10 de abril de 2011

Lucas 17. 11 a 19

Sua Gratidão é a Melhor Resposta às Bênçãos de Deus
Lucas 17. 11 a 19


Foco da Nossa Condição Decaída

O conhecido episódio dos dez leprosos curados no qual somente um voltou para agradecer a Jesus é um daqueles textos que nos permanecem em nossa mente ressoando. Aqui, Lucas propõe a gratidão como um modo de vida e a mais pura e verdadeira religião. Assim, Deus nos exorta a centralizar nossa vida na gratidão a Ele.

Contextualização

Penso que uma das coisas interessantes neste texto é perceber como ele se encaixa bem no seu contexto imediato. Afinal, ele vem logo depois de uma afirmação de extrema importância dentro do ensino de Jesus: “Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer” (Lc. 17.10).
Com essas palavras Jesus encerra uma conversa com os seus discípulos sobre o perdão, onde ele ordena que se o irmão pecar contra nós, sete vezes em um dia, devemos perdoar-lhe. Os discípulos, diante do desafio, pedem: “aumenta-nos a fé”. Talvez a idéia deles seria: bem isso é tão difícil que somente com uma fé maior que a nossa para cumprir.
Jesus, em resposta a este posicionamento e pergunta, conta uma pequena parábola sobre o servo que trabalhando no campo, o senhor o ordena a voltar para a refeição, mas pede que antes dele comer, ponha a mesa para o seu Senhor. Isso seria considerado algo normal, pois o servo não deve pensar em si mesmo e em suas necessidades, mas na vontade do seu Senhor. Assim, somos nós. Devemos pensar na vontade de Deus, antes mesmo que em nossas necessidades.
Para mim, Lucas vê essa história dos leprosos como uma maneira adequada de ilustrar esse ensino. Por isso, vamos observar essa passagem dentro deste prisma, ou seja, procuraremos compreender porque Jesus faz a observação pertinente sobre aquele que voltou, fazendo menção dos outros nove que não vieram.
  

A Gratidão é a Resposta Religiosa Que Nos Diferencia Daqueles Que Se Aproximam de Deus Com Uma Fé Distorcida

Quando lemos o texto, percebemos uma estrutura que identifica esses leprosos como seres humanos que venceram algumas diferenças para lidarem com sua doença.
A lepra era uma doença considerada repugnante por quase todos os povos da antiguidade. Tinha características de contágio e degeneração dos tecidos moles do corpo, que desfigurava as pessoas, tornando-as seres não bem-vindos no convívio social.
Aqueles dez leprosos, compreenderam que deveriam viver unidos por sua doença e se localizaram aos arredores de uma determinada aldeia e se mantinham à distância da passagem natural das pessoas.
Pela observação do verso 26 que disse que o que voltou era samaritano, podemos inferir, com certa segurança, que tínhamos entre os outros nove, pessoas de outras regiões, possivelmente, uma miscelânea de judeus e samaritanos, unidos pela dor e que haviam vencido os problemas de convivência das duas nações.
Outro aspecto positivo demonstrado por este grupo de leprosos é que eles tinham apreço por Jesus, pois vieram ao seu encontro e Lucas nos diz que “eles” gritaram: “Jesus, Mestre, compadece-te de nós!”. Esse tipo de atitude sugere que confiavam em Jesus e no poder dele para os curar. O próprio fato de se posicionarem à distância para esse grito de socorro, demonstra que não queriam fazer mal a ninguém e que pensavam nos demais.
Por fim, observando os traços da espiritualidade destes homens, você irá observar que, em sua prática pessoal tinham alguma ligação com a religião formal, dos samaritanos ou judeus, pois, quando Jesus lhes diz para irem ao sacerdote e se mostrarem, eles sabiam aonde deveriam ir.
Enfim, o que desejo observar neste texto é que, aqueles leprosos demonstraram comportamento religioso de fé, segundo padrões razoavelmente aceitáveis. Imagino que tenham sido declarados puros pelo sacerdote (conforme a religião dos judeus e samaritanos dizia que deveria acontecer) e seguiram suas vidas, inclusive com a religião.
Entretanto, a parte final da nossa passagem que, até aqui, falava deles em conjunto, faz uma distinção entre os nove e aquele que voltou para a agradecer. A diferença entre eles foi exatamente a sua atitude de gratidão.
“Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove? Não houve, porventura, quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?   
Neste ponto, você já percebe que se sua religiosidade não o conduz à gratidão, alguma coisa pode estar errada, mesmo que em muitas coisas você se assemelha a todos os outros.
Ser um homem de fé, ter apreço por Jesus, ter relacionamento com a religião formal, pode não significar que vivemos nos lugares mais próximos de Deus. Por que o homem que vive perto de Deus, não suportaria viver essa proximidade sem agradecer.
Gostaria de explorar este ponto com outras passagens da Escritura, para mostrar a importância da gratidão e a mesma como consequencia de uma consciência e compreensão da obra de Deus. Mas, infelizmente, somente neste texto isso não é possível. Mas, convido a todos a fazerem uma busca neste sentido. 

A Gratidão é a Resposta Religiosa Que Nos Diferencia Daqueles Que Discernem Os Elevados Propósitos da Vida Com Deus 

