23 de fevereiro de 2020

1 Pedro 2.9-10

Os Deveres do Povo de Deus
1 Pedro 2.9-10

Introdução
Apenas dois versos de transição na carta, mas de uma imensa profundidade. Aqui, Pedro sai da definição de quem somos para o ponto importante do que iremos fazer a partir daí. 
Note que a construção do primeiro capítulo vai muito na direção de construir uma mentalidade que nos estimule a pensar que em Cristo somos filhos de Deus, que devem viver em obediência para a glória de Deus e edificação de um testemunho neste mundo do Reino: A IGREJA.
Se você olhar para os textos que seguirão  após o verso 10, você verá que eles tratam da vida prática entre os homens ímpios, no nosso lar, na sociedade como um todo, mesmo quando ela te persegue, procurando manter o bom exemplo de Cristo neste mundo e ajudando uns aos outros nas lutas que seguem com a vida. A carta termina de uma forma maravilhosa falando sobre o pastorado do exemplo entre os filhos de Deus e os conselhos sobre resistir aos dias maus e ao maligno. 
Voltando aos nossos dois versículos, eles irão tratar exatamente destas duas janelas do entendimento do Cristianismo: QUEM SOMOS E O QUE DEVEMOS FAZER. Em minha leitura, eu identifico que Pedro considerou que a falta de CONSCIÊNCIA da IDENTIDADE CRISTÃ é um fator importante para o fracasso de muitos crentes na caminhada com Cristo. Também, ao que me parece, ele percebeu que muitos CRENTES NÃO VIVEM PARA DEUS E DESISTEM DA CAMINHADA, porque não compreenderam que NÃO CAMINHAM, NÃO VIVEM PARA SI, MAS PARA FAZER A VONTADE DAQUELE QUE OS CHAMOU. Por fim, parece ser muito duro, mas é importante ouvir, Pedro parece ACUSAR OS CRENTES DE DESPREZAR A GRAÇA, quando não vivem o que precisam VIVER PARA AQUELE QUE OS COMPROU COM SEU PRÓPRIO SANGUE.
Nesta manhã este é o desafio diante do espelho da Palavra de Deus: ENXERGAR QUEM SOMOS, DEFINIR NOSSO MISSÃO NO MUNDO  e CONSIDERAR O VIVER PELA GRAÇA COMO UM DEVER. Não cumprir os nossos deveres é ser ingrato e um perdido no mundo.  

Como Povo de Deus Temos o Dever de Saber Quem Somos Para Deus

Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus (1Pe 2.9a)

Pedro acabara de definir a vida cristã de muitas formas. Logo no início: ELEITOS SEGUNDO A PRESCIÊNCIA DE DEUS. O que implica em uma visão muito importante sobre os propósitos de Deus. Homens e mulheres destinados a receber uma imarcescível herança nos céus, para o que, devemos resistir perseverantemente enquanto aguardamos a sua chegada. Devemos viver como filhos da obediência, porque somos definidos pela natureza do nosso Pai Santo e devemos construir uma irmandade de fé, como um edifício de Pedras vivas, que se purificam na Palavra. 
Pedro, agora, fecha essa sessão, nos proporcionando uma reflexão que nos levará a pensar sobre tudo isto em quatro qualidades que precisam penetrar a nossa mente e nos fazer conhecer de fato quem nós somos.
Vós, porém sois raça eleita – enquanto muitos tropeçam na Palavra, que e Cristo, a Pedra Angular (1Pe 2.8), nós fomos amados e chamados por Deus para compromissos de obediência que vão além do nosso querer. Ele está nos dizendo que, enquanto muitos caminham neste mundo sem Cristo, sem obedecer a Deus, nós fomos chamados e escolhidos para viver em obediência à Palavra de Deus. 
Essa escolha divina nos responsabiliza, afinal, se o Criador de tudo nos escolheu, quem somos nós para dizer que não o queremos? Que não aceitamos a sua escolha? Que temos mais o que fazer, que temos outras prioridades, que temos outros compromissos? Você já parou para pensar no tamanho da ofensa que fosse faz a Deus quando se permite viver assim, a despeito do caminho de Deus. 
Seu dever e o meu é honrar esse chamado e humildemente seguir a vontade soberana do Senhor. 
Vós, porém, sois sacerdócio real – temos um dever para com este mundo enquanto cristãos e o dever de ser uma nação sacerdotal. Aqueles, por causa de quem, o Rei mantém a sua misericórdia e aqueles que intercedem pelo mundo e pelas causas daqueles que estão no mundo, diante de Deus. Somos testemunhas do Reino de Cristo e aqueles que suplicam dia e noite para que este reino e sua vontade seja feita na terra como é no céu. Aqueles que choram pelo pecado do povo, como Daniel o fez, que confessam pecados da humanidade, com dor no coração, ao saber do juízo de Deus. 
O sacerdócio dos crentes é mais que um privilégio pessoal é um dever. Você tem este dever para com a sua família! Temos este dever para com nossos amigos, crentes e descrentes! Temos este dever para com a cidade na qual o Senhor nos colocou. Precisamos ser tais quais aqueles que se sacrificam diante de Deus pelo povo. Nosso compromisso com Deus, abençoa a nação na qual vivemos! Não podemos nos esquecer!!
Vós porém, sóis nação santa – fomos chamados à pureza, à santificação... porque estas são as únicas maneiras de cumprir o nosso dever. Deus não nos receberá como sacerdotes sem que nossas vestes estejam limpas, purificadas no sangue de Cristo. O Evangelho é pregado melhor, quando nossa vida ilustra o que estamos dizendo ao mundo. Com um evangelho pobre, sem a vida do crente, não cumpriremos nosso dever neste mundo e falharemos em resgatar vidas para Cristo. 
Vós, porém, sois povo de propriedade exclusiva de Deus – ninguém mais pode tomar nossa vida e usá-la, nem nós mesmos. Aqui há duas coisas importantes: A EXCLUSIVIDADE E A EXCLUSIVIDADE DA COLETIVIDADE. Precisamos pensar seriamente nas duas coisas. Precisamos considerar que nossa vida como POVO DE DEUS, nos faz partícipes da vida um do outro. Somos um edifício de pedras viventes, cuja vida vem de Cristo e pertence a Ele. Precisamos considerar que este é o nosso chamado prioritário, isto é, nossa missão neste mundo é VIVERMOS EM COLETIVIDADE PARA DEUS, PORQUE PERTENCEMOS A ELE. Você não somente pode ver a si mesmo como FILHO DE DEUS, deve ver isso no seu irmão e sem ele você não é completo. Você não pode, jamais, colaborar para que ELE CAIA! Para que ELE FRACASSE! ISSO NÃO É O CORPO, ISSO NÃO É O POVO DE DEUS. Quem fizer isto se ajustará com o próprio Deus: UM REINO DIVIDIDO NÃO PODE SUBSISTIR.   
Precisamos, portanto, saber QUEM SOMOS EM CRISTO! Precisamos que tal consciência nos habilite a pensar a vida num patamar diferente. Precisamos de humildade para seguirmos juntos neste propósito de dar realidade a tudo o que Cristo fez por nós na CRUZ. 

