erros, mas não permanecer prostrado, cabisbaixo, pelo contrário, o Senhor fez Pedro notar o caminho da manifestação do amor de Deus em sua vida, quando Jesus, pouco a pouco, começou a juntar novamente os cacos de sua alma.
Todos nós precisamos aprender a ver o agir implosivo de Deus e o seu reconstruir amoroso em nossa vida, em particular nos momentos em que nos sentimos pequenos, devedores e aparentemente rejeitados.

Aplicação

Tenho um profundo anseio de que você redescubra o amor de Deus por você. Fazendo uma releitura bíblica da sua vida. Permitindo com que Deus explique melhor o modo como tem agido para que você se torne um discípulo dele.
Também espero que este texto lhe sirva não somente nesta noite, mas todos os dias, quando os vales pelos quais você passar forem absurdamente mortificantes e parecer que você está sozinho.
Espero que você esteja disposto a renunciar suas amarguras em relação a si mesmo, a Deus, ao aparente melhor desempenho do outro e se firme na verdade de que seu chamado para servir a Deus não pode ser deixado de lado, pelo contrário, que você se disponha a voltar ao estado e ao lugar, do qual, nem os seus pecados têm poder de te tirar: o amor de Deus por você.

Deixe ressurgir no seu coração essa visão!


1 de janeiro de 2017

Mateus 3.1 a 10

Série – Cristo e os Obedientes
AS BASES DE UMA VIDA SIMPLES E FRUTÍFERA
MATEUS 3.1 A 10

FCD – Uma leitura direta deste texto apontará a vida de João Batista como um modelo de obediência ao chamado. O ponto central do ministério fiel de João Batista era a sua convocação para uma vida simples. A proposta dele, João, aos homens de sua época era simples: arrependimento, urgência, amor ao próximo e o reino como modo de vida. Vamos ver neste texto como estas coisas devem ser aplicadas ao nosso viver diário.

INTRODUÇÃO
Poucas pessoas no mundo, em toda a história da humanidade, têm alcançado a marca deste homem: João Batista. A força de sua mensagem ainda merece estudos profundos por parte dos estudiosos. As poucas pistas que temos na Escritura sobre a vida deste homem e o alcance de sua influência sobre seus patrícios em sua geração e depois dela já nos mostram o quanto foi preciosa a vida deste homem. Sem dúvida foi um homem marcante.
Os quatro evangelhos destacam sua atividade como a “voz do que clama no deserto”, o preparador para a chegada do Senhor. Um comentário de Jesus sobre sua pessoa nos impressiona a todos: Em verdade vos digo que, dos nascidos de mulher, ninguém é maior do que João Batista. Mateus 11.11.
A vida de João era uma espécie de mensagem viva. A simplicidade exagerada de seu modo de vida apontava significativamente para o que desejava comunicar.
Usava João vestes de pelos de camelo e um cinto de couro, a sua alimentação eram gafanhotos e mel silvestre (Mateus 3.4).
Sem dúvida o centro da mensagem de João é um grande desafio para todos nós. Ele reforçava o seu ensino com uma frase contundente:
Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo (Mateus 3.10).
Você pode elaborar uma grande teoria sobre tudo o que diz este verso, mas tem de concordar com uma coisa. A premissa colocada aqui é simples: a árvore que não produz bom fruto é cortada... não serve, não pode e não permanecerá diante de Deus, é julgada.
O frutificar é o resultado da nossa vida e o simples neste texto é que Deus espera que nossa vida dê bom fruto. Assim como em Isaías 5, o profeta mostra que Deus está decepcionado com o seu povo porque produziu uvas podres e mirradas, aqui, João Batista trabalha com a simples lógica: PRODUZA BONS FRUTOS! Como diria João Batista: SIMPLES ASSIM!!!
A questão que precisamos trabalhar nesta noite irmãos tem a ver como estes bons frutos e como produzi-los. Parece-me que o grande problema para nós não é tanto saber quais os frutos que precisamos produzir. Afinal, todos sabemos que estes frutos estão ligados ao nosso amor primordial a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. E, simples, como a conta um mais um, igual a dois, devemos dizer que: o que não combina com estes dois mandamentos, é fruto ruim.
Portanto, produzir bons frutos é necessário. A questão é: O QUE PRECISO APRENDER PARA ME PREPARAR PARA PRODUZIR ESTES BONS FRUTOS? Em que preciso de mudanças para que esteja preparado para AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E CONSEGUIR AMAR AO PRÓXIMO COMO A MIM MESMO?
A vida simples que devemos almejar, a vida de frutificação é portanto o resultado de transformações que ocorrem no coração e se demonstram naquilo que fazemos como resultado de nossa vida com Deus.

