3 de julho de 2016

Atos 9.31

O Ideal de Uma Igreja Espiritualmente Saudável
Atos 9.31

FCD
Neste texto, os elementos que veremos são aqueles que indicam que existe saúde espiritual na igreja. Tais elementos distinguem o verdadeiro agir do Espírito Santo na igreja de todas as tentativas meramente humanas de forjar uma aparente saúde espiritual na igreja. 

INTRODUÇÃO
Com certeza, temos nos tornado especialistas em marketing espiritual. Quando as pessoas nos veem em nossa performance espiritual, com o tanto de coisas que fazemos “para Deus”, realmente acreditam que somos pessoas especiais e cheias de uma verdadeira intimidade com Deus.
O pior de uma tentativa teatral de mostrar espiritualidade quando ela não existe de fato não é o que as pessoas, sem saber a verdade, pensam de nós. Acredito que seja muito pior o fato de que, com o passar do tempo, nós mesmos nos convençamos de que realmente está tudo certo e de que vida com Deus pode ser desenvolvida como um mero teatro.
Neste desejo de autoafirmação espiritual, nos apegamos aos nossos talentos, ministérios, privilégios etc, como se fossem resultados de nossa capacidade pessoal. Isto tudo só reforça nossa autossatisfação vazia.
A igreja descrita em Atos dos Apóstolos e o seu impressionante ministério não vivia assim. Era um corpo que crescia movido pela força do Espírito de Deus. Não se tratava de uma jogada de marketing pessoal ou coletivo. Aquela igreja experimentava uma verdadeira vida com Deus e o resultado era a sua SAÚDE ESPIRITUAL.
Vamos meditar esta noite neste verso que funciona como uma espécie de marcador no livro de Atos, ao menos na primeira etapa, cujo o foco central é mostrar o desenvolvimento coletivo da igreja. Este marcador é um desdobramento de Atos 2.42 a 47. Lucas, mais uma vez informa que a igreja estava se desenvolvendo rapidamente.
Aqui, em especial, Lucas dá algumas informações sobre este desenvolvimento e são estas informações que nos interessam para avaliar a saúde espiritual da igreja.
A grande questão é que este texto pode ou não ser um espelho de nossa vida com Deus hoje. É bem possível que, diante deste texto, eu identifique falhas em minha relação com o Senhor e o objetivo é que este espelho me corrija.
Então, estaremos diante de uma outra questão: TEMOS MESMO CORAGEM PARA ACEITAR QUE PRECISAMOS MUDAR E EFETIVAMENTE MUDAR? TEREI CORAGEM PARA ACEITAR QUE MINHA VIDA COM DEUS É UM TEATRO E ELA PRECISA SER REAL? ESTAREI, AO FINAL, DISPOSTO A BUSCAR SAÚDE VERDADEIRA DIANTE DE MEU DEUS?

