17 de março de 2019

2 Coríntios 1.3-11

Um Elevado Motivo Para Experimentar o Amor de Deus – O Trânsito do Amor

(Culto da Manhã – Março 2019 – IP Tatuapé)
2 Coríntios 1.3-11

Foco da Nossa Condição Decaída
A questão que o texto bíblico levanta essa noite é: qual a razão de Deus nos amar e nos confortar, nos consolando? O que ele espera que façamos no experimento desta maravilhosa graça? O texto nos diz que somos amados para amar, somos consolados para consolar. Ao contrário da ideia de que ser amado tem a finalidade de apenas nos fazer sentir a felicidade, somos amados para aprender a dividir amor. 

Introdução
Todos queremos ser amados, porque ser amado produz uma profunda experiência de valor. O apreço que recebemos, o gesto de amor de alguém por nós, funcionam como molas mentais positivas para nossa auto percepção. Sem dúvida alguma, o ser amado é uma necessidade da alma humana. Fato é que, a não percepção de amor, ou a percepção contrária de que não somos amados, produz seus efeitos também. 
Deus nos ama e é propósito do Criador que sintamos este amor. Mas sentir esse amor do Criador é o desafio existencial mais profundo e, muitas vezes, por causa do pecado, acabamos por falhar nessa gloriosa tarefa. Contudo, em muitos momentos da nossa vida é o amor de Deus o fator mais importante para manter nossa saúde mental, pois, no amor de Deus encontramos o senso de valor que tanto buscamos.
No texto que nos lê essa manhã, a Escritura propõe que o trânsito do amor tem um propósito ainda mais elevado. Ou seja, ela não propõe o amor como terminando em nossa percepção de auto apreço, mas claramente diz que o amor que sentimos, quando somos consolados pelo Senhor, por meio dos seus mecanismos de conforto, tem como finalidade maior, nos fazer instrumentos de amor a outras pessoas.
Pay it forward – (Passe adiante) – Essa expressão foi o nome que o jovem Trevor Mckinney (interpretado por Haley Osmant), para cumprir a tarefa dada pelo professor de Estudos Sociais, criou um jogo que tinha como regra, toda as vezes que alguém recebesse um bem de alguém, deveria fazer o bem para outras três pessoas. “A Corrente do Bem” é um filme emocionante que mostra como o amor, deve transitar entre nós e como o trânsito do amor é um poderoso instrumento shalômico.  
O apóstolo Paulo está retratando um ensino muitíssimo valioso do próprio Senhor Jesus. 
Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja (João 17.26). 
Tente perceber a profundidade do que estas palavras encerram sobre o trânsito do amor. Diante deste texto que lê a nossa vida esta manhã eu e você precisamos refletir muito sobre o propósito de Deus em nos amar tanto e tanto revelar o seu amor por nós. Ele espera que nos tornemos em instrumentos de repasse de amor e não em mecanismos de retenção de amor. 
Caminhemos neste texto para descobrir como Deus irá nos usar para abençoar tantas outras vida: Pay it forward – Passe adiante. 
Experimentamos Particularmente o Amor do Pai Para Que Outros Recebam Exatamente o Amor Que Eles Precisam
Meus irmãos o texto é bastante direto sobre este ponto. Ele começa na pessoa do Pai, como fonte de amor inesgotável, amor que nos alcança em momentos sensíveis da nossa vida. 
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdia e Deus de toda consolação. É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus (2 Coríntios 1.3-4). 
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor o Pai de misericórdia (oikitirmon) e o Deus de toda a consolação (parakleusin)– o apóstolo inicia com a ideia de que é preciso que eu e você estejamos mais sensíveis às coisas que Deus faz para podermos, em resposta ao seu amor multiforme, reconhece-lo como a fonte de todo amor. 
Neste caso, em particular o amor de Deus se manifestou em duplo formato: misericórdia e consolação. Deus como Pai de misericórdia é uma forma de dizer o quanto a relação de Deus como nosso Pai é baseada na sua sensibilidade especial para compreender nossas limitações e contradições. Por outro lado, ele completa, que percebendo de forma sensível as nossas limitações, Deus é aquele que nos levanta, uma vez que a palavra “consolação”, aqui usada é “parakaleo” que se define como a ideia de nos chamar para cima (exortar em outros textos). 
Estas duas palavras, devemos reconhecer como sendo o trabalho de Deus diante de nossas fraquezas: ele nos compreende, mas não nos deixa como estamos, nos chama, nos renova, nos mostra seus intentos perfeitos para conosco e o seu interesse em nossa vida. Isso é maravilhoso: esse é o nosso Deus! 
É Ele que nos conforta em toda a nossa tribulação– Paulo aqui é mais direto sobre essa origem do conforto que recebemos. Paulo nos estimula a pensar que todo o movimento de amor que recebemos, tem como origem última o próprio Deus. Essa carta nos deixa perceber este tom de uma forma particular. Veja que Paulo está sentido solidão nessa carta e esperava muito a chegada de Tito para vir lhe confortar. Quando Tito chega, Paulo se diz confortado. Mas esse conforto que ele recebe com a chegada de Tito, na verdade, é, em última instância, um conforto que vem do amor de Deus que se revela na chegada de Tito e nas notícias que ele trás consigo (ver 2Coríntios 2.12-13 e 7.5-6). Precisamos aprender a fazer a leitura teorreferente de todo o movimento de amor que nos cerca, como sendo amor de Deus por nós. . 
Para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia (triplissei)– em geral, as pessoas tem uma ideia de que Deus a ama e isso em si é um fim para a experiência como amor. Sentir o amor de Deus por mim é o máximo do que o amor pode fazer por mim. Mas, obviamente o trânsito do amor vai muito além diz: DEUS NOS AMA PARA QUE O AMOR TRANSITE POR NÓS E CHEGUE A OUTRAS PESSOAS.  
Experimentamos Particularmente o Amor do Pai Para Que Outros Sejam Consolados Mais Poderosamente Por Cristo
