11 de março de 2018

Marcos 10.17-31 - Aniversário 54 anos da IP Vila Pompeia

Refletindo Sobre a Verdadeira Riqueza
Marcos 10.17-31
(Sermão Pregado no Aniversário da IP Vila Pompeia - Março 2018) 

Introdução
Meus irmãos, optamos nesta noite por juntar estes dois trechos que em geral são usados em exposições bíblicas separadamente. Da mesma forma em que optamos no sermão do domingo passado por juntar dois textos, tendo em vista o seu conteúdo temático, hoje veremos que estes dois trechos são destinados a tratar de um mesmo assunto: a nossa relação com o Reino e com as riquezas deste mundo.
Nesta mensagem, vamos denominar “riquezas deste mundo” todo e qualquer valor material que nos cerca. Não estamos pensando só em dinheiro ou bens materiais de valor, embora eles estejam no centro da passagem. A ideia que queremos propor é que as riquezas deste mundo constituem-se de todo e qualquer valor que possa dominar nosso interesse pessoal. Tudo o que pode nos controlar e controlar nossas ações. Num certo sentido, um namoro, uma nova formação acadêmica, um emprego e até mesmo uma nova carreira, tudo isto pode ser considerado riqueza deste mundo.
A passagem é dividida em duas partes. Na primeira, Jesus se vale do diálogo que teve com um jovem possuidor de muitas riquezas. A partir deste diálogo ele ensinou os seus discípulos a respeito do controle que os bens materiais, as riquezas deste mundo podem exercer sobre nossa vida e como isto pode nos conduzir a um erro existêncial.
Nem sempre damos muito valor à esta séria realidade, de nossa condição decaída e de como o anseio por riquezas deste mundo tem poder de nos seduzir e fazer cair na nossa relação com Deus. Por falta de atenção a este tema, muitas vezes nos convencemos erroneamente sobre a real saúde da nossa vida com Deus. Por isso, muitas vezes, estamos enfermos na fé e nem notamos.
O contexto de Marcos é o da igreja primitiva, após a ascensão de Jesus e muito provavelmente, após a morte de vários dos apóstolos. O que sabemos que era um quadro muito difícil de perseguição, que tinha várias facetas, ideológica, religiosa e social. Em outras palavras, nos dias em que Marcos escreveu o Evangelho, muitos crentes estavam desanimados, ou desinteressados da igreja, porque estavam preocupados com suas riquezas deste mundo e haviam perdido a real noção do valor da eternidade do que é viver com Cristo.
Muitos não achavam errada a mensagem do Evangelho, antes, consideravam que o Evangelho e a vida com Cristo era realmente a melhor opção. O problema é que na vida prática, ser um cristão implicava em perder tudo e sofrer perseguições, então, muitos optaram por um cristianismo confessional mas não vivencial.
Este é o ponto de reflexão que Marcos está propondo. Ao levantar este tema, dentro de uma sessão onde ele discute como é que o sal é preparado para salgar, isto é, preparado no fogo, ou seja por meio das vicissitudes, ele está desejando que a igreja veja em suas próprias lutas não um motivo para desistir, mas uma razão para persistir no caminho da fé. Ele está propondo que o erro estava no poder que as riquezas deste mundo estavam exercendo sobre a vida de muitos crentes que praticavam uma fé cristã não vivencial.
Você e eu somos chamados a pensar sobre a realidade material ao nosso redor o quanto ela domina e determina nossas ações, especialmente, o quanto este domínio nos afasta de viver para o Rei.

