13 de janeiro de 2019

Mateus 3.11-17

O Batismo de Jesus Como Modelo de Vida Cristã
(Culto da Noite – Janeiro 2019 – IPT)
Mateus 3.13-17

Foco da Nossa Condição Decaída
O Batismo de Jesus, como o próprio texto indica, não ocorreu pelos mesmos motivos que os outros homens procuravam João para serem batizados. Jesus não tinha pecados e nada do que se arrepender diante de Deus, na verdade, seu batismo é o início de seu ministério consagrado. Porém, ao registrá-lo para seus leitores, além de buscar deles que cressem em Jesus como o Messias e Rei, Mateus nos dá uma clara lição dos elementos que devemos nos levar a olhar para Jesus e a ouvi-lo e imitá-lo. Nesta mensagem, vamos pensar no batismo como um modelo de vida cristã para todos os que desejam viver e servir a Deus, atentemos para estes ensinos do Evangelho. 

Introdução
Sem dúvida alguma, João tinha com clareza de que Jesus era aquele, a quem ele próprio esperava, alguém que não seria batizado com água para arrependimento, mas um batizador, que levaria seu povo à consagração por meio da obra do Espírito Santo e da purificação de um juízo.
Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo (Mt 3.11). 
Os primeiros versos da nossa perícope de hoje, nos mostra que isto estava claro para João naquele momento. Jesus era o batizador que vinha no poder do Espírito Santo para trazer juízo e realmente purificar o seu povo. Por isso, este diálogo inicial, que mostra a perplexidade de João: 
Por esse tempo, dirigiu-se Jesus da Galiléia par ao Jordão, a fim de que João o batizasse. Ele, porém, o dissuadia, dizendo: Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vem a mim? Mas Jesus lhe respondeu: Deixa por enquanto, porque, assim, nos convém cumprir toda a justiça. Então, ele o admitiu (Mt 3.13-15). 
Este diálogo tem como desfecho uma palavra de Jesus que diz que era necessário que eles cumprissem a justiça. Isto é, Jesus também tinha consciência de que não precisava se batizar pelos mesmo motivos dos homens, mas Jesus se dispunha a fazê-lo para que a justiça, o modo certo de agir, fosse cumprido, o que significa que este batismo tinha como objetivo servir de modelo para outros, de lição e aprendizado para outros. 
Uma frase reforça esse entendimento, que é a própria frase dita pelo Pai, que apresentava Jesus como o seu filho amado, em que o Pai tinha prazer. Afinal, dito desta forma, Deus estabelece Jesus como o seu padrão de retidão, seu padrão de vida. Foi para isto que Ele foi batizado, para ser o nosso padrão de vida cristã. O Batismo é a retomada de uma vida de retidão, por isso que João o definia como batismo para o arrependimento. Jesus, não precisa retomar a vida de retidão, mas ele é batizado como um ato de declaração da sua retidão perfeita, como modelo para todos que desejam agradar ao Pai. 
O Batismo de Jesus Nos Ensina a Retidão Quando Nos Ensina que os Retos Devem Procurar se Firmar nos Atos de Justiça

