25 de agosto de 2010

Atos 11.19 a 26

Uma Identidade Cristã Inconfundível



A questão da “Identidade Presbiteriana” tornou-se um dos temas mais comuns dos fóruns de debate da nossa denominação. Com certeza esse é um assunto muito importante para todos nós, afinal é necessário saber o que pensa, como age e o que se esperar de uma igreja com mais de um século e meio de história. Mas o tipo de identidade que gostaria de abordar nessa pequena mensagem é muito mais abrangente e importante. Desejo considerar a “Identidade do Cristão”.
Da mesma maneira que é desejável saber o que esperar da igreja como instituição cristã, também o é em relação a cada um de nós como “cristãos”. Em outras palavras, o que se esperar de alguém que se identifica com Cristo tão fortemente, a ponto de se dizer “cristão”?
Em Atos dos Apóstolos, Lucas registrou algo impressionante ocorrido em Antioquia. Ali, pela primeira vez, os discípulos foram chamados “cristãos”. Do modo como é citado em At.11.26, parece que esse fato decorreu em resultado ao trabalho dos discípulos naquela comunidade. Que trabalho foi esse e como se desenvolveu? O que é necessário absolutamente para que nosso cristianismo esteja tão evidente, que deixe de ser um mero sistema em nossos pensamentos mas se torne um modelo de vida, passível de ser identificado?

FCD - Foco da Nossa Condição Decaída
O que desejamos discutir nessa mensagem é essa identificação com Cristo. O que de fato precisa acontecer em minha vida, que mudanças precisam ocorrer em meu caráter e que elementos devem ser apresentados através do meu viver diário que de fato me qualifiquem de forma inconfundivel a ser semelhante a Jesus. 

Consideração Inicial
Uma das situações, para a uma abordagem adequada do texto, que precisa ser  melhor esclarecida é que os crentes de Antioquia não fizeram um trabalho procurando criar uma imagem que os identificasse com Cristo. O que ocorreu foi algo natural, conseqüência natural do que viviam. Não foi um golpe de marketing religioso, não foi algo proposital. Ao denominarem aquele grupo como "cristãos" as pessoas estavam apenas resumindo o que viam e como viam aquele grupo. 
Isso é relevante nesse momento, pois a nossa reflexão não deverá ir na direção do: quais os cinco elementos que eu tenho de apresentar às pessoas para que eu seja um cristão... na verdade, é: sendo um cristão, o que é ser um cristão, para que, simplesmente sendo o que tenho de ser, seja reconhecido como tal. 

ARGUMENTAÇÃO 
Partindo do verso 19, gostaria que primeiramente considerássemos o contexto histórico daquela identificação de cristãos. A partir do próprio contexto histórico podemos levantar nossa primeira argumentação. 

