6 de agosto de 2017

Gálatas 4.1-7

Filhos Pela Graça de Deus
Gálatas 4.1-7

Introdução
Sem dúvida, Paulo estava diante de um pedaço de pergaminho, escrevendo uma carta de grande importância, primeiramente, porque amava aqueles irmãos e esperava que sua vida com Cristo não fosse transformada em uma mistura estranha de religião baseada na força do homem, ao contrário, Paulo deseja ver aquela igreja desenvolvendo verdadeira maturidade que implicava em um relacionamento vivo, sério, intenso e completamente preenchido pela verdade de que eles amavam a Deus e viviam para Ele.
O grande problema identificado na Carta aos Gálatas era a transformação do cristianismo numa religião baseada no esforço humano. O fato de estarem tentando colocar no centro da fé as cerimônias judaicas, não era somente um retrocesso ao antigo judaísmo, mas uma mudança na plataforma da fé. Eles estavam procurando encontrar motivos para a glória em si mesmos, algo que pudessem confiar e que estivesse ancorado na sua própria força e lhes servisse como um modo de se auto-afirmarem.
Paulo identifica o perigo dessa autojustiça, desse elevado apreço por si mesmo e não poupa argumentos para fazer os crentes considerarem a loucura daquela postura. Ele, mais à frente, vai dizer que essa confiança em si mesmo é um movimento do coração controlado pelas “paixões da carne” e os crentes deveriam lutar contra isso tendo um coração controlado pelo Espírito Santo.
Como principal argumento contra esta postura, Paulo usa a força da mensagem da graça. E aqui no capítulo 4, esse argumento está centrado no modo como nos tornamos filhos de Deus. Ele irá nos dizer que a melhor maneira de nos mostrar como filhos de Deus e nos tornar filhos que sabem que são filhos não que existe algo maravilhoso em nós, mas porque Deus nos fez seus filhos, mesmo sem merecermos.
Neste trecho, vamos destacar três argumentos sobre o processo de nossa adoção como filhos de Deus que devem nos lembrar que essa condição não nasce em nós ou não nasce de nossos esforços, mas da obra graciosa de Deus. Por isso é que vamos chamar a adoção de um resultado da graciosidade e benevolência de Deus.
  
