7 de dezembro de 2014

Daniel 9.15-19 - IP Taquaritinga

“O Que Pedir a Deus Quando Descobrimos que a Nossa Vida não Agrada a Deus”
Daniel 9.15-19

Foco da Nossa Condição Decaída
Não estaremos suficientemente maduros enquanto nossas orações não refletirem verdadeiramente nosso estado espiritual e quando isso não nos conduzir a um constante arrependimento e quebrantamento pela maldade que revelamos no nosso modo de viver. Neste texto, o grande profeta Daniel considera o seu pecado e o de seu povo e deseja a restauração do Senhor. Isso, como certeza deve ser um alvo de todos os que são filhos de Deus e chamados pelo seu Nome.

Introdução
O conteúdo das nossas orações revelam muito sobre nós mesmos. A igreja do século XXI, no Brasil, tem se revelado uma igreja despreocupada com seu real estado espiritual. Aparentemente, para muitos crentes, a vida descompromissada, voltada para os planos pessoais, sem fervor espiritual e santidade, parece não incomodar.
Daniel, o profeta do Senhor estava lendo os livros do profeta Jeremias e notou ali a profecia dos setenta anos de cativeiro. Ele alarmou-se com o prazo que se aproximava em cumprir, pois não havia notado que o povo de Deus estava pronto para a volta à sua terra.
No primeiro ano de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus, no primeiro  ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi, pelos livros, que o número de anos de que falara ao profeta Jeremias, que haviam de durar as desolações de Jerusalém era de setenta anos. Voltei o rosto ao Senhor Deus, para o buscar em oração e súplicas, com jejum,  pano de saco e cinza (Dn 9.1-3).
Daniel sabia que seu povo teria de apresentar-se a Deus e que a obra de purificação, pela qual o Senhor havia mandado o povo para o exílio, sequer havia se mostrado  real na vida dos filhos de Israel.
Como já vimos em outro momento, a oração de Daniel repete a confissão do pecado de ter se desviado da Palavra de Deus, pregada pelos profetas e terem vivido de forma perversa. Ele afirma que o modo de vida do povo da aliança em nada combina com sua ligação com seu  Deus. Eles haviam pecado, sobretudo o terceiro mandamento estava na mente do profeta.
Orei ao Senhor, meu Deus, confessei e disse: Ah Senhor! Deus grande e temível, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos, temos pecado e cometido iniquidades, procedemos perversamente e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos (Dn 9. 4-5).
 A consciência de Daniel o acusava a respeito dos seus pecados e dos pecados de todo o povo. Assim como Isaías, no capitulo 6, quando diante da glória e da santidade de Deus afirma:
Sou homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios (Is 6.5).
Consciência dos próprios pecados e dos pecados do povo ainda não tem sido uma marca da liderança da igreja de Cristo em nossos dias. O prazo do Senhor pode também estar se acabando para nós. Podemos também estar diante de nosso Deus e não temos visto aquela obra tão anunciada nas Escrituras:
Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito (Ef 5.27).
Caro irmão, quando olhamos para a igreja de nossos dias ou quando olhamos para a IP de Taquaritinga, depois destes 109 anos, podemos dizer que essa é uma igreja mais preparada para a volta de Cristo? Eu sei que é um dia de aniversário, dia de festa. Mas, eu não tenho compromisso com Deus e com a palavra de entretê-los com elogios. Eu preciso falar-lhes sobre a santidade e a pureza da Igreja que Deus deseja operar. E sobre a consciência que deve levar essa igreja a orar.
Irmãos em Cristo, vejam como Daniel foi conduzido à esta oração por causa da consciência de pecados dele e do povo. Note como para ele, o tempo de Deus pressionava o coração e como buscou desesperadamente uma mudança no povo que viesse do Senhor.
Ele afirma que o mal que veio sobre o povo era a mão de Deus agindo para que o povo voltasse para o Senhor.
Como está escrito na Lei de Moisés, todo este mal nos sobreveio: apesar disso, não temos implorado o favor do Senhor, nosso Deus, para nos convertermos das nossas iniquidades e nos aplicarmos à tua verdade (Dn 9.13).
Daniel entendia que sempre há um propósito nas disciplinas do Senhor e elas devem nos levar à uma forma de vida segundo a Lei de Deus. Mas, ele diz que apesar do  que  própria Lei de Moisés fala, ele não via acontecendo isto na vida do povo de Deus.
Muitas vezes, a igreja está ouvindo constantemente a Palavra do Senhor. Somos exortados e muitas vezes reconhecemos dizendo: “foi para mim este sermão”. Cumprimentamos o pastor na porta, afirmamos a verdade da palavra, mas ela não está nos conduzindo a Deus.
Daniel percebe isto e sua consciência da gravidade deste pecado o leva a clamar o perdão de Deus.
Hoje em dia, nossas orações revelam crentes interesseiros e desprovidos de qualquer consciência de pecado. Crentes que pouco valorizam a vida segundo a palavra de Deus. Devemos, irmãos, orar pedindo perdão deste pecado.

