15 de abril de 2018

Hebreus 1.1-4

A Sublimidade de Cristo e a Elevação da Minha Vida
Hebreus 1.1-4

Introdução
Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas, tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles (Hebreus 1.1-4).
Segundo João Calvino, nenhuma outra carta do Novo Testamento e nenhum outro livro da Escritura se dedicou tanto à enaltecer a sublimidade da pessoa e obra de Cristo quanto a Carta aos Hebreus. Eu concordo, ainda que Apocalipse contenha a visão do apóstolo João do Cristo glorioso, Hebreus nos conduz a mentalizar, por meio da própria escritura profética, que o Cristo a quem seguimos e servimos é o centro de todo o universo.
Mas porque este escritor se dedica tão fortemente a esta construção mental? O que pretende com essa condução do leitor à grandeza e à majestade de Cristo Jesus? O que realmente motiva alguém a apontar para a glória de Cristo de uma forma tão evidente e tão plena de argumentação? Em outras palavras, porque a percepção da sublimidade de Cristo é tão importante e o que pretende este autor com essa construção mental?
O que temos em nossas mãos é um escrito que visa atingir homens de fé abalada. Pessoas cujas lutas pessoais e decepções as afastaram de um compromisso leal e constante na fé. Pessoas que antes andavam bem, mas que agora vão longe de Cristo e estão desestimuladas. Pessoas que perderam o primeiro amor e não conseguem se levantar para retomar a caminhada cristã.
Os textos desta carta, muitas e muitas vezes fazem referencia a este público e a esta condição de muitas pessoas e as exorta a seguir adiante e a se levantarem para seguir a Cristo, sem medo, sem detenção...
Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão. Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará; todavia, o meu justo viverá pela fé e: se retroceder, nele não se compraz a minha alma. Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma (Hb 10.35-39).
Olhar para Cristo e perceber a sua glória e a sublimidade de quem Ele é, para o escritor da Carta aos Hebreus é a mola de impulso mais necessária para que renovemos nossa esperança e o vigor da nossa fé, não importando o quanto o caos deste mundo e de nosso próprio mundo interior tenha se tornado determinante para nós. Olhar para Cristo é o remédio que cura nossa falta de fé e perseverança.
Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o quel, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não fatigueis, desmaiando em vossas almas (Hb 12.2-3).
A Sublimidade de Cristo é a mola de impulso para a nossa fé. Olhar para ele e ter discernimento de sua glória, de seu amor, seu sacrifício, de sua palavra, poder etc. Tudo isto deve nos fazer rever nossa vida, nossas escolhas, nossas prioridades e as coisas que fazemos e o porque e para quem fazemos, para quem vivemos. Esta noite, irmãos, quero tomar os três primeiros versos do capítulo 1 e considerar a glória de Cristo e como essa glória deve elevar a minha vida.
Eu falei, três primeiros versos, mas marquei quatro no anuncio do texto. Sim, na verdade, quero partir do verso quatro.
Tendo-se tornado tão superior aos anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles (Hb 1.4).
Parto deste verso apenas para mostrar que algo estava acontecendo naqueles dias e que parecem revelar a inclinação natural do nosso coração para confundir as coisas espirituais.
Muitos judeus haviam deixado sua esperança em Cristo e procuraram esperança para sua vida na adoração de anjos. Você pode me interpelar dizendo: mas isto é insano. Como alguém pode trocar Cristo, por anjos? Bem, você tem razão no seu questionamento, mas muitos preferem entregar sua esperança a um emprego bem remunerado, ou preferem confiar nos diplomas que conseguiram conquistar, outros só se sentem seguros se mudarem de país e há quem despreze a Cristo, mas valorize uma viagem, um passeio, um namoro mais que a Cristo. Bem, eu pergunto a você, o que é realmente mais maluco, os que deixaram Cristo pelos anjos, ou os que deixam Cristo por pequenas tralhas de sua vida? Resposta: tudo isso é loucura!
O escritor as Hebreus propõe um conserto da vida cristã, ao propor que olhemos na direção certa e vejamos a Cristo. Para isto, ele nos convida a elevar a nossa vida, isto é, guindá-la a um patamar elevado e a perceber tudo num outro degrau. Ele nos convida a pensar e a considerar Cristo em sua totalidade e grandeza. NO texto de hoje, algumas notas iniciais desta elevada percepção de Cristo podem mudar muito o contexto de nossa fé e a disposição de seguir adiante.

Considere a Sublimidade da Palavra de Cristo e Eleve a Sua Vida

Havendo Deus, outrora falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho (Hb 1.1-2a).