Um segundo aspecto do texto que desejo observar sobre a atitude diferenciadora da gratidão é que ela é resultado de um discernimento mais completo dos elevados propósitos da vida com Deus.
Tem sido muito comum encontrar, nos meios religiosos cristãos, aquelas pessoas que vêem no relacionamento com Deus apenas um meio de melhorarem a sua própria vida. Aliás, a própria religião tem se valido dessa visão e propõe-se a ser a igreja onde você recebe o que quer mais rápido e melhor.
Certamente, esse jamais foi o propósito de Deus, ou seja, que vivamos e sejamos motivados a nos relacionar com Ele pelas coisas que pode nos conceder. Pelo contrário, Deus quer que a gratidão seja o tema da eternidade para todos nós. A gratidão na Bíblia, pode ser encontrada com muitos outros nomes, tais como: regozijo, alegria, satisfação etc.
Este milagre não aconteceu por meio do toque de Jesus como em outras ocasiões. Não há muitos detalhes do milagre em si, apenas o fato de Jesus lhes ordenar que fossem ao sacerdote e, diz, Lucas que eles, quando se puseram a caminho foram curados:
“Aconteceu que, indo eles, foram purificados” - Compreendemos que não chegaram a andar muito na direção do sacerdote, pois aquele que foi curado, assim que se percebeu curado, voltou a Jesus a ponto de encontrá-lo, ou seja, eles recebem a graça e seguem na direção determinada pelo próprio Jesus, como Jesus lhes ordenara.
SE você voltar no texto um pouco irá se lembrar de que Jesus disse: “Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer”. Aqueles nove, fizeram exatamente o que Jesus lhes dissera e foram ver o sacerdote e retomar a vida normal, inclusive a vida religiosa que era o centro da vida de uma pessoa naquele tempo e região.
O que voltou, fez além daquilo que o Senhor ordenou. Ele ofereceu sua adoração a Jesus e eu estou convencido de que ele foi movido pelo espírito da gratidão. Porque, ele compreendeu que o propósito do milagre que ocorrera na sua vida tinha como propósito torná-lo grato e ligado a Deus, no Seu Filho Jesus.
Veja que interessante o modo como o texto trata a matéria:
“Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe”
Ele discerniu que sua cura serviria à glória de Deus. Ele sabia que a maneira de oferecer a Deus essa glorificação era demonstrar a sua gratidão a Deus, colocando-se aos pés de Jesus e agradecendo-lhe. Os demais não atinaram para isso, mesmo que tivessem sido instruídos em muitas coisas da sua religião.
Gostaria de estimulá-lo a perceber isto, ou seja, os elevados propósitos de Deus ao agir a seu favor e realizar tudo o que realiza na sua vida, por meio do que Ele deseja que você o reconheça como seu Senhor em tudo. Não há lugar para sentar-se à mesa e desfrutar do alimento, sem antes voltar-se para Deus em gratidão pelo que ele dá, assim como tudo o mais na vida.

A Gratidão é a Resposta Religiosa Que Nos Diferencia Daqueles Que Não Descobriram Cristo Como o Centro de Sua Existência

Uma das coisas que as pessoas podem pensar é que aquele leproso que voltou para agradecer a Jesus, teria sido desobediente, pois a ordem de Jesus era que eles se dirigissem aos sacerdotes, e ele deixou isso em segundo plano e foi na direção de Jesus. Será que ele correu o risco de perder a bênção por causa dessa suposta desobediência?
O primeiro ponto que devemos observar aqui é procurar responder: será que ele de fato desobedeceu? Ele, por acaso não foi ao sacerdote? Gostaria de lhe dizer que você não pode esquecer de que Cristo é o nosso Sacerdote perfeito.
Não sei o quanto aquele homem refletiu sobre isso e chegou a essas conclusões, mas de alguma maneira, o Espírito Santo o conduziu àquele que é o nosso Verdadeiro Sumo Sacerdote. O Escritor aos Hebreus nos ensina que o Sacerdócio Levítico era apenas uma sombra do Verdadeiro Sacerdócio que se completaria em Cristo o nosso Sumo Sacerdote (Hebreus 7).
NO texto, Lucas nos mostra que aquele homem buscava a Deus e se prostrava diante de Jesus, o seu Sumo Sacerdote, aquele que intercede por nós, aquele que media a nossa relação com Deus. Diferentemente, dos demais, o que mais lhe importava era voltar para Cristo, em quem reconhecera a divindade.
O texto trata a questão dessa forma: “Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe. Então, Jesus lhe perguntou: Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove? Não houve, porventura, quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?”
Você nota que Jesus declara que a atitude dele de gratidão era um ato de adoração a Deus e não a Jesus apenas. Ele não fora levado, como os demais, às estruturas da religião, mas notara que a verdadeira religião era aquela que nos aproxima de Deus, por meio de Jesus.
Lembramos agora as próprias palavras de Jesus: “Ninguém vem ao Pai senão por mim”.
Faz parte de toda a estrutura da Bíblia que venhamos a Deus por meio de Cristo e que façamos de Jesus o centro de nossa vida e culto. A gratidão a Cristo é uma marca dessa verdadeira religião.
A cruz, como centro máximo do seu ato sacerdotal, no qual o sacerdote, se faz oferta pelos seus, para que os seus se acheguem a Deus é o ponto de partida e o maior motivo da nossa gratidão.  Como diz o cântico:
Pela cruz dou graças
Pelo preço pago ali
Meu pecado suportou
Por seu amor, a graça recebi
Pelo amor dou graças
Pelos pregos em suas mãos
Com seu sangue me lavou
E me mostrou
Seu amor e o seu perdão.


Conclusão
Você pode se preocupar muito seriamente sobre o modo como tem vivido esse relacionamento com Deus. Qual é o lugar da gratidão na sua vida cristã. A gratidão, para você é algo esporádico? A gratidão é uma preocupação na sua vida apenas quando acontece algo que você precisava muito ou esperava muito? 
Veja o que encontramos neste texto e o que Deus espera que seja a nossa vida. Perceba que a gratidão deve ser um modelo de vida, ou seja, ser um cristão verdadeiro é ser alguém agradecido, eternamente agradecido. 
É muito importante que lembremos que Lucas escreve estas coisas para irmãos e irmãs que estavam em condições muito difíceis, ou seja, muitos deles estavam vivenciando situações muitíssimo desfavoráveis, sob pressões, perseguições etc. 
Em nossos dias, também vivemos muitas dificuldades para sermos cristãos. Pense, na realidade do Brasil e da cidade de São Paulo. Nós brasileiros trabalhamos muito, ganhamos pouco, somos um país com uma das maiores taxas de juros de todo o mundo; a violência campeia nossa nação, pela proliferação do crime, da corrupção, das drogas etc. 
TEmos de trabalhar muito e ainda, se queremos servir a Deus, temos de arrumar tempo para evangelizar, participar da obra do Reino etc. 
Mas, ainda que você tenha muita dificuldade para fazer tudo isso acontecer na sua vida, não se esqueça do que disse Jesus: Somos servos inúteis! 

