1 de julho de 2018

1 Samuel 1.1-18

O Reino de Deus e as Minhas Lágrimas 
1 Samuel 1.1-18

Introdução
Irmãos, a leitura dos livros de Samuel, Rute, Juízes exige uma visão direcionada para a monarquia israelita. Em outras palavras, precisamos lembrar que estes livros estão inseridos nas Escrituras para servirem como pano de fundo para a chegada do período do Reino de Davi, o melhor e mais completo tipo do reinado eterno do Messias. 
A história, em geral, é contada a partir de grandes nomes, dos acontecimentos que envolvem os homens e mulheres que se destacam. Mas, nem toda a vida destes homens e mulheres fazem parte dos relatos históricos. Afinal, há muitos dias absolutamente comuns, corriqueiros, que pouco importam quando contamos a história. O próprio Jesus Nazaré, o homem mais importante de toda a história da humanidade, teve dias comuns, dos quais não temos nenhum relato. Alguém, por exemplo, está preocupado com o dia em que o grande Rui Barbosa foi ao dentista pela primeira vez? 
Mas estes momentos mais simples, corriqueiros, pouco importantes para os livros de história, ou mesmo a história dos homens mais comuns, dos milhares e milhares de homens e mulheres que foram apenas pequenas figuras, que a maior parte das pessoas não se lembrará dos nomes, mesmos estes pequenos nomes e momentos da vida de alguém tem um valor enorme e a mão poderosa de Deus agindo. 
Hanna – AGRACIDADA ou FAVORECIDA – uma mulher atribulada, vivendo seus dramas pessoais, suas frustrações, tristezas, enquanto Deus trabalha no silêncio. Ela não sabia, mas enquanto sua vida atribulada segue o seu curso, Deus estava preparando o caminho do seu Rei, no caso Davi, o homem segundo o coração do Senhor.  Esta é uma das mais importantes lições que precisamos aprender com a história desta mulher singular, realmente agraciada, que Deus usou para ser veículo de sua obra graciosa neste mundo. 
Ela não sabia que Deus estava usando sua própria tribulação para moldar a história. Ela não podia saber disto, mas estava pronta a reagir de forma correta diante de sua própria tribulação.
Caros irmãos, temos perdido uma grande oportunidade de desfrutar da graça de Deus, quando desprezamos a importância de cada dia da nossa vida e do que Deus está fazendo, por meio das menores e aparentemente mais insignificantes passagens. 
A história de Hanna apresenta apenas um drama familiar e pessoal, mas aponta para um Deus, senhor da história, fazendo sua vontade prevalecer e o seu favor chegar aos homens com o surgimento da grande monarquia messiânica, da qual Jesus é o grande alvo. 
As lágrimas de Hanna a levaram ao templo. Dali, de uma maneira improvável, a conduziram a uma amizade com o Sacerdote Eli, desta amizade surgiu a possibilidade de uma palavra de incentivo. Deste incentivo, veio uma postura de fé e desta fé, uma decisão: dedicar um filho para ser servo do Senhor e assim Deus trouxe ao centro dos acontecimentos o jovem Samuel, um dos mais respeitados líderes de um momento importantíssimo da mudança da nação israelita em uma monarquia messiânica.
As LAGRIMAS de Hanna foram transformadas na GRAÇA DE DEUS. Caros irmãos, o que devemos ter em nossa mente é que nosso Deus pode estar usando os nossos dias mais com e até o nossos dias mais sofridos para fazer a sua vontade prevalecer e escrever a história da grande obra da redenção.