Outrora falado aos pais pelos profetas – Para o autor da carta o apreço que os hebreus tinham pelos profetas é muito forte e é o ponto de partida e comparação. Ele sabia muito bem que os judeus nutriam uma séria concepção da glória com que Deus se revelou aos antigos profetas. Ele reforça essa ideia com duas palavras: polímeros e politropos (Polímeros – muitas vezes; POlítropos – muitas maneiras). Aqui, provavelmente o autor esteja destacando a quantidade e a qualidade impressionante do modo como o Senhor, gloriosamente, se revelou. Certamente, a figura de Deus falando na sarça, ou no meio da nuvem com Moisés está entre as marcas mais poderosas do que Deus é capaz de fazer e como é poderoso para falar ao homem.
No capítulo 12 ele usa essa figura de Deus falando a Moisés com muita força (Hb 12.18ss). Ali ele fala do poder e do terror que todos viviam ao verem e ouvirem o espetacular cenário da revelação de Deus a Moisés.
Na verdade, de tal modo era horrível o espetáculo, que Moisés disse: Sinto-me aterrado e trêmulo (Hb 12.21).
Nestes últimos dias nos falou pelo Filho – este é o ponto de contraste, o que Deus agora nos comunica por meio de Jesus Cristo, seu Filho amado. Essa percepção do poder da voz de Cristo é um dos elementos que permeiam toda a construção desta carta. O autor quer conduzir seus leitores, seguidores de Jesus Cristo, que eles agora obedecem a uma mensagem que nos foi entregue pelo próprio Filho de Deus e não mais por seus servos, os profetas. Isto implica em considerar ainda mais forte, poderosa a Palavra que nós seguimos.
Se, pois, se tornou firme a palavra falado por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram, dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade (Hb 2.2-4).
Essa mesma dinâmica comparativa, o autor usa no capítulo 12 ao dizer que diferente daqueles que ouviram a Palavra pregada por Moisés e ficavam aterrados ao pé do monte, os que ouviram a Palavra de Cristo deveriam se lembram que ele nos adverte do céu e que por isso, nossa situação é para ainda maior temor. Precisamos elevar nossa vida percebendo que a Palavra que ouvimos vem do céu.
Este é o ponto de reflexão que precisamos considerar aqui, irmãos. Não podemos brincar com os sermões que ouvimos, com o aprendizado que recebemos em nossas casas, por parte de nossos pais, ou na Escola Dominical, porque a Palavra que temos em mãos nos foi outorgada pelo Filho.
Por esta razão, importa que nos apeguemos com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos (Hb 2.1).
O segredo aqui é olhar para a Palavra de Cristo e pensar nas implicações e na sublimidade e sua condição elevada, porque é palavra proveniente do céu e do glorioso Senhor de tudo. Eleve a sua vida, elevando sua percepção da sublimidade da palavra de Cristo.

Considere a Sublimidade da Obra de Cristo Que Cria e Sustenta Todas as Coisas e Eleve a Sua Vida
A quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder (Hb 2b-3a).

O Pai constituiu o Filho Herdeiro de todas as coisas – Não enfatizei na primeira parte, mas vale a pena fazer o destaque agora. O destaque que digo é o de que Deus é o agente primordial. NO verso um, Deus é quem fala, pelos profetas e depois Ele é quem escolhe falar pelo Filho. Aqui, nestes versos, vem a complementação da afirmação anterior, isto é, o estabelecimento das bases porque a Palavra de Cristo é sublime, qual seja, o fato de que a palavra de Cristo é sublime, porque Deus o fez sublime.

Pelo qual também fez o universo e sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder - O pai o constituiu herdeiro de todas as coisas, ou seja, o Pai llhe deu tudo o que há e o fez senhor de tudo. Ele é quem comanda toda a realidade e nada está fora do seu domínio. Por meio dele, as coisas foram feitas e por meio dele as coisas são sustentadas. Irmãos, precisamos considerar o fato de que Cristo é o Senhor de todas as coisas e toda autoridade lhe foi dada.
Eleve sua vida com uma percepção elevada da condição gloriosa de Cristo. Considere com seriedade que ele cria e sustenta todas as coisas em Cristo. O apóstolo Paulo diz isto da seguinte forma:
Porque dele, por meio dele e para ele são todas as coisas (Rm 11.36).

Ele que é resplendor da glória e a expressão exata do seu ser – esta seríssima expressão teocentrizadora de Cristo é uma declaração grandiosa que os irmãos leitores da carta devem ter lido com o coração cheio de temor. Aqui está nos dizendo que Deus nos faz conhecida a sua glória e a glória do seu ser, quando olhamos para Cristo. Por isso é que ele disse a Filipe: quem me ve a mim, vê ao Pai.

Esse ponto é de grande valor para quem está disposto a seguir a Cristo, isto é, o ponto de perceber a sublimidade dele como Deus, criador e mantenedor de tudo o que há. Ele é o Senhor, dono e provedor de toda a realidade. Eleve a sua vida com essa percepção de Cristo.

Considere a Sublimidade da Posição de Cristo Como Rei e Eleve a Sua Vida
Depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas (Hb 1.3b).
Depois de ter feito a purificação dos pecados – Para o autor da carta esta ligação é sempre necessária e poderosa. Precisamos considerar a “tão grande salvação” que ele nos deu. Em muitas ocasiões o ponto de partida é o sacrifício de Cristo e sua elevada e complexa singularidade, isto é, nenhum outro poderia ter feito isto, da forma como o fez, sem defeito e eterno sacrifício salvador.
Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de deus, aproximemo-nos com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado da má consciência e lavado o corpo com água pura (Hb 10.19-22).
O fato de Cristo ter entregue a sua vida por nós já deve ser motivo de entrega total da nossa vida. Somente ele poderia e somente ele o fez, salvar pecadores imerecedores de misericórdia. Ele nos purificou, com sacrifício perfeito, elevado e poderoso.

Assentou-se à direita da Majestade nas alturas – a ideia é completa aqui, afinal ele não somente morreu por nós, mas ressuscitou para assumir o governo de todas as coisas. O autor está nos dizendo que precisamos olhar com mais confiança e temor, precisamos lutar e elevar nossa vida, porque Cristo foi elevado à uma condição superior, depois de nos ter salvo na cruz.

Eu e você não temos direito algum de nos permitir qualquer refresco nessa vida, diante da realidade que temos um compromisso com o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. A posição que Cristo ocupa no centro e governo de todas as coisas deve nos obrigar e elevar a nossa vida como pertencentes a Ele.


