17 de dezembro de 2010

Salmo 110



A palavra “messias”, originária da termo hebraico “mashiac”, tornou-se um vocábulo que define a ideia de “salvação” ou “redenção”. No meio político, é utilizada para apontar para algum tipo de governo com propostas extremamente “ilusórias”, portanto é usada no sentido pejorativo, como por exemplo: “O Governo de Hugo Chaves tem uma proposta messiânica para a Venezuela” -  assim, o Jornal Estado de São Paulo definiu o idealismo da República Bolivariana pretendida pelo presidente do país vizinho (01 de agosto de 2009).
O motivo dessa palavra ser usada nesse sentido pejorativo é que, no mundo em que vivemos, dificilmente se crê que possam ocorrer mudanças que transformem o mundo num lugar bom para se viver, onde a justiça nos conduza realmente à paz, e o amor seja a marca única dos relacionamentos entre os homens e destes com Deus.
No entanto, dentro da Escritura, o termo “mashiac”, que significa simplesmente “ungido”, aponta uma figura régia que viria ao mundo para assumir o posto de governante universal de toda a Criação. O trabalho desse “messias” (cristos - no grego) era trazer a justiça de Deus e estabelecer um governo de retidão, que levaria os seus súditos à plena paz. Isaías 11 nos oferece uma visão bíblica do que é o mundo, debaixo do governo eternal do Messias. E no capítulo 9, literalmente diz: “...para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim, sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre” (Isaías 9.7).
Portanto, o Messias Bíblico estabelecerá o seu governo, de maneira que poderá trazer sobre todos os seus súditos, a mais perfeita e duradoura paz. Mas, o que torna o “Messias Bíblico” diferente dos tantos outros “messias” que saem pelo mundo afora prometendo um mundo melhor?
A resposta está naquilo que a Escritura descreve como sendo o fundamento desse Reino Messiânico, ou seja, o poder que o assiste para essa transformação do mundo. Leia o Salmo 110 e você perceberá que o governo do Messias Bíblico é estabelecido pelo poder supremo de Deus, o Pai. Por maior que sejam as forças contrárias, Ele sobreviverá e passará na torrente de cabeça erguida.
Mas, quem é este Messias Bíblico? Aquele que nasceu numa pobre manjedoura em Belém. Ele é o Rei!


15 de dezembro de 2010

Salmo 22

Sentir-se Amparado Por Deus

Foco da Nossa Condição Decaída
Os crentes sempre lutam para manter suas convicções sobre o amparo que Deus lhes proporciona. Davi, o rei de Israel, lutou com isso inúmeras vezes, mas aprendeu a dominar a sua alma e seus pensamentos para que sempre encontrasse o amparo do Senhor. Lutar contra o desânimo é uma proposta para sua fé, pois o desânimo é fruto de uma visão distorcida da obra efetiva de Deus. Assim, o texto nos convoca do desânimo ao louvor, da desilusão à esperança, do pranto ao riso e à satisfação de servir a Deus com alegria. 

Introdução
O salmo 22 é um trecho longo para apenas um sermão. Seria interessante, quem sabe, dividi-lo em ao menos quatro partes para que pudéssemos explorar com maior detalhamento o seu ensino. Entretanto, hoje pretendo expor o texto de uma maneira global, fugindo de alguns detalhes que são importantes, mas que podem ser explorados noutra ocasião.
O próprio Rei Davi, neste salmo sensivelmente messiânico, nos proporciona algumas respostas ao seu clamor inicial, o mesmo que do alto da Cruz Jesus bradou ao seu Pai: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
Iremos buscar essa resposta nalgumas frases que produzem o contraste direto entre o sofrimento pelo desamparo e a esperança na Aliança Eterna de Deus. Portanto, daremos alguns saltos no texto, sem fugir totalmente das descrições produzidas nos entremeios dessas afirmações contrastantes.

A Origem do Sofrimento do Desamparo (vs 1 e 2)

Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acham longe de minha salvação as palavras de meu bramido?
Deus meu, clamo de dia, e não me respondes; também de noite, porém não tenho sossego.