O que fazer quando a nossa consciência de pecados nos levar à oração? O que devemos esperar de Deus?

Quando nossa consciência nos levar à oração, devemos suplicar o perdão de Deus


Comece lembrando a história
Na verdade, ó Senhor, nosso Deus, que tiraste o teu povo da terra do Egito com mão poderosa, e a ti mesmo adquiriste renome, como hoje se vê, temos pecado e procedido perversamente (Dn 9.15).
Note que Daniel tem consciência de que o povo de Deus tem raízes históricas em Deus. Ele lembra da Aliança,  ele recorre ao  fato de que Deus não falhou, mas o povo sim.
Caro irmão, note que sua história com Deus é uma responsabilidade. A história desta igreja com Deus é uma responsabilidade coletiva de vocês e Deus pesa estas coisas. Daniel entende que o povo de seu tempo havia pecado por não viver de modo digno das grandes libertações, das promessas, dos grandes feitos de Deus.
O renome de que ele fala é uma constatação de que os feitos de Deus em favor do seu povo espalharam pelas terras a glória de Deus. Os canaanitas, se assustavam ao saber que o povo de Israel estava chegando, porque diziam o povo do Grande Deus havia se posicionado para a batalha. Foi isso que a prostituta Raabe disse aos espias.
Mas, Daniel dizia consigo mesmo: não estamos a altura deste Deus, temos pecado e procedido perversamente.
É assim que você se sente, quando pensa na história de Deus na sua vida. O mesmo Deus que te libertou, que cuidou de você, de sua família? Você sente que não tem vivido à altura deste Deus?
Clame o seu perdão. Confesse o seu pecado! Você precisa disto!


Pense no amor e na misericórdia de Deus
Ó Senhor, segundo todas as tuas justiças, aparte-se tua ira e o teu furor da tua cidade de Jerusalém, do teu santo  monte, porquanto, por causa dos nossos pecados e por causa das iniquidades de nossos pais, se tornaram Jerusalém e o teu povo opróbrio para todos os que estão em redor de nós  (Dn 9.16).
Daniel clama que o Senhor aparte sua  ira porque a cidade de Jerusalém é a menina dos seus olhos. Ele sabe que Deus não deseja ver o seu povo sendo envergonhado e humilhado. Ele sabe que Deus ama o seu povo.
Deus ama sua vida, ama a igreja e devemos clamar que nos perdoe por amor e por misericórdia, porque Deus é rico em perdoar (Is 55.7).
Você precisa pedir este perdão e esperar recebe-lo porque Deus ama sua igreja e se volta para ela, quando o povo se humilha, arrepende e ora.
 
