13 de dezembro de 2015

Isaías 42.1 a 4

O Ministério do Servo de Jehovah
Um Modelo Para a Igreja do Século XXI

Isaías 42.1 a 4

(Sermão pregado no dia 13 de dezembro de 2015 - IPBVF por ocasião do Advento)

Foco da Nossa Condição Decaída
Em lugar de tantos modelos pragmáticos dos nossos dias, o ministério da Igreja no século XXI deve se espelhar na simplicidade do ministério do próprio Cristo: comunhão com Deus; simplicidade; misericórdia, coragem e um alvo grandioso: o mundo. Nem menos, nem mais que a imitação do próprio Cristo é o que devemos esperar cumprir em nossa jornada como servos de Jehovah neste mundo.

Introdução
Quase sempre a busca de um modelo ministerial para a igreja do século XXI desemboca em uma miscelânea de métodos e ferramentas que quase sempre tendem a afastar o povo da aliança do verdadeiro propósito da missão delegada por Jesus Cristo.
A lógica desta mensagem é tomar como modelo para a igreja do século XXI o mesmo ministério profetizado por Isaías, o qual  marcaria a pessoa e obra do Servo de Jehovah, no capítulo 42.
Nos dias de Isaías, o próprio povo de Deus estava vivendo dias de frieza espiritual. Os homens que diziam amar o Senhor, na verdade amavam somente a si mesmos e andavam segundo os caminhos do seu próprio coração. Deus não somente era esquecido e rejeitada, mas também era tratado como se fosse um qualquer.
Ai dos que escondem profundamente o seu propósito do Senhor, e as suas próprias obras fazem às escuras; e dizem: Quem nos vê? Quem nos conhece? Que perversidade a vossa! Como se o oleiro fosse igual ao barro, e a obra dissesse ao artífice: Ele não me fez, e a coisa feita dissesse do seu oleiro: ele nada sabe (Isaías 29.15-16).
Ainda que mantivessem sua rotina no templo e seus cânticos, suas festas, seus sacrifícios não lhes oferecia uma vida de comunhão verdadeira com Deus. No fundo, estavam cada vez mais afastados e inclinados ao pecado.
Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós o  os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue (Isaías 1.15).
No entanto, em meio a esta grande malignidade e espiritualidade falsa do seu  povo, Jehovah mostra a sua misericórdia e amor. Ele credita o seu “SERVO”, seu escolhido para fazer uma obra maravilhosa e ser o resgatador deste povo.
NO capítulo 11, ele é prometido, um herdeiro de Davi, o servo do Senhor, sobre quem estaria o Espírito de Sabedoria e de entendimento, de conselho e de fortaleça, de conhecimento e temor do Senhor, este servo, dará a sua vida para salvar o povo da aliança dos seus pecados e trará paz e justiça sobre a terra.
Assim, o profeta apontava para Jesus Cristo o servo do Senhor e para sua obra redentiva. A lógica de nossa mensagem é que o modo como Jesus realizou a sua obra, também designou sua igreja para realizar. A igreja é a continuidade do ministério de Jesus e a verdadeira estratégia da igreja para cumprir a sua missão é conhecer e imitar a própria maneira de Jesus.
Diante de nós temos o capítulo 42, o trecho poético do cântico do Servo de Jehovah. Nele temos uma suscinta descrição do Ministério do Servo e, nos veremos neste mundo seguindo o seu exemplo, seguindo o seu caminho e imitando sua maneira de Servir.
Se queres servir a Deus, imite a Cristo, faça tudo segundo o modelo do próprio Messias, Servo de Jehovah.