Quais são as razões mais evidentes para que Davi se sinta desamparado por Deus? Certamente, não era nenhuma novidade para Davi ter inimigos, ele que era um homem de guerra. Não estava, com certeza, acovardado por causa da quantidade e a qualidade dos seus inimigos. Temos razões de sobra para compreender que esse não era o problema de Davi. Mas, então, porque clama tão desesperadamente e questiona Deus sobre o seu desamparo?

Nestes dois versos, temos uma expressão que emoldura todo o pensamento do salmo: “Deus meu”. Isso indicava um relacionamento pessoal intenso entre Davi e Deus. Ele estava acostumado à uma comunhão plena com o Pai, mas agora, por algum motivo, suas orações sofreram algum agravo diante de Deus, elas pareciam não ser respondidas.
O problema de Davi não se encontrava no fato de que as coisas não estavam saindo do jeito que ele planejara, mas na constatação de que sua ligação intensa com Deus havia sofrido algum abalo e parecia não mais existir aquele relacionamento íntimo e profundo.
A relação pactual entre Jehovah e seu servo parecia ter sofrido alguma mudança e Davi, pelo que o próprio salmo irá denotar, sentia-se culpado. Ele sentia o desamparo de Deus pelo simples fato de sua alma não sentir mais a proximidade de Deus.
Um grito como esse, na boca de um homem que nunca teve intimidade com Deus sai em termos de reclamação e murmúrio: Deus, por que não me amparas? Mas na boca de algum que sabe o que é viver em aliança com Deus é um clamor: Deus meu, Deus meu, eu quero de volta o amparo que tu sempre me deste!

Infelizmente, as pessoas não sentem que sua ligação com Deus está frágil. Preferem se agarrar à percepções falhas, como por exemplo: eu fui à igreja esta semana! Este mês eu dei o meu dízimo! Este ano cumpri todas as minhas tarefas! Etc... Mas quem disse que essas coisas são tudo o que Deus requer dos seus e quem disse que isso é que é relacionamento com o Pai?
Deus quer que você se mantenha vivo na sua Palavra, você tenha prazer na Lei do Senhor. Deus deseja que você tenha prazer na oração, que venha ao lugar de encontro com Ele e tenha o seu coração cheio de gratidão por estar simplesmente ali, falando com o seu Pai. Deus quer que ao servirmos ao Senhor na Igreja, servindo aos nossos irmãos, o façamos com alegria! Essa é a vida abundante que o Senhor tem para nos dar no nosso relacionamento pactual, não essa vergonhosa hipocrisia em que muitos gemem espiritualmente e não podem sequer manter uma rotina breve de orações diárias.
A causa principal por que Davi clama pelo amparo de Deus é que ele está acostumado a sentir próxima a presença do Seu Senhor e, agora, por algum motivo, ele está percebendo algo estranho nesse relacionamento.


Encontre o Amparo de Deus na História de Jehovah com Seu Povo (vs 3 a 8)

Contudo, tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel.

Nossos pais confiaram em ti; confiaram, e os livraste.
A ti clamaram e se livraram; confiaram em ti e não foram confundidos.

A palavra contrastante aqui é “contudo” e o rei destaca que Israel sempre foi glorificado nos louvores de Israel, depois ele introduz a história do seu povo para justificar os louvores que Israel lhe dava.
A santidade de Deus é o ponto de Davi. Deus era tão santo que não poderia contemplar a maldade diante dos seus olhos, muito menos a maldade que faziam ao seu povo. Por isso, ele os socorreu e foi santificado nos louvores de Israel.
Por isso, Davi exalta que Deus lhes foi fiel ao clamor. Quem sabe, ele também se voltará ao seu clamor. Entrentanto, Davi demonstra que ele, pessoalmente, está longe de ser merecedor desse socorro, não sente a altura dos patriarcas, dos juízes, de Josué etc.

Mas eu sou verme e não homem; opróbrio dos homens e desprezado do povo.
Todos os que me vêem zombam de mim; afrouxam os lábios e meneiam a cabeça: Confiou no SENHOR! Livre-o ele; salve-o, pois nele tem prazer.

Assim, apesar de a história de seu povo ser um fato que ele pode se socorrer dela para confiar na Aliança de Deus. Davi nos mostra que é necessário que algo em nós seja transformado. Daí ele passa para um ponto de contraste mais pessoal.