Quando nossa consciência nos levar à oração, devemos suplicar a restauração
O profeta Daniel identificou uma grande necessidade: Deus precisa restaurar o seu povo. Ele sabia que o prazo dos setenta anos estava  se acabando e Israel continuava longe do Senhor, então clamou, pediu perdão e suplicou restauração.
Agora, pois, ó Deus nosso, ouve a oração do teu servo e as suas súplicas e sobre o teu santuário assolado faze resplandecer o teu rosto, por amor do Senhor. Inclina, ó Deus meu, os ouvidos e ouve; abre os olhos e olha para a nossa desolação e para a cidade que é chamada pelo teu nome, porque não lançamos nossas súplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias (Dn 9.17-18).
Deus nosso - Daniel clamava ao Senhor que restaurasse o seu povo. Ele primeiramente apelava para o fato de que o próprio Deus se declarava “ser nosso Deus”, Deus do seu povo. Daniel apontava para o fato de que sua esperança estava no seu Deus. Nosso Deus é nossa esperança. Várias palavras nestes versos aumentam a certeza de Daniel para suplicar a restauração do Senhor. Ele diz: teu santuário; cidade que é chamada pelo teu nome. O amor de Deus por seu povo é a garantia de que ele se voltará para nós.
Faze resplandecer o rosto - Quando os homens olham para a igreja eles podem ver nossa assolação, nosso opróbrio. Afinal, os poderes do mundo, muitas vezes, parecem vencer, parecem fazer sucumbir a igreja. SE formos às ruas desta cidade, nesta noite, veremos que talvez, haja mais pessoas na bebedice e nas drogas que aqui, em torno da palavra de Deus. Mas, podemos esperar que Deus faça resplandecer o rosto sobre nós. Podemos brilhar mais!
Fiados em Deus - Essa é a grande esperança de Daniel: Deus. Não se trata do que somos capazes de fazer - nossas justiças - mas de Deus. Precisamos retomar essa esperança do que Deus pode fazer. A história da igreja revela o que Deus pode fazer através de sua igreja. Deus age no seu povo e pode agir aqui e agora, pode transformar a nossa vergonha em luz.
Meus irmãos, a disposição de Daniel de pedir a Deus a restauração estava totalmente fundamentada no poder de Deus e na sua misericórdia e amor. Precisamos clamar que Deus aja em nossa vida e precisamos confiar no seu poder. Clamemos pela restauração do Senhor.

Quando nossa consciência nos levar à oração, devemos suplicar a  consagração
No livro de Jó, o autor nos propõe a história de um homem que era temente a Deus e que, por causa das coisas que sofreu, passou a questionar a retidão dos desígnios de Deus. O ponto em discussão não é apresentar uma censura a Jó, como fizeram os seus amigos. A questão proposta neste livro é a busca de uma compreensão mais clara da razão maior para que um homem de Deus sofra em um mundo que pertence a Deus.
Deus escolhe o que irá fazer e não cabe julgamento do homem a esse respeito. Esse ponto pode parecer duro demais, ao dizer que o homem está à mercê do seu Deus, mas é preciso que entendamos que isso é assim. O que talvez precisemos incluir nesse pensamento é que Deus tem um propósito elevado a fazer o que faz na nossa vida.
Acaso anularás tu. De fato, o meu juízo? Ou me condenarás, para te justificares? Ou tens braço como Deus ou podes trovejar com a voz como ele faz? Orna-te, pois, de excelência e grandeza, veste-te de majestade e glória. Derrama as torrentes da tua ira e atenta para todo o soberbo e abate-o. Olhar para todo soberbo e humilha-o, calca aos pés os perversos no seu lugar. Cobre-os juntamente no pó, encerra-lhes o rosto no sepulcro. Então, também confessarei a teu respeito que a tua mão direita de dá a vitória (Jó 40.8-14).
Estes versos são escritos em um certo tom de ironia. Deus está dizendo a Jó que quando ele conseguir fazer coisas de Deus, que o próprio Deus o reconheceria. Posso ver aqui alguns ecos do Gênesis 3, o texto da queda e da proposta do Diabo: “como Deus sereis”.
Algumas vezes somos tão arrogantes que pensamos em julgar Deus, como se pudéssemos fazer melhor que Ele. Essa é a maior de todas as loucuras e pode acontecer com até mesmo aqueles que são tementes ao Senhor, como Jó o era.
Nestes versos desejo destacar três pontos. O juízos, isto é, as escolhas que Deus faz para a nossa vida não podem ser julgadas por nós e, em geral, quando julgamos Deus estamos, na verdade, tentando nos justificar:
Acaso anularás tu. De fato, o meu juízo? Ou me condenarás, para te justificares?
Um segundo aspecto é a nossa impressionante arrogância como fruto de uma total falta de sabedoria. O texto, em forma irônica, deixa claro que Jó estava se portando como um louco ao ousar pressionar uma resposta a partir de uma censura a Deus.
Ou tens braço como Deus ou podes trovejar com a voz como ele faz? Orna-te, pois, de excelência e grandeza, veste-te de majestade e glória.
E o terceiro aspecto diz respeito aos propósitos de todas as ações de Deus. Na verdade, dentro de um texto irônico, em que Deus propõe a Jó que seja Deus, ele, então, pede a Jó que faça a sua obra, qual seja: a de tornar os homens soberbos em pessoas símplices e humildes e também agir com justiça contra todos os ímpios.
Derrama as torrentes da tua ira e atenta para todo o soberbo e abate-o. Olhar para todo soberbo e humilha-o, calca aos pés os perversos no seu lugar. Cobre-os juntamente no pó, encerra-lhes o rosto no sepulcro.
Neste último ponto, Deus apresenta a sua principal obra, a de nos conduzir a Ele por meio de um quebrantamento. Só Deus pode realmente quebrantar o homem soberbo e essa é a grande obra que Ele opera. A redenção que temos em Cristo é uma transformação do nosso coração para se tornar o coração bem aventurado dos humildes de espírito, dos mansos, dos misericordiosos etc.
Jó precisava deste quebrantamento, ainda que fosse um homem temente a Deus e ainda que sua vida pudesse servir de exemplo para muitos. Assim também, devemos perceber isso em nós mesmos.
A grande resposta é que o nosso Deus é Deus porque pode e usa todas as coisas para mudar quem somos e nos transportar para o reino do seu filho. Somente quando esse Deus estiver ante os nossos olhos e nossa percepção honrá-lo com nosso submissão e obediência é que poderemos dizer que temos realmente vivido e aprendido de Deus.