Uma Identificação Inconfundível Com Cristo Não Está Atrelada às Circunstâncias Para se Tornar Possível
O contexto de perseguição é muito claro. O livro de Atos nos relata sobre essa dispersão dos discípulos por todas as regiões. No verso 19, diz que eles sairam pregando o evangelho aos judeus que estavam espalhados pelas cidades onde eles iam. 
O texto irá destacar dessa multidão de discípulos dispersos, um grupo diferenciado que irá chegar até Antioquia. Esses depois foram chamados de cristãos e sua identificação inconfundível não foi obscurecida, dificultada, atrapalhada por que eles viviam num contexto de perseguição. 
Há sempre aqueles crentes que na hora das dificuldades, dos apertos da vida, se transformam em pessoas muitíssimo identificadas com o mundo e os seus processos. Eles tentam resolver sua vida, se ela está muito bagunçada, não de uma maneira que frua de seu cristianismo autêntico e verdadeiro, mas de um agir segundo os principios e padrões dos ímpios. Algumas vezes, esses crentes não percebem que deixaram Cristo de lado e agora vivem como se não fossem cristãos. 
Os crentes que chegaram a Antioquia e que foram comparados com Cristo não se deixaram mover para o mundo porque estavam sendo perseguidos, pelo contrário, procuraram viver o padrão do evangelho que lhes havia atingido e transformado. 
O começo dessa nossa história é esse: ser um cristão verdadeiro, inconfundivelmente identificado com Cristo não é algo que depende das circunstâncias. 
O outro lado da moeda também pode ser visto. Ou seja, aqueles crentes que são mais crentes quando as coisas estão ruins, mas quando as coisas estão melhores, esquecem de Deus, de Cristo e de sua nova vida cristã. Esses, de uma maneira inversa, também são determinados pelas circunstÂncias. 
Podemos também falar de um grupo mixto. Um grupo que é tão tocado pelas circunstâncias que para tais, o comportamento muda de uma hora para outra, dependendo da circunstância e ambiente ao redor. 
É um jovem que se estiver na igreja em uma programação matinal, lerá a Bíblia e irá orar com fervor, ensaiará músicas para o próximo culto etc. Mas, se no mesmo dia à noite, estiver numa festa com pessoas não crentes, conseguirá ter um comportamento tão mundano, que não será possível reconhecer nele sequer uma sombra de Cristo. 
Todos devem aprender que nosso cristianismo é um fator que só é naturalmente identificável quando passar a fazer parte de nossa própria maneira de ser e pensar.  
Ser um cristão verdadeiro, inconfundivelmente identificado com Cristo não é algo que depende das circunstâncias.



Uma Identificação Inconfundível Com Cristo Será Resultado Natural de Uma Vida Que Não Se Deixa Determinar Pelo Corriqueiro
Nem todos os cristãos poderão ser notados como de fato seguidores de Jesus. Alguns viverão para Cristo nesse mundo, nutrirão sua fé de maneira natural, servirão à igreja e partirão para o céu ao encontro de sua herança, mas jamais demonstrarão claramente aos homens que tinham a identificação com Cristo. 
Não estou dizendo que não darão bom testemunho ou que farão uma série de coisas que colocarão em cheque seu cristianismo. Na verdade, estou tentando dizer que muitos de nós não serão notados pelo mundo como servos do Altíssimo e sua permanência entre os homens influenciará a muito poucos. 
Eu sei que estou mexendo em uma caixa de marimbondos, pois estou ferindo a auto-estima de muitos crentes que apenas serão chamados de crentes, mas jamais será dito deles: são cristãos! Estou me referindo à identificação inconfundível com Cristo, aquele tipo de vida que sai do lugar comum e se torna uma torre forte de alerta aos homens de que Deus visita e transforma os seres humanos. 
Não posso julgar outras pessoas, posso apenas falar de mim. Sinto que meu cristianismo precisa se tornar público no sentido de se tornar mais relevante ao meu redor. Sinto-me fechado em meu amor a Deus e encapsulado num tipo de vida cristã normal e bastante discreta. Não almejo ser condecorado com algum tipo de medalha de honra ao cristianismo, mas gostaria de que todos os outros homens fossem capaz de visualizar minha fé em Cristo com mais facilidade. 
Tomo por exemplo aqueles homens e mulheres de Antioquia. Eles deram um passo de muita coragem. Enquanto o texto nos informa que os que foram dispersos saíram pregando o evangelho aos judeus que encontravam, Lucas faz uma referência importante àqueles que chegaram à Antioquia: alguns deles porém, ...falavam também aos gregos, anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus (At.11.20).
Para que chegassem ao ponto de serem identificados com Cristo, esses discípulos de Jesus compreenderam a necessidade de que o evangelho alcança-se os perdidos e eles decidiram romper barreiras culturais imensas, eles deram um passo em uma direção que jamais haviam dado antes e se dispuseram a arriscar muito mais pelo evangelho. O comum já estava bom, mas eles se dispuseram a fazer o incomum para realizar a vontade de Deus. 
Quando nos deixamos dominar pelo usual, corriqueiro e o comum, temos a tendência a viver mais tranquilamente, sem sobressaltos. No entanto, perderemos os mais excitantes trabalhos que nos farão mais felizes e corajosos no Reino. Quando nos deixamos dominar pela tranquilidade do mais fácil, também estaremos deixando de experimentar as mais gloriosas profundidades do conhecimento do poder de Deus e de sua graça e providência. 
Poucos serão os cristãos que nessa vida poderão experimentar as grandes profundidades do conhecimento de Deus, como John Wesley, João Calvino, JOnathan Edwards, Dwight Moody e tantos outros. Estes viveram de forma incomum. Não me refiro ao fato de terem se tornado notórios em seus feitos e famosos pela história que protagonizaram, mas pelo fato de terem sido desafiados a um cristianismo incomum e o terem abraçado com fé. 
Os crentes de Antioquia, demonstravam, desde o início de sua vida com Deus e evangelismo, uma inclinação para ações não corriqueiras. Estavam dispostos a pregar a Cristo a qualquer custo. Seu amor pelo evangelho e por Cristo Jesus os levou a romper com o corriqueiro. 
Se desejamos uma inconfundivel identificação com Cristo também devemos nos dispor a mais que o corriqueiro da fé. 


