19 de fevereiro de 2017

Mateus 5.21-26

A Missão de Amar

MATEUS 5.21 a 26


FCD – o texto nos fala da integralidade da vida humana, o que relaciona a sobrenaturalidade de nossa relação com Deus e a naturalidade da nossa relação com o próximo. Fazer uma dissociação, ou separação destas duas esferas é o erro que a Escritura corrige. Viver, tendo o foco na unidade destas duas esferas, é o mesmo que “cumprir a Lei”, como Jesus disse que viria fazer.

Introdução

Eu não vim revogar a lei e sim cumprir - Jesus Cristo veio cumprir a Lei e o que isto significa? Quem viola os mandamentos e mínimo no reino dos céus, mas o que observa é grande. Como é que isso realmente funciona? Para o apóstolo Paulo, o cumprimento da Lei é o amor. Afinal, a Lei se resume no amor a Deus, que se torna evidente e materializa no amor ao próximo. Como estas coisas podem e devem ser relacionadas?

O texto que nos guia na mensagem desta noite é uma espécie de ilustração do que Jesus quis dizer com: ser mínimo quando quebramos a lei e ser grande quando a cumprimos. O ponto mais importante que precisamos estabelecer para entender isto é que a Lei de Deus é a ferramenta do Pai para fazer a importante conexão entre o céu e a terra. Entre o celestial e o terreal, entre a vida natural e sobrenatural.

A Palavra de Deus é a revelação que aponta para o fato de que toda a nossa vida tem uma relação com Deus e, portanto, homens que se aproximam de Deus, estão mais próximos de realmente entender a vida e todas as coisas que a compõem.

Por isso, Jesus toma como exemplo o nosso relacionamento e estabelece uma conexão direta entre a nossa adoração, isto é, a relação com o espectro sobrenatural da vida, e a nossa relação com as pessoas, nosso espectro natural da vida.

Reconcilia com o teu irmão depois entrega a tua oferta - A entrega de um culto que esteja desconectada da nossa realidade enquanto, pais, mães, vizinhos, irmãos de fé etc... nossos compromissos existências em todas as suas esferas, não é adoração de fato. Para uma adoração plena, leia no salmo 15, implica em “não emprestar dinheiro com usura, não falar mal do próximo etc”.,e aqui, em Mateus, implica em uma relação de harmonia com as pessoas e com a própria vida, representada aqui no exemplo do perdão que devemos dar e receber uns dos outros.

Para Tornar Consistente a Nossa Missão de Amar Precisamos Considerar Que a Nossa Realidade Natural Está Conectada à Nossa Realidade Espiritual ou Sobrenatural

Muitos foram os efeitos do pecado na vida humana e na sua relação com a realidade. O mais danoso destes efeitos, na minha opinião, foi o encobrimento da totalidade da realidade na qual vivemos.
Deixe-me explicar um pouco mais.  O apóstolo Paulo, falou que os homens, mortos em seus delitos e pecados, vivem de forma “alheia” a Deus. Ou seja, o pecado causa uma alienação e passamos a vivenciar a nossa realidade como se Deus não existisse.
Este tipo de percepção da realidade, que afasta o homem da realidade de Deus, é chamado nas Escrituras de “viver em trevas”. Tento exemplificar isto com uma pessoa que entrou em um quarto escuro, que ele não consegue enxergar nada e alguém diz para ele que aquele lugar é um parque de diversões. Ele encontra um objeto que julga ser o carrinho de uma montanha russa e começa a sentir a sensação de subir e descer da montanha russa.
De repente, alguém acende a luz e percebe que está nas instalações de uma mina abandonada e que o carrinho que ele agora está sentado é um daqueles carrinhos de mina que está caminhando para o mais profundo abismo das escavações. Bem, com certeza, o desfrute e a sensação desta nova realidade é muito diferente da primeira.
Quando uma pessoa vive no mundo sem a realidade de Deus, pode até desfrutar do ato de existir, mas não tem a noção completa do que é. Por isso, é que muitas vezes, o viver é difícil e cheio de problemas insolúveis, porque estamos vivendo uma realidade parcial.
Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás; e Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão, estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento de tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo (Mateus 5.21-22).
Não matarás – Jesus está tomando como ponto de partida para o seu argumento a própria Lei. Aqui, ele não está só propondo um aprofundamento da interpretação da Lei, como em geral nós tratamos neste texto. Acredito que Jesus está propondo uma reorientação da mentalidade dos seus discípulos para entender que a Lei aponta e desvela uma realidade superior que todos precisamos enxergar: ela une a realidade natural com a sobrenatural.
Julgamento – Julgamento de Tribunal – Inferno de Fogo – Existe nestas palavras uma certa progressão de conceitos. Ele começa com uma ideia mais leve de justiça para uma crescente construção até chegar ao ponto do inferno de fogo. Ou seja, ele está mostrando que existe uma relação entre os valores que regulam nossas relações nas esferas humanas e horizontais com aqueles valores que regulam a nossa relação com Deus. Curiosamente, propositadamente, Jesus une estes conceitos crescentes de justiça com os conceitos decrescentes de males: Irar – insultar – chamar tolo. Assim ele nos faz perceber o quanto importante é fazer uma relação entre a nossa realidade natural e a nossa realidade sobrenatural, o que fazemos em relação ao próximo e o que isso representa na nossa relação com Deus. O detalhe desta inversão de importâncias entre a falta e o julgamento é que, ao chegar no ponto da realidade espiritual, ou sobrenatural mais evidenciada, a atitude de menor poder ofensivo é considerada importante.
Precisamos discernir que a nossa realidade material é também uma realidade espiritual, que a nossa nossa vida natural tem uma relação direta com a nossa vida sobrenatural.
Para Tornar consistente a nossa percepção de que amar é uma missão, precisamos começar a perceber que as nossas relações naturais estão ligadas à nossa relação com Deus.