PARA TER UMA VIDA SIMPLES E DE FRUTIFICAÇÃO PRECISAMOS APRENDER A RECONHECER OS CAMINHOS ERRADOS QUE TOMAMOS
Desculpem-me citar uma música popular, na verdade, um rock brasileiro dos anos 80. Apenas para ilustrar lembro de uma frase de Renato Russo: Numa canção, intitulada “Andréa Dória”, na qual Renato lamenta ter percebido que estava errado achando estar certo, ele afirma que já foi ferido por suas escolhas e, então cantava o refrão esperançoso: “nada mais vai me ferir, é que eu já me acostumei, com a estrada errada que eu segui e com a minha própria lei”.
De fato, um dos pontos que desestrutura a relação do homem com tudo o que está ao seu redor é não reconhecer no Universo de Deus o dedo dirigente do seu Criador. Quando traçamos nosso caminho neste mundo, seguindo nosso próprio coração e sem se deixar orientar por aquele que a tudo dá força e dirige, caímos no problema de encontrar adiante de nós o CAMINHO DA MORTE.
A VIDA SIMPLES DIANTE DE DEUS, A QUE PRODUZ FRUTO, SE CONSOLIDA QUANDO APRENDEMOS A RECONHECER OS CAMINHOS ERRADOS QUE TOMAMOS.
Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judeia e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus. Porque este é o referido por intermédio do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas (Mateus 3.1-3).
Caros irmãos, acredito que o que falta para nós não é a percepção do certo e do errado, mas a CORAGEM PARA TOMAR A DECISÃO QUE FIRA NOSSO PRÓPRIO CORAÇÃO, MAS NOS LEVA PARA DEUS. A falta de fibra em nossa fé é o ponto que nos impede de tomar a decisão certa. Em geral, a decisão certa, mesmo quando dolorosa, é o mais simples.
Apareceu pregando (Paraguínetai Kerisso) – Mateus trata do surgimento de João Batista como tratará a “parousia” de Cristo, isto é, a segunda vinda de Cristo, como um ato repentino, mostrando o fato extraordinário do seu acontecimento. João Batista, surpreende o mundo de sua época e impacta, propondo à sua geração um CAMINHO SIMPLES O CAMINHO DO ARREPENDIMENTO.
Arrependei-vos – endireitai as suas veredas – O texto reforça a ideia de que o princípio de uma vida que deseja produzir frutos, o primeiro passo desta viagem é O APRENDIZADO DO ARREPENDIMENTO. Muitas vezes, Deus aconselhou Israel desta forma.
O profeta Isaías conclama o povo ao arrependimento (Isaias 1.18-20; 55.6-7), o profeta Oseias fez o mesmo (Os 14.1) e, em geral, todos os profetas apresentam a sua mensagem dizendo que o ARREPENDIMENTO E O RETORNO DOS CAMINHOS MAUS é necessário para uma relação de frutificação com Deus.
Prepara o caminho do Senhor, na mensagem de João Batista é o mesmo que desenvolver o forte senso do ARREPENDIMENTO. SE DESEJAMOS TER UMA SIMPLES-FRUTIFERA DIANTE DE DEUS PRECISAMOS APRENDER A RECONHECER QUANDO ESTAMOS NO CAMINHO ERRADO.
Infelizmente, há muitos que AMAM MAIS AS TREVAS QUE A LUZ e preferem se esconder. Possuem elaborados planos e explicações, mas fogem da SIMPLICIDADE DO EVANGELHO que simplesmente diz: VÁ E NÃO PEQUES MAIS.
Considere atentamente não ser conivente com seus próprios erros. Considere reconhecer seus maus caminhos. Como eu disse: na minha opinião, o que precisamos não é tanto descobrir o que é certo e errado, embora há muito que aprender sobre isto. Eu penso que o que mais precisamos é de CORAGEM para não nos desviar nem para esquerda nem para a direita.
Lembre-se que não adianta nada você andar 99% do caminho corretamente e fazer a última curva na direção errada, você não chegará ao destino desejado. Cuidado para ser um crente que guarda toda a lei, mas tropeça num ponto (Tiago 2.10).
Lembre-se, se no final de tudo, você não conseguiu AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO COMO A VOCÊ MESMO, então, você precisa REVER OS SEUS CAMINHOS. Outro ponto é que você pode, sim, começar a olhar para as suas escolhas de agora e antecipar em qual direção elas o levarão.

