12 de agosto de 2018

1 Samuel 1.1-18 - Primera Iglesia Presbiteriana de Santiago

O Reino de Deus e as Minhas Lágrimas 
1 Samuel 1.1-18
(Sermão Pregado na Primeira Iglesia Presbiteriana de Santiago – Chile – Agosto 2018)


Introdução

Nem sempre nos damos conta de que Deus está realizando a sua vontade nas menores e menos significativas ocasiões. A História é a realização dos planos eternos de Deus e estes nunca se resumem aos acontecimentos em si, senão que sempre estão inseridos no projeto maior de nosso Deus que é conduzir filhos à glória eterna. 
A história que temos diante de nós é de uma pessoa comum, uma mulher simples, de uma família comum que viveu um drama comum, mas as Escrituras nos mostram que Deus usou episódios comuns e pessoas comuns para fazer a sua vontade rica e soberana produzir o mais belo plano de amor. 
Irmãos, a leitura dos livros de Samuel, Rute, Juízes exige uma visão direcionada para a monarquia israelita. Em outras palavras, precisamos lembrar que estes livros estão inseridos nas Escrituras para servirem como pano de fundo para a chegada do período do Reino de Davi, o melhor e mais completo tipo do reinado eterno do Messias.
Os dois primeiros capítulos do Primeiro Livro de Samuel têm uma personagem principal e ela se chama Hanna. Hanna é uma mulher, como eu disse, simples e comum e sua história muito bem poderia ter passado despercebida, não fosse o fato de que Deus desejara usar essa história para ser o caminho da realização de um grande plano de Deus. 
Mas estes momentos mais simples, corriqueiros, pouco importantes para os livros de história, ou mesmo a história dos homens mais comuns, dos milhares e milhares de homens e mulheres que foram apenas pequenas figuras, que a maior parte das pessoas não se lembrará dos nomes, mesmos estes pequenos nomes e momentos da vida de alguém tem um valor enorme e a mão poderosa de Deus agindo. 
Hanna – AGRACIDADA ou FAVORECIDA – uma mulher atribulada, vivendo seus dramas pessoais, suas frustrações, tristezas, enquanto Deus trabalhava no silêncio. Ela não sabia, mas enquanto sua vida atribulada segue o seu curso, Deus agia preparando o caminho do seu Rei, no caso Davi, o homem segundo o coração do Senhor.  Esta é uma das mais importantes lições que precisamos aprender com a história desta mulher singular, realmente agraciada, que Deus usou para ser veículo de sua obra graciosa neste mundo. 
Ela não sabia que Deus estava usando sua própria tribulação para moldar a história. Ela não podia saber disto, mas estava pronta a reagir de forma correta diante de sua própria tribulação. 
Caros irmãos, temos perdido uma grande oportunidade de desfrutar da graça de Deus, quando desprezamos a importância de cada dia da nossa vida e do que Deus está fazendo, por meio das menores e aparentemente mais insignificantes passagens. 
A história de Hanna apresenta apenas um drama familiar e pessoal, mas aponta para um Deus, Senhor da história, fazendo sua vontade prevalecer e o seu favor chegar aos homens com o surgimento da grande monarquia messiânica, da qual Jesus é o grande alvo. 
As lágrimas de Hanna a levaram ao templo e a uma postura de fé e esta fé a levou a uma decisão e essa decisão foi usada por Deus para trazer à luz a história do jovem Samuel, um dos mais respeitados líderes e por meio dele, Deus gerou uma importantíssima mudança na nação israelita, levando o povo que vivia de forma volúvel e desequilibrada a uma sólida relação com Deus, baseada num governo segundo o Coração do Senhor. 
As LAGRIMAS de Hanna foram transformadas na GRAÇA DE DEUS. Caros irmãos, o que devemos ter em nossa mente é que nosso Deus pode estar usando os nossos dias mais com e até os nossos momentos mais sofridos para fazer a sua vontade prevalecer e escrever a história da grande obra da redenção.


Deus é Soberano Para Nos Levar às Lágrimas Mesmo Que Sejamos Pessoas Leais

A descrição que temos nos primeiros versículos nos dão levam a atentar para uma família normal daqueles dias, com ingredientes muito positivos, mas que precisavam ser levados às lágrimas porque Deus os queria preparar para usar em sua obra.
Havia um homem de Ramataim-Zofim, da região montanhosa de Efraim, cujo nome era Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliú, dilho de Toú, filho de Zufe, efraimita (1Sm 1.1). 
Elcana um homem comum e honrado– o que se destaca no verso 1 é que este homem era um homem comum. O nome Elcana, significa: Deus o Criou ou Deus é o seu possuidor, mas isso só mostra para um fato que todos nós também podemos dizer de nós. Ou seja, Elcana era apenas um homem comum, sem nenhum parentesco com qualquer dos nomes famosos. Contudo, era um homem honrado, que tinha uma postura de marido e homem de fé que pode ser observados nos versos seguintes. 
Tinha ele duas mulheres, uma se chamava Ana e a outra Penina. Penina tinha filhos, Ana, porém, não os tinha. Este homem subia da sua cidade de ano em ano a adorar e a sacrificar ao Senhor dos Exércitos, em Silo. Estavam os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, como sacerdotes do Senhor. NO dia em que Elcana oferecia o seu sacrifício, dava ele porções deste a Penina sua mulher, e a todos os seus filhos e filhas. A Ana, porém, dava porção dupla, porque ele a amava, ainda mesmo que o Senhor a houvesse deixado estéril (1 Sm 1.2-5). 
Ele era um homem de vida com Deus e uma atitude muito positiva diante de Ana, que apesar de não ter filhos, não causou no coração do seu marido nenhum tipo de repúdio. 
Ana uma mulher de fé e paciência– Quando olhamos para o modo como o texto se refere a Hanna o que podemos notar é que se tratava de uma mulher piedosa, que estava disposta a trazer à sua família alegria e se segurava ao Senhor em suas maiores tristezas. Apesar das provocações de Penina, não vemos uma reclamação de Hanna, mas apenas uma decisão, buscar a solução em Deus. 
A sua rival a provocava excessivamente para a irritar; porquanto o Senhor lhe havia cerrado a madre. E assim o fazia de ano em ano; e todas as vezes que Ana subia à Casa do Senhor, a outra a irritava, pelo que chorava e não comia. Então, Elcana, seu marido, lhe disse: Ana, porque choras? E porque não comes? E porque estás de coração triste? Não te sou eu melhor que dez filhos? (1Sm 1.6-8). 
O quadro não é um desenho de revoltas, de lutas, de rixas, de problemas, mas em geral o quadro nos mostra uma família leal que se vira bem com suas dificuldades pessoais e familiares. No entanto, apesar de sua capacidade de lidar bem com as dificuldades e de estar ao lado de homem bom e leal, Hanna é levada às lágrimas, porque Deus quer usar estas lágrimas para leva-la a escolher no futuro um caminho de graça. 
Famílias honradas, pessoas leais, quadros de vida boa diante de Deus, piedade cristã verdadeira, estas coisas são muito boas, mas estas coisas não impedirão que Deus nos leve às lágrimas, se ele quiser tais lágrimas para nos conduzir a caminhos melhores. Você precisa considerar suas lágrimas também neste contexto.
Deus não possui nenhum compromisso com nossa lealdade, seu compromisso é em usar nossa vida para cumprir seus propósitos. Precisamos começar a sentir esta paixão, a de sempre estar fazendo parte de algo que Deus irá usar para realizar a sua vontade e cumprir seus propósitos eternos. 
Precisamos deixar de lado a presunção pessoal de que é o nosso reino pessoal que interessa. O que realmente interessa é que Deus usa a nossa vida e as nossas coisas para fazer a tua obra. A importância desta história não se resume ao fato de Deus ter dado a Ana um filho, mas que Deus a levou às lágrimas para cumprir seus propósitos. 
Então, não pensemos que nossa conduta, nossa história perfeita, nossa fé ou qualquer outra boa qualidade que tenhamos fará Deus nosso refém. Ele nos tem em suas mãos e nossas vidas lhe pertencem e por isso, pode usar seus vasos como bem entender e o melhor é nos sentirmos felizes em servir assim a nossa Deus.  