Reflita Sobre os Valores Que Estão Tirando de Você o Alvo de Amar a Deus Sobre Todas as Coisas
E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus. Sabes os mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não defraudarás ninguém, honra teu pai e a tua mãe. Então, ele respondeu: Mestre, tudo isto tenho observado desde a minha juventude. E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me. Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades (Marcos 10.17-22).
Este primeiro trecho conta a história da aproximação deste jovem, chamado de jovem rico, com Jesus. Notamos que ele está disposto positivamente em relação a Jesus e várias coisas o convenciam de estar fazendo isto de forma correta. No entanto, o verso 22, tristemente nos informa que aquele moço não conseguiu se livrar do domínio que as riquezas deste mundo exerciam sobre o seu coração.
Aproximação de Jesus – ajoelha-se – reverencia – irmãos, o começo do texto é muito positivo. Tudo indica que estamos diante de um homem de especial piedade e respeito para com Jesus. Apesar da resposta de Jesus em relação ao modo como lhe chama de “bom Mestre”, o que temos é um quadro de um homem respeitosamente reverenciando Jesus Cristo. Isto indica uma relação positiva em relação à Jesus Cristo.
Conhece e pratica os mandamentos – outro ponto muito positivo é a sua relação com os mandamentos. Ele conhece e pratica a lei que aprendeu. Ele reforça a ideia: tudo isto tenho observado desde minha juventude. Ou seja, ele tem o cuidado de usar palavras que denotam a totalidade da lei e sua atitude reverente de guardar da lei, há um bom tempo.
Qual o problema deste moço? Qual a questão que Jesus revela a respeito deste jovem? Este é o ponto, ele deveria ter aprendido com a Lei que o ponto alto da Lei é que no final nosso coração deve amar a Deus acima de tudo. Qualquer outro tipo de resultado não é o resultado pretendido por Deus. Se lei serve apenas para que ele esteja inserido numa comunidade e ser aceito pelas normas daquele grupo, ela não está chegando ao resultado pretendido por Deus.
Uma coisa te falta – a coisa que faltava não era a assistência social, a coisa que faltava não era ser pobre, a coisa que faltava não era demonstrar generosidade. A coisa que faltava é que o seu coração deveria ser integralmente de Deus e não era.
Vai vende tudo o que tens – da mesma forma como ele enfatizou que havia guardado toda a lei, Jesus propõe que ele venda tudo o que TINHA. Na verdade, meus irmãos, viemos a este mundo para não possuir nada, somente uma coisa: DEVEMOS POSSUIR DEUS, ISTO É, AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS.
Terás um tesouro no céu - A prova cabal do jovem rico era TER UM TESOURO NO CÉU E SEGUIR A CRISTO.
Digo ao Senhor: Tu és o meu Senhor, outro bem não possuo, senão a ti somente (Sl 16.2).
Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra (Sl 73.25).
Irmãos precisamos provar quem realmente domina o nosso coração. Onde estiver o nosso tesouro, ali estará o nosso coração. Não podeis servir a dois senhores. Não podereis amar a Deus e às riquezas.
Meus irmãos, este é um ponto de grande importância. Devemos tomar muito cuidado para que nossa pratica cristã realmente seja resultado da influencia da Lei sobre o nosso coração e isto se mede pelo quanto amamos a Deus e estamos dispostos a segui-lo, apesar das circunstâncias.
Quando nosso amor tem limites do tipo, coisas que eu gosto, pessoas que eu aprecio, desde que não interfira em meus planos pessoais, com certeza estamos em um trajeto de dominação das riquezas sobre nosso coração.
Saiu contrariado com esta palavra – facilmente podemos perceber que este moço amava seus bens em uma medida que talvez nem ele mesmo esperasse. Embora tivesse anseios positivos e atitudes pessoais positivas, ele não conseguiu fazer o caminho na direção do melhor, na direção de Deus. Aqui diz que ele ficou com a face sombria diante da palavra de Jesus. Ele não conseguiu esconder seu desapontamento, sua angústia. Jesus poderia pedir outra coisa, mas não algo tão gritantemente injusto, ele pensou.
Fico pensando se o pedido de Deus à Abrão poderia ser comparado a isto. Caros irmãos, precisamos nos colocar em uma posição em que nossa fé nos conduza a amar a Deus sobre todas as coisas. Precisamos de uma posição séria sobre o quanto as riquezas deste mundo realmente nos controlam. Precisamos urgentemente reconsiderar a quem amamos.