PARA TER UMA VIDA SIMPLES E DE FRUTIFICAÇÃO PRECISAMOS NOS COMPROMETER COM O REINO DE CRISTO
O engajamento no Reino é mais que apenas um assentimento intelectual de que é bom ser um cristão, ou de algum tipo de adesão denominacional. Vou repetir algo que sempre me marcou muito, alguns dos irmãos já sabem disto. Estou falando daquele episódio de Jesus Cristo diante de Pilatos, quando o pretor romano diz que ele estava sendo entregue por sua própria gente.
Jesus, para impressionar a minha alma disse: Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui (João 18.26).
Você consegue também sentir a seriedade deste assunto? Perceba, meu irmão, o ponto que Jesus escancara é que o seu povo não se compromete com o seu Reino, porque o seu Reino não segue a estrutura mundana. Jesus está denunciando que as estruturas que comandam as nossas prioridades precisam ser revistas.
Quando João convocou homens ao arrependimento, também os batizava. O seu batismo tinha a força de estabelecer um padrão de compromisso com uma nova vida, com um novo modelo e padrão de escolhas.
Então, saiam a ter com ele Jerusalém toda a Judéia e toda a circunvizinhança do Jordão e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados (Mateus 3.5-6).
Saiam a ter com ele e eram batizados – a construção do texto mostra que as pessoas estavam dispostas a ouvir aquele homem e sua mensagem, mas também nos mostra que esta mensagem os impactava. Esta construção usa o verbo “sair para ir” (curioso – poreomai), que tem uma força médio-passiva, que é o mesmo que dizer: ERAM LEVADOS A IR TER COM ELE. O mesmo acontece com o verbo EBAPTIZONTO – que implica em uma ação de ser batizado. Este batismo de João implicava em um compromisso sério com o Reino dos céus.
Confessando pecados – o ato da confissão de pecados é uma decorrência do arrependimento. Trata-se de uma FORMALIZAÇÃO DO ARREPENDIMENTO DIANTE DE DEUS. Este é um ponto importante do ministério de João, ele não buscava seguidores para si, mas os impelia a se comprometerem com Deus e o seu reino.
NÃO EXISTE VIDA FRUTÍFERA SEM COMPROMETIMENTO SÉRIO COM O REINO DE CRISTO – SIMPLES ASSIM. Crentes precisam estabelecer COMPROMISSOS COM O REINO DE DEUS e com ações que o levem a priorizar este tipo de vivência cristã.
Reconhecer o caminho errado é um primeiro passo, comprometer-se com a direção certa é um complemento necessário. Este é o segundo aspecto de uma vida simples e frutífera com Deus que não podemos negligenciar.
Você precisa adotar medidas que potencializem sua condição de amar a Deus e ao próximo, comprometendo-se com este alvo de vida. SIMPLES ASSIM.