Conclusão
Algumas vezes na vida você esteve diante de um grande impasse espiritual e talvez tenha lutado contra Deus. Neste texto, somos exortados a manter o nosso olhar fito naquele que nos  criou, o Todo-poderoso. Aqui somos exortados a abrir o nosso horizonte de pensamento sobre a vida e admitir que se desejamos realmente prevalecer em cada circunstância da nossa vida, precisamos ser determinados pelos objetivos de Deus e seus desejos, não pela nossas aspirações mundanas, pequenas e pecaminosas.
O texto, nos aponta o fato de que o método de Deus e nos conduzir a respostas construídas pela vida e experiência com Ele. Como se a vida fosse uma escola que nos prepara para admitir que Deus é Deus sempre e que somos apenas servos inúteis, pequenos e carentes de sua ajuda e cuidado. Também nos indica o fato de que o grande propósito de Deus é mostrar o seu amor ao cuidar de nosso coração, conduzindo-o ao grande quebrantamento que nos faz mais próximos, ligados e abençoados por Deus.
Caro irmão, diante desta exposição eu convido você a fazer uma profunda reflexão sobre a sua postura diante de Deus. Ele deseja que você pense e repense os valores que estão norteando sua caminhada na terra, mas também te conduz a considera-lo em todos os seus caminhos. Permita-se ao quebrantar de todo o seu coração e à uma mudança tão profunda quanto a que aconteceu no coração de Jó que só pode exclamar:
Eu sei que tudo podes e nenhum dos teus planos pode ser frustrado (...) na verdade falei do que não entendia, coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia (...) Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem, por isso, eu me abomino e me arrependo no pó e na cinza (Jó 42.2-6).  
Esse é o homem a ser construído a partir de uma viva e clara experiência com Deus, um homem que vive teocentricamente, que se dispõe a considerar Deus em tudo e se permitir provar e ainda assim reconhecer a grandeza e supremacia do Todo-poderoso.


