11 de fevereiro de 2018

Marcos 4.26-29

O Divino Crescimento do Reino
Marcos 4.26-29

Introdução
O capítulo 4 de Marcos é dedicado à ilustrar o que é o Reino dos Céus. Quatro parábolas são usadas para estabelecer o ensino de Jesus sobre o Reino. Em particular três delas se destaca e se se unem pela imagem temática, ligada à sementeira.
Na parábola do semeador, a diligência do semeador é o ponto em destaque, assim como os tipos de solos, sobre os quais as sementes caem. Nela há a ênfase na obra de semear, na mesma medida, em que se enfatiza a resposta dos corações. Já na parábola que temos diante de nós, a parábola da semente, a ênfase recai sobre a SOBERANIA DE DEUS na frutificação. Diferentemente, da primeira parábola, aqui não é apontado o esforço do semeador, tampouco a resposta do solo, mas a obra de Deus em fazer o seu REINO CRESCER.
Certamente, qualquer ênfase e apenas um dos aspectos é um erro. Precisamos da boa disposição para semear, isto é, fazer a nossa parte, assim como na resposta humana ou como Deus prepara o coração humano para responder, como também no fato de que tudo isto é absolutamente um resultado do misterioso agir divino.
Tendo em mente este grande mistério da soberania divina, precisamos considerar algumas verdades sobre o Reino que servirão como medida para entender e orientar o nosso trabalho no Reino de Cristo.
O grande ponto que precisamos cuidar aqui e Marcos parece desejar muito nos advertir ao equilíbrio é que não venhamos a pensar no REINO de CRISTO como algo sob os nossos domínios, um resultado exclusivo da CAPACIDADE HUMANA. Precisamos de uma forte medida de fé e confiança absoluta em Deus se desejamos ser bem sucedidos, isto implica em um cuidado tanto com A SOBERBA, quanto com A FALTA DE OUSADIA.
O texto trabalha com TRÊS ETAPAS do Reino:
1)    A germinação da semente;
2)    As etapas da frutificação da semente;
3)    A ceifa.
Da mesma forma que o próprio texto se estrutura, vamos considerar estas três fases em alguns detalhes.