PARA TER UMA VIDA SIMPLES E DE FRUTIFICAÇÃO PRECISAMOS APRENDER A DEIXAR A AUTO JUSTIÇA COMO FONTE DE REDENÇÃO
Vamos olhar para um outro aspecto da VIDA SIMPLES E DE FRUTIFICAÇÃO. Agora, entretanto, vamos tratar de uma erva daninha do jardim que tem uma aparência muito bela.
Imagine, você tem um pomar com várias árvores frutíferas, mas tem percebido que as árvores não se desenvolvem. O que acontece, muitas vezes, é que junto com as árvores, cresce uma erva daninha e que suga todo o nutriente da terra, impedindo o desenvolvimento das outras plantas. Bem, não sou especialista deste assunto, então vamos parar por aqui e voltar ao texto.
A erva daninha de que estou falando a partir deste texto tem um nome: AUTOJUSTIÇA. Os fariseus e saduceus, com suas eternas discussões teológicas, eram uma espécie de grupos que se rivalizavam para se impor  como os líderes teológicos da comunidade judaica. Os saduceus controlavam o sacerdócio, e os fariseus as sinagogas e digladiavam-se para ter a supremacia religiosa entre o povo.
Ambos grupos, tinham uma ideia de que estavam tão certos que não precisavam de nada para terem a experiência de viver no reino de Deus. Entretanto, muitos deles, procuravam João para se batizar. NO fundo eles não confiavam no batismo ou na necessidade de arrependimento ou compromisso com o Reino e as mudanças que o reino requer dos servos de Deus.
A erva daninha tira o alimento da planta e ela pode até parecer uma planta interessante, pode ter alguma beleza. Contudo, a verdade é que precisa ser arrancada. Da mesma forma, muitos crentes ainda possuem certos plantios de ervas daninhas na sua vida cristã e não percebem o quanto suas forças espirituais estão sendo sugadas.
Raça de víboras – se por um lado a multidão era conduzida por Deus para irem a João, aqui, João encontra um outro grupo que parece induzido, mas João indaga que os teria levado a procurar o deserto para ouvir a mensagem. João percebe que seu comportamento precisava de mudanças, se queriam realmente se aproximar do Reino, então teriam de ter o arrependimento.
Produzi frutos dignos de arrependimento – João não conseguia ver naquele jardim árvores frutíferas, porque a erva daninha da autojustiça não deixava aparecer frutos na árvore.
Não comeceis a dizer que somos filhos de Abrão – Por isso ele os exorta a abandonar esta erva daninha se querem produzir frutos.
Precisamos aprender de uma vez por todas: NÃO HÁ NADA EM NÓS QUE POSSA SOBREVIVER DIANTE DE DEUS NO DIA DO JUÍZO SE NÃO TIVERMOS NOS DESPIDO COMPLETAMENTE DE TODA AUTOJUSTIÇA E DEIXADO NOS VESTIR COM A JUSTIÇA DE CRISTO.
Em outras palavras o que quero que você saiba, meu irmão, é que a vida cristã simples e frutífera tem a ver com não procurar viver para provar o quanto somos bons, mas viver para mostrar que precisamos de Deus para sermos transformados.
Crentes escondidos atrás de ervas daninhas como ministérios bem sucedidos, capacidade de impressionar no conhecimento bíblico, ligados a obras sociais, capazes de acusar o erro dos outros, especialistas na teologia... etc... mas incapazes de amar a Deus a ponto de se comprometer com ele, ou de amar o próximo, a ponto de saber perdoar e dar-lhe a sua própria capa num dia de frio.
SIMPLES ASSIM: PARA FRUTIFICAR ABANDONE QUALQUER POSSIBILIDADE DE AUTOJUSTIÇA OU VANGLÓRIA E SEJA PEQUENO NAS MÃOS DE UM DEUS GRANDE.
Conclusão
Se você observar bem, este texto vai te levar a pensar sobre o que deve ser a sua vida e que elementos deverão te levar a frutificar durante todo este ano. O primeiro passo pode ser o mais importante, então não se demore em refletir sobre os seus caminhos. Que tipo de caminhos você tem trilhado e como tem construído sua vida com Deus?
Comece a pensar em seu compromisso com o Senhor e o que realmente motiva sua alma a viver. Do que você alimenta a sua alma. Comece a elaborar uma forma de se comprometer de fato com aquilo que te transforma e te faz mais próximo do ideal de vida cristã: amor a Deus e ao próximo.
Por fim, quero exortá-lo, como já o fiz anteriormente, a se concentrar naquilo que Jesus fez e não no que você faz. Comece a ser mais humilde e não se escore, ou se estabeleça nas suas próprias capacidades ou perspicácia pessoal. Comece a buscar no arrependimento e compromisso, um modo humilde de viver com Deus.
O humilde diante de Deus se alimenta melhor, porque está mais exposto a Deus e à sua Palavra.