Reflita Sobre o Fato de Que a Força Para Vencer na Vida Cristã Vem de Deus e Não do Homem
Então, Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Os discípulos estranharam estas palavras; mas Jesus insistiu em dizer-lhes: Filhos, quão difícil é para os que confiam nas riquezas entrar no reino de Deus. É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus. Eles ficaram sobremodo maravilhados, dizendo entre si: Então, quem pode ser salvo? Jesus, porém, fitando neles o olhar disse: Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível (Marcos 10.23-27).
Vamos nos voltar agora para o segundo trecho, focando nos discípulos e nas suas questões em relação a isto.
Os discípulos estranharam estas palavras – o relato anterior diz que o jovem ficou contrariado, sombrio com a palavra que havia ouvido e os discípulos agem da mesma maneira? Parece que Marcos está desejando nos mostrar que esta sombria realidade não é apenas a realidade de homens que não querem seguir a Cristo, mas também é a realidade discípulos.
Como é difícil (diskolon) – A palavra que Jesus usa para ensinar é “diskolon” que é a junção de duas palavras: dis – duro e kolon – comida. Seria o mesmo que dizer: comida difícil de engolir. Dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas. Precisamos digerir melhor este ponto e precisamos ser sinceros com ele, de fato é difícil imaginar que existimos neste mundo e não devemos pensar em nada dele. Afinal, quase tudo o que fazemos gira em torno dos ganhos que temos nas causas deste mundo.
Eles ficaram maravilhados – quem pode ser salvo – irmãos, claro que os discípulos compreenderam o que estava em jogo. Logo também eles perceberam um problema, que se tratava do fato de que todos nós, somos fortemente dominados pelas riquezas deste mundo que nos cercam e acordamos, vivemos e dormimos com nossos planos focados nelas.  Nós mesmos sabemos o que isto representa e o que representa para nossa realidade. Porque nós mesmos somos assim dominados.
Dificilmente engolimos este pedaço de pedra do Evangelho. Quase sempre temos desculpas e novas interpretações para dar, explicações que no fundo nada podem explicar. Todos os que amarmos as riquezas mais que a Cristo não somos dignos de Cristo e estaremos fadados a repetir a realidade do jovem rico.
O que fazer? Este é o ponto de Jesus. CONFIAR EM DEUS COMO SENHOR E TRANSFORMADOR DA NOSSA REALIDADE.
Fitando neles o olhar – Marcos gosta desta expressão. Ele já havia dito o mesmo sobre o modo como Jesus olhou para o jovem rico, o que dá unidade a este trecho, no verso 21. No capítulo 3, ele diz o mesmo, percorrendo o olhar sobre os que estavam na casa (Marcos 3.34). Esta expressão aponta para a ideia de um olhar significativo, profundo, com a intenção de comunicar uma verdade profunda, ele os chama a si com seu olhar. Ele os convoca a pensarem sobre o que vai dizer.
Impossível dos homens e o possível de Deus – essa é a raiz do evangelho, que os homens amam mais as trevas que a luz, mas Deus é poderoso para mudar o coração do homem. Irmãos, aqui Jesus convoca os seus discípulos para andar com ele com a disposição de verem mudar o mais profundo do seu coração. Eles não devem considerar como ponto de partida a sua própria fé, ou a sua capacidade pessoal, o ponto de partida é Cristo, é Deus.