Sei que uma afirmação como esta pode parecer estranhamente redundante e desnecessária. Afinal, a retidão não pressupõe pessoas que estão firmadas em atos de justiça? Bem, gostaria de responder sim, mas precisamos considerar teologicamente este ponto. 
NO caso de pecadores, considerados justos por um ato “extra” e “expiatório”, a retidão não é parte natural da nossa inclinação. A nossa retidão virá por uma consciência da nossa pecaminosidade e uma luta bravia contra nossa velha natureza corrompida pelo pecado. Em outras palavras, nossa conversão a Cristo, que nos faz justos pela fé, não nos dá automaticamente uma libertação da influência do pecado, infelizmente. 
Portanto, devemos considerar que homens retos, muitas vezes, possuem e são guiados por inclinações da carne pecaminosa, que o faz preferir, escolher, amar coisas caídas. Irmãos isto é muito sério! A fraqueza da nossa carne é imensa e com ela não podemos brincar. Nos viciamos com o mal de muitas formas, desde a linguagem imprópria que permitimos invadir o nosso vocabulário, até prazeres mentais que nos cativam com coisas caídas e nos parecem ser mais aprazíveis. Brincar com nossa natureza pecaminosa é ter uma serpente venenosa como animal de estimação. 
Por este tempo– Num determinado momento, próximo dos seus trinta anos, no momento em que um rabino começava a sua jornada rabínica, Jesus sabia que era chegada a hora de iniciar o seu ministério. Ele estava se libertando de sua submissão à José e Maria (não sabemos se José era vivo neste momento), mas Jesus estava deixando aquela submissão exigida aos pais, pela Lei de Moisés, e se apegando à submissão ao Pai Celestial, do que ele tinha plena convicção. Devemos lembrar aquela história dele com os doutores da Lei, quando ele afirma claramente que desejava estar na casa do seu pai, embora depois tenha seguido com Maria e José. 
A fim de que João o Batizasse– Ele desce da cidade de Nazaré na Galiléia, onde ele era o filho do carpinteiro, o Nazareno, e começará a ser conhecido como o Filho de Deus. João era um representante da Lei de Moisés, uma vez que era o último dos profetas, segundo os padrões do Velho Testamento, uma vez que era a voz que precedia a chegada do Messias, cumprindo a palavra de Isaías 40. 
Deixa por enquanto – convém cumprir toda a justiça– A negativa correta de João, que estava olhando as coisas do ponto de vista da natureza do homem, isto é, ele, João, era por natureza um pecador e Jesus, era por natureza, um homem santo. Contudo, o ponto de Jesus aqui não era ele ser purificado, mas ele se tornar um modelo de pureza. Por isso, sua resposta, tem esta cláusula temporal: por enquanto, que indica que aquele momento era diferenciado e esta cláusula explicativa: convém cumprir toda a justiça. Jesus desejava seguir todas as prescrições levíticas para que todos olhassem para ele e soubessem a importância do andar reto. 
Este é o ponto: O BATISMO DE JESUS VISA O ENSINO DE QUE AQUELE QUE DEUS ESCOLHE PARA VIVER DE FORMA RETA, PRECISA TRAZER A RETIDÃO PARA A SUA PRÁTICA DIÁRIA. 
Meus caros irmãos, devemos ter apreço pela justiça que Deus exige. Porque a nossa salvação não depende de nossa justiça, porque o preço, afinal, foi pago por Jesus, mas o nosso apreço pela retidão é o modo como realmente descobrimos se nossa convicção de fé é verdadeira. 
Pedro, escrevendo à Igreja, fala sobre isto. Diz que as virtudes da retidão precisam estar presentes para aumentar a nossa convicção de chamado e separação para Deus: 
Pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento (1Pe 1.15).
Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição, porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum (2Pe 1.10).  
Jesus está nos ensinando a ter apreço pela prática da justiça, por fazer do andar reto e da escolha da prática do recomendado por Deus um caminho de vida. Por isso, precisamos nos afastar de tudo o que se parece com o mal, tudo o que nos afasta de um viver exemplar e tudo que nos impede servir de modelos para outros. 

O Batismo de Jesus Nos Ensina Que a Nossa Retidão Só Acontece no Contexto da Comunhão Com o Espírito Santo