Um dos defeitos mais graves do homem moderno é a sua grande dificuldade em lidar com a espera e o tempo. O homem moderno, perdeu a ideia de eternidade, portanto, o tempo se tornou um algoz terrível. Para nossa mente moderna, se o tempo passou é um tempo perdido. Ele se vê na obrigação de aproveitar de forma prática cada segundo, porque este bem não está sob o seu controle. 
Paulo, nos dois versos seguintes (5-6) volta o seu olha para os sofrimentos de Cristo e os efeitos deste sofrimento sobre a nossa vida. 
Porque assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nossa favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo (2 Coríntios 1.5). 
Assim como– claramente o propósito é usar o tema como uma comparação. Segundo mesmo mecanismo que os sofrimentos de Cristo tinham como propósito nos alcançar, assim os movimentos do amor consolador de Deus sobre a nossa vida tem o propósito de se manifestar em favor de outros.
Transborda por meio de Cristo– Paulo aqui se preocupa em deixar claro que a nossa participação aqui no processo do trânsito do amor de Deus é o de veículo e não o de fonte. Não é a nossa palavra ou o nosso gesto, não somos nós a fonte do amor que alguém está recebendo por nosso intermédio, mas é Cristo o mecanismo do amor do Deus. Cristo nos usa para fazer o amor de Deus alcançar pessoas. Em outras palavras, quando experimentamos o amor de Deus, nos preparamos para que o amor de Deus que está em Cristo Jesus, seja compartilhado e experimentado por outras pessoas. 
Mais que resolver os problemas das pessoas, o alvo da nossa missão é fazer as pessoas se sentirem amadas por Deus, em Cristo, e com isso, estarem prontas a PASSAR ADIANTE O AMOR DE DEUS.
No verso 6, Paulo volta o olhar para ele mesmo e o que tem passado nas suas experiência apostólicas de provação. Mais para o final deste trecho fica ainda mais explícito a que tipo de lutas Paulo se refere aqui, como sua experiência apostólica. 
Mas, se somos atribulados, é para o vosso conforto e salvação; se somos confortados, é também para o vosso conforto, o qual se torna eficaz, suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos (2 Coríntios 1.6). 
Para vosso conforto– Claro que Paulo está usando a mesma ideia do verso anterior, para que fique claro que Paulo não é a fonte do amor consolador de Deus, ele é o meio para que o resultado da luta salvadora de Cristo seja experimentado por outras pessoas. O objetivo de Paulo passar pelo que passa nas suas tribulações é que outros sejam confortados, ao verem como Paulo sabe e aprende a viver tudo para a glória de Deus. 
O texto fala de uma unidade cristã no exemplo. Essa pedagogia mimética, da imitação, aprendendo pelo exemplo é muito poderosa. Precisamos aprender que nossa vida nunca é uma ilha, mas estamos sempre ligados uns aos outros. Deus nos chama a viver as experiências pessoais com eles, sempre visando outros através de nós. O nosso exemplo, sempre tem como alvo, outros. 
Conforto eficaz(energumenes) – Essa palavra grega foi deturpada em nossa cultura, por meio da brincadeira de um programa televisivo, que a usava como uma espécie de ofensa: seu energúmeno. A palavra indica algo que está tomado pela “força”, “energizado”. Em outras palavras, o texto diz que este conforto que a nossa tribulação comunica é um conforto potencializado pela nossa experiência pessoal com o amor de Deus. 
Suportanto com paciência– essa experiência filtrada na nossa experiência pessoal energizadora produz mais razões para que os outros sejam pacientes em suas próprias tribulações. 
A nossa experiência com o amor de Deus é potencializadora para a capacidade de outros experiementar o amor de Deus que está em Cristo Jesus. O Evangelho é uma mensagem poderosa, especialmente, depois que o Evangelho é comunicado por meio de nossa experiência pessoal com o amor de Deus. Cristo nos usa e repassa o amor de Deus por meio dos filtros da nossa própria percepção de valor, a partir do amor com que somos amados. 
Experimentamos Particularmente o Amor do Pai Para Que Aprendamos a Ver a Nossa Vida Como Instrumentos de Deus e Não Como Um Fim em Si Mesma
Essa é a lição mais difícil de aprender neste texto. O texto nos lê e o a Palavra de Deus sabe que somos extremamente centrados em nós. Por isso, o texto bíblico nos chama a olhar para a nossa vida como meio e não como fim. 
Você pode pensar, mas que tipo de vida é essa que nunca está no centro do palco, está sempre apontando para algo? Sempre servindo como meio para a felicidade dos outros? E nunca pensando na própria felicidade? 
Aqui, podemos dizer como dizem o ditado dos filmes de hollywood: Aqui se separam os homens dos meninos. Sim, aqui se separam os filhos que estão prontos para a vida, daqueles que ainda seguirão pela vida chorando como crianças mimadas que querem um brinquedo só para si. 
Um sinal claro de nossa maturidade como pais, é que nossa maior busca, depois de algumas décadas de nossa vida, é viver para o bem dos nosso filhos. Existe um amor incondicional em nosso coração, que faz com que todo o esforço que permita nossos filhos estarem bem, é desfrutado como uma alegria, mesmo que seja um trabalho árduo. 
A nossa esperança a respeito de vós está firme, sabendo que como sois participantes do sofrimento, assim o sereis na consolação. Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida. Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós e sim no Deus que ressuscitou os mortos; o qual nos livrou e livrará de tão grande morte; em quem temos esperado que ainda continuará a livrar-nos, ajudando-nos também vós, com as vossas orações a nosso favor, para que, por muitos, sejam dadas graças a nossa respeito pelo benefício que nos foi concedido por meio de muitos (2 Coríntios 1.7-11). 
