17 de novembro de 2010

Davi o Rei da Aliança - Tipo do Grande Rei

O Rei Pastor - O Caráter Agregador do Reinado de Davi

“Jesus, Filho de Davi” - este é um importante título aplicado a Jesus nos dias do novo testamento. Defini-lo como “Filho de Davi” é o equivalente a reconhecê-lo como o Messias prometido, o Cristo, o qual, conforme as profecias, seria um descendente do Rei de Israel.
Davi, o belemita, filho de Jessé, foi o maior dos reis de Israel. Sem dúvida alguma, ele é o tipo messiânico (personagem que apontava simbolicamente para o Messias) que predominou no Velho Testamento durante todo o período profético.
A vida de Davi foi profundamente marcada pelo seu chamado para servir a Deus. Ele tinha intimidade com Jehovah, que lhe fez uma promessa maravilhosa: “Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino” 2 Samuel 7.12. Essa aliança de Deus é conhecida como a “Aliança Davídica”, uma continuidade das alianças da graça desde Gênesis 3.15, Abraão, Moisés e Jacó. Seria essa aliança a que dominaria a mentalidade messiânica de Israel até a chegada definitiva do Messias.
A vida de Davi é uma espécie de ilustração viva da vida do Messias e seu caráter único como pastor-rei aponta diretamente para o reinado de Cristo Jesus sobre todas as coisas. Por isso, quando conhecemos a vida deste homem valoroso, aprendemos muito sobre a natureza do próprio Cristo e sua obra.
Entre algumas das mais importantes características de Davi é que ele carregava em seu ser a personalidade do “pastor de ovelhas”. Mas esse pastor, foi chamado para ser o Rei. Por isso, seu reinado foi marcado pela capacidade de apascentar o seu povo e congregá-lo, sendo eficaz na tarefa de fortificar a Israel como nação e unificá-la como povo de Deus. Sob Davi, Israel era um povo forte, dedicado ao Senhor e extremamente unido.
O caráter teocrático e agregador do reinado de Davi foi um protótipo do reinado eterno de Cristo Jesus. Deus desejava utilizar o reinado de Davi como uma lição pré-anunciada do modo como Jesus Cristo haveria de reinar sobre o povo, que debaixo do seu governo serviria a Deus. Portanto, viver em unidade não é apenas uma recomendação bíblica, mas um dos propósitos fundamentais do reino messiânico.


O Filho de Davi Construirá a Casa de Deus


Por cerca de 400 anos, os descendentes de Davi ocuparam o trono de Jerusalém. Essa foi uma das mais duradouras dinastias de toda a história da humanidade. A relação de Davi e seus descendentes com Deus, esteve intimamente ligada à promessa que o Senhor fez ao Rei: “... farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome e eu estabelecerei para sempre o seu reino” (2 Samuel 7.12 e 13).
Essas são consideradas as palavras centrais da Aliança de Deus com Davi e nelas devemos meditar em três aspectos: o papel central do “descendente de Davi”; a construção da “Casa de Deus” como a grande obra a ser edificada e a consequente eternidade do reino.
Esse texto tem um forte caráter messiânico, apontando, de forma profética, para Jesus Cristo, o Filho de Davi. Por isso, tem sido considerado uma das passagens mais importantes sobre a vinda, a obra e o propósito da encarnação de Cristo. Destaco, para sua meditação, que Jesus veio a este mundo para ser a figura central da História; que o propósito de sua vinda é o estabelecimento da Igreja como  “Casa para Deus”, conforme o  Novo Testamento ensina e que, através da edificação da Igreja, Deus estabelecerá o Reinado de Cristo, que perdurará para sempre.
O mundo, alheio à Revelação Bíblica do Reino de Deus, considera a “Igreja de Cristo” focalizando o seu aspecto religioso. Para o mundo, a “Igreja de Cristo” é meramente mais uma “Instituição Religiosa”, dentro da cena social. Sua importância não tem relevância espiritual, mas somente social. Assim, ela é boa, mas até pode ser substituída se vier a se tornar inconveniente.
Mais inquietante do que isso,  é a percepção que uma boa parte dos próprios cristãos têm sobre a igreja. Eles perderam a visão de que a  “Igreja de Cristo” é a obra central a ser edificada para o estabelecimento completo e eterno do Reino de Deus entre os homens. Ao perder essa visão bíblica da Igreja, o próprio povo de Deus se afastou da vontade do Pai para a sua vida e deixou enfraquecer sua fé, permitindo com  que o mundo prevalecesse sobre  o reino de Deus. Como cidadãos do Reino de Deus, é imperativo que recuperemos a força e a alegria de ser a Igreja de Cristo, bem como que nos movamos para trabalhar efetivamente e  em prol da sua edificação. Isso é o que Deus espera de nós.   