João, quando deu testemunho de Jesus, apontou para si mesmo como alguém que não tinha condições de se quer carregar as sandálias de Jesus, que viria pós ele e batizaria o povo com a santidade do Espírito Santo. OU seja, o arrependimento de que João falava no contexto do seu batismo, ele sabia que era imperfeito, porque o verdadeiro arrependimento não é uma atitude meramente humana, era uma obra do Espírito Santo, quando este é derramado sobre nós e nos lava regenerando. 
Abriram-se os céus– a imagem era clara para todos, tanto que haveria de marcar profundamente os discípulos que viram este acontecimento. Os céus se abriram, sito é, se pode ver algo, talvez luz imarcessível, que deixasse claro que a visão que todos desfrutavam era do interior do próprio céu. Isto indica a natureza do acontecimento, da dimensão superior da vida cristã e de onde ela realmente vem. 
E viu o Espírito Santo de Deus descendo como pomba– O que se viu foi uma forma corpórea de pomba, uma maneira visível, o que chamamos de teofania, Deus aparecendo aos homens, por meio de formas concretas. Toda a construção da frase chama a atenção para a natureza celestial do que estava acontecendo: O Espírito Santo– a natureza de perfeição; de Deus– aquela não era uma mera perfeição como a dos anjos, era uma perfeição absoluta, porque era o Espírito de Deus; descendo– vinha do alto para o baixo, do céu para a terra. Aqui é importante que se diga que estava clara a comunhão entre o céu e a terra, entre a realidade sobrenatural, sobrepondo a natural. 
Ele viu o Espírito Santo- Aqui é importante que se note que a retidão da vida cristã é uma forma de fazer com que o céu tenha comunhão com a terra e seja visto entre os homens. Para isto, é necessário que haja enchimento do Espírito Santo, como Paulo ensinou, para que não compactuemos com as obras das trevas (Ef 5.3-18). 
 Meus amados irmãos, o Batismo de Jesus nos mostra que essa presença do Espírito Santo nas coisas naturais da nossa vida é imprescindível para que vivamos debaixo da guarda da retidão, vivendo para Deus. Isto implica em uma reorganização da nossa vida mental, na qual, muitas vezes, esquecemos de unir vida cristã e vida natural como uma única vida para Deus. Isso é, no ensino de Paulo, o que se denomina: remir o tempo.  
 A visão concreta do Espírito é também o que precisamos ver, quando olhamos para a vida do crente. A presença do Espírito no seu modo de negociar, de falar, de se vestir, agir, sentir, como você escolhe, como se diverte, como toma decisões. Infelizmente, o que temos é uma grande parte de crentes que escondem o Espírito (apagam o Espírito) quando estão vivendo na concretude do dia a dia e, por isso, não conseguem viver na luz, mas reproduzem as trevas, como se ainda estivessem presos na morte, como Lázaro, antes de ser desenfaixado e trazido para fora. 

O Batismo de Jesus Nos Ensina Que a Retidão e a Comunhão Com o Espírito é a Fórmula Básica Para Uma Cristã Que Agrada a Deus

Espírito Santo – implica em retidão – que resulta em agradar o Pai– A fala do Pai é um designativo da vontade de Deus, ela dá conta de que Jesus vivia segundo a vontade de Deus. Paulo, diz que devemos conhecer a vontade de Deus e para tanto, devemos nos encher do Espírito e não compactuar com as obras das trevas. Estamos falando das mesmas verdades aqui! 
Uma voz– ouve-se um som, que se percebe ser uma voz, vocalizando palavras compreensíveis aos presentes. Mas não se vê nada concreto, não foi a pomba que falou, nenhum outro elemento visível. Isto é uma forma de ficar claro que de o próprio trono estava em contato com a terra e o Pai falou. Sabemos que é o Pai e não um anjo portavoz, porque a vocalização usa a expressão: É MEU FILHO... 
Estamos falando aqui da figura do próprio Deus Pai, isto é muito importante. Este é um dos pontos altos deste momento, quando o próprio Todo Poderoso está testemunhando do seu prazer no seu filho. 
Voz do céu  esse, como já mencionamos anteriormente, é sempre um modo de falar da natureza do acontecimento e da sua elevada procedência. Aquela voz era de origem perfeita, das alturas dos céus. Aquele era mais um momento de sublime unidade entre o céu e a terra, como na oração do Senhor, em que se pede que a vontade de Deus seja cumprida na terra como ela já o é perfeitamente no céu. Como  se estivéssemos desejando e buscando um reino onde a retidão perfeita dos seres celestiais pudesse ser vista também nos seres humanos terrenos. 
Este é o meu Filho Amado– aqui o testemunho do Pai é de amor ao filho. Um filho perfeito é amado pelo Pai, ele é alvo do mais puro amor celestial. Este é amor é difícil de explicar, de abranger em palavras, mas estamos falando de como Deus ama a retidão do seu filho. No salmo 11, temos uma preciosa descrição desta relação entre o Deus santo nos céus e os retos. 
O Senhor está no seu santo templo, nos céus tem o Senhor o seu trono, os seus olhos estão atentos, as suas pálpebras sondam os filhos dos homens... Porque o Senhor é justo, ele ama a justiça, os retos lhe contemplarão a face (Sl 11.4 e 7). 
Em quem tenho prazer– Louvado Seja Deus! Nossa cultura compreende o prazer como um ato primordialmente dos sentimentos, das emoções. Mas a palavra grega que é traduzida por prazer (eudokia) trata de uma forma de prazer que é racional. Uma precisa compreensão deste prazer seria explicada da seguinte forma: este é meu filho amado, de quem eu só consigo pensar e conceber coisas boas, quando olho para sua retidão. 
A vida reta é aquela que busca dar motivos para Deus pensar o bem a nosso respeito. Esse não é apenas um filho que o Pai ama, mas o pai o ama especialmente porque este filho age de forma tão reta que o Pai só consegue pensar coisas boas dele. Meu pai me ama, tenho certeza que sim, mas de vez em quando, mesmo me amando, sem deixar de me amar, meu pai tem opiniões negativas a meu respeito, eu imagino. Eu teria se fosse ele. No caso de Jesus, o amor do Pai é correspondido completamente por sua vida reta.  
Isso é algo que precisamos tornar especialmente precioso para nós também. Precisamos rever essa forma relapsa com que tratamos Deus e os seus olhos, aos quais ofendemos com nossas mais grotescas cenas de desprestígio à retidão. 