Reflita Sobre o Fato de Que no Reino de Cristo as Regras dos Valores Funcionam Diferentemente das Regras do Mundo
Então, Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos. Tornou Jesus: Em verdade, vos digo, que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições, e, no mundo por vir, a vida eterna. Porém, muitos primeiros serão últimos, e os últimos primeiros (Marcos 10.28-31)
A atenção de Jesus se volta novamente para os seus discípulos e para a atitude que devem ter em relação aos bens deste mundo e a vida eterna. Sim, este é o ponto, o que realmente vale a pena nesta vida, como medir o valor desta vida à luz da eternidade.
Este foi o problema do jovem rico, ele não compreendia a continuidade entre as realidades presente e futura. Ele as considerava coisas estanques não interconectadas. Jesus, propõe um modelo diferente com uma balança de medidas diferente do mundo.  Ele vai retomar este ponto nos versos 42 a 45, quando falar sobre quem é o maior no reino dos céus. Existe uma avaliação diferente a Deus e a dos homens.
Nós deixamos tudo e te seguimos – Pedro sai em defesa de si e dos seus irmãos, apontando para o fato de que eles haviam tomado a decisão que o jovem rico não tomou. Na verdade, irmãos, eles ainda seriam desafiados a fazer isto e Pedro, na verdade, ainda iria negar a Cristo. Mas, claro, Pedro está em um processo de aprendizagem, ele está sendo salgado pelo fogo.
Todos que sabem perder ganham – o que é ganhar ou perder? Este é o ponto que precisaos refletir aqui. Jesus está dizendo que todos os que sabem perder por amor dele e por amor ao evangelho, irão ganhar muito mais. Os princípios que valoram a vida com Cristo não são os mesmos que valoram os hábitos das riquezas deste mundo.Irmãos, precisamos estar preparados para saber valorar as coisas doutra forma, senão estaremos fadados à infelicidade e seremos vítimas de um sistema religioso viciado como o do jovem rico.
Ganham já no presente – Jesus tem o cuidado de mostrar que se trata não de uma alegria no estado futuro de salvação, como muitos às vezes pensam, mas uma satisfação na condição presente. Aquilo que Paulo ensinou quando disse: aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tudo posso naquele que me fortalece.
UMA NOVA BALANÇA NOS É DADA PARA MEDIR A VIDA E A FELICIDADE, essa balança diverge da balança dos poderosos deste mundo. Aqui, o que Jesus diz que é perder pai, mãe, filhos, irmãos, campos... é ganho cem vezes mais. Ele está falando de conquistas que tem a ver com outras pessoas e não somente com o nosso mundo EGO.
E o porvir a vida eterna – a importante mensagem de que a vida eterna é uma continuação vida presente é uma mudança conceitual que precisamos implementar. Separar estas duas coisas é viver fadado ao insucesso espiritual como o jovem rico. Ao contrário, precisamos unir estas coisas para que as coisas temporais tenham valor eterno e se revistam da graça que o vida eterna é capaz de nos trazer. O gozo que podemos desfrutar na vida cristã é muito maior que o simples prazer temporal de qualquer benção passageira. Podemos viver o eterno em meio ao temporal.
Porém últimos serão primeiros e primeiros últimos – esta é a advertência principal da passagem. Ela retoma o que havia sido exposto sobre o jovem rico. Ele parecia ser um candidato à primeiro da fila na entrada no céu, mas se enganou. Caros irmãos, precisamos pensar muito mais seriamente sobre o que estamos realmente fazendo com a nossa vida cristã e como a estamos construindo. Não podemos continuar vivendo como se fôssemos os primeiros, mas deixando os verdadeiros valores por último. Não podemos amar a Deus e as riquezas. Precisamos reconsiderar e refletir sobre os valores que estão guiando a nossa vida. Lembre-se e reflita sobre o fato de que os valores do reino de Cristo são mensurados de forma diferenciada das riquezas deste mundo.

Conclusão
Sei muito bem, irmãos, que hoje é um dia de festa para esta igreja e que todos desejamos congratularmos-nos com os irmãos. Mas a melhor maneira de comemorar um aniversário de igreja é lembrar que neste mundo em que vivemos, vivemos numa certeza: Cristo irá voltar para seu povo.
Creio que a melhor maneira de comemorar e o melhor presente que podemos receber neste dia é propor a Deus que haveremos de refletir e repensar sobre os valores que estão conduzindo a nossa vida. Devemos propor que a IP Vila Pompeia será uma igreja em que filhos de Deus decidem que amam a Deus mais que tudo e que vivem para na certeza de que o poder de Deus é quem opera no seu dia a dia, além de viverem o presente na continuidade do futuro e numa certeza, de que sua vida é medida por uma balança celestial, que Cristo é o Senhor e o valor máximo.
Caros irmãos, parabéns pelo seu empenho nesta igreja e parabéns por viverem no Reino de Cristo. Promovam sua vida na certeza do caminho da fé e não desistam. Nos dias de Marcos, muitos desistiram por errarem onde realmente estava o seu tesouro. Os irmãos, aqui não! Aqui, os irmãos podem mostrar ao mundo a existência de pessoas que sabem que Deus é o Senhor e só para Ele decidiram viver sua vida. Cristianismo existencial, mais que confessional.