O Servo de Jehovah Segue Seu Ministério Segundo UM Padrão de Verdadeira Comunhão com Deus
Uma das passagens mais marcantes do Novo Testamento para mim é aquela em que Jesus fala sobre os falsos profetas:
Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade (Mateus 7.23).
Sinto-me aterrorizado diante da possibilidade de alguém passar pela vida, imaginando que está servindo a Deus, mas trilhando uma estrada completamente distante dEle e ser reprovado no final. O próprio apóstolo Paulo buscava de todas as formas cuidar de si mesmo neste sentido.
Mas eu esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado (1Coríntios 9.27).
Não nos enganemos, irmãos. Pode ser que exista entre o povo de Deus aqueles que sobem para pregar em um púlpito e que jamais tenha buscado a Deus de verdade, ou que se levante para louvar um Deus com quem não tem comunhão, ou quem dirija um ministério, sem saber quem verdadeiramente é o Senhor.
E este é um grande perigo para a Igreja, mas maior ainda para quem se deixa levar por um tipo de vida assim. Afinal, de nada adianta ganhar o mundo inteiro e perder a si mesmo do  caminho.
NO texto que tomamos para esta noite, a descrição do ministério do Messias é diferente, veremos que o SERVO DE JEHOVAH tinha uma íntima e perfeita comunhão com Deus e sua vida agradava a Deus.
Eis aqui o meu servo - O primeiro destaque é que Jehovah define  profeticamente sua relação com Jesus o Messias apontando para ele como “seu servo”. Isto é, ele não viveu para si mesmo, mas viveu para servir a Deus. Isto definia a sua vida.
A quem sustenho - a força na qual ele andava e realizava o seu ministério era a força do próprio Deus. Ele não vivia de si mesmo, vivia do que recebia de Deus.
Meu escolhido - Jehovah aponta para esta relação íntima, que tem haver com um amor eterno e eletivo. A segurança do ministério de Jesus vinha do fato de que ele servia como fruto de uma relação eterna de amor eletivo. Isso lhe dava segurança e paz para seguir adiante.
Nele a minha alma se compraz - Este é o meu filho amado no qual tenho prazer! Sabemos que isto foi testemunhado sobre Jesus, da mesma sorte que todo servo de Jehovah deve desejar ser considerado.
Pus sobre ele o meu Espírito - Um homem cheio do Espírito Santo é assim que anda o SERVO DE JEHOVAH. Não se trata de alguém que está andando segundo o conselho do seu próprio coração, mas alguém que se distingue por que é guiado pelo Espírito e vive para agradar.
Ele promulgará o direito para os gentios - O SERVO DE JEHOVAH tem uma meta e uma missão abrangente, dada por Deus e para isto é que vive.
Uma profunda intimidade com Deus é um elemento necessário se desejamos seguir em nossa missão neste mundo e este é justamente o ponto para o qual precisamos focar os mais poderosos esforços.
Somos tentados a um tipo de cristianismo de visita a Deus e não morada com Ele. De vez em quando nos aproximamos de Deus e não andamos continuamente.
O problema deste tipo de vida é que ela não caracteriza realmente uma vida de SERVO DE DEUS. Não somos chamados apenas para fazer algumas coisas para Deus, somos chamados para VIVER COM DEUS E ANDAR COM DEUS, TER INTIMIDADE COM ELE. ISSO É IMITAR JESUS, ISTO É SER SERVO DE DEUS.