Para Tornar Consistente a Nossa Missão de Amar Precisamos Considerar Que Deus Só Pode Ser Completamente Amado, Quando Amamos ao Nosso Próximo

As Escrituras tratam a relação entre o amor a Deus e o amor ao próximo como uma decorrência mútua. João propôs a mais importante reflexão a este respeito quando declarou: Como podemos dizer que amamos a Deus a quem não vemos, se não amamos ao irmão a quem vemos?
Seu irmão tem algo contra você – Lembre-se que nos versos anteriores, Jesus apontou sobre coisas que fazemos uns contra os outros, por causa das quais somos levados às instâncias de julgamento, inclusive, lembrando que  a menor ação é julgada no maior tribunal. Partindo deste princípio, agora, Jesus chama à consciência do crente para outra realidade, de que devemos nos lembrar de que se estivermos em falha com o próximo, essa própria pessoa é nossa adversária e acusadora. A realidade do que fazemos é a prova contra nós.
Deixa a tua oferta no altar – Você não perde o interesse da oferta, mas você precisa trabalhar sua vida como um todo. A ideia não é deixar de oferecer culto a Deus, mas de saber que ele só se completa na ação de amar o outro de forma completa. A ideia que este verso nos passa é de uma construção de adoração que se inicia nos alicerces da vida natural e da relação com o próximo e se completa na relação com Deus.
Primeiro reconciliar depois adorar – A construção da nossa vida com Deus começa na construção da nossa visão de mundo conectada com Deus. Toda a realidade que nos cerca fala sobre Deus e aponta para ele. Contudo, isso acontece de forma muito especial com todos os seres humanos que nos cercam, afinal, todos os homens, além de serem criados por Deus, são a imagem e semelhança do seu Criador.
Note o processo que Jesus propõe: você se aproxima de Deus primeiro. Vem ao altar e traz a sua oferta. Contudo, você contempla a Deus e pensa sobre a sua vida e a relação que tem com as outras pessoas e percebe se sua vida tem acusações contra você. Então vai ao próximo – O ato de deixar a oferta e ir na direção do próximo é parte do ato de adoração inicial, que começou em uma percepção do próprio pecado.
Depois volta e faz a oferta – Ao final do processo, a reconciliação entre o amor a Deus e ao próximo é o conjunto da integridade da adoração.
Quando você começar a perceber essa relação direta do amor a Deus e ao próximo e começar a exercitar isto, você começará a pensar no AMOR COMO UMA MISSÃO.
Imagine pessoas que não se importam se estão ou não se relacionando bem com Deus, mas que querem adorar a Deus, o quanto a sua quebra da Lei está evidenciando a separação entre realidade material e espiritual e o quanto estão em processo de empobrecimento espiritual. A correção disto é a reconstrução do caminho para Deus usando o seguinte trajeto: DEUS-PROXIMO-DEUS.