Como Povo de Deus Temos o Dever de Saber o Que Deus Quer Que Façamos Neste Mundo

A fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (1Pe 2.8b).
Existe um ditado que diz que “para quem não sabe aonde vai, qualquer caminho é bom”... acho que podemos pensar sobre isso no que diz respeito a vida cristã: QUEM NÃO SABE O QUE DEVE FAZER PARA CRISTO, QUALQUER VIDA CRISTÃ SERVE. Este tem sido o erro de muitos, que não conseguem ter o discernimento do propósito do povo de Deus no mundo. 
A fim de – senso de finalidade é fundamental para o nosso crescimento na fé e o desenvolvimento de um envolvimento com a obra de Deus pró ativo e definitivo. Talvez sua falta de entusiasmo com coisas da fé, não seja mesmo pelos motivos que o seu coração alega, como “falta de tempo”, “inabilidades”, “problemas com a igreja” etc; para pensar que seu problema com a falta de disposição com as coisas do Reino de Deus pode estar na sua FALTA DE SENSO DE FINALIDADE... você nem sabe o que é ser e para que ser um cristão. 
Proclamar as virtudes daquele que vos chamou – em primeiro lugar pensemos no desvio comum de pessoas que acreditam que o seu cristianismo é só um modo de mostrar aos outros suas próprias qualidades. Buscam a Deus muito mais para provar para si mesmos e para outras pessoas o quanto possuem a espiritualidade. O que revelamos em nossa caminhada cristã, quando ela é verdadeira, o quanto Deus é Santo, Justo e Bom... as virtudes dele é que são ressaltadas. 
Vos chamou das trevas para a luz -   Precisamos também considerar, quanto a isso, o fato de que proclamamos estas virtudes não somente com palavras, mas com o nosso viver. AS virtudes de Deus aparecem ao mundo, ilustradas na nossa maneira peculiar de viver na presença de Deus. Para Pedro a vida cristã revela exatamente a luz em que estamos inseridos por causa de Cristo. O nosso modo peculiar de vida diante de Deus mostrará a todos que, enquanto o mundo jaz em trevas, a maldade cresce entre os homens, no reino de Deus, na Igreja que é o Corpo de Cristo, a luz se espalha e se torna uma marca fundamental.
Crentes precisam saber que foram postos neste mundo para mostrar ao mundo a face visível do Reino de Cristo. Precisamos revisitar este nosso senso de finalidade e dizer a nós mesmos que DESEJAMOS QUE CRISTO SEJA VISTO EM NÓS, que as virtudes de Deus apontem para o Cristo em nós. O Evangelho é a vida de Cristo na vida do Crente.  

Como Povo de Deus Temos o Dever de Conhecer o Que é Viver Por Causa da Graça

Vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia (1Pe 2.9). 

Pedro encerra essa transição na sua carta com um apelo ao coração dos crentes, ao seu sistema interno de justiça. Ele os convoca a considerarem o fato de que a GRAÇA DE DEUS E SUA MISERICÓRDIA SÃO AS CAUSAS DE NÃO SERMOS DESTRUÍDOS. 
Pedro convocava seus leitores e Deus nos convoca a pensar com profunidade sobre o fato de que TUDO O QUE SOMOS, SOMOS PORQUE ELE NOS AMOU E DEU SEU FILHO EM NOSSO LUGAR E POR QUE CRISTO NÃO NEGOU A SUA PRÓPRIA VIDA PARA QUE NÓS TIVÉSSEMOS A NOSSA VIDA. 
Vós sim – aqui ele reforça que somos nós, os que somos raça eleita, sacerdócio real, a nação santa, o povo de propriedade exclusiva de Deus; nós temos essa responsabilidade, a de lembrar que tudo isto que somos tem uma fonte. 
Não éreis povo, mas agora sois povo de Deus – o estado da nossa relação com Deus foi complemente mudado. Agora somos povo de Deus, porque ele nos chamou das trevas para a luz. Ele nos fez seu povo, ele nos deu essa graça.
Não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia – Nesta frase paralela à anterior se destaca o principal ponto: A MISERICÓRDIA, que é uma expressão do amor de Deus, da sua maravilhosa graça. Este é o ponto de Pedro: RECONHECER A GRAÇA É O FUNDAMENTO DA NOSSA JORNADA. 
Precisamos aprender a vida de gratidão, que é a vida na graça. O crente não vive para Deus para alcançar nada, mas por usa profunda consciência de que a GRAÇA DE DEUS é a vida. A TUA GRAÇA É MELHOR QUE A VIDA!!!
A falta desta gratidão pela graça destrói a fé, destrói a alegria cristã, impede a caminhada e nos leva a vidas vazias diante de Deus. Nos leva à desejar comida dos porcos, como uma coisa boa. O filho volta para a casa do Pai e a maior lição que ele aprende é que tudo o que tinha e que ainda tem é a fruto do AMOR GRACIOSO DO PAI. 
Não sou digno de ser chamado teu filho! Mas não importa, você é meu filho, diz o Pai!  