Aplicação
Gostaria de ver a realidade da Igreja Presbiteriana de Vila Formosa sendo transformada! Ainda temos muitos irmãos e irmãs, que não demonstram de forma prática a gratidão que devemos a Deus. Eu os conclamo a pensar sobre as bases de seu relacionamento com Deus e os convido a se engajarem na obra por gratidão a Deus e pala obra que Cristo fez na Cruz. 
Este é o tipo de igreja que desejamos que exista neste lugar, formada por pessoas agradecidas, cujo esforço nunca é utilizado para procurar se colocar acima dos demais ou, cujas dificuldades jamais sirvam como desculpas... esperamos que a vida de Gratidão seja a base por detrás de nosso envolvimento com o Reino. 
Eu desejo que neste lugar, Deus levante irmãos e irmãs dispostos a servir por uma intensa coerência e que se destaquem por sua gratidão a Deus. 
Deus nos abençoe!


28 de março de 2011

Lucas 11. 1 a 13 - Princípios Para Uma Vida Devocional

Foco da Nossa Condição Decaída
Uma das maiores necessidades da alma humana é a do alívio do contato com Deus. Os crentes, em particular, devem sentir no contato com Deus o mesmo que alguém se afogando, sente quando um salva vidas, consegue tirá-lo das profundezas das águas para a superfície. Mas, nem todos sabem como satisfazer esse anseio da alma em Deus e o motivo é porque nem todos conhecem os princípios básicos da vida devocional. Nosso texto, é uma resposta de Jesus a um pedido dos discípulos. Para Lucas, uma continuação natural do episódio ocorrido na casa de Marta e Maria, uma espécie de resposta de Deus ao anseio de seus discípulos sobre o melhor modo de se colocar na presença de Deus. Aprendamos esses princípios e respiremos a atmosfera preciosa da presença de Deus em nós. 

Contextualização
Como já disse, creio que a passagem do capítulo 11. 1 a 13, para Lucas serve como complemento interessante do episódio ocorrido na casa de Marta e Maria. Ali, podemos observar o contraste entre uma pessoa que vive ao lado de Jesus e não desfruta da sua preciosa presença, naquilo em que mais é necessário e aquela pessoa que consegue abstrair-se de tudo ao seu redor para envolver-se mais pessoal e intimamente com o Senhor.
Um princípio maravilhoso se estabelece nos versos 41 e 42:
“Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada” (Lucas 10. 41 e 42).
Nem todos alcançaram esse conhecimento, o de saber dar valor à vida devocional, que é a entrega pessoal e a dedicação da atenção a Deus e ao seu Reino. Infelizmente, as pessoas pensam em vida devocional como apenas uma regra de leitura bíblica, de oração ou jejum. Mas, na verdade, a vida devocional é a capacidade de colocar a vida sob a ótica do Reino de Deus e a disposição de viver esse padrão. Requer amadurecimento e disposição para insistir em uma mudança real na mente, que ainda procura pensar dentro das quatro linhas da existência humana natural, sem discernir a realidade espiritual do Reino de Deus e do relacionamento necessário que temos de ter com Ele.
No nosso texto desta noite, veremos que Jesus propõe aos seus discípulos princípios fundamentais para esse tipo de vida devocional. O princípio da realidade presente e determinante do Reino; O Princípio da Dependência e Abundância Total do Reino; e o Princípio da Bondade e Objetivos de Deus.

O Princípio da Realidade Presente e Determinante do Reino
Na primeira parte do nosso texto, versos 1 a 4, temos a conhecidíssima “Oração do Senhor” (Oração Dominical). Neste ponto, Lucas está que Jesus ensinou os seus discípulos a orar.
A oração ensinada por Jesus é apenas um modelo. Insistimos em dominicalmente orar o “Pai Nosso” por alguns motivos: o primeiro é a fortalecimento da nossa consciência coletiva em relação ao Reino de Deus e nossa ligação com Cristo como Mestre; a segunda é que nossas crianças aprendam a orar, pois infelizmente, muitos lares deixaram de lado o ensino das coisas básicas da fé.
Evitaremos fazer a comparação deste texto com o de Mateus e as suas diferenças. Tristemente, o nosso tempo não permite que abordemos isso aqui. Espero que vocês se disponham a estudar essas diferenças em outras ocasiões.
Neste modelo de oração, quando analisamos o contexto da passagem é importante que a gente se lembre que o Lucas está propondo é uma maneira de ver a própria vida. Quando você vê o princípio estabelecido no texto anterior de Marta e Maria, você irá perceber que Jesus está nos mostrando como nos aproximar de Deus.
A primeira coisa que destacamos nessa aproximação é a consciência da realidade de Deus e do seu Reino. Na passagem, não existe nenhuma busca pelo discernimento do Reino ele simplesmente é apresentado de forma total: “SANTIFICADO SEJA O TEU NOME” e “VENHA O TEU REINO”.
Essas duas expressões falam da realidade do Reino de Deus. A santificação do Nome de Deus é a exaltação de seu nome sobre todos os nomes. Quando a Bíblia fala desta forma, aponta para os poderosos. Esse nome aponta para a excelência do Rei, que trará consigo o seu Reino.
A realidade do Reino de Deus, também determina a minha própria realidade. Por isso, nas petições que se segue, os discípulos são estimulados a pedir para que sua provisão diária e até mesmo os seus relacionamentos com o próximo e o próprio modo de vida na terra, sejam determinados pela presença do Reino.
Como a expressão “O PÃO NOSSO COTIDIANO DÁ-NOS DE DIA EM DIA”, esse é o intuito do evangelista, que o discípulo faça a ligação necessária entre a presença do Reino e a suficiência e abundância do mesmo para cuidar. Ou seja, a minha realidade do dia-a-dia passa a ser controlada pelo Reino de Deus.
Em seguida o evangelista propões que nossos relacionamentos sejam também determinados pelo modo de relacionamento do Reino. Como fraseologia bíblica aparece na seguinte ordem: “PERDOA-NOS OS NOSSOS PECADOS, POIS TAMBÉM NÓS PERDOAMOS A TODO O QUE NOS DEVE”, muitos tendem a pensar que o perdão de Deus é derivado do nosso agir. Certamente você sabe que as coisas não são assim.
O que podemos aprender dessa expressão é a íntima relação que tem o meu relacionamento com Deus e o meu relacionamento como o meu próximo. Para Lucas, os crentes deveriam deixar sua vida de relacionamento com os irmãos, que sempre envolverá a presença do pecado e das feridas causadas por ele, serem determinados pela presença do Reino em nosso viver.
Para mim, a idéia de Lucas é a de dizer assim: QUE O SENHOR VEJA NOSSO ARREPENDIMENTO E NOS PERDOE E SE SINTA BEM CONOSCO, COMO NÓS NOS SENTIMOS BEM EM PERDOAR OS NOSSOS IRMÃOS. Quero deixar bem claro que não estou propondo uma tradução, mas uma maneira de expressar o sentimento do texto.
Por fim, “NÃO NOS DEIXES CAIR EM TENTAÇÃO”. Uma tradução literal é “NÃO NOS INDUZA À TENTAÇÃO”. Lucas admite, como os demais escritores do Novo Testamento, que todas as coisas que acontecem na vida do crente são fruto da ação bondosa e generosa de Deus, até mesmo os momentos difíceis em que somos provados pelas muitas tentações.
Para Lucas, o espírito que Jesus disse que devemos ter é o de nunca nos arriscar a viver sem a mentalidade do Reino, sem a consciência de sua presença. Por isso, é de extrema importância que fujamos de tudo aquilo que nos leve para longe de Deus e que nos faça amar qualquer outra coisa em lugar de Deus e que nos distraia no interesse de viver para o Reino de Deus. Do mesmo modo como Marta estava agindo.