. Um cristão tem compreensão clara da necessidade de se pregar o evangelho aos perdidos.






Podemos notar na leitura do texto que o agir daqueles homens transmitia a clara presença de Deus (At.11.23). Não estamos neste mundo para propagar nosso próprio nome, somos representantes de Cristo, devemos exalar o seu bom perfume. Os homens devem ver a presença de Deus em nós, isso nos identifica com Cristo.
Muito se pode pontuar a respeito da nossa identidade com Cristo. Encerro esse texto com apenas um último ponto: cristãos são pessoas boas. Veja o que diz o verso 24, a respeito do líder Barnabé. No fundo, nossa identidade com Cristo não pode se resumir em nosso desejo de transformar os outros, ou na nossa ligação pessoal com Deus, pois ser um cristão é ser chamado para amar as pessoas até mesmo os inimigos. 







31 de julho de 2010

Atos 7.54 a 60

Comprometidos Até à Morte


"O sangue dos mártires é a sementeira da Igreja" (Tertuliano)



Creio que tenha sido o grande teólogo Tertuliano quem disse: “O sangue dos mártires é a sementeira da Igreja”. No início do cristianismo, a igreja ficou conhecida como os que seguiam o Caminho. Pois bem, os inimigos da fé perseguiram esse Caminho e tornaram a jornada da Igreja em uma estrada de sangue.
Nos dias dos apóstolos já conseguimos ver os sinais dessas lutas, mas, foram os séculos seguintes, após a morte dos apóstolos, que se tornaram famosos pelo martírio de muitos cristãos, em particular nas arenas romanas.
As autoridades romanas achavam que se matassem um certo número de líderes cristãos, haveriam de acabar com a motivação que as pessoas tinham para seguir esse “movimento”. No entanto, como disse Tertuliano, parecia que as areias das arenas romanas, salpicadas pelo sangue cristãos mortos, se tornavam em lavouras, donde nasciam tantos outros discípulos de Jesus.
Ocorria que, todos os que presenciavam a disposição dos mártires cristãos dando testemunho de sua lealdade a amor a Cristo,  se tornavam cristão também pois julgavam, que Cristo era importante e valioso, mais que a própria vida.
Destas histórias maravilhosas registradas por historiadores cristãos e não cristãos, a que eu mais aprecio é a de Policarpo, bispo de Esmirna. Ele, aos 87 anos, foi preso e condenado à morte por sua lealdade e amor a Cristo.
Quando queimado vivo, diante de muitas testemunhas, não precisou de cordas que o prendessem à fogueira e quem assistiu ao horrendo espetáculo, descreveu da seguinte maneira: embora seu corpo estivesse rodeado pelas chamas, parecia não queimar, pelo contrário, como pão em meio à fornalha, ele também se tornava mais belo.   
Policarpo sentiu cumprir em sua própria vida como pastor da Igreja de Esmirna, aquilo que o próprio Senhor Jesus dissera através de João àquela Igreja: “Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2.10). O verdadeiro evangelismo tem um preço que somente os verdadeiros filhos de Deus estão dispostos a pagar: negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. 