A Vontade de Deus Nos Leva às Lágrimas Mesmo Que Sejamos Pessoas Leais e Estejamos Cercados de Pessoas Leais

A descrição que temos nos primeiros versículos nos dão levam a atentar para uma família normal daqueles dias, com ingredientes muito positivos, mas que precisavam ser levados às lágrimas porque Deus os queria preparar para usar em sua obra.
Havia um homem de Ramataim-Zofim, da região montanhosa de Efraim, cujo nome era Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliú, dilho de Toú, filho de Zufe, efraimita (1Sm 1.1). 
Elcana um homem comum e honrado– o que se destaca no verso 1 é que este homem era um homem comum. O nome Elcana, significa: Deus o Criou ou Deus é o seu possuidor, mas isso só mostra para um fato que todos nós também podemos dizer de nós. Ou seja, Elcana era apenas um homem comum, sem nenhum parentesco com qualquer dos nomes famosos. Contudo, era um homem honrado, que tinha uma postura de marido e homem de fé que pode ser observados nos versos seguintes. 
Tinha ele duas mulheres, uma se chamava Ana e a outra Penina. Penina tinha filhos, Ana, porém, não os tinha. Este homem subia da sua cidade de ano em ano a adorar e a sacrificar ao Senhor dos Exércitos, em Silo. Estavam os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, como sacerdotes do Senhor. NO dia em que Elcana oferecia o seu sacrifício, dava ele porções deste a Penina sua mulher, e a todos os seus filhos e filhas. A Ana, porém, dava porção dupla, porque ele a amava, ainda mesmo que o Senhor a houvesse deixado estéril (1 Sm 1.2-5). 
Ele era um homem de vida com Deus e uma atitude muito positiva diante de Ana, que apesar de não ter filhos, não causou no coração do seu marido nenhum tipo de repúdio. 
Ana uma mulher de fé e paciência– Quando olhamos para o modo como o texto se refere a Hanna o que podemos notar é que se tratava de uma mulher piedosa, que estava disposta a trazer à sua família alegria e se segurava ao Senhor em suas maiores tristezas. Apesar das provocações de Penina, não vemos uma reclamação de Hanna, mas apenas uma decisão, buscar a solução em Deus. 
A sua rival a provocava excessivamente para a irritar; porquanto o Senhor lhe havia cerrado a madre. E assim o fazia de ano em ano; e todas as vezes que Ana subia à Casa do Senhor, a outra a irritava, pelo que chorava e não comia. Então, Elcana, seu marido, lhe disse: Ana, porque choras? E porque não comes? E porque estás de coração triste? Não te sou eu melhor que dez filhos? (1Sm 1.6-8). 
O quadro não é um desenho de revoltas, de lutas, de rixas, de problemas, mas em geral o quadro nos mostra uma família leal que se vira bem com suas dificuldades pessoais e familiares. No entanto, apesar de sua capacidade de lidar bem com as dificuldades e de estar ao lado de homem bom e leal, Hanna é levada às lágrimas, porque Deus quer usar estas lágrimas para leva-la a escolher no futuro um caminho de graça. 
Famílias honradas, pessoas leais, quadros de vida boa diante de Deus, piedade cristã verdadeira, estas coisas são muito boas, mas estas coisas não impedirão que Deus nos leve às lágrimas, se ele quiser tais lágrimas para nos conduzir a caminhos melhores. Você precisa considerar suas lágrimas também neste contexto. 


Quando a Vontade de Deus Nos Levar às Lágrimas Deixe as Lágrimas te Levarem a Deus