Conclusão

Você deve estar pensando agora num jeito de fazer essa mensagem menos pertinente para você, afim de se desculpar de algumas das suas piores escolhas. Em geral a nossa desculpa é: MAS JESUS É PERFEITO e nós jamais seremos como ele é. Você tem razão, jamais seremos como ele é, ao menos nesta vida, uma vez que nosso velho homem é muito presente em nós ainda. Mas, devemos nos lembrar que podemos sempre ser melhor que já fomos e precisamos lembrar que Cristo é o modelo e devemos imitá-lo. Este é o ponto, o nosso problema é que a santidade de Cristo não deveria ser uma desculpa para a nossa pecaminosidade, isto é uma manobra do nosso coração pecaminoso, a santidade de Cristo deve ser um estímulo à nossa vida cristã em retidão. 
Comece ainda hoje a rever o que você está escolhendo como caminho para a sua vida com Deus e para forma como o céus chegarão à terra por seu intermédio. 
1)    Valorize a retidão como um alvo a ser alcançado todos os dias, deseje a retidão e busque fazer da sua vida, um traçado reto na direção de Deus;
2)    Não se esqueça de que a retidão depende de uma profunda comunhão com o Espírito Santo, você precisa de maturidade cristã, o que só acontece com comunhão, com contato com o Espírito Santo e jamais procedendo de forma que o entristeça. Não sei porque, quando o assunto é servir no Corpo de Cristo, quem controla a escolha do crente não é a sua comunhão com o Espírito, mas o seu egoísmo, isso precisa acabar, irmãos!; 
3)    Lembre-se de que através da sua retidão o céu chega à terra e a vontade de Deus é conhecida e reconhecida entre os homens, mas que o contrário é verdadeiro, se o homem que precisa brilhar como luz do mundo, viver em trevas, ele impede outros de saberem o que é luz e o que é o céu e o reino santo; 
4)   Por fim, vou dizer pouco, apenas dizer: faça do agradar a Deus um alvo da sua vida cristã e não deixe nada da sua vida fugir deste projeto. Eu sei que você entende o que isso significa. E eu sei que você sabe que isso é importante para todos nós e não somente para você. Lázaro, venha para fora do túmulo, porque você está vivo e não morto.  

Oração

Dá-nos vida cristã que te agrade, meu Pai e não nos deixes cair em nossas tentações, mas livra-nos de um viver mal! 