Foco da Nossa Condição Decaída
Nosso texto é o relato da morte de Estevão. Nele, Lucas nos exorta a confiar naquilo que nos foi ensinado, a partir do exemplo do martírio do Diácono da Igreja de Jerusalém. Lucas nos transporta aos motivos que fazem alguém ser fiel até à morte e, baseados nesses motivos, também nós continuarmos nossa jornada, enfrentando as dificuldades que forem necessárias para que nosso testemunho seja profundo e verdadeiro. 

Contexto
Todos os expectadores ouviram atentamente o grande discurso de EStevão. O diácono de Jerusalém não se intimidou, ante a pressão da turba que o cercava e criticava, pelo contrário, sua sabedoria a todos enfurecia e não podiam resistir aos seus argumentos. 
Lucas parece nos levar a crer que a reação irracional dos opositores os levava a uma ira tamanha que desejaram fazer silenciar aquela voz que os agredia com a verdade sobre os seus próprios pecados. 
A morte de Estevam não foi um episódio de aplicação da "pena de morte" (como era o costume dos judeus ainda naquele tempo), mas uma ação de um grupo de extermínio que acho que fazendo calar sua voz, ele não iria mais ferir-lhes a alma com a verdade. 
Pois bem, o que lemos relatado no livro de Atos é que a morte de Estevão fez a sua voz se elevar ainda mais e alcançar os corações de todos os verdadeiros cristãos, que, agora, perseguidos, se tornaram os propagadores da verdade inquietante de Jesus Cristo, Senhor e Rei. 
A pergunta que faço ao texto nessa meditação é: o que dá forças para que um homem esteja disposto a dar a sua própria vida pela causa de Jesus Cristo?

COMPROMETIMENTO ATÉ À MORTE ACONTECE QUANDO TEMOS CONVICÇÃO DA VERDADE
Um homem convicto se torna alguém disposto a viver pela sua convicção.
Particularmente, acho que o evangelho empobrecido dos dias atuais, tem criado um crente pobre de convicções. Basta olharmos para a igreja e avaliar o seu comportamento e perceberemos a fragilidade com que a fé é desenvolvida. Poucos, muito poucos, estão de fato prontos para pagar o preço e dar a vida por Cristo. Aliás, alguns não conseguem dar sequer alguns tostões, algum tempo a mais ou até mesmo um espaço na sua agenda semanal para o precioso encontro com o Mestre, na oração e na meditação da Palavra. 
A falta de convicção da verdade é a grande vilã deste momento empobrecido da igreja no mundo inteiro. Na Europa, já desistiram de defender a fé há muito tempo, na América do Norte, mormente encontremos focos de resistência em alguns ministérios, a maioria absoluta se encontra preocupada com o materialismo e o hedonismo. Aqui no Brasil e na América Latina como um todo, o evangelho é regado pela moda e o comércio de produtos. Até as igrejas segmentaram o mercado e tem evangelho para todos os gostos, até evangelho sem Bíblia e sem Cruz encontra consumidores por aqui. 
Lucas descreve a trajetória de Estevão como pregador e nem tanto como diácono na igreja. Para ele, é necessário mostrar a convicção que tomou conta deste homem que foi sumariamente julgado em um juízo exercido pelo ódio dos opositores. 
No capitulo 6, versos 9 e 10, eles não podiam resistir à sua sabedoria, falava como quem tinha autoridade, conhecia a verdade que promulgava. Fora necessário subornar mentirosos para lançar contra ele uma ofensa (verso 11). 
A verdade bíblica fluia de sua mente com uma facilidade incrível e ele era capaz de não apenas contar a história dos patriarcas, mas analisar e aplicar ao contexto de seus contemporâneos e dizer-lhes de como eram culpados diante de Deus, por manterem o seu coração endurecido. 
A fundamental história, a que mais lhes causou terror ao coração é aquela com a qual Estevão termina o seu discurso. Ao mostrar os erros históricos dos judeus e lançar-lhes no rosto a verdade sobre o fato de que todos os profetas foram por eles perseguidos, Estevão parte para culminar sua defesa com a seguinte acusação: Vocês são os assassinos do Justo!
Estevão tinha clara em sua mente a verdade de que Cristo Jesus, o Messias. Ele confiava na revelação de Deus e essa era a sua mensagem. Ele não precisava temer essa verdade, nem diminuí-la, transformá-la, enfeitá-la ou escondê-la. Na verdade, ele não poderia viver sem essa verdade, sem anunciá-la, pois sabia que a própria verdade exige essa pregação aberta. 