O Servo de Jehovah Segue Seu Ministério
Buscando a Humildade Sem a Intenção da Autopromoção
Quem é o melhor pastor, quem é o melhor músico de igreja, quem é o melhor coral, qual é a melhor igreja, quem é o melhor crente da greja. Algumas vezes, em nossos dias, parecemos servir a um mercado da fé e o que importa é a AUTO IMAGEM que proclamamos de nós mesmos e de nossas realizações.
Não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça (Isaías 42.2).
O que a profecia de Isaías descreve não é um ministério obscuro ou desconhecido, mas um ministério que não usaria a ferramenta dos comandantes militares que gritavam suas ordens e apresentavam a si mesmos e sua AUTORIDADE PESSOAL.
Diante de Pilatos, o pretor romano inquiriu Jesus dizendo assim: eu tenho autoridade para te soltar e mandar matar. Diante de suas perguntas, Jesus manteve-se calado. Apenas afirmou que a toda autoridade vem de Deus.
O ponto que precisamos trabalhar fortemente em nossa prática pessoal é o cuidado com o narcisismo espiritual ou a vanglória ministerial. Quem precisa crescer em nosso ministério não somos nós, mas ELE.
João Batista já havia dito isto sobre a sua relação com Jesus: IMPORTA QUE ELE CRESÇA E EU DIMINUA. O próprio Jesus disse que NÃO VEIO REALIZAR A SUA VONTADE, MAS A DAQUELE QUE O ENVIARA.
Humildade é uma marca da verdadeira amizade com Deus. E sem a humildade não é possível seguir a vida como SERVO DE JEHOVAH. Precisamos disto irmãos!
Julgar os outros, aponta-lhes falhas, ou buscar a proeminência entre os demais e buscar para si a honra pessoal são tentações às quais estamos expostos todos os dias. E como é difícil não cair em tentação!!
Precisamos daquilo que Deus falou no verso primeiro sobre o Servo: a quem sustenho. Nossa oração deve ser contínua sobre nossa própria soberba e coração rebelde. Precisamos clamar a Deus que não nos deixe à mercê da malignidade do nosso coração. Para que não nos aconteça como aconteceu  com tantos homens de Deus. Não subestime o mal que está em seu coração.
Foi Salomão o filho de Davi, escolhido para ser o homem mais sábio que já existiu. Contudo, sua soberba o levou ao pecado da idolatria.
O Servo de Jehovah Segue Seu Ministério
Marcando Seu Caminho Com Um Coração Misericordioso
Diante dos olhos de Isaías havia muito sofrimento produzido pelo pecado do povo. Na verdade, o próprio povo produzia uma multidão de aflitos e injustiçados, por causa da soberba e da falta misericórdia na terra.
Os homens haviam se tornado tão ambiciosos e tão egocentrados que não se preocupavam com o sofrimento alheio, desde que suas vidas estivessem “seguras” e seus interesses preservados.
O contemporâneo de Isaías, Miquéias tem um declaração solene sobre isto:
Ele te declarou, ó homem, o que é bom e o que  é que Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus (Miquéias 6.8).
O ministério do SERVO DE JEHOVAH é descrito na profecia por uma dupla ilustração:
Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega, em verdade promulgará o direito (Isaías 42.3).
As figuras apontam para os que se encontram em condição de necessidade espiritual, quase a morrer e que esperam a destruição. A  primeira das figuras, a cana quebrada.
Cana quebrada não esmagará — ele se refere àqueles caniços que ficam à beira do rio, onde os animais passaram e o deixaram quebrados, nos quais pouca seiva passa e estão presos à vida por um fio. Bem, o texto diz que o SERVO DE JEHOVAH não passa por este caniço e o arranca de vez da sua única chance, não o esmaga, como uma brincadeira de crianças.
A torcida que fumega não apagará - aqui o profeta se refere ao tucho de pavio que os candeeiros possuíam e que estava quase se apagando, tentando sobreviver com as poucas faíscas de brasa que insistem em não se apagar. Com um leve toque de dedos ou um simples assopro, facilmente se apagaria. O SERVO DE JEHOVAH NÃO O APAGA. 
Estas figuras apontam para o olhar de misericórdia que precisamos ter diante do mundo que está ao nosso redor. Onde moro deparo-me com uma incrível situação, a condição caída da humanidade. Além das pessoas que moram na rua, mais gritante para mim é a pobreza voluntária dos que procuram na vida de festas alguma alegria. Amanhece o sábado, o domingo e eles ainda estão na rua, bêbados e destruídos.
A igreja precisa ter um olhar de misericórdia. Muitos seres humanos estão vivendo no limite da vida. Apegados a algum pouco de vida que ainda lhes resta. Algumas vezes, estes pobres caniços estão dentro de nossas casas, vivendo suas vidas de pouco sentido próximo a nós. Temos de vê-los não com o olhar de desprezo, mas de misericórdia.