Encontre o Amparo de Deus na Sua História Pessoal Com Deus
(vs 9 a 18)

Contudo, tu és quem me fez nascer; e me preservaste, estando eu ainda ao seio de minha mãe.
A ti me entreguei desde o meu nascimento; desde o ventre de minha mãe, tu és meu Deus. Não te distancies de mim, porque a tribulação está próxima, e não há quem me acuda.

Muitos touros me cercam, fortes touros de Basã me rodeiam. Contra mim abrem a boca, como faz o leão que despedaça e ruge. Derramei-me como água, e todos os meus ossos se desconjuntaram; meu coração fez-se como cera, derreteu-se dentro de mim. Secou-se o meu vigor, como um caco de barro, e a língua se me apega ao céu da boca; assim, me deitas no pó da morte. Cães me cercam; uma súcia de malfeitores me rodeia; traspassaram-me as mãos e os pés. Posso contar todos os meus ossos; eles me estão olhando e encarando em mim. Repartem entre si as minhas vestes e sobre a minha túnica deitam sortes.

Em contraste com a palavra anterior na qual Davi se julga um verme, onde ele fala da zombaria e escárnio que sofre, até mesmo por causa do seu relacionamento com Deus, ele evoca o fato de que Deus tem tido um relacionamento pessoal com ele, desde o seu nascimento.
Não somente, Deus o havia trazido à luz, mas era o responsável pela sua preservação. Ele tem um relacionamento pessoal com seu Deus e isto lhe trás à mente disposição para continuar confiando no Seu Senhor.
Ele aborda a idéia de que ele se consagrou a Jehovah e que confiava na salvação exclusivamente vinda de seu seu Senhor. Pois não há, entre os homens, alguém que lhe possa amparar com o seu Deus.
Num segundo momento ele pontua sobre as perseguições ferozes que está sofrendo. Ele está como quem está à mercê de seus inimigos, o seu coração se derreteu dentro dele e agora ele percebe que é necessário encontrar forças. Por isso, passamos ao ponto seguinte.

Encontre o Amparo de Deus Na Comunhão Com os Outros Filhos de Deus
(vs 19 a 27)

Tu, porém, SENHOR, não te afastes de mim; força minha, apressa-te em socorrer-me.
Livra a minha alma da espada, e, das presas do cão, a minha vida.
Salva-me das fauces do leão e dos chifres dos búfalos; sim, tu me respondes.

Muitas vezes, assim como Davi, temos uma dificuldade grande de vencer o desânimo gerado pelas tribulações e precisamos de algo fora de nós para nos fortalecer. NO caso Davi, apontou para Jehovah e determinou-se a confiar no fato de ele é um Deus imutável e seu amor prevalece até sobre as minhas fraquezas.
Davi tinha dificuldade com as suas orações, principalmente porque reconhecia ser alguém de uma fé muito fraca, um verme neste quesito. Entrentato, agora, depois de atentar para a fidelidade de Jehovah e sua santidade, ele pode confiar que suas orações são respondidas.
Jehovah, por aquilo que ele é, e por suas promessas, lhe conferia a certeza de que lhe salvaria de todas essas perseguições. Agora ele pontua sobre o fato de que todos os outros filhos de Deus também seguem no mesmo caminho e, por isso, ele se congrega a eles no louvor de Jehovah.
A meus irmãos declararei o teu nome; cantar-te-ei louvores no meio da congregação; vós que temeis o SENHOR, louvai-o; glorificai-o, vós todos, descendência de Jacó; reverenciai-o, vós todos, posteridade de Israel. Pois não desprezou, nem abominou a dor do aflito, nem ocultou dele o rosto, mas o ouviu, quando lhe gritou por socorro. De ti vem o meu louvor na grande congregação; cumprirei os meus votos na presença dos que o temem. Os sofredores hão de comer e fartar-se; louvarão o SENHOR os que o buscam. Viva para sempre o vosso coração. Lembrar-se-ão do SENHOR e a ele se converterão os confins da terra; perante ele se prostrarão todas as famílias das nações.

Encontre o Amparo de Deus No Fato de Que Governa Todas as Coisa e Tem um Plano Perfeito a Seu Respeito
(vs 28 a 31)

Pois do SENHOR é o reino, é ele quem governa as nações.
Todos os opulentos da terra hão de comer e adorar, e todos os que descem ao pó se prostrarão perante ele, até aquele que não pode preservar a própria vida.
A posteridade o servirá; falar-se-á do Senhor à geração vindoura.
Hão de vir anunciar a justiça dele; ao povo que há de nascer, contarão que foi ele quem o fez.