Somos Filhos Que Experimentam a Verdadeira Experiência da Vida Como Filhos NÃO NO NOSSO MOMENTO, MAS NO MOMENTO EM QUE O PAI DETERMINA – A GRACIOSIDADE DO PAI
Digo, pois, que, durante o tempo em que o herdeiro é menor, em nada difere de escravo, posto que é ele senhor de tudo. Mas está sob tutores e curadores até o tempo predeterminado pelo pai (Gálatas 4.1-2).
Ser um filho de Deus está entre as mais belas dádivas e privilégios que seguem a fé em Cristo Jesus. O apóstolo João nos diz isto de forma maravilhosa em seu Evangelho quando disse:
Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber os que crêem em seu nome (João 1.12).
Este privilégio vai muito além de um estado de garantias quanto ao futuro e à vida no Novo Céu ou na Nova Terra. Este privilégio vai ao ponto mais profundo quando pensamos que a nossa relação com Deus passa a ser filial, pessoal, de vida e desfrute da companhia perfeita de Deus. Esse é o ponto! Deus nos vê como filhos, não como servos. Essa nova condição não tem a ver só com o livramento da ira vindoura, mas com o favor que ele nos concede de dar o melhor e o mais desejável de todos os privilégios, a saber, a vida com ele, a comunhão com ele, a ELE PRÓPRIO.
Paulo já vinha tratando dessa herança que temos como filhos. Mas aqui, no capítulo 4, ele vem nos mostrar que precisamos considerar que isto só ocorre no tempo em que PAI DETERMINA. Deus, não somente nos salva pela graça. Pela graça também ELE DETERMINA o momento, a extensão, a profundidade em que experimentamos sua presença.
Um cozinheiro faz uma comida deliciosa e te oferece a comida. Mas neste caso, o cozinheiro é tão soberano sobre o assunto da comida que oferece, que controla até o quanto da delicia da comida você sente no paladar. Em geral os cozinheiros podem caprichar no tempero e nos oferecer a comida, mas Deus controla o paladar.
O que Paulo está nos dizendo nestes dois primeiros versículos é que o momento e a extensão da nossa filiação só consegue ser usufruída no momento e na medida em que Deus nos permite.
O que os falsos mestres estavam incluindo ferramentas de controle humano sobre a fé. Este é um problema para o qual todos precisamos ficar muito atentos. Algumas vezes, tentamos dizer o que é e o que não é fé, segundo nossos próprios preceitos. Em outras palavras, tornamos a nossa relação com Deus numa ciência humanamente construída, tentamos controlar Deus. Procuramos medir a relação de amor com Deus por medidas conveniadas por nossos interesses ou de uma maneira que sejamos os controladores da verdadeira vida.
A vida com Deus não é medida pelo número de orações que se faz por dia, ou pelo número de horas de jejuns que você consegue fazer, ou ensaios e hinos que você fez neste último mês, ou quanto você deu de dízimo... Você é um filho e saboreia este prazer na medida em que Deus te faz conhecer e perceber este privilégio.
Em geral, pessoas que são legalistas, tentam controlar Deus e tentam criar métodos para dizerem a si mesmas: MUITO BEM, SERVO BOM E FIEL, VOCÊ CUMPRIU A SUA PARTE NO ACORDO. Paulo, vai numa direção contrária, ele começa a dizer que o verdadeiro filho desfruta do prazer de ser filho por meio de um sentimento que Deus lhe dá: CLAMAMOS ABA PAI PORQUE O ESPÍRIO FALA COM O NOSSO ESPÍRITO: VOCÊ É FILHO.
Este é o ponto deste dois versos. Paulo está dizendo assim: o filho é filho, mas só pode desfrutar disto quando pai determinar. AGORA SIM, VOCÊ PODE GOZAR DESTE PRIVILÉGIO, do contrário, mesmo sendo filho ele parece um escravo.
Irmãos, precisamos orar e pedir a Deus que sempre nos conceda este privilégio: o de vivenciar sua perfeita e graciosa paternidade. Quando é que sabemos que ele realmente ouviu a nossa oração, ou quando é que realmente desfrutamos de saber que ele se agrada de nós? Quando, por sua graça, ele se dá a conhecer e se faz perceber por nós. Ser filho e desfrutar disto é obra da graça. PRECISAMOS COMEÇAR A ORAR MAIS PARA VIVER NOSSA ADOÇÃO, APRECIA-LA E SENTI-LA. PRECISAMOS PEDIR AO COZINHEIRO QUE NOS DEU O MAIS MARAVILHOSO BANQUETE, QUE NOS FAÇA SENTIR O PRECIOSO SABOR DE CADA TEMPERO DA VIDA CRISTÃ.