O REINO CRESCE POR MEIO DE UMA OBRA MISTERIOSA DE DEUS
Disse ainda: o reino de Deus é assim como se um homem lançasse a semente à terra; depois, dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e crescesse, não sabendo ele como (Marcos 4.26-27).
Algumas vezes, sofremos de um perigoso mal na vida cristã: soberba. Passamos a nos considerar o fundamento do sucesso da obra de Deus no mundo e confundimos o nosso papel e dons com o poder divino. Acho degradante qualquer cena de evangelistas arrogantes, auto centrados, que tentam convencer a todos ao seu redor de que o poder de Deus reside neles, em pessoa. Nada é tão diabólico, quanto um homem que se sente Deus.
O Reino de Deus - No texto, Jesus está dentro do barco instruindo a multidão e o seu tema é O REINO DE DEUS. Sabemos, especialmente por causa do ensino de Mateus, que ele falava em parábolas publicamente, mas aos seus discípulos ele dava alguns detalhes explicativos. Na primeira parábola, ele só conta a história e somente no esclarecimento diz que aquela história é uma metáfora, uma parábola sobre O REINO DE DEUS. No entanto, nesta parábola, Marcos explicita o conceito. Este conceito é importante, especialmente nesta parábola, porque ela aponta para a natureza divina deste reino, portanto é significativo que ele não SEJA CONSIDERADO REINO DOS HOMENS, OU REINO DA FÉ, mas REINO DE DEUS.
Semelhante a um homem que semeia, mas dorme e acorda e a semente cresce sem que ele saiba como – O ponto de Jesus aqui é que existe por detrás de todo o desenvolvimento histórico do reino uma ação misteriosa, oculta dos olhos dos homens, uma força que não pode ser medida pelo que o homem faz ou é capaz de aferir, que realmente é quem produz os resultados do Reino de Deus. Neste sentido, Paulo havia dito que o trabalho de um e de outro é coroado por uma obra soberana de Deus.
Eu plantei, Apolo regou, mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento (1Coríntios 3.6-7).
Precisamos desenvolver este tipo de percepção de quem somos nós e quem é o DEUS a quem servimos e como qualitativamente, ele absolutamente superior a nós. Precisamos ser humildes e lembrar duas coisas importantes:
1)    EU NÃO CONSIGO FAZER O REINO SER MELHOR E MAIS PODEROSO DO QUE É
2)    EU NÃO CONSIGO FAZER O REINO SER PIOR OU MENOS PODEROSO DO QUE É
 Não que eu não tenha algum papel, mas eu sempre tenho um papel coadjuvante nesta obra. Porque a personagem principal de todo o enredo é o SENHOR.
Dorme, acorda – dia e noite – um processo histórico sequencial, que envolve a vida diária do homem. O reino dos céus tem um desenvolvimento histórico não controlado pelos homens. Ainda que sejamos nós os instrumentos por meio do qual a história vem à luz, somos apenas ferramentas de Deus. Devemos nos conscientizar disto, para não pensarmos além nem aquém do que convém pensar sobre o Reino dos céus.
A semente germina e cresce – a um processo de desenvolvimento espiritual no Reino de Deus. Desta forma, devemos considerar que todo o processo de amadurecimento da obra de Deus é divinamente controlado. Ainda que sejamos nós quem revelamos, por meio da nossa vida, o desenvolvimento espiritual do reino, ele não é limitado a nós e à nossa capacidade de fazer coisas para Deus. O que realmente é determinante é um mistério que não podemos controlar e muitas vezes, nem discernir.
Não sabendo ele como – aqui, Jesus propõe o conhecimento final sobre a ação do homem na obra do Reino de Deus, isto é, em um ponto de absoluta consciência, precisamos considerar o fato de que é UM MISTÉRIO PARA NÓS, como Deus realmente age. Irmãos, na verdade, se formos realmente considerar estas coisas, logo reconheceremos um fato, que a julgar pelo que somos e como somos, o Reino de Deus, se realmente dependesse de nós, de nossa criatividade, nossa capacidade de ação, nosso interesse e nossa disposição para a obra, há muito TERIA FALIDO.
Sim é uma vergonha que sejamos tão incapazes de nos envolver com algo tão sublime, necessário, verdadeiro e real. Mas, por outro lado, é importante que reconheçamos que o REINO DE DEUS é fruto de uma obra muito maior do que eu e você seríamos capazes de conceber.
O CRESCIMENTO DO REINO DOS CÉUS É CERTO PORQUE É UMA OBRA MISTERIOSA DO PODER DE DEUS.   

O REINO CRESCE GRAÇAS A UM PODER FRUTIFICADOR QUE DEUS PÕE NA SEMENTE
Devemos considerar que Jesus está dando continuidade a um pensamento sobre o Reino de Deus, portanto, o que a parábola do semeador propõe, deve ser considerado como base para esta parábola também, especialmente neste caso de semelhança temática da ilustração. Devemos, por isso, também considerar que a semente que cresce e frutifica é a PALAVRA DE DEUS.
O semeador semeia a palavra (Marcos 4.14).
Considerando, portanto, esta semente tão preciosa, no verso 28, o temos é como esta semente plantada é capaz de produzir por si só.
A terra por si mesma frutifica: primeiro a erva, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga (Marcos 4.28).
A terra por si mesma frutifica -  Nesta expressão, Jesus não está apontando alguma qualidade da terra, mas ele está dizendo que a terra não precisa de uma ajuda externa. Ela não precisou de adubo, recondicionamento químico do solo, ou o próprio trabalho do agricultor. A semente caiu e frutificou, porque o poder da frutificação é da semente. Note que o termo frutificar aponta para um resultado que não tem a ver com a natureza da terra, mas da semente.
Erva – espiga – grão cheio – A frutificação da terra, a que Jesus se referiu no início do versículo, na verdade é um desenvolvimento do potencial da própria semente, que começa gerando uma pequena planta, que amadurece gera uma espiga, a qual se desenvolve, gerando uma multidão de novas sementes.
Precisamos considerar o real poder da Palavra que pregamos. Marcos está construindo uma mentalidade na Igreja. Afinal, nos dias em que foi escrito este evangelho era necessário confiar na mensagem que deveria ser anunciada no mundo inteiro. O poder da Igreja não estava nos homens, nos apóstolos, nem na força social da igreja, o poder da Igreja está na semente que ela lança.
Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego (Romanos 1.16).
A consciência do PODER DA PALAVRA é o centro da confiança da PRESENÇA DO REINO. A Palavra de Deus cumpre todo o designío de Deus e vem para produzir o fruto que Deus quer que produza, no seu tempo e na sua forma e intensidade.
Ano passado, estávamos no Vale do Anhangabaú e e Ana Beatriz (minha filha). Ouvimos o sermão do REv. Hernandes e ele falou sobre o poder do Espírito Santo. Sua mensagem parecia muito voltada para o não crente e comentávamos sobre o fato de que, ali só havia crentes, então, aquela palavra não seria tão produtiva. A uma certa altura ele disse: O ESPÍRITO SOPRA ONDE QUER.
Ao final da mensagem o REv. Hernandes fez um apelo. Eu pensei que aquele seria o máximo da falta de senso sobre o público presente. De repente, atendendo ao apelo do pastor, uma multidão foi à frente e se entregou a Cristo, ou refez os seus votos de vida com o Pai. Ana Beatriz olhou para mim e disse assim: REALMENTE O ESPÍRITO SOPRA ONDE QUER.
O poder da Palavra de Deus deve nos encorajar a servir ao Reino. O poder do Reino é o poder da Palavra. Na parábola, isto é o que Jesus está apontando. Que a semente carrega o poder de Deus e se desenvolve a partir de si mesma. Não precisamos ter medo algum, pois nossa parte está na fidelidade da entrega da semente e o restante a própria palavra faz.
O Reino Cresce não por que descobrimos uma metodologia de tornar a Palavra mais apropriada às pessoas. A Palavra é apropriada porque ela é espiritual poderosa e capaz de cumprir todo o propósito de Deus. O Reino Cresce quando nós deixamos a Palavra, a semente, cumprir o seu papel.