Na verdade, a grande garantia que temos de que Deus é o nosso amparo é que ele governa todas as coisas segundo o seu querer e, como nos ama incondicionalmente, ele tem projetos que nos levarão à vitória final, não importa quantas sejam as provas que passamos nessa vida, nem o poder dos nossos inimigos, eles estão sob o governo de Deus.
Essa é a razão por que Davi glorifica o Senhor no meio da congregação, pois todas famílias se prostrarão diante dEle, porque Ele é o Rei de todos os Reis. Os opulentos da terra, aqueles que se gabam de sua riqueza ou poder, logo perceberão que suas riquezas e poder nada lhe servirão diante de Deus.
Assim também nós, devemos nos sentir amparados por Deus, pois no dia do Juízo final ele será o nosso abrigo contra a Ira Eterna. Jesus nos protegerá. Confie nos planos do Senhor.
Davi aponta para a posteridade, ou seja, para o futuro e tem uma visão otimista do futuro. Para ele, a vitória do povo de Jehovah alcançará as gerações e os filhos dos seus filhos, louvarão ao Senhor, pois o Senhor é o amparo do seu povo.

4 de dezembro de 2010

Salmo 2

Razões Para Refugiar-se em Cristo

Introdução
A necessidade de um refúgio está diretamente ligada à sua compreensão e ou percepção do perigo que está correndo. A Palavra de Deus faz uma ligação concreta entre o Reinado de Cristo e o Refúgio Seguro. Mas, qual é o perigo que corre alguém que procura refugiar-se em Cristo Jesus?
No Salmo 2, a proposta do salmista é que o Reino do Filho de Deus seja considerado um refúgio e aqueles que se submetem a Ele. Este salmo é um clamor a todos os homens que se refugiem no Cristo de Deus, para que sejam preservados. Mas, preservados do quê?
As pessoas buscam refugiar-se em Cristo com propósitos diferentes, pois possuem percepções diferentes do próprio perigo que correm.  Para alguns, ele é apenas um abrigo das tempestades ocasionais da vida. Estes preferem ler o Salmo 46 e buscarem em Deus uma fortaleza que os livre do inimigo.
Outros buscam o refúgio de Cristo apenas para sentirem o conforto de estarem em um lugar de paz. Estes são aqueles que pensam no refúgio como um lugar onde podem conhecer coisas boas, serem ensinados em um caminho novo, no qual, as estradas são melhor pavimentadas, assim evitaram muitos sobressaltos.
Também há aqueles que buscam em Cristo o refúgio contra os ataques de Satanás. Pois, ao lado de Cristo, poderão evitar cair nas armadilhas do Maligno. Assim, buscam no Filho de Deus a segurança contra os males espirituais.
Há um cem números de motivos para que busquemos refúgio em Cristo Jesus. Todos esses motivos dependem diretamente da percepção que temos do perigo que nos cerca. Mas, o Salmo 2, aponta para um perigo, quase sempre negligenciado pelos refugiados, o perigo da insensatez de ser rebelde contra Deus e cair nas mãos do Deus Vivo e da Ira do Cordeiro.
“Beijai o Filho para que se não irrite e não pereçais no caminho”  - com essas palavras, o salmista completa o pensamento que se iniciou no Salmo 1, quando disse que o caminho dos ímpios é de perdição. O maior inimigo, a estrada mais esburacada, o verdadeiro mal espiritual é a incapacidade de amar a Deus de todo o coração e com isso deixar de refugiar-se nEle. Como você tem buscado refúgio em Deus? Isso diz muito sobre o seu futuro. 