Conclusão
Não testa dúvida que nosso problema é a nossa miopia e este olhar indisposto para compreender e abraçar a glória de Cristo como um valor real. Brincamos com uma coisa importante e fazemos pouco caso de uma realidade profundamente séria e perigosa.

O quê? Você insiste em manter um cristianismo empobrecido, cheio de manias, de seus trejeitos e maneirismos?

O quê? Você acha que Cristo está pedindo demais e que servir a Cristo é pesado, porque ser crente exige alguns preços, acordar no domingo, ir na igreja, fazer coisas que exigem tempo?

O quê? Você ainda acha que Cristo é que tem de se adequar ao seu tempo, aos seus interesses, suas disposições. Que você só vai lutar contra o pecado, na hora que achar mais adequada e que no mais, ele que se adapte a você?

Enquanto nossa visão de Cristo for assim pequena, haveremos trocar-lo por anjos, jogos, descanso, dinheiro, etc... haveremos não nos entregar totalmente e desprezar ao Senhor. Enquanto nossa vida não se elevar e atingir a visão do Cristo Sublime e Glorificado, não saberemos o que é de fato vida com Cristo. 

O que você está fazendo com a sua vida?
Irmãos, o autor desta carta está propondo que olhemos para a sublimidade de Cristo e nos agarremos a esta percepção para forçar nosso coração a transformar sua posição, sua estranha posição egocentrada. Deus está nos convocando a viver uma vida elevada, baseada no fato de que sabemos quem é aquele a quem seguimos e servimos. Eu penso, irmãos, que uma visão elevada de Cristo é que falta para que surja um igreja relevante, atuante e crentes cheios de coragem, não preguiçosos, não completamente tomados por manias e presunções.
Quando tivermos uma visão da sublimidade de Cristo e isto penetrar profundamente em nós, ninguém vai querer ficar julgando a igreja ou dar desculpas para não manter comunhão e também não haverá pessoas que prefiram o jogo de futebol, o almoço ou o filme da tarde de domingo a tomar a decisão de adorar e servir ao Senhor com alegria no culto, na Escola Dominical ou servindo ao próximo, no coral, no conjunto de louvor na reunião de oração.

Oração

Deus tenha misericórdia de nós e nos faça ver a Cristo e a sua glória. Permita que a visão da sublimidade de Cristo, nos constranja a servir e amar a Ele e à ti.  

8 de abril de 2018

Ezequiel 43.10-17

Uma Igreja Segundo As Medidas de Deus 
Ezequiel 43.10-17
(Sermão Pregado na IP Vila Mariana em Abril de 2018 – Por Ocasião da Minha Participação no Processo Seletivo Para o Pastorado de 2019)


Consideração preliminar – IP Vila Mariana
Caros irmãos, temos diante de nós um desafio maior esta manhã. Primeiro, porque temos o dever de nos conhecer e o fazemos neste momento de contato. Claro que estou muito feliz de estar aqui com os irmãos e um tanto desconcertado, pois para mim, sem dúvida alguma, uma situação diferente. 
Mas nosso maior desafio não é este. Nosso maior desafio é que estamos aqui, com todo este processo de sucessão pastoral nos abraçando nesta hora, mas temos o dever de honrar a Deus acima de tudo e fazer desta hora, um momento oportuno para ouvirmos a voz do Criador. 
Meu compromisso maior aqui não pode ser o de apresentar a mim mesmo para os irmãos, meu compromisso é o de ser portador da mensagem de Deus e apresentar a vontade do Senhor aos irmãos. O compromisso dos irmãos não é o de me ouvir e eu peço que todos se dominem muito bem nisto. Os irmãos vieram para ouvir o Senhor e Ele deve ser o centro de sua atenção nesta hora. 
Vamos pedir ao Senhor que nos guarde de errarmos o alvo neste momento e nos proteja de nós mesmos, para que ouçamos sua voz e somente a Ele glorifiquemos nesta hora. 

Introdução
O profeta Ezequiel viveu em um tempo bastante difícil da história do povo de Israel, o exílio babilônico. A principal mensagem da sua profecia está ligada ao tema da “glória de Jehovah” que havia abandonado o templo (Ez 10.18-20). Esta visão foi a mais terrível que o sacerdote Ezequiel poderia ter tido, porque ela indicava o mais alto grau de repúdio que Deus tinha para como os pecados do seu povo, deixa-lo. 
O mais significativo do exílio babilônico, portanto, não foi o fato de serem deportados para uma terra estranha, mas o saberem que o seu Deus deixado o lugar onde se revelava vazio. O Templo não somente foi destruído, mas tornado completamente sem sentido e isto indicava que o próprio povo de Israel era um povo vazio, uma videira estéril e inútil (Ez 15.1-8). 
Eles tinham se tornado um povo vazio e cultivaram uma relação estéril com o Senhor, porque haviam perdido o ponto central de sua relação com Deus. Eles haviam deixado que sua realidade de comunhão com Deus se tornasse apenas uma parte de sua vida. Eles elevaram outras prioridades e perderam a percepção da importância da sua relação com Deus. 
Vejam alguns textos de mais tarde procurem os próprios irmãos para que percebam qual era a prioridade do profeta Ezequiel nesta mensagem (Ez 5.13; 6.10, 13, 14; 7.4, 9, 27; 12.15,16, 13.9, 14, 21, 23; 14.8; 15.7 etc...). Até o capítulo 39, temos quase 40 citações da expressão: SABERÃO QUE EU SOU O SENHOR, ou semelhante a esta. 