Estes cinco versos finais são uma espécie de conclusão do assunto. Essa primeira conclusão da introdução da sua carta, prepara os crentes de Corinto para compreenderem o propósito de Paulo em lhes escrever. Porque, na verdade, as pessoas não conseguiam compreender a vida de Paulo e suas lutas e experiências difíceis. Eles reputavam que Paulo era um fracassado, por ser tão perseguido por causa do Evangelho. Paulo, por outro lado, está lhes mostrando que as lutas que passamos, mostram o poder do conforto do Evangelho, que anuncia que Deus nos ama e está conosco em todos os momentos, mesmo e especialmente nas tribulações. 
Paulo quer que os crentes de Corinto compreendam que, diferentemente do que alguns pensam, suas lutas não são sinais de derrota do Evangelho, ao contrário, suas lutas são sinais da verdade e do poder do Evangelho. Pois, apesar de tantas lutas é possível ver o amor de Deus sendo derramado e alcançando vidas, especialmente, o amor de Deus, em meio as lutas, sendo filtrado pela fé e paciência do apóstolo dos gentios. 
A nossa esperança a respeito de vós está firme- Essa parte final tem uma espécie de resumo inicial. O verso sete é esse resumo, essa conclusão antecipada. Ele diz que estava tranquilo com o resultado da sua vida, porque sabia que no final, os crentes de Corinto seriam consolados, na medida em que, agora participavam dos seus sofrimentos e tomavam conhecimento das suas lutas. Paulo compreendia que Deus sempre cumpre o papel de fazer transitar o seu amor e confortar as pessoas, então, sabe que isso, mais cedo ou mais tarde, irá acontecer, então está tranquila a sua esperança. 
Não quero que ignoreis a minha tribulação – o desesperar da vida– Aqui ele deixa claro que o seu método de compartilhar experiência não é o de gerar uma história de heroísmos ou super poderes cristãos. Ele tem uma luta profunda e como homem também, muitas vezes, chega aos seus limites. Paulo não precisa que os outros crentes aprendam pelo ufanismo falso de um homem que nunca sofre, nunca está em conflito pessoal. Ao contrário, ele quer que eles saibam que do mesmo modo que eles próprios tem os seus momentos difíceis, Paulo também os tinha. O verdadeiro transitar do amor de Deus por nossa vida, acontece por meio da verdade do que vivemos e não por histórias fantasiosas que possamos contar. 
Temos a sentença – mas Deus que nos livrou – nos livrará– Paulo confia que Deus nunca deixa de fazer a obra de transitar o seu amor e sabe que o amor de Deus servirá de conforto para os Corintios, então está pronto a esperar como Deus irá fazer isto. Ele apenas sabe, por isso a esperança está firma, que Deus o fará, não sabe quando, nem como, mas confia em Deus. 
Este é o ponto central do que Paulo tem em sua mente nessa carta: Deus está pronto a usar a sua vida como filtro do seu amor, então ele está disposto a experimentar esse amor para poder compartilha-lo. 
Ajudando-nos vós com orações – para que por muitos sejam dadas graças – Aqui Paulo convoca as orações dos irmãos, para que façam parte deste circuito de trânsito do amor de Deus, através da vida do apóstolo, pedindo a Deus que sustente o seu apóstolo em suas lutas e o mantenha firme, para que quando ele sair destas lutas, muitos rendam graças a Deus.  
Benefícios concedidos por meio de muitos– quando a igreja ora por uma pessoa em lutas e ela consegue vencer as suas lutas, num certo sentido aquela vitória é de todos. A unidade da fé produz isto, especialmente que estamos dispostos a ver transitar o amor. Crentes que são agraciados por Deus e nunca compartilham o que Deus fez nas suas vidas com outras pessoas, não sabem o valor de suas vidas como meio de conforto e de fazer transitar o amor de Deus. 
Claro que sem ufanismos, com a ideia de mostrar superioridade espiritual. Claro que Paulo está pronto a mostrar suas fraquezas como homem, para que todos saibam que é a graça de Deus quem opera e não o mérito humano. Somos um corpo e precisamos aprender a viver como tal. 
Nossa vida não existe para si, mas para que Deus a use para alcançar outras pessoas e essa é a finalidade de Deus nos dar experiências tão profundas com o seu amor.  
Conclusão
Márcia, minha esposa, sabe muito bem e pode dizer isso para vocês, sobre a vida de um homem da minha antiga igreja, Vila Formosa, que foi um exemplo para todo o rebanho, o seu nome era Jetro. Um homem simples, criado no interior de Pernambuco e veio muito jovem para São Paulo, seguindo o exemplo de muitos, inclusive do meu pai e outros. 
Este homem, tinha diabetes muito severa e na sua velhice essa doença o castigou demais. Ele tinha dores profundas nas pernas. Ele as descrevia como uma faca que parecia estar enfincada na sola do seu pé e entrava pela perna. Certa vez, eu o visitei numa internação no Hospital das Clínicas, em meio a um mar de macas, espalhada em um enfermaria improvisada. Naquele lugar, eu me aproximei meio tímido, ele com uma expressão de dor profunda, me viu e me chamou. Quando me aproximei dele, perguntei: com o senhor está, irmão Jetro? Ele me respondeu como sempre: do jeito que Deus quer! 
Meus irmãos, aquela frase marcou a minha vida e a da igreja quando a compartilhei com a Igreja. Um filho dele me disse depois: meu pai sempre falou assim, desde muito antes, da doença lhe ser tão terrível. Quando o irmão Jetro voltou para casa, depois dessa internação, ele já tinha amputado parte da perna. Fizemos um culto em sua casa, vários irmãos foram. Lá, quando nós chegamos naturalmente perguntamos: como o senhor está, irmão Jetro? Ele ele respondeu: DO JEITO QUE DEUS QUER! Ele sempre dizia isto não com amargura, mas com senso do amor de Deus, que se revela não somente quando nos dá o que esperamos, mas, principalmente quando mantém viva a nossa fé.
Irmãos, temos de aprender a ser instrumentos deste transito do amor de Deus. Aprender de fato a compartilhar o amor e o conforto do amor de Deus, com o qual somos confortados e consolados. Precisamos PASSAR ADIANTE, o que temos recebido e descobrir, como pessoas amadurecidas, que deixaram coisas próprias de meninos, que a nossa maior experiência de felicidade sempre será que sermos instrumentos da paz que outros possam desfrutar.  