O Servo de Jehovah Segue Seu Ministério
Marcando Seu Caminho Com Uma Atitude de Coragem
É muito conhecido de todos nós o que Deus disse à Josué quando ele assumiu o posto de Moisés: SE FORTE E CORAJOSO. O SERVO DE JEHOVAH tem de agir assim, pois não pode desistir do seu ministério e de seu papel neste mundo. Isaías descreve o seu ministério da seguinte forma:
Não desanimará, nem se quebrará até que ponha na terra o direito (Isaías 42.4a).
A certeza da importância e necessidade do seu ministério conservará a sua firmeza. O próprio Jesus exemplificou isto quando caminhava na direção de Jerusalém e seu rosto refletia sua decisão resoluta de enfrentar tudo o que o esperava e que ele sabia muito bem.
A CORAJEM é um atitude que não significa ausência de medo, mas a certeza de que é preciso seguir adiante e realizar o que fomos chamados para realizar. Jesus é o maior exemplo, pois mesmo aterrorizado pela cruz, sabia QUE A VONTADE DE DEUS DEVERIA SER CUMPRIDA.
Na descrição de Isaías a força e a coragem do SERVO DE JEHOVA advém da sua missão, seu alvo é a efetivação da JUSTIÇÃ SOBRE A TERRA.
Infelizmente, para nossos dias, os cristãos estão perdendo a percepção deste chamado de influenciar. Muito desta perda tem a ver com o fato de percebermos o crescente expandir das trevas sobre o mundo. Mas, as trevas não deverão ser a razão de nossa intimidação, pois somo a luz e precisamos confiar no que somos em Cristo e no que podemos fazer em Cristo.
A falta de coragem para seguir adiante tem nos levado a encontrar outras coisas para preencher e nos tornamos especialistas em cultos nas igrejas, deixando o mundo se perder enquanto permanecemos aqui, bem confortáveis com a nossa visita a Deus e à sua Palavra.
O culto a Deus deve ser só o começo da nossa vida de iluminação deste mundo. Coragem e força até que, por meio de você a luz venha aonde você está.

O Servo de Jehovah Segue Seu Ministério
Marcando Seu Caminho Um Olhar Abrangente da Sua Missão
O grande John Wesley gritou bem alto quando foi proibido de pregar nas igrejas da Inglaterra: O MUNDO É A MINHA PARÓQUIA! Foi assim, pregando nas ruas, que os irmãos Wesley levaram milhares de homens a um encontro verdadeiro com Cristo. Eles tiveram uma visão abrangente da sua missão.
Meus irmãos, o SERVO DE JEHOVAH tinha uma visão abrangente de sua missão. Jesus sabia que tinha muitas ovelhas e algumas não eram de entre os judeus, mas pessoas do mundo inteiro, inclusive nós.
E as terras do mar aguardarão a sua doutrina (Isaías 42.4b).
Eu me vejo descrito neste verso e vejo o mundo inteiro aqui. Com certeza, os judeus não entenderam isto, por isto, não puderam, em grande número seguir a Jesus, pensaram apenas em si mesmos. Mas os apóstolos, mesmo sendo judeus, perceberam o seu chamado e seguiram a sua missão.
Caros irmãos, eis aqui a necessidade de uma igreja que aprenda a espalhar a verdade, a doutrina. Ou seja, o ensino sobre quem é Deus e proclamar um modelo de justiça.
Precisamos, como Cristo, ter uma visão mais abrangente de quem somos e do que viemos fazer neste mundo, segundo a vontade de Deus. Olhe ao seu redor e identifique sua paróquia! Sua família é sua paróquia? Seus amigos são a sua paróquia? Seus filhos? Sua esposa, seu esposo?
Eles estão aguardando a mensagem para a amarem! E também servirem a Cristo. Agora, você é o SERVO DE JEHOVAH!

CONCLUSÃO
Nesta noite, fomos abençoados pela ordenação de um jovem diácono. Aliás a palavra diácono é usada para definir a vida de SERVIÇO. O Eved do velho testamento é doulos do Novo.
Que bom seria que junto com o jovem diácono Vinícius, todos nós começássemos uma nova etapa na nossa vida de serviço ao Senhor. Quem sabe, você comece ainda hoje uma vida de proximidade com Deus e intimidade com o seu Senhor.

Também como seria importante que lançássemos para longe de nós toda soberba e desejo de vanglória. 

15 de novembro de 2015

Gênesis 12. 1 a 3

Mecanismos da Verdadeira Esperança em Cristo”
Gênesis 12. 1 a 3


Foco da Nossa Condição Decaída
Cristãos do século XXI parecem ter se esquecido de como a fé cristã é desafiadora e se conformaram em apenas aceitar o papel de esperarem o céu descer sobre elas. No  texto que abordamos esta noite, veremos o quão importante é desenvolver uma esperança vencedora, capaz de aceitar desafios de Deus para agirmos neste mundo de forma transformadora e abençoadora. Os elementos que propuseram ao coração de Abrão uma esperança que o fazia crer, mesmo quando não havia esperança, é a busca de um povo cristão corajoso e capaz de assumir um novo alvo, uma nova proposta de vida e uma confiança e esperanças vencedoras em Cristo. 