Os versos 9 a 11 focam em Hanna e na sua petição diante de Deus. Enquanto muitos, diante das tribulações se tornam amargos e se afastam de Deus, Hanna procura em Deus um refúgio em meio à tribulação. 
Após terem comido e bebido em Silo, estando Eli, o sacerdote, assentado numa cadeira, junto a um pilar do templo do Senhor, levantou-se Ana, e com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente (1Sm 1.9-10). 
Levantou-se Hanna e orou ao Senhor – enquanto Elcana aproveitava o momento do sacrifício e a porção que era dada às famílias para comerem, depois da refeição pascal, Hanna se levantara e fora orar. Nesta hora, era o momento em que Penina a irritava e a procurava desestabilizar. A constante tribulação que Penina lhe impunha, levava Hanna à amargura, mas ela buscava o Senhor. 
Hanna Chorava abundantemente– a oração não eliminava do coração de Hanna a tristeza, não significava que a oração era para a busca do alívio, ou que ela se refugiava na oração em si. Ao contrário, mesmo orando, ela ainda carregava no coração uma profunda tristeza e um grande peso. 
Um detalhe do texto que às vezes nos esquecemos é que isto acontecia de “ano em ano”. Ou seja, possivelmente, alguns anos este caos pessoal se repetia. Imagine com o passar dos anos o quanto isto tudo era pesado e cada vez mais pesado. Muito bem, o que texto tenta nos mostrar era uma mulher que buscava no templo a presença de Deus e estava disposta a pagar o preço de sua luta. 
E fez um voto, dizendo: Senhor dos Exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao Senhor, o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha (1Sm 1.11).  
Deus estava moldando o coração de Hanna- As lágrimas de Hanna a levaram a Deus e a levaram a este voto. Não sei como em geral Hanna lidava com sua amargura no templo. Mas desta vez, ela foi conduzida a pensar em dizer algo para Deus. A teologia do pedido de Hanna nos dá um sinal claro da fé que sustentava essa mulher. 
Senhor dos Exércitos– Ela sabia para quem estava vivendo e quem lutava por ela. O Senhor dos Exércitos era aquele que estava à frente dos exércitos de Israel e nas grandes lutas do povo havia dado a vitória. Era este o Deus para quem Hanna vivia.
Se benignamente atentares para a aflição e de mim te lembrares – irmãos, o que temos aqui é uma pessoa que esta disposta a se entregar totalmente à vontade de Deus. Ela não impõe nada a Deus, mas suas lágrimas à levam a um Deus que comanda a sua vida. Ela sabe que só a graça de Deus é quem a pode livrar de suas aflições. Ela parece seguir a receita do povo de Deus que estava no Egito, cuja a mensagem de Deus para Moisés é que o Senhor viu a aflição do seu povo e ouviu o seu clamor e se lembrou de Israel. Hanna, a este mesmo Deus orou e dele buscou a graça. 
Se me deres um filho eu o darei ao Senhor todos os dias– Hanna sabia que Deus era a fonte de todas as bênçãos e desejou que sua bênção deveria servir ao Senhor. Isso é um ponto que valeria a pena pararmos para pensar muito bem e repensar muito sobre muita coisa que temos pedido e esperado de Deus. 
Caros irmãos, as lágrimas levaram Hanna a Deus e não a si mesma. O Deus ao qual as suas lágrimas a levaram era um Deus vivo, verdadeiro, gracioso e Senhor de todas as coisas. Hanna conhecia bem o Deus a quem buscava.
Meus irmãos, no final de tudo o que importa é o modo como nossas lágrimas nos levam a Deus, mas o quanto estamos dispostos a encontrar somente Deus nas nossas bênçãos.