25 de dezembro de 2016

Mateus 1.18 a 25

Quando a Obediência Humana é Serva da Soberania Salvadora de Deus

Mateus 1.18 a 25
(Pregado na IP Vila Formosa Natal 2016)

Introdução
A obediência a Deus é a rota principal do seu agir? Isto é, é o peso determinante para as coisas que você faz?
A obediência é a virtude cristã que mais se desenvolve quando o coração do crente está disposto a ser realmente usado por Deus. A falta de um coração obediente revela mais que  apenas inaptidão para as coisas espirituais, pois carrega escondida atrás da sua falta de lealdade a Deus um idolatria fortemente baseada no egocentrismo que nos move.
Olhando para o texto de hoje, veremos como a obediência de José lhe rendeu a graça de participara do maravilhoso plano divino para salvar a humanidade. Sem dúvida, José foi servo do Senhor e conseguiu submeter a sua própria vontade para ser obediente ao chamado de Deus e participar dos seus atos redentivos.
A grande questão que todos precisamos enfrentar é sobre o preço que a obediência exige e o quanto estamos dispostos a submeter nosso coração egocentrado à vontade soberana do Senhor. Pergunte a si mesmo o que é necessário para ter tanta força para poder seguir o projeto de vida baseado na obediência a Deus como rota principal do agir.

Nossa Obediência é Serva da Soberania Salvadora de Deus Quando Estamos Prontos a Sacrificar Nosso Orgulho Egocêntrico Para Sermos Instrumentos de Deus