4 de março de 2018

Marcos 10.2-16

Precisamos Prevenir a Perda da Plenitude do Reino Na Nossa Vida Familiar
Marcos 10-2-16

Introdução
O contexto de nossa passagem é a ideia de que a Igreja foi chamada para representar o Reino de Cristo entre os homens, sendo sal que traz a vida do reino ao mundo caído. Jesus convoca seus discípulos a um padrão diferenciado de vida, o que torna a existência da igreja uma necessidade do mundo, isto é, sem a igreja não haveria amostragem do Reino de Cristo.
Contudo, o problema que ocorria entre os discípulos é que essa vida diferenciada estava sendo distorcida por causa dos efeitos do pecado na trajetória da vida dos próprios servos do Reino. Marcos toma esta realidade a partir do ensino de Jesus sobre a vida familiar e os princípios que a devem reger.
O texto, claramente fala sobre dois aspectos da vida familiar: o casamento e a condução dos filhos pequenos a Cristo. Não devemos limitar o ensino de Jesus aos temas localizados do divórcio e a educação de crianças no reino. Precisamos expandir nossos conceitos sobre estes textos, propondo uma visão um pouco mais elevada.
Evidentemente, as passagens dos versos 2 a 12, versam sobre a matéria do divórcio e como Cristo Jesus posiciona-se contra a prática do divórcio. Esta figura está bem assentada em nossa doutrina e prática eclesiástica. Da mesma forma, os versos 13 a 16 não é apenas uma advertência contra a falta de cuidado dos pais no ensino cristão a seus filhos. Claro que está também bem assentado entre nós a necessidade de conduzirmos nossos filhos a Cristo, por meio de trazê-los ao culto e ao ensino da Palavra.
O que precisamos buscar nesta noite são conceitos mais profundos sobre o fato de que perdemos identidade enquanto reino e perdemos uma das mais preciosas bênçãos que Deus nos deu, ao nos dar vida familiar. Essa bênção é a experiência de plenitude do Reino de Deus, quando conduzimos a nossa vida familiar segundo os padrões do sal, isto é, segundo os padrões de Deus, da luz.
Ao final desta mensagem, seria importante que você olhasse para sua vida familiar e procurasse identificar sinais de que está perdendo a plenitude do Reino no seio da sua família. Seria importante que você não se conformasse com o fato de que o sal, neste caso, a família, está perdendo do sabor. Irmãos, precisamos de um olhar mais cuidadoso sobre o SIGNIFICADO E O SENTIDO DA VIDA FAMILIAR NO QUE DIZ RESPEITO A SER A AMOSTRAGEM MAIS PERFEITA DO REINO DOS CÉUS.
Quando perdemos a plenitude da vivencia do reino da vida familiar, perdemos a oportunidade de realmente trazer ao mundo uma amostragem do SAL transformador e preservador que Deus quer que sejamos e revelemos ao mundo.

Perdemos a Plenitude do Reino na Vida Familiar Quando Somos Determinados e Guiados pela Dureza do Nosso Coração Pecaminoso
E, aproximando-se alguns fariseus, o experimentaram, perguntando-lhe: É lícito ao marido repudiar a sua mulher? Ele lhes respondeu: que vos ordenou Moisés? Tornaram eles: Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar. Mas Jesus lhes disse: Por causa da dureza do vosso coração, ele vos deixou escrito este mandamento, porém, desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. Por, deixará o homem a seu pai e mãe e unir-se-á à sua mulher, e, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem (Marcos 10.2-9).