O Princípio da Dependência e Abundância Total do Reino
Neste ponto é importante compreendermos bem a estrutura do texto que se trata da proposição de uma pergunta retórica e uma breve resposta. Note que o verso 5, Jesus propõe uma situação hipotética, mas que poderia ser bastante factível para qualquer um dos seus ouvintes.
Note que a situação é introduzida com uma pergunta, que não tem um fechamento:
“Qual dentro vós, tendo um amigo, e este for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, pois um meu amigo, chegando de viagem, procurou-me, e eu nada tenho que lhe oferecer. E o outro lhe reponde lá de dentro dizendo: Não me importunes; à porta já está fechada, e os meus filhos comigo também já estão deitados. Não posso levantar-me para tos dar (’?’). (Lucas 11.5 a 7).
Você pode perceber que de fato uma pergunta está sendo feita, em uma proposta de situação hipotética. Eles entenderiam que a situação só teria uma resposta, ou seja, bem é possível que um qualquer não desse pão, mas um amigo se levantaria para ajudar o amigo que precisa, isso com certeza.
Então, Jesus tendo em mente sua resposta óbvia faz a aplicação de um princípio importantissimo do relacionamento com Deus. Ele o faz aplicando os dois lados dessa história: a necessidade do pedinte e a abundância do amigo que assiste ao outro.
Quando Jesus utiliza essa situação hipotética e essa pergunta retórica, ele tem em mente um tipo de resposta óbvia, entretanto, antes desta resposta é necessário destacar que o pedinte, não tem aonde ir, ou a quem recorrer, senão na casa de seu amigo. 
O horário é importante para dramatizar essa questão da necessidade e a impossibilidade de outros recursos. Neste momento, sua única saída é essa. O que Jesus destaca, como quando no princípio estabelecido no final do capítulo 10 é que, somente Deus pode me oferecer o que minha alma realmente necessita. Lembro-me da maneira como Agostinho de HIpona exemplificou essa verdade: "Minha alma só encontra descanso em Ti". Da mesma forma o mavioso cantor de Israel entoou no Salmo: "Outro bem não possuo, senão a Ti somente". 
Este é um aspecto extremamente importante: nós precisamos de Deus, e somente ele é capaz de satisfazer o anseio da alma, nada mais. Dinheiro, fama, poder, sucesso, reconhecimento social etc, podem ser coisas boas e agradáveis, mas são incapazes de satisfazer e completar a nossa vida, dando-lhe significado eterno. 
O outro aspecto importante desta parte da parábola é a suficiência e abundância de Deus em nos conceder muito mais do que pensamos ser possível. 
Isso é observado no conteúdo da aplicação que Jesus faz desta pequena história. Ali, diz o texto que o amigo não dará apenas o que ele havia pedido, mas tudo o que ele tiver de necessidade. A idéia é semelhante àquela aplicada na porção posterior, ou seja, Deus é esse amigo, por isso, vale a pena insistir. 
A resposta obvia que Jesus trabalha é que um amigo verdadeiro, não deixará o outro sem assistência. Assim, Deus não se recusará a assistir os seus filhos e nos dará muito mais, na verdade, Ele suprirá toda a nossa necessidade.
Esse princípio da vida devocional é aquele que me faz refletir que Deus é meu único verdadeiro recurso e que em nenhum outro eu encontrarei o descanso que NEle eu desfruto.  