Estou com Calvino quando comenta que precisamos olhar com atenção a atitude de José nos versos 18 e19.
Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixa-la secretamente (Mateus 1.18-19).
O Nascimento de Jesus – o tema central de Mateus nestes capítulos é Jesus e o seu nascimento. No entanto, a questão de Mateus não é descrever a dificuldade de se encontrar um lugar para o Rei, tampouco, a questão da manjedoura, a viagem para Belém. Mateus sequer dá muita atenção para o papel de Maria, como no caso de Lucas, ele está disposto a olhar mais para outras pessoas que estão gravitando em torno deste acontecimento. Em particular, aqui, ele olhará para José e como ele reagiu ao nascimento de Jesus.
Maria estava desposada com José – José seu esposo – Mateus constrói uma imagem que precisa ser considerada. A relação de José com Maria não  era a de um mero compromisso, mas um casamento já havia acontecido, segundo os costumes de sua época. Maria já era mulher de José e o ponto de Mateus é claro, ele deseja que percebamos o quanto a situação de saber que Maria estava grávida, sem que José tivesse tido qualquer contato íntimo com ela, era importante para o que José tenciona fazer.
José sendo justo – Como disse, Calvino pede que olhemos para o ato de José de duas formas. Com certeza ele foi generoso em procurar não infamar Maria, a quem já havia tomado para ser sua esposa. No entanto, ele não estaria disposto a desposá-la livremente, porque a julgava culpada. Por isso, Mateus enfatiza que sua atitude levou em consideração o que a Lei dizia: sendo justo, aponta justamente para a ideia de que ele seguia a justiça da lei. 
Não querendo infamá-la – aqui  está o outro lado da atitude de José. Pela Lei, José tinha o direito de arrastar Maria a um lugar público e renunciar o casamento, por caso de adultério, expondo-a publicamente ao desprezo. Um texto que pode nos ajudar a entender a força do verbo “daigmátizo” é Colossenses 2.15. No entanto, José tem algo em sua mente, ele simplesmente a deixará à sua própria sorte. Ele não quer ser o executor desta situação. Todos, mais tarde saberiam o que tinha acontecido e a justiça se faria de qualquer forma.
Sei que às vezes, temos a tendência para romantizar a atitude de José. Ele não foi um romântico protetor, embora não tenha desejado ser um justiceiro e usar completamente o seu direito. Ele estava ferido e não assumiria o pecado de Maria. José tinha sido ferido em seu orgulho e não iria prosseguir com um casamento se sua mulher lhe era infiel.
Para que sua obediência fosse serva do plano redentivo de Deus, José precisou submeter seu orgulho à vontade de Deus.
Caros irmãos, a lição que José nos deixa é de extrema importância. Porque, não poucas vezes, é o orgulho que nos impede seguir adiante e fazer aquilo que mais agrada a Deus. Parece-me que Deus tem um certo método de trabalho e que este método envolve colocar o nosso orgulho contra a parede.
Ele fez isso com Uzias, quando pediu ao bem sucedido rei que não pecasse contra o templo, desejando oferecer o que não era da sua alçada oferecer a Deus; ele fez isto com o povo de Israel tirando-o da sua terra e levando-o para o exílio; ele fez isto com Davi, apontando o seu pecado de forma vergonhosa, por meio do profeta GAde etc.
Deus nunca pôs o seu orgulho contra a parede? Você nunca percebeu isto?
Se não percebeu, você não tem sensibilidade para o agir de Deus, porque este é um método necessário, porque é o orgulho que precede a nossa queda.
Deus poderia ter feito o contrário, mandado o anjo ir antes avisar a José de que Maria ficaria grávida do ESpírito Santo. Maria, quando o soube, só guardou a mensagem no coração, certamente nada falou a José, mas Deus queria colocar o orgulho de José contra a parede.  
Para que nossa obediência seja serva da soberania salvadora de Deus precisamos sacrificar nosso orgulho egocêntrico e nos render a Deus e à sua vontade.
Não dá para servir a Deus e servir a si mesmo. Esse não  é o método de Deus. Hipócrita aquele que orgulhosamente faz de conta que está à serviço de Deus, mas faz apenas aquilo  que sua própria vontade quer. O problema deste comportamento é que ele é oposto ao método de Deus de nos tornar seus filhos e servos.



Nossa Obediência é Serva da Soberania Salvadora de Deus Quando Somos Guiados Pela Fé e Não Pela Nossa Intuição

Temos, em geral, uma ideia de que viver por fé, é viver controlado por uma certa dose de intuição. Bem, a intuição é aquele senso de possibilidade que traz um certo convencimento ao nosso coração de que as coisas devem caminhar de um determinado modo e que esse é o caminho certo.
Bem, com certeza, você pode dizer que é difícil distinguir a “fé” da “intuição”. Talvez seja mesmo. Mas a fé tem um ingrediente diferente da intuição, porque a fé é baseada em Deus e não em nós, na Palavra de Deus e não na nossa.
Quando José toma a decisão de ouvir o que anjo está dizendo, ele está rejeitando o que o seu coração tinha intuído, com base nos fatos. O coração de José já havia pensado em um modo de fazer as coisas acontecerem, mas agora, sua atitude final é controlada pela fé, que se baseou na mensagem que ouviu da parte do Anjo.
Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo (Mateus 1.20).
Enquanto ponderava o anjo lhe apareceu em sonho – note que o processo de intuição do coração de José estava em pleno exercício de seu plano e avaliação, quando um novo elemento, vindo de Deus, interfere neste processo.
Não temas – quando o anjo inicia sua palavra, ele vai ao ponto que está motivando a ponderação de José: ele tinha medo de sua própria vergonha. Ele tinha muito orgulho de ser um homem bom e estava agora planejando o que fazer. O anjo, tem uma mensagem direta que confronta a insegurança de José: NÃO TEMAS, RECEBER MARIA TUA MULHER.
Porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo – O elemento que definiu a ação de José não foi a sua intuição pessoal, mas um coração que desenvolveu fé na palavra que lhe foi anunciada. José renunciava, agora, sua própria decisão anterior, baseado na palavra que ouvira.
Irmãos, o que José está fazendo é deixando que a sua fé, moldasse a sua decisão e obediência. Ele estava agora decidindo ser guiado pela sua fé e não pela sua percepção ou intuição da vida. Ele não poderia mais dar conta da sua vida, apenas caminhando segundo o seu coração. Ele precisou renunciar suas certezas pessoais para viver pela fé.
NOSSA OBEDIÊNCIA SERÁ SERVA DA SOBERNIA SALVADORA DE DEUS QUANDO DECIDIRMOS QUE VIVER POR FÉ É O MÉTODO FUNDAMENTAL PARA GUIAR AS NOSSAS AÇÕES.
Não vamos nos deter em falar muito sobre o conceito de VIVER POR FÉ. Mas, vale a pena, você caminhar até Hebreus 11 e fazer uma leitura atenta sobre tudo o que ali é dito sobre o que é ser movido pela fé.