Daniel 7.1 a 14 - IP Taquaritinga

O que um homem de fé precisa para resistir em dias maus
Daniel 7.9-14
(Sermão Pregado na IP Taquaritinga - 109º aniversário - Dezembro de 2014)

Foco da Nossa Condição Decaída
Ter uma visão da glória e poder do reino de Cristo deve nos conduzir à segurança e paz, mesmo em tempos de aparente descontrole, principalmente quando o mal parecer maior que o bem.

Introdução
Uma igreja centenária carrega consigo a história e essa história revela a relação que Deus mantém com sua igreja. Para mim, igrejas como a IP Taquaritinga não apontam para o desejo e o poder de Deus de manter o testemunho vivo do Evangelho até a volta de Cristo.
Olhando para esta profecia, vamos notar a perseverança de Daniel e lhe perguntar: o que precisa saber um homem de fé para vencer dos dias maus? Que tipo de conhecimento de Deus é preciso ter para ser uma igreja vitoriosa em dias quando a fé tem sofrido perseguições da mídia, de movimentos libertários.
Neste ponto uma mudança no tom da profecia pode ser mais claramente identificado. Até o capítulo 6, o que temos uma rápida descrição histórica da evolução de Daniel nas cortes babilônicas e medo. O final do capítulo 6, nos mostra este clímax:
Daniel, pois, prosperou no reinado de Dario e no reinado de Ciro, o persa (Daniel 6.28).
A ênfase desta descrição histórica é apontar para o fato de que Daniel testemunhara que a mão de Deus havia estabelecido reis e os destituído, segundo o seu querer.
No capítulo 7, dá-se início a uma etapa da profecia mais voltada para as revelações de Deus aos seu profeta. Agora, então, a profecia deixa o seu aspecto mais genérico de descrição histórica e passa a ter uma característica de mensagem mais pastoral para o povo da aliança, que estava em cativeiro nas terras babilônicas.
Essa mensagem pastoral para o povo da Aliança visava mostrar a todo o povo da Aliança um certeza: Deus estava no controle dos reinos e a paciência da espera era uma virtude que deveria ser cultivada no coração dos filhos do pacto.
Eu e você precisamos ouvir essa mensagem hoje. Precisamos ter discernimento para os dias mais sombrios, quando todas as coisas parecem caóticas, sem controle, sem direção, parecendo esconder Deus de nossos olhos.
Assim como o  salmista, clamava ao dizer: até quando, Senhor? Podemos descansar como o próprio salmista que orava e confia na graça do Senhor. Assim como Asafe não entendia como o mal podia prosperara tanto, mas descansou quando lhe foi revelado que Deus está no controle do poder dos ímpios e os destruirá.
Um HOmem de Fé Precisa Conhecer o seu Deus e discernir os seus propósitos. 

Um Homem de Fé Precisa Saber Que Por Mais Que Seja Grande e Poderoso o Mal Não Prosperará
Os versos 9 e 10, apontam para uma nova cena na profecia. Até aqui ele descreveu, por meio de imagens vivas de quatro grandes animais, a sucessão de poderosos reinos. Mas, agora, uma nova cena domina o cenário: um trono é posto diante de Daniel e nele estava sentado uma figura chamada “Ancião de Dias”.
Continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e o Ancião de dias se assentou; sua veste era branca como a neve, e os cabelos da cabeça, como a pura lã; o seu trono eram chamas de fogo, e suas rodas eram fogo ardente. Um rio de fogo manava e saia diante dele; milhares e milhares o serviam, e miríades de miríades estavam diante dele, assentou-se o tribunal, e se abriram os livros (Daniel 7.9-10).
Continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e o Ancião de dias se assentou - fica notória a mudança da cena e é proposital essa mudança. Em meio à descrição dos reinos humanos e seu poder, abruptamente Deus leva Daniel a ver o que realmente está acontecendo, enquanto os reinos da terra se sucedem: ele está no seu santo monte, ele está no trono.
Ancião de Dias com vestes brancas, cabelos brancos perfeito - Deus é descrito pela figura de um ancião de dias de vestes brancas e cabelos brancos. A sabedoria, a santidade e a eternidade se destacam nessa descrição. Deus deve ser considerado segundo essas qualidades para que o povo da aliança repouse sua segurança em algo sólido (eterno), puro (santo) e justo (sabedoria).
Fogo no trono, rio de fogo - O fogo carrega justamente essa ideia de justiça implacável e a ideia de umrio de fogo que sai do trono, aponta para uma justiça ativa, que flui do trono sobre todos.
Milhares de miríades - os exércitos celestiais, sob as ordens de Deus, com certeza sobrepujam todas as forças dos caldeus, medos, persas, gregos, romanos e qualquer outro grande exército que marchar sobre a face da terra.
Essa cena visava contrastar com a turbulência e violência de todos os reinos que se sucederam nas primeiras cenas, inclusive com aquele último animal, feroz que devorava tudo.
Quando todas coisas parecem estar fora do controle e você se perde, às vezes, até mesmo diante do progredir do mal, confie na justiça que sai do trono do nosso Deus. Ele está no seu santo trono, ele está no controle absoluto de todas as coisas. Enquanto as coisas  parecem incontroláveis nesta terra, Deus está regendo com justiça os povos.