Ouvindo eles isto - Foi assim que Lucas introduziu o texto da morte de Estevão. Ao ouvirem sua mensagem, a convicção de Estevão sobre a verdade da revelação de Deus, eles se enfureceram em seu coração e rilhavam os dentes por causo do ódio contra Estevão e sua convicção da verdade. 
Sua convicção da verdade poderá significar que você não terá todos os amigos que deseja, algumas vezes você poderá perder por causa da sua convicção da verdade, a respeito de qualquer coisa.  A convicção de Estevão o fortalecia, mas para ele ela significou a sua morte por apedrejamento. 
Neste momento é que descobrimos que realmente estamos convictos, quando estamos dispostos a perder tudo por aquilo que cremos. 

COMPROMETIMENTO ATÉ À MORTE ACONTECE QUANDO TEMOS A VISÃO DA GLÓRIA
Ao perder a expectativa da vida futura, o cristão também perde o amor para viver aqui na terra. 
Os alvos nos ajudam a discernir o caminho, evitando os atalhos e os desvios ao longo de um percurso. Isso serve neste sentido geral e também no sentido maior, em relação à própria vida. 
Quando os cristãos de Jerusalém ouviram a mensagem do Reino, passaram a ter um alvo bem definido e claro em suas mentes, descortinou-se para eles o tipo de vida que realmente importava, aquela em que o Reino de Deus, o Reino de Cristo é real. 
Na verdade, quando temos um alvo definido e valorizamos este objetivo, nenhum outro objetivo menor nos fará desviar, nos fará desejar coisa diferente. O nosso comprometimento com a fé cristã será maior à medida que temos uma VISÃO CLARA DA GLÓRIA DE CRISTO. 
Essa visão é construída em uma percepção clara do que as Escrituras falam sobre a GLÓRIA, mas torna-se viva para nós em nossa experiência diária com Cristo Jesus. 
Estevão era um homem privilegiado, ele tinha noção clara do que desejava e Deus lhe deu uma condição especial para suportar a morte, Deus abriu-lhe a GLÓRIA DE CRISTO. 


Viu o céu aberto e Jesus em pé à direita de Deus. 


 . 


 



COMPROMETIMENTO ATÉ À MORTE ACONTECE QUANDO SABEMOS QUE SERVIMOS AO REI
Senhor Jesus

COMPROMETIMENTO ATÉ À MORTE ACONTECE QUANDO NOSSO CORAÇÃO É CHEIO DE AMOR
As últimas palavras de um homem podem revelar o seu coração. 