Muitas vezes, nas Escrituras Deus mostra a seu povo que ele perde a sensibilidade e a percepção da verdade sobre a sua própria existência como criação de Deus. Eles perderam, muitas vezes, a percepção de que sua principal tarefa na vida era a amar a Deus sobre todas as coisas. O profeta Isaías e outros profetas acusaram essa situação: 
Criei filhos e os engrandeci, mas eles estão revoltados contra mim. O boi conhece o seu possuidor, e o jumento o dono da sua manjedoura, mas meu povo não tem conhecimento, o meu povo não entende (Is 1.2-3). 
Jesus Cristo exortou seus discípulos a manter a relação com Deus em alta prioridade. Ele lhes ensinou que é impossível amar a dois senhores e neste contexto declarou: 
Buscai, pois, em primeiro lugar o meu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas (Mt 6.33).
Este é o problema enfrentado pelo profeta Ezequiel, o problema de um povo que acha que sabe tudo de Deus, tudo de templo e que confiava que tinha sua relação com Deus em um bom lugar na sua vida, mas tinham, há muito perdido o mais importante e não perceberam, como estavam vazios, cegos, pobres e nus. 
A segunda parte da profecia de Ezequiel, apontava para essa desolação e isso está principalmente ilustrada no capítulo 37, na visão do “Vale de Ossos Secos”. Deus quer que seu povo reconheça esse vazio e este sentimento de completa impotência que a falta de Deus provoca em nossa vida. Neste ponto a profecia sofre uma mudança de foco e caminha guiada por uma pergunta: “Filho do homem, acaso, poderão reviver estes ossos?” (Ez 37.3). 
A partir do capítulo 40, vinte anos após o início do exílio, o profeta tem uma visão da “Restauração do Templo” e indica um tempo em que a comunhão entre Deus e o seu povo seria completamente renovada. Uma descrição detalhada das formas e medidas do templo foram dadas ao profeta até chegar ao ápice da profecia: “A glória do Senhor entrou no templo, pela porta que olha para o oriente (...) e eis que a glória do Senhor enchia o templo” (Ez 43.4-5).
Claro que nós irmãos, não podemos nos esquecer de que precisamos olhar para estas realidades com as lentes aumentadas do Novo Testamento e a percepção não das sombras, mas das verdades realizadas em Cristo Jesus. Claro que o Templo descrito nestas passagens tem um sentido muito maior do que uma grande construção na Cidade de Jerusalém, mas o verdadeiro templo, a verdadeira morada de Deus é a vida do Crente. 

Como estarei com os irmãos por dois momentos hoje, agora pela manhã e à noite, escolhi esta passagem justamente porque ela nos remete a compreensão do que é ser Igreja de Cristo. 

Dos versos 10 a 17, Ezequiel nos fala do templo e de sua estrutura geral, vamos pensar nesta parte como estivéssemos olhando para a Igreja em sua cena coletiva. Dos versos 18 a 27, percebemos que o foco da passagem muda e sai das estruturas físicas do templo e recai sobre a obra do sacerdote, aqui, nossa cena será um enfoque para a individualidade do nosso sacerdórcio real. 

Na cena geral, o ponto central desta visão era o altar do sacrifício. O lugar onde o nome do Senhor era principalmente honrado com o seu povo, por meio da entrega completa do mais puro sacrifício. Devemos considerar que o profeta esta tendo uma visão gloriosa de que Deus não abandona o seu povo, mas esta reaproximação só acontecerá nos termos de Deus e não nos do homem. Esta lição precisa ficar clara! Não podemos imaginar que sabemos tudo de vida com Deus, que somos especialistas em comunhão com o Altísismo, se nossa percepção não é humilde e comandada pelos critérios de Deus. Não é à toa que muitas vezes nossas orações são vazias, que nossa vida com Deus é burocrática e que não há poder em nossa relação como Senhor. Porque as medidas que estamos levando em consideração não são as medidas dele para nós, mas ao contrário, nós estamos impondo medidas a Deus. 

A Nossa Realidade Como Igreja de Deus é Estabelecida e Balizada Segundo o Padrão de Deus e Não o Nosso