A Vontade de Deus Nos Leva às Lágrimas e nos Ajudam a Encontrar a Esperança

O Reino de Deus virá sobre nós por meio de uma história que Deus está realizando em nosso dia a dia. Hanna não sabia, mas Deus estava trabalhando enquanto suas dores estavam desestabilizando o seu coração e suas tristezas a levaram à oração e à buscar a Deus. Deus estava preparando o seu coração para entregar a sua benção para servir ao próprio Deus. 
Demorando-se ela no orar perante o Senhor, passou, Eli a observar-lhe o movimento dos lábios, porquanto Hanna só no coração falava seus lábios se moviam, porém não se lhe ouvia voz nenhuma, por isso, Eli a teve por embriagada. E lhe disse: até quando estarás tu embriagada? Aparta de ti esse vinho (1Sm 1.12-14). 
Meus irmãos, o mistério do que Deus está fazendo através dos eventos da nossa história de vida é algo escondido, às vezes de todos até dos que estão ao nosso redor. O próprio Eli não sabia o que estava acontecendo. 
Não se ouvia a voz de Hanna– precisamos muito prestar atenção neste comportamento de Hanna. Humildemente buscava em Deus refúgio para a sua tristeza. Ela não precisou gritar ou se desesperar diante de Deus, apenas derramar em silêncio e segredo o seu coração diante do Pai. 
Porém Hanna respondeu: Não senhor meu! Eu sou mulher atribulada de espirito, não bebi nem vinho nem bebida forte, porem tenho derramado a minha alma perante o Senhor. Não tenhais, pois, a tua serva por filha de Belial; porque pelo excesso de minha ansiedade e da minha aflição é que tenho falado até agora (1Sm 1.15-16). 
Mulher atribulada e tenho derramado minha alma perante o Senhor– meus irmãos aqui estamos diante de alguém que busca sua saída no Senhor. Ela não foi compreendida pelo próprio Eli e isso não foi um motivo de desestimulo, pelo contrário, ela tinha clara para si sua situação e o Deus em quem buscava alguma esperança. A ansiedade e a aflição a conduziu a Deus e nele agora ela esperava o tempo todo. 
Então, lhe respondeu Eli. Vai-te em paz, e o Deus de Israel te conceda a petição que lhe fizeste. E disse ela: Ache a tua serva mercê diante de ti. Assim, a mulher se foi seu caminho e comeu, e o seu semblante não era triste (1Sm 1.17-18). 
Uma mudança na cena de Hanna é muito clara nestes versos finais. Eli percebeu o que aquela mulher atribulada estava buscando e deu-lhe uma palavra de incentivo. Esta palavra de incentivo, mudou a feição do seu momento e sua própria face. Descansar em Deus renovou a sua esperança. 
Nossas lágrimas deveriam sempre nos levar a Deus e Deus nos levar à vida cheia de esperança. Precisamos muito saber que vivemos debaixo das mãos de um Deus vivo que não se esquece de nós, que não nos abandona e que agora mesmo, enquanto tantas são as suas lágrimas está te moldando e fazendo o seu coração se inclinar para ele. 

Conclusão
Na prática é assim que o Reino de Deus vai se formando na nossa história, por meio dos eventos mais simples e por isso, cada dia conta, cada pequena parte do dia conta. Tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo o seu propósito. 
De alguma maneira, cada dia que Hanna foi ao templo, culminou em um dia em que o seu coração fez um voto. Cada uma das vezes que Penina a irritava colaborou para que ela chegasse a pensar em devolver a sua benção para servir a Deus. Cada vez que seu marido foi compreensivo fazia parte da construção do dia em que ela decidiu que Deus seria a sua esperança. 
Meus irmãos, este tipo de crente é o que faz realmente a diferença neste mundo. Gente que não está preocupada em grandes acontecimentos da fé, mas que dá atenção aos pequenos momentos.
Outro ponto, não deixe as tristezas te levarem para longe de Deus, isso não é bom e não é sábio. Deixe suas lágrimas te conduzirem a Deus! Deixe que Deus seja alcançado no seu coração, por meio de tudo o que ele pode fazer mesmo em dias difíceis. 

27 de maio de 2018

Gênesis 1.27-28

O Propósito Criacional da Família 
Gênesis 1.27-28

(Sermão pregado na IP Vila Gerti – São Caetano do Sul – Por ocasião do Mês da Família – Maio 18)


