11 de junho de 2017

Gálatas 1.1 a 5

Um Transplante Radical
Gálatas 1.1-5


Introdução
Não conheço tão bem os escritos de Lutero para poder justificar porque o reformador de Wittemberg considerava a Epístola aos Gálatas como “o melhor de todos os livros da Bíblia”. Também não sei porque o grande pai das missões modernas, Wllian Carey afirmou que a Epístola aos Gálatas era o mais influente de todos os escritos do apóstolo Paulo. Da mesma forma, não sei dizer porque muitos a têm considerado como “o grito de guerra da Reforma”.
Em uma leitura atenta do texto do apóstolo Paulo, percebo na sua construção um desejo que pode muito bem ser a justificativa para tantas referências contundentes. Percebo que Paulo denuncia aqui um perigo latente para qualquer pessoa que tenha conhecido a Cristo e resolvido tornar-se servo do seu Reino. Estou me referindo ao perigo de acrescentar à sua fé elemento de prisão espiritual e se distrair e deixar ser levado por uma falsa segurança, baseada em construções humanas, arraigando a sua fé em forças deste mundo e não nas forças exclusivas do poder de Cristo Jesus.
Os Gálatas era um povo aparentemente muito crédulo. Esses combatentes (Gallias) receberam o Evangelho de Jesus Cristo com muito amor e logo se tornaram servos do Evangelho, mas em pouco tempo decorrido de sua conversão estavam sendo levados por ventos de doutrinas, que pervertiam a segurança do Evangelho da graça para um outro evangelho, uma outra forma de buscar segurança. No caso, Paulo denuncia, uma segurança baseada em homens e métodos que se fundamentavam no agir humano e não na graça de Cristo.
Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de cristo. (...) Porventura, procuro eu, agora, o favor de homens ou o de Deus? Ou procurar a agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo. Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o Evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante a revelação de Jesus Cristo (Gl 1.6-12).
Para Paulo, existe um grande perigo que ronda a vida de todo cristão verdadeiro, uma armadilha sorrateira que penetra o nosso coração e facilmente ganha espaço na nossa vida, uma falsa boa nova que tende a conquistar a nossa atenção. Paulo denuncia este evangelho que nos leva a pensar que nossa segurança está em nós mesmos e na nossa capacidade de provar para nós mesmos que merecemos o céu e suas riquezas. Paulo denuncia o evangelho da vanglória e da autojustiça pecaminosa.
Você e eu somos tentados a achar que nos tornamos cristãos porque somos melhores que outras pessoas e que seremos capazes de construir o céu com nossa capacidade maravilhosa de transformar o mundo. Paulo nos chama de volta para o Cristo crucificado e o evangelho da graça, onde a única explicação possível para um relacionamento sério com Deus é a nossa convicção de pecados e certeza do amor de Deus que está em Cristo Jesus por nós.
Alguns crentes da Galácia estavam procurando associar à sua fé a certeza e seguranças mundanas de rituais judaicos. Paulo, ainda que tenha crescido na doutrina judaica, considera que essa falsa segurança é uma espécie de mundanismo, porque faz do homem e da sua ação a razão da segurança e isto é falso.
Nesta pequena introdução que será alvo da nossa meditação desta noite, uma frase se destaca como o ponto de partida de toda a carta. Ela fala de uma figura de transplante. Este transplante, do mundo agrícola de Paulo, usa a figura de uma planta que foi retirada de um vaso de terras contaminadas para ser plantada em um outro lugar, onde a terra é boa e leva a planta a crescer de forma saudável.
Graça a vós outros e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do nosso Senhor Jesus Cristo, o qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai, a quem seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém (Gl 1.3-5).
Para não correr o risco de também termos nossa fé em Cristo adulterada, somos convidados por esta epístola a confiar somente em Jesus e a conhecer a natureza e o propósito de nossa salvação em Cristo. Quero, portanto, irmãos, falar deste transplante radical que Cristo promoveu ao tirar-nos deste mundo mal e nos transportar para o terreno da graça.
Estou usando a palavra “RADICAL” nesta mensagem por causa da palavra usada por Paulo no verso 4: “... para nos DESARRAIGAR”, no qual ele usa o verbo grego EKXÉLETAI – ARRANCAR COM FORÇA, como um resgate forçado, ou como Jesus usou ao dizer que se o nosso olho nos levar a tropeçar devemos arrancar o nosso olho, lá em Mateus. Radical, portanto, é de raiz, desarraigar aqui é retirar na raiz, nos livrar das garras deste mundo e nos transportar para o Reino de Deus.