UMA IGREJA ESPIRITUALMENTE SAUDÁVEL DEVE TER UM IDEAL DE PAZ
“A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria”
Estas palavras destacam uma das marcas da igreja descrita em Atos dos Apóstolos. Mas para compreendê-la, acredito que seja necessário um exercício temporal hermenêutico.
Devemos nos lembrar que, uma coisa é o relato do que aconteceu nos dias iniciais do Evangelho e outra o que estava acontecendo nos dias em que Lucas escreveu o livro de Atos dos Apóstolos.
Nos dias em que Lucas esteve escrevendo este livro, crentes Judeus e Gregos, por todas as igrejas, com algumas exceções, estão enfrentando crises de relacionamentos.
Quando Lucas diz que Galiléia, Samaria e Judéia, regiões de em geral tinham dificuldades para um relacionamento pacifico, viviam em paz, Lucas está apontando para a necessidade de pensarmos no valor da paz como sinal do que realmente é uma igreja saudável.
A igreja – ao usar o termo “eclesssia” em sua forma singular, mesmo se tratando de igrejas em regiões diferentes, Lucas está destacando o  Corpo de Cristo como algo abrangente e total. Em outros lugares ele se refere à igreja em um determinado lugar, como por exemplo em a “igreja que estava em Jerusalém” (Atos 11.22). Neste verso, a Igreja é um todo. A paz é um desfrute de todos.
Na verdade – é uma expressão de conclusão. Poderia ser um “portanto”. Isto aponta para uma constatação clara de Lucas sobre a realidade da igreja. Não se trata de uma mera opinião, mas de uma aferição da verdade. Não era um desejo de Lucas, mas uma realidade que a igreja realmente vivia em paz.
Tinha paz -   “Eiko Eirene” – O verbo “ter” indica a ideia de uma “posse experimental”, afinal, ninguém pode realmente “ter” a paz. Ela não é um bem que se possa pegar com as mãos e guardar em uma gaveta ou armário. A paz é algo que se tem, quando a experimenta. Paz, isto é, “Eirene”, era uma espécie de ideal cristão. Na verdade, “paz”  é um conceito bíblico de “harmonia”, o “Shalom” de Deus. Este conceito perpassa toda a Escritura como um alvo da plenitude da vida com Deus:
Orai pela paz de Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam. Reine paz dentro de teus muros e prosperidade nos teus palácios. Por amor dos meus irmãos e amigos, eu peço: haja paz em ti! (Salmo 122.6-8).
Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Principe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sore o trono de Davi e sobre o seu reino (Isaías 9.6-7ª).
Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize (João 14.27).
Nem sempre os crentes vivem em paz e nem sempre a igreja vive em paz. Algumas vezes, nós decidimos privilegiar as diferenças e aquelas coisas que nos afastam uns dos outros e nos tornamos doentes espiritualmente.
Nem sempre temos olhos para perceber que nos falta saúde espiritual e isso não é o pior. O pior é que muitas vezes sabemos que não temos saúde espiritual, mas preferimos viver como se nada estivesse errado.
Precisamos olhar para estas palavras de Lucas sobre a igreja e repensar o nosso ideal de igreja.

UMA IGREJA ESPIRITUALMENTE SAUDÁVEL DEVE TER UM IDEAL DE EDIFICAÇÃO NA COMUNHÃO
“Edificando-se e caminhando no temor do Senhor”
As palavras gregas podem nos ajudar muito nesta frase: oikodomoumêne poreumêne. Lucas usa a combinação destes dois verbos para nos dizer o que ele entendeu sobre o que havia acontecido nos dias da igreja primitiva.
Oikodomoumene – Edificando uma casa – Lucas nos diz que aqueles irmãos que viviam em paz, estavam empenhados em construir uma casa (oikos – casa e oikoumene – comunhão). Em outras palavras, Lucas está relatando que a igreja que foi alimentada na doutrina dos apóstolos e perseverava nas orações, estava construindo uma comunidade de comunhão, como uma casa. A ação dos irmãos não era visando a sua edificação pessoal, mas viviam num ideal de edificação mútua. Eles consideravam a vida na perspectiva do crescimento e edificação do outro.
Poreumêne – caminhando – o verbo é básico para definir o ato de caminhar. Lucas diz que a construção da sua comunhão ou do seu ambiente de comunhão acontecia enquanto serviam na sua missão básica de ir ao mundo. Algo muito interessante é que eles eram conhecidos como sendo “os do  Caminho” (Atos 9.2).
Estas duas palavras dão uma noção clara do que os irmãos entenderam como sendo o verdadeiro trabalho de uma igreja: realizar a obra do Senhor, construindo e fortalecendo uma casa de comunhão, que torna as pessoas mais próximas umas das outras.
Acredito que outra  figura neotestamentária que aponta para esta realidade é a do Corpo de Cristo. Mas, sem dúvida a proximidade e amor dos irmãos era uma das marcas daquela igreja.
Da multidão dos creram era só um o coração e alma. Ninguém considerava exclusivamente seu nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum (Atos 4.32).
 Mas de onde vinha esta força moral? De onde estes irmãos retiravam os elementos que lhes fortalecia para uma atitude tão corajosa?
No temor do Senhor – os valores que definiam aquela igreja eram determinados pelo modo como se relacionavam com Deus. Eles temiam a Deus.
O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino (Provérbios 1.7).
O temor do Senhor é uma atitude de coração. Este temor nos conduz ao quebrantamento reverente, que provoca em nós uma disposição de vida que valoriza o que Deus valoriza, que ama o que ama e que nos faz desfrutar desta vida com o objetivo de agradar a Deus.
Acredito eu a falta de temor do Senhor é  um mal do nosso século e da igreja nos nossos dias. Deus foi diminuído em nossa consciência e nosso dever religioso mudou de senhorio e isto nos fez caminhar numa direção cada vez mais em direção aos nossos interesses e não na  direção do interesse dos outros.
O ideal de edificar a igreja em um espírito de comunhão depende diretamente do nosso temor do Senhor.