Conclusão

Quem não sabe aonde está indo e o que irá fazer, pode fazer qualquer viagem para fazer qualquer coisa. A sua vida cristã não pode continuar seguindo assim! Você não pode ser o assassino do seu chamado em Cristo! 
Estar em Cristo não é uma segurança estática, que apenas me confere um título de cidadão do reino dos céus para aguardar a vinda de Cristo. Estar em Cristo, implica em viver a vida que Cristo quer que eu viva. Deixar de viver para Cristo é viver para mim e viver para mim é morrer para Cristo. Basta lembrarmos das palavras dele:
Quem quiser, pois,  salvar a sua vida, perdê-la-á; e quem perder a sua vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á! (Mc 8.35). 
Palavras que combinam muito bem com os dias de Pedro e combinam muito bem com os nossos dias. Precisamos tomar decisões e elas nos levarão a confrontar a nós mesmos muitas vezes, mas precisamos nos dispor a assumir QUEM SOMOS, O QUE VIEMOS FAZER E O FAREMOS POR GRATIDÃO ÀQUELE QUE DEU A VIDA POR NÓS. 




16 de fevereiro de 2020

Marcos 3.13-19

A Identidade do Discípulo de Cristo
Marcos 3.13-19


Introdução
Marcos precisava mostrar aos cristãos de seu tempo as origens daquele grande movimento que mudara o Império e impactara a realidade das cidades da Ásia Menor, da Macedônia e a própria Cidade de Roma. Ele está disposto a mostrar que a força do Evangelho não estava nos discípulos, mas no Filho de Deus, que era o centro de toda a obra da Igreja de Cristo.
Neste trecho ele relata como Cristo escolheu aqueles doze homens, dos quais se dizia que transtornaram o mundo. Quem eram? Não eram super homens, não eram os mais fantásticos trabalhadores e estavam todos sujeitos à queda, ao fracasso... Mas, Cristo estava com aqueles homens.
Nem sempre o que vemos hoje é a convicção do discipulado. Muita gente pensa que a obra de Cristo será feita pelos grandes luminares, pelos mais capazes, pelos poderosos pastores, que arrebanham milhares de ovelhas em seus ministérios. A obra de Jesus Cristo na terra não está atrelada ao poder da Igreja ao poder dos ministros, mas ao próprio Cristo que pode de uma fagulha iluminar o universo inteiro. 
Precisamos reconhecer o nosso chamado e partir para viver este chamado e corajosamente operar para a glória de Cristo. Sem dúvida, ele não só irá nos levantar, mas também nos ensinar, exortar e estará conosco nesta caminhada.
Que o Senhor envie discípulos Identificados com Cristo para esta seara que precisa ser cultivada... Deus envie seus trabalhadores! 


Discípulo é Alguém Que Aprende o Agir Espiritual Com o Próprio Jesus Cristo 

Depois, subiu ao monte e chamou os que ele mesmo quis, e vieram para junto dele. Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar e exercer autoridade de expelir demônios (Marcos 3.13-15)
Depois subiu ao monte e chamou os que ele mesmo quis – o discipulado jamais será o resultado de uma obra humana bem feita, o discípulo nasce da vontade e do coração de Deus, de Jesus. Marcos usa a expressão “subiu ao monte” não com uma ideia mística de um lugar especial, mas para mostrar o costume antigo, dos diversos mestres e até mesmo os filósofos andarilhos faziam isto: subiam ao monte para dar solenidade a um ato de ensino, para mostrar a importância do momento. Jesus Cristo está fazendo o mesmo e Marcos está nos dizendo: CHEGOU UMA HORA SOLENE! CRISTO JESUS ESTÁ CHAMANDO OS SEUS DISCÍPULOS. 
O dia da nossa profissão de fé, o dia da nossa conversão, o dia em que decidimos que nossa vida tomará o rumo do Reino de Deus, este é um dia SOLENE, é o dia do nosso chamado é o dia do NOSSO DISCÍPULADO.
Ele fez isso aos que ele mesmo quis chamar. Sua vida, como um discípulos, é um resultado da vontade de Deus. Portanto, não lute contra isso, não se desvie disto e não despreze este chamado.
E vieram para junto dele – o primeiro passo de um discípulo não é ir ao mundo fazer a obra do seu mestre, mas é sair do mundo para ir na direção do seu mestre. Ele precisa saber o que irá fazer no mundo, antes de ir até lá. Ele precisa da autoridade do Mestre para fazer a obra que o Mestre lhe der. Por isso, Marcos nos mostra que esse foi o primeiro passo que aqueles homens deram, eles foram até Jesus. 
O discípulo é alguém que está disposto a aprender de Cristo o que fazer. Ele não simplesmente sai fazendo a obra do Senhor, ele o faz, segundo a vontade do Senhor, segundo a orientação do sEnhor. Ele aprende com o Senhor o que fazer. Essa é a sua qualificação, sua credencial, sua identidade com Cristo.
Então designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar e expelir demônios – Nem todos que subiram aquele monte foram designados, nem todos seguiram para o passo seguinte. Agora, estes doze, os que de fato iriam viver mais perto dele, iriam aprender com ele e receber autoridade para espalhar a mensagem do Reino a todo o mundo. Eles tinham a autoridade para pregar, expelir demônios, o que indica o poder espiritual que envolve o discipulado cristão. 
O discípulo é alguém que anda com Cristo e com ele aprende o agir espiritual. Em todos os sentidos! Não se fixem na ideia do expelir demônio, mas pensem que toda a vida espiritual é uma constante luta contra as trevas, contra o mal. Contra os principados e potestades. Portanto, quando vivemos com Cristo estamos na batalha contra o Maligno o tempo todo. Essa é a nossa identidade esse é o nosso serviço em nome de Cristo. 

Discípulo é Alguém Que Vem a Cristo Como Está Para Ser Transformado

Eis os doze que designou: Simão, a quem acrescentou o nome Pedro. Tiago, filho de Zebedeu, e João seu irmão, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer: filhos do trovão; André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Zelote e Judas Iscariotes (Marcos 3.16-19a). 