Oração
Ajuda-me, Senhor, a ser assim capaz de ser um veículo do seu amor e fazer transitar sua preciosa graça, misericórdia e consolação a outras pessoas. Amém! 

10 de março de 2019

Mateus 9.9-13

Por que Jesus Escolheu Estar Com Aqueles Que Todos Sabem Que São Pecadores?
(Culto da Noite – Março – IPT)
Mateus 9.10-13

Foco da Nossa Condição Decaída
Nem sempre estamos dispostos a perceber realmente que somos pecadores. Claro que o admitimos, não tem como não fazê-lo, contudo, estamos muito longe de perceber o quão evidente está para Cristo que somos pecadores. Por isso, muitas vezes, nosso juízo dos outros e dos seus pecados, são sempre tão duros. Este texto nos desafia a olhar com mais cuidado sobre quem realmente somos e como Cristo nos vê, além de nos exortar a viver de forma misericordiosa, no que tange a olhar para os outros pecadores. 

Introdução
Tive o privilégio de trabalhar por alguns anos com um dos meus professores mais marcantes: Rev. Heber Carlos de Campos. Ele me ensinou muitas coisas no seminário, mas sem dúvida alguma, pastorear ao seu lado foi um aprendizado ainda maior. 
Dr. Heber tinha ousadia incomum na pregação e uma segurança teológica invejável. Fazia afirmações contundentes com certeza absoluta do que estava dizendo, porque tinha uma mente teológica muito, mas muito organizada. Por isso, suas retumbantes afirmações, quase sempre nos espantava de duas formas: primeiro, por se tratar sempre de afirmações muito provocantes; segundo, porque ao final, todos sabíamos que ele iria nos mostrar como a Escritura, de fato nos desafiava a crer em coisas tão profundas. 
Uma destas retumbantes afirmações marcou a minha mente e a de muitos irmãos e irmãs que conviveram com o Dr. Heber nos dias de sua permanência como pastor em Vila Formosa: “Deus escolheu amar porcaria!”Ele sempre dizia que Deus tinha uma preferencia por coisas estragadas! Bem, claro que inicialmente isto choca, mas logo compreendemos que Rev. Heber se referia ao fato de Deus ter escolhido amar pecadores, inclusive, eu, dizia Dr. Heber para exemplificar e esclarecer do que se tratava aquela afirmação. 
O texto que temos diante de nós, também contém este desafio ao nosso entendimento. A escolha primordial de Cristo é estar com pecadores, especialmente aqueles que todos sabem que são pecadores. 
Mateus nos oferece este texto como um grande desafio, porque ele próprio, Mateus está entre estes publicanos e pecadores que se assentaram com Jesus algumas vezes para a refeição e preciosas conversas. 
Claro que esse gesto de Jesus daria o que falar para os fariseus que se julgavam homens acima de qualquer suspeita e sequer se creditavam pecadores como os demais homens: 
Ora, vendo isto, os fariseus perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? (Mateus 9.11). 
Esta noite, esta será a nossa pergunta também! Também iremos pedir a Deus que nos mostre em sua Palavra essas razões especiais de Jesus para escolher preferencialmente estar com pecadores tão evidentes. Creio que eu e os irmãos estamos cientes de que somos pecadores, mas com certeza, o texto está falando de pessoas que ainda mais claramente se evidenciavam pecadoras. Essa escolha de Jesus de ter com eles tão íntima comunhão deve ser um ponto desafiador para nós. Não somente para também nos mostrarmos mais claramente prontos a acolher os pecadores, mas também para nos avaliarmos sobre quem realmente somos e porque Cristo nos escolheu para compartilhar seu pão.
Tenha duas posturas diante deste texto que nos lê essa noite: a primeira, a coragem para também encontrar razões para você estar com pecadores evidentes, seguindo a obra de Jesus; segundo, tenha a também coragem para se perguntar: Jesus também quer se sentar comigo? 
Jesus Escolheu Estar Com os Que Todos Sabem Que São Pecadores Para Expor os Pecados Daqueles Que Se Acham Perfeitos Demais
Naturalmente, o texto que temos diante de nós expõe nossas fragilidades e deficiências com muita precisão. Ele é introduzido por uma cena simples, mas profundamente relevante para este Evangelho: 
Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu (Mateus 9.9). 
O próprio Mateus era um publicano, que dali foi para sua casa e convidou Jesus para ir com ele, bem como, muitos daqueles que com ele dividiam a pecha de serem homens de má reputação, por serem coletores de impostos. 
E sucedeu que, estando ele em casa, à mesa, muitos publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus e seus discípulos. Ora, vendo isto, os fariseus perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? (Mateus 9.10-11). 
Estando ele em casa – muitos publicanos e pecadores vieram – Mateus vai para sua casa e logo as pessoas que se encaixavam no seu tipo social se aproximaram. Jesus não perguntou a Mateus nada sobre a sua vida, mas ele sabia quem era. Jesus apenas lhe fez o convite: bem e segue-me e Mateus o seguiu. A realidade de Mateus era a de um homem estigmatizado pelo fato de ser considerado um traidor do seu povo. Trabalhava na coletoria, isto implicava em que seus patrícios o viam com desdém, porque trabalhava para os romanos. Também era considerado um homem de uma profissão onda havia muita corrupção. Ele vivia do problema dos outros. O texto classifica Mateus no conjunto de pessoas depreciadas no meio mais social: os publicanos e os pecadores.
Claro que a associação entre publicanos e pecadores no texto existe para fazer um contraste com os fariseus que entram em cena logo em seguida. Mas vamos nos deter nesse conjunto: o conjunto dos depreciados. Evidentemente, eles são depreciados e colocados em uma classificação negativa, pelo motivo simples: eles realmente eram reconhecidos pelos pecados que cometiam. Jesus, entretanto, escolhe este grupo para ser sua companhia preferencial neste momento e Mateus está nos mostrando isto propositadamente, logo após a sua chamada, para se incluir claramente na história. O ponto é que Jesus escolheu estar com aqueles reconhecidamente pecadores para expor o pecado daqueles que se achavam puros e perfeitos. 
Estando à mesa muitos publicanos e pecadores tomaram lugares – vendo isto os fariseus perguntavam– claro que este é o ponto deste texto, a comparação entre estes dois grupos. O primeiro, reconhecidamente pecador e repudiado e o segundo, reconhecidamente religioso e de boa reputação. Propositadamente, o texto nos coloca o quadro destes dois grupos e podemos logo perceber que à mesa com Jesus estão os reconhecidamente pecadores. Embora no contexto social os publicanos e pecadores estivessem abaixo na escala de importância, na situação presente, estão eles em condição privilegiada. 
Parece-me correto aplicar aquilo que o apóstolo Paulo falou: 
E Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são (1 Coríntios 1.28).
Este é um ponto importante: Deus escolhe estar com pecadores reconhecidos para fazer os que ainda se pensam perfeitos sejam humilhados na sua falsa pretensão de perfeição. 
Por que o seu Mestre come com publicanos e pecadores- Muito possivelmente os fariseus estaria dispostos estar àquela mesa com o Mestre, o Rabi. Eles davam a Jesus essa deferência, mas não poderiam se associar aos pecadores e aos publicanos. Acredito que estariam à mesa com ele, se um fariseu, respeitado o tivesse convidado e não houvesse tanta gente pecadora sentada ali, se associando ao grupo. 
No evangelho de Mateus, os escribas e fariseus estão constantemente tentando provar que Jesus não deveria se associar a pessoas ruins. Eles questionavam Jesus se realmente conhecia e praticava a lei (Mateus 12.1-2); as vezes, perguntam às pessoas porque Jesus faz o que faz, acusando-o de fazer obras pelo poder do Diabo (Mateus 12.24); outros momentos eles falavam com o próprio Jesus sobre os seus discípulos, acusando-os de pecados (Mateus 15.2). 