Princípio da Bondade e Objetivos de Deus.
Infelizmente, a oração tem se transformado num problema de relacionamento com Deus. Pois, os crentes têm se disposto a orar apenas por causa de suas necessidades prementes, com os objetivos errados e uma dificuldade muito grande para entender o propósito da oração.
Tiago acabou escrevendo que um dos motivos para não termos respondidas as nossas orações é que elas estavam exageradamente centradas em nós mesmos.
“Nada tendes, porque não pedis; pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres. Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4.2 a 4).
Infelizmente essa é a realidade de muitos crentes e até mesmo de muitos bons crentes. Pessoas que levam Deus à sério, não sabem como viver a atmosfera de sua presença e não sabem de que modo devem se relacionar com Ele de um modo que lhes traga crescimento em graça. Mais ou menos como Marta, vocês podem notar que o princípio é o mesmo.
Quando estamos por demais inquietos com as coisas deste mundo, perdemos de vista o valor de eternidade presente em cada uma das coisas que fazemos. Nossos planos, nossas opiniões, nossas ações, sentimentos, palavras, tudo em nós passa a ser determinado pelo crivo da nossa mente carnal e da nossa expectativa carnal da vida.
Não estou falando de coisas ruins em si, mas de uma limitada forma de enxergar a vida e os seus propósitos. Por isso, quando as coisas não acontecem exatamente como esperamos, há uma reação tão dolorida em nossa alma e uma penumbra toma conta dos nossos olhos e não andamos por fé, mas por vista.
Essa é uma lição significativa para todos os crentes que conviveram com Lucas, pois todos eles, no tempo da Escrita deste Evangelho, conheciam alguém, ou estavam eles próprios passando ou à ponto de passar por momentos de muitas lutas materiais. Era importante para eles que a fé em Cristo os guardasse de tropeçar e sua decisão de viver para Deus continuasse firme.
A oração se constituiria num dos mais importantes instrumentos para a alimentação da fé. Lucas, então, lhes propõe a pensar no que Jesus propõe: Uma visão da bondade de Deus e dos objetivos da sua obra:
Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á. Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra? Ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai Celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem? (Lucas 11.9 a 13).
É muito infeliz a teologia que ensina que este texto é uma garantia do poder do crente para pedir qualquer coisa e viver com Deus agarrado a este mundo e às coisas que pode obter aqui. O texto deixa claro que o propósito da oração é o Espírito Santo em nós. Esse é o objetivo central da obra de Deus, isso é viver no e para o Reino de Deus, ou seja, viver a mais completa comunhão e ligação com o Eterno, por meio da Comunhão que podemos desfrutar com Ele no Espírito Santo.
Você deve lembrar que no tempo de Lucas, a idéia da habitação do Espírito Santo era algo de grande importância. Infelizmente não temos tempo para discorrer sobre isso, também, em outros sermões, já tivemos a oportunidade de avaliar bem essa questão.
Não existe cristão verdadeiramente e amadurecido sem que o Espírito Santo esteja abundantemente dominando a sua vida e isto é o que o Senhor deseja para nós. Isso é o Reino dentro de nós.
O outro aspecto dessa resposta é a bondade de Deus. Podemos notar na comparação que Jesus faz entre os Pais maus e o Pai Celestial. Na oração do Senhor, o modelo de oração para todos nós, o foco é o relacionamento paterno de Deus, e o nosso desejo de ver o Reino presente em nós e o Reino permeando a nossa vida e determinando até mesmo o modo como serão satisfeitas as nossas necessidades.
Agora o foco é demonstrar que o mesmo Pai que nós desejamos buscar é tão amoroso que podemos confiar e esperar nEle. Ele satisfará os desejos do nosso coração.

Conclusão
Meus irmãos, não tenho dúvidas de que precisamos rever muitas coisas do nosso relacionamento com Deus. Vida devocional não pode ser compreendida como uma mera rotina de levantar cedo, ou de madrugada, ler a Bíblia e orar. Vida devocional é algo muito maior, é uma mentalidade renovada, uma conscientização de que o Reino de Deus é uma Realidade da qual não podemos e não devemos fugir.
A melhor definição de vida devocional que posso lhe oferecer e, com certeza há outras bem melhores, é: “UMA CONSCIÊNCIA PROFUNDA DA REALIDADE DE DEUS E O SEUS DEVERES E DEPENDÊNCIA PARA COM ELE”. Uma pessoa que se acredita inscrito nesse modo de vida, não abandonará a oração, não deixará de ler a Escritura e terá hábitos de busca do Altíssimo de profunda intensidade, porque, uma pessoa assim transformada, precisa de Deus para sentir alívio em sua alma, alívio que dinheiro nenhum, ou amizade, realização ou poder humano lhe pode dar, somente a presença de Deus lhe satisfaz.

Aplicação
Reveja o modo como você está enxergando a realidade de Deus em sua vida e como você a está vivenciando. Arrependimento é uma mudança de mente na direção de Deus, por isso, se você percebe que sua vida com Deus não está baseada nesses princípios que destacamos ou em outros que a Escritura apresenta, hoje é o tempo de você fazer exatamente aquilo que o texto diz:
PEDI E DAR-SE-VOS-Á, BUSCAI E ACHAREIS,
BATEI E ABRIR-SE-LHE-Á
Porque Deus dará o seu Espírito aos que lhe pedirem. Ele se levantará à noite e da abundância dos seus celeiros celestiais nos dará grandes bênçãos de comunhão com Ele. Isso é mais importante que qualquer coisa!


6 de fevereiro de 2011

Lucas 5. 27 a 32 - Chamado Para o Arrependimento

Chamado Para o Arrependimento


Os objetivos do Pai ao enviar o seu Filho para realizar a obra da redenção tem como alvo especial aqueles homens e mulheres que seriam para sempre transformados de sua condição caída e perdida para a vida abençoada do Reino de Cristo.
Mateus ou Levi era um destes homens. Ele foi alcançado pela maravilhosa graça de Jesus no dia em que, trabalhando na coletoria, ouviu o chamado de Jesus e, seguindo-o, teve a sua vida transformada definitivamente. 
A história da conversão de Mateus serviu para Lucas mostrar a Teófilo algo sobre a verdadeira fé e a disposição de viver para Deus, estas são as lições que também nós devemos buscar aplicar na nossa vida, ao ler e reler este texto.


Foco da Nossa Condição Decaída
Há pessoas que pensam que a salvação é alcançada por uma capacidade humana de fazer coisas para agradar a Deus. Há também aqueles que até compreendem as dinâmicas da graça de Deus, mas, com o tempo se esquecem de sua condição de pecadores redimidos e passam a agir como se Deus tivesse alguma dívida de gratidão com eles, como se Ele precisasse agradá-los para mantê-los firmes em não abandoná-lo. O texto nos conclama a nunca esquecer  o fato de que nossa redenção aconteceu quando a nossa condição era de completa miséria espiritual e nossa comunhão com Deus continua sendo obra da graça maravilhosa do Senhor.


Quando nos Chama, Deus Sabe Muito Bem Quem Somos


Viu Um Publicano, chamado Levi assentado na coletoria, e disse-lhe: Segue-me!