O curioso desta lista de doze nomes é que não existe entre eles nenhum fora de série. Nenhum que fosse conhecido por alguma coisa boa que tivesse inventado, ou mostrado a todos. Eram apenas, homens comuns! 
Pedro, Tiago e João – Estes três terão um protagonismo maior no ministério de Jesus, em muitas oportunidades eles foram aqueles que experimentaram momentos decisivos com Jesus, como a transfiguração e como o momento do Getsemani, quando foram chamados a estar ainda mais perto de Jesus. 
No entanto, estes três pescadores, sócios nos barcos de suas famílias. Não foram chamados por nada que haviam feito antes. Aqui, neste momento, eles são apenas aqueles pescadores que conheceram Jesus em um dia de discurso. 
Simão – a quem deu o nome de Pedro – Aquele que ouve, foi chamado de “pedra pequena”. Tiago e João, chamados de Filhos do Trovão, o que pode simplesmente indicar o que viriam a ser depois. Seja como for, apesar do destaque dado a estes três primeiros nomes, o que temos aqui não é nenhuma qualidade formidável, apenas a normalidade de pessoas comuns.  
André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Zelote e Judas Iscariotes -  quem foram estes homens antes deste momento? Homens comuns. A obra de Jesus não seria realizada pela capacidade destes homens, mas pelo Espírito de Deus que iria agir em suas vidas. 
Estes homens simples e comuns vieram a Jesus para serem transformados. Eles vieram como estavam, eles vieram imediatamente, o que era um mote do chamado dos primeiros discípulos e viram Deus agindo na sua vida. 
O discípulo de Cristo é alguém que vem a Cristo para ser transformado, para receber suas ferramentas para a obra. Eles não vêm a Cristo apresentando as suas qualidades para serem usadas, mas vêm como estão para serem treinados e equipados. 
O que faz a diferença não é o quanto trazemos para dentro do Reino, mas o quanto estamos dispostos a ser guiados por Cristo no Reino. O que faz a diferença não é tudo o que você sabe, mas tudo o que você está disposto a aprender. O discípulo é sempre alguém em busca de ser transformado.

Discípulo é Alguém Que Cuida de Sua Fé Para Não se Desviar

Judas Iscariotes, que foi quem o traiu (Marcos 3.19). 

Aqui, Marcos tem algo a nos dizer que nos serve de alerta. Judas Iscariores não é alguém que tivesse qualquer coisa que pudéssemos dizer dele que haveria realmente a chance de dar qualquer problema. Irmãos, os doze não viram nenhum problema dele se tornar o cuidador da bolsa, do dinheiro que se levantava para que pudessem seguir Jesus. 
Um dos doze - Marcos, no capítulo 14.10, tem isso em sua mente, quando diz que ele seria o traidor. Como neste próprio verso 19. Ele era um dos doze. 
Foi quem o traiu – Infelizmente, este é o ponto que precisamos destacar aqui. O traidor pode ser qualquer um, o coração do traidor engana ao próprio traidor. Judas, se amargurou depois de ter traído o Mestre. Seu coração se revelou a ele mesmo. 
Ele estava entre os doze, mas ele não era um filho de Deus, mas como a Escritura diz: ERA O FILHO DA PERDIÇÃO.
O discípulo é alguém que cuida da sua fé para não se desviar. Ele busca se aproximar de Jesus, aprender o viver espiritual com Cristo, ele não confia em si mesmo e ele não sede espaço para o Maligno na sua vida.
Ele traiu Jesus – Este é o ponto mais importante a pensar. Quando você não cuida da sua fé, o risco que corre não é apenas o de não dar certo na fé, mas o perigo de trair o Senhor da Glória. 
Você precisa considerar que a vida Cristã não é algo que damos apenas conta às pessoas que nos cercam. De fato, damos conta da nossa vida a Cristo Jesus, o Senhor da Glória. 
O Senhor espera dos seus discípulos que sejam encontrados fiéis. O discípulo de Jesus cuida de sua relação com Cristo e vigia o seu coração para que ele não o engane. 

Conclusão

Precisamos deste movimento na direção de Cristo para aprender com ele O AGIR ESPIRITUAL. Ele deve ser a fonte da nossa vontade, da nossa vida, das nossas prioridades, das nossas preferências. Ele deve ser o motivo que nos leva ao agir. 
Precisamos nos esvaziar de todo! Precisamos, como a semente, morrer para poder frutificar. Precisamos nos aproximar dele e buscar dele nossa força, nossa vida, nossas capacitações. 
Precisamos guardar o nosso coração, nossa fé e cultivar nossa proximidade com ele para que jamais o vendamos no mercado das opções deste mundo. 
Esperamos ser discípulos com identidade em Cristo Jesus! Esperamos nos tornar servos que serão aqueles que irão ao mundo mostrar Cristo e não nós mesmos. 

1 Pedro 2.1-8

Como se Faz a Construção de Uma Casa Espiritual
1 Pedro 2.1-8

Introdução
Um dos motivos para Pedro chamar estes crentes à reflexão sobre a construção da Igreja como uma casa espiritual está centrado no fato de que muitos crentes estavam perdendo essa dimensão da existência em Cristo. Naqueles dias, muitos haviam deixado sua vida transitar por outros caminhos, perdendo o foco da verdadeira vida cristã e o seu propósito neste mundo. 
Quando a perseguição veio e a busca de outros interesses tomaram conta do coração dos irmãos, a Igreja falhou na construção de uma relação viva com Deus. Este deve ser um ponto de preocupação para todos nós hoje: o fato de que é muito fácil viver como se estivesse vivo, mas estando morto. Infelizmente, este tipo de vida cristã enganosa e empobrecida não é um raridade, ao contrário, é bastante possível que hoje aqui, muitos que tenham uma reputação cristã ilibada, tenham um Cristianismo morto e sem Cristo, sem vida, sem amor, sem propósito. 
Perder o propósito existencial é perder a própria vida! Você precisa refletir sobre sua vida nesta manhã e necessita continuar a construção de sua vida com Deus. Neste texto, podemos ver alguns passos para essa construção espiritual e você, hoje, pode começar este grande projeto de construção e ou reforma da sua vida.  