O REINO CRESCE E DEVEMOS NOS PREPARAR MELHOR PARA COLHER
O processo natural agrícola indica que em algum momento é chegada a hora da colheita. Saber a hora de colher frutos não é tão simples como pode parecer. Afinal, sempre há o risco de perdermos o prazo e colhermos o produto tarde demais e, em lugar de frutos bons, colhemos frutas já podres e passadas. Também há o risco de anteciparmos o tempo e colhermos frutos antes da hora e, portanto, frutos ainda não prontos para serem usados como alimento.
No último final de semana, comemoramos nosso 59º aniversário. Em primeiro de Janeiro de 1959, nossa igreja foi organizada pelo Conselho da IP Brás. Antes disto, em 1942, começamos uma jornada com algumas famílias em uma vila distante do centro e ainda incipiente. A semente foi lançada e pouco a pouco foi sendo transformada, uma erva, uma espiga e depois muitos outros grãos – um ponto de pregação, uma congregação e uma igreja pronta para plantar outras.
Irmãos, devemos tomar muito cuidado com o problema de não sabermos exatamente o momento de colher. Por isso, precisamos desenvolver uma clara noção de tempo entre plantio e colheita, a fim de cumprirmos bem a nossa tarefa.
E, quando o fruto já está maduro, logo se lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa (Marcos 4.29).
Este é o propósito de nossa realidade espiritual e de nosso trabalho: frutificar. Quando é que sabemos que realmente o Reino está entre nós, quando Deus nos mostra os sinais de que ele amadureceu. Este tempo de ceifa dos frutos é parte integrante da nossa responsabilidade de devemos saber fazer bem isto.
Quando o fruto está maduro – precisamos começar a olhar para este ponto e deseja-lo, o amadurecimento. ÀS vezes, permitimos que um certo comodismo tome conta da nossa vida no reino. Deixamos de pensar no alvo e, consequentemente, deixamos de buscar o crescimento, o amadurecimento da semente. Isto é, deixamos de trabalhar para que a Palavra alcance o mais importante papel, para o que foi designada como ferramenta da Igreja: a colheita.
Devemos cuidar para não nos tornarmos uma igreja precipitada na colheita e recolhermos frutos ainda não prontos, ou uma igreja desleixada que perde a oportunidade de uma boa safra.
A foice – tão importante quanto a enxada para que lança as sementes é a foice para quem precisa entrar e retirar frutos. Aqui Jesus não está falando de nenhum tipo de violência, mas de uma habilidade para agir com os instrumentos certos, na hora certa e aproveitar o melhor momento para colher.
O desenvolvimento da seara, na produção natural das sementes, deve nos levar ao momento da colheita e precisamos aprender a fazer o que é necessário para este momento. Afinal, podemos errar muito se não formos capazes de aprender a colher.
Porque é chegada a ceifa – O tempo da ceifa não é uma escolha de quem lança a semente, mas segue o curso natural da semente no seu desenvolvimento. Nesta parábola, Jesus está apontando aos seus discípulos a necessidade de começar a obra de Deus e terminar. Desta forma, Marcos está visualizando muitos irmãos e irmãs que começam o serviço a Deus e não completam carreira, não são capazes de fechar ciclos e não se importam com isto.
Preste muita atenção para o fato de que eu e você devemos almejar o trabalho do reino e não podemos nos esquecer de que ele tem começo, meio e fim. Parar antes da hora ou tentar superar etapas de forma precoce pode ser um grande erro. Frequentemente encontramos crentes que sabem iniciar tarefas, mas não sabem concluí-las. Isto requer perseverança, paciência e atenção.
O Reino cresce e precisamos nos preparar para a colheita. Este é o alvo de toda boa obra.