Um Homem de Fé Precisa Confiar no Governo de Deus Sobre Todas as Coisas
Isto nos leva aos versos 11 e 12. Eles fazem uma ligação entre o que Daniel vira e ouvira antes no quarto animal e o que estava acontecendo diante do trono de Deus.
Então estive olhando, por causa da voz das insolentes palavras que o chifre proferia; estive olhando e vi que o animal foi morto, e o seu corpo desfeito e entregue para ser queimado. Quanto aos outros animais, foi-lhes tirado o domínio; todavia, foi-lhes dada prolongação de vida por uma prazo e um tempo (Daniel 7.11-12).
Por causa das isolentes palavras - Esse ponto faz a ligação. Na verdade, isto aponta para o fato de que as coisas que os imperadores, governantes, reis, presidentes, autoridades fazem contra o Senhor e o seu povo não passarão impunes.
O poderoso reino descrito na figura do quarto animal, geralmente apontado como sendo o grande Império Romano, teria um dos seus líderes agindo insolentemente contra o povo de Deus e, naturalmente, contra o próprio Deus. 
A questão que importa ao povo que ouvira essa  mensagem não era qual seria este império, mas que Deus estava no controle dos acontecimentos e pronto a vingar o seu povo e agir coibindo qualquer insolência. Mesmo os mais insolentes abusos, como nos dias atuais, contra o povo de Deus, estão pesando na balança de Deus, assim como o foi o Império Caldeu e tantos outros. Deus pode ter limites largos para a sua paciência, mas em tempo sua justiça se voltará contra a insolência. Lembro-me do famoso episódio do Titanic: “Nem Deus afunda este navio”.
O corpo desfeito, entregue para ser queimado, foi lhes tirado do domínio - Todas essas expressões apontam para o fato de que o caminho dos ímpios perecerá. Precisamos cuidar de não andarmos na impiedade, pois mesmo que pareçam os ímpios estarem em dianteira ou vencendo a batalha, Deus é quem está no controle de todas as coisas e quando ele quer, despedaça estes reinos, como é possível fazer com um graveto seco.
Desfazer o corpo é uma maneira de destacar que, a força daquele animal e a sua confiança nos seus músculos, no poder de sua força muscular, pouco representa para Deus, que pode desfazê-lo em cinzas. Curiosamente, devemos nos lembrar do próprio incêndio em Roma e do declínio deste império ímpio.
Prolongação de vida por um prazo - mesmo que Deus esteja contando os dias destes impérios e planejado dar cabo a cada um deles, Deus controla o prazo que ainda se mantém no poder e o povo da aliança deveria saber que este prazo, sob o controle de Deus, é sempre menor do que imaginam os homens.
Jeremias havia predito 70 anos de cativeiro, e o povo poderia confiar nisto. Mas, quando eles olhavam os gigantesco poder que lhes havia conquistado, nem dava para acreditar que se desfaria em tão pouco tempo. Deus apenas estava lhes garantindo que deixassem, que mesmo o grande poder dos maus, pode em um pequeno segundo desmoronar, como hoje, lembramos a queda do muro de Berlim, com o fim de um dos mais duros governos ditatórias da Europa (09 de novembro de 1989).
Abriram-se os livros - Esta cena é repetida no  livro de Apocalipse, capítulo 20. Aqui, o juízo equilibrado de Deus é o ponto mais confiável desta existência. O Senhor está pesando todas as coisas na balança do seu juízo.
Quanto todas as coisas parecem fora do controle, quando o agir dos inimigos da cruz parecer incontrolável, quer na sua maldade ou na sua insolência. Lembre-se que Deus está no controle direto dos acontecimentos e não deixará impune os seus inimigos.