Lucas, diferentemente dos outros evangelistas que registram essa ocasião, põe em destaque o fato de que Levi era um "publicano". Isto é significativo, pois a função de publicano era considerada uma traição à nação judaica e, religiosamente falando, os publicanos eram considerados na mesma escala das  prostitutas e ladrões.
Aquele homem que estava para encontrar a vida eterna, isto é, Cristo, não estava fazendo qualquer busca espiritual, ou se condenando por sua condição espiritual, ele simplesmente estava na coletoria, ou seja, ele estava fazendo o seu trabalho. Muitos dos seus familiares, amigos, líderes religiosos etc, o consideravam a escória da nação, mas ele, estava ali simplesmente fazendo o seu "trabalho sujo". 
Levi não estava preocupado com o que as pessoas diziam, escolhera essa profissão ou por deter uma mentalidade de menosprezo à religião do seu povo ou por mera ganância. De qualquer forma, temos diante de nós um homem sem problemas de consciência, que encontrará a vida em Cristo Jesus. 



Quando nos Chama, Deus Deseja Envolver-se em Nossa Vida

Então, lhe ofereceu Levi um grande banquete em sua casa; e numerosos publicanos e outros estavam com ele à mesa

Essa não foi a única vez que Jesus foi à casa de um publicano. No capítulo 19, quando ele tem um encontro com Zaqueu, declarou: Zaqueu, desce depressa, porque me convém ficar hoje em tua casa (Lucas 19.5).  
A reprimenda dos fariseus e de todas as pessoas que viam essa atitude de Jesus era de crítica, pois todos sabiam a vida e as disposições gananciosas e desprezíveis dos publicanos. 
Não se importando com isso, Jesus deseja enveredar-se pela vida de Levi. Jesus vai à casa de Levi e convive com seus amigos publicanos. Essa atitude de Jesus revela a necessidade de envolver-se e aproximasse das chagas do pecador. 
O médico, para tratar o paciente, aproxima-se dos ferimentos e das chagas dos doentes. A melhor coisa, logo após de revelar o conhecimento de nossa condição espiritual, Deus revela o seu amor ao entrar na nossa vida e envolver-se conosco.

Quando nos Chama, Deus Tem o Objetivo de Mudar Nossa Mente

os são não precisam de médico, e sim os doentes. Não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento

Em resposta aos questionamentos dos fariseus, Jesus faz essa declaração fundamental para compreendermos o movimento de Deus na direção de Levi. 
Enquanto o modelo de trabalho dos fariseus era o de ficar acusando os homens de seus pecados, o de Deus é o de tratar as suas feridas. 
Em parte, Jesus nos conclama a manter viva a nossa real condição de miséria diante de Deus. As pessoas que se acham sadias ou assim se presumem, não buscam o médico e, portanto, a atuação do médico de nada lhe serve. Da mesma forma o ponto focal da vida: a mente do homem.










3 de janeiro de 2011

Lucas 2.41 a 52

MOTIVOS QUE LEVAM UMA PESSOA A PRIORIZAR O REINO DE DEUS


INTRODUÇÃO
Um dos pontos mais difíceis do estudo do Evangelho de Lucas e, em particular dos capítulos iniciais, é definir qual era a mensagem que o evangelista queria passar que viesse a sustentar Teófilo para que o mesmo não se demovesse de sua confiança, naquelas verdades nas quais havia sido instruído. Particularmente, visualizo uma intenção de demonstrar essa certeza enfatizando que a vida de Jesus foi uma obra de Deus do início ao fim.
A aparição dos anjos para pessoas piedosas e a significativa presença do Espírito Santo nestes capítulos são, para Lucas, motivos para se firmar no fato de que Deus estava dirigindo a história de Jesus Cristo, mesmo antes, deste ter assumido um ministério público, o qual, logo depois de ser iniciado, veio a ser realizado na força do Espírito Santo. 
O texto que temos diante de nós, Lucas 2.41 a 52, está encapsulado por duas expressões muitíssimo semelhantes. No verso 41 lemos: "Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele". Já no verso 52, podemos ler: "E, crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens". 
Evidemente, Lucas está propondo que um simples olhar para a vida de Jesus e a percepção do poder do Espírito de Deus em sua vida, neste caso, ainda na infância, permitiria que nossa fé permanecesse vigorosa e decidida. 
Não podemos nos esquecer de que, no tempo de Lucas, os servos e servas do Senhor foram perseguidos e que, no período da escrita desse evangelho, a igreja se espalhara pelo mundo e, na força do mesmo Espírito Santo, guiada por Deus mostrava-se vitoriosa sobre todos os seus inimigos, mesmo quando, aparentemente, parecia tão acuada e cercada pelos que a odiavam. 
Eu vos convido a estudar este texto com essa visão, ou seja, procurando encontrar motivos para continuar a priorizar o reino de Deus na sua vida. 

O texto em poucas palavras
Lucas, dentro dessa capsula contextual, nos conta a história ocorrida no tempo em que Jesus era apenas um menino. Todos os meninos judeus, ao completarem 12 anos e um dia, eram levados ao templo para uma cerimônia, conhecida até hoje como "Bar Mitzvah" (filho do mandamento). Nessa cerimônia, o menino judeu, lia a Torah (Lei de Deus) pela primeira vez e passava a ser considerado responsável por seus atos diante de Deus. 
Em lugar de voltar com seus pais, familiares e amigos, Jesus permaneceu no Templo em Jerusalém e ficou por lá, três dias. Seus pais, Maria e José voltaram para a cidade e o encontraram discutindo com os doutores da Lei, e todos os que o viam se maravilhavam, pois Jesus demonstrava conhecimento das Escrituras acima da média.
Maria o indagou sobre o que estava fazendo e porque deixara ela e seu pai preocupados e a resposta de Jesus foi: "Não sabieis que me cumpria estar nas coisas de meu Pai?" (utilizo uma tradução diferente para essa frase, pois alguns tradutores preferem termos mais diretos como "casa", "negócios" e ou "serviço" de meu pai). 
Depois disto, Lucas resume a história apenas dizendo que, Maria e José não compreenderam essas palavras à época, que ele era submisso aos seus pais, que Maria considerava tudo isso no coração e que o menino se desenvolvia, como já dissemos, encapsulando a história. 