Tu, pois, ó filho do homem, mostra à casa de Israel este templo, para que ela se envergonhe das suas iniquidades; e meça o modelo (Ezequiel 43.10).
Meus irmãos estamos com o profeta Ezequiel olhando para dentro do interior do Templo, do lugar do relacionamento de Deus com o seu povo. Agora, estamos olhando para o centro desta relação, o lugar do grande holocausto, o lugar do sacrifício o altar interior, o grande lugar onde a oferta que entregamos a Deus atinge o ponto culminante do significado do nosso relacionamento com Deus. 
O que temos diante de nós é uma descrição do altar interno, mas devemos pensar além da ideia de uma descrição de uma construção, para um símbolo do relacionamento de Yaweh com seus filhos, uma ilustração do que Deus espera de nós. 
Aqui, neste verso 10, destacamos especialmente o fato de que Deus quer que Israel saiba qual é o seu projeto e que o siga. Porque o relacionamento que Yahweh quer ter com seus filhos não pode ser baseado na estética de seus filhos, mas no seu padrão. 
Tu, pois, o filho do homem, mostra à casa de Israel este templo – Beith Habbayti – Templo – Literalmente, lugar da convivência, lugar onde a família mora ou CASA DA MORADA, casa do relacionamento. O profeta é convocado a tornar exposta a vontade de Yahweh  e o padrão desta morada. Claro que Deus não está preocupado com tamanho físico do templo, aliás, jamais esteve, Deus usou a construção templo e todo os seus detalhamentos sempre como uma ilustração da sua vontade para a vida do seu povo. 
Para que ela se envergonhe de suas iniquidades – o templo era uma construção que tinha por finalidade expor, em sua arquitetura, a polaridade díspare entre a “santidade de Deus” e a “pecaminosidade humana”. Asafe percebe a santidade de Deus e a pecaminosidade do homem no salmo 73, quando ele atenta para a verdade quando é impactado pela construção do templo. 
Em só refletir para compreender isso, achei mui pesada tarefa para mim; até que entrei no santuário de Deus e atinei com o fim deles (Sl 73.16-17). 
 Deus precisa que atentemos para a grandiosidade da sua santidade, se queremos que nosso relacionamento com ele seja perfeito. Precisamos balizar nosso relacionamento com Deus pela santidade dele e não pela nossa própria percepção de pureza. Porque a pureza de Deus é absoluta e a sua simples presença revela nossas contaminações. Como naquelas propagandas de alvejantes, que os autores das propagandas, apresentam uma roupa branca e depois colocam uma alveja com o seu produto e você percebe que aquele branco primeiro, não é tão branco assim! Yahweh está dizendo ao profeta, fala para eles do meu templo para que reflitam sobre sua própria pecaminosidade. 
Meça o modelo – de fato, tudo o que precisamos pensar sobre nosso relacionamento com Deus precisa desta profunda reflexão, que tem como medida a própria santidade de Deus. Irmãos, em geral erramos muito, tendo como ponto de partida nós mesmos. Somos tão presunçosos! Somos tão arrogantes!! Quase sempre estamos contentes conosco mesmos e tentamos medir a vida com Deus por bases medíocres de nossa própria santidade. Por isso, é que a Escritura nos acusa de cegueira e nudez. 
Pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu (Ap 3.17).
O PROFETA CHAMA O POVO A PENSAR NO SEU RELACIONAMENTO COM DEUS BALIZANDO-O PELAS MEDIDAS DO SENHOR E NÃO PELAS SUAS PRÓPRIAS. 

A Nossa Realidade Como Igreja de Deus Aponta Para a Influencia Que Precisamos Estabelecer Com Tudo ao Nosso Redor 

Envergonhando-se eles de tudo quanto praticaram, faze-lhes saber a planta desta casa e o seu arranjo, as suas saídas, as suas entradas e todas as suas formas; todos os seus estatutos, todos os seus dispositivos e todas as suas leis; escreve isto na sua presença para que observem todas as suas instituições e todos os seus estatutos e os cumpram. Esta é a lei do templo; sobre o cume do monte, todo o seu termo ao redor será santíssimo; eis que esta é a base do altar (Ezequiel 43.11-12). 
Nestes versos, ao profeta é proposto uma outra atitude. Veja, no verso 10, eles deveriam tomar a medida de Deus para perceber sua própria pequenez, sua falta diante de Deus, sua carência... Aqui, nos versos 11 e 12, especialmente no 11, a proposta é diferente. Eles deveriam partir de sua percepção e pequenez para uma atitude de adequação. 
Envergonhando-se eles de tudo quanto praticaram – (Nicklemu – calam) Serão envergonhados pelo que praticaram e estarão aptos para olhar ao redor. Esta é a expectativa de Yahweh, que seu povo seja conduzido para fora de si, percebendo-se tão sujo e desejem se adequar para servir a Deus. Desta forma, o próximo passo é o conhecimento da expectativa de Yahweh. Por isso, o profeta é conclamado a fazer conhecida a planta do templo. 
Faze-lhes saber a planta desta casa – Dar conhecimento da planta, de toda a estrutura, todos os caminhos do templo, como entrar, como sair, o que ele possuir de dispositivos para o seu uso – toda esta linguagem arquitetônica é usada para falar do modo de relacionamento que o Senhor quer desenvolver entre ele e seu povo. Por isso, estas descrições também são dadas como uma “Torah” (Instrução – Lei). 
Escreve isto para que observem e cumpram – Esta linguagem é tomada do Pentateuco, do Deuteronômio e do livro de Êxodo e Levítico... Uma linguagem de lei que fornece o padrão para a vida de relacionamento com Yahweh. Irmãos, estamos diante de um texto não de descrição física da construção o templo, mas de um chamado para adequar a vida ao padrão de santidade de Yahweh. A GLÓRIA deixou o templo quando o pecado do povo se agravou, ela agora volta ao templo nos seus termos e não nos termos dos homens.
Esta é a lei do templo todo o seu termo ao redor será santíssimo – Não existe relacionamento com Deus se ele não for estabelecido e balizado pelas medidas de Deus, o sinal de que estamos vivendo com Deus é que estamos dispostos a santificar tudo que está ao nosso redor. 
Eis que esta é a lei do templo – nesta repetição, podemos entender que ele esteja então apontando para o assunto que vem a seguir, mas também podemos imaginar que o texto deseja reafirmar que este padrão divino é sério e portanto, faz os leitores, compreenderem a seriedade do que Deus está requerendo. 
Tudo ao redor da vida do filho de Yahweh precisa refletir e ser atingido pela santidade do nosso relacionamento com o Pai. Lembre-se de Moisés, todas as vezes que descia do Monte de Deus. Ele resplandecia e as pessoas sequer conseguiam olhar para o seu rosto, porque a glória de Deus era vista fisicamente no brilho que ele carregava deste contato com Yahweh. Obviamente não devemos pensar que a glória de Deus possa ser vista fisicamente nos mesmos termos, mas a glória de Deus precisa ser vista na santidade que permeia a vida do crente e tudo o que está ao seu redor. O modo santo com que nos relacionamos com a vida, em tudo o que fazemos e como vivemos. 
Muitas vezes irmãos, a marca que imprimimos na realidade que está ao nosso redor, revela muito mais a nossa pecaminosidade que a glória santa do Deus a quem servimos. Isto é só um sinal de que nosso relacionamento não está sendo vivido nos termos de Deus. Trata-se de uma consequência natural, viva a vida nos termos de Deus e tudo o seu redor será impregnado por isto! Pense muito sobre o que você vê a partir de como você vive, quando não está aqui, onde supostamente sua vida é santa. Pense no que está ao redor e pense sobre o que está no interior do seu coração. 