Introdução
Irmãos, algumas coisas são tão naturais para nós que nem sempre nos damos conta de sua importância ou ainda pior, deixamos de aproveitar o melhor destas coisas, pelo simples fato de convivermos com estas realidade de maneira tão natural, que achamos que estamos fazendo tudo certo, mesmo quando estamos completamente errados. 
Um bom exemplo disto é o “sono”. Quantos de nós acham que “dormir” é uma grande perda de tempo, pois enquanto estão dormindo outros estão aproveitando, ou sendo úteis. Gente que dorme muito acaba perdendo oportunidades, pensam alguns. Mas, contrariando o que muitos pensam, alguns médicos dizem que pessoas que têm um tempo adequado de sono, nem mais, nem menos, são pessoas muito mais produtivas e possuem redobrada capacidade criativa. Como a gente dorme sempre, a gente acha que sabe tudo de sono. Mas precisamos lidar melhor com isto. 
Outra coisa comum que fazemos corriqueiramente e que muitas vezes fazemos errado é: comer. Comer é algo que fazemos todo dia, para não dizer, fazemos ao longo de todos os dias. Alguns, podem até dizer, que comem toda hora. Bem, fazemos isso há tanto tempo na nossa vida que, muitas vezes, nos acostumamos a comer de qualquer jeito, só porque achamos que sabemos tudo de mandar coisa pra dentro. Você já ouviu por aí, que o ideal é comer de três em três horas, comer menos e com mais frequência, comer menos à noite, reforçar a alimentação da manhã etc... Mas fala a verdade, a maioria come de qualquer jeito, como só porque está com fome.
Outra realidade que vivemos cotidianamente e que achamos que sabemos tudo a respeito é “família”. Muitas vezes, o fato de lidarmos com a nossa família desde sempre, achamos que família é algo que pode ser vivenciado de qualquer forma e do nosso jeito. Mas, esta noite, quero propor que façamos uma reflexão sobre O PROPÓSITO CRIACIONAL DA FAMÍLIA. 
Na verdade, assim como o sono tem uma razão muito maior e mais importante que somente dormir e a comida é mais que encher a barriga, veremos esta noite que a FAMÍLIA EXISTE PARA ALGO MUITO SUPERIOR QUE SOMENT VIVER JUNTO E COMER JUNTO E ESTAR JUNTO.
Quero convidar você a fazer uma reflexão da CRIAÇÃO da família e dos propósitos TEOLÓGICOS CRIACIONAIS. Daquilo que Deus desejou que a família humana fizesse e realizasse para a sua glória.    