Aqui, mais uma vez o que temos é uma repetição deste comportamento de julgamento dos outros, sempre de uma postura de auto justiça e admissão de perfeição pessoal. O problema dos fariseus neste texto é que sua postura de julgamento contra os outros, sempre os deixaram longe de Cristo. 
Publicanos e pecadores com Jesus – fariseus fora– este é o ponto que precisamos pensar seriamente. Quando nossa posição é de autojustiça e nenhuma misericórdia com o outro, temos a tendência de nos impor um juízo ainda maior que aquele que estabelecemos contra os outros, o juízo de voluntariamente ficarmos longe de Cristo Jesus. 
Infelizmente, isto é mais comum do que possa parecer. Muitos irmãos ficam longe de uma vida de comunhão com Cristo por preferirem a condição de juiz dos seus irmãos. O problema com os fariseus neste texto e em todo o Evangelho de Mateus é que eles não conseguiam perceber que sua atitude de falta de misericórdia e de amor para com o próximo era um pecado tão grave e tão danoso quanto qualquer outro. Eles não conseguiam perceber que estavam perdendo tempo, fazendo juízo dos seus irmãos, quando deveriam ter a atitude mais simples: confiar no Mestre e deixar ele fazer a obra nos publicanos. Eles deveriam agir como Mateus: DEIXAR TUDO E SEGUIR. 
Você consegue entender o quanto isto pode se sobre você também? Pois, bem, não perca tempo! 
Jesus Escolheu Estar Com os Que Todos Sabem Que São Pecadores Porque Estes São os Que Realmente Precisam
Como podemos perceber, o problema mais grave dos Fariseus era o fato deles não se perceberem pecadores. Isto é o que realmente os afastava de Cristo. Agora, no verso 12, Jesus irá usar um provérbio de sua época para definir sua relação com os publicanos e pecadores. 
Mas, Jesus, ouvindo, disse: Os são não precisam de médico e sim os doentes (Mateus 9.12). 
Sem dúvida alguma, o que o texto nos leva a refletir tem dois lado: o primeiro, o lado de quem não sabe que está doente e, portanto, não sabe que precisa do médico; e o lado de quem está doente e precisa que o médico esteja com ele. Vamos a este último primeiro. 
E sim os doentes– Jesus estava com os publicanos e pecadores, que sabiam que se encaixavam na categoria: doentes. Mateus é quem está escrevendo sobre isto e, portanto, ele sabia muito bem o que estava acontecendo e de quem e por que Jesus estava usando aquela linguagem. 
Quando Mateus deixou a coletoria imediatamente e seguiu Jesus, sabia que deveria estar com aquele que lhe abriria uma nova opção de vida. Ele certamente estava ciente de que sua vida não poderia continuar do jeito e na direção em que estava. Ele precisava que algo lhe acontecesse e aconteceu: Jesus. 
Quando pecadores se reconhecem pecadores, Jesus está sempre pronto a estar lá, oferecendo-lhe o refrigério e a vida nova que precisamos. Deixar o pecado e seguir a Cristo é optar pela luz e deixar as trevas. Sem dúvida, muitas vezes é necessária uma coragem e desprendimento que nem sempre estamos dispostos a oferecer. Mas, no caso de Mateus, ele abraçou a sua chance de uma vida nova e foi imediatamente. 
Os são não precisam de médico- O segundo olhar deste verso é para o outro grupo de pessoas, as que não querem admitir sua enfermidade do coração e da alma. Por orgulho, por simples insensatez ou por qualquer outro motivo, o ponto central não é que de fato estas pessoas estejam sãs, o problema é que não querem admitir a própria enfermidade. Paulo falou a respeito disto, usando uma outra temática de expressão:
Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer (Romanos 3.10-11). 
O problema de muitas pessoas é que seu orgulho ou a sua insensatez não lhe permitem ver o óbvio: que sua vida não é completa, que sua estrada é trevosa e que sua jornada está na direção errada. Estas pessoas se permitem manter-se no erro e fazem questão de contar para si mesmas a própria mentira: estou sadio e não preciso de médico. De nenhuma forma isto lhe fará bem! 
Jesus ouvindo disse – Este dado do verso é importante tanto quanto o final do verso. Ele mostra que Jesus está interessado em que os Fariseus façam uma profunda reflexão, tanto quanto está interessado em que os Publicanos e pecadores saibam o que está acontecendo ali.
Publicanos e pecadores precisam saber que estão sendo acolhidos por alguém que está disposto a tratar suas enfermidades. Fariseus precisavam saber que ali estava alguém que estava dispostos a recebe-los para se assentarem à mesa e já estava começando o tratamento, mostrando-lhes o diagnóstico de sua enfermidade espiritual. 
Mais tarde, Mateus registra que um chefe da sinagoga, chamado Jairo, procura Jesus para que sua filha seja curada e este homem recebe do Mestre o amor e o cuidado que sua filha precisava, assim como o seu coração. Um homem da sinagoga, cheio de fé em Cristo Jesus, o médico. 
Meus irmãos este tema é muito importante para todos nós, porque todos somos acometidos pela doença do pecado. Quando menos esperamos ela vem novamente com seus terríveis efeitos, nos colocando longe da paz e em trevas novamente. Precisamos sempre que o médico esteja perto e o próprio médico já é o remédio e a própria cura. Todos precisamos saber que estamos doentes e não devemos jamais perder isto de vista.
Jesus Escolheu Estar Com os Que Todos Sabem Que São Pecadores Para Nos Ensinar o Grande Valor da Misericórdia a Mesma Que Nos Alcançou
O Reino de Cristo é um Reino construído pelo perdão gracioso que é dado aos filhos de Deus. Porque, na verdade, todos somos pecadores. Jesus, o único homem que não pecou, deu a vida por nós e nos fez filhos de Deus, servos do Reino. 
Mateus, o publicano, com uma propriedade muito grande era um discípulo que sabe o valor da misericórdia. Sua posição de antigo publicano, agora o levava a pensar sobre o que realmente estava acontecendo ali no seu chamado à fé. 
Aqui, no verso 13 Jesus conclama a todos a que aprendamos o valor da misericórdia:
Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos, pois não vim chamar justos e sim pecadores ao arrependimento (Mateus 9.13). 
Ele está se referindo ao profeta Oséias e este texto será novamente citado em Mateus 12.7. e é preciso saber que a misericórdia é um valor que aprendemos, especialmente, quando aprendemos que também fomos alvos da própria misericórdia de Deus. 
Aprendei o que significa– sem uma percepção clara de que foi por misericórdia que fomos resgatados, afinal, Deus deixou de nos dar o que merecíamos e nos acolheu em sua família, sem essa ideia clara de que fomos chamados ao reino por misericórdia seria mais difícil para nós o aprendizado, mas é importante que aprendamos e estejamos consciente de que a mesma misericórdia com que fomos tratados devemos tratar os outros. 
Misericórdia e não holocaustos– a Deus não se serve mostrando nossos valores, mas reconhecendo nossa pobreza. No seu reino não servimos por aquilo que temos a oferecer, mas recebendo do senhor o perdão sem nada dele merecer. Assim também devemos aprender a receber nossos irmãos, sem desejar que eles sejam perfeitos porque não o somos também. 
Não justos mas pecadores ao arrependimento– Jesus escolheu estar com aqueles que reconhecidamente pecadores para nos mostrar o que é a misericórdia que nos foi oferecida e nos fazer cientes de que nosso pecado foi vencido pelo seu grande e absoluto amor. Eu e você precisamos entender quem realmente somos como pecadores, para realmente compreendermos o que fazemos aqui e por que estamos aqui. 
Ele estava pronto a dar a sua vida, mesmo sendo nós pecadores e isso revela o quanto nossa fé precisa ser humilde e quebrantada. Esse é um valor que dará sentido a atos de profundo arrependimento. 