A Nossa Realidade Como Igreja de Deus Exige Uma Elevada Consciência de Entrega Total e Absoluta da Vida a ELE

São estas as medidas do altar, em côvados, sendo o côvado de côvado comum e quatro dedos; a base será de um côvado de altura e um côvado de largura, e a sua borda, em todo o seu contorno, de quadro dedos; está a base do altar. Da base, na linha da terra, até a fiada do fundo, dois côvados, e de largura, um côvado; da fiada pequena até à fiada grande, quatro côvados, e a largura um côvado. A lareira, de quatro côvados de altura; da lareira para cima se projetarão quatro chifres. A lareira terá doze côvados de comprimento e doze de largura, quadrada nos quatro lados. A fiada terá catorze côvados de comprimento e catorze de largura, nos seus quatro lados a borda ao redor dela, de meio côvado e a base ao redor do altar se projetará um côvado. (Ezequiel 43.13-17). 
Nesta última parte do texto, encontramos uma narrativa descritiva do altar. Até aqui, ele trabalhou conceitualmente e agora passa a dar uma descrição da sua visão em termos completamente práticos e narrativos. Isso nos confunde um pouco, porque em geral, temos a tendência de considerar que estes textos não têm muita importância, afinal, não vamos construir um altar, nem precisamos mais. Contudo, esta descrição está carregada de significado importante e precisamos encontra-los. Claro que em textos de natureza descritiva que precisam ser interpretados conceitualmente, podemos perder alguma coisa pelo empobrecimento ou o exagero. Vamos, portanto, atentar ao prático e o mais simples. 
Côvados e altura – minha principal preocupação não é com a medida em si, como disse, não pretendemos e não precisamos construir este altar, então, não vou entrar no mérito sobre o que é côvado, de côvado comum. Ele está apenas dizendo que a medida era a mais simples que eles conheciam.  O mais importante deve ser visto no fato de que a construção do altar deve receber um especial destaque, porque se trata de algo que deve ficar elevado e centralizado.
Esta construção está em destaque na arquitetura do prédio, ela nasce do chão e se eleva à quatro côvados de altura. Ela é observada como algo importante, especial que deve chamar a atenção. Esta construção central na entrada do templo é um ponto de passagem que não pode passar despercebido, isto é o que texto indica descritivamente. Esta é a intenção desta obra e de sua descrição. 
Uma lareira para o sacrifício – Neste altar, chama-se a atenção para o fato de que em destaque está a função de lareira do altar e não tanto para a função de lugar da morte do animal. Lembrando que o animal sacrificado era oferecido a seguir em holocausto, isto é, a oferta era totalmente queimada. Ariel – isto é – Lareira de Deus, ou o Altar de Deus. Nesta descrição, o que Yahweh primordialmente coloca em destaque é a entrega total de seu povo a ele próprio. 
O texto descritivo da Lareira do Sacrifício aponta para a necessidade de um relacionamento centralizado na entrega completa da vida a Deus. O profeta está nos conduzindo a pensar sobre o fato de que somos filhos de Deus porque pertencemos a Ele. No Novo Testamento, este entendimento se tornou ainda mais profundo pelo ensino de que Deus nos comprou para si mesmo pelo derramamento do SANGUE DO CORDEIRO. Afinal, todas as sombras que Ezequiel e Moisés descreveram sobre o templos, apontavam para um verdadeiro templo, feito não de pedras e argamassa, mas de vidas compradas pelo sangue de Jesus. Veja a união destes conceitos em 1 Coríntios 6.19-20: 
Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo (1Co 6.20). 
Isso me faz pensar no sermão que ouvimos a semana passada, baseado em Romanos 12.1-2 – Ofereceis o vosso corpo por sacrifício, vivo, santo e agradável a Deus. 
ESTE É O PONTO, em sua visão, Deus conduz Ezequiel a percorrer os caminhos da volta da sua glória ao templo e diz que esta glória repousa sobre o relacionamento santo que ele quer ter com o seu povo, segundo o seu padrão santo e impregnando tudo ao redor por esta santidade. Mas isto, deve ser considerado a prioridade total, baseada em uma entrega total da nossa vida. 
NÃO PERTENCEMOS A NÓS MESMOS, MAS SOMOS DELE E VIVEMOS PARA ELE. 