Quando a Vontade de Deus Nos Levar às Lágrimas Deixemos Nossas Lágrimas Nos Levarem a Deus

Os versos 9 a 11 focam em Hanna e na sua petição diante de Deus. Enquanto muitos, diante das tribulações se tornam amargos e se afastam de Deus, Hanna procura em Deus um refúgio em meio à tribulação. 
Após terem comido e bebido em Silo, estando Eli, o sacerdote, assentado numa cadeira, junto a um pilar do templo do Senhor, levantou-se Ana, e com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente (1Sm 1.9-10). 
Levantou-se Hanna e orou ao Senhor – enquanto Elcana aproveitava o momento do sacrifício e a porção que era dada às famílias para comerem, depois da refeição pascal, Hanna se levantara e fora orar. Nesta hora, era o momento em que Penina a irritava e a procurava desestabilizar. A constante tribulação que Penina lhe impunha, levava Hanna à amargura, mas ela buscava o Senhor. 
Hanna Chorava abundantemente– a oração não eliminava do coração de Hanna a tristeza, não significava que a oração era para a busca do alívio, ou que ela se refugiava na oração em si. Ao contrário, mesmo orando, ela ainda carregava no coração uma profunda tristeza e um grande peso. 
Um detalhe do texto que às vezes nos esquecemos é que isto acontecia de “ano em ano”. Ou seja, possivelmente, alguns anos este caos pessoal se repetia. Imagine com o passar dos anos o quanto isto tudo era pesado e cada vez mais pesado. Muito bem, o que texto tenta nos mostrar era uma mulher que buscava no templo a presença de Deus e estava disposta a pagar o preço de sua luta. 
E fez um voto, dizendo: Senhor dos Exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao Senhor, o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha (1Sm 1.11).  
Deus estava moldando o coração de Hanna- As lágrimas de Hanna a levaram a Deus e a levaram a este voto. Não sei como em geral Hanna lidava com sua amargura no templo. Mas desta vez, ela foi conduzida a pensar em dizer algo para Deus. A teologia do pedido de Hanna nos dá um sinal claro da fé que sustentava essa mulher. 
Senhor dos Exércitos– Ela sabia para quem estava vivendo e quem lutava por ela. O Senhor dos Exércitos era aquele que estava à frente dos exércitos de Israel e nas grandes lutas do povo havia dado a vitória. Era este o Deus para quem Hanna vivia.
Se benignamente atentares para a aflição da tua serva e de mim te lembrares – irmãos, o que temos aqui é uma pessoa que esta disposta a se entregar totalmente à vontade de Deus. Ela não impõe nada a Deus, mas suas lágrimas à levam a um Deus que comanda a sua vida. Ela sabe que só a graça de Deus é quem a pode livrar de suas aflições. Ela parece seguir a receita do povo de Deus que estava no Egito, cuja a mensagem de Deus para Moisés é que o Senhor viu a aflição do seu povo e ouviu o seu clamor e se lembrou de Israel. Hanna, a este mesmo Deus orou e dele buscou a graça. 
Se me deres um filho eu o darei ao Senhor todos os dias– Hanna sabia que Deus era a fonte de todas as bênçãos e desejou que sua bênção deveria servir ao Senhor. Isso é um ponto que valeria a pena pararmos para pensar muito bem e repensar muito sobre muita coisa que temos pedido e esperado de Deus. 
Caros irmãos, as lágrimas levaram Hanna a Deus e não a si mesma. O Deus ao qual as suas lágrimas a levaram era um Deus vivo, verdadeiro, gracioso e Senhor de todas as coisas. Hanna conhecia bem o Deus a quem buscava.
Meus irmãos, no final de tudo o que importa é o modo como nossas lágrimas nos levam a Deus e o quanto estamos dispostos a encontrar somente Deus nas nossas bênçãos.
Algumas vezes, crentes permitem que suas lágrimas e suas dores o levem para longe da vontade de Deus. Estão tão concentrados em si mesmos e tão focados em seus reinos pessoais, que não conseguem desenvolver musculatura na sua fé para viver seus dias mais amargos para Deus. Este tipo de vida não é a que Deus deseja para seus filhos. 