João 11.41-44

A Oração Que Nos Chama Para a Vida
(Culto da Manhã – Janeiro 2019 – IP Tatuapé)
João 11.41-44

Foco da Nossa Condição Decaída
O foco desta mensagem é o resultado de uma oração, cujo o conteúdo não é conhecido, senão o modo como Jesus agradeceu o Pai por que sempre o ouvia. Essa oração, obteve como resposta o reviver de Lázaro, que esteve morto por quatro dias. Nesta mensagem, a Escritura nos propõe uma reflexão sobre as intenções de vida, que trás os filhos de Deus da sombra da morte e do túmulo para a vida. Lázaro, bem como os que ali estavam naquela ocasião, viram a vida vencer a morte e foram chamados para essa liberdade da vida, como resultado da oração de Jesus. 

Introdução
Tiago o irmão de Jesus nos propõe uma profunda reflexão sobre os conteúdos e as intenções das nossas orações. Ele nos alerta para o fato de que pedimos muito mal, porque nossas intenções são egoístas e como resultado, é que nos colocamos em uma clara oposição com as intenções de Deus, por isso, obviamente, não recebemos o que pedimos. 
Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes nos vossos prazeres (Tg 4.3). 
Irmãos, devemos considerar esse importante alerta e repensar um pouco sobre o que realmente chamamos de vida de oração, até mesmo o que conhecemos como sendo “oração de fato”. Se a oração é o “respirar da alma” como disse Calvino, o que acontece com a alma daquele que não ora como é preciso orar? 
Claro que Deus não precisa das nossas orações. Quem realmente delas precisa somos nós. A oração nos conduz a uma percepção mais madura da vida e nos equilibra. A oração é uma fonte de maturidade, quando ela nos ajuda a experimentar Deus e sua vontade perfeita. 
No texto que temos diante de nós esta manhã, o que temos é uma experiência diferente da que Tiago nos leva a refletir. Ele nos conduz à uma oração de Jesus, da qual apenas conhecemos o resultado e o resultado é restauração e vida! 

Na Sua Oração, Jesus nos Ensina Que a Vida Pode Brotar Mesmo Onde Todos os Sinais Apontam Para a Morte

Tiraram, então, a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste (Jo 11.41). 
O quadro todo é muito importante. A morte de Lázaro trouxe grande comoção entre os amigos de Jesus e suas irmãs. Marta é protagonista neste texto como um todo, quando Jesus pede para que a pedra seja tirada ela discorda. Ela diz que a morte já havia vencido, que o que se deveria fazer naquela hora não tinha nada a ver com a vida. Não podemos condená-la, nem os circunstantes por objetarem a Jesus. Eles estavam vivendo o vale da sombra da morte com todos os seus sinais. Um túmulo, um morto, a cena da tristeza dominando os corações, tudo o que a morte produz estava presente ali, inclusive o mal cheiro. 
Então, ordenou Jesus: Tirai a pedra. Disse-lhe Marta, a irmã do morto: Senhor, já cheira mal, porque já é de quatro dias (Jo 11.39). 
O que ela e os circunstantes não sabiam é que Jesus já havia feito uma oração em secreto. Uma oração que pressupunha a vida, mesmo naquele cenário de morte. Por isso é que Jesus lhes propõe que estejam prontos para “ver a glória de Deus”. 
Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu que, se creres, verás a glória de Deus?” (Jo 11.40). 
Esse é o ponto em que entra o nosso texto. Ele está entre uma oração que foi feita em secreto e uma parte final que Jesus nos revela. 
Tiraram a pedra– para experimentar a vida em meio aos sinais da morte, precisamos ter a coragem de crer no que Cristo crê. A oração de Cristo não estava limitada às realidades que se mensuram, a oração dele estava centrada em Deus e nas suas possibilidades. 
E Jesus levantando os olhos para o céu– aqui Cristo deixa ainda mais claro que o que ele esperava não estava na realidade dos poderes humanos, mas na realidade celestial. Veja que a realidade celestial não está distante ou afastada da realidade humana, era necessário que eles tirassem a pedra, mas a oração não olhou primeiro para o túmulo e para a realidade da morte ali presente, a oração de Jesus, enfrenta a realidade do túmulo fétido, olhando para o céu. 
Pai te dou graças porque sempre me ouves– Não sabemos o que ele pediu, mas a partir do resultado prático, sabemos que o Pai estava disposta a dar ao filho o que ele pediu e isto tinha a ver com a vida. Ele sabe que quando oramos olhando para a vida isto é o que Pai deseja que ocupe o nosso coração. 
Irmãos, quero voltar a um conceito que falei outro dia sobre o pecado. Quando lemos o texto de Tiago sobre oração, eu falei que pecado era que as pessoas viviam no mundo de Deus sem perceber Deus. Assim, as experiências da vida, para muitas pessoas nada mais são que as coisas naturais do dia a dia. Alguns que realmente são crentes, ainda assim, estão desconectados da vida que é experimentar Deus nas coisas. 
Ver a glória de Deus é ver que Ele está presente e é poderoso para nos trazer essa vida. Jesus orou para que todos vissem que Deus estava ali e que Ele pode nos dar vida em meio a todos os sinais da morte que nos cercam.
Irmãos precisamos aprender a orar olhando para a vida! E precisamos saber discernir o que é vida! A vida que o Senhor quer que tenhamos que tem a ver com Ele ser presente sempre em nossa realidade. A oração faz a nossa alma aprender isto!! 
  