29 de outubro de 2010

O Homem Reformado

Passados 493 anos daquele dia 31 de outubro de 1517, quando o monge Martinho Lutero afixou suas 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg, ainda é pouco conhecido dos brasileiros o que realmente é o movimento reformado, que se espalhou e transformou a Europa no século XVI.
O pouco conhecimento do que foi e como se desenvolveu a Reforma Protestante do séc. XVI, faz com que os cristãos evangélicos brasileiros, até mesmos os presbiterianos, mais diretamente ligados à tradição reformada, se distanciem do que realmente é ser um reformado e esse é um conceito especial que precisamos descobrir como legado da Reforma.  
A Reforma Protestante teve repercussões fundamentais nos conceitos políticos, educacionais e filosóficos de seu tempo, mas uma das principais mudanças ocorridas nesse período, não estava ligada aos reis e suas políticas nacionais, nem às mudanças significativas na religião cristã onde ela chegou. A principal transformação que podemos considerar como influência da Reforma Protestante foi o surgimento do “homem reformado” (conforme definiu o Rev. Dr. Hermisten MP da Costa).
O “homem reformado” é aquele que se volta para a Bíblia como sendo a Palavra de Deus e a considera como a única lente, pela qual a realidade pode ser discernida sem as falhas da interpretação humana. Esse “homem reformado” é Cristão, por excelência, pois, discerne que Cristo é o Senhor da vida e se dispõe viver para Ele, por isso, se levanta em profunda ética e comprometimento com a moralidade cristã, acima de todos os outros valores.
Como princípio fundamental de vida, o “homem reformado” elegeu o “viver para a glória de Deus”. Para ele, todas as ações humanas, bem como a própria existência de todas as coisas, só encontram significado real quando relacionadas com Deus e sua glória. 
Para o "homem reformado", todos os seres humanos foram criados à imagem e semelhança de Deus, isso faz com que se esforce ao máximo para a promoção qualitativa do ser humano, evitando as mazelas da cultura destruidora. Por isso, ele discerniu com precisão a relevância dos processos educacionais, políticos, desenvolvimento da ciência e outros aspectos que fizeram e continuam a fazer parte integrante da sociedade moderna equilibrada.

21 de outubro de 2010

Onde Está Sua Verdadeira Santidade?

Durante toda a nossa vida cristã, ouvimos falar sobre santidade como um alvo e um dever de todo cristão genuíno. A Escritura é assertiva nesse sentido e contém não poucas exortações para que isso aconteça em nossa vida. Mas, depois de tanto ouvir e conhecer acerca dessa necessidade, você se considera uma pessoa que vive em santidade? Sim? Não?
Para mim, a única resposta a uma pergunta como essa é “não” e por dois motivos. Primeiro, porque muitos têm negligenciado a Palavra de Deus e, de fato não buscam a santificação. Por outro lado, a resposta “não” acontece também na vida daqueles que têm exercitado verdadeira e pura santidade. Mas, se eles têm procurado a verdadeira santidade, por que respondem “não”? Porque todos os que se santificam para Deus sabem que sempre será pouco, porque seu Pai é santíssimo.
Alguns dos homens mais santos declararam que sua busca por santidade era a tarefa mais importante de toda a sua vida. Dentre eles, destaco o maravilhoso pregador George Whitefield. Ele se notabilizou por suas pregações vigorosas ao ar-livre que trouxe à Inglaterra, Pais de Gales, Escócia e Estados Unidos um novo ardor pela vida de santidade com Deus.
Whitefield, certa feita, fez uma visita ao Casal Jonathan e Sarah Edwards. Whitefield permaneceu na casa dos Edwards por uma semana e depois, de volta à Inglaterra escreveu sobre aqueles dias, testemunhando o seguinte da vida familiar daquele casal: “O senhor Edwards é um homem maravilhoso, casado com uma verdadeira filha de Abraão. Eles vivem de maneira simples e totalmente santa. O casal mais doce que eu conheci”. Whitefield, que nesse tempo era solteiro, disse que aqueles poucos dias de convivência o transformou, a ponto de ele começar a pedir a Deus que lhe desse uma esposa que fosse uma verdadeira filha de Abraão e que fosse um marido tão santo quanto o senhor Edwards.
A verdadeira santidade de um crente é aquela que ele vive em sua casa, nos momentos em que vive com sua família. Se alguém, como Whitefield fosse passar alguns dias em sua casa, o que ele diria sobre a sua santidade familiar? A sua verdadeira santidade não é aquela que você vive no lugar onde todos podem ver, mas nas ocasiões em que ou só você ou sua família podem ver.