Introdução
Aqueles que se aproximam da história de Abraãoe e sua caminhada devem desejar ter uma motivação como a do velho patriarca.  Mas para alcançar a graça de ser tão ousado em confiar em Deus é preciso desenvolver uma esperança verdadeira em Cristo o que será o mais importante empreendimento de vida que um crente em Cristo pode realizar. 
Nós já conhecemos a história de Abraão e, a leitura de um texto como este do início da caminhada do patriarca pode não significar muito. Mas se recuarmos no tempo para pensar um pouco nas condições do mundo, quando Abrão foi chamado por Deus, nossa percepção desta história pode ser diferente. 
Lembremos que estamos falando de uma época em que o juízo de Deus havia transformado o mundo conhecido. Devemos lembrar que o juízo de Deus contra o pecado humano já havia se manifestado antes, contra Adão e Eva e nossos primeiros pais foram expulsos do jardim do Éden. Novamente, Deus enviou o seu juízo contra a maldade crescente do homem derramando o dilúvio e exterminando o ser humano da face da terra, exceto NOé e sua família. O reinício  de NOé poderia ser promissor, não fosse o fato de que o coração do homem continuasse contaminado pelo pecado e, o relato bíblico, no capítulo 11 de Gênesis, logo nos fala da Torre de Babel, quando os homens desafiavam a Deus e o juízo de Deus espalhou os homens pelo mundo, confundindo as línguas. 
Neste mundo caótico, Deus encontra um homem e o convoca a sair do caos para ser um instrumento de bênção para todas as famílias da terra. Neste mundo sem esperança, um homem é chamado a ter esperança e a confiar em Deus, o realizador da harmonia. Este homem é Abrão, um homem comum, filho de uma das famílias descendentes de Sem, filho de NOé, mas apenas um homem e Deus o usaria para ser o maior patriarca do povo judeu. 
Ele confiou em Deus, mesmo sem ter o mapa da viagem, nem um nome da terra ele tinha. Deixou o seu conforto, arriscou tudo aos setenta e cinco anos. Mas o que promoveu no coração de Abrão esta esperança tão firme e decidida? De que maneira seria possível para nós hoje desenvolvermos a mesma esperança vitoriosa de Abrão? 
Afinal, também nós vivemos em um mundo sem esperança. Uma sociedade e um mundo como o nosso em que pessoas se encontram em uma casa de shows na culta França e são assassinados brutalmente por terroristas, ou onde uma senhora de setenta anos é assaltada e o bandido a arrasta por metros por causa de uma pequena bolsa de mão; também vivemos em um mundo sem esperança, onde pensar em vê-lo melhor pode parecer impossível. Mas será que poderemos ser ainda instrumento de bênçãos para este mundo? 
Esta noite, veremos quais foram os mecanismos que agiram no coração de Abrão para o transformar no pai da fé e no patriarca da família da fé. Procuraremos nestes três versos encontrar estes elementos que promoveram esta esperança vitoriosa de Abrão e procuraremos nos adequar a este modelo de vida e fé. 