DEUS CRIOU A FAMÍLIA PARA REPRESENTÁ-LO NA OBRA DA CRIAÇÃO NUMA RELAÇÃO DE COOPERAÇÃO E COMPLEMENTARIDADE

Criou Deus, pois, o homem, à sua imagem à imagem de Deus o criou: homem e mulher (Gênesis 1.27).
Irmãos, nem sempre damos muita atenção a este verso do ponto de vista da exegese. Quase sempre ele é só um trampolim para outros textos bíblicos sobre a família. A gente sobe neles, balança e pega impulso para ir para outros textos e falar sobre a família humana. 
Criou Deus pois o homem à sua imagem – à imagem de Deus o criou– Note a estrutura deste verso, com sua ênfase exagerada no fato de Deus ter criado o homem à sua imagem. Note que existe uma repetição imediata da primeira afirmação. Estamos diante do texto que estabelece o fato de Deus ter sido o responsável pela criação do homem e propositadamente o fez à sua imagem e este é um ponto muito importante do texto. 
O que aprendemos nesta repetição é que o homem foi criado para refletir o seu Criador diante de toda a Criação. Facilmente, os textos bíblicos podem nos mostrar que Deus criou o homem e estabeleceu com ele uma Aliança da Criação, pela qual, Deus continuaria sendo o Senhor de todas as coisas e Rei sobre toda a Criação, mas que usaria o homem para governar a Criação e trazer glória ao seu nome. 
O Salmo 8, é um dos textos que nos ajuda. Ele é um salmo simples, começa com a exaltação da Criação, mas no verso de número quatro, o salmista pergunta qual é o lugar do homem em toda esta estrutura de glorificação que o Senhor criou: a resposta é: 
Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menos do que Deus e de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão e sob os pés tudo lhe puseste (...) Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome (Sl 8.5-9). 
O salmista compreendeu o que estava implícito em Gênesis 1.27, que Deus havia feito o homem para ser seu representante diante de toda a Criação. Ele criou o homem e o fez senhor das obras das suas mãos. Era o trabalho do homem cuidar da Criação para a glória de Deus e o homem o faria por meio de um pacto soberanamente administrado, fazendo as coisas funcionarem do jeito de Deus, cuidando e guardando o jardim para que tudo continuasse funcionando do jeito que Deus estabeleceu. 
Homem e mulher os criou– Esta é a segunda parte do verso 27. Perceba uma coisa: na primeira parte, onde ele faz a repetição, ele registrou: CRIOU “O” HOMEM e repetiu: “O CRIOU”. Mas, nesta segunda parte, que é um complemento ou nota explicativa da primeira e mais importante: HOMEM E MULHER OS CRIOU. 
Deus desejou que ficasse claro que ele havia criado um SER HUMANO para ser o seu representante sobre toda a CRIAÇÃO, mas também desejou que ficasse claro que este ser humano realizaria esta tarefa de cuidar da ordem das coisas de forma COMPLEMENTAR E COOPERATIVA pelo CASAMENTO de qualidades e capacidades diferentes que ele deu quando nos fez HOMEM E MULHER – ZACHAR E NAKAV – macho e fêmea. 
Meus irmãos, a tarefa de GUARDAR E CUIDAR da criação foi dada a “HOMEM e MULHER”. Eles deveriam estabelecer uma realidade de vida COOPERATIVA E COMPLEMENTAR para que juntos, um ajudasse o outro na grande tarefa de TRAZER GLÓRIA À DEUS, quando a Criação continuasse funcionando exatamente do jeito que foi criada para funcionar. 
Tomou, pois, o Senhor Deus ao home e o colocou no jardim do Eden para o cultivar e o guardar (Gn 2.15).
Cultivar e guardar– As duas palavras hebraicas “cultivar” e “guardar” são derivadas dos verbos “avad” e “shamar”, que literalmente significam “servir” e “manter” (Gn 2.15). Estes dois verbos estabelecem as premissas de que o jardim precisava de proteção e cuidados para que mantivesse sua condição ideal de funcionalmente e permanecesse como um lugar plenamente habitável. 
O verbo “avad” (servir) parece indicar que o homem precisava permanecer a serviço do jardim, como se do homem dependesse todo o cuidado para que as condições necessárias à fertilidade e harmonia se preservassem. Por outro lado, o verbo “shamar” (manter) caminha no sentido de responsabilizar o homem de impedir que fatores de desequilíbrio ameacem a continuidade do jardim.
O homem faria esta tarefa em NOME DE DEUS PORQUE FOI CRIADO À SUA IMAGEM, MAS O FARIA DE FORMA COMPLEMENTAR E COOPERATIVA – esse foi o primeiro ensino bíblico sobre o FUNCIONAMENTO DA FAMÍLIA, Deus nos mostrou que tinha um propósito para o homem como seu representante, mas ele cumpriria este propósito em uma relação de unidade com o seu cônjuge, homem e mulher os criou. A família é, portanto, criada para ser o modo como Deus cuidaria da sua criação. Por isso a família é uma estrutura tão fundamental. 