24 de julho de 2010

Atos 6. 1 a 7

Sinais e Resultados da Presença da Sabedoria do Alto na Igreja
Tenho tratado em alguns textos sobre este tema, "Sabedoria do Alto", denominando-a de "Inteligência Redencional". Para mim, essa capacidade é conferida ao homem pela ação redentiva de Deus, que coloca no cristão, verdadeiramente convertido, uma capacidade de crer e pensar em conformidade com as realidades superiores do Reino Celestial. 
Não se trata de um tipo de gnosticismo, com uma verdade encoberta que pode ser apreendida apenas por alguns "iluminatis". Trata-se do tema que foi tratado no Evangelho, conforme apresentado por Cristo e os Apóstolos, que foi revelado somente àqueles a quem Deus deseja colocar o novo princípio de vida, isto é, a ressurreição em Cristo. 
Existem verdades gerais sobre Deus, as quais podem ser discernidas pela "sabedoria humana", outras entretanto, só podem ser comunicadas ao homem que nasceu de novo.
Um outro aspecto interessante sobre essa "Inteligência Redencional", é que ela manifesta uma capacidade singular para resolver problemas comuns, visando benefícios redencionais em primazia aos benefícios materiais. 
O texto que separamos para meditarmos, é uma amostra da presença da Inteligência Redencional na igreja primitiva. Buscaremos analisar o acontecimento da Escolha dos Diáconos como uma prova de que o Espírito Santo estava atuando na mente dos apóstolos e dos irmãos, de modo a lhes conduzir a encontrar soluções que tivessem prioridade redencional em sua concepção. 

FCD - Foco da Nossa Condição Decaída
O homem, criado por Deus como um ser pensante, deveria escolher sempre servir e amar a Deus, no entanto, por causa do pecado que lhe afetou primordialmente a capacidade cognitiva, o homem se desvia comumente de Deus e não escolhe seu caminho, a não ser que Deus lhe conceda a "capacidade de agir na direção de Deus", a esta capacidade chamamos de "Inteligência Redencional", cuja finalidade é aproximar o homem de Deus". Esperamos que o crente, meditando no modo como os primeiros cristãos identificavam e resolviam as questões mais simples da vida, comece a buscar esse mesmo discernimento para sua vida. 


INTRODUÇÃO
Como temos apresentado em alguns dos nossos textos, Lucas escreveu este seu segundo livro com a finalidade de confirmar a fé Cristã como algo que procede realmente de Deus. 
Neste texto, Lucas descreve uma situação comum em um grande grupo, ou seja, a necessidade de uma melhor organização para que as coisas acontecessem de uma maneira ordeira e boa para toda a comunidade. 
Lucas introduz o texto destacando justamente o problema: 


Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária.


A descrição de Lucas mostra o problema como resultado de um convívio prático e que surgiu involuntariamente, não como fruto de algum menosprezo, nem discriminação desejada pelos líderes, mas acontecia decorrente das exigências naturais do crescimento da comunidade cristã.
Entretanto, o problema afetava algo fundamental na raiz de uma dos principais alicerces redencionais do REino de Cristo, que é a unidade e comunhão da Igreja de Cristo. A palavra murmuração, uma certa desconfiança se levantava no coração dos que eram prejudicados.  
Apresentado o problema, veremos como Lucas descreve a busca de uma solução para essa situação.