Prioridade Para as Coisas de Meu Pai
Sem dúvida alguma, Lucas propõe que essa era uma marca da vida de Jesus. Ele não o faz para ser destacada dentro os demais, para receber honras e méritos humanos, ele simplesmente, está aplicando o ensino da Lei à sua vida.
Meus caros irmãos, quero lhes suplicar que avaliem os motivos que levaram o próprio Jesus a tomar decisões que o levaram a priorizar o Reino de Deus. Destacarei os versos 49 e 52, por considerá-los centrais no entendimento da passagem. 
Considerando esses motivos, que cada um avalie sua própria vida. Avalie quais são suas prioridades e o que lhe falta para tomar o mesmo rumo da vida de Jesus. 
Olhando para Jesus, tenho certeza, você poderá decidir melhor. Pois, todos quantos são amigos de Deus (teofilos) haverão de querer andar como Ele andou. 

Senso de dever para com o Deus da Palavra
Para muitas pessoas, o que estava acontecendo com Jesus poderia ser classificado como um ato de desobediência infantil, afinal ele não se importara com o pais e permanecera no templo de Jerusalém. 
Mas uma das coisas que devemos nos lembrar é que Jesus, agora com 12 anos, tinha deveres para com a Lei e ele, que tanto se destacou pelo conhecimento da mesma, declara que os motivos que o levavam a permanecer ali é o seu senso de dever para com o Deus da Lei. A resposta de Jesus aos seus pais é muito clara: "não sabieis que me "cumpria" estar nas coisas de meu pai?"
Jesus compreendia bem o que a Lei exigia dele. Com toda certeza ele lera e relera a passagem que nos diz: " se atentamente ouvirdes a voz do Senhor teu Deus, cuidando em cumprir todos estes mandamentos...". 
É necessário que recuperemos em nossos dias o "senso de dever para com a Lei de Deus". Não poucos crentes passam pelas páginas da Bíblia como quem lê uma revista, um Best Seller, um Gibi... completamente indiferentes ao fato de que ali, Deus ordena a sua vontade. 
Jesus, certamente, não encarava a Lei de Deus dessa forma, então não tem problema em nos dizer: "...me cumpria (...)". 
Quando você tiver senso de dever para com a Palavra de Deus, então, o Seu Reino, será uma prioridade para você. Não poucas pessoas, na verdade até invertem o senso de dever e começam a viver como se Deus é quem tivesse que desenvolver algum senso de dever para com eles, afinal, Deus prometeu, dizem: tem que cumprir! 
A infantilidade de alguns é tão evidente, que seu único senso de dever é para consigo mesmos, como se Deus não fosse dono de suas vidas e como se eles próprios não tivessem sido comprados por Deus para fazer a sua vontade. 
Somos servos comprados pelo Senhor, não temos o direito de viver para nós mesmos, ao contrário, somos arregimentados, como disse o apóstolo Paulo, para servir àquele que nos arregimentou, nunca ao contrário. 
Repito, meus amados irmãos, para muitos falta esse senso de dever para com o Deus da Palavra, é por isso, que eles não são capazes de priorizar o Reino de Deus em suas vidas.

Relacionamento pessoal que o aproximava do Pai
A vida de Jesus nos ensina algumas outras coisas. Entre elas a intimidade com Deus como fonte de estímulo à prioridade. 
Entendo que quando priorizamos o Reino apenas porque temos algum senso de dever para com o Deus da Palavra, pode ser que não o sirvamos e o priorizemos com muita alegria no coração. Mas, Jesus nos ensina em sua frase do verso 49, que o seu senso de dever para com a Lei de Deus vinha acompanhado de um verdadeiro relacionamento pessoal com Deus, pois ele diz: "... nas coisas do "meu Pai". 
O salmista cantava: "A intimidade do SEnhor é para aqueles que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança". Deus sempre revela na sua Palavra que o desejo do coração de Deus é que os seus filhos e súditos o amem. Jesus, certamente, lera na Torah: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, toda a tua alma e todo o teu entendimento". 
Um relacionamento vivo e íntimo com Deus nos levará a priorizar o seu Reino, pois é impossível para qualquer pessoa viver perto deste Deus sem conceber que Ele deve ter a primazia de sua vida. 
Muito da falta de prioridade para o Reino de Deus na igreja do nosso tempo, tem a ver com uma, cada vez mais presente, falta de amor por Deus. Infelizmente, os crentes não desenvolvem mais aquele amor ardente por Deus e por suas coisas. Eles estão com o coração tão dividido que já não é possível dizer de muitos crentes: eles amam a Deus. 
Jesus havia nos alertado, que o amor de muitos se esfriará. Ele disse aos seus discípulos que ninguém poderia amar a dois senhores, por isso, deveriam saber que era necessário amar a Deus, para que o Reino fosse buscado em primeiro lugar. 
Entre os outros amores que nos afastam de Deus, encontramos primordialmente os cuidados com este mundo e com a nossa vida. Como essas coisas roubam a nossa atenção e a nossa disposição. Como é fácil encontrarmos desculpas facilmente aceitas, basta simplesmente evocarmos os nossos deveres sociais, familiares e outros que tais. 
Jesus amava a Deus e isso era recíproco. Ele amou ao seu Pai intensamente e mantinha com ele constância e proximidade. Um dos termômetros mais significativos desse amor em um crente é a oração. 
Quanto mais estivermos buscando a intimidade com Deus, proporcionalmente, buscaremos falar com Ele em oração secreta. O amor nos leva à prioridade e não o contrário. Não pense que apenas separando tempo para Deus, em suas orações ou leitura bíblicas, que isso é suficiente. Na verdade, eu penso que o caminho inverso é que é o melhor, ou seja, desenvolva amor por Deus e você desenvolverá intimidade e Ele se tornará em prioridade para você. 