1 Coríntios 13.1-13

O Amor Como Fator de Excelência da Vida
(Culto da Manhã – Março 2019 – IP Tatuapé)
1 Coríntios 13.1-13

Foco da Nossa Condição Decaída
O amor como aquela virtude que reveste o nosso viver da excelência do Reino de Cristo e como o fator que realmente revela nossa ligação com Pai é o que Paulo apresenta neste texto e nos conclama a buscar. A imaturidade e consequentemente carnalidade geram problemas e a falta de conformação da Igreja com se real chamado para ser o Reino de Cristo na terra. Este texto nos chama a rever os alvos existenciais e a própria vida em si e permitir introduzir na sua vida o fator de mudança e excelência do amor, que nos une a Deus e nos dá senso de eternidade.

Introdução
Quando Paulo decidiu escrever esta carta à Igreja de Corinto, sua preocupação com eles é que estavam confundindo suas capacitações em termos de dons com verdadeira espiritualidade. Eles não haviam compreendido o Evangelho no seu âmago e não haviam se dado conta de que receberam o Evangelho como crianças e não amadureceram espiritualmente. Eles estavam vivendo em contendas e buscavam seus próprios interesses e um, desejando sobressair-se mais que o outro. 
Paulo identifica estas fragilidades e lança-lhes um grande desafio de revisão pessoal. Ele os conclama a um processo de mudança, que só se iria operar caso trouxessem para sua experiência de vida um fator de excelência da vida cristã: o amor. 
Ele vê o amor como fator de transformação imprescindível. Ele vê o amor como a virtude mais significativa do Reino de Cristo. Para Paulo, como o próprio texto nos ensina: O AMOR É A VIRTUDE QUE DÁ SENTIDO A TODAS AS AÇÕES VIRTUOSAS; O AMOR É O QUE TORNA O HOMEM DE DEUS CAPAZ DE VENCER AS MAIORES DIFICULDADES DA VIDA; O AMOR É O SINAL MAIS CLARO DA MATURIDADE CRISTÃ.
Este texto é introduzido na carta por uma frase: 
E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente (1 Coríntios 12.31b).
Para essa sobre-excelência do amor é que somos chamados! Para este padrão de maturidade cristã e de sentido verdadeiro da vida é que somos convocados a mostrar neste mundo. O que precisamos não é vencer as pessoas, precisamos amá-las. Elas não precisam reconhecer as nossas capacidades, precisam receber o nosso amor. Quero convidar você a deixar a Escritura ler seu coração e te dizer o que é necessário para que você também seja assim transformado e conduzido à essa condição de sobre-excelência pelo amor.  