Somos Filhos Que Experimentam a Verdadeira Experiência da Vida Como Filhos NÃO COMO RESULTADO DA NOSSA OBRA, MAS COMO RESULTADO DA OBRA DA GRAÇA DE CRISTO – A GRACIOSIDADE DO FILHO
Assim também nós, quando éramos menores, estávamos servilmente sujeitos aos rudimentos do mundo; vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos (Gálatas 4.3-5).
Às vezes, fica um pouco estranho o modo como Paulo argumento, porque nos confunde um pouco. Espero poder explicar um pouco essa figura que Paulo está usando.
Ele está usando a figura de filhos menores, servos e senhores. Nos versos anteriores, ele disse que um FILHO, quando ainda é menor, vive como um escravo, mesmo sendo, na verdade um senhor. Isto porque os privilégios de ser filho é uma dávida que só é desfrutada no tempo determinado pela graciosidade do Pai. Agora, nestes versos 3 a 5, ele diz que isto se assemelha à nossa condição quando ainda estávamos distantes e não éramos filhos adotivos. Éramos somente pecadores condenados, como todos os outros homens.
Assim também nós, quando éramos menores, estávamos servilmente sujeitos aos rudimentos do mundo – Ele está dizendo que embora Deus já nos tivesse escolhido, vivíamos sem nenhum desfrute da vida com Deus porque vivíamos sujeitos aos rudimentos do mundo, isto é, à postura ímpia e distante de Deus. O que realmente mudou a nossa condição foi uma obra centrada na vontade do Pai e na liberalidade e voluntariedade do FILHO DE DEUS.
Vindo, porém a plenitude do tempo, Deus enviou seu filho, nascido de mulher, nascido sob a lei – Ele, o apóstolo, enfatiza o fato de que Jesus é filho unigênito, legítimo e perfeito de Deus. Jesus não devia nada a ninguém, a nenhum de nós. Ele não precisava morrer. Paulo, portanto, enfatiza que ele o fez de uma forma graciosa e generosa, porque ele se submete à Lei para salvar os que estavam condenados pela mesma lei. Ele se fez homem!
João também enfatizou essa mesma realidade, no seu evangelho, especialmente quando disse:
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai (João 1.14).
Alguns textos bíblicos nos comovem profundamente! Eles apontam para a graciosidade do Filho de Deus que se fez homem para nos salvar, por nos amar. Ele nos deu o privilégio, às custas de abrir mão dos seus privilégios. Ele deixou a sua glória para me resgatar e para te resgatar.
Este é o ponto que Paulo trabalha nos versos 3  5, de Gálatas 4. Somos filhos porque o FILHO UNIGÊNITO se fez SOB A LEI PARA NOS LIBERTAR DA CONDENAÇÃOD A LEI. Por isso é que Paulo usa a palavra RESGATAR, no verso 5.
Ek-Agorazo – trocar a propriedade, ou a titularidade da propriedade. Você vai na feira, separa uma dúzia de laranjas, põe numa bacia e dá o dinheiro para o dono da banca e pede para ele embalar. Quando ele toma o dinheiro ele transfere para você a titularidade da propriedade e as frutas agora foram compradas, pertencem a você não são dele mais, então ele te embala e lhe entrega as frutas que você resgatou.
Paulo está dizendo que só desfrutamos do fato de que pertencemos a Deus porque Cristo, no tempo certo, pagou o preço e nos salvou. Este é o coração da mensagem do Evangelho. Os falsos mestres estavam tentando tirar isto do coração dos cristãos, quando estavam propondo um evangelho baseado no que o homem faz, porque isto rouba de você a alegria que vem da graça. A alegria que vem da graça faz você sentir uma profunda esperança e uma profunda gratidão nascidas na cruz, no sangue que CRISTO VOLUNTARIAMENTE DERRAMOU POR VOCÊ. ESSE É UM DOS MOTIVOS QUE O SACRAMENTO QUE PRECISAMOS LEMBRAR ATÉ QUE ELE VOLTE NOS FAZ OLHAR PARA O PASSADO, PARA A CRUZ E PARA O SANGUE.
A graciosidade do Filho e da obra do Filho são os fundamentos da nossa verdadeira adoção. Filhos adotivos de Deus, quando orar, lembram do UNIGÊNITO, e quando adoram, o adoram por causa da cruz. Nada fazem para sua glória, mas para glorificar aquele que deu a vida por eles. Faz todo sentido o que Paulo tem a nos dizer:
Longe de mim esteja, gloriar-me senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo (Gálatas 6.14).