UMA IGREJA ESPIRITUALMENTE SAUDÁVEL DEVE TER UM IDEAL DE COMUNHÃO COM O ESÍRITO SANTO
“e no conforto do Espirito Santo, crescia em número”
O livro de Atos dos Apóstolos tem uma agenda que visa mostrar o modo como a palavra de Jesus em Atos 1.8 haveria de se cumprir por meio o ministério da Igreja e dos apóstolos.
O final deste verso 31 é a ênfase de Lucas, mas aqui ele mostra o que estava acontecendo nos bastidores desta missão e deste crescimento. E os bastidores revelavam a intensa comunhão que eles tinham com o Espírito Santo.
No conforto do Espírito Santo – o termo “paraklesis”, aqui traduzido por “conforto”, pode ser traduzido também como “exortação” ou “encorajamento”. Eu particularmente, prefiro pensar que eles caminham e edificavam a sua vida mediante uma percepção da vontade do Espírito que os impulsionava, os encorajava a uma vida cada vez mais adequada do seu chamado.
A obra do Espírito Santo é o motor por detrás do ministério impressionante daquela igreja. Como disse o Dr. Kuiper, o livro de Atos dos Apóstolos poderia ser chamado também de “Atos do Espírito Santo”. O que diferenciava na vida daqueles irmãos era que a sua comunhão como Espírito Santo e a sua percepção aguçada para a vontade do Espírito.
Eles tinham sensibilidade para entender que o Espírito escolhia seus missionários (Atos 13.2) e era o Espírito Santo que os ajudava a tomar decisões difíceis (At 15.;28). Aquela igreja era sensível ao desejo e obra do Espírito Santo.
Por isso, eram encorajados a viver na contramão da mentalidade humana egocentrada e eram capazes de viver em comunhão de vida uns com os outros. Eram capazes de viver em paz, superando diferenças, doutra forma incontornáveis.
A nossa falta de ânimo e coragem para estas mudanças só denunciam a nossa falta de comunhão com o Espírito Santo. Preocupado com isto é que Paulo orientou os crentes de Éfeso e se encherem do Espírito:
Não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo (Efésios 5.18-21).
Crescia – na verdade, no texto grego temos apenas a palavra “eplephineto” que pode significar “se completar”. Não temos diretamente a ideia de número presente aqui, embora ela esteja bem presente no texto do livro. Mas, me parece que ideia de Lucas era muito mais de mostrar um valor conceitual de que a igreja chegava ao ponto ideal de estatura do que Deus deseja para seus filhos. Lucas usou a mesma palavra “eplephineto” para descrever o crescimento da Palavra de Deus (At 6.7 e 12.24).
Com certeza precisamos aprender a depender mais do Espírito Santo e a entender melhor a sua vontade para as nossas vidas. Precisamos começar a tomar mais decisões que sejam de acordo com uma verdadeira vida no Espírito Santo e não nos deixar influenciar por outras autoridades.
Algumas vezes nos deixamos mover por outros interesses e por interesses de outros para não andarmos segundo o Espírito. Precisamos fugir deste tipo de vida que nos impede de crescer na direção certa e nos ideais que Deus estabeleceu para nós.
Não consigo pensar em um ideal mais elevado que uma igreja que cumpre a sua missão como resultado da sua comunhão com o Espírito Santo.