Nossa Obediência é Serva da Soberania Salvadora de Deus Quando Estivermos Prontos a Pagar o Preço de Viver Dentro do Centro da Vontade de Deus

Quando o pastor Caio Fábio popularizou essa expressão: centro da vontade de Deus, tenho de confessar que eu não gostei muito. Achei que se tratava de retórica e não conseguia ver muita consistência prática nela.
O que aconteceu com José foi exatamente isto, ou seja, ele não valorizou um projeto pessoal em detrimento do projeto de Deus. José identificou o núcleo da ação divina: a redenção do seu povo; ele resolveu viver neste “centro da vontade de Deus”.
Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer Deus conosco (Mateus 1.21-23).
José tinha sim seu drama pessoal a ser resolvido, afinal ele estaria desposando uma mulher que todos saberiam ter um filho que não era dele. Mas, sua percepção da vida muda quando ele descobre que Deus tem um núcleo de ação e este núcleo não tem nada a ver com os seus planos de autopreservação.
Ela dará luz um filho e lhe porás o nome de Jesus – Deus não pergunta a José se ele quer, se o  nome lhe agrada, o que ele acha. A ordem divina, obviamente é um comando que leva o coração de José a perceber quem é que está à frente do  negócio de se casar com Maria: DEUS.
Porque ele salvará o seu povo dos pecados dele – José percebeu que viver é um ato de existir dentro de uma vontade soberana e superior, a de Deus. Os planos de Deus são mais elevados que os nossos como disse o profeta Isaías e o profeta Jeremias. Precisamos grandemente entender essa lógica da existência.
José está mudando sua perspectiva. Ele suspendeu seu projeto, porque está vendo e percebendo o projeto redentivo de Deus. Precisamos começar a ter olhos centrados no núcleo da vontade de Deus para nós, para nossa família, para o mundo ao nosso redor e como nos encaixamos neste projeto.
PRECISAMOS APRENDER A PAGAR O PREÇO PARA QUE NOSSA OBEDIENCIA SEJA SERVA DA SOBERANA VONTADE REDENTIVA DE DEUS.
Este é o ponto: precisamos nos dispor a caminhar na estrada da obediência e ela é mais pedregosa, sem dúvida. A diferença da estrada da obediência a Deus e da obediência ao nosso coração, a suprema diferença entre elas é que ao final, a da obediência a Deus nos leva a Deus.
Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta – José lastrava sua decisão de seguir o caminho de Deus não baseado em um mero sentimento, ou como já disse, uma intuição. O que está guiando o coração de José a obedecer é A PALAVRA DE DEUS. Ele lastreia sua certeza de seguir nesta direção porque o anjo está lhe dizendo que a PALAVRA DE DEUS CAMINHA NESTA DIREÇÃO. Isto é o suficiente para José tomar uma decisão de obediência.
Note como é importante considerar a seriedade do ato de obedecer. Porque obedecer é caminhar na direção da palavra de Deus, não é à toa que o salmista diz que ela é lâmpada para os pés e luz para os caminhos e que o jovem guardaria puro o seu caminho se o observasse segundo a palavra de Deus.
Bem... José está caminhando segundo a Palavra e o resultado é um: OBEDIENCIA.
SE DESEJAMOS QUE NOSSA OBEDIÊNCIA SEJA SERVA DA SOBERANIA SALVADORA DE DEUS, PRECISAMOS PAGAR O PREÇO PARA VIVER NO CENTRO DA VONTADE DE DEUS.
Conclusão
Certo dia, Josué se posicionou diante de todo o povo e inquiriu-lhes sobre a quem dariam a sua lealdade e obediência: a Deus ou aos deuses? Irmãos, num certo sentido é isso que este texto fala conosco esta noite: a quem vamos dar a nossa lealdade e obediência: a Deus ou aos deuses que controlam o nosso coração?
Precisamos encontrar razões em Deus para obedecê-lo, porque a estrada da obediência envolve o drama de pagar o preço, e ser posto contra a parede. Precisamos aprender a sacrificar o nosso orgulho egocêntrico e buscar na palavra de Deus a resposta necessária. O QUE DEUS DIZ TEM DE DETERMINAR O QUE FAZEMOS. 
Por fim, precisamos escolher a quem realmente amamos e servimos. José, resolveu pagar o preço e escolheu caminhar com Deus e obedecê-lo.
Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher. Contudo, não a conheceu, enquanto ela não deu a luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus (Mateus 1.24-25).
A Bíblia fala muito pouco deste homem, ele realmente não é um dos grande protagonistas das Escrituras. Mas este homem cumpriu o seu papel e fez o que Deus preparou para que ele fizesse. José cuidou de Maria, ela foi a sua prioridade, Jesus, o menino, foi a sua prioridade. Ele não se preocupava mais com o que o que ele ganharia com um casamento, mas em fazer a vontade de Deus.
José cuidou de Maria e quando os magos avisaram que corria risco o menino, ele deixou tudo e foi para o Egito. Depois, quando podia retornar, deixou tudo em Belém e foi morar na pior região do país, a Galiléia, a mais distante... porque José é um homem que vive para Deus e morre para Deus e foi a assim sua vida e sua morte.
Aqui, somos humilhados, porque somos pessoas egocêntricas e que impomos limites que nos fazem parecer crianças mimadas, cheias de quereres insanos de fazer só a nossa vontade. Aqui, DESCOBRIMOS QUE PRECISAMOS PEDIR PERDÃO A DEUS E SEGUIR NOUTRA DIREÇÃO.