A Vontade de Deus Nos Leva às Lágrimas e nos Ajudam a Encontrar a Esperança

O Reino de Deus virá sobre nós por meio de uma história que Deus está realizando em nosso dia a dia. Hanna não sabia, mas Deus estava trabalhando enquanto suas dores estavam desestabilizando o seu coração e suas tristezas a levaram à oração e à buscar a Deus. Deus estava preparando o seu coração para entregar a sua benção para servir ao próprio Deus. 
Demorando-se ela no orar perante o Senhor, passou, Eli a observar-lhe o movimento dos lábios, porquanto Hanna só no coração falava seus lábios se moviam, porém não se lhe ouvia voz nenhuma, por isso, Eli a teve por embriagada. E lhe disse: até quando estarás tu embriagada? Aparta de ti esse vinho (1Sm 1.12-14). 
Meus irmãos, o mistério do que Deus está fazendo através dos eventos da nossa história de vida é algo escondido, às vezes de todos até dos que estão ao nosso redor. O próprio Eli não sabia o que estava acontecendo. 
Não se ouvia a voz de Hanna– precisamos muito prestar atenção neste comportamento de Hanna. Humildemente buscava em Deus refúgio para a sua tristeza. Ela não precisou gritar ou se desesperar diante de Deus, apenas derramar em silêncio e segredo o seu coração diante do Pai. 
Porém Hanna respondeu: Não senhor meu! Eu sou mulher atribulada de espirito, não bebi nem vinho nem bebida forte, porem tenho derramado a minha alma perante o Senhor. Não tenhais, pois, a tua serva por filha de Belial; porque pelo excesso de minha ansiedade e da minha aflição é que tenho falado até agora (1Sm 1.15-16). 
Mulher atribulada e tenho derramado minha alma perante o Senhor– meus irmãos aqui estamos diante de alguém que busca sua saída no Senhor. Ela não foi compreendida pelo próprio Eli e isso não foi um motivo de desestimulo, pelo contrário, ela tinha clara para si sua situação e o Deus em quem buscava alguma esperança. A ansiedade e a aflição a conduziu a Deus e nele agora ela esperava o tempo todo. 
Então, lhe respondeu Eli. Vai-te em paz, e o Deus de Israel te conceda a petição que lhe fizeste. E disse ela: Ache a tua serva mercê diante de ti. Assim, a mulher se foi seu caminho e comeu, e o seu semblante não era triste (1Sm 1.17-18). 
Uma mudança na cena de Hanna é muito clara nestes versos finais. Eli percebeu o que aquela mulher atribulada estava buscando e deu-lhe uma palavra de incentivo. Esta palavra de incentivo, mudou a feição do seu momento e sua própria face. Descansar em Deus renovou a sua esperança. 
Nossas lágrimas deveriam sempre nos levar a Deus e Deus nos levar à vida cheia de esperança. Precisamos muito saber que vivemos debaixo das mãos de um Deus vivo que não se esquece de nós, que não nos abandona e que agora mesmo, enquanto tantas são as suas lágrimas está te moldando e fazendo o seu coração se inclinar para ele. 

Conclusão
Na prática é assim que o Reino de Deus vai se formando na nossa história, por meio dos eventos mais simples e por isso, cada dia conta, cada pequena parte do dia conta. Tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo o seu propósito. 
De alguma maneira, cada dia que Hanna foi ao templo, culminou em um dia em que o seu coração fez um voto. Cada uma das vezes que Penina a irritava colaborou para que ela chegasse a pensar em devolver a sua benção para servir a Deus. Cada vez que seu marido foi compreensivo fazia parte da construção do dia em que ela decidiu que Deus seria a sua esperança. 
Meus irmãos, este tipo de crente é o que faz realmente a diferença neste mundo. Gente que não está preocupada em grandes acontecimentos da fé, mas que dá atenção aos pequenos momentos.
Outro ponto, não deixe as tristezas te levarem para longe de Deus, isso não é bom e não é sábio. Deixe suas lágrimas te conduzirem a Deus! Deixe que Deus seja alcançado no seu coração, por meio de tudo o que ele pode fazer mesmo em dias difíceis. 

15 de julho de 2018

1 Samuel 2.1-11

Decisões Baseadas no Caráter de Deus 
1 Samuel 2.1-11

Introdução
O canto de gratidão de Ana é uma declaração de sua preciosa fé no Senhor. Por muito tempo sofreu as dores da rejeição por ser uma mulher estéril e pediu ao Senhor um filho. Deus, em sua graça lhe concede um filho, retira seu opróbrio e lhe restaura a alegria, mas ela se dispõe a oferecer a Deus seu filho para servir na casa do Senhor. 
Ela cumpre um voto feito a Deus e essa importante decisão foi tomada por que ela sabia quem era o Deus ao qual servia e compreendeu claramente a vida numa perspectiva teorreferente. 
A bênção de um filho alcança verdadeiro valor no coração de Ana à luz da sua visão de que antes importa que vivamos para a glória de Deus. Ela se alegra sobremaneira não em ter um filho, mas em que seu Deus se levanta para dela cuidar. 
Então, orou Ana e disse: O meu coração se regozija no Senhor a minha força está exaltada no Senhor; a minha boca se ri dos meus inimigos porquanto me alegro na tua salvação (1 Samuel 2.1). 
O filho que ela devolvia ao Senhor era o preço que ela estava disposta a pagar por gratidão e reconhecimento ao amor de seu Deus. A maturidade de sua fé tem uma única razão, a clara noção do caráter e das obras do Deus a quem ela servia. 
Acredito irmãos que tenhamos perdido muito de consistência na nossa fé e estejamos nos tornando crentes que se arrastam pela vida cristã com pouca ou nenhuma envergadura de fé para decisões desta monta, porque temos perdido referências do caráter do Deus a quem servimos e para quem existimos. 
Neste cântico tão rico e profundo sobre o caráter e as obras de Deus vou destacar três realidades de quem é e o que faz Deus que deveriam nos oferecer elementos e força para quaisquer decisões difíceis e nos impulsionasse a perder tudo se for preciso, mas jamais perder o mais importante: a fé que pode nos levar a agradar a Deus. 

Decisões Difíceis Precisam Ser Tomadas à Luz de Um Conhecimento Claro da Perfeição e Absoluta Confiança no Caráter de Deus

Não há santo como o Senhor– Primeiramente, Ana está disposta a confiar claramente a sua vida a Deus e a entregar tudo ao seu Senhor porque sabe que Deus é inigualavelmente santo. Ela reconhece a pureza dos intentos e dos atos do seu Deus. Ela não pretende reclamar diante de Deus pelos anos perdidos na sua esterilidade. Afinal, Deus poderia tê-la feito fértil logo na sua primeira oração e logo na primeira vez em que se sentiu triste e atribulada de alma. Mas ela compreende que este Deus que a manteve estéril por tanto tempo é um Deus santo e ninguém poderia ter escolhido melhor caminho porque não há ninguém com a santidade de Deus. 
Não há outro além de ti– Ana não consegue compreender a vida doutra forma e não consegue imaginar outra realidade ou outra maneira mais adequada de se viver, porque não há outro deus além do Senhor. Irmãos, essa mulher tinha com clareza de que não há nenhuma outra forma de se viver senão confiando em Deus e nele esperando, não importando o tamanho da dor que sentimos e vivenciamos. 
Rocha não há, nenhuma como o nosso Deus– esse é o maior desafio da vida cristã, a confiança absoluta em Deus. Em geral essa é a razão pelas quais Deus prova a nossa fé e nos coloca em situações onde nosso coração é testado, provado e lapidado. Durante a caminhada do povo no deserto, disse Deus a Moisés: 
Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos. Ele te humilhou, e te deixou ter fome e te sustentou com o maná, que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor viverá o homem (Deuteronômio 8.2-3). 
Por isso é que ela está disposta a repreender qualquer um que se rebele ou se volte contra Deus. 
Não multipliqueis palavras de orgulho nem saiam coisas arrogantes da vossa boca (1Samuel 2.3). 
Porque o Senhor é o Deus da sabedoria e pesa todos os feitos na balança-  Por fim, Ana é forte para tomar decisões difíceis e continuar confiando no Senhor, porque suas decisões são lastreadas na segurança que ela tem em um Deus que é sábio, cujas resoluções sobre a sua vida e sobre a vida de todos os homens não são fruto de mero capricho ou vontade passageira, mas de uma perfeita escolha e determinação, avaliação de todas as coisas. Seu Deus, sabia Ana, é justo e confiável. 
Isso muda tudo! Porque percebemos como somos crianças que apenas querem que seu pai compre e dê um brinquedo novo sem medir as consequências mais profundas da vida. Contudo, quando começamos a pensar e a viver essa fé que se lastreia no caráter e na perfeição completa de Deus, nos sentiremos mais seguros para decisões difíceis e entregas absolutas a Deus. 
Comece a repensar sua vida à luz do caráter perfeito de Deus e experimente a força que emana da fé em Deus. 

Decisões Difíceis Precisam Ser Tomadas à Luz de Um Conhecimento Claro da Justiça Absoluta Que Conduz os Atos da Providência Divina

É muito comum notar a inquietação de algumas pessoas sobre a justiça de Deus. Não poucos são os que estão inconformados que haja tantas distorções na realidade. Pense você em Ana e no seu longo sofrimento ao lado de Elcana, uma vez que sua rival, Penina era uma mulher fértil e lhe causava tantas dores na alma. 
Até mesmo o grande Asafe, questionou Deus, quando observou a aparente tranquilidade de homens muito ímpios e o sofrimento de homens piedosos. 
Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés; pouco me faltou para que se desviassem os meus passos. Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos (...) Com efeito, inutilmente conservei puro o coração e lavei as mãos na inocência (Salmo 73.2-13). 
Sim, inquietações como esta não são raras, aliás são mais comuns e frequentes. Mas para pessoas que confiam no caráter de Deus é um segundo passo a ser dado, qual seja, descansar também no fato de que Deus sabe tratar com justiça os seus. 
O arco dos fortes é quebrado, porém os débeis, cingidos de força– você verá nos versos seguintes uma sequência de contrastes que indicam que os arrogantes, os que vivem da própria força serão levados ao fracasso, enquanto Deus trabalha para sustentar os que nele confiam. 
O arco dos fortes é quebrado, porém os débeis, cingidos de força; os que antes eram fartos hoje se alugam por pão, mas os que andavam famintos não sofrem mais fome; até a estéril tem sete filhos e a que tinha muitos filhos, perde o vigor (1 Samuel 2.4-5). 
Estes versos são dados como uma constatação de vida, diante da realidade que ela vive e vê acontecendo, contudo, essa constatação é baseada nos versos seguintes, na certeza de que quem age na história para que essas realidades de justiça venham à luz é o próprio Senhor. 
O SENHOR é quem tira a vida e a dá, faz descer à sepultura e faz subir. O Senhor empobrece e enriquece, abaixa e também exalta (1Sm 2.6-7). 
Do Senhor é a terra– Uma absoluta consciência de que Deus e o Senhor da realidade é quem pode mover essa mulher a confiar tão insistentemente em Deus e esperar que a vontade do Senhor estabeleça justiça para sua vida. Ela confia no agir de Deus e decidiu que haveria de tomar decisões de vida baseadas no fato de que pode sempre esperar em Deus, porque ele é Senhor de todas as coisas. 
Ele guarda os pés dos santos– Mais uma vez ela revela que estava disposta a confiar nos atos de justiça de Deus, baseada no fato de que Deus prometeu ser justo para com seus filhos, para com os que definem sua vida pela santidade e não pela arrogância. Não é o homem que fará algo, mas Deus é quem dá a todos o que precisam. 
Ele guarda os pés dos seus santos, porém os perversos emudecem nas trevas da morte; porque o homem não prevalece pela força (1Sm 2.9). 
Mais uma vez esta mulher cheia de fé mostra que tira forças para viver retamente de sua confiança absoluta no caráter e na justiça perfeita do seu Deus. Ela sabe e está disposta a pautar a sua vida por isto, sabendo que Deus olha com cuidado para os que são seus e neles faz cumprir sua boa vontade sempre. Por isso, ela sabe que só precisa confiar e esperar. Isso distingue claramente pessoas maduras na fé daqueles que andam em busca de ilusionismo cristão.
Penso que este é um dos fatores mais necessários quando precisamos tomar decisões difíceis e somos colocados diante de uma realidade onde o que precisamos é apenas esperar que Deus seja misericordioso. Isso não é loteria ou esperança vazia, mas fé, isto é, algo que se lastreia na força e na absoluta justiça com que Deus julga e age no mundo. 

Decisões Difíceis Precisam Ser Tomadas à Luz de Um Conhecimento Claro de Que Deus Estabelece Seu Reino e não o Nosso

O contexto histórico em que a esse episódio está localizado nos mostra Deus levantando em Israel um Rei. Já vimos no outro domingo, quando vimos o capítulo 1, que essa história vivida por Ana era parte de uma metanarrativa mais abrangente de como Deus traria Israel para viver debaixo de um Rei segundo o seu coração, sendo Samuel, o filho de Ana, um dos mais importantes nomes deste período de grande transição. 
Deus estava moldando o seu povo por uma história de mais de 400 anos sem rei, sob o comando dos juízes, mas na vida de Ana estava agora afiando os instrumentos desta história e usou a vida dessa mulher piedosa e sua luta pessoal. Isso só nos mostra uma coisa, que Deus não estava apenas preocupado com Ana e suas lutas pessoais e ela sabia disto, na verdade, Ana, Samuel, Eli, Elcana, Penina e todos os outros, eram apenas peças de um grande quadro de como ele está trazendo à terra o SEU REINO. 
Os que contendem com o Senhor serão quebrantados; dos céus troveja contra eles. O Senhor julga as extremidades da terra, dá força ao seu rei e exalta o poder do seu ungido (1Sm 2.10). 
Dos céus troveja contra eles – O poder que comanda o mundo não está na terra, está nos céus. Não está na força dos homens, mas no poder de Deus. Isso está claro para Ana, por isso, ela insiste em exaltar a Deus e se regozijar no fato de que sobre a sua vida essa verdade se revelou e a moveu a confiar ainda mais em Deus. Um importante fator é a sua visão de que este poder vem dos céus, isso indica a superioridade da vontade e do poder de Deus sobre todos os seus inimigos e todos os que se levantam contra Ele. 
O Senhor julga a terra– a ideia de julgar a terra aqui é estabelece sua ordem sobre as coisas e conduz o mundo. Ana sabia que poderia descansar nessa visão de Deus e de seu agir sobre o mundo dos homens, de quais lugar. A mais pequena vila em algum lugar desconhecido na Guiné ou na Amazônia, Deus estabelece a sua vontade e ordem sobre o mundo dos homens. 
Dá força ao seu rei– para o escritor do texto, o homem que inspirado por Deus nos contou essa história à luz de sua percepção teológica da monarquia de Israel, esse é um dado importante: na verdade Deus trabalha para estabelecer o seu Reino e não o reino dos homens. 
Mais tarde, na história deste próprio filho de Ana, o grande Samuel, leremos um episódio em que o profeta e juiz se diz triste porque os homens de Israel queriam um reino humano. Deus mesmo diz que eles estavam rejeitando não a Samuel, mas a Ele mesmo. NO entanto, apesar de pedirem Saul, Deus conduz a historia para trazer ao trono o homem segundo o seu coração. 
Assim, fez passar Jessé os seus sete filhos diante de Samuel; porém Samuel disse a Jessé: O Senhor não escolheu estes. Perguntou Samuel a Jessé: acabaram-se os teus filhos? Ele respondeu: ainda falta o mais moço, que está apascentando as ovelhas. Disse, pois, Samuel a Jessé: Manda chama-lo, pois não nos assetamos à mesa sem que ele venha. Então, mandou chama-lo e fê-lo entrar. Ele era ruivo, de belos olhos e boa aparência. Disse o Senhor: Levanta-te e unge-o, pois este é ele (1Sm 16.10-11). 
Vejam irmãos, se isto faz você perceber o peso da última frase deste cântico belíssimo: E EXALTA O PODER DO SEU UNGIDO. 
Ana sabia muito bem que sua vida deveria ser direcionada pelo foco de Deus na realidade e não os seus planos pessoais e individuais. Ela conseguiu converter a sua história de vida à história do Reino de Deus. Esse e o grande segredo para tomar decisões difíceis e fazer da melhor forma, buscar a vontade de Deus acima das nossas e permitir que nossas escolhas sejam parte da construção do grande Reino de Deus. 

Conclusão
Sabemos que Davi era apenas um tipo do VERDADEIRO REI DE ISRAEL: Jesus, o filho encarnado. Esse é um ponto que faz toda a diferença para mim e para os irmãos. Afinal, é para este Reino que devemos voltar os nossos olhos e nossas escolhas de vida. 
Claro que tomar decisões é algo corriqueiro, que fazemos com grande frequência. Decisões importantes, que podem mudar coisas grandes, assim como decisões pequenas, que aparentemente nada mudam. Todas elas precisam ser tomadas à luz do que sabemos e como vivemos a nossa relação com Deus. 
Devemos ter a disposição de alma de amadurecer nossa fé e tornar nossa vida um ato de fé e adoração. Essa deve ser a postura com que devemos realmente enfrentar a vida e fazê-la tomar rumo. Nunca se esqueça de que Deus é SANTO E PURO, tudo o que ele faz emana deste seu caráter absolutamente perfeito. Nãos e esqueça também que ELE AGE COM JUSTIÇA e olha para os seus santos com especial atenção. Deus nunca deixará de cuidar dos seus filhos. Mas por fim, muito importante, não se esqueça de que DEUS BUSCA ESTABELEER O SEU REINO como prioridade absoluta. 
BUSCAI POIS EM PRIMEIRO LUGAR O REINO DE DEUS E A SUA JUSTIÇA E TODAS ESTAS COISAS VOS SERÃO ACRESCENTADAS. 


11 de julho de 2018

Ezequiel 43.18-27 - IP Tatuapé

As Medidas Para Quem Ministra no Altar e a Vida Cristã – Princípios Para Um Relacionamento Verdadeiro Com Deus 
Ezequiel 43.18-27
(Sermão Pregado na IP Tatuapé em Julho de 2018 – Por Ocasião da Minha Participação no Processo Seletivo Para o Pastorado de 2019)

Introdução
Preciso repetir um pouco do que já disse pela manhã para que todos estejam bem situados em nosso texto. O profeta Ezequiel viveu em um período extremamente difícil da vida do povo de Deus. O juízo do Senhor havia recaído sobre a nação santa, que havia abandonado a fidelidade ao seu Deus e agora estava exilada na Babilônia. 
O profeta Ezequiel está entre os filhos exilados que foram transportados para regiões interioranas do império Babilônico, às margens do Rio Quebar. Ali, Ezequiel teve um série de gloriosas visões e ele compreendeu duas coisas muito importantes. A primeira delas é que Deus estava no controle da história, mesmo em meio a tempos tão turbulentos e difíceis. As visões de Ezequiel revelam o controle soberano e sobrenatural de Deus sobre todos os acontecimentos, por isso, suas visões incluem seres gloriosos e cenas supranaturais.
A segunda coisa importante que Ezequiel destaca em suas visões era a centralidade do problema entre Deus e o seu povo: a adoração. Ele percebeu que o coração do problema estava no mais íntimo relacionamento de Deus com o seu povo, que se realizava no coração do povo, que era o verdadeiro culto a Yahweh e que havia sido maculado, com a insinceridade do coração do povo de Deus. 
Por isso, dentre as gloriosas visões do profeta, o livro nos revela a mais dura de todas as realidades a ser encarada: a Glória de Deus havia deixado o templo e isto significa o fim da proximidade e o fim da comunhão entre Israel e o seu Deus. 
O profeta considera que todo o exílio era fruto do juízo de Deus por que seu povo não amou Yahweh de coração e o trocou por outros amores. Ele deixou de ser importante e significativo para o seu povo e, por isso, Deus os havia deixado e os levado para o cativeiro para experimentarem a vida longe e sem comunhão. Isso é muito duro e esta é a realidade de muitos crentes. 
O profeta, a partir do capítulo 40, tem uma nova visão sobre o templo e agora a sua restauração. Neste novo grupo de visões, o profeta vê uma mudança de tom na profecia, que havia começado no capítulo 37, quando profetizando sobre os ossos secos, o profeta os viu se levantar e começou a perceber a intenção de Deus de jamais abandonar o seu povo para sempre. 
No capitulo 43, dentro do templo, o profeta é levado a olhar a parte mais interior do Templo, o lugar mais sagrado e importante, o lugar onde está o ponto primordial e mais absoluto do relacionamento entre Deus e o seu povo: o altar do sacrifício. Esse foi o nosso ponto nesta manhã, nos versos 10 a 17. 
Essa primeira parte se encerra com uma atenção especial para o lugar do sacrifício, mostrando a centralidade do altar, a LAREIRA DE DEUS, o lugar onde as ofertas eram completamente queimadas em holocausto ao Senhor. 

Nesta parte do texto, o profeta é convidado não mais para o olhar o lugar do sacrifício, mas para pensar a respeito de quem faz o sacrifício, o sacerdote. Na verdade, irmãos, precisamos considerar atentamente que Deus não busca cultos, mas adoradores, Deus não está interessados em canções, mas em corações que amem a Deus. 
Um dos erros que Israel permitiu construir ao longo do tempo na sua relação com Deus foi a de se esquecer de que Deus o amava e buscava dele amor e não apenas rituais. Deus pedia a Israel o seu coração e isso foi justamente o que ficou longe de Deus. 
Este povo me honra com seus lábios, mas seu coração está longe de mim (Is 29.13). 
Filho meu, dá-me o teu coração e os teus olhos se agradem dos meus caminhos (Pv 23.26).
 Considere a respeito do seu amor a Deus e considere o quanto Deus está disposto e interessado em que você o ame e o quanto você se distancia e não permite que este amor se aprofunde. Este é o ponto que precisamos considerar diante deste texto. 

A Medida do Nosso Relacionamento Com Deus Tem o SENHOR Como Ponto de Partida
E o SENHOR me disse (...) Eu lhe serei propício, diz o SENHOR DEUS. (Ezequiel 43.18a e 27c). 
Os primeiros capítulos da profecia são um grande desafio para os pregadores e para os leitores. Em geral, os crentes desistem da leitura nos primeiros capítulos. Seu forte conteúdo enigmático assusta ao leitor e afugenta os pregadores, sem dúvida. Veja o capítulo 1, versos 4 a 7; 15-19 etc. 
Nestes capítulos, estas visões espetaculares revelam que a vida humana não acontece meramente como resultado de uma realidade material, biológico, físico-química, mas aponta para o fato de que existe uma realidade espiritual, tão presente e tão real quando estes bancos e cadeiras que podemos tocar, pegar e neles sentar. A realidade de um Deus vivo, presente, atuante, conduzindo todas as coisas é a verdade sobre a vida e sobre tudo. Deus é tudo em todos, nele existimos e nele nos movemos. 
O profeta Ezequiel foi chamado a conhecer esta realidade e a anunciar esta realidade. O exílio babilônico não era um acaso, um resultado da política de sua época, mas uma realidade trazida à existência por Deus. E por que Deus fez isto eu fez? Porque Deus ama o seu povo! Porque Deus desejava fazer este povo aprender amá-lo. Isso é o que o Senhor faz, isso é o que o Senhor produz com a história que nos dá. Deus quer o seu coração e como diz o pastor Max Lucado: ele insistirá em mudar você.
O nosso texto é mais uma destas demonstrações da ação primeira de Deus. Ao longo de toda esta seção das visões do templo, Ezequiel é guiado por um “homem de bronze” é ele quem conduz o profeta e revela as medidas do templo, os caminhos da casa de Deus. Mas, aqui, Deus assume a direção deste momento. 
Veio a mim a palavra do Senhor- Toda a estrutura da visão é conduzida pelas ações e descrição do homem de bronze

Então, o homem me levou à porta, à porta que olha para o oriente (Ez 43.1).
O SENHOR ME DISSE: Agora, entretanto, uma nova maneira dinâmica é introduzida no texto. Ela começou no verso 6, mas é aqui no verso 18 que se torna definitiva: O SENHOR ME DISSE. 
E o Senhor me disse: Filho do homem, assim diz o Senhor Deus: São estas as determinações do altar, no dia em que o farão, para oferecerem sobre ele holocausto e para sobre ele aspergirem sangue (Ez 43.18).  
DIZ O SENHOR DEUS- Da mesma forma, notamos um recurso literário importante no verso 27, que é o fechamento do texto com a expressão. DIZ O SENHOR DEUS. Este recurso é uma espécie de quiliasmo hebraico, isto é, o uso de capsulas de assunto, fechadas por expressões semelhantes. O que destacamos aqui é que existe uma força neste texto apontando para o fato de que Yahweh Adonai, o Senhor Deus, intentava que o profeta compreendesse que neste momento estamos diante de uma palavra direta do Senhor, que desejava que seu povo fosse restaurado. 
Irmãos, precisamos compreender o que está por detrás deste recurso, que é algo tão importante que consideremos: DEUS ESTÁ PESSOALMENTE INTERESSADO EM QUE TENHAMOS UM RELACIONAMENTO ÍNTIMO E VERDADEIRO COM ELE 
Nós o amamos porque Ele nos amou primeiro (1Jo 4.19). 
A restauração deste profundo relacionamento tem em Deus o seu principal interessado. Isto deveria ser significativo para mim e para você e deveria comunicar muito sobre a importância das coisas que fazemos com este propósito. 
Precisamos considerar com mais seriedade o fato de que Deus trabalha para que o amemos profunda e verdadeiramente. Isso muitas vezes se perde no emaranhado de coisas que acontecem na nossa vida e o no modo como deixamos Deus de lado e nos interessamos muito mais por outras coisas que pelo Senhor
Algumas vezes, parecemos lutar contra Deus e desejar muito mais a vida sem ele. Muitas vezes, parecemos ter mais prazer na vida quando Deus não está nela, do que quando nos lembramos de que existimos e fomos comprados para pertencer somente a Ele. 
Não obstante, a verdade permanece e você não pode e não consegue muda-la: DEUS ESTÁ PRIMORDIALMENTE INTERESSADO EM RESTAURAR O RELACIONAMENTO COM O SEU POVO E A NOS FAZER AMÁ-LO, PARA O NOSSO PRÓPRIO BEM. 
Dar-vos-ei coração novo, porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espíito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis (Ez 36.26-27).   

A Medida do Nosso Relacionamento Com Deus Precisa Seguir o Projeto de Deus 
Assim como no passeio pelo templo o homem de bronze apontou para as medidas do templo, agora, o próprio Senhor aponta as medidas, desta vez para o serviço dos seus sacerdotes. Isso é muito importante, Deus está pessoalmente interessado em moldar seus sacerdotes.
São estas as determinações do altar, no dia em que o farão para oferecerem sobre ele holocausto e para sobre ele aspergirem sangue. Aos sacerdotes levitas, que são da descendência de Zadoque, que se chegam a mim, diz o Senhor Deus, para me servirem, darás um novilho para oferta pelo pecado (Ez 43.18-19). 
Determinações do altar– (Hucovith) – Estas determinações são as leis, os estatutos, que conduzem a vida do sacerdote. Mais uma vez, Deus nos chama a atenção para o fato de que as coisas são do jeito dele e não do nosso.  Isto é dado para todos os sacerdotes que irão entregar a Deus o que Deus quer seja entregue, do jeito que Deus quer seja entregue. 
Uma das histórias mais marcantes das Escrituras tem a ver com os filhos de Arão, Nadabe e Abiú. Estes ofereceram a Deus fogo estranho no altar e Deus os fulminou porque não era isso que Deus requeria de seus sacerdotes. 
Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre estes, incenso e trouxeram fogo estranho perante a face do Senhor, o que lhes não ordenara. Então, saiu fogo de diante do Senhor e os consumiu, e morreram perante o Senhor. E falou Moisés a Arão, Isto é o que o Senhor disse: Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a mim e serei glorificado diante de todo o povo. Porém Arão se calou (Lv 10.1-3). 
Irmãos, precisamos olhar para isto com muito cuidado e com muito interesse. O profeta Ezequiel diz que Deus porá em nós o seu Espírito e nos fará andar na sua lei. Caros irmãos, não podemos menosprezar este fato de que somos chamados para viver para Deus do jeito de Deus e este é o papel que Deus quer cumpramos. Para isto ele nos moldará. 
Para me servirem– (Lesharetenih) – A ideia aqui é que Deus busca alguém que o sirva, que lhe devolva o que ele dá. Aquele que serve a Deus não pode dar a Deus algo que Deus não tenha lhe dado antes. Por isso é que estes precisam seguir o padrão de Deus, porque o que oferecem é aquilo que o próprio Deus lhes dá para que sirvam. 
Claro que há muitos detalhes que não vamos poder tratar em nossa mensagem desta noite. Estes versos são muito ricos e suas descrições apontam para princípios importantíssimos para que nossa vida realmente agrade a Deus e desfrute de intimidade. Uma das coisas importantes aqui é dizer que Deus deseja que este relacionamento verdadeiro e íntimo seja permanente e receba sua constante atenção e preparo. 
Os sacerdotes que se chegam a mim– aqui o profeta usa um tempo verbal importante: sacerdotes que se chegam e não param de se achegar a mim. Esta intenção do texto aponta para ideia de que este trabalho deveria ser ininterrupto. 
Assim farás purificação e expiação- Eles deverão ser puros e purificados, por isso a ideia de que o sangue seja aspergido em toda as partes do altar, sobre os quatro chifres, sobre os quatro cantos, na bora ao redor daquela grande mesa de sacrifício. 
Note que este gestual aponta para ideia de totalidade, sacralidade total. Precisamos desta visão de vida completa consagrada ao Senhor. Precisamos redescobrir a sacralidade da vida e a inteireza de nosso relacionamento com Deus como um ponto central de nossa relação viva com ele. 
Sim, entre os elementos que precisamos trabalhar melhor é o conceito de que sacralidade da vida toda. Como dizia o grande Abraham Kuyper, não existe um centímetro quadrado de todo o universo que Deus não diga: me pertence. Da mesma forma, nem um minuto sequer da vida do crente, pode ser vivido para outro que não para aquele que é o dono da nossa vida. 
Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si mesmo. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos e se morremos para o Senhor morremos, quer pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor (Romanos 14.7-8). 

A Medida do Nosso Relacionamento Com Deus Precisa Ser Constante 
Algumas vezes, parecemos desprezar a importância da cotidianidade da manutenção da fé e quase sempre nos tornamos crentes de momentos. Momentos de devoção, momentos de adoração e momentos de arrependimento. Ao contrário desta vida interrompida e fracionada, o que lemos nas Escrituras é a ideia de constância, permanência e rotineira atenção. 
Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes o seu prazer está na lei do Senhor e na sua Lei medita de dia e de noite (Salmo 1.1-2).
Há outros aspectos de inteireza apontados no texto, dos quais destacamos alguns: 
a)    A palavra holocausto– indica a queima total das partes do sacrifício, exceto o que era imundo; 
b)    Sete dias– a totalidade do siclo semanal, que era um conceito temporal muito importante para os judeus, isto é, eles sabiam que todos os dias precisavam de vida com Deus. 
Do dia oitavo em diante – aqui, o profeta está falando de algo importante aqueles homens e mulheres, que aguardavam voltar para sua terra e desejavam a restauração. Esta expressão liga o compromisso de se consagrar a Deus com a idei de continuidade da aliança. 
Isto aponta para a percepção de que Deus deseja uma continua realidade de comunhão com os seus filhos. Isto precisa estar na sua mira vivencial! Precisa fazer parte da sua ambição de vida e assumir protagonismo em seus planos. 
A atitude de fidelidade a Deus é vista em nossa constância. Pelo profeta Oséias Yahweh acusou seu povo de ter um amor passageiro, pouco apegado à constância: 
Que te farei, ó Efraim? Que ter farei, ó Jacó? Porque o vosso amor é a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa (Os 6.4). 
Se a constância na fé, a perseverança e cotidiana busca de Deus há uma profunda fenda na sua vida e a qualquer momento ela poderá te arrebentar. Você precisa buscar na cotidianidade da relação com Deus um completo relacionamento com Ele. Portanto, isto não é só falta de maturidade e não é um problema menor de falta de tempo, mas pode ser um sinal grave de uma grande enfermidade espiritual que pode se alastrar. 
Deus está interessado em que sua relação com ele seja VERDADEIRA E PERMANENTE. 

A Medida do Nosso Relacionamento Com Deus é a Comunhão Que Nasce Como Fruto do Nosso Relacionamento - Paz
Tendo eles cumprido estes dias, será que, ao oitavo dia, dali em diante, prepararão os sacerdotes sobre o altar os vossos holocaustos e as vossas ofertas pacíficas; e eu vos serei propicio, diz o Senhor Deus. (Ezequiel 43.27). 
Precisamos compreender o objetivo final de Deus. Ele não deseja ser atendido, não é esse o seu objetivo, não é isso que motiva o Senhor. Deus deseja nos SER PROPICIO. Isto é, Deus deseja estar com seu rosto voltado para nós e ter um relacionamento de paz conosco. O apóstolo Paulo escreveu sobre este conceito em Romanos 5.1: 
Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 5.1).
Holocaustos e ofertas pacíficas – estes dois atos de sacrifício apontam para a queima total pelos pecados e a manutenção de nossa vida cotidiana, como já tratamos antes. Mas eles apontam também para um relacionamento de aceitação da parte de Deus. Deus não somente nos assiste realizar atos e julga se estão corretos, ele está interessado em recebe-los e se alegra nisto. 
Eu vos serei propício– isto indica a intenção de Deus de ser favorável em nos receber, por meio do cumprimento das leis do altar. Isto é, Deus deseja que acertemos o caminho, porque deseja nos receber em sua casa. O caminho é Cristo e o altar é a cruz, mas precisamos nos preparar para andar neste caminho e para carregar a cruz e as suas marcas. 
A propiciação era o alvo principal do sacrifício e do próprio altar, da Lareira e do derramar do sangue. Tudo o que Deus objetivava ao dar ao profeta esta visão não era a reconstrução do Templo, mas a restauração desta relação de paz entre ele e o seu povo. 
Todo o texto foi estruturado para mostrar a Ezequiel e a todo o povo de Deus que eles precisavam grandemente focar nesta relação com Deus. O problema em geral que os levou ao exílio é que eles buscavam uma paz falsa,  baseada na força do homem, quando so reis fizeram aliança com Egito e não confiaram no Senhor. Agora, entretanto, quando Deus retirou deles este orgulho e esta presunção egocentrada, ele lhes promete ser o Senhor e fazê-los andar na sua lei. Deus trabalhará para nos libertar de nós mesmos e nos tornar seus filhos absolutamente seus... 
Livrar-vos-ei de todas as vossas imundícias, farei vir o trigo, e o multiplicarei, e não trarei fomo sobre vós. Multiplicarei o fruto das árvores e a novidade do campo, para que jamais recebais o opróbrio da fome entre as nações. Entao, vos lembrareis dos vossos maus caminhos e dos vossos feitos que não foram bons; tereis nojo de vós mesmos por causa das vossas iniquidades e das vossas abominações. Não é por amor de vós, fique bem entendido, que eu faço isto, diz o Senhor Deus. Envergonhai-vos e confundi-vos por causa dos vossos caminhos, ó casa de Israel. Assim diz o Senhor Deus: No dia em que eu vos purificar de todas as vossas iniauidades, então, farei que sejam habitadas as cidades e sejam edificados os lugares desetor.  (...) Como um rebanho de santos, o rebanho de Jerusalém nas suas festas fixas, assim as cidades desertas se encherão de rebanhos de homens, e saberão que eu sou o Senhor (Ez 36.29-38). 
Este é o mundo que Deus deseja nos dar, cheio de shalom, completamente harmônico e repleto de pessoas que amam o Senhor, este é o foco de sua vida com Deus, busque isto como um ideal. 

Conclusão
Esta é o propósito desta visão: A RESTAURAÇÃO DA NOSSA VIDA ÍNTIMA COM DEUS, EM VERDADE, CONTINUIDADE E PAZ. Veja a descrição da bem aventurança que Deus deseja nos dar em Ezequiel 47.6 a 12. 
A beleza desta visão é a restauração que Deus deseja fazer na nossa vida. Precisamos de uma atitude positiva em relação a isto e precisamos nos lembrar das regras de pureza e dedicação do altar.
Recupere urgentemente o seu amor por Deus, aplicando à sua vida de relacionamento com ele estes três princípios: Submissão à vontade dele; contidianidade e alvo. 
Busque desenvolver uma vida com Deus que lhe permita realizar tudo com uma clara atenção para o que realmente agrada a Deus ou não; tente agilizar sua vida diária para incluir nela, mais do que leitura bíblica e oração, mas um compromisso de promover a glória de Deus em tudo e sempre; por fim, não se esqueça de que você não existe apenas para si, mas para fazer parte de algo grande, de um mundo shalomico da paz de Cristo, que um dia voltará justamente para consolidar estas coisas. 

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