Somos Filhos Que Experimentam a Verdadeira Experiência da Vida Como Filhos NÃO COMO RESULTADO DA SUA CAPACIDADE DE DISCERNIR ESPIRITUALMENTE, MAS COMO RESULTADO DA OBRA DE CAPACITAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO – A GRACIOSIDADE DO ESPÍRITO
E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro de Deus (Gálatas 4.6-7).
Louvado seja Deus!
Gostaria de ilustrar essa figura com algo que te fizesse pensar sobre a beleza da figura que Paulo está nos usando aqui. Penso em muitas ilustrações, mas a que me mais me aproxima a mente disto é o sentimento que Jesus Cristo tentou infundir na imagem que criou na parábola do Filho Pródigo. Um Filho, que sabia do amor e do privilégio que é viver na casa do Pai, decide voltar depois de descobrir como é ruim viver neste mundo sem Deus e sem poder contar com o mínimo do amor do Pai, do Criador, de Deus. Ele planeja voltar e seu coração sabe muito bem do que fez, por isso, sabe da sua indignidade, Jesus nos diz que ele planejou pedir perdão pelo que fez e se planeja se sujeitar. Viver e receber as migalhas da mesa do Pai é melhor que viver no mundo sem Deus, sem qualquer proximidade. É melhor ser um escravo do Pai, que viver longe definitivamente. Então ele quer voltar e planeja suplicar sua misericórdia. Mas o sentimento que quero pensar agora é o que vem depois. Aquele sentimento que Jesus queria que todos sentissem, quando diz que, enquanto ele simplesmente planeja só se livrar da dor de viver absolutamente afundado na distancia, ele é recebido pelo PAI COMO UM FILHO. Este é MEU FILHO, que estava morto, mas reviveu. ESTE É O SENTIMENTO QUE EU SINTO QUANDO LEIO ESTES VERSÍCULOS.
 A verdadeira alegria que temos por ser filhos de Deus é uma dávida que só realmente sentimos porque Deus nos faz sentir por meio da obra que o Espírito Santo faz dentro de nós. Os homens sem Cristo não sabem o que é ser um filho de Deus, porque este tipo de sabedoria só se pode desfrutar por meio do Espírito.
Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. (...) o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura, e não pode entende-las, porque elas se discernem espiritualmente (1Coríntios 2.12-14).
Deus enviou ao nosso coração o Espírito que clama Aba Pai! – Só podemos vivenciar a nossa filiação e desfrutar de todos os belos privilégios que ela nos concede, especialmente, só podemos desfrutar e degustar da beleza de sermos filhos de Deus, porque em nosso coração é dado perceber, experimentar, saborear a beleza do que é ser FILHO DE DEUS.
Os falsos mestres deturpavam o evangelho, fazendo os crentes perderem essa beleza. Quando tentavam colocar regras humanas, tentavam dominar Deus e fazer com que eles vivessem uma relação com Deus baseada na troca, no toma lá dá cá. Desculpe dizer isto de uma forma tão grosseira!
O Evangelho é vivido de dentro para fora. A beleza da nossa vida com Deus é que ele nos é dada e não é tomada por nós. Deus não nos deve nada e assim mesmo nos concede sua graça. A obra do Espírito é nos convencer de nossa pecaminosidade e apesar disto, nos dá também a certeza de que fomos perdoados.  Isso é grandioso!
Nossa confiança na nossa filiação é gerada em nós e não promovida por algo que nos faça mais confiantes.
De sorte que já não és escravo porem filho e herdeiro – o sentimento de alegria que nos invade, nos faz sentir filhos. Pense no filho pródigo quando é recebido com um abraço: MEU FILHO ESTAVA MORTO E REVIVEU. Esse é o ponto que nossa vida com Deus precisa ter: DEUS NOS AMA E GRACIOSAMENTE OS DÁ O ESPÍRITO DA GRAÇA QUE NOS FAZ SENTIR FILHOS.


Conclusão
Sem dúvida, uma das maiores perdas do legalismo e do cristianismo errático daqueles que se baseiam em si mesmos é que sempre estão se medindo e medindo os outros e tentando provar quem é melhor ou pior. O fato é que quando tentamos fazer Deus pequeno como nós, não desfrutamos da beleza de sua grandeza.
Quando entendemos a graciosidade da obra trinitária da salvação não estamos medindo ninguém, mas nos alegramos na conquista de todos, porque todos são que são pela graça e pela graça somos filhos de Deus.
UM EVANGELHO QUE NOS FAZ SENTIR FILHOS pela graça, nos une mais. Por isso, quero destacar algumas coisas que precisamos buscar mais:
1)    Precisamos buscar mais simplicidade na nossa maneira de servir;
2)    Precisamos recuperar a beleza da graça e sentir a graça em nosso meio, vendo a graça também operando nos irmãos, por isso, devemos nos perdoar mais e esperar que o melhor venha porque Deus é melhor que todos nós;
3)    Precisamos de uma unidade baseada em Deus e não em nós mesmos e a melhor maneira de viver essa unidade é trabalhar para que todos cresçam na graça e no conhecimento de Jesus;
4)    Precisamos reconhecer que Deus é quem controla a nossa vida e que crescer em desfrutar da nossa verdadeira filiação é um processo de amadurecimento que precisamos buscar juntos.
Que Deus nos conceda a sabedoria para estas percepções de sua graça e presença em nosso meio!!

Oração
Deus, na tua graça e na graciosidade do Filho e do Espírito, nos conceda que sejamos filhos que sabem ser filhos, para que sejamos humildes e vivamos para tua glória. Amém!