Conclusão
Jesus aqui propõe uma ideia muito clara de que estamos a serviço de Deus e não de nossas vontades. Ele é quem controla a obra que nos deu para fazer e não podemos realiza-la se não estivermos atentos ao processo de suas ações no Reino.
Caros irmãos, precisamos tanto que nossa igreja seja mais efetiva na obra do Reino. Somos uma boa igreja do Senhor e temos provas históricas de que Deus está em nosso meio e agindo nesta obra. Contudo, precisamos ser mais cuidadosos e atentos nos acontecimentos.
Essa parábola é um ensino que deve nos ajudar a evitar a soberba de querer fazer as coisas do nosso jeito, crendo que exista algum poder em nós. O poder com que lidamos não está em nós, em nossos métodos ou qualidades pessoais, o poder está no próprio Deus, na sua própria Palavra poderosa, a semente do evangelho.
Também não podemos nos amedrontar. Não devemos pensar que somos falhos demais para uma tarefa tão elevada e, tímidos e receosos nos ausentarmos da tarefa de semear e levar adiante o reino de Deus. O grande poder da semente do evangelho deve ser a nossa mola propulsora e devemos crer tanto neste poder que aceitamos o desafio da seara.
Por fim, irmãos, algo que acredito que precisamos muito muito em nosso rebanho: aprender a colher os frutos. Parece, muitas vezes, que não cremos que exista um reino e que a obra dele possui ciclos e um destes ciclos é a colheita. Não sei se é um excesso de cuidado, mas muitas vezes, não partimos para ações de concretização porque parecemos não crer realmente que Deus está aqui e que ele termina o que começa.
Assim, precisamos dar conta de colher os frutos que plantamos quando nossos filhos eram pequenos e agora são grandes e estão prontos para frutificar. Somos chamados a continuar obras que iniciamos com a força do Senhor, crendo que a melhor maneira de glorificar o Pai é colher os frutos que ele desenvolveu e deseja-los é um ato de amor a Deus.
Irmãos amados, vamos orar e pedir a Deus a maturidade que nos leva à humilde condição de cooperadores obedientes do Evangelho poderoso. Para que o tempo todo façamos o que é bom e no momento certo.


28 de janeiro de 2018

Marcos 1.21-28

Cristãos São Pessoas Que Apontam Para Cristo Quando o Representam Diante do Mundo
Marcos 1.21-28