Para Construir Uma Casa Espiritual 
Limpe Bem o Terreno 

Despojando-vos, portanto, de toda a maldade e dolo, hipocrisia e invejas e de toda sorte de maledicências, desejai ardentemente, como crianças recém nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para a salvação, se é que já tendes a experiência de que o Senhor é bondoso (1Pe 2.1-3)

Quando você entra em um terreno para começar uma construção, a primeira coisa que você providencia é a limpeza deste terreno. Começar a construção com um terreno cheio de lixo, entulho e coisas que sirvam de obstáculos à construção é um passo para erros e atrasos desastrosos. 
Despojando-vos, portanto – Pedro já vinha falando com a Igreja sobre a purificação da alma pela obediência, sobre a nova vida que carregavam e que precisavam manifestar neste mundo, eles deveriam viver de acordo com o Evangelho que receberam. Para isso, PORTANTO, eles precisavam “despojar-se”, um movimento de renovação pessoal. Ele percebe que os crentes estavam sobrecarregados de empecilhos à sua fé e este era o problema que os levara a fracassar na jornada e desistir de construir, ou construir pela metade. 
Maldade e dolo – hipocrisia, invejas e maledicências – como a continuidade do texto irá nos mostrar, eles se mantinham infantis na sua fé e por isso, mantinham-se incapazes de cumprir o propósito a que estavam destinados. Eram crentes que não interferiam na realidade do mundo ao redor, ao contrário, o mundo ao redor interferia na sua vida. Pedro identifica que as coisas que estavam atrapalhando a igreja eram definidas por movimentos de destruição dos outros. Maldade e dolo – eles não conseguiam ver nos outros companheiros de luta, mas adversários. Crentes que não conseguiam se alegrar no crescimento do outro e que não pensavam nisto, mas buscavam a destruição, com um coração desejo do mal do outro, maldade proposital (dolo). Invejas, hipocrisias, maledicências – estas palavras definiam ou mostravam o tipo de problema que havia se instalado na experiência cristã deles. Não eram movidos por amor, mas por inveja. Não tratavam com a transparência, mas com hipocrisias e não se estimulavam às boas obras, mas queriam destruir as reputações dos outros. 
Desejai ardentemente o leite espiritual genuíno – as crianças recém nascidas buscam no leite da mãe alegria, e satisfação de suas necessidades mais básicas. Pedro contrasta o lixo que os atrapalha crescer, com um desejo de crescimento.Este era o estimulo que precisavam: DESEJAR CRESCER ESPIRITUALMENTE. Você precisa disto, você precisa do genuíno leite espiritual para poder crescer. 
Para que vos seja dado o crescimento – o lixo atrapalha a Igreja, o lixo inibe e distorce a nossa construção. Ela não se levanta, não anda. Precisamos pensar muito sério sobre isto! Precisamos lidar com isso em nossa igreja e precisamos urgentemente DESEJAR ARDENTEMENTE este CRESCIMENTO. Precisamos arrancar todo lixo que nos atrapalhe, quer esteja ele visível ou não.   
Você precisa saber identificar isso! Você precisa olhar para os seus próprios olhos antes de olhar para os olhos dos outros. Precisamos descobrir o que está nos impedindo de crescer na vida com Deus, o que está atrapalhando você de ir em frente e nos ajudar a ir frente. 
O primeiro passo para essa construção é uma profunda limpeza e essa limpeza exige honestidade com Deus e coragem. Esse é o passo inicial e decisivo, sem isso, sua construção espiritual será torta e falida. 

Para Construir Uma Casa Espiritual 
Lance o Alicerce Certo

Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeita, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também, vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. Pois isso está na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo alguém, envergonhado (1Pe 2.4-6).
Chegando-vos para ele – a pedra que vive – Muita gente que deseja construir na sua vida uma casa espiritual erra, quando procura as bases erradas para sua construção. Apegam-se a tradições vazias da vida cristã, rótulos que nada podem construir senão enganos na mente. Outros, se apegam a prazeres pessoais, escolhem ministérios que lhes agradam e tornam aquilo o todo da sua vida cristã. Pedro, busca orientar os crentes a se aproximarem de Cristo, quanto ele for o fundamento da sua fé, da sua atividade, do seu entusiasmo, da sua disponibilidade, então, todo o mas será facilmente encaixado na sua construção. Cristo como fundamento da sua construção lhe dará vida, porque Ele é a pedra que vive e que dá vida.
Rejeitada pelos homens – eleita e preciosa para Deus – os que estão na vida cristã cogitando as coisas dos homens, mais cedo ou mais tarde, irão rejeitar a Cristo. Pedro sabia muito bem sobre isso, pois quando tentou impedir e dissuadir o Mestre de ir à cruz ouviu uma sonora repreensão: ARREDA SATANAS, PORQUE COGITAS DAS COISAS DOS HOMENS E NÃO AS DE DEUS! 
Enquanto você seguir cogitando as coisas dos homens, certamente permitirá sua vida manter fria e cheia de entulho. Uma casa espiritual precisa do alicerce correto, precisa ter em Jesus o único fundamento e motivação. 
Vós mesmos casa espiritual – precisamos desejar espelhar o nosso próprio alicerce, precisamos almejar que vejam Cristo em nós e espalhar a fragrância dele e não a nossa pelo mundo. O que você precisa para que sua relação com Deus seja uma casa espiritual, o que precisamos para que nossa igreja seja uma casa espiritual é ter em mente que enquanto deixamos a Igreja fracassar, porque não colaboramos com ela, deixamos também de revelar ao mundo quem Ele é. Nós somos a amostra do alicerce! 
Sacerdócio que oferece sacrifícios agradáveis – Pedro está dizendo aos crentes que enquanto eles não empreendem a caminhada de ter Cristo como alicerce, eles não conseguem oferecer a Deus o que é agradável. Eles precisam aprender a renunciar a própria glória para mostrar a de Cristo. Essa é uma lição que precisamos aprender e praticar. 
Você não pode se omitir nisto, para que sua vida não esteja apoiada em algo falso e perigoso. Um dia, virão as chuvas e o seu alicerce é o que te segurará, se este alicerce for Cristo. Mas se o seu alicerce é outro, sua vida desmoronará e não será possível restaurar sua casa, senão com muitos ferimentos e rachaduras importantes. 
Está escrito – esta é a pedra angular – A Escritura é o projeto que determina o ponto de partida e o controle de toda a obra. Você precisa ser mais cuidadoso com isso. Infelizmente, há muita negligência e a muito cristianismo sem palavra. Muito pragmatismo cristão e muito auto convencimento que afasta pessoas de Cristo e dos que são de Cristo. 