2 de julho de 2017

Gálatas 2.1-10

A Unidade da Graça no Evangelho
Gálatas 2.1-10


Introdução
Paulo estava determinado a combater um falso evangelho que estava pervertendo a fé dos Gálatas, mas estava também disposto a ir mais longe e vencer a si mesmo, ou ao orgulho dos irmãos, para fazer vencer o Evangelho de Cristo na vida da Igreja.
Com certeza, precisamos de muita coragem para enfrentar os inimigos da fé e de coragem ainda maior para conduzir os amigos à verdade, tendo de enfrentar suas certezas equivocadas.
Não estamos diante da luta de Paulo para fazer prevalecer a sua opinião, mas a importante luta para que a Igreja não se deixasse seduzir por uma ideia errada de falsa piedade. Por isso, este texto é altamente desafiador, porque ele nos expõe e nos revela a possibilidade de que nossas certezas podem ser mais fruto da nossa arrogância e orgulho que provenientes da Verdade.
O resultado que podemos colher depois de um texto como este é o quebrantamento e uma maior capacidade de tolerar e receber pessoas para andar conosco. Não tenho dúvidas de que estamos diante de um desafio e que precisamos nos preparar para ouvir a voz de Deus e deixar que o Espírito nos conduza à Verdade.
A unidade produzida pela Graça é fundamentada na Verdade e a Verdade tem de ser maior que o orgulho pessoal. Para que você consiga vencer o orgulho e receber irmãos pela obra da unidade da Graça no Evangelho você precisa lutar. Este texto é a apresentação desta luta e uma convocação para a luta, prepare-se...