O Amor é o Fator Que Dá Verdadeiro Sentido a Todas as Virtudes e Obras da Vida Cristã
Esse ponto parece ser facilmente identificado nos três primeiros versos desta passagem. Todos os três são introduzidos pela expressão: ainda que... Claramente a intenção de Paulo não é desqualificar as práticas positivas que ele levanta, mas colocar o desafio de perceber que toda a vida virtuosa, para se preencher de verdadeiro significado do ponto de vista de quem serve ao Reino de Cristo, precisa ser uma ação revestida e transformada pelo fator de sobre-excelência: o amor.
Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o do de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que eu entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará (Atos 9.36-37). 
Ainda que...– A estrutura que Paulo deu a estes parágrafos é bem simples e propõe uma reflexão sobre elevadas obras virtuosas e o seu real significado diante de Deus e de Cristo. Ele sempre termina o pensamento com a ideia de vazio. Paulo está convidando as mentes a perceberem que sua busca vivencial pode estar completamente equivocada, por estar baseada em promover sua vontade e não a de fazer a vontade de Deus. 
Este é o ponto que muitos de nós erramos, porque caminhamos com as virtudes e a obras virtuosas e não percebemos que essa nossa vida é completamente destituída de significado, por isso, certamente, é que tão comumente estamos tão entediados com a vida cristã. Tentando nos convencer de algo que é, em si vazio e insistindo e auto afirmar nossas virtudes, quando nos falta o principal. 
Se não tiver amor– toda a construção dos parágrafos é baseada nessa proposição: E NÃO TIVER AMOR. Ter aqui não é a simples posse de algo, mas o ser tomado por aquilo que dizemos possuir. Paulo está dizendo que nessas ações virtuosas o que realmente vale não é a ação em si, mas o que nos motiva, o que realmente estamos fazendo quando fazemos tudo o que está descrito.
Ainda que FALE A LÍNGUA DOS HOMENS E DOS ANJOS, se não tiver amor– isso será somente barulho. Pode ser fato sua capacidade, mas ela não constrói valores com Deus e no reino de Cristo. Claro que Paulo está trabalhando com categorias que lhe pareceu mostrar aos crentes de Corinto claramente onde estavam errando. Por isso, precisamos pensar sobre os nossos termos atuais e propor reflexão semelhante sobre o vazio de ações que, em si, são virtuosas, mas que nada possuem de verdadeira construção se ela não nos leva ao alvo: O REINO DO AMOR. 
Paulo, no capítulo 3, alertou os crentes de Corinto a edificarem vidas com coisas de valor, para que nossas ações sejam aprovadas no escrutínio e juízo de Deus. 
O vazio - bronze que soa; címbalo que retine; nada serei; nada aproveita –algumas expressões tem sempre o objetivo de nos mostrar o vazio de virtudes que não nos levam à real vontade de Deus: construir em nossa vida e através de nós: o seu Reino de amor. Paulo está propondo um sistema de valoração da vida que não está baseada na percepção do valor material do que fazemos, mas um sistema que busca encontrar nas motivações mais profundas o verdadeiro valor e no Reino de Cristo, sobretudo, o fundamento motivacional é AMAR.
Eu não tenho dúvida de que este é o problema mais central do Cristianismo também em nossos dias, ou seja, nós perdemos o foco e o sentido real de nossa vida cristã e nos permitimos a uma espécie de sentimento de auto satisfação com a miséria de uma vida sem sentido, um cristianismo pobre que nós pintamos de ouro, para esconder a fraqueza e a podridão de nossos corações. Infelizmente, mais comum do que gostaríamos, mas precisamos encarar com coragem, é o fato de que em boa parte das vezes, nós vivemos da aparência de cristianismo, de frases prontas, de atos mecânicos e o mais especial não buscamos. Nem sabemos realmente o que é amar, porque preferimos viver desamando. Vazio completo é o que Paulo diz que é essa vida assim. Antes de passar ao outro ponto, pensemos também sobre aquilo que Jesus disse: QUAL O VALOR DE AMAR SÓ OS QUE NOS AMAM?
O Amor é o Fator Que Dá Verdadeira Força Espiritual Para Vencer as Dificuldades da Vida
Os versos 4 a 7 forjam uma estrutura desafiadora, ele parece desejar fazer-nos pensar sobre o modo como o AMOR NOS FORNECE FIBRA PARA VENCER AS DIFICULDADES DA VIDA. 
O amor visto do ponto de vista afirmativo – O AMOR É...
O amor visto do ponto de vista negativo – O AMOR NÃO É...
O amor visto do ponto de vista afirmativo novamente – O AMOR É...  
O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor é: paciente, benigno– Aqui Paulo fala do amor definindo de duas formas. Primeiro ele nos fala do amor em sua capacidade de saber suportar as intempéries da vida. Segundo, ele fala do amor na sua capacidade de nos fazer lutar contra as intempéries da vida, uma vez que a paciência é reativa e a benignidade ativa. 
Uma pessoa pronta para a vida precisa ser capaz de agir nestes dois tons em relação às dificuldades próprias da vida. Pessoas infantis, sem fibra vivencial, não conseguem lutar para mudanças, muito menos receber os baques. Em geral, nestes casos, as pessoas partem para ferir as outras e a tentar provar o quanto os outros são ruins. 
Aqui estamos diante de uma convocação à reflexão sobre o fato de que o amor é este fator de  força que nos ajuda a receber golpes e resistir, ao mesmo tempo que nos fortalece para ação transformadora. 
O amor não: arde em ciúme, se ufana, ensoberbece, conduz inconvenientemente, não procura seus próprios interesses, exaspera, ressente do mal, não se alegra com a injustiça– Toda essa descrição do que o amor não é e não produz apontam para reações às dificuldades da vida que são uma espécie de autoproteção enganosa. Uma espécie de cortina de fumaça para nossa infantilidade existêncial e nossa pouca disposição à maturidade real.
Todos estes “não” do amor são um modo de Paulo dizer o seguinte: se você faz isto, você não sabe o que é o amor de Cristo que deve fluir em nossa vida e marcar a nossa capacidade de viver em um mundo caído, como filhos da luz que vão ser agentes de transformação.
O amor é: regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta– o amor aqui é pronto para lutar, para receber pancadas e permanecer em pé, para saber virar o jogo e trazer à realidade o que realmente deveria ser. O amor sabe esperar o momento certo e tem paciência para suportar até que esse momento chegue. 