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO
“UMA PROFUNDA REVISÃO PESSOAL E COLETIVA”
No começo desta mensagem eu disse que estaríamos diante de uma questão:
TEMOS MESMO CORAGEM PARA ACEITAR QUE PRECISAMOS MUDAR E EFETIVAMENTE MUDAR? TEREMOS CORAGEM PARA ACEITAR QUE NOSSA VIDA COM DEUS É UM TEATRO E ELA PRECISA SER REAL? ESTAREMOS, AO FINAL, DISPOSTOS A BUSCAR SAÚDE VERDADEIRA DIANTE DE NOSSO DEUS?
O ideal que você deve procurar agora é de se sentir diante de Deus e manter os olhos fixos nos olhos de Deus. Neste momento, ele olha para nós pessoal e coletivamente e precisamos encarar o que somos e o que Ele quer que sejamos.
Diante de nós está a necessidade de mudança para uma vida em paz, plena do temor de Deus, de amor uns para com os outros, que nos faça capazes de vencer nossas diferenças, que nos faça capazes de perdoar o irmão, de buscar o crescimento do outro e de viver em comunhão constante e crescente.
Também é importante que saibamos que não temos poder para fazer estas coisas se não buscarmos a mais íntima comunhão com o Espírito Santo. Por detrás da nossa falta está a falta da presença do Espírito naquilo que fazemos. Portanto, se uma mudança irá acontecer, começará neste ponto. Este ponto muda quando olhamos para Deus e nos sentimos pequenos e o temor do Senhor constrange o nosso coração.
Toda a sua vida está passando por este portão agora e você não pode se permitir escapar mais uma vez. Não pode deixar seu coração fugir de Deus mais uma vez. Enfrente o seu medo! Enfrente aquilo que está te afastando de Deus. Pode ser uma pessoa, pode ser um sentimento, pode ser um desejo pecaminoso, pode ser um vício, pode ser apenas a falta de atenção às coisas de Deus. Vença!!! VENÇA!! SE FORTE E CORAJOSO!!!!

Aplicação para a Igreja Presbiteriana de Vila Formosa
Não se trata de nenhum juízo que fazemos sobre os irmãos ou sobre nós mesmos. Trata-se de olhar para a Palavra e ver a nossa igreja no seu espelho e não podemos negar que temos muito que crescer.
Ainda não somos uma igreja que busca no crescimento mútuo o modo de vida que marca quem nós somos. Precisamos do temor do Senhor que se transforme em crescimento e em edificação na comunhão e principalmente em paz entre nós, meus amados irmãos.
Crentes da IPBVF busquemos ao Senhor!
Oração
Senhor, produza quebrantamento e verdadeira comunhão em nossa igreja. Ajuda-nos a viver para Cristo e somente para ele!
Amém


19 de junho de 2016

Atos 5. 12 a 16

Uma Igreja Com Um Ministério Impressionante
Atos 5.12-16


Um Ministério Impressionante da Igreja é Resultado da Sua Maturidade Bíblica e do Seu Ministério de Oração
No contexto desta passagem temos a oração da igreja no capítulo 4, versos 23-31. Depois da cura do homem coxo, os apóstolos, Pedro e João foram levados diante das autoridades e estes mostraram sua irritação com a igreja, por causa da pregação no nome de Jesus. Em resposta, a estes relatos a Igreja se colocou em oração e sua oração está registrada neste texto:
Tu, soberano Senhor, que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo quanto neles há; que disseste por intermédio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades se ajuntaram à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido. Porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio PIklatos, com gentios e gente de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram; agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus. Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos, todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus (Atos .23-31).
Quando voltamos o nosso olhar para a passagem que temos diante de nós, logo pensamos no ministério dos apóstolos como uma resposta de Deus a esta igreja que entendia a Palavra e buscava de Deus que pudessem espalhar esta mensagem.
Muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos (Atos 5.12a).
Em geral, temos a tendência de atribuir o crescimento da igreja ao poder da igreja para produzir milagres. Mas, o impressionante ministério desta igreja não se deveu ao poder dos apóstolos para produzir curas, sinais e prodígios. O impressionante ministério da igreja começava no seu estudo bíblico e na sua reunião de oração.
Caros irmãos, com certeza, não precisamos falar muito para aprender uma lição aqui. Acredito que temos desejado um Evangelho que faça diferença, mas não queremos nos envolver com ele a ponto de que ele realmente determine os rumos do nosso ministério.
Por que será que eles oravam por sinais e prodígios? Eles conheciam o mundo em que  viviam e sabiam que era necessário que Deus atestasse a sua mensagem e tinham a percepção clara de que era necessário impactar. Eles não buscavam ser admirados pelo seu poder pessoal, ou pelo poder da sua igreja, mas pelo impacto que a PALAVRA DE DEUS pode fazer numa sociedade.