Um Homem de Fé Precisa Confiar e Viver Para o Reinado de Cristo

Nos versos 13 e 14, entra em cena uma nova personagem: um como o Filho do Homem. Que espetacular visão: o Filho do Homem! Daniel  vira antecipadamente o Dia de Cristo e glória do seu poder.
Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem, o seu domínio é domínio  eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído (Daniel 7.13-14).
Eu estava olhando e eis - Novamente uma mudança de cena que da mesma forma apresenta uma inclusão inesperada. Agora, desta vez, tudo acontece diante do próprio trono de Deus. Ou seja, tudo era a parte gloriosa do plano do Deus Vivo.
Vinha nas nuvens um como o Filho do Homem - O Novo Testamento consagrou o uso desta expressão para se referir à Cristo. O próprio Jesus Cristo usou a passagem de Daniel para se referir a si próprio e ao dia de sua segunda vinda: O Filho do homem virá nas nuvens.
O ponto inicial da visão do Filho do Homem é que tudo o que ele recebe, o recebe das mãos do próprio Ancião de Dias. O governo de Cristo é derivado do governo de Deus.
Foi-lhe dado domínio e o glória -  
Fé é descansar no fato de que Cristo cumprirá o seu propósito em nossa vida, para o que ele próprio foi enviado a este mundo.
Eu lhes tenho transmitido  as tuas palavras que me deste, e eles as receberam e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste (João 17.8).
Você só conseguirá amar a Deus assim, acima de todas as coisas e a Jesus Cristo, o Filho de Deus, se tiver fé. Aliás, se você tiver fé como um grão de mostarda, obras ainda maiores que as de Daniel poderão acontecer.
O que poderá acontecer? Serei liberto dos meus leões? Talvez não, mas você deixará um testemunho de que creu em Deus.
Estavam diante da cova dos leões dois homens.
Dario, um homem de uma fé vacilante, que não tinha um Deus vivo a quem confiar a sua vida. Do outro lado, Daniel, que creu em seu Deus.
Mas uma coisa diferente aconteceu desta vez. Dario aprendeu coisas com a fé de Daniel:
Então, o rei Dario escreveu aos povos, nações e homens de todas as línguas que habitavam em toda a terra: Paz vos seja multiplicada! Faço um decreto pelo qual, em todo o domínio do meu reino, os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel, porque ele é o Deus Vivo e que permanece para sempre, o seu reino não será destruído, e o seu domínio não terá fim. Ele livra, e salva, e faz sinais e maravilhas no céu e na terra; foi ele quem livrou a Daniel do poder dos leões (Daniel 6.25-27).

SAIBAM QUE UM HOMEM DE FÉ PODE MUDAR O MUNDO.

Conclusão
Você precisa se posicionar diante do seu Deus. Você o ama? A menor pergunta que você poderia fazer agora, como eu já disse, é: o que fazer para vencer leões? A pergunta que todos nós devemos fazer é: O que fazer para mostrar o meu amor por meu Deus?
Comece dedicando tempo e continuidade, constância no relacionamento com Ele;
desperte o seu coração para a pureza devida a Cristo, busque a santificação diante dos homens e Deus;
Viva por fé, porque o justo viverá pela fé. Martinho Lutero o proclamador da REforma Protestante do Século XVI, levantou-se para transformar o mundo, quando refletiu sobre essas palavras: O JUSTO VIVERÁ POR FÉ.