Para Construir Uma Casa Espiritual
VOCÊ PRECISA CONSTRUIR PENSANDO QUE ELA É A CASA QUE PERTENCE A DEUS

Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade; mas, para os descrentes: A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular e; Pedra de tropeço e rocha de ofensa, sendo desobedientes, para o que também foram postos (1Pe 2.7-8). 

Não podemos nos esquecer de que a Igreja é a portadora da BOA NOVA, o EVANGELHO. Ela é quem apresenta ao mundo o Evangelho, pois foi a única a recebe-lo e o EVANGELHO É CRISTO EM NÓS.
Toda carne é como a erva e toda a sua glória como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor; a palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada (1Pe 1.24-25). 
O Evangelho é a nossa MISSÃO! Portanto, não podemos perder o senso do propósito de ser a IGREJA, o Edifício Espiritual, construído sobre o alicerce que é CRISTO. Não podemos permitir que essa construção esteja cheia de entulhos e lixo. Não podemos, porque esse prédio que foi construído é CASA DE DEUS e serve aos seus propósito curadores e de juízo neste mundo. 
Pedra que os construtores rejeitaram – principal pedra angular – Pedro está lembrando a Igreja tudo o que havia acontecido com os judeus, que rejeitaram a Palavra de Deus, que rejeitaram a sua missão e que não fizeram de Cristo o seu alicerce. Eles tentaram construir um relacionamento com Deus sem a base sólida na Rocha que é Cristo. Buscaram construir isso a partir de si mesmos, de suas próprias ideias de retidão etc. Eles rejeitaram a Pedra. No entando, sua construção visivelmente estava sendo acusada de erro, porque a Pedra Angular que é Cristo revelava seus desvios, revelava a imprecisão de sua vida com Deus.
Pedra de tropeço e Rocha de ofensa – Eles caíram por causa do seu erro e da sua rejeição, Cristo os acusava, a santidade do Senhor revela a pecaminosidade do homem. Não pense que isto será diferente com você, que rejeita o Caminho de Cristo, que se permite um Evangelho de rótulos, mas sem Cristo, que vive das aparências e não da Verdade. 
Estes, os desobedientes tropeçam – devemos lembrar que este tema é importante para Pedro, no verso 14, do capítulo primeiro, ele os havia chamado de “FILHOS DA OBEDIÊNCIA” e mais à frente, no verso 22 ele diz textualmente: TENDO PURIFICADO A VOSSA ALMA, PELA VOSSA OBEDIÊNCIA. 
Meus irmãos, o que será daqueles que, disfarçadamente DESOBEDECEM? Daqueles que desejam parecer obedientes, mas no final de tudo, fazem apenas o que querem e não que o Cristo ordena. Aqueles que dizem que morreriam por Cristo, mas no final, buscam seus interesses dizendo: NÃO O CONHEÇO?
Não se esqueça que Cristo não os protegerá das tempestades, nem das inundações, nem dos ventos e muito menos do DIA DO JULGAMENTO. Ele não receberá aqueles que apenas parecera TRIGO, mas no fim de tudo eram JOIO. 
UMA CASA ESPIRITUAL PRECISA MOSTRAR A TODOS A QUEM ELA PERTENCE, quem é o SEU DONO E PRECISA CUMPRIR ESTE PROPÓSITO. 

Conclusão

Você pode sair hoje por estas portas e decidir que vai dar continuidade à sua vida, mesmo sabendo que muito do que tem construído é só PALHA, FENO E COISAS QUE IRÃO PASSAR. Aparências, reputações, elogios humanos etc não podem te dar a Eternidade de Viver com Cristo a ROCHA ETERNA. 
Mas hoje você pode começar a buscar a Deus de verdade! Arrepende-te e retoma a vida com Deus. Não discuta com o Senhor, apenas ouça o seu conselho e siga na direção que Ele te dá. Ajuste sua construção. 
Hoje ainda limpe o terreno, tire o lixo que te atrapalha, as mágoas, as invejas, a hipocrisia, a revolta contra os outros. Hoje ainda trace um novo projeto para sua vida e ASSUMA A PALAVRA DE CRISTO, O PRÓPRIO CRISTO COMO O SEU ALICERCE, SEU MOTIVO, SUA RAZÃO DE FAZER A VIDA BRILHAR NESTE MUNDO. 
Não se esqueça de que SUA VIDA É TAMBÉM A MORADA DE DEUS! Essa casa deve servir a Ele. Sendo ele o PROPRIETÁRIO DA CASA, ela tem de estar compatível com Ele. ESSE É O SEU DEVER: TER UMA VIDA QUE REVELE QUE VOCÊ PERTENCE A DEUS. 
Como Igreja Presbiteriana do Tatuapé PRECISAMOS DE IRMÃOS E IRMÃS QUE ESTEJAM DISPOSTOS A VIVER PARA ELE. Precisamos nos estimular ao CRESCIMENTO, à SANTIDADE, ao EVANGELHO. Precisamos lutar contra tudo o que destrói a nossa CASA, que é CASA DE DEUS. Não nos deixemos guiar por qualquer outra coisa, nem percamos o ALVO! 
SOMOS A CASA ESPIRITUAL, QUE VIVE EM CRISTO JESUS! 