Um Ministério Impressionante da Igreja Não é Uma Busca Por Uma Igreja Que Apenas Ajunta Pessoas, Mas Uma Obra Que Apresenta Sobretudo a Realeza de Cristo
A construção do texto de Atos 5.12-13 é bem interessante. Parece que a expressão que aparece em 12b é uma espécie de explicação que Lucas achou importante fazer:
E costumavam todos reunir-se, de comum acordo, no Pórtico de Salomão. Mas, dos restantes, ninguém ousava ajuntar-se a eles, porém o povo lhes tributava grande admiração (Lucas 12b-13).
A nota explicativa de Lucas tem duas funções. Uma delas e mostrar que havia pessoas que admiravam a Igreja por causa do seu impressionante poder, mas também que estas mesmas pessoas não tinham compromisso com o Evangelho.
Bem, o que devemos dizer aqui é que o ministério da Igreja não é uma tentativa de fazer com que toda a multidão de pessoas esteja do lado de dentro da Igreja. A transformação, como o final do texto mostra, é uma obra do Espírito. A missão da Igreja é apresentar a realeza de Cristo, a partir de sua própria vida comunitária. Por isso é que Lucas repete aqui, o que parece que já havia dito em 2.47:
Louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isto, acrescentava-lhe o Senhor dia a dia os que iam sendo salvos (Lucas 2.47).
A unidade da igreja, isto é “o comum acordo de estarem reunidos no Pórtico de Salomão”, é um valor impressionante do Evangelho. Precisamos investir neste valor, mais e mais.
Acredito que nossa resistência para a vida comunitária é um resultado do nosso esfriamento espiritual. A resistência os irmãos para os cultos nos lares, para os encontros fora do culto, para se comprometerem mais com a vida comunitária, é a grande fraqueza da igreja em nossos dias e a grande fraqueza de nossa formosa igreja.

Um Ministério Impressionante da Igreja é Uma Ferramenta de Socorro Espiritual e Material
A parte final do texto é maravilhosa! Ela nos dá conta de como Deus é bom com a sua Igreja e o quanto Deus está disposto a usar sua igreja para trazer homens e mulheres à fé. Vamos dividir esta última parte em dois pontos:
A) pessoas sendo tratadas nas suas necessidades espirituais
B) pessoas sendo tratadas nas suas necessidades materiais

E crescia mais e mais a multidão de crentes, tanto homens quanto mulheres, agregados ao Senhor (Atos 5.14).
Precisamos destacar alguns aspectos importantes desta passagem no original.
μαλλον δε προσετιθεντο πιστευοντες τω κυριω πληθη ανδρων τε και γυναικων
E grande aderentes crentes no senhor em grande número de homens e mulheres.
Quando olhamos este verso no original o que mais e destaca é a força de que muitas pessoas, muitos de ambos os sexos, que realmente haviam sido convertidos e pertenciam agora ao Senhor estavam se achegando à igreja.
Isto mostra o quanto uma igreja equilibrada é um bem para o mundo, para as pessoas, pois é grande instrumento para trazer pessoas das trevas para a luz.
Doentes e endemoninhados eram curados - Lucas já trabalhou elementos suficientes ao longo do texto para evitar que  seus leitores viessem a pensar qualquer coisa em relação à ideia de que Pedro procurasse ser uma celebridade espiritual.
O ponto de Lucas é mostrar o quanto o ministério da igreja era capaz de oferecer uma mudança social. Em resposta à oração, Deus não somente fortalecia a sua pregação, mas transformava a igreja em um ambiente de ajuste social. Deus cuidava da sua igreja em todas as dimensões.


12 de junho de 2016

Atos 3.11-26

Quando a Igreja é Uma Bênção Para Todas as Nações
Atos 3.11 a 26

Foco da Nossa Condição Decaída
A igreja existe para revelar Cristo ao mundo. A tentação de buscar a nossa própria glória e interesse é uma das grandes armadilhas do pecado. Nesta mensagem, a partir da estrutura do texto, veremos como o exemplo dos discípulos nos primeiros dias aponta justamente para esta consciência viva do seu papel neste mundo. A igreja precisa manter em mente que o seu papel é o ministério do holofote de apontar para Cristo.