Um Sinal da Presença da Sabedoria de Deus na Igreja a Leva a Encarar as Situações de Forma Realista Sem Negar as Dificuldades.
Uma das coisas que me chama a atenção na Escritura é que ela não procura esconder as mazelas que aconteceram no meio do povo de Deus, tampouco cria heróis através de biografias vencedoras sempre.
Naqueles dias, houve murmuração entre os irmãos, porque as viúvas dos gregos estavam sendo prejudicadas e os mandamentos não estavam sendo cumpridos de uma maneira imparcial e isenta de privilégios. 
Nós não precisamos nos amedrontar diante das dificuldades da vida. Muitas vezes, preferimos nos omitir e negar os problemas que acometem nossa vida e relacionamentos com Deus e com os outros, em particular na família. 
Quando somos dirigidos pela "sabedoria do alto" sabemos que "um pouco de fermento leveda toda a massa". A Inteligência Redencional promove uma mudança como encaramos as dificuldades. 
Podemos tomar como exemplo o modo como Davi enfrentou Golias. Para muitos um ato de bravura, às vezes é conduzido por pouca inteligência. No caso de Davi fora ao contrário. Ele não estava negando que diante dele estava um gigante, especialista em guerra. Não obstante a dificuldade, Davi tinha capacidade de avaliar a situações do ponto de vista de Deus e enfrentar a mais complexa situações com a visão de que Deus não o abandonaria, pois só havia uma solução, o enfrentamento. 
Havia em Davi, um discernimento sobre a realidade que lhe mostrava a possibilidade de vitória em Deus. 
Você pode não ser tão corajoso assim, mas deveria começar a pensar de uma forma um pouco mais simples sobre os mais complexos problemas da vida, ou seja, Deus me guiará pelos caminhos da vida e não preciso temer enfrentar as situações. 


Um Sinal da Presença da Sabedoria de Deus é Valorização da Própria Sabedoria Por Parte dos Crentes
Todos os crentes concordavam que era necessário fazer algo, todos concordavam que a proposta dos apóstolos era uma ação sábia e todos sabiam que não poderiam escolher qualquer homem para esta tarefa, pois percebiam que a vida da igreja era algo muito importante, que somente homens cheios do Espírito e Sabedoria seriam capazes de responder adequadamente à essa necessidade.
No texto, observamos que o parecer agradou a todos. Todos sentiram tranquilidade em encontrarem uma solução. Veja que eles não se puseram a discutir posições pró e contra, havia uma necessidade fundamental a ser resolvida que traria problemas para todos. 
O outro modo como a sabedoria era valorizada entre eles é que ao escolherem as pessoas, na prática, escolheram entre tantos, a Estevam, homem cheio do Espírito e de Sabedoria. Não somente ele, mas temos o exemplo também de Filipe e, acreditamos, que os outros também estavam nessa mesma condição.  

Um Sinal da Presença da Sabedoria de Deus na Igreja é Confirmada Pelo Fato de Que Busquemos Soluções Dentro de Uma Perspectiva Redencional
Uma escolha dentro de uma perspectivia redencional é aquela que privilegia principalmente o Reino e a Vontade de Deus para a transformação da vida dos seus filhos. 
A Lei de Deus é a principal fonte de orientação sobre o que é redencional. Também existem aquelas situações que não são propriamente uma contrariedade da Lei de Deus, mas que facilitam ou promovem melhor o cumprimento da mesma na nossa vida. 
No caso de Atos dos Apóstolos vejam que eles precisavam resolver o problema da distribuição das mesas. Os apóstolos faziam isto até então, ou deixavam que as pessoas fizessem isso de forma pouco organizada. Mas o crescimento do grupo exigiu uma mudança no modo como se deveria fazer o trabalho. 
Perceba que eles poderiam dizer assim: nós iremos fazer isso pessoalmente acumulando algumas funções. Mas, perceberam que para promover a vontade de Deus, o crescimento da Igreja e a glória de Cristo, eles deveriam continuar se dedicando à oração e ao estudo da palavra de Deus. 
A igreja compreendia que aquilo era o melhor realmente. Então, o caminho adotado foi o de delegar a outras pessoas aquele trabalho. O fato de procurarem pessoas cheias do Espírito e de Sabedoria decorria do fato de que a comunhão é algo central na vida da igreja e não poderia ser executada por pessoa sem discernimento do Reino de Deus, pois injustiças e outras males muito frequentemente ocorrem nessa área da distruibuição prática do amor. 