Conclusão
Não sei o quanto você consegue perceber a seriedade do que chamamos de VIDA COM DEUS e o quanto isto exige compromisso de nós. Infelizmente, nossa medida de vida com Deus, quase sempre é baseada em nossas percepções e intenções pessoais, quando deveriam ser norteadas pelas instruções de Deus primordialmente. 
Não podemos impor nossas medidas a Deus, temos de estar prontos a permitir que ELE nos molde e nos adeque às suas medidas. Isto é central para que nossa relação de amor a Deus produza o efeito da verdadeira comunhão. Podemos dizer, que as frases que norteiam o pensamento de Ezequiel tomarão forma: SABERÃO QUE EU SOU DEUS. 
Você precisa estar mais disposto a OUVIR AS PRESCIÇÕES DE DEUS em lugar de ficar tentando impor a Deus as suas vontades, pequenas, egocentradas e sujas na maior parte do templo. ESTA É A LEI DO TEMPLO, está a LEI QUE COORDENA A VIDA DE QUEM PERTENCE A DEUS. 
Mas você pode se deparar com sua realidade e notar que você é realmente incapaz desta construção. Talvez, como diz no texto, você realmente, quando olha Deus cara a cara, você se envergonhe de sua iniquidade e isto produz um sentimento de tristeza e impotência. Lembre-se, é Deus quem volta ao Templo e não o Templo que busca a Deus. 
Os seus degraus olharão para o oriente – Note, porém como é que o texto termina. Eles apontam para o Oriente e o que isto significa? Bem, no capítulo 10, foi na direção do oriente que a GLÓRIA DE DEUS DEIXOU O TEMPLO, no capitulo 40, é PELO ORIENTE É QUE A GLÓRIA RETORNA AO TEMPLO. O lado oriente, em si, nada significa, senão que aqui no texto aponta para os atos de Yahweh, isto é, tudo caminha, segundo a vontade de Yahweh. 
Mas o Oriente tem um valor profético e escatológico importante na Escritura: Jesus vem do Oriente. Todas as promessa do Messias, dizem que ele viria do Oriente. 
DO EGITO (ORIENTE) CHAMEI MEU FILHO – Kadim – É O lugar de onde vem a Salvação. Você e eu não conseguimos ser este altar de entrega, de santidade, de influencia, sem Cristo, por isso, o ALTAR E SEUS DEGRAUS SÓ PODEM APONTAR PARA CRISTO, NOSSO ORIENTE. 

Conclusão
Não há verdadeiro relacionamento com Deus se as medidas que usamos para nos regular não forem as de Deus. Se você insiste em viver segundo o seu padrão, o que você colherá é que sua vida não será percebida no altar de Deus, ele não a receberá como um sacrifício. As medidas do altar são de Deus, assim, também as medidas do verdadeiro templo do Espírito Santo, que é a vida do crente, assim, o Senhor nos será propício (Ez 43.27).
Como igreja, somos uma coletividade com o compromisso de deixar nossa coletividade na medida de Deus, influenciar o mundo ao nosso redor, tudo o que tocarmos precisa refletir quem somos, como a cidade e o bairro ao nosso redor. Assim como no texto, também precisamos oferecer a Deus o melhor dos nossos esforços e esta deve ser a prioridade da nossa vida. 
Esta é uma cena que olha primordialmente para nossa tarefa como coletividade santa. Hoje, no final do dia, vamos olhar para a nossa realidade pessoal e nosso sacerdórcio. Vamos focar em como eu e você, damos a nossa contribuição pessoal para que esta comunidade e família da fé glorifique a Deus. 

1 de abril de 2018

Marcos 16.9-13

Vencendo as Barreiras para Crer na Ressurreição
Marcos 14.9-13

Introdução

Nota sobre o texto
Sem dúvida alguma a porção final do Evangelho de Marcos apresenta alguns desafios a mais para os cristãos. Estes chamados finais adicionais lançam discussões acaloradas sobre o texto bíblico, afinal, nas cópias mais antigas do livro, não encontramos os versos 9 a 20.
Minha opção pessoal é considerar estes textos como parte do material inspirado por Deus, mesmo que eu tenha profundo respeito por aqueles que tem dificuldade para isto. Há várias citações destes versos em pais da Igreja, mesmo antes da confecção dos códex sinaíticos e os códex vaticanus, o que indica a sua existência antes mesmo da confecção das suas cópias mais antigas que temos em mãos. Outrossim, devemos compreender que estes relatos são concordes com Lucas e João e não apresentam material que tenha apoio teológico no restante das Escrituras.

Dito isto, vamos seguir para pensar sobre estes versos nos seguintes termos: qual é o ponto central de como Marcos está terminando o seu Evangelho. O ponto central é justamente uma crítica a um problema, que Paulo também enfrentou: a dificuldade na crença plena da ressurreição.
Você notará que na passagem que temos diante de nós para esta meditação, conta-se dois episódios de que a mensagem da ressurreição foi anunciada aos seus discípulos e eles não creram. No final, a afirmação contundente de que a crença em Cristo e na sua ressurreição é um alvo a ser buscado fica claro, quando Marcos diz que os sinais acompanham os que crêem.
Paulo, na sua Primeira Coríntios, capítulo 15, lida com este problema da incredulidade na ressurreição e diz que desta crença depende todo o Evangelho.
Se Cristo não ressuscitou é vã a nossa fé (1Co 15.17).
Faz muito sentido que Marcos lide com este problema, quando percebemos no todo do propósito do Evangelho que é recuperar a fé da Igreja na verdade de Cristo e na sua divina origem e obra sacrificial.
Aqui, então, Marcos luta para recuperar a importância que a Igreja deve dar ao fato mais relevante da História Humana, a ressurreição de Cristo Jesus. Neste trecho, vamos explorar o texto sobre as dificuldades encontradas pelos discípulos para crer e como devemos perceber nossa própria dificuldade e superá-las.