REFUGIE-SE EM CRISTO PORQUE VOCÊ COMPREENDE A INSANIDADE QUE É VIVER  EM REBELDIA EM RELAÇÃO À DEUS


REFUGIE-SE EM CRISTO PORQUE VOCÊ COMPREENDE QUE É INCONTESTÁVEL A SUPREMACIA DO REINO DE DEUS SOBRE TODOS OS PODERES DA TERRA


REFUGIE-SE EM CRISTO PORQUE VOCÊ COMPREENDE QUE A PALAVRA DE DEUS É INFALÍVEL E EXIGE SUA SUBMISSÃO


REFUGIE-SE EM CRISTO PORQUE VOCÊ COMPREENDE QUE A VERDADEIRA FELICIDADE É TEMER A DEUS E AMÁ-LO PARA SEMPRE



17 de novembro de 2010

Davi o Rei da Aliança - Tipo do Grande Rei

O Rei Pastor - O Caráter Agregador do Reinado de Davi

“Jesus, Filho de Davi” - este é um importante título aplicado a Jesus nos dias do novo testamento. Defini-lo como “Filho de Davi” é o equivalente a reconhecê-lo como o Messias prometido, o Cristo, o qual, conforme as profecias, seria um descendente do Rei de Israel.
Davi, o belemita, filho de Jessé, foi o maior dos reis de Israel. Sem dúvida alguma, ele é o tipo messiânico (personagem que apontava simbolicamente para o Messias) que predominou no Velho Testamento durante todo o período profético.
A vida de Davi foi profundamente marcada pelo seu chamado para servir a Deus. Ele tinha intimidade com Jehovah, que lhe fez uma promessa maravilhosa: “Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino” 2 Samuel 7.12. Essa aliança de Deus é conhecida como a “Aliança Davídica”, uma continuidade das alianças da graça desde Gênesis 3.15, Abraão, Moisés e Jacó. Seria essa aliança a que dominaria a mentalidade messiânica de Israel até a chegada definitiva do Messias.
A vida de Davi é uma espécie de ilustração viva da vida do Messias e seu caráter único como pastor-rei aponta diretamente para o reinado de Cristo Jesus sobre todas as coisas. Por isso, quando conhecemos a vida deste homem valoroso, aprendemos muito sobre a natureza do próprio Cristo e sua obra.
Entre algumas das mais importantes características de Davi é que ele carregava em seu ser a personalidade do “pastor de ovelhas”. Mas esse pastor, foi chamado para ser o Rei. Por isso, seu reinado foi marcado pela capacidade de apascentar o seu povo e congregá-lo, sendo eficaz na tarefa de fortificar a Israel como nação e unificá-la como povo de Deus. Sob Davi, Israel era um povo forte, dedicado ao Senhor e extremamente unido.
O caráter teocrático e agregador do reinado de Davi foi um protótipo do reinado eterno de Cristo Jesus. Deus desejava utilizar o reinado de Davi como uma lição pré-anunciada do modo como Jesus Cristo haveria de reinar sobre o povo, que debaixo do seu governo serviria a Deus. Portanto, viver em unidade não é apenas uma recomendação bíblica, mas um dos propósitos fundamentais do reino messiânico.


O Filho de Davi Construirá a Casa de Deus


Por cerca de 400 anos, os descendentes de Davi ocuparam o trono de Jerusalém. Essa foi uma das mais duradouras dinastias de toda a história da humanidade. A relação de Davi e seus descendentes com Deus, esteve intimamente ligada à promessa que o Senhor fez ao Rei: “... farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome e eu estabelecerei para sempre o seu reino” (2 Samuel 7.12 e 13).
Essas são consideradas as palavras centrais da Aliança de Deus com Davi e nelas devemos meditar em três aspectos: o papel central do “descendente de Davi”; a construção da “Casa de Deus” como a grande obra a ser edificada e a consequente eternidade do reino.
Esse texto tem um forte caráter messiânico, apontando, de forma profética, para Jesus Cristo, o Filho de Davi. Por isso, tem sido considerado uma das passagens mais importantes sobre a vinda, a obra e o propósito da encarnação de Cristo. Destaco, para sua meditação, que Jesus veio a este mundo para ser a figura central da História; que o propósito de sua vinda é o estabelecimento da Igreja como  “Casa para Deus”, conforme o  Novo Testamento ensina e que, através da edificação da Igreja, Deus estabelecerá o Reinado de Cristo, que perdurará para sempre.
O mundo, alheio à Revelação Bíblica do Reino de Deus, considera a “Igreja de Cristo” focalizando o seu aspecto religioso. Para o mundo, a “Igreja de Cristo” é meramente mais uma “Instituição Religiosa”, dentro da cena social. Sua importância não tem relevância espiritual, mas somente social. Assim, ela é boa, mas até pode ser substituída se vier a se tornar inconveniente.
Mais inquietante do que isso,  é a percepção que uma boa parte dos próprios cristãos têm sobre a igreja. Eles perderam a visão de que a  “Igreja de Cristo” é a obra central a ser edificada para o estabelecimento completo e eterno do Reino de Deus entre os homens. Ao perder essa visão bíblica da Igreja, o próprio povo de Deus se afastou da vontade do Pai para a sua vida e deixou enfraquecer sua fé, permitindo com  que o mundo prevalecesse sobre  o reino de Deus. Como cidadãos do Reino de Deus, é imperativo que recuperemos a força e a alegria de ser a Igreja de Cristo, bem como que nos movamos para trabalhar efetivamente e  em prol da sua edificação. Isso é o que Deus espera de nós.   