9 de fevereiro de 2020

Marcos 2.23-28

Cristo é o Sentido da Fé
Marcos 2.23-28

Introdução
Na perícope anterior, vimos a respeito da verdadeira espiritualidade, quando Jesus respondeu às acusações dizendo que estando o noivo presente não é necessário fazer jejum, mas regozijarem-se. A presença de Cristo é a alegria da espiritualidade humana. No texto diante de nós hoje, o tema da verdadeira espiritualidade volta à tona, agora, porém, em um assunto aparentemente mais profundo: o sábado.  
O tema do sábado é um ponto de honra da espiritualidade judaica e de outros grupos ainda até os dias de hoje. Mas eles não compreenderam a Lei, nem mesmo a Lei do Sábado, cujo supremo propósito é nos levar a Cristo. 
Paulo nos diz que a Lei é o aio, o pedagogo, que nos leva a Cristo. Jesus advertiu os fariseus dizendo: 
Examinais as Escrituras por que julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. Contudo não quereis vir a mim para terdes vida (João 5.39-40).
Este ponto precisa ser importante para nós também. Muitas vezes, usamos a vida cristã, usamos a vida na igreja, usamos nosso conhecimento das Escrituras para lidar com estas coisas sem Cristo, sem que estas coisas nos apontem o caminho que leva a Cristo. 
O sentido da fé é Cristo, isto é, o fé deve nos levar a Cristo. A direção para onde nossa fé deve apontar é a direção de Cristo Jesus, de nos levar a Ele. Se nossa fé não é Cristocêntrica não é fé bíblica. Se nossa fé aponta apenas par ao caminho dos rituais da religiosidade não é a fé bíblica, mas uma proposta demoníaca de amor a nós mesmos e a nossos interesses. Quando crescermos neste ponto mudaremos tudo na nossa vida. 
Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. SE, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disseo, nem mintais contra a verdade. Esta não é sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca (Tiago 3.13-15).
Este é o ponto que precisamos avaliar bem enquanto construímos nossa relação com a fé. A fé não se justifica em nós, em nossas perspectivas, mas em Cristo e na perspectiva de que nossa vida cresça, naquele que deu a vida por nós. Ele é a razão da fé, sua direção e sentido.

Cristo é o Sentido de Todo o Trabalho Que Supre as Necessidades

Ora, aconteceu atravessar Jesus, em dia de sábado, as searas, e os discípulos, a passarem, colhiam espigas. Advertiram-no os fariseus: Vê! Por que fazem o que não é lícito aos sábados? (Marcos 2.23-24)
O ponto deste trecho é nos mostrar que os fariseus tinham uma ideia equivocada da Lei, no sentido de que eles não conseguiram perceber que as Escrituras sempre nos desejaram nos levar a Cristo. Cristo sempre será a finalidade das Escrituras, porque Cristo é o Redentor de toda a vida humana. AS necessidades dos homens devem ser vistas à luz da centralidade de Cristo Jesus. 
Atravessar Jesus em dia de sábado as searas – Jesus caminha com seus discípulos em um dia de sábado. Os discípulos, estavam caminhando com aquele que é o Senhor do sábado, o noivo com eles não são chamados ao jejum, mas sim à alegria e ao desfrute. Jesus dava sentido maior àquele momento.
Os discípulos colhiam espigas – os discípulos, para permanecerem com Cristo deixaram com que suas necessidades básicas fossem centradas na presença de Cristo e este é o ponto mais importante do que este ato significou. Eles não estavam buscando afrontar os fariseus ou mesmo à sua consciência, mas eles buscavam suprir necessidades, enquanto estavam com Cristo.
Advertiram os fariseus – o que não é lícito aos sábados – Os fariseus estavam certos no que leram na Lei, mas a Lei não possui sentido em si mesma, ela não deve nos levar somente à ela. A Lei de Deus nos leva a Cristo, a justiça de Deus, o amor de Deus, o próprio Deus.
Precisamos compreender que nossa vida e nossas necessidades mais básicas precisam estar em conexão com o nosso amor a Cristo. Tudo o que acontece conosco e ao nosso redor deve nos levar a experimentar Cristo Jesus. A verdadeira espiritualidade é Cristo. 

Cristo é o Sentido de Todos os Atos de Adoração 

Mas ele lhes respondeu: Nunca lestes o que fez Davi, quando se viu em necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros? Como entrou na Casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu os pães da proposição, os quais não é licito comer, senão aos sacerdotes, e deu também aos que estavam com ele? (Marcos 2.25-26). 

Nunca lestes o que fez Davi – Jesus conclama aqueles fariseus a considerarem a própria lei que tinham em tão grande apreço e que lhes parecia ser o ponto para sua arguição. Ele lhes pergunta sobre como interpretavam este episódio de Davi. 
Como entrou na Casa de Deus no tempo do sumo sacerdote Abiatar – a figura de Abiatar era reverenciada pela linhagem sacerdotal de Ahimeleque e como é considerados fiéis nos dias de Davi. Abiatar que era um dos sobreviventes dos ataques contra a casa sacerdotal. Jesus está convocando os fariseus a se debruçarem sobre a própria lei e a se humilharem diante dela. Como vocês lêem esta passagem, ela não está a serviço dos seus interesses, mas aos interesses de Deus. A Casa de Deus foi violada por Davi? Davi era o homem segundo o coração de Deus.  
Davi deu aos que estavam com ele – Naquele dia, os pães da proposição, não estavam ali senão para mostrar que Deus cuida do seu povo e foi exatamente isto que Davi propôs aos seus soldados. Amados irmãos, precisamos considerar que os elementos de nossa adoração só possuem sentido, quando ele nos levam realmente a Jesus. 
Em nossos dias há muita adoração antropocêntrica, centrada nos interesses do homem e servindo aos seus propósitos. Não estou falando somente das novas liturgias, mas também, muitas vezes, liturgias mais tradicionais são um fim em si mesmas. Muitas vezes, desejamos reforçar somente nossa personalidade na adoração: a liturgia que eu gosto, a música que eu prefiro, o instrumento que mais eu gosto... muitas vezes nos esquecemos de que todas estas coisas são servas de Cristo e devem nos levar a Cristo.  

Cristo é o Sentido de Toda a Criação

E acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado  (Marcos 2.27-28). 

O sábado foi estabelecido por causa do homem – O sábado não é somente um elemento da liturgia, o dia de descanso não é apenas um tempo para os atos litúrgicos formais, quer do judaísmo, quer do cristianismo. O sábado é um elemento do perfeito equilíbrio da criação. O dia de descanso foi estabelecido na criação para o bem do homem, para que ele encontre todo o equilíbrio e este equilíbrio está na busca de seu Deus.
O sábado era para que o homem tenha a busca da sua semana apontada para Deus. Contudo, os fariseus não conseguiram compreender o seu verdadeiro significado. Estava ali Jesus, o Filho de Deus, o Deus encarnado, e eles queriam usar o sábado para acusa-lo e não para busca-lo
O Filho do Homem é senhor do sábado – Jesus é o Senhor do sábado, Jesus é aquele para quem o sábado aponta. A estrutura da criação existe para nos conduzir a Cristo. Toda a realidade aponta para ele! Ele é o centro de toda a realidade.   