Na Sua Oração, Jesus nos Ensina Que Devemos Buscar a Vida Pensando Nos Outros Mais Que em Nós Mesmos

Alias, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para que creiam que tu me enviaste (Jo 11.42). 
Neste texto há uma expressão muito conhecida, aquela que aprendíamos muito cedo nas Escolas Dominicais, naquele tempo que se fazia chamada e nós respondíamos com um versículo. Quase sempre, meninos espertinhos respondiam: 
Jesus chorou! (Jo 11.35). 
Mas porque Jesus chorou? Essa é uma pergunta importante. No contexto da sua oração, estava um profundo sentimento com a realidade ao seu redor que levou o Salvador a chorar. 
O verso 33, nos diz que Jesus se comoveu ao ver o que a morte havia produzido, um inconformado sentimento de tristeza, que tenta negar e fugir de uma realidade. A palavra grega usada para definir o choro de Maria e os judeus era diferente daquele que o autor usou para falar do choro de Jesus. 
A primeira, fala de um choro desesperado, angustiado e lamentoso. A segunda, fala de lágrimas que nascem de um profundo sentimento de incomodo com a situação que o cerca, uma comoção com a tristeza alheia. 
Eu sabia que sempre me ouves– Jesus não tinha dificuldade alguma em lidar com a situação daquela morte. Desde o verso 4, ele sabia que Deus estava lhe dando uma oportunidade de glorificar o seu nome. Jesus não chora por sua causa, mas porque sente a nossa dor, a dor de Maria e de todos ali. Ele não tinha dificuldade nenhuma com aquela situação, mas a sua oração não tem foco nele mesmo, como condenou Tiago mais tarde, mas o foco da sua oração é a vida que pode mudar a vida das outras pessoas. 
Falei por causa da multidão presente– irmãos aqui temos uma profunda lição sobre o papel da oração, especialmente quando ela é intercessória. Quando estivermos amadurecendo na fé a nossa ênfase não será os nossos interesses, mas a vida que desejamos que os outros desfrutem. Vejam irmãos a importância de pensarmos nos outros e de sabermos nos ligar a pessoas. Em um mundo super individualista, ligar-se ao outro é uma forma de crescer e amadurecer. A vida que os outros precisam experimentar a prioridade da verdadeira oração. 
Para que creiam que tu me enviaste– olhando para Cristo e para sua comunhão com o Pai, os outros haveriam de saber algo mais sobre a vida. Crer em Cristo que realmente havia uma ligação maior com Deus entre Ele e o Pai, que é possível Deus ouvir a voz de um homem. 
Irmãos, boa parte das pessoas que preferem a morte, possivelmente seriam mais crentes e estariam vivendo olhando mais para a vida, se vissem em nós, os filhos de Deus, que nós lidamos com a realidade objetivando a vida. É muito comum que permitamos que a morte seja mais marcante no nosso modo de viver e é isso que está impedindo pessoas de entenderem o que é a vida. Pois, nós somos os filhos da luz, os que deveriam desfrutar da comunhão com a realidade de Deus, mas em nome, sei lá do quê, preferimos que a morte controle nossas emoções, nossas palavras, escolhas, preferências e atitudes. Isso é um profundo mal da vida cristã de muitas pessoas. 
Cristo sabe que aqueles homens, olhando para a vida do Pai nele e como o Pai o usa para trazer vida, haveriam de crer. Ele pede que Deus restaure a vida das pessoas! Esse é ponto, ele não ressuscita somente Lázaro, mas todos os demais ali. 