A Igreja é Uma Bênção Para Todas as Nações
Quando Ela Não se Deixa Desviar em Razão do Seu Aparente Sucesso
Pedro e João haviam curado um homem coxo na porta do templo e agora estão lidando com a popularidade advinda deste feito. Mais que lidar com o que as pessoas estão dizendo, eles estão lidando com a inclinação do seu coração.
A população que estava acompanhando aqueles acontecimentos passaram a considerar que o que havia acontecido como um sinal de poder. Era muito comum os judeus se apegarem a sinais como se estivessem vendo as ações de Deus, como nos dias de Moisés, de Elias etc..
No momento em que Pedro havia curado o coxo, disse: Olha para nós (At 3.4).  O homem curado estava acompanhando os apóstolos e a população procurava estabelecer uma relação clara entre o milagre operado e as pessoas que o operaram:
Apegando-se ele a Pedro e a João, todo o povo correu atônito para junto deles no pórtico chamado de Salomão. A vista disto, Pedro se dirigiu ao povo, dizendo. Israelitas, porque vos maravilhais disto ou por que fitais os olhos em nós como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar? (Atos 3.11-12).
À vista disto - Lucas constrói esta cena para mostrar como as pessoas rapidamente buscaram construir uma fé no poder dos apóstolos, fazendo deles o centro e a razão do milagre e para também mostrar como Pedro reagiu àquela atitude da população em forte contraste de entendimento. A palavra que ele usa e que foi traduzida para “a vista disto” é “hidor”, do verbo “horal” que significa: olhar com discernimento. OU seja, o ponto de Lucas é que Pedro havia percebido, feito a leitura do problema.
Porque vos maravilhais e porque fitais os olhos em nós - esta construção sugere que a multidão estava fazendo uma ligação  intensa, pois também queriam olhar para eles do mesmo como o coxo olhou quando foi  curado. A ideia de Lucas é mostrar que Pedro discerniu o perigo de que a fé do povo se apoiasse em homens. Essa não foi a intenção do milagre, ao contrário, o que Pedro disse quando fez o milagre é que a riqueza que era passada ao mendigo era a de Jesus de Nazaré e não de Pedro e João.
Como se fosse pelo nosso próprio poder e piedade - O que Pedro discerniu é que o pecado havia distorcido o entendimento do que realmente havia acontecido, e as pessoas em geral estavam depositando nos homens sua esperança.
Se queremos realmente ser uma bênção para todos os povos da terra, se desejamos ser uma bênção para as pessoas ao nosso redor, se queremos encontrar real significado em nossa vida neste mundo, como igreja e como cristãos individualmente, precisamos ter o discernimento correto de que o poder do Evangelho não é nosso mas de Deus.
Quando alcançarmos qualquer sucesso no ministério, precisamos manter a clareza de que o poder é de Deus, a glória é do Senhor. Cada vez, que perdemos esta sensibilidade correta e começamos a achar que a obra acontece por nós, deixamos de apresentar a Cristo ao mundo e começamos a nos apresentar.
Sem dúvida, a luta acontece primeiro dentro de nosso próprio coração, porque é lá que o perigo realmente se concentra. ÀS vezes, queremos que todos saibam nossas qualidades e nossos feitos heroicos como estas fossem as verdadeiras credenciais do evangelho.
Se desejamos ser relevantes e abençoar as nações não podemos nos deixar desviar pelos nossos aparentes sucessos.