Desde o Princípio da Criação Deus os fez – Precisamos perceber que a questão levantada pelos fariseus foi respondida por Jesus voltando ao princípio da Criação e ao fato de Deus ser o Criador. Essa visão de Deus como nosso Criador e, portanto, tendo autoridade para conduzir e determinar o significado da nossa existência é o ponto chave para o ensino de Jesus sobre a vida humana. A vida familiar não é fruto de um mero processo de escolha humana, baseada apenas em critérios humanos e pessoais, a vida familiar, como o texto pode claramente estabelecer é fruto de um processo de decisão do criador.

Deus os fez homem e mulher – portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem – essa frase controla a posição e o ensino de Jesus sobre o que é e para que serve a vida familiar. Aqui, claramente, a vida familiar é a realização de um desejo do Criador, sobre o modo como irá conduzir a nossa vida na terra, separando-nos e fazendo-nos um só com alguém para ELE próprio. A unidade entre homem e mulher é um processo espiritual, que deve servir como ponto de partida para que no decorrer de nossa vida se consolide por meio de atos morais de proximidade, atos físicos da sexualidade e atos espirituais de amadurecimento na fé.

Por causa da dureza de coração (skleroskardia) -  Irmãos, parte da vontade de Deus para revelar o seu governo perfeito sobre a nossa vida tem a ver com a vida familiar e a ligação íntima e perfeita entre o homem e a mulher. Este relacionamento, na Bíblia, muitas vezes, foi comparado ao relacionamento entre o próprio Deus e seu povo, uma espécie de ilustração vívida de como é o amor perfeito. A unidade familiar entre o homem e a mulher é a relação social mais complexa que existe. Você pode gostar de todas as demais pessoas do mundo, pode ter amizade e cumplicidade, mas ser espiritualmente UMA SÓ CARNE, só é possível com a sua esposa ou esposo.
A unidade conjugal é a única amostra de amor neste nível profundo, nenhuma outra, nem mesmo a relação entre pais e filhos, pode ser equiparada a esta ideia de amor profundo, é a única forma do Pai mostrar ao mundo o VALOR PROFUNDO DO AMOR UNIFICADOR. Contudo, o texto nos mostra que eles tinham dificuldade imensa de perceber que o REINO DE DEUS QUER SE TORNAR CONHECIDO POR MEIO DO AMOR DE UM HOMEM POR UMA MULHER. E o problema deles é que estavam sendo controlados pela DUREZA DO SEU CORAÇÃO.
Irmãos, precisamos refletir muito sobre o que a dureza do nosso coração nos faz perder a PLENITUDE DO REINO DE CRISTO NA VIDA FAMILIAR. A vida familiar poderia responder a o mundo sendo o maior e mais completo exemplo da manifestação do REINO DE CRISTO em seu fator de profunda UNIDADE DE AMOR, pois, homem e mulher conseguem, na vida conjugal plena, revelar uma amostra do profundo poder espiritual do amor.
Sinto que não percebemos o quanto perdemos, quando deixamos a dureza do nosso coração controlar e atrapalhar nosso desfrute da plenitude do Reino de Cristo, simplesmente porque nos deixamos dirigir por interesses controlados pela dureza do coração pecaminoso.
Quando nossa vida familiar é controlada pelos desígnios endurecidos do pecado controlador do coração, perdemos a possibilidade da plenitude do reino de Cristo e de salgar o mundo com esta plenitude de amor unificador.

Perdemos a Plenitude do Reino na Vida Familiar Quando Perdemos de Vista a Beleza de Sermos Usados Para Dar Significado à Vida de Alguém
Em casa, voltaram os discípulos a interroga-los sobre este assunto. E eles lhes disse: Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela. E se ela repudiar o seu marido e casar com outro, comete adultério (Marcos 10.10-12).
Evidentemente um dos nossos maiores obstáculos à vida familiar plena é a nossa limitação em compreender de que forma Deus pode usar nosso casamento para refletir o seu amor e o seu reino ao mundo. Nesta parte do texto, os discípulos são os maiores interessados no tema, portanto, deixando de lado os fariseus e seus corações endurecidos, partimos para tentar compreender o que os discípulos pensavam sobre a vida familiar.