29 de outubro de 2010

O Homem Reformado

Passados 493 anos daquele dia 31 de outubro de 1517, quando o monge Martinho Lutero afixou suas 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg, ainda é pouco conhecido dos brasileiros o que realmente é o movimento reformado, que se espalhou e transformou a Europa no século XVI.
O pouco conhecimento do que foi e como se desenvolveu a Reforma Protestante do séc. XVI, faz com que os cristãos evangélicos brasileiros, até mesmos os presbiterianos, mais diretamente ligados à tradição reformada, se distanciem do que realmente é ser um reformado e esse é um conceito especial que precisamos descobrir como legado da Reforma.  
A Reforma Protestante teve repercussões fundamentais nos conceitos políticos, educacionais e filosóficos de seu tempo, mas uma das principais mudanças ocorridas nesse período, não estava ligada aos reis e suas políticas nacionais, nem às mudanças significativas na religião cristã onde ela chegou. A principal transformação que podemos considerar como influência da Reforma Protestante foi o surgimento do “homem reformado” (conforme definiu o Rev. Dr. Hermisten MP da Costa).
O “homem reformado” é aquele que se volta para a Bíblia como sendo a Palavra de Deus e a considera como a única lente, pela qual a realidade pode ser discernida sem as falhas da interpretação humana. Esse “homem reformado” é Cristão, por excelência, pois, discerne que Cristo é o Senhor da vida e se dispõe viver para Ele, por isso, se levanta em profunda ética e comprometimento com a moralidade cristã, acima de todos os outros valores.
Como princípio fundamental de vida, o “homem reformado” elegeu o “viver para a glória de Deus”. Para ele, todas as ações humanas, bem como a própria existência de todas as coisas, só encontram significado real quando relacionadas com Deus e sua glória. 
Para o "homem reformado"todos os seres humanos foram criados à imagem e semelhança de Deus, isso faz com que se esforce ao máximo para a promoção qualitativa do ser humano, evitando as mazelas da cultura destruidora. Por isso, ele discerniu com precisão a relevância dos processos educacionais, políticos, desenvolvimento da ciência e outros aspectos que fizeram e continuam a fazer parte integrante da sociedade moderna equilibrada.

21 de outubro de 2010

Onde Está Sua Verdadeira Santidade?