Um Sinal da Presença da Sabedoria de Deus na Igreja é Comprovada nos Resultados Positivos Decorrentes de Ações Sábias
Nós não podemos controlar os resultados das nossas ações, mas com certeza, ações que foram determinadas pelo temor a Deus, que é o princípio da Sabedoria, só podem trazer resultados positivos. 
Não significa que serão resultados afastarão dificuldades, mas nos levarão para perto de Deus e os resultados de estarmos perto de Deus sempre serão positivos. 
No caso do texto, o que ocorreu é que o resultado da escolha trouxe paz e o crescimento do rebanho continuou ser verificado, a ponto de Lucas encerrar a pequena perícope com o seu costumeiro ponto de observações sobre o crescimento da fé, o que pontuava ser resultado da presença de Deus na Igreja. 


Um Sinal da Presença da Sabedoria de Deus na Igreja é Que Deus Jamais é Domesticado Pela Igreja
Muitas pessoas pensam que Deus deve dar sempre uma resposta positiva às suas ações e que Ele não pode agir diferentemente do que desejamos. Isso não é sabedoria do alto, pelo contrário, a Inteligência Redencional reconhece a Soberania de Deus em todas as coisas. 
Na verdade, Deus não pode ser realmente domesticado, mas muitos crentes pensam que ele se submete à nossa vontade. Outros acham que ele age sempre dentro de uma lógica cartesiana e humana. Desculpem-me aqueles que pensam assim, Deus é imprevisivel muitas vezes, pois, por mais que procuremos usar a sabedoria do alto, a tendência é que busquemos uma situação de comodismo. ÀS vezes, Deus precisa chacoalhar nossas vidas para que cresçamos mais e partamos para outros pontos da montanha que subimos na direção de Deus. 
Não exatamente na perícope, mas na continuação do texto, quando o destaque é dado a Estevam e se introduz outra parte do livro de Atos, quando a igreja se espalha pelas regiões de Samaria, na Judéia e em outras regiões. 
Deus, não obstante ter a sua igreja em Jerusalém conhecido o evangelho e o seu poder e nele crido de forma absoluta, não obstante estar os discípulos desfrutando da comunhão e do crescimento, precisava fazer essa igreja dar outros passos na sua carreira como anunciadora da verdade do Reino, por isso, mesmo enquanto agiam com Inteligência REdencional, ele a fez objeto de uma grande perseguição por parte dos judeus. 
O povo de Deus, não se revoltou o que é próprio dos que querem domesticar a Deus, mas não conseguem, pois é impossível. Ao contrário, eles com grande ousadia se espalhavam e pregavam a Cristo, que é a Sabedoria de Deus para  a salvação dos homens. 


Conclusão
Todos percebemos que existem situações na vida da gente que precisam ser tratadas com a Sabedoria que Vem do Alto. É muito comum que procuremos soluções sábias, pois evidentemente todos queremos o melhor. Mas será que nossa sabedoria está baseada na verdade REdencional e na REalidade do Reino de Cristo? 
Bem, uma das coisas mais importantes para que você cresça, amadureça e se torne alguém mais pronto para viver, servir e agradar a Deus é que comece a buscar discernimento do que mais te aproxima de Deus e coopera para a sua vida espiritual. 
Aquilo que acontece na vida pessoal pode muito bem ser aplicado na vida eclesiástica. Infelizmente, as soluções que são aplicadas pela maior parte dos crentes não estão baseadas na capacidade de Inteligência Redencional, mas preferem elementos humanos como fundamentos para suas escolhas. Hoje eu lhes recomendo que se aproximem de Deus. 


Aplicação
Comece a repensar os valores que têm determinado suas escolhas, comece a pensar no quanto você ainda precisa crescer. Você talvez me diga que tem dificuldade para esse discernimento. 
Não existirá discernimento se não houver oração e leitura da Palavra. Não existirá crente maduro e capaz, se não fizermos com os apóstolos: nos dedicaremos a oração e à palavra. 
Hoje pode ser um dia para uma mudança muito importante na sua vida. Você é capaz de ser um crente melhor, a capacidade de crescer já está colocada em sua alma.