Creia que a ressurreição pode vencer o pecado
No início deste trecho temos um contraste entre “aquela de quem expelira sete demônios” com “aqueles que foram companheiros de Jesus”.
A mulher outrora endemoninhada logo tornou-se uma crente na ressurreição, enquanto os companheiros de três longos anos, que ouviram toda a instrução de Jesus, até mesmo aquelas instruções que ele disse que iria ressuscitar, não creram nele.
Ouvindo que ele vivia e que fora visto por ela, não acreditaram (Mc 16.11).
Note que Marcos prefere mostrar que este contraste fora decisivo para sua incredulidade. Eles julgaram que a fonte de onde vinha a notícia não era tão confiável assim. Ou seja, se Cristo foi visto por alguém, porque fora visto por aquela mulher?
Pode ser que nosso excesso de autojustiça nos atrapalhe em nossa fé na ressurreição. Isto pode significar que é importante que tenhamos uma ideia menos elevada de nós mesmos e uma simplicidade para crer que a ressurreição é uma obra de transformação que pode superar os obstáculos morais de qualquer pessoa.

Creia Que a Ressurreição Pode Ser o Poder Que Restaura Suas Emoções
O texto nos informa que uma das marcas deste encontro da mulher anunciadora com os discípulos companheiros de Jesus é que eles estavam afundados em suas emoções negativas e não se deixaram curar pela mensagem da ressurreição.
E, partindo ela, foi anuncia-lo àqueles que, tendo sido companheiros de Jesus se achavam tristes e choravam (Mc 16.10).
Os discípulos, segundo o relato de João, estavam com medo, desanimados e reclusos. Foi João que contou com mais detalhes como fora que ele apareceu a Maria de Magdala, mas Marcos apenas mostra que a dificuldade deles para crer tinha a ver com a realidade desta mulher e com o fato de que estavam curtindo suas tristezas, desesperanças e rejeitaram a cura da mensagem da ressurreição.
A desesperança pode ser um obstáculo muito sério à fé, quando suas emoções fazem o papel de controle de seu coração. Tanto a Ira, como a Tristeza, ou a Alegria não podem superar nossa capacidade de ouvir a mensagem de restauração que vem da Vida de Cristo e do próprio Cristo Vivo.

Creia Que a Ressurreição é Uma Verdade Nos Alcança Não Limitada às Nossas Preferências
Claro que estamos dando ênfase a uma palavra que aparece neste texto, que Marcos destaca: apareceu em outra forma. O relato de Lucas nos conta mais detalhes desta história dos dois discípulos do caminho de Emaús, Cléopas e o outro discípulo. Claro que estamos falando de pessoas que eram de fora do círculo dos doze.
A estes dois homens Jesus apareceu de uma forma que também não o reconheceram inicialmente, assim como a Maria de Magdala, ele apareceu de uma maneira que ela não o reconheceu, achando ser um jardineiro.
Precisamos reconhecer que nossas dificuldades de assumir uma confiança plena de crença na ressurreição tem uma relação direta com alguns fatores de controle da nossa mente ligada às nossas preferências pessoais.
E indo, eles o anunciaram aos demais, mas também a estes dois eles não deram crédito (Mc 16.13).
Talvez não fossem os representantes que eles desejassem que lhes desse a notícia. Lucas chega a mencionar que eles já tinham ouvido que Pedro teria visto a Jesus, mas quanto a estes dois que não eram do círculo dos doze, será que são dignos de serem portadores de uma mensagem tão elevada?
Por outro lado, será que o relato pareceu estranho, já que eles próprios não o tinham reconhecido e talvez tivessem contado que não era exatamente a mesma imagem que tinham em mente do Salvador que havia sido crucificado. Sua ressurreição e a outra forma que usara para se manifestar pode ter confundido e trazido incredulidade aos discípulos.
Precisamos lidar com algo em nós que tenta formatar o Senhor e a sua mensagem. Precisamos cuidar da nossa fé, para que ela não seja segundo o nosso querer e de acordo apenas conosco, mas seja capaz de olhar para infinita e multiforme sabedoria divina.
Algumas vezes, estes processos de autoconfiança pode ser altamente destrutivo para a nossa fé, porque passamos a ouvir o som do nosso próprio coração e não queremos ouvir o som da mensagem que vem de Deus.

Conclusão
Devemos considerar que estes dois trechos do Evangelho estão produndamente conectados com os versos seguintes:
Finalmente, apareceu Jesus aos onze, quando estavam à mesa e censurou-lhes a incredulidade (Mc 16.14).
Este é o ponto que precisamos considerar de forma muito importante no dia de hoje, diante da Escritura. Que muitas vezes, nos deixamos dominar por preconceitos, sentimentos controladores e até autoconfiança excessiva, que nos afastam da verdade e produzem profunda incredulidade em nós.
A ressurreição é a mensagem mais gloriosa que mostra que Jesus veio para transformar a vida humana e dar nova esperança a todos. A vida de Cristo é nossa vida e não podemos, de forma alguma, nos manter incrédulos. Precisamos crer! Precisamos crer que a ressurreição de Cristo é poder que pode transformar tudo e vencer tudo.
A igreja não pode limitar o poder de Deus, não pode diminui-lo ou simplesmente, a igreja não pode querer ser a dona do poder de Deus. A igreja precisa crer que tudo é possível ao que crê!
Qualquer nível e tipo de incredulidade quanto ao poder de Deus não é bom e precisa ser vencido por nós. A ressurreição vence, quando nós vencemos a incredulidade.