Prepare-se Para Submeter a Sua Reputação Para Servir à Verdade do Evangelho
Em toda a sessão anterior, o que nós vimos foi uma forte afirmação de Paulo: recebi o Evangelho não de homens mas de Deus. Na verdade, a ênfase de Paulo não é nele próprio e na sua particular condição privilegiada, mas na peculiar origem do Evangelho. O EVANGELHO NÃO PERTENCE A HOMENS E NÃO É UMA VERDADE GUIADA, CRIADA E CONDUZIDA POR HOMENS. O EVANGELHO É DE DEUS.
A boa notícia que Paulo apregoava agora com a sua vida tinha uma origem divina e não podia ser manipulada pela vontade humana. Os homens é que devem servir ao EVANGELHO e não o Evangelho aos homens.
Meus irmãos, Paulo, apesar desta consciência da origem divina do Evangelho, compreendia que o Evangelho não lhe pertencia e nem podia ser vivido somente segundo os pensamentos de Paulo. Ele, por isso, se submete pessoalmente aos outros apóstolos. Ele, como fica claro neste texto que lemos, não o faz para pedir alguma permissão, mas para que ao expor o Evangelho, os outros irmãos lhe ofereçam a destra de companhia, não porque gostaram de Paulo ou o compreenderam, mas porque viram que o seu Evangelho é genuíno e não outro.
Catorze anos depois, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também a Tito. Subi em obediência a uma revelação, e lhes expus o evangelho que prego entre os gentios, mas em particular aos que pareciam ser de maio influência, para que, de algum modo, não correr ou ter corrido em vão. Contudo, bem nem mesmo Tito, que estava coigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se. E isto por causa dos falsos irmãos que se entremeteram com o fim de espreitar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus e reduzir-nos à escravidão; aos quais nem ainda por uma hora nos submetemos, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós. E, quanto àqueles que pareciam ser de maior influência (quais tenham sido, outra, não me interessa; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que me pareciam ser alguma coisa nada me acrescentaram (Gl 2.1-6).
Este texto precisa ser lido com muita atenção porque pode ser complexo para nosso entendimento. Mas devemos notar algumas coisas aqui e como Paulo está usando esta palavra para ensinar aos Gálatas.
Note que Paulo está se reportando ao passado do seu relacionamento inicial com os principais apóstolos no que diz respeito à questão da circuncisão de Tito e ao fato de que alguns falsos mestres estavam tentando perverter a igreja acrescentando ao Evangelho outras práticas, como por exemplo a observação da circuncisão, como se a morte de Cristo não fosse suficiente para expiar os pecados e nos fazer justificados diante de Deus.
Então, Paulo está dizendo que mesmo naquela época em que o Evangelho estava sendo inicialmente pregado aos gentios, os apóstolos já haviam dado seu consentimento. Eles diz que estes homens respeitados, apesar do seu grande respeito, respeito maior tiveram para com o Evangelho.
Expus o Evangelho que prego – Paulo nos diz que o ponto central da decisão dos grandes de Jerusalém, entre os principais estavam os primeiros apóstolos, não foi que eles se convenceram por causa da pessoa de Paulo ou de Barnabé, mas o foco de sua decisão foi o Evangelho. Este é um ponto importante! O que Paulo tem em mente é mostrar aos crentes que todos estamos a serviço do Evangelho e não o contrário. Paulo não prega o Evangelho de Paulo, mas o Evangelho de Deus e de Cristo Jesus, Nosso Senhor. A boa nova não é uma mensagem que se adequa ao que Paulo mais gosta ou o que Pedro mais gosta, mas é a mensagem de Cristo.
Aos que pareciam de maior influência – Paulo diz que naquela ocasião, eles se apresentaram aos homens que tinham mais força e maior poder de decisão e o texto, depois de uma pequena explicação, completa que estes de maior influencia nada lhe acrescentaram. Isto é, eles não precisaram corrigir nada, nem tirar ou acrescentar parte alguma, senão uma recomendação quanto ao trato com os pobres (verso 10). Paulo está nos dizendo que a grandeza daqueles homens, daqueles nomes pouco importava, o que importava realmente era a VERDADE DO EVANGELHO. Eles submeteram seu prestígio, influência, peso de decisão humildemente ao Evangelho.
Para que a verdade do Evangelho permanecesse entre vós – meus irmãos, Paulo faz uma pequena explicação dos seus motivos nos versos 4 e 5. Ele diz que ele subiu à Jerusalém sem antes circuncidar a Tito por uma razão, para que os falsos mestres não usassem isto para falar contra o Evangelho. Vale lembrar que noutra ocasião, Paulo pediu a Timóteo que se ciruncidasse para não causar escândalo. Na verdade, Paulo sabia muito bem que nem a circuncisão ou a incircuncisão tem algum valor, mas neste caso, ele via a necessidade de manter uma posição mais firme, porque havia gente tentando perverter a mensagem e desviar as igrejas. Paulo diz que sua decisão era para que a VERDADE DO EVANGELHO FOSSE PRESERVADA. Notem que importante coisa e esta: Paulo não está tentando fazer amigos ou trabalhar com diplomacia, ou agradar pessoas, mas vivendo e gastando a sua vida pela VERDADE DO EVANGELHO. Devemos submeter a nossa vida, a nossa reputação, qualquer grandeza pessoal ao EVANGELHO E NUNCA O CONTRÁRIO. A MENSAGEM DO EVANGELHO, A VERDADE QUE ELA APRESENTA SOBRE A VIDA E O RELACIONAMENTO COM DEUS NÃO PODE SER ESCRAVA DA NOSSA VONTADE, MAS O CONTRÁRIO, NÓS SOMOS ESCRAVOS DA VERDADE DE DEUS E SEUS SERVOS.
Você realmente só está vivendo para o Evangelho quando você está vivendo para servir ao Evangelho. Portanto, algumas vezes, a verdade do evangelho pode te incomodar e você é quem tem de se adaptar a ela e nunca o contrário.