A Igreja é Uma Bênção Para Todas as Nações
Quando Ela Não Perde de Vista Que Dirige Sua Mensagem a Uma Sociedade Transgressora e Inimiga de Cristo
Infelizmente, temos visto uma verdadeira inversão no entendimento do que é o Evangelho. Essa inversão está sendo corrigida neste texto e, ao que  parece, em nossos dias, muitos ainda não atentaram para isto.
Note como é que Pedro corrige este problema. Ele começa apresentando o pecado  do homem contra Cristo como o  propósito de toda a ação cristã.
O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu filho Servo Jesus, a quem vós traístes e negastes perante Pilatos, quando este havia decidido soltá-lo. Vós porém, negastes o Santo e o Justo  pedistes que vos concedessem um homicida (Atos 3.13-14).
Pedro deixa claro para todo o povo que o problema deles não estava primordialmente em uma solução das suas questões sociais, ou mesmo pessoais de saúde, ou qualquer outra coisa, eles precisavam refletir sobre o fato que eles eram rebeldes contra o próprio Cristo.
Se eles desejavam ver a ação de Deus na sua vida, se desejam conhecer o poder de Deus, eles deveriam começar por uma profunda consciência de seus pecados.
Dessarte, matastes o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas. Pela  fé em nome de Jesus é que este mesmo nome fortaleceu a este homem que agora vedes e reconheceis, sim, a fé que vem por meio de Jesus deu a este saúde perfeita na presença de todos vós (Atos 3.15-16)
Este é o ponto: o  Evangelho é uma mensagem de acusação contra o pecado e um chamado ao arrependimento. Não podemos distorcer o papel da igreja e do  Evangelho. Não podemos deixar com que os holofotes estejam em nós ou nas nossas necessidades sentidas. Precisamos voltar nosso olhar para a verdadeira necessidade do homem perdido e fazê-lo ver sua miséria e rebeldia contra Deus.
Este nome fortaleceu a este homem - Lucas trabalha com a ideia de que a Igreja prega e vive em nome de Jesus. O NOME de Jesus é a sua autoridade e poder da igreja é de Cristo. Ainda sobre este mesmo milagre, diante das autoridades Pedro diz:
Então, Pedro, cheio do Espírito santo, lhes disse: Autoridade do povo e anciãos, visto que hoje somos interrogados a propósito do benefício feito a um homem enfermo e do modo por que foi curado, tomai conhecimento, vós todo o povo de Israel, de que, em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, sim, em seu nome é que este está curando perante vós... E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado  entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos (Atos 4.8-12).
 O problema da humanidade é que ela busca saídas em outros nomes. A igreja não pode tentar levar o seu próprio nome ao mundo, ela não é a fonte da salvação, ela não pode se deixar levar pela tentação de ser seduzida pelo desejo de estar em evidência.
Da mesma forma não podemos enganar os homens, nem fazê-los dependentes de nós. Precisamos fazê-los ver que precisam se voltar a Jesus. Todas as vezes, que a igreja prefere apresentar a si mesma, ela mostra que não compreende o problema e que está diante de algo que somente o poder de Cristo pode resolver.
Quando a igreja que ser uma bênção para o mundo ela não se desvia do seu papel de mostrar aos homens a sua transgressão e rebeldia contra Deus e seu Cristo.

A Igreja é Uma Bênção Para Todas as Nações
Quando Ela Não Abre Mão do Seu Ministério da Reconciliação
A solução que Pedro dá ao problema segue. Ele tira o foco do coxo e do milagre e volta os holofotes para Deus e a sua obra de redenção.
E agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância, como também as vossas autoridades; mas Deus, assim, cumpriu o que dantes anunciara por boca de todos os profetas, que o seu Cristo havia de padecer. Arrependei-vos, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados (Atos 3.17-19).
Cumpriu o anunciado pelos profetas - Pedro mostra que o trabalho de Cristo é a continuidade do trabalho de Deus. Ele já o fez quando ligou Cristo aos patriarcas, no verso, 13, agora, entretanto, ele liga a obra de Jesus aos profetas e à pregação da redenção. Pedro está dizendo que eles deveriam atentar para a obra de Deus e não para eles, os apóstolos. Eles também estavam apenas servindo a Deus.
Arrependei-vos e convertei-vos - O ponto importante é que e eles deveriam olhar para os seus pecados e sentirem o peso de estarem longe de Deus, por causa da rebeldia do seu coração. O problema deles não era serem curados de suas doenças, mas se converterem a Cristo.
A fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério, e que envie ele o Cristo, que já vos foi designado, Jesus, o qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de toda as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antiguidade (Atos 3.20-21).  
Agora, Pedro apresenta a eles os resultados desta disposição de alma para Cristo. Assim, eles trabalham com o ministério da reconciliação de todas as coisas com Deus. Este é o ponto, esta é a nossa busca, levar tudo cativo, tudo de volta ao princípio, tudo à Cristo.
Note que Pedro trabalha com a ideia de que os tempos de refrigério são uma consequência da centralidade de todas as coisas em Cristo. Assim, a continuidade do texto, com citações do Velho Testamento, mostra que tudo isto é o cumprimento das promessas da Aliança.
Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus estabeleceu com vossos pais, dizendo a Abraão: Na tua descendência, serão abençoadas todas as nações da terra (Atos 3.25).
Para ser uma bênção para todas as nações, a igreja precisa viver o  seu ministério da reconciliação e levar tudo ao senhorio de Cristo. Primeiro, a sua própria vida e tudo o que lhe diz respeito e ter a coragem de viver neste mundo na busca da vida dedicada a Deus.