Aplicação para IP Vila Formosa
Meus irmãos, nossa igreja tem toda a possibilidade de ser uma igreja que honra a Deus. Temos muitas virtudes, muitos dons, somos, de muitas formas, uma boa igreja. Mas temos um defeito que precisamos claramente corrigir: AINDA SOMOS UM POVO QUE NÃO SE DOA AO SERVIÇO DE DEUS COMO TODO O NOSSO CORAÇÃO.
Muitos de nós, ainda são pessoas que vivem à margem da obediência total. Procuram manter um padrão de vida cristã, mas não se entregam completamente à Deus. Ainda precisamos nos voltar para Deus para o servir de todo o nosso coração, forças, entendimento e alma.
Vamos orar, durantes estes dias que antecedem o final deste ano e vamos clamar que o Senhor conquiste os nossos corações, como prometeu pelo profeta Ezequiel e nos dê um coração da carne, em lugar de pedras endurecidas dentro de nós. Clamemos ao Senhor que coloque em nós a sua palavra, e por seu Espírito nos faz andar nas suas leis e a lhe obedecer e amar plenamente.
Um dos maiores testes é o dia de amanhã. Porque podemos estar como José, em um sono, no qual ouvimos a voz de Deus a falar ao nosso coração. Mas, vamos sair deste lugar e vamos acordar. A questão é: vamos obedecer?

Oração

Senhor Deus, conceda ao seu povo um coração quebrantado e disposto a obedecer. Um coração igual ao do teu Filho que foi até o fim e pagou o preço para estar no centro de tua vontade soberana e salvadora. Ajuda-nos, porque precisamos de Ti. Amém.