Introdução
Curiosamente, o Evangelho de Marcos é rico na descrição de como a pessoa de Jesus produzia impacto nos outros. Ao longo do Evangelho podemos ver as pessoas espantadas, admiradas, maravilhadas etc, ao contemplarem em Jesus algo novo, diferente, poderoso e elevado.
Os discípulos no barco se perguntam: quem é este que o vento e o mar lhe obedecem? Os fariseus e o povo se admiravam de ver sua autoridade sobre pecados e doenças de todos os tipo: Jamais vimos coisa assim! O Centurião não tem outra coisa a pensar senão: verdadeiramente este homem era o filho de Deus!
Aqui neste texto, os demônios sabem e percebem o impacto da pessoa de Jesus. As pessoas percebem que estão diante de alguém incomum, cuja a vida e obras apontam para algo além dele, que faz desta pessoa especial.
Acredito que Marcos esteja falando para seus leitores que é necessário aos que seguem Jesus, se lembrar de quem é o Jesus que representam e a seriedade que devem revelar ao apresentarem este Jesus ao mundo, por meio da sua vida e dos seus atos.
No texto desta noite, onde Jesus cura um endemoninhado e todos percebem que a sua autoridade de vida aponta para um ponto elevado sobre a existência, todos precisamos refletir sobre o modo como estamos representando e dando continuidade ao ministério deste Jesus, impactante.
Caros irmãos, precisamos fortemente nos lembrar de que não temos o direito de representar Cristo como pessoas fracas, indecisas, imprecisas em nossa palavra e conduta. Nós, cristãos precisamos representar Cristo e apresentar sua mensagem como verdadeiros filhos de Deus, investidos da mesma autoridade de Cristo, com que ele nos comissionou a pregar e a fazer conhecido entre os homens o Reino dos Céus.
NO texto desta noite, vamos pensar sobre como nossa vida precisa apontar e revelar a autoridade com que realizamos a nossa missão. Precisamos repensar quem somos e como estamos vivendo para Cristo e representando o seu Reino entre os homens.

“Toda autoridade me foi dada nos céus e na terra, ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações”

Para Representar Cristo - Cristãos Devem Ensinar Com Autoridade
Depois, entraram em Cafarnaum, e, logo no sábado, foi ele ensinar na sinagoga. Maravilhavam0se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas. (Marcos 1.21-22).
Entraram em Cafarnaum – O texto está falando de Jesus e os discípulos que ele chamou para o seguir, Simão e André, Tiago e João, os filhos de Zebedeu. Notem irmãos que o Evangelho irá mostrar como Jesus ensinará às multidões, mas sem dúvida, a estes discípulos como plateia principal. Este tipo de ação de aprendizado para se tornar um representante de Cristo não acontece em retiros isolados, mas em circunstâncias reais da vida. Aprendemos a viver, vivendo situações reais e a aprendemos a viver para Cristo nas situações reais, vivendo a vida como Cristo viveria. O método de Cristo é o de desafio vivo. Por isso, o autor faz questão de dizer o lugar onde estava, não se trata de algo hipotético, teórico, mas de uma realidade concreta.
E logo no sábado foi ele ensinar na sinagoga – O adverbio que Marcos usa é uma das marcas do seu evangelho que dá movimento à narrativa. Mas a função deste “eithus” (Logo) não é só dentro da narrativa, tem a ver com a realidade urgente de Jesus. Ou seja, aqui ele diz, que Jesus tinha pressa em cumprir o seu papel de professor e ensinar os seus discípulos. Este é um ponto da nossa vida com Deus que precisamos considerar o fato de que temos uma missão urgente, que não pode esperar e precisamos tomar a decisão rápida. Marcos está nos mostrando isto... Veja que esta palavra estava presente no verso vinte e o conceito de urgência está presente no termo “imediatamente” do verso 18.
Ensinar na sinagoga – precisamos parar e pensar sobre o fato de que fazer discípulo é um projeto que envolve o trabalho de ensinar o que é viver para Deus e como o fazemos. Não se trata apenas de uma mensagem, mas de uma mensagem que aponta para um modo de vida, o modo de vida de Cristo.
Maravilhavam-se de sua doutrina (exseplessonto) – o ensino de Jesus agitava as pessoas. Elas ficavam incomodadas, agitadas... realmente ele falava algo que lhe despertava para algo novo. A sua “didaquê”, sua doutrina, apontava de forma prática para a vida. Essa mesma didaquê era encontrada em João e as pessoas estavam o tempo todo querendo ouvir João Batista e ele acusava que sua vida não estava plena diante de Deus. A mesma coisa Cristo estava fazendo.
Ele ensinava como quem tem autoridade (ekxoussian) – Jesus não tinha um ensino vacilante, titubeante. Ao contrário dos escribas, ele demonstrava realmente saber o que estava dizendo. Marcos está nos dizendo que grande parte do nosso trabalho é fazer conhecida a verdade e isto devemos fazer de uma maneira convincente, o que implica em dizer que devemos saber que estamos ensinando a verdade. O Cristianismo pregado por muitos é vacilante, porque estamos em um tempo de discípulos vacilantes. Este tipo de chamado só pode ser atendido quando tomamos o que nós ensinamos de forma séria, a partir do fato de que sabemos que o que apresentamos sobre o Reino de Deus é a verdade sobre o que é viver.
Era mais ou menos isto que Paulo estava dizendo quando dizia que não tinha do que se envergonhar no evangelho, porque era o “poder” de Deus. Ou seja, Paulo sabia que sua mensagem era a apresentação da verdade sobre a vida humana e sobre o que Deus espera dos homens. Irmãos, não podemos ser vacilantes e nossa mensagem não pode ser anunciada como uma receita de bolo, ou como uma piada.