A Verdadeira Esperança em Cristo Exige Uma Atitude de Rompimento Com os Valores Corrompidos do Mundo
Acredito que todo mundo compreende que a fé Cristã exige uma atitude de rompimento com os valores corrompidos do pecado. Por isso, João, o Evangelista, insiste em dizer que não devemos amar o mundo, isto é o sistema de vida pecaminoso e corrompido dos homens sem Cristo e sem Deus.
No texto, a caminhada de Abrão começa com um rompimento: sai da tua terra. 
Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei (Gênesis 12.1). 
Quando observamos este verso, tendo em mente os resultados gerais da caminhada bem sucedida de Abrão, o pai da fé, é fácil aceitar que ele tenha tomado essa decisão e considera-la certa. Contudo, pensando como um homem, possivelmente muito bem sucedido junto à comunidade da família de Terá, respeitado e bem quisto de todos, que toma a decisão de deixar tudo isto para trás sem ter nenhuma certeza em mãos, precisamos refletir sobre o que realmente estava por detrás desta esperança e que elementos compuseram a esperança que ele tinha e que o motivou a seguir na direção certa.
NO verso um, como destacamos neste ponto, temos um dos mais importantes destes elementos: temos o rompimento com valores de segurança meramente humanas, para seguir na direção de obter segurança em Deus.
Disse o Senhor a Abrão - O episódio da Torre de Babel revelou que o pecado continuava mantendo os homens longe de Deus, profundamente destrutivos e necessitados de vida, pois a morte dominava os seus corações. Deus derrama o seu juízo sobre os homens e espalhando na terra as nações.  Mas o amor de Deus pelo ser humano, mais uma vez vai se revelar em meio às sombras do pecado. Deus já havia feito isto, no dia em que nossos primeiros pais pecaram, dando a luz da promessa do descendente, quando Caim matou Abel e Eva deu à luz mais um filho, Sete; quando os homens se tornaram continuamente maus nos dias do dilúvio e Deus chamou Noé e aprontou uma arca para ele e sua  família. Agora, a luz do Senhor aparecerá novamente no chamado de um homem: Abrão. Deus diretamente o chamou. Portanto, Abrão precisou olhar de forma diferente para aquela nova experiência.
Sai da tua terra, da tua parentela, da casa de teu pai - esta ordem de Deus foi ouvida por Abrão de uma maneira diferente. Ele sabia que era preciso um rompimento não somente com o local, mas com todos os valores que determinavam o modelo de vida das pessoas ao seu redor e determinava até então a sua própria vida. Josué, próximo à sua morte, reúne os anciãos de Israel e lhes desafia, afirmando sobre a idolatria de Terá e todos os que viviam dalém do Eufrates.
Agora, pois, temei ao Senhor e servi-lo com integridade e com fidelidade; deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais dalém do Eufrates e no Egito e servi ao Senhor (Josué 24.14).
O andamento do verso propõe a intensidade deste rompimento, pois é um movimento do âmbito maior para o menor: da terra, da parentela, da casa do pai. Isto implicava na intensidade e totalidade que Deus exigiria agora de Abrão.
Este é um ponto que acho que precisamos entender melhor. Na verdade, nossa esperança em Cristo estará fortemente ligada à intensidade da nossa decisão de viver para Cristo ou não. Na verdade, nosso chamado não significa deixar de viver entre as pessoas e seguir para os desertos ou qualquer lugar distante de tudo, mas para uma atitude conceitual a respeito dos valores que controlam o modo de vida deste mundo.
Na verdade, uma vez mudados pela perspectiva de que aprendemos a viver segundo outro padrão, assim como Abrão, somos também chamados para ser uma bênção para as pessoas. Isto é, precisamos renunciar para transformar. Somente os vivos poderão gritar aos mortos: venham para a vida.
Israel seguiu este chamado e saiu do Egito. Mas em meio à caminhada, as comidas e certamente os valores do Egito ainda os prendiam ao tempo de sua escravidão e não conseguiram desfrutar como deveriam da presença de Deus no deserto. No Novo Testamento, temos a história de Demas, que havia abandonado a fé, seguindo o presente século.
Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica; Crescente foi para a Galácia, Tito, para a Dalmácia (2 Timóteo 4.10).
A nossa esperança em Cristo se torna mais eficaz, na medida que se enfraquece a nossa confiança e apego nas estruturas deste mundo. O mecanismo que moveu a esperança de Abrão, que creu contra a esperança, começou em sua decisão absoluta de se voltar e confiar somente em Deus.