Você precisa compreender que o Evangelho de Cristo é uma mensagem radicalmente alicerçada na força, poder e vontade de Deus
Precisamos pensar mais seriamente sobre um fato da nossa vida com Deus, porque precisamos considerar com mais força sobre o fato de que nossa vida com Cristo é resultado de ação alicerçada na força, poder e vontade de Deus.
Paulo, apóstolo, não da parte de homens, nem por intermédio de homem, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dentro os mortos, e todos os irmãos meus companheiros às igrejas da Galácia (Gl 1.1-2).
O problema que Paulo enfrenta nesta carta é o da falsa segurança propagada por um outro evangelho. Este evangelho falso e anátema era pregado por alguns falsos mestres, que eram aduladores e desejavam ocupar o lugar de Paulo como mestre da fé e sua finalidade era meramente interesseira. Estes falsos tentavam confundir a mente dos gálatas levando-os a servir aos rudimentos de uma lei caduca, os ritos judaicos. Paulo, para defender seu apostolado enfatiza a natureza do evangelho que ele prega.
Não da parte de homens nem por meio de homens – o capítulo 1 de Gálatas é fortemente dedicado a este chamado de Paulo e ao fato de que sua mensagem não era resultado da vontade do homem, nem dos rudimentos humanos, mas da ação de Deus exclusivamente. O Evangelho é uma mensagem baseada na força, no poder e na vontade de Deus. Esssa consciência deve nos levar a pensar com mais seriedade sobre o que realmente estamos fazendo e parte do quê estávamos fazendo, quando vivemos segundo o Evangelho de Cristo.
Por Jesus Cristo e por Deus Pai – em suas epístolas, sempre defende o seu apostolado, mas aqui em Gálatas ele tem um contraste mais enfático: não segundo homens, mas da parte de Jesus. Paulo está enfatizando o fato de que o Evangelho não é um meramente uma mensagem originada no homem e na sua capacidade inventiva. Ele condena, portanto, aqueles que preferem viver segundo doutrinas criadas por homens e enfatiza que o evangelho que ele pregou, o evangelho que se evidencia na graça e se assegura na graça não tem como origem o homem, mas a vontade de Deus. Por isso, ele continua em uma forte afirmação da maneira especial em que seu chamado ocorreu, quando ele foi levado a viver nas regiões da Arábia, onde recebeu do próprio Cristo a mensagem que ele passou a pregar em toda parte.
Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, aprouve revelar o seu Filho em mim, para que eu o pregasse aos gentios, sem detença, não consultei carne e sangue, nem subi para Jerusalém para os que já eram apóstolos antes de mim, mas parti para as regiões da ARávia e voltei, outra vez, para Damasco (Gl 1.15-17)  ,  
O qual o ressuscitou dentre os mortos – o poder de Deus foi o responsável pela principal notícia da história: a ressurreição de Cristo. Este evento deu início ao Reino do Evangelho e Cristo se tornou Senhor e Rei por causa do poder de Deus que o ressuscitou. Então, quando Paulo defende o seu apostolado, o poder no qual se alicerça o seu evangelho é o poder da ressurreição, da vida de Cristo.
Meus irmãos, precisamos compreender a nossa vida dentro deste pensamento: SOMOS FRUTOS DA FORÇA, PODER E VONTADE DE DEUS. Meus irmãos, precisamos considerar com mais seriedade as implicações de que a nossa vida está RADICALMENTE ALICERÇADA NA VONTADE DE DEUS. Somos frutos do que Deus quer que sejamos!! Precisamos desta postura.
Não vivemos para Deus segundo a nossa vontade e sim segundo a vontade de Deus. Você precisa começar a considerar o que realmente é o Evangelho para você e ele não pode ser só uma questão de gosto pessoal, compreenda que isto é o que incomoda Paulo na postura dos crentes da Galácia, pois eles estavam começando a crer seguindo invenções humanas, criando regras baseadas em gostos pessoais e não na vontade de Deus.
O cristão deve estar RADICALMENTE ALICERÇADO EM UMA PERSPECTIVA DE QUE SUA VIDA É RESULTADO DA FORÇA, PODER E VONTADE DE DEUS.  