1 Pedro 1.22-25 (em construção)

A Obediência Que Purifica a Alma
1 Pedro 1.22-25

Introdução
Pedro está construindo um longo argumento para que a Igreja compreenda o seu dever de vida santa neste mundo, em consonância com o seu chamado para ser de Deus, de quem, cada um de nós, pedras da Igreja somos filhos. 
Tendo purificado vossa alma pela obediência – essa é a expressão que controla a passagem e o argumento de Pedro nestes versos. Ele está claramente em uma conexão com os versos 14 a 16, nos quais ele qualifica os crentes como “filhos da obediência”, os quais se tornam santos em todo o procedimento, promovendo a glória de Deus, o Pai, que é santo.
Portanto, o que Pedro está fazendo é conceituando aos crentes que a vida cristã exige a obediência como método para que andemos neste mundo como filhos de Deus, que não envergonham o Pai e dão provas de valorizam o sacrifício de Cristo. Desta forma, Pedro também os conclama à vida cristã, que estão rejeitando, ou na qual estão falhando, devido às dificuldades próprias da vida. 
Obediência à verdade – a questão aqui é que Pedro é muito objetivo sobre o critério da obediência ou o padrão a ser seguido, isto é, a verdade. A obediência à verdade é posta aqui como um desafio para crentes que estão deixando de seguir a verdade, por causa dos problemas que sofrem. Eles são convocados a obedecer à doutrina que receberam, à Palavra que lhe foi pregada com fidelidade pelos apóstolos e pelo próprio Senhor Jesus Cristo. Eles não podem deixar de considerar o fato de que: Se o que creram é a verdade, há uma só possibilidade: obediência.
Neste contexto de desejo de ver o povo andando com Deus e vivendo com coragem o Evangelho de Cristo, que Pedro lhes escreve, procurando encorajá-los, fazendo-os pensar, as implicações da obediência e o seu poder de purificar a nossa alma e nos fazer andar neste mundo para Deus, vencendo todos os obstáculos.
A atitude mais correta diante de texto é a humilde entrega de toda a nossa disposição para buscar na verdade do evangelho um compromisso que nos faça pessoas diferentes das demais, que simplesmente vivem. Nós buscamos viver para Deus! Essa é a nossa busca, por isso, purificamos nossa alma pela obediência à verdade. 

O Obediência à Verdade Purifica a Alma Porque o Seu Resultado é Um Coração Que Sabe Amar ao Irmão

Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente (1Pe 1.22)

Tendo em vista o amor fraternal não fingido – A alma humana, por causa do pecado, carrega um enorme peso, uma enorme luta contínua. Podemos notar isso, quando atentamos para os sentimentos que nos transtornam e dificultam a nossa vida. Note, como é difícil mantermos o nosso coração sempre pronto a amar. NO que diz respeito ao ódio e amargura, podemos dizer claramente, que ninguém precisa nos pedir duas vezes. O que nos falta? OBEDIÊNCIA À VERDADE.
Caim e seu semblante, Caim e sua ira (Gn 4.7-8). 
O amor fraternal é como a obediência se torna visível, se torna sensível, se torna tangível. O amor fraternal, segundo Pedro, não é aquele que manipulamos, para parecer que amamos, ele é não fingido (anipókritos).   
Amai-vos de coração uns aos outros – Para que isto aconteça, este amor deve emergir do coração, deve receber reciprocidade, deve saber dar e receber
Amai-vos ardentemente – Este amor precisa ser com uma intencionalidade, na busca de fazer o outro se elevar. Deve-se empreender uma atitude positiva na construção deste amor, desta marca, desta entrega a Deus. 


A Obediência à Verdade Purifica a Alma Porque Ela Deriva de Uma Nova Vida Que Nasce da Palavra Viva de Deus

Pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente  (1Pe 1.23). 
Pois fostes regenerados não de semente corruptível – 
Mas de incorruptível –
Mediante a palavra de Deus a qual vive e é permanente -  

A Obediência à Verdade Purifica a Alma Porque Ela Provoca em Nosso Coração a Segurança Eterna do Evangelho

Pois toda carne é como erva, e toda a sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor; a palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada (1Pe 1.24-25). 

Toda carne, erva, flor seca e perde a glória – 
A palavra do Senhor permanece eternamente - 
O Evangelho é Cristo - 


Conclusão

Você pode seguir em frente, pode decidir que esse não é o seu chamado e continuar a viver sem o compromisso de vida que Deus lhe faz em Cristo Jesus. Mas o Evangelho que lhe alcançou não será honrado, Jesus não brilhará na sua vida e, muito possivelmente, você demonstrará que não pertenceu a Ele, que nunca foi, de fato filho da obediência, filho do Pai Santo. 
Mas, você pode, considerar atentamente o fim da obra do Evangelho na sua vida. Cristo deu a vida para que você vivesse “novidade de vida”, fosse vida em um mundo de morte, por meio de sua vida obediente. Sua obediência à verdade é capaz de purificar sua alma, levar ao seu mundo interior uma paz profunda, perfeita, completa. A sua obediência à verdade pode resultar em alguém que marque o mundo deixando um aroma de vida onde passa. 
Sua obediência à verdade, sua alma purificada, precisa que você ame mais, sirva mais, saia do comodismo, do egoísmo, no qual você se prendeu, o qual você ama mais que a Cristo na sua vida, a ponto de pensar em si mesmo, mais que na própria obra de amor que se faz entre os irmãos de Cristo. 
Essa obediência mostrará que sua nova vida veio do lugar certo, nasceu de uma fonte incorruptível, que não morre, que não passa, não esmorece... Você insistirá em continuar vivo diante de Deus e dos homens. 
Por fim, você espalhará aroma de vida, porque você está pronto para compartilhar CRISTO, o EVANGELHO. Você está pronto para mostrar ao mundo a BOA NOVA da NOVA VIDA, que primeiramente atingiu a sua vida. Seus filhos, não importa quão duros sejam os seus corações, verão vida em você, verão Cristo em você e isto os incomodará. Assim como incomodará o mundo, quando virem em nós, na Igreja que vivemos por algo muito maior, mais belo e melhor.