A Verdadeira Esperança em Cristo Exige Uma Renúncia de Alvos Pessoais em Favor dos Alvos de Deus
E vai para terra que eu te mostrarei - devemos pensar que para Abrão, estava sendo apresentado um novo alvo de vida. Afinal, vivendo na casa de seu pai, junto à sua parentela e na terra onde havia construído toda a sua vida, ele poderia se sentir seguro. Entretanto, o alvo de Deus para Abrão era um a proposta diferente.
A terra - propositadamente, neste momento, não é registrada qual seria esta terra. Aos setenta e cinco anos empreendeu uma grande viagem sem saber para onde ia.
Eu te mostrarei - o alvo seria o de Deus e não mais o dele. O único que sabia e conhecia a terra era Deus, mas Abrão foi desafiado a começar a sua caminhada apenas com  uma segurança: Deus sabe onde é e me mostrará a terra.
Sai da tua terra e vai para a terra que eu mostrarei - é um contraste muito rico deste verso. Ele impõe uma mudança de paradigmas total, pois existe que ele saída da “tua”, que simboliza o  seguro e a ego-segurança e vai para a “terra que eu mostrarei”, que simboliza um novo alvo, cuja única segurança é a palavra “eu”, porque este “eu” não é um qualquer.
O Escritor aos Hebreus descreve essa atitude de Abrão da seguinte maneira:
Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia... Porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edicador (Hebreus 11.8-10).   
Ele confiou no projeto e no alvo de Deus e a base para esta confiança era somente a palavra “EU”. Deus era a sua segurança e a sua esperança no projeto de vida que estava seguindo agora repousava nisto: Deus sabe onde é.
Não existe esperança cristã verdadeira se não conseguimos fazer do projeto e do alvo de Cristo nosso projeto e alvo pessoal. Mesmo que achemos atraente a proposta do Evangelho, só haveremos de ter aumentada a nossa esperança em Cristo, quando a proposta do Evangelho for realmente o nosso alvo.
Acredito que foi essa mudança que aconteceu no coração de Paulo que determinou que ele se tornasse o maior de todos os missionários do cristianismo antigo.
Mas  o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para conseguir Cristo (Filipenses 3.7-8).
A esperança de Abrão usou deste mecanismo para se consolidar em seu coração. O projeto e alvo de Deus se tornou o seu alvo e projeto de vida. Os valores que o controlavam e o mantinham preso à sua terra, agora não mais o aprisionavam, ele estava pronto para assumir um novo projeto, baseado apenas em “Deus” o “Eu” do verso 1.
Assim é que nossa esperança em Cristo irá se fortalecer, quando nosso coração admitir o alvo de Deus como elemento fundamental da nossa busca existêncial. A verdade é que nós temos mais elementos que Abrão para poder tomar uma decisão deste tipo, por isso, também somos mais culpados quando não confiamos em Deus como deveríamos.

A Verdadeira Esperança em Cristo Exige Um Crescente Senso de Propósito da Nossa Existência Para Abençoar o Outro
Nossa vida com Deus é grandemente distorcida quando a nossa esperança se constrói inteiramente na realização de nossos desejos e interesses pessoais. Nos tornamos cristãos vazios, incapazes de ver valor na verdadeira e única maneira de viver para Deus que é morrer para si e viver para Deus.
Paulo, nos estimula a sermos como Cristo que não procurou seus interesses, mas entregou-se à morte por causa de outros.
Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual e Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz (Filipenses 2.5-8).
Muitas vezes, há uma grande confusão sobre o que realmente motivou Abrão. Há quem afirme que foi exclusivamente a promessa de receber uma terra por herança. E de fato, isto o motivava. Mas o chamado de Abrão tem um elemento preponderante. Note quantas vezes aparece neste texto a palavra “bênção” e os termos relacionados a ela.
De ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra (Gênesis 12.2-3).
Eu te abençoarei e te engrandecerei  o nome, sê tu uma bênção - Os termos aqui apresentados devem ser considerados dentro da ideia de que Deus o faria crescer como um povo e lhe daria uma grande descendência. Mas também uma crescente prosperidade material estava presente neste elemento. Contudo, tudo isto estava sujeito ao ideal de que a vida de Abrão fosse uma bênção! Deste trecho, esta é a única afirmação no imperativo.
Na verdade, este texto está construído de uma forma a nos dizer o seguinte: para que você seja uma bênção eu te abençoarei e te engrandecerei o nome. Ou ainda, poderíamos compreendê-lo da seguinte forma: seja uma bênção, porque eu te abençoarei e engradecerei  o nome.
Em todos os sentidos, a ideia é que Deus o enviava para um projeto imperativo de bênção e lhe daria todas as condições para isto. Abrão, seria o agente da bênçãos de Deus para o  mundo e este era o proposito maior de sua missão.
Eu abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem, em ti serão benditas todas as famílias da terra - Esta construção, semelhante á primeira, aponta para o propósito de que Abrão seja o portador da bênção de Deus para todas as famílias da terra. Por isso, Deus agiria de tal maneira a favor de sua vida, que haveria de usar de grande misericórdia e bênção na vida daqueles que contribuíssem para o progresso da missão e o contrário na vida dos que atrapalhassem o projeto do imperativo de bênção.
Também podemos entender essa fraseologia como dizendo que Deus prepararia tudo o que fosse necessário para que Abrão cumprisse o seu papel de ser o portador da bênçãos para todas as nações.
No fundo, o chamado de Abrão é sobretudo um chamado para ser uma bênção. A esperança de Abrão não residia na terra que herdaria de Deus, mas que neste lugar, que Deus lhe mostraria, ele seria uma bênção para a construção de um novo povo, sob outros valores, uma família redimida por Deus, uma família abençoada. Isso motivava Abrão.