Prepare-se Para Submeter a Sua Reputação Para Servir ao Senhor Que Opera na Vida Pelo Evangelho
Nos versos 7 a 9, Paulo diz que aqueles homens de grande reputação se submeteram ao Evangelho, porque reconheceram que o Dono do Evangelho é o Senhor e não a Igreja. E que, portanto, todos os que estão à serviço do Evangelho, estão na verdade à serviço de Deus.
Antes, pelo contrário, quando viram que o Evangelho da incircucisão me fora cofiado, como a Pedro o da circuncisão (pois aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, também operou eficazmente em mim para com os gentios) e, quando conheceram a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, que eram reputados colunas, me estenderam a mim e a Barnabé, a destra de comunhão  (Gl 2.7-9).
Quando tentamos manter o Evangelho aprisionado por nossa vontade, o que estamos fazendo e resistindo à Deus e não servindo ao Evangelho. Temos de lidar com muito cuidado para não nos tornarmos senhores do Evangelho, resistindo a Deus. Isso foi exatamente o ponto central do conselho de Gamaliael no Sinédrio.
Agora, vos digo: dai de mão a estes homens, deixai-os; porque, se este conselho ou esta obra vem de homens, perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus. E concordaram com ele (At 5.38-39).
A mesma atitude foi a de Pedro, quando viu que deus havia dado aos gentios de Cesaréia, na casa de Cornélio, o mesmo Espírito que aos judeus de Jerusalém:
Pois, se Deus lhes concedeu o mesmo dom que a nós nos outorgou quando cremos no Senhor Jesus, quem era eu para que pudesse resistir a Deus? E, ouvindo eles estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para a vida (At 11.17-18).
O Evangelho me fora confiado o mesmo que a Pedro – O que precisamos considerar nestes versos é que eles estão concentrados em perceber a VERDADE e o conteúdo que Paulo prega e notam que é o mesmo que Pedro pregava aos judeus. Eles estão submissos à verdade. Paulo usa a expressão: Pepisteumai euangelion – me foi dado a crer – isto é como se Paulo estivesse enfatizando que o Evangelho que ele estava anunciando era fruto de uma revelação e não fruto de sua imaginação e isso é o que eles tinham identificado na mensagem que Paulo pregava e no modo como pregava.
O mesmo que operou eficazmente em Pedro, operou eficazmente em mim (energuesas) – agora Paulo chama a atenção para as obras que Deus operou através da pregação de Pedro e dele. Em fim, ele diz que aqueles homens, as colunas da fé, notaram que não podiam resistir a Deus, porque só poderia ser de Deus a obra que fosse tão eficaz para transformar vidas, como, por exemplo a de Tito ou a do próprio Paulo.
Não se trata de pragmatismo, de submissão a Deus e este é um ponto importante. A verdade do Evangelho não está à serviço da Igreja, mas a Igreja à serviço da Verdade do Evangelho. Deus não trabalha para a Igreja, mas a Igreja para Deus. Precisamos ter a humildade de nos submeter a Deus, mesmo que para isto, precisemos dizer não a nós mesmos.
Devemos estar bem preparados quando a obra de Deus nos exigir obedecer a Deus, antes de satisfazer os nossos gostos pessoais. Neste momento, somente os verdadeiros servos de Deus conseguem se submeter.