Para Tornar Consistente a Nossa Missão de Amar
Precisamos Considerar Que o Amor é a Chave Para Uma Liberdade Eterna

Embora tenhamos que trabalhar os mesmos conceitos já postos nos pontos anteriores, nos versos, 25-26 temos uma consideração sobre a urgência desta obra e o perigo de não realizá-la.
O tema da justiça está presente em toda esta passagem e já estava nos versículos anteriores, quando Jesus disse que a justiça dos discípulos deve ser maior que a dos fariseus. Até porque, o ponto de discussão é a Lei de Deus, portanto, o conceito de justiça tem de estar presente.
Entra em acordo sem demora – literalmente podemos dizer: corra e faça amizade com o teu adversário. A ideia de urgência está ligada, claramente à ideia fuga do julgamento, mas sobretudo de importância do ato. A urgência de se entrar em acordo com o adversário não é pelo medo de ser julgado somente, mas pela importância de entregar a oferta.
Enquanto está com ele a caminho -  parece apontar para o tempo em que a oportunidade está dentro do que seria uma reconciliação amigável. Acredito que o conceito é o mesmo que está em Isaías 55.7: Buscai a Deus enquanto se pode achar.
Antes de ser entregue ao juiz -  claro que o julgamento de Deus sobre os nossos pecados está no horizonte da nossa urgência e mais uma vez há uma noção de progressão: juiz – oficial de justiça – prisão.
Por este verso, podemos dizer que a missão de amar é uma prioridade absoluta e para ela devemos estar muitíssimo atentos. O ponto crucial desta prioridade é que o amor ao próximo é a parte fundamental do nosso amor a Deus e não amar a Deus é não perceber o real e não perceber a realidade de Deus na existência é viver sob condenação.
Não sairá enquanto não pagar – irmãos, precisamos conceber em nossa mente que enquanto vivermos alheios a esta realidade de Deus e da necessidade de servi-lo integralmente por meio do amor, seremos pessoas sempre incompletas e jamais libertas. O pecado, que nos afasta da realidade de Deus é uma prisão e precisamos ficar livres dela com urgência.
Você dará grau elevado de consciência à sua missão de amar, quando notar que sem isto, é impossível realmente ser livre. Deus não está tratando de uma questão social de nossa convivência e Jesus Cristo não está só criando uma regra para que a igreja consiga conviver. O que está em jogo é a nossa própria percepção da realidade, é o viver livre, que significa, conseguir ver Deus em todas as dinâmicas da vida, mesmo e até no relacionamento com os inimigos.

Conclusão
Claro que temos muita dificuldade para a amar o próximo. Jesus, porém, propõe que sejamos guiados pela Lei e o que ela significa. Ou seja, que possamos ver e ter como referência a relação que a vida natural, o cotidiano tem com o empreendimento de uma relação com Deus.
Jesus toma um exemplo de que como o cumprimento da Lei é libertador e provoca a integridade de nossa fé e vida. Entrar no Reino é vivê-lo agora e não somente ter esperança dele no futuro.
Somos a luz de Cristo e podemos desfrutar desta luz já agora.
Aplicações Para a IPBVF
Caros irmãos, entre as coisas que mais atrapalham uma igreja como a nossa a ser uma agência de reprodução de um evangelho transformador é a nossa resistência em enxergar a realidade dividida que vivemos em muitas circunstâncias.
Há muitos que preferem fazer de conta que o evangelho que vivem é pleno, mas sabem, no fundo sabem que está errado. Sabem que precisam perdoar, viver bem com o outro, entrar em acordo e que não estão praticando a verdadeira vida cristã.
Algumas vezes nos alegramos em atrapalhar a vida dos outros com Deus, semeando dúvidas, acusando pessoas por meio da maledicência e de outros processos que só diminuem nossa confiança uns nos outros.
Claro que não somos perfeitos e que temos muitos defeitos! Será que alguém duvida desta realidade? Claro que não fazemos a obra do Senhor do jeito que tem de ser, porque somos pecadores e nos desviamos para cuidar mais de nossos interesses que dos interesses de Deus!
Mas, uma coisa é certa. É nesse esparramar de defeitos e pecados, que somos chamados a amar e servir a Deus, servindo uns aos outros. A realidade de que Deus existe e que deve ser amado e servido se torna evidente do grande desafio que temos de nos aproximar uns dos outros com amor e compaixão.
Três lembretes antes que você ouça este sermão e volte para a sua vida como se Deus estivesse aqui falando contigo:
1)   Sua realidade espiritual está concectada ao modo como vive sua vida natural, então seja sábio.
2)   Não é possível amar a Deus completamente e permanecer dividido em relação ao próximo
3)   Você não sentirá a liberdade dos filhos de Deus enquanto não amar.

PORTANTO, ASSUMA O AMOR COMO UMA MISSÃO PARA VOCÊ

  

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