Durante toda a nossa vida cristã, ouvimos falar sobre santidade como um alvo e um dever de todo cristão genuíno. A Escritura é assertiva nesse sentido e contém não poucas exortações para que isso aconteça em nossa vida. Mas, depois de tanto ouvir e conhecer acerca dessa necessidade, você se considera uma pessoa que vive em santidade? Sim? Não?
Para mim, a única resposta a uma pergunta como essa é “não” e por dois motivos. Primeiro, porque muitos têm negligenciado a Palavra de Deus e, de fato não buscam a santificação. Por outro lado, a resposta “não” acontece também na vida daqueles que têm exercitado verdadeira e pura santidade. Mas, se eles têm procurado a verdadeira santidade, por que respondem “não”? Porque todos os que se santificam para Deus sabem que sempre será pouco, porque seu Pai é santíssimo.
Alguns dos homens mais santos declararam que sua busca por santidade era a tarefa mais importante de toda a sua vida. Dentre eles, destaco o maravilhoso pregador George Whitefield. Ele se notabilizou por suas pregações vigorosas ao ar-livre que trouxe à Inglaterra, Pais de Gales, Escócia e Estados Unidos um novo ardor pela vida de santidade com Deus.
Whitefield, certa feita, fez uma visita ao Casal Jonathan e Sarah Edwards. Whitefield permaneceu na casa dos Edwards por uma semana e depois, de volta à Inglaterra escreveu sobre aqueles dias, testemunhando o seguinte da vida familiar daquele casal: “O senhor Edwards é um homem maravilhoso, casado com uma verdadeira filha de Abraão. Eles vivem de maneira simples e totalmente santa. O casal mais doce que eu conheci”. Whitefield, que nesse tempo era solteiro, disse que aqueles poucos dias de convivência o transformou, a ponto de ele começar a pedir a Deus que lhe desse uma esposa que fosse uma verdadeira filha de Abraão e que fosse um marido tão santo quanto o senhor Edwards.
A verdadeira santidade de um crente é aquela que ele vive em sua casa, nos momentos em que vive com sua família. Se alguém, como Whitefield fosse passar alguns dias em sua casa, o que ele diria sobre a sua santidade familiar? A sua verdadeira santidade não é aquela que você vive no lugar onde todos podem ver, mas nas ocasiões em que ou só você ou sua família podem ver.

19 de outubro de 2010

Números 16.20 a 40 - A Correção de Deus - A Rebelião de Coré

“Porque Deus nos Corrige?”

Números 16. 20 a 40

Introdução
Uma das mais difíceis tarefas para os estudiosos bíblicos está a definição da importância prática das narrativas contidas em livros como o de Números. Nesse relato do Capítulo 16, o fato ocorrido é tão cheio de horror que parece distanciar Deus do seu povo, a ponto de nos fazer pensar se realmente o Deus que se revelou naquele deserto de Cades é o mesmo que se revela no Novo Testamento como o Deus que amou o mundo.
Evidentemente, é o mesmo Deus, mas de que maneira uma narrativa tão cheia de horror pode nos ajudar e nos fazer amar a Deus e não nos afasta dele?
Recorrendo aos escritos do Novo Testamento, podemos nos encontrar com o Apóstolo Paulo em 1 Coríntios 10.6. Neste capitulo, o apóstolo contrasta os acontecimentos terríveis do período da caminhada no deserto e os relaciona ao amor de Deus, nos mostrando que servem aqueles episódios de ensino e alerta, quanto a importância da santidade de Deus.

Foco da Nossa Condição Decaída
O texto nos ensina os motivos de Deus para nos corrigir. As nossas cobiças podem ser a maior armadilha contra nós mesmos. Para nos proteger de nossas cobiças, Deus trabalha com sua disciplina. Portanto, devemos aprender com as disciplinas de Deus, as quais nos preparam para viver para Deus e não para nós mesmos.

Introdução
Tendemos a nos deter na grandiosidade e na ferocidade da obra inaudita de Deus descrita nesse texto. Mas, como vimos a abordagem do apóstolo Paulo sobre essas histórias do deserto, devemos atentar para as instruções que tais eventos produziram.
Não desejo minimizar a importância do acontecimento em si, portanto, desejo apenas dizer sobre o evento e a dureza com que Deus tratou a Coré, Datã e Abirão.
Não se esqueçam de que, com igual rigor Deus fulminou os filhos de Arão, quando estes levaram fogo estranho ao altar do Senhor. A congregação de Israel deveria compreender que o Caminho Redencional foi traçado por Deus. Este tem sido uma temática acompanhada em nossos estudos do Pentateuco, ou seja, que desde Gênesis 3.15, um dos aspectos a ser discutido é que o Descendente da mulher que subjgaria a serpente e se tornaria o Redentor de Israel seria levantado pelo próprio Senhor.
Vimos as histórias de Caim, do seu filho, dos filhos de Deus no dilúvio, de Ninrode em Babel, da escolha de Isaque, da luta de Jacó e Esaú, na história de José, o escolhido para ser príncipe entre os seus irmãos até a escolha de Moisés como o “Tipo” do Redentor no tempo da libertação dos israelitas do Egito.
Irmãos, a santidade de Deus não virá a nós pelas nossas próprias forças e pelos nossos métodos de auto-santificação. Não é a nossa vontade que produz a santidade em nossos atos. Deus está nos ensinando que o método de Deus para nos santificar é o único possível.