DEUS CRIOU A FAMÍLIA PARA SER O AGENTE ESPALHADOR DA BÊNÇÃO E HARMONIA DO REINO DE DEUS PARA TODA A CRIAÇÃO

E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundo, multiplicai-vos, enchei a terra (Gênesis 1.28a).
Para seguir neste ponto, precisamos pensar sobre o mundo que Deus havia criado e perceber que Deus havia dado ao primeiro casal um privilégio, o de conhecer um lugar perfeito, harmônico, completamente adaptado para que fosse a casa dos seres humanos, o conhecido “Jardim do Éden”. Contudo, quero que os irmãos notem uma coisa sobre este lugar maravilhoso: 
E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado (Gênesis 2.8). 
Jardim NO Éden– sim, uma leitura mais atenta nos fará perceber logo que nem toda a região do Éden era um jardim harmônico e perfeito para a vida humana. Inclusive, no verso 10, reforçando a ideia diz que um rio saía do Éden para regar o jardim e quando chegava no jardim se dividia. Isto é importante para relacionar com o nosso verso 1.28. 
Crescei e multiplicai e enchei a terra– Vamos começar pelo fim – CRESCEI E MULTIPLICAI e ENCHEI A TERRA – me digam irmãos, se Adão e Eva crescessem e multiplicassem e enchessem a terra, logo o jardim ficaria pequeno? Claro que sim... logo haveria escassez de alimento, logo haveria pouco espaço para os que quisessem viver em um paraíso, assim como em São Caetano, aqui a cidade não tem para onde crescer, dizem que é a cidade com a maior e mais perfeita qualidade de vida do Brasil. Vocês que vivem aqui podem me dizer melhor, mas aqui não tem mais espaço, a turma aqui já cresceu e multiplicou tudo o que podia. 
Claro que Deus não planejou que o jardim ficasse para sempre limitado àquela pequena região no Éden, Deus criou o homem e a mulher e lhes deu uma tarefa: ESPALHEM A BÊNÇÃO, A HARMONIA, A HABITALIDADE DO JARDIM, O FUNCIONAMENTO DAS COISAS PARA TODA A TERRA. O homem daria prosseguimento ao trabalho criacional de espalhar o reino harmônico de Deus, onde Deus seria glorificado por todos os novos habitantes, onde todos teriam trabalho, lugar para morar, comida, e tudo o mais para viver em SHALOM. Esta era a missão SHALOMICA DO HOMEM, ESPALHAR A BENÇÃO PARA TODA A TERRA. 
Deus os abençoou e lhes disse– Note mais uma vez o detalhe da construção do texto: DEUS “OS” ABENÇOOU – nós já sabemos que Moises está cuidando muito bem do uso do plural e do singular neste texto. Aqui Deus dá a sua bênção “berakah” a ambos, porque o jardim precisa se espalhar, o reino perfeito, habitável O SHALOM VIVENCIAL deve se espalhar por meio do trabalho COMPLEMENTAR E COOPERATIVO PACTUAL de homem e mulher. 
Deus criou a família para ser AGENTE ESPALHADOR DA BÊNÇÃO do SHALOM, uma missão SHALOMICA. PARA TODA A TERRA.

DEUS CRIOU A FAMÍLIA PARA MANTER A CRIAÇÃO FUNCIONANDO DO JEITO QUE DEUS A HAVIA CRIADO

Sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo o animal que rasteja pela terra (Gênesis 1.28 a).
Você pode estar se perguntando, como o homem faria isto? Claro que Deus sabe muito bem que o homem que ele criou à sua imagem e semelhança é um ser capaz de produzir mecanismos de domínio da natureza, a ciência. O homem foi criado com a capacidade de fazer isto. Esta capacidade está dentro da BERAKAH de Deus, a bênção. 
Sujeitai-a e Dominai - A tarefa humana de existir para a glória de Deus seria evidenciada na continuidade da própria obra criacional, na medida em que o homem seria o responsável por preservar, em nome de Deus e para Deus, o funcionamento natural, organizado e perfeito do jardim que Deus plantara. 
O homem e a mulher, seriam, portanto, os responsáveis por desenvolver condições propícias para que o funcionamento perfeito de toda a obra da criação se mantivesse, como criacionalmente foi criado para ser. O homem seria o provedor de condições para que todos, inclusive os outros seres vivos tivessem condições de viver e realizar o seu papel para a glória de Deus. 
Por isso, o apóstolo Paulo, diz que toda a Criação geme e suporta angústias na expectativa de que o homem seja redimido para a glória de Deus. 
Mar – céu – terra– a função humana não era olhar somente para o seu habitat, somente para o jardim ou para terras cultiváveis, mas olhar com uma visão de Deus para toda a natureza e cuidar para que todos tenham condições de viver de forma equilibrada. 
A família humana era, criacionalmente falando, a ferramenta chave do funcionamento harmônico do mundo. SE vivemos em um mundo tão desequilibrado, com certeza o problema todo está no fato de que perdemos o foco da vida