Divórcio (apolysso) – A palavra grega para divórcio indica “lançar fora”, isto é, repudiar, deixar de lado. Ela aponta para um ato de desprezo e desrespeito para com a condição do outro. Jesus está dizendo que quando somos conduzidos a abandonar e considerar o outro com desprezo, repúdio, o que estamos fazendo é também desprezando o que Deus nos fez. Fomos feitos parte do outro não para nós mesmos, para o próprio outro e isto para DEUS. Quando, movido por outros interesses, resolvemos nos perceber e perceber o outro segundo outro padrão e não o do interesse do CRIADOR, estamos desprezando a realidade de quem somos.

Adultério (moichós) – o condição de adultério é a aquela em que tornamos o outro em algo desprezível. Veja, o adultério é o mesmo que transformar o outro em algo desprezível e destituir-lhe o valor criacional. Deus abomina o repúdio, porque o repúdio é um ato de desvalorização da criação. Deus fez alguém e uniu você a este alguém com a finalidade de que, no amor que você viesse a devotar a essa pessoa, Deus revelasse o seu amor profundo. Quando desprezamos esta pessoa, estamos destituindo-a de valor e, naturalmente, perdendo o privilégio de vermos o mais absoluto significado de alguém.

Jesus está dizendo aos seus discípulos que o Senhor tem autoridade para escolher como é que deseja fazer nossa absoluta representação do seu amor irá se revelar ao mundo. Pecar contra essa pessoa que nos torna plenos é uma perda significativa da plenitude do reino em nossa experiência diária.  
Reconhecemos que há muitas dificuldades para servir a Deus na vida familiar e conjugal. Somos pessoas tão diferentes e tão complexas. Mas é justamente a vontade do Criador que comanda as nossas possibilidades. A plenitude do Reino é revelada no fato de Deus conseguir nos usar para vencer todas as dificuldades do que significa dar significado à vida de alguém.
O Casamento não é só algo complexo e difícil de se cuidar. O casamento é uma missão de trazer plenitude à vida de alguém, por meio da revelação do amor unificador de Deus que nos faz ser um com outra pessoa.
Quando um casamento se torna pleno e o homem e a mulher conseguem se ajudar nesta grande tarefa de um lapidar o outro, um salgar o outro em meio ao fogo das dificuldades, quando isto acontece, Deus é glorificado e a plenitude do reino se mostra aos homens.
Perdemos a profundidade da plenitude do reino, quando não percebemos a beleza desta tarefa e escolhemos servir nossos interesses e não os de Deus no casamento.

Perdemos a Plenitude do Reino na Vida Familiar Quando nos Deixamos Nossa Vida Ser Conduzida Apenas Por Valores Sociais Caídos do Mundo Pecaminoso
Então, lhe trouxeram algumas crianças para que as tocasse, mas os discípulos os repreendiam. Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo: quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele. Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava (Marcos 10.13-16).
Com certeza, irmãos, a riqueza destes versos é muito maior do que somos capazes de abordar neste pequeno tempo que temos. Claro que aqui, o valor da vida das crianças está sendo ressaltado e a importância de conduzi-las para um relacionamento pessoal com Cristo. A vida familiar é uma oportunidade plena de amadurecimento na fé. Em nenhum outro ambiente é possível amadurecer relacionamento com Deus, quanto em nosso próprio lar.
Vamos olhar para este trecho nesta oportunidade, percebendo as razões que os impediam de vivenciar essa plenitude no reino e como precisavam revisar o que compreendiam ser o valor dos seus filhos.