Você precisa compreender que o Evangelho de Cristo exige uma concepção radical de novo padrão de vida
Paulo aponta para os crentes da Galácia o seu desejo de que experimentem a graça e a paz da parte de Deus e de Jesus. Sim, ele o faz com base na obra divina e logo propõe o coração do Evangelho:
O qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso segundo a vontade de nosso Deus e Pai (Gl 1.4).
A si mesmo se entregou pelos nossos pecados – Paulo precisa construir o seu argumento baseado na voluntariedade de Cristo e tendo como destaque a nossa condição pecaminosa. A entrega de Jesus é voluntária e a nossa condição pecaminosa é a razão da voluntariedade da morte de Jesus. Trata-se de um resgate, um arracamento de raízes necessária. Nossa saída deste mundo não foi um ato nosso, mas um ato de Jesus Cristo.
Para nos desarraigar deste mundo perverso – a malignidade deste mundo é descrita aqui nesta expressão e ela indica a perdição e a distância que estávamos de Deus, enquanto estávamos plantados no terreno pecaminoso da nossa vida pecaminosa. Aqui ele aponta para uma ação propositiva de Cristo. Isto é, ele realmente entrega a sua vida tendo como objetivo nos arrancar das garras do pecado.
Segundo a vontade de nosso Deus e Pai – Paulo complementa a ideia apontando a ação de Cristo como um complemente da vontade do Pai. Aqui, portanto, Paulo está apenas nos fazendo ainda mais conscientes da ideia propositiva de nos arrancar das garras do pecado e nos fazer filhos do Reino de Cristo, como um resultado de um plano eterno de salvação.
Meus irmãos, toda esta construção deve nos fazer conscientes de que fomos retirados de um modo de vida e transportados para outro. A boa nova de Cristo é que fomos resgatadas do nosso fútil procedimento, segundo o pecado e da nossa condição de mortos em delitos e pecados e feitos um reino de sacerdotes para a glória do Reino de Cristo.
Precisamos compreender que isto implica em uma posição radical em favor de um novo padrão, segundo o Evangelho. Não podemos ser determinados pelos rudimentos do mundo e sim pela vontade de Deus, expressa na mensagem do Evangelho.
Irmãos, enquanto não nos posicionarmos em nossa nova condição e enquanto não buscarmos este novo padrão, não experimentaremos o que Paulo chamou de graça e paz da parte de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo. Jamais teremos a experiência da igreja, porque é este posicionamento em favor de um novo padrão que une a igreja em todos os lugares, inclusive na Galácia.
Meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós (Gl 4.19).
Este novo homem é o que Paulo tem mente na vida de todos os crentes. Ele vê a necessidade de ser formado em nós um novo homem, segundo o padrão de Cristo e não segundo o mundo. É preciso renegar o modo de vida deste mundo e viver o padrão de Cristo. Por isso, faz tanto sentido a frase célebre de Gálatas 2.20.
Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim (Gl 2.20).
Precisamos radicalizar nisto: VIVER SEGUNDO O PADRÃO DE DEUS E NÃO DOS HOMENS É UM COMPROMISSO QUE PRECISAMOS LEVAR A SÉRIO. PRECISAMOS VIVER O PADRAO CRISTO.


Você precisa compreender que o Evangelho de Cristo é uma mudança radical de sentido para a vida humana
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Conclusão
Algumas vezes, vivemos de uma forma muito estranha e parece que estamos um pouco perdidos. O resultado é que parece que não encontramos muito espaço para a nossa vida com Deus neste mundo ou quando estamos aqui, parece que não vemos muito sentido para a nossa vida no mundo, dentro do nosso contexto espiritual. O que vemos é pessoas vivendo de forma dividida.
Enquanto você viver assim dividido sua vida não terá um real sentido, lhe faltará algo. Você não verá o mesmo Deus que parece ser um valor tão elevado e cheio de glória, presente no seu dia a dia, como se de alguma maneira estivesse privado de desfrutar de Deus no seu viver diário. Isso é terrível!! Você precisa mudar.
Paulo está nos propondo um modo de vida natural que seja um reflexo de nossa consciência espiritual. Um modo de vida que está baseado em algumas premissas:
1)    A vida natural deve ser dirigida pela percepção de que a segunda e eterna é uma direção para a qual devemos apontar tudo o que fazemos.
2)    A vida natural deve ser submetida à soberania de Deus e suas lutas naturais são resultados da melhor casca para que sua vida produza o melhor fruto. Deus sabe tirar o melhor de você e planejou fazê-lo.
3)    A vida natural não é um fim em si mesmo, devemos trazer a finalidade eterna como um projeto e começar a fazer os valores da eternidade presentes em cada gesto, declaração, escolha... precisamos desfrutar de prazeres da eternidade ainda vivendo aqui. ]

Desta forma que momento terá significado e cada momento será pleno de importância e, desta forma também, você descobrirá valor na sua presente existência e poderá revesti-la da mais gloriosa perspectiva de redenção e ressurreição. Você é alguém que ressuscitou com Cristo, embora ainda na casca, já pode se livrar da casca, por meio de uma mente que pense nos frutos e na árvore final.
Traga o eterno para a sua experiência natural.





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Toda mensagem escrita é apenas um registro. O sermão bíblico de fato é único, como um rio que passa e muda a cada instante. Um sermão só pode ser pregado uma única vez. Caso seja repetido em outro púlpito, ainda que use os mesmos registros, será outro, por várias razões: a) o pregador nunca é o mesmo, pois está sendo transformado a cada mensagem que prega; b) os ouvintes são outros; c) o Espírito é o mesmo, mas é dinâmico e aplica o que quer aos corações.
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