1º Argumento
Quando Deus nos corrige está nos mostrando e ensinando o caminho da sua misericórdia
Na revolta de Coré, mais uma vez, a escolha de Deus para trazer santidade ao seu povo está cedendo lugar à insatisfação dos homens, que são movidos por cobiça pessoal.
No capítulo 16, verso 1 a 3, eles reclamam que toda a congregação é santa e que todos deveriam ser considerados dignos de servirem na mediação da relação com Deus.
Mas eles não estão errados em dizer que Deus havia santificado aquelas pessoas de Israel para fazer deles um povo particular. Entretanto, o modo como aquela santidade haveria de se manifestar tinha um caminho próprio e, Moisés e Arão foram escolhidos como os instrumentos para essa mediação profética e sacerdotal.
A correção de Deus sobre a casa dos rebeldes nos mostra que Deus está vindicando sua santidade em seu povo. Ele está dizendo aos seus filhos que eles não deveriam se esquecer que a santidade da casa de Israel é derivada do processo de libertação que Ele, Deus, como o Verdadeiro Redentor de Israel, haveria de conduzir, no caso, através dos seus servos Arão e Moisés.
Deus não está rejeitando a casa de Israel, mas mostrando o quanto é importante que eles reconheçam adequadamente aqueles que Deus levantou para seguirem à frente da casa de Israel. Por isso, os capítulos que se seguem nos mostrarão a intercessão de Arão em favor do povo e a graça de Deus de lhes conceder misericórdia.



2º Argumento
Quando Deus nos corrige quer que percebamos que as nossas cobiças são uma grave armadilha contra nós mesmos

Coré era da família dos levitas, mais precisamente do grupo dos Coatitas. Eles eram responsáveis, principalmente, pelo transporte dos utensílios do tabernáculo, conhecidos como “coisas santíssimas”. Entretanto, eles não tinham autorização para sequer olhar para estes utensílios, que eram cobertos pelos filhos de Arão, consagrados para o sacerdócio sacrificial.
Coré, entretanto, junto com outros líderes tribais Datã e Abirão, líderes da tribo de Ruben, não acharam que suas condições como líderes em aspectos “menores” (como julgavam) não seria justa, pois se sentiam em condição igual à de Moisés.
No fundo, o que Deus identificou na atitude de Coré e seus amigos é que eles desejavam uma autoridade que Deus não lhes dera. Eles cobiçaram o cargo de Moisés e Arão e desejaram aquilo que Deus não lhes dera, isso significa que sua cobiça ultrapassou a medida e os levou a agir contra a vontade de Deus. Por isso, diz o texto que a ira do Senhor se ascendeu contra eles.
A maneira como o texto descreve os intentos do coração daqueles homens nos revela o que Deus pensava deles: verso 26: desviai-vos desses homens perversos; verso 38: aqueles que pecaram contra sua própria vida.
Que essas advertências nos sirvam de auxílio a nós que amamos ao Senhor. Para que nossas cobiças não nos levem a condiçãod e homens perversos, nem tampouco conspirem contra nossa própria vida. 

3º Argumento
Quando Deus nos corrige pretende que não nos esqueçamos jamais de que Ele é Deus

Notadamente, um dos problemas que o texto apresenta é a ligação de Datã e Abirão com a revolta de Coré. Eles, pelo que o texto sugere, seguiram a Coré e participaram de sua perversidade e cobiça. Entretanto, preferiram seguir o seu pequeno líder humano a continuar se submetendo à liderança de Deus por meio do seu escolhido, Moisés. Talvez, pensaram em adquirir algum poder em meio aos filhos de Israel ou alguma supremacia em relação ao povo que se deslocava no deserto.
Por incrível que pareça, um dos nossos maus hábitos em relação a Deus é achar que podemos realmente construir nossa realidade sem Deus ou longe dos seus métodos para nós.
A Escritura é muito clara sobre a mediação de Jesus e a nossa aproximação dele por meio da Palavra, mas teimamos em nos deixar levar para longe do Senhor, seguindo outros conceitos, outras estratégias, como se apenas vivêssemos para nós mesmos.

Continua...