Para que as tocasse – impondo as mãos – é possível perceber que nestes versos, o que está em tela é o toque de Jesus. Não temos aqui nenhuma instrução normativa para criação de uma cerimônia de toque das crianças, ou qualquer coisa do tipo. O que temos aqui é o estabelecimento de uma relação de importância entre a vida das crianças e o Rei.
Algumas vezes, somos conduzidos a valorizar as coisas e pessoas seguindo padrões de um mundo caído. Naquela ocasião era isto o que estava acontecendo. Os grandes mestres não podiam ser interrompidos por crianças, seu tempo era destinado aos adultos, os quais, sim interessavam aprender para divulgar ensinos. Mas, Jesus lhes mostra que o Reino dos Céus se manifesta na vida familiar seguindo um valor diferente dos hábitos socialmente construídos, por uma sociedade pecaminosa.
Quando nos permitimos ser controlados mais pelos hábitos pecaminosos do nosso mundo caído e seus valores corrompidos e perdemos de vista o verdadeiro significado das coisas segundo Deus, perdemos a beleza e a plenitude da vida no reino.
Dos tais é o reino dos céus – nossos filhos tem o direito de experimentar a plenitude do reino dos céus e nossos lares e nós temos o dever de lhes dar isto. Quando negligenciamos este valor profundo, por meio da atmosfera do amor que lhes conferimos e do amor que Deus revela a nós em nossa casa, estamos cometendo um grave pecado contra a vida de nossos filhos.
No verso 15, o Senhor toma a criança como um paradigma, e nos diz que o modo de reação da criança parece nos ensinar. Jesus falava acerca da simplicidade e da singeleza com que a criança percebe a vida, de forma não tão controlada pelos hábitos pecaminosos do mundo. Jesus não está dizendo que as crianças não tem pecado, mas que sua conduta ainda não é tão determinada pelos pecados socialmente  constituídos.
Por outro lado, ele também pode estar nos dizendo que aprendemos a nossa fé, logo cedo e que muito provavelmente seja a melhor maneira de ser apresentado ao reino de Deus e aprender os seus valores, quando os recebemos ainda na tenra idade.
A plenitude do reino é melhor vivenciada quando somos crianças e somos ensinados a viver para Cristo e nos aproximar de Cristo. O gesto de Jesus para com aquelas crianças é o estabelecimento de uma bênção real sobre elas. Isto é, daquela forma Jesus lhes mostrava que o Reino dos céus se estendia a elas, por meio da sua proximidade com o Rei.
Clive Staples Lewis, em suas Crônicas de Nárnia, mostra que o relacionamento de Aslam com os humanos acontece figuradamente através das crianças, da família Pevency. Especialmente Lúcia a mais nova dos irmãos, ela demonstra ter uma proximidade aos valores do reino de Nárnia ainda mais clara que o relacionamento dos seus irmãos mais velhos.

Conclusão
"A Plenitude do Reino na Vida Familiar" (Marcos 10.2-16)

Onde você vê problemas, Jesus vê a vontade do Pai;
Onde você vê relações meramente legais; Jesus vê uma missão divina;
Onde você vê limitações humanas; Jesus vê amplidão do reino dos céus.

Sem dúvida alguma, podemos estar muito equivocados no modo como consideramos o que é e para que serve a nossa vida familiar. É necessário recuperar a percepção gloriosa de como a vida familiar pode nos conduzir à plenitude existência por ser a mais poderosa ferramenta de condução da nossa alma à vida espiritual.
Claro que Deus deseja nos mostrar a plenitude do seu amor nos ensinando a viver a vida familiar de uma forma mais completa e perfeita e esta é a melhor maneira de experimentar a plenitude do Reino de Cristo, isto é, ter uma família que vive para Deus, segundo o modo de Deus.
Meus irmãos, precisamos recuperar a visão de que nosso lar é a mais importante instância de revelação do reino no âmbito da pessoalidade. Claro que a igreja ocupa um lugar de destaque quando trabalhamos a manifestação social do Reino de Cristo, mas quando falamos da questão da relação pessoal, o lugar onde mais nos aproximamos da plenitude da vida no reino é na nossa própria casa.
O que precisamos fazer para reverter um quadro de perda desta plenitude do Reino em nossa vida familiar? Trazer nossa vida familiar de volta para Cristo. Moldar nossos conceitos aos estabelecidos por Deus e trazer para contexto de nossas relações familiares os princípios do Reino, da unidade e do cuidado e da bênção de Deus.