10 de dezembro de 2017

Ezequiel 43.18-27

As Regras do Altar e a Vida Cristã – Princípios Para Um Relacionamento Verdadeiro Com Deus
Ezequiel 43.18-27

Introdução
Preciso repetir um pouco do que já disse na última semana para que todos estejam bem situados em nosso texto. O profeta Ezequiel viveu em um perído extremamente difícil da vida do povo de Deus. O juízo do Senhor havia recaído sobre a nação santa, que havia abandonado a fidelidade ao seu Deus e agora estava exilada na Babilônia.
O profeta Ezequiel está entre os filhos exilados que foram transportados para regiões interioranas do império Babilônico, às margens do Rio Quebar. Ali, Ezequiel teve um série de gloriosas visões e ele compreendeu duas coisas muito importantes. A primeira delas é que Deus estava no controle da história, mesmo em meio a tempos tão turbulentos e difíceis. As visões de Ezequiel revelam o controle soberano e sobrenatural de Deus sobre todos os acontecimentos, por isso, suas visões incluem seres gloriosos e cenas supranaturais.
A segunda coisa importante que Ezequiel destaca em suas visões era a centralidade do problema entre Deus e o seu povo: a adoração. Ele percebeu que o coração do problema estava no mais íntimo relacionamento de Deus com o seu povo, que se realizava no coração do povo, que era o verdadeiro culto a Yahweh e que havia sido maculado, com a insinceridade do coração do povo de Deus.
Por isso, dentre as gloriosas visões do profeta, o livro nos revela a mais dura de todas as realidades a ser encarada: a Glória de Deus havia deixado o templo e isto significa o fim da proximidade e o fim da comunhão entre Israel e o seu Deus.
O profeta considera que todo o exílio era fruto do juízo de Deus por que seu povo não amou Yahweh de coração e o trocou por outros amores. Ele deixou de ser importante e significativo para o seu povo e, por isso, Deus os havia deixado e os levado para o cativeiro para experimentarem a vida longe e sem comunhão. Isso é muito duro e esta é a realidade de muitos crentes.
O profeta, a partir do capítulo 40, tem uma nova visão sobre o templo e agora a sua restauração. Neste novo grupo de visões, o profeta vê uma mudança de tom na profecia, que havia começado no capítulo 37, quando profetizando sobre os ossos secos, o profeta os viu se levantar e começou a perceber a intenção de Deus de jamais abandonar o seu povo para sempre.
Este é o contexto do texto que temos diante de nós. O ponto central da nossa vida com Deus está na tela de nossa mensagem. NO capitulo 43, dentro do templo, o profeta é levado a olhar a parte mais interior do Templo, o lugar mais sagrado e importante, o lugar onde está o ponto primordial e mais absoluto do relacionamento entre Deus e o seu povo: o altar do sacrifício. Na mensagem do último domingo, meditamos sobre a centralidade, pureza e relevância deste relacionamento que olha par ao Oriente, para Cristo.
Na primeira parte do capítulo, vimos uma ênfase na “Lareira de Deus” e na importância da totalidade do sacrifício, da entrega da vida a Deus. Na segunda parte do capitulo, veremos com mais detalhe, não tanto a descrição e a localização do altar, mas o sacrifício que nele é oferecido.
Queremos pensar muito sobre a profundidade do nosso relacionamento e encontrar aqui princípios para a nossa vida com Deus. Não podemos oferecer a Deus qualquer coisa ou a vida de qualquer jeito. Existem princípios que regulam a nossa aproximação com Deus e que devemos considerar atentamente para que nossa vida com Deus siga na direção certa.
Boa parte do problema que vivemos no contexto do relacionamento entre Deus e os homens é que boa parte dos crentes acredita que pode realmente ter um relacionamento com Deus baseado em si mesmos e que o Senhor receberá qualquer coisa que ofereçam diante dele.
Quero te convidar a deixar de lado este orgulho absurdo que está mantendo você longe de Deus e de uma plena e verdadeira comunhão com o seu pai. Quero convidá-lo a ouvir este sermão sem as naturais proteções e objeções que você construiu contra a Palavra de Deus, quero convidá-lo a ficar diante do espelho da Palavra e permitir que a Palavra te mostre o caminho, seus erros e acertos, sua vida como um todo para que no mais sua vida desfrute de um relacionamento restaurado com o Senhor.

Deus Tem Profundo Interesse Em Que Você Tenha Um Relacionamento Verdadeiro Com Ele
E o SENHOR me disse (...) Eu lhe serei propício, diz o SENHOR DEUS. (Ezequiel 43.18a e 27c).
Nosso primeiro ponto de observação nasce de uma percepção literária desta seção. As visões do Templo começam no capítulo 40. Em todos os momentos até esta parte do texto, Ezequiel é guiado pela mão de Deus que o conduz na visão por meio de “um homem com aparência de bronze”.
Em visões, Deus me levou à terra de Israel e me pôs sobre um monte muito alto; sobre este havia um como edifício de cidade, para a bando do sul. Ele me levou para lá, e eis um homem cuja aparência era como a de bronze; estava de pé na porta e tinha na mão um cordel de linha e uma cana de medir (Ez 40.2-3).
Toda a estrutura da visão é conduzida pelas ações e descrição deste guia, que explicava o projeto do templo e fazia suas medições. Como falamos em nossa última mensagem nos versos 1 a 17 deste capítulo, o foco central destas visões é mostrar que Deus iria restaurar a relação profunda entre Ele e seu povo, por meio de uma nova aliança, ligada à restauração da adoração.
Sempre o “homem de bronze” é quem conduz e explica todas as coisas ao profeta. Até mesmo no momento em que o altar foi descrito e sua centralidade proposta, foi assim que o profeta foi conduzido e orientado.
Então, o homem me levou à porta, à porta que olha para o oriente (Ez 43.1).
O SENHOR ME DISSE: Agora, entretanto, uma nova maneira dinâmica é introduzida no texto. Ela começou no verso 6, mas é aqui no verso 18 que se torna definitiva: O SENHOR ME DISSE.
E o Senhor me disse: Filho do homem, assim diz o Senhor Deus: São estas as determinações do altar, no dia em que o farão, para oferecerem sobre ele holocausto e para sobre ele aspergirem sangue (Ez 43.18).  
DIZ O SENHOR DEUS - Da mesma forma, notamos um recurso literário importante no verso 27, que é o fechamento do texto com a expressão. DIZ O SENHOR DEUS. Este recurso é uma espécie de quiliasmo hebraico, isto é, o uso de capsulas de assunto, fechadas por expressões semelhantes. O que destacamos aqui é que existe uma força neste texto apontando para o fato de que Yahweh Adonai, o Senhor Deus, intentava que o profeta compreendesse que neste momento estamos diante de uma palavra direta do Senhor, que desejava que seu povo fosse restaurado.
Irmãos, precisamos compreender o que está por detrás deste recurso, que é algo tão importante que consideremos: DEUS ESTÁ PESSOALMENTE INTERESSADO EM QUE TENHAMOS UM RELACIONAMENTO ÍNTIMO E VERDADEIRO COM ELE
A restauração deste profundo relacionamento tem em Deus o seu principal interessado. Isto deveria ser significativo para mim e para você e deveria comunicar muito sobre a importância das coisas que fazemos com este propósito.
Precisamos considerar com mais seriedade o fato de que Deus trabalha para que o amemos profunda e verdadeiramente. Isso muitas vezes se perde no emaranhado de coisas que acontecem na nossa vida e o no modo como deixamos Deus de lado e nos interessamos muito mais por outras coisas que pelo Senhor.
Algumas vezes, parecemos lutar contra Deus e desejar muito mais a vida sem ele. Muitas vezes, parecemos ter mais prazer na vida quando Deus não está nela, do que quando nos lembramos de que existimos e fomos comprados para pertencer somente a Ele.
Não obstante, a verdade permanece e você não pode e não consegue muda-la: DEUS ESTÁ PRIMORDIALMENTE INTERESSADO EM RESTAURAR O RELACIONAMENTO COM O SEU POVO E A NOS FAZER AMÁ-LO, PARA O NOSSO PRÓPRIO BEM.
Dar-vos-ei coração novo, porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espíito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis (Ez 36.26-27).   

Deus Está Interessado Em Uma Relação Verdadeira Que Tenha Permanente Atenção da Nossa Parte
Mais uma vez precisamos de um olhar para a estrutura do texto. Ele começa apontando sobre as ofertas do primeiro dia, versos 19-21. Despois se refere ao segundo dia, tomando como o exemplo, versos 22-24. Por fim, o texto fala de que este cerimonial deveria se seguir durante todo o siclo semanal, verso 26 e por fim, reiniciando o siclo no verso 27.
Tendo eles cumprido estes dias, será que, ao oitavo dia, dali em diante, prepararão os sacerdotes sobre o altar os vossos holocaustos e as vossas ofertas pacíficas; e eu vos serei propício, diz o Senhor Deus (Ez 43.27).
Claro que há muitos detalhes que não vamos poder tratar em nossa mensagem desta noite. Estes versos são muito ricos e suas descrições apontam para princípios importantíssimos para que nossa vida realmente agrade a Deus e desfrute de intimidade. Uma das coisas importantes aqui é dizer que Deus deseja que este relacionamento verdadeiro e íntimo seja permanente e receba sua constante atenção e preparo.
Algumas vezes, parecemos desprezar a importância da cotidianidade da manutenção da fé e quase sempre nos tornamos crentes de momentos. Momentos de devoção, momentos de adoração e momentos de arrependimento. Ao contrário desta vida interrompida e fracionada, o que lemos nas Escrituras é a ideia de constância, permanência e rotineira atenção.
Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes o seu prazer está na lei do Senhor e na sua Lei medita de dia e de noite (Salmo 1.1-2).
Os sacerdotes que se chegam a mim – aqui o profeta usa um tempo verbal importante: sacerdotes que se chegam e não param de se achegar a mim. Esta intenção do texto aponta para ideia de que este trabalho deveria ser ininterrupto.
Assim farás purificação e expiação - Eles deverão ser puros e purificados, por isso a ideia de que o sangue seja aspergido em toda as partes do altar, sobre os quatro chifres, sobre os quatro cantos, na bora ao redor daquela grande mesa de sacrifício.
Note que este gestual aponta para ideia de totalidade, sacralidade total. Precisamos desta visão de vida completa consagrada ao Senhor. Precisamos redescobrir a sacralidade da vida e a inteireza de nosso relacionamento com Deus como um ponto central de nossa relação viva com ele.
Sim, entre os elementos que precisamos trabalhar melhor é o conceito de que sacralidade da vida toda. Como dizia o grande Abraham Kuyper, não existe um centímetro quadrado de todo o universo que Deus não diga: me pertence. Da mesma forma, nem um minuto sequer da vida do crente, pode ser vivido para outro que não para aquele que é o dono da nossa vida.
Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si mesmo. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos e se morremos para o Senhor morremos, quer pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor (Romanos 14.7-8).
Há outros aspectos de inteireza apontados no texto, dos quais destacamos alguns:
a)    A palavra holocausto – indica a queima total das partes do sacrifício, exceto o que era imundo;
b)    Sete dias – a totalidade do siclo semanal, que era um conceito temporal muito importante para os judeus, isto é, eles sabiam que todos os dias precisavam de vida com Deus.
Do dia oitavo em diante – aqui, o profeta está falando de algo importante aqueles homens e mulheres, que aguardavam voltar para sua terra e desejavam a restauração. Esta expressão liga o compromisso de se consagrar a Deus com a idei de continuidade da aliança.
Isto aponta para a percepção de que Deus deseja uma continua realidade de comunhão com os seus filhos. Isto precisa estar na sua mira vivencial! Precisa fazer parte da sua ambição de vida e assumir protagonismo em seus planos.
A atitude de fidelidade a Deus é vista em nossa constância. Pelo profeta Oséias Yahweh acusou seu povo de ter um amor passageiro, pouco apegado à constância:
Que te farei, ó Efraim? Que ter farei, ó Jacó? Porque o vosso amor é a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa (Os 6.4).
Se a constância na fé, a perseverança e cotidiana busca de Deus há uma profunda fenda na sua vida e a qualquer momento ela poderá te arrebentar. Você precisa buscar na cotidianidade da relação com Deus um completo relacionamento com Ele. Portanto, isto não é só falta de maturidade e não é um problema menor de falta de tempo, mas pode ser um sinal grave de uma grande enfermidade espiritual que pode se alastrar.
Deus está interessado em que sua relação com ele seja VERDADEIRA E PERMANENTE.

Deus Está Interessado Em Nos Dar Um Relacionamento Verdadeiro, Permanente e Permeado de Uma Profunda Paz
Tendo eles cumprido estes dias, será que, ao oitavo dia, dali em diante, prepararão os sacerdotes sobre o altar os vossos holocaustos e as vossas ofertas pacíficas; e eu vos serei propicio, diz o Senhor Deus. (Ezequiel 43.27).
Precisamos compreender o objetivo final de Deus. Ele não deseja ser atendido, não é esse o seu objetivo, não é isso que motiva o Senhor. Deus deseja nos SER PROPICIO. Isto é, Deus deseja estar com seu rosto voltado para nós e ter um relacionamento de paz conosco. O apóstolo Paulo escreveu sobre este conceito em Romanos 5.1:
Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 5.1).
Holocaustos e ofertas pacíficas – estes dois atos de sacrifício apontam para a queima total pelos pecados e a manutenção de nossa vida cotidiana, como já tratamos antes. Mas eles apontam também para um relacionamento de aceitação da parte de Deus. Deus não somente nos assiste realizar atos e julga se estão corretos, ele está interessado em recebe-los e se alegra nisto.
Eu vos serei propício – isto indica a intenção de Deus de ser favorável em nos receber, por meio do cumprimento das leis do altar. Isto é, Deus deseja que acertemos o caminho, porque deseja nos receber em sua casa. O caminho é Cristo e o altar é a cruz, mas precisamos nos preparar para andar neste caminho e para carregar a cruz e as suas marcas.
A propiciação era o alvo principal do sacrifício e do próprio altar, da Lareira e do derramar do sangue. Tudo o que Deus objetivava ao dar ao profeta esta visão não era a reconstrução do Templo, mas a restauração desta relação de paz entre ele e o seu povo.
Todo o texto foi estruturado para mostrar a Ezequiel e a todo o povo de Deus que eles precisavam grandemente focar nesta relação com Deus. O problema em geral que os levou ao exílio é que eles buscavam uma paz falsa,  baseada na força do homem, quando so reis fizeram aliança com Egito e não confiaram no Senhor. Agora, entretanto, quando Deus retirou deles este orgulho e esta presunção egocentrada, ele lhes promete ser o Senhor e fazê-los andar na sua lei. Deus trabalhará para nos libertar de nós mesmos e nos tornar seus filhos absolutamente seus...
Livrar-vos-ei de todas as vossas imundícias, farei vir o trigo, e o multiplicarei, e não trarei fomo sobre vós. Multiplicarei o fruto das árvores e a novidade do campo, para que jamais recebais o opróbrio da fome entre as nações. Entao, vos lembrareis dos vossos maus caminhos e dos vossos feitos que não foram bons; tereis nojo de v´so mesmos por causa das vossas iniquidades e das vossas abominações. Não é por amor de vós, fique bem entendio, que eu faço isto, diz o Senhor Deus. Envergonhai-vos e confundi-vos por causa dos vossos caminhos, ó casa de Israel. Assim diz o Senhor Deus: No dia em que eu vos purificar de todas as vossas iniauidades, então, farei que sejam habitadas as cidades e sejam edificados os lugares desetor.  (...) Como um rebanho de santos, o rebanho de Jerusalém nas suas festas fixas, assim as cidades desertas se encherão de rebanhos de homens, e  saberão que eu sou o Senhor (Ez 36.29-38).
Este é o mundo que Deus deseja nos dar, cheio de shalom, completamente harmônico e repleto de pessoas que amam o Senhor, este é o foco de sua vida com Deus, busque isto como um ideal.

Conclusão
Esta é o propósito desta visão: A RESTAURAÇÃO DA NOSSA VIDA ÍNTIMA COM DEUS, EM VERDADE, CONTINUIDADE E PAZ. Veja a descrição da bem aventurança que Deus deseja nos dar em Ezequiel 47.6 a 12.
A beleza desta visão é a restauração que Deus deseja fazer na nossa vida. Precisamos de uma atitude positiva em relação a isto e precisamos nos lembrar das regras de pureza e dedicação do altar.
Recupere urgentemente o seu amor por Deus, aplicando à sua vida de relacionamento com ele estes três princípios: Submissão à vontade dele; contidianidade e alvo.
Busque desenvolver uma vida com Deus que lhe permita realizar tudo com uma clara atenção para o que realmente agrada a Deus ou não; tente agilizar sua vida diária para incluir nela, mais do que leitura bíblica e oração, mas um compromisso de promover a glória de Deus em tudo e sempre; por fim, não se esqueça de que você não existe apenas para si, mas para fazer parte de algo grande, de um mundo shalomico da paz de Cristo, que um dia voltará justamente para consolidar estas coisas.



3 de dezembro de 2017

Ezequiel 43.10-17

SEGUNDO A MEDIDA DE DEUS
Ezequiel 43.10-17

Introdução
O profeta Ezequiel viveu em um tempo bastante difícil da história do povo de Israel, o exílio babilônico. A principal mensagem da sua profecia está ligada ao tema da “glória de Jehovah” que havia abandonado o templo (Ez 10.18-20). Esta visão foi a mais terrível que o sacerdote Ezequiel poderia ter tido, porque ela indicava o mais alto grau de repúdio que Deus tinha para como os pecados do seu povo, deixa-lo.
O mais significativo do exílio babilônico, portanto, não foi o fato de serem deportados para uma terra estranha, mas o saberem que o seu Deus deixado o lugar onde se revelava vazio. O Templo não somente foi destruído, mas tornado completamente sem sentido e isto indicava que o próprio povo de Israel era um povo vazio, uma videira estéril e inútil (Ez 15.1-8).
A segunda parte da profecia de Ezequiel, apontava para essa desolação e isso está principalmente ilustrada no capítulo 37, na visão do “Vale de Ossos Secos”. Deus quer que seu povo reconheça esse vazio e este sentimento de completa impotência que a falta de Deus provoca em nossa vida. Neste ponto a profecia sofre uma mudança de foco e caminha guiada por uma pergunta: “Filho do homem, acaso, poderão reviver estes ossos?” (Ez 37.3).
A partir do capítulo 40, vinte anos após o início do exílio, o profeta tem uma visão da “Restauração do Templo” e indica um tempo em que a comunhão entre Deus e o seu povo seria completamente renovada. Uma descrição detalhada das formas e medidas do templo foram dadas ao profeta até chegar ao ápice da profecia: “A glória do Senhor entrou no templo, pela porta que olha para o oriente (...) e eis que a glória do Senhor enchia o templo” (Ez 43.4-5).
O ponto central desta visão era o altar do sacrifício. O lugar onde o nome do Senhor era principalmente honrado com o seu povo, por meio da entrega completa do mais puro sacrifício. Um detalhe deve ser destacado aqui: as medidas do altar.  As medidas do altar dadas por Deus eram o padrão e a régua pela qual a vida do seu povo devia ser medida: “Tu, pois, ó filho do homem, mostra à casa de Israel este templo, para que ela se envergonhe de suas iniquidades, e meça o modelo (...) Esta é a lei do templo (...) todo o seu termo ao redor será santíssimo” (Ez 43.1012).

A Nossa Relação Com Deus é Balizada Segundo o Padrão de Deus e Não o Nosso
Tu, pois, ó filho do homem, mostra à casa de Israel este templo, para que ela se envergonhe das suas iniquidades; e meça o modelo (Ezequiel 43.10).
Meus irmãos estamos com o profeta Ezequiel olhando para dentro do interior do Templo, do lugar do relacionamento de Deus com o seu povo. Agora, estamos olhando para o centro desta relação, o lugar do grande holocausto, o lugar do sacrifício o altar interior, o grande lugar onde a oferta que entregamos a Deus atinge o ponto culminante do significado do nosso relacionamento com Deus.
O que temos diante de nós é uma descrição do altar interno, mas devemos pensar além da ideia de uma descrição de uma construção, para um símbolo do relacionamento de Yaweh com seus filhos, uma ilustração do que Deus espera de nós.
Aqui, neste verso 10, destacamos especialmente o fato de que Deus quer que Israel saiba qual é o seu projeto e que o siga. Porque o relacionamento que Yahweh quer ter com seus filhos não pode ser baseado na estética de seus filhos, mas no seu padrão.
Tu, pois, o filho do homem, mostra à casa de Israel este templo – Beith Habbayti – Templo – Literalmente, lugar da convivência, lugar onde a família mora ou CASA DA MORADA, casa do relacionamento. O profeta é convocado a tornar exposta a vontade de Yahweh  e o padrão desta morada. Claro que Deus não está preocupado com tamanho físico do templo, aliás, jamais esteve, Deus usou a construção templo e todo os seus detalhamentos sempre como uma ilustração da sua vontade para a vida do seu povo.
Para que ela se envergonhe de suas iniquidades – o templo era uma construção que tinha por finalidade expor, em sua arquitetura, a polaridade díspare entre a “santidade de Deus” e a “pecaminosidade humana”. Asafe percebe a santidade de Deus e a pecaminosidade do homem no salmo 73, quando ele atenta para a verdade quando é impactado pela construção do templo.
Em só refletir para compreender isso, achei mui pesada tarefa para mim; até que entrei no santuário de Deus e atinei com o fim deles (Sl 73.16-17).
 Deus precisa que atentemos para a grandiosidade da sua santidade, se queremos que nosso relacionamento com ele seja perfeito. Precisamos balizar nosso relacionamento com Deus pela santidade dele e não pela nossa própria percepção de pureza. Porque a pureza de Deus é absoluta e a sua simples presença revela nossas contaminações. Como naquelas propagandas de alvejantes, que os autores das propagandas, apresentam uma roupa branca e depois colocam uma alveja com o seu produto e você percebe que aquele branco primeiro, não é tão branco assim! Yahweh está dizendo ao profeta, fala para eles do meu templo para que reflitam sobre sua própria pecaminosidade.
Meça o modelo – de fato, tudo o que precisamos pensar sobre nosso relacionamento com Deus precisa desta profunda reflexão, que tem como medida a própria santidade de Deus. Irmãos, em geral erramos muito, tendo como ponto de partida nós mesmos. Somos tão presunçosos! Somos tão arrogantes!! Quase sempre estamos contentes conosco mesmos e tentamos medir a vida com Deus por bases medíocres de nossa própria santidade. Por isso, é que a Escritura nos acusa de cegueira e nudez.
Pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu (Ap 3.17).
O PROFETA CHAMA O POVO A PENSAR NO SEU RELACIONAMENTO COM DEUS BALIZANDO-O PELAS MEDIDAS DO SENHOR E NÃO PELAS SUAS PRÓPRIAS.

A Nossa Relação Com Deus Estabelece Um Padrão Para  o Modo Como Nos Relacionamos Com Tudo ao Nosso Redor
Envergonhando-se eles de tudo quanto praticaram, faze-lhes saber a planta desta casa e o seu arranjo, as suas saídas, as suas entradas e todas as suas formas; todos os seus estatutos, todos os seus dispositivos e todas as suas leis; escreve isto na sua presença para que observem todas as suas instituições e todos os seus estatutos e os cumpram. Esta é a lei do templo; sobre o cume do monte, todo o seu termo ao redor será santíssimo; eis que esta é a base do altar (Ezequiel 43.11-12).
Nestes versos, ao profeta é proposto uma outra atitude. Veja, no verso 10, eles deveriam tomar a medida de Deus para perceber sua própria pequenez, sua falta diante de Deus, sua carência... Aqui, nos versos 11 e 12, especialmente no 11, a proposta é diferente. Eles deveriam partir de sua percepção e pequenez para uma atitude de adequação.
Envergonhando-se eles de tudo quanto praticaram – (Nicklemu – calam) Serão envergonhados pelo que praticaram e estarão aptos para olhar ao redor. Esta é a expectativa de Yahweh, que seu povo seja conduzido para fora de si, percebendo-se tão sujo e desejem se adequar para servir a Deus. Desta forma, o próximo passo é o conhecimento da expectativa de Yahweh. Por isso, o profeta é conclamado a fazer conhecida a planta do templo.
Faze-lhes saber a planta desta casa – Dar conhecimento da planta, de toda a estrutura, todos os caminhos do templo, como entrar, como sair, o que ele possuir de dispositivos para o seu uso – toda esta linguagem arquitetônica é usada para falar do modo de relacionamento que o Senhor quer desenvolver entre ele e seu povo. Por isso, estas descrições também são dadas como uma “Torah” (Instrução – Lei).
Escreve isto para que observem e cumpram – Esta linguagem é tomada do Pentateuco, do Deuteronômio e do livro de Êxodo e Levítico... Uma linguagem de lei que fornece o padrão para a vida de relacionamento com Yahweh. Irmãos, estamos diante de um texto não de descrição física da construção o templo, mas de um chamado para adequar a vida ao padrão de santidade de Yahweh. A GLÓRIA deixou o templo quando o pecado do povo se agravou, ela agora volta ao templo nos seus termos e não nos termos dos homens.
Esta é a lei do templo todo o seu termo ao redor será santíssimo – Não existe relacionamento com Deus se ele não for estabelecido e balizado pelas medidas de Deus, o sinal de que estamos vivendo com Deus é que estamos dispostos a santificar tudo que está ao nosso redor.
Eis que esta é a lei do templo – nesta repetição, podemos entender que ele esteja então apontando para o assunto que vem a seguir, mas também podemos imaginar que o texto deseja reafirmar que este padrão divino é sério e portanto, faz os leitores, compreenderem a seriedade do que Deus está requerendo.
Tudo ao redor da vida do filho de Yahweh precisa refletir e ser atingido pela santidade do nosso relacionamento com o Pai. Lembre-se de Moisés, todas as vezes que descia do Monte de Deus. Ele resplandecia e as pessoas sequer conseguiam olhar para o seu rosto, porque a glória de Deus era vista fisicamente no brilho que ele carregava deste contato com Yahweh. Obviamente não devemos pensar que a glória de Deus possa ser vista fisicamente nos mesmos termos, mas a glória de Deus precisa ser vista na santidade que permeia a vida do crente e tudo o que está ao seu redor. O modo santo com que nos relacionamos com a vida, em tudo o que fazemos e como vivemos.
Muitas vezes irmãos, a marca que imprimimos na realidade que está ao nosso redor, revela muito mais a nossa pecaminosidade que a glória santa do Deus a quem servimos. Isto é só um sinal de que nosso relacionamento não está sendo vivido nos termos de Deus. Trata-se de uma consequência natural, viva a vida nos termos de Deus e tudo o seu redor será impregnado por isto! Pense muito sobre o que você vê a partir de como você vive, quando não está aqui, onde supostamente sua vida é santa. Pense no que está ao redor e pense sobre o que está no interior do seu coração.

A Nossa Relação Com Deus Exige Uma Elevada Consciência de Entrega Total e Absoluta da Vida a ELE
São estas as medidas do altar, em côvados, sendo o côvado de côvado comum e quatro dedos; a base será de um côvado de altura e um côvado de largura, e a sua borda, em todo o seu contorno, de quadro dedos; está a base do altar. Da base, na linha da terra, até a fiada do fundo, dois côvados, e de largura, um côvado; da fiada pequena até à fiada grande, quatro côvados, e a largura um côvado. A lareira, de quatro côvados de altura; da lareira para cima se projetarão quatro chifres. A lareira terá doze côvados de comprimento e doze de largura, quadrada nos quatro lados. A fiada terá catorze côvados de comprimento e catorze de largura, nos seus quatro lados a borda ao redor dela, de meio côvado e a base ao redor do altar se projetará um côvado. (Ezequiel 43.13-17).
Nesta última parte do texto, encontramos uma narrativa descritiva do altar. Até aqui, ele trabalhou conceitualmente e agora passa a dar uma descrição da sua visão em termos completamente práticos e narrativos. Isso nos confunde um pouco, porque em geral, temos a tendência de considerar que estes textos não têm muita importância, afinal, não vamos construir um altar, nem precisamos mais. Contudo, esta descrição está carregada de significado importante e precisamos encontra-los. Claro que em textos de natureza descritiva que precisam ser interpretados conceitualmente, podemos perder alguma coisa pelo empobrecimento ou o exagero. Vamos, portanto, atentar ao prático e o mais simples.
Côvados e altura – minha principal preocupação não é com a medida em si, como disse, não pretendemos e não precisamos construir este altar, então, não vou entrar no mérito sobre o que é côvado, de côvado comum. Ele está apenas dizendo que a medida era a mais simples que eles conheciam.  O mais importante deve ser visto no fato de que a construção do altar deve receber um especial destaque, porque se trata de algo que deve ficar elevado e centralizado.
Esta construção está em destaque na arquitetura do prédio, ela nasce do chão e se eleva à quatro côvados de altura. Ela é observada como algo importante, especial que deve chamar a atenção. Esta construção central na entrada do templo é um ponto de passagem que não pode passar despercebido, isto é o que texto indica descritivamente. Esta é a intenção desta obra e de sua descrição.
Uma lareira para o sacrifício – Neste altar, chama-se a atenção para o fato de que em destaque está a função de lareira do altar e não tanto para a função de lugar da morte do animal. Lembrando que o animal sacrificado era oferecido a seguir em holocausto, isto é, a oferta era totalmente queimada. Ariel – isto é – Lareira de Deus, ou o Altar de Deus. Nesta descrição, o que Yahweh primordialmente coloca em destaque é a entrega total de seu povo a ele próprio.
O texto descritivo da Lareira do Sacrifício aponta para a necessidade de um relacionamento centralizado na entrega completa da vida a Deus. O profeta está nos conduzindo a pensar sobre o fato de que somos filhos de Deus porque pertencemos a Ele. No Novo Testamento, este entendimento se tornou ainda mais profundo pelo ensino de que Deus nos comprou para si mesmo pelo derramamento do SANGUE DO CORDEIRO. Afinal, todas as sombras que Ezequiel e Moisés descreveram sobre o templos, apontavam para um verdadeiro templo, feito não de pedras e argamassa, mas de vidas compradas pelo sangue de Jesus. Veja a união destes conceitos em 1 Coríntios 6.19-20:
Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo (1Co 6.20).
Isso me faz pensar no sermão que ouvimos a semana passada, baseado em Romanos 12.1-2 – Ofereceis o vosso corpo por sacrifício, vivo, santo e agradável a Deus.
ESTE É O PONTO, em sua visão, Deus conduz Ezequiel a percorrer os caminhos da volta da sua glória ao templo e diz que esta glória repousa sobre o relacionamento santo que ele quer ter com o seu povo, segundo o seu padrão santo e impregnando tudo ao redor por esta santidade. Mas isto, deve ser considerado a prioridade total, baseada em uma entrega total da nossa vida.
NÃO PERTENCEMOS A NÓS MESMOS, MAS SOMOS DELE E VIVEMOS PARA ELE.

Conclusão
Não sei o quanto você consegue perceber a seriedade do que chamamos de VIDA COM DEUS e o quanto isto exige compromisso de nós. Infelizmente, nossa medida de vida com Deus, quase sempre é baseada em nossas percepções e intenções pessoais, quando deveriam ser norteadas pelas instruções de Deus primordialmente.
Você precisa estar mais disposto a OUVIR AS PRESCIÇÕES DE DEUS em lugar de ficar tentando impor a Deus as suas vontades, pequenas, egocentradas e sujas na maior parte do templo. ESTA É A LEI DO TEMPLO, está a LEI QUE COORDENA A VIDA DE QUEM PERTENCE A DEUS.
Os seus degraus olharão para o oriente – Note, porém como é que o texto termina. Eles apontam para o Oriente e o que isto significa? Bem, no capítulo 10, foi na direção do oriente que a GLÓRIA DE DEUS DEIXOU O TEMPLO, no capitulo 40, é PELO ORIENTE É QUE A GLÓRIA RETORNA AO TEMPLO. O lado oriente, em si, nada significa, senão que aqui no texto aponta para os atos de Yahweh, isto é, tudo caminha, segundo a vontade de Yahweh.
Mas o Oriente tem um valor profético e escatológico importante na Escritura: Jesus vem do Oriente. Todas as promessa do Messias, dizem que ele viria do Oriente.
DO EGITO (ORIENTE) CHAMEI MEU FILHO – Kadim – É O lugar de onde vem a Salvação. Você e eu não conseguimos ser este altar de entrega, de santidade, de influencia, sem Cristo, por isso, o ALTAR E SEUS DEGRAUS SÓ PODEM APONTAR PARA CRISTO, NOSSO ORIENTE.
Não há verdadeiro relacionamento com Deus se as medidas que usamos para nos regular não forem as de Deus. Se você insiste em viver segundo o seu padrão, o que você colherá é que sua vida não será percebida no altar de Deus, ele não a receberá como um sacrifício. As medidas do altar são de Deus, assim, também as medidas do verdadeiro templo do Espírito Santo, que é a vida do crente, assim, o Senhor nos será propício (Ez 43.27).