Conclusão
Precisamos compreender nosso chamado e desenvolver este novo senso de propósito. Precisamos encontrar um motivo maior para estarmos neste mundo e participarmos da vida um dos outros. Precisamos encontrar uma razão maior para a família que Deus nos deu, o casamento que Deus nos deu, a igreja que Deus nos deu, a cidade que Deus nos deu, o pais e todas as pessoas que Deus nos deu.
A esperança que devemos permitir que seja construída em nós deve nos fazer ver que temos um papel muito maior a realizar neste mundo. Precisamos discernir que somos do Senhor e chamados por ele para uma revolução, que visa levar os homens de volta à vida com Deus de forma teocêntrica.
Abrão e nós fomos chamados do meio de um mundo pervertido, distante e incapaz de perceber Deus, pois é um mundo de egocentrismo idolátrico em todos os sentidos. A nós, porém, foi dada a mente de Cristo e o poder do Evangelho do Reino de Cristo.
Os valores que devemos propagar devem prioritariamente os valores que reforçam a nossa esperança. Você pode achar sim, que está tudo perdido, mas Deus nos deu uma missão de transformar este caos humano em um lugar harmônico.
Abrão não viu as promessas concluídas e talvez nós não vejamos, mas isso não importa, temos um novo sendo de propósito existencial e o que nos motiva tem a ver com quem nos comandou: Deus.
Precisamos de alvos novos, precisamos dos alvos de Deus. A direção de Deus deve comandar nossos pensamentos e desejos. A questão central aqui é que eu e você somos os portadores da bênção de Deus e o nosso alvo é leva-la aos outros.
Aplicações Para a IP Vila Formosa
Ainda percebo que muitas vezes nos motivamos para as coisas desta vida de forma muito centrada em nós. A alegria e o descanso dos outros ainda não é uma prioridade, mas o nosso descanso e satisfação pessoal tem determinado, em muitas ocasiões as escolhas que fazemos.
Meus caros irmãos, todos sabemos que a vida é bastante cansativa e, muitas vezes, trabalhamos demais pesando nos outros, quando o  lema do mundo é “pense primeiramente em você”. Eu sei que é difícil pensar de outra forma.
Até já ouvi alguém dizer: para amar os outros você precisa amar a si mesmo. Afinal, o mandamento diz: amar o próximo como a si mesmo. Bem, no fundo, na Bíblia nós não encontramos nenhum mandamento que diga: ame a si mesmo; pelo simples fato de que já o fazemos sem o menor esforço, fazemos isto, naturalmente e quando não o fazemos, estamos doentes. O que o mandamento está nos dizendo: ame os outros, do mesmo como como naturalmente e intensamente você se ama.
Caros irmãos, nossa igreja precisa de cada um de nós! Ou  seja, cada um de nós, precisa de cada irmão. Encontrar desculpas para não servir é renegar a missão que te foi dada no corpo. Quero lhes fazer um convite para pensarem com muito carinho no modo como você pode ser uma bênção para os outros e em que área é o seu chamado para servir, qual é a terra que você tem de esperar, que não  é aquela que você idealizou, mas aquela que Deus idealizou para você?
Quero convidá-lo a participar desta nossa esperança: é possível ser uma igreja maior e melhor sempre. Uma igreja verdadeiramente viva e abençoadora.
Abrão cumpriu o seu papel, sacrificou tudo para ser uma bênção e você?

Oração
Senhor Deus, a tua vontade e não a minha, o teu alvo e não o meu, a tua alegria será a minha alegria e a tua missão será minha missão. Ajuda-me a pensar e desejar assim.

Em nome de Jesus

Amém!