Para Representar Cristo - Cristãos Devem Revelar Autoridade No Modo Como Enfrentam a Realidade Espiritual da Sua Vida
Não tardou que aparecesse na sinagoga um homem possesso de espírito imundo, o qual bradou: que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és:  Santo de Deus! Mas Jesus o repreendeu, dizendo Cala-te e sai desse homem. Então, o espírito imundo, agitando-o violentamente e bradando em alta voz, saiu dele (Marcos 1.23-26).
Estes versos parecem entrar para romper a narrativa. Estamos falando de Jesus ensinando e impactando a vida das pessoas com sua doutrina e, abruptamente, o assunto muda e estamos falando de um endemoninhado. Porque Marcos permite que essa divagação se insira no texto?
Na verdade, não estamos em uma divagação do texto, ou um parêntese. Marcos está mostrando como a vida do dia a dia de Jesus trazia para sua realidade uma realidade espiritual que todos nós deveríamos perceber em toda a realidade de quem somos.
Estamos falando do fato de que nossa vida é uma realidade espiritual constante. OU seja, precisamos realmente parar para pensar que vivemos diante de Deus e tudo o que fazemos tem a ver com isto. Quando você levanta cedo e pega um transporte para o trabalho e chega ao escritório e passa ao dia resolvendo as demandas profissionais, o estudantis, ou simplesmente permanecer em casa para dar conta de fazer sua casa funcionar. Tudo isto é espiritual, no sentido de que em tudo o que fazemos temos a oportunidade de viver e desfrutar de Deus e para Deus.
Não tardou que aparecesse na sinagoga um homem possesso de espírito imundo – Aqui, o imediatismo da narrativa já vem à tona novamente. No lugar onde Cristo estava a realidade espiritual estava sempre presente e ativa. Ou seja, o dia a dia de Cristo estava impregnado de uma percepção de que a realidade espiritual é o que nos circunda. Marcos diz que no lugar onde ele estava esta realidade espiritual se manifestou. Você e eu precisamos redescobrir a verdadeira espiritualidade da vida, o que implica não apenas nas coisas que parecem ter ligação coisas religiosas, mas num despertamento para o fato de que vivemos tudo o que vivemos para Deus.
Que temos nós contigo Jesus Nazareno – Precisamos aprender algumas coisas sobre texto como este. O que Marcos está fazendo não é construir uma palavra sobre como um demônio se manifesta. Ele está apontando para a Igreja a realidade “urgente”, isto é concreta e presente da realidade espiritual. O detalhe interessante aqui é que o demônio olha para Jesus e o identifica a partir de um adjetivo de sua humanidade: “Jesus Nazareno”. Ou seja, não se trata de uma realidade espiritual porque Jesus é divino, mas o homem Jesus tinha uma relação especial com a realidade espiritual.
Bem sei quem és: o Santo de Deus – Veja que Marcos está nos mostrando que havia uma percepção clara de que Jesus tinha uma relação especial com Deus, mesmo sendo homem. Este é um ponto que precisamos reforçar em nossa relação com Deus. Jesus era de Nazaré, mas era possível ver que ele vivia para Deus.
Cala-te e sai desse homem – mais uma vez eu repito, o ponto de Marcos não é ensinar um método para expulsão de demônio, mas a lição de como nossa vida para Deus deve ser vivida em intensidade. A nossa realidade espiritual vem do fato de que fazemos o que precisamos fazer numa relação madura com Deus e desfrutando de cada parte da nossa vida para o Criador. No caso, Jesus não estava buscando a aprovação do demônio, mas fazer a vontade de Deus. Pouco importava se o demônio reconhecia ou não quem ele era. O importante é que Jesus organiza a realidade do jeito de Deus e sabia que um demônio não podia permanecer numa vida. Precisamos organizar a vida e o lugar onde vivemos para Deus, não podemos permitir que as cosias fiquem de qualquer jeito e fora do lugar. Isto é viver de forma espiritual e com autoridade espiritual. Isto sim é ter autoridade espiritual!