Prepare-se Para Submeter a Sua Reputação e Cumprir os Seus Deveres Sem Negligência e em Unidade da Graça
O ponto de Paulo é questionar porque os crentes da Galácia se deixaram persuadir por um evangelho falso, mentiroso, um outro evangelho que deveriam considerar maldito e porque, agora, estavam a serviço de si mesmos e não de Deus. Para isto, o que ele propõe é que vejam o que Deus já havia feito e como os próprios Tiago, Pedro e João, que deveriam, aparentemente, defender aquele retorno ao judaísmo haviam aprovado o Evangelho pregado por Paulo e reconhecia sua autoridade vinda de Deus.
NO ponto final, ele mostra como o trabalho dos judeus e dos gentios era exatamente o mesmo e como cada um deveria ser esforçar para cumprir a sua parte. Aqui temos um grande aprendizado e precisamos ponderar grandemente sobre isto para não pecarmos: CADA PESSOA TEM O SEU TRABALHO E DEVE FAZER A SUA PARTE, CONFORME DEUS LHE DÁ, DE MANEIRA COMPLETA, DEDICADA E UNIDADE.
Quando conheceram a graça que me foi dada – meus irmãos, um ponto primordial para este tipo de submissão do serviço a Deus é a capacidade espiritual de perceber que Deus está operando. Algumas vezes, nos tornamos cegos para as obras de Deus e não conseguimos ver Deus agindo. Sei muito bem do perigo do pragmatismo, mas devo também considerar o perigo do ceticismo. Precisamos de uma percepção aguçada e submissa à Deus. O que lhes preencheu de certeza para dar apoio à Paulo e Barnabé não foi somente um assentimento intelectual à mensagem, ou seja ao conteúdo da verdade, mas ao fato de que a VERDADE ESTAVA SENDO PROVADA PELA OBRA DA GRAÇA E ESTA ERA UMA PERCEPÇÃO VINDA DE DEUS.
Uns para os judeus outros para os gentios – ministérios diferentes, todos eles de Deus e para a sua glória. Irmãos, agora o que havia era uma só obra de evangelização em várias frentes, mas um só Senhor no comando de tudo e de toda a sua igreja. Umas das lições que CS Lewis parece nos dar em “O Príncipe Caspian” é que Deus pode ser servido por alguém, que tendo nascido no meio do povo inimigo, o caso um telmarino, Deus resolveu escolher para fazer a sua obra e que o mesmo ASlan que ajuda Luci, Pedro, Suzana e Edmundo, é o que ajuda Caspian a restaurar a paz em Nárnia.
Bem, irmãos, o que Paulo está nos dizendo é que ele, Barnabé e Tito estão à serviço do mesmo Deus e na mesma obra que Tiago, Pedro e João. Precisamos compreender esta unidade na graça, que a obra da graça revela. Quando a verdade é preservada e Deus faz a sua vida vir ao mundo, não importa quem faça, mas todos devemos fazer isto com diligência.
A destra de comunhão – apoio incondicional e intencional no trabalho. A destra de companhia sinaliza para intenção positiva em favor daquela obra. Os líderes dos apóstolos estavam unidos à Paulo e seus companheiros no obra de alcançar os gentios. Não se trata de uma delimitação de áreas de trabalho, até porque, ficaria claro que o Evangelho foi pregado por Pedro também a gentios e Paulo, por onde passava, sempre primeiramente falava a judeus piedosos. O fato aqui a ser destacado era que Paulo enfatizava que o Evangelho não está à serviço de uma raça ou prefenrência pessoal, mas a serviço de Deus, o Senhor o Evangelho e os trabalhadores servem ao mesmo Senhor.
Recomendação – a recomendação não é uma reparação, mas uma necessária ênfase e dinâmica muito particular daquele período. A igreja de Jerusalém, em particular, vira o Evangelho crescer e a necessidade de repartir as riquezas como uma forma visível do Evangelho se manifestar. Então, recomendam que as mesmas marcas do Evangelho sejam visíveis em todo lugar onde é anunciado, onde a fragrância da boa nova é sentida, deve ser sentida também marcantemente as suas primordiais características, entre elas, o AMOR.
A unidade no trabalho deve ser um empreendimento do Evangelho e por isso o amor é sua marca. Esta e uma luta que exigirá um preparo grande da parte de qualquer servo do altíssimo. Porque o trabalho em comunhão é uma marca do Evangelho, a unidade da graça é o sinal da presença do Espírito entr4e nós. Por isso, precisamos de muito cuidado com a ideia de equilíbrio entre a Verdade que defendemos contra os falsos mestres e o Evangelho e sua pureza que defendemos de nós mesmos e nossos gostos pessoais.


Conclusão
Meus irmãos, precisamos pensar seriamente sobre o perigo que corremos em nossos dias, especialmente neste ano de comemoração de 500 anos da Reforma Protestante. Diante dos grandes desafios que temos com mensagens de Evangelho falso, também somos surpreendidos quando somos tentados a proteger nossos interesses pessoais e, com isso, errar também nos afastando de irmãos tendo como desculpa nossa chamada pureza.
Claro que devemos ter em mente a VERDADE DO EVANGELHO E JAMAIS NEGOCIÁ-LA, mas também temos de  tomar o mesmo cuidado com nossas próprias posturas. Temos que muitas vezes estejamos nos servindo do Evangelho para fazer prevalecer nossas perspectivas e DEIXANDO DE SERVIR A DEUS.
Como identificar isto, então? Este texto parece indicar caminhos de humilde submissão ao Evangelho e à sua Verdade. Crescer na percepção da graça e desenvolver uma visão que nos permita olhar para Deus e submetermo-os a Ele e nunca tentar fazer o contrário.
Ao final, é preciso que sejamos mais capazes de andar juntos com pessoas com missões diferentes do que lutar uns contra os outros. A carta aos Gálatas parecem identificar essa necessidade, especialmente a de lutar juntos pela VERDFADE até que Deus seja tudo em todos.
Que Deus nos conceda a sabedoria para estas percepções de sua graça e presença em nosso meio!!