Na Sua Oração, Jesus nos Ensina Que os Resultados da Nossa Fé Deve Produzir Mudanças de Atitude ao Nosso Redor

E, tendo dito isto, clamou em alta voz: Lázaro, vem para fora! Saiu aquele que estivera morto, tendo os pés e mãos ligados com ataduras e o rosto envolto num lenço. Então, lhe ordenou Jesus: Desatai-o e deixai-o ir (Jo 11.43-44). 
O foco destes versos, é o resultado prático da oração oculta de Jesus, que visava a fé dos seus circunstantes e a glória de Deus, a vida dos homens. Este resultado prático é que os homens poderiam ver a glória de Deus e a vida operando na realidade humana. 
Como disse antes: o céus não estão distantes da vida cotidiana, apenas a realidade sobrenatural de Deus é sobreposta à realidade natural da morte. A vida está aqui, o que precisamos ver é Deus. Ao ressuscitar, Lázaro é um homem ressurreto, que ainda está amarrado, os sinais da prisão da morte ainda estão agarrando-o é preciso fazer algo. 
Lázaro vem para fora– Lázaro está vivo, mas ainda está dentro do túmulo e ele precisa sair. Ele não precisa viver dentro do túmulo porque um dia foi um homem morto. A razão para sair é que ele está vivo. Este é um ponto que fala muito diretamente ao modo como alguns vivem, deixando-se controlar pelos sinais da morte, estando vivos. 
Então, lhes ordenou: desatai-o e deixai-o ir– o verso 44 nos diz que ao sair do túmulo aquele homem ainda precisava de ajuda e a ajuda viria dos circunstantes. Ele estava vivo, mas parte da sua experiência com a vida precisava da ajuda dos demais, eles precisavam participar da liberdade de Lázaro e precisavam ir desatá-lo. Num certo sentido podemos compreender por analogia que esse é um papel que Deus espera de nós como corpo.
Em uma outra oração, a oração sacerdotal, Jesus trabalhou este tema no capítulo 17: 
Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados a unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim (Jo 17.22-23). 
Não tem como exagerar a importância da nossa união e da necessidade de vivermos a fé coletivamente e nos apoiarmos. Irmãos, pensem seriamente sobre o que é realmente o propósito de orar, senão que todos tenhamos e experimentemos a vida. SE a igreja não vive em comunhão e se você não vive nessa comunhão, você talvez não saiba, não percebeu, mas sua vida de oração não está realmente centrada no que precisa ser focado: DEUS E A VIDA DELE EM NÓS. 


Conclusão

Pedis e não recebeis porque pedis mal, para esbanjardes nos vossos prazeres... Infiéis (Tg 4.3-4ª).  
Por acaso isto não te incomoda? Você não se preocupa com esse fato? Acredito que todo aquele que realmente vive para Deus, está nesta hora, pensando seriamente sobre o que é orar e sobre o que tem feito com a sua vida de oração. 
Quando começarmos a enxergar a vida que Deus quer que tenhamos e quando houver em nós sensibilidade para os sinais da morte sobre a vida dos outros, estaremos prontos para começar a orar verdadeiramente.
1)    Embora você olhe em redor e veja sinais de morte, ore, porque Deus é mais poderoso que a morte; 
2)    Quando estiver orando pela vida, não esqueça que o importante é que a vida que Deus quer que você viva, deve atingir as outras pessoas; 
3)    Participe da vida das outras pessoas, lutando para que ninguém viva na morte, podendo ser livre.
Pense nos seus filhos, nos seus amados, na sua igreja e na nossa sociedade tão afundada em morte.

Oração

Nos ajude a ser um Igreja de oração verdadeira, onde a vida do outro seja a nossa maior preocupação. Amém