Vigor espiritual produzido pelo constante enchimento do Espírito Santo
Para Lucas, como disse no início, era muito importante mostrar à Teófilo que Jesus tinha ligação pessoal com Deus, mas em particular, era necessário mostrar o quanto o Espírito Santo estava envolvido na vida e ministério do Messias. 
Gosto sempre de lembrar que esse evangelho é parte de uma obra em dois tomos, cujo segundo tomo é dedicado, como disse Kuiper, aos "Atos do Espírito Santo". Uma leitura simples de Atos dos Apóstolos nos mostrará como, de maneira decisiva, o Espírito Santo estava envolvido na obra de construir o Reino de Deus, pela instrumentalidade da própria Igreja. 
No caso da vida e ministério do Messias, Lucas dá a mesma atenção para a presença de Deus e do Espírito Santo. Fica claro, como já disse, através da presença dos anjos na anunciação e, na direção que dava às pessoas, assim como o Espírito guiava as pessoas, inclusive o próprio Jesus. Seria interessante fazer um estudo o capítulo 4 de Lucas e perceber isso, bem como no verso 17, o próprio Messias citando as Escrituras e aplicando-as a si. 
Já disse que o texto que abordamos nesta mensagem está encapsulado pelo dizeres do verso 40 e do verso 52. NO verso quarenta, a ênfase final do verso é que a graça de Deus estava sobre ele. Na verdade, Lucas está referindo-se à graça de Deus, embora, alguns copistas, principalmente dos textos bizantinos, preferem dizer que "o espírito de Deus estava sobre ele".  Em minha visão, ele prefere usar aqui a "graça de Deus", porque, no batismo, tornar-se-á mais claro que o Espírito descera sobre Jesus, assim ele evita uma confusão desnecessária para os seus leitores. 
De qualquer forma, podemos compreender que as descrições feitas nestes versos nos mostram um Jesus que demonstrava progressos sensíveis em sua vida de relacionamento com Deus, o que certamente pode ser chamado de enchimento do Espírito Santo. 
NO verso 52, percebemos que Lucas está disposto a nos mostrar que aquela prioridade que Cristo deu às coisas de seu Pai estava diretamente relacionado ao fato de que ele se desenvolvia: "E crescia Jesus...". 
Infelizmente, nos dias de hoje, vivemos em um tempo de Cristão imaturos, crianças na fé. Esse tipo de igreja, concentra muitos problemas e um dos mais sérios é que são pessoas muitíssimo distraídas, como as próprias crianças. 
É muito comum que as crianças se distraiam com suas brincadeiras. Quantos de nós já tivemos de exigir que nossas crianças deixassem de lado os seus brinquedos para se concentrarem nos estudos? Ou quantos já tiveram o dissabor de gastar algum dinheiro em um presente, mas viu seu filho se envolver muito mais com um presente baratinho que um tio lhe tinha dado? É que as crianças tem dificuldade para avaliar e verificar o valor das coisas, isso não lhes é importante. Isso também ocorre com muitos crentes. 
Esse crescimento acentuado de Jesus se dava em três áreas, segundo o verso 52: sabedoria, estatura e graça. Rapidamente, sem desejar ser dogmático em minhas afirmações, gostaria de dizer que Jesus buscava uma intimidade prática com Deus, ou seja, que lhe conduzia ao crescimento. 
Jesus não desejava a intimidade pela intimidade, mas por aquilo que estar próximo de seu Pai  produzia, ou seja, força para cumprir os propósitos de sua vida. E para cumprir os propósitos de sua vida ele precisa desse desenvolvimento: sabedoria - que compreendia um crescente conhecimento de Deus e de sua Lei; estatura - que correspondia à vida natural, ou seja um desenvolvido natural efetivo e positivo, a vida de Jesus se estruturava de maneira equilibrada em todas as áreas; graça - Jesus crescia na presença dos valores do Reino Celestial e na presença do Espírito e o desenvolvimento do fruto da sua presença na sua vida. 
Boa parte da nossa falta de prioridade para o Reino está ligada à essa nossa meninice na fé. Precisamos desenvolver hábitos de constante busca de crescimento espiritual. O apostolo Paulo nos indica o caminho do Enchimento do Espírito como o caminho para viver e agradar a Deus, como único resultado de uma vida cheia da Luz de Deus. 
Às vezes, lutamos para crescer diante dos homens. Nossa preocupação é que as pessoas nos admirem, nos amem e nos respeitem por aquilo que alcançamos e realizamos, por aquilo em que nos valorizamos. Por isso, nos dedicamos nessa nossa "competição" por prestígio pessoal, quer no âmbito familiar, social e eclesiológico. Mas o texto nos diz que é quando nós crescemos diante de Deus, naturalmente o resultado apresentado é o crescimento diante dos homens. Mas nem sempre esse crescimento segue os padrões mundanos, por vezes, ao crescermos diante dos homens, eles nos odiarão por isso. Mas a verdade é que crescemos! 
Pense sobre isso! Pense sobre o fato de que, possivelmente você tenha permanecido tempo demais como um menino na fé e tem chegado a hora das coisas mudarem. 


Conclusão
MInha conclusão é curta, mas bastante dura. Na verdade eu penso é que, a falta de prioridade que a igreja tem dado ao Reino é derivada diretamente do fato de que a Igreja não tem senso de dever para como Deus da Palavra, tem deixado esfriar o seu amor pelo Pai e tem sido uma igreja de fé infantil e distraída. 
Você pode estar vivendo essas realidades. Algumas vezes, tentamos negar que as coisas sejam realmente assim. Mas quando estamos somente nós e o nosso Deus, seremos obrigados a admitir que temos muitos ajustes a fazer. 


Aplicação
A minha proposta para todos os irmãos é que, diante deste texto, se de fato somos "amigos de Deus" (teófilos), façamos todos os ajustes que nos conduzam a priorizar o Reino. Pensemos que um dia, todas as coisas que conhecemos serão desfeitas e Cristo voltará. A proposta de Lucas para TEófilo era a de que se mantivesse firme até o tempo da volta de Jesus Cristo e essa é a proposta de Deus para nós. 
Você e eu precisamos avaliar quais têm sido as nossas prioridades e medi-las, conforme nos alerta a Escritura e, depois disto, tomar decisões que se baseiem naquilo que Deus fala ao nosso coração e não em nossas próprias ambições. 


Que Deus nos abençoe!