Irmãos isso é muito sério, porque o imediatismo da nossa sociedade e o mimaditismo com que estamos nos acostumando a ser tratados com excesso de cuidados, ninguém pode fazer nada que já nos ofendemos, estão interferindo em nossa real capacidade de viver. Paulo está nos dizendo que o amor supera toda essa super fragilidade e nos ajuda a esperar o momento certo em que Deus irá revelar quem nos somos. Seja mais pronto para esse padrão de vida, pense bem sobre isso.
O amor é o fator que dá verdadeiramente uma capacidade sobre-excelente para vencer as dificuldades da vida.  
O Amor é o Fator Que Dá Verdadeiro Andamento ao Processo de Amadurecimento Vivencial
Aqui, neste trecho final, Paulo contrasta a perenidade e firmeza do amor com a fugacidade e fragilidade da vida imatura. Ele divide essa argumentação em duas partes, na minha maneira de ver: O amor perene em contraste com valores que são passageiros; e o amor agindo em mim conferindo qualidades de maturidade que me fazem permanecer firme e pronto para servir ao Reino de Cristo. 
O amar jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos. Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado (1 Coríntios 13.8-10). 
O amor jamais acaba – o que é em parte será aniquilado– veja que estas duas expressões do início e do final do trecho dão o tom do contraste. Amadurecimento é o ato de passar pelo tempo e atingir as qualidades próprias que a natureza potencialmente pode nos conferir. O homem maduro é aquele que consegue passar pela vida e no momento certo atingir o ápice de todas as potencialidades que sua natureza humana lhe possibilita desenvolver. 
Havendo – cessará, passará, desaparecerá- O amor aqui é aquela virtude que amadurecida se torna firme e constante e não sujeita às intempéries. Todas as demais, são qualificadas no texto como passageiras. Claro que por algum momento, as profecias, a ciência, as línguas tão preciosas para os coríntios, recebem o seu protagonismo, mas pessoas maduras não estão interessadas em valores que dão protagonismo passageiro, estão interessadas em coisas que produzem estabilidade. É a diferença que Paulo tratou no capitulo 3, entre: ouro, prata, bronze – feno, palha, madeira. 
Quando vier o que é perfeito– Paulo propõe o futuro como o momento em que o amor realmente se revelará o caminho sobremodo excelente. NO sentido de que devemos abandonar o imediatismo e desejar a perenidade que se constrói com o tempo. Ele diz: quando vier o que é perfeito – claramente apontando para o fato de que ainda não veio, mas virá. Aqui, ele usa expressões que dão dois pesos à afirmação: quando vier – propõe o futuro, como já dissemos, mas também propõe a certeza, ele virá. 
Do conceitual, Paulo parte para o prático e direto: 
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino, quando cheguei a ser homem, desisti da coisas próprias de menino. Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente, então, veremos face à face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor (1 Coríntios 13.11-13). 
Quando eu era menino – quando cheguei a ser homem– o objetivo de Paulo não é comunicar aos meninos para lhes dar umas palmadas. Ele deseja lhes comunicar para que desejem muito ser homens completos. O objetivo de Paulo é que todos cheguemos à esta estatura de varões perfeitos. Ele saiu do conceituial e foi para o direto e prático porque o objetivo dele não é fazer um tratado filosófico sobre o amor, o objetivo dele é que os crentes percebam e busquem o amor como o caminho para sua vida.
Fazia coisas de menino – desisti das coisas de menino– Paulo está dizendo que devemos buscar as coisas próprias da vida adulta com Deus, da maturidade cristã e deixar a vida infantil. Este é sem dúvida um desafio, mas uma necessidade que não podemos perder de vista. Enquanto ficamos brincando com os brinquedos da fé dos meninos, pessoas estão morrendo e nós estamos aqui, sem anda fazer. 
Agora e depois– uma coisa própria da infantilidade espiritual é a incapacidade de vislumbrar o que ainda está por vir. Porque os meninos estão preocupados com a brincadeira que podem ver agora, mas é próprio das pessoas amadurecidas ter o olhar no futuro e nas possibilidades da chegada à algum lugar. 
Conhecerei como sou conhecido- Num determinado momento da história, Paulo diz que amor e toda a luta dele para fazer a diferença e ser um fator de transformação e conformação ao Reino terá valido a pena. Este é o ponto mais alto da nossa maturidade com Cristo: ELE NOS MOSTRARÁ REALMENTE QUEM ELE É EM NÓS. 
Estes três – porém o maior é o amor– é sempre muito difícil interpretar essa frase. Mas acredito que podemos compreender que Paulo está nos dizendo que o amor é o fator transformador primordial que dá sentido à nossa fé, que nos faz olhar adiante com esperança. O amor é maior porque é ele quem permeia tudo e nos prepara realmente para tudo. 
O AMOR É O FATOR DE AMADURECIMENTO DA VIDA CRISTÃ QUE MAIS DEVE SER DESEJADO E BUSCADO.   
Conclusão
Um texto como este não deve ser lido como uma crítica, mas como uma chamada e um incentivo a que eu e você desejemos isso. Irmãos, precisamos com a máxima urgência rever realmente o nosso processo de amadurecimento na vida cristã. 
Precisamos viver em amor e fazer do amor um modo de vida, que nos empurre a um viver mais consistente. Toda essa atual fragilidade da igreja é uma triste revelação da nossa imaturidade e nossa egocentricidade exagerada. 
O amor é aquele fator que nos empurra a viver para fora de nós mesmos. Faz com que o crente não viva para si e deseje espalhar o reino de Cristo. Precisamos deste amor para nos fazer parar de reclamar, de ver os defeitos dos outros, de impor condições tão impróprias para que a nossa vontade seja feita. 
Caros irmãos, temos de estar prontos para sofrer as intempéries da vida e servir como pessoas de transformação. Para isso, precisamos dar verdadeiro sentido às nossas ações práticas. Não em busca de sermos mimados, mas de agirmos como verdadeiros filhos amadurecidos, que não buscam na fé cristã uma brincadeira de criança para se divertir, mas entende com seriedade que o Reino de Cristo está vindo sobre nós e já está aqui. Que nosso encontro com ele será o momento culminante da nossa realidade e seriamente enfrentaremos aquele dia com a consciência de alguém que seguiu o perfeito caminho.  

Oração
Senhor ensina-me amar como Cristo te amou e me amou!