Para Representar Cristo - Cristãos Devem Fazer o Reino Visível Por Meio de Sua Vida
Todos se admiravam, a ponto de perguntarem entre si: Que vem a ser isto? Uma nova doutrina! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem! Então, correu célere a fama de Jesus em todas as direções, por toda a circunvizinhança da Galiléia. (Marcos 1.27-28).
Agora, o que vemos no texto é Marcos nos mostrando que o nexo de entendimento é que o fato de Jesus Cristo expulsar o demônio era parte integrante do seu ensino. Na verdade, agora, ele retoma o assunto dos versos iniciais: a autoridade do ensino de Jesus e se descobre que a verdadeira autoridade de uma mensagem é o modo como o mensageiro organiza o seu mundo.
Todos se admiravam (Tambeo) – irmãos o impacto que nossa vida deve causar tem a ver com os resultados da nossa vida e não somente com as palavras que anunciamos. Veja, a verdade deve ser anunciada com correção, mas ela mostra a sua força através do modo como vivemos. Este é o verdadeiro impacto. Marcos diz que eles eram chacoalhados (etambethessan), eram impactados, sacudidos.
Que ver a ser isto? Uma nova doutrina! – O que isto significa, um novo modo de viver a vida. Irmãos este é o ponto. Um novo modo de organizar a realidade ao redor. Precisamos começar a pensar que este é o nosso compromisso. No caso, o fato de Jesus expulsar os demônios e eles o obedecerem tem a ver com o fato de que ele sabia colocar as coisas no devido lugar.
Com autoridade ele ordena – Tem muita gente confundido autoridade com “grito”. Já viram as expulsões, alguns pregadores tentando nos convencer de sua autoridade, ao gritarem com os demônios e a capacidade de intimidar o demônio. Irmãos, não podemos ser crianças. Marcos não está ensinando isto jamais. O que estamos vendo aqui é que a “palavra de Jesus ordena o mundo e coloca as coisas no seu lugar”. Um pregador expulsa o demônio, mas o mundo ao seu redor continua uma bagunça, tem algo errado. Aqui, Marcos está nos mostrando esse poder e autoridade, que são apresentados ao mundo quando nós somos capazes de perceber a desordem do pecado em seu mundo.

Conclusão
Irmãos, este é um ponto muito sério que precisamos pensar a partir deste ponto. A autoridade de Cristo é vista no mundo, por meio da igreja, na medida em que ela está disposta a viver uma realidade reorganizada pela Palavra de Deus.
Muitas vezes, nos deixamos moldar pela desordem do pecado em nosso mundo e nos permitimos viver de qualquer forma. A autoridade que Cristo nos deu para ensinar as pessoas a serem discípulos tem a ver com uma capacidade de ensiná-los a guardar o modelo ensinado por Cristo e leva-los a viver de acordo com um novo modelo.
Acorde! Sua vida toda é uma realidade espiritual e você precisa estar atento a isto. Sabemos que estamos vivendo segundo a Palavra quando nosso mundo está sendo reorganizado. Incomode-se com o fato de seu mundo estar transformado em um caos ético, moral etc. Lembre-se de que você é a janela do reino. É por meio de você que Deus se revela a este mundo e isto não é só uma questão de pregação, mas de pregação que muda a vida.
Então, correu célere a fama de Jesus em todas as direções, por toda a circunvizinhança da Galiléia (Marcos 1.28).
Nossos vizinhos, as pessoas que vivem onde vivemos, eles são as pessoas que precisamos alcançar com nosso testemunho. Elas é que são o alvo e Cristo nos deu autoridade para viver diante destas pessoas e esta autoridade cresce na medida em que somos capazes de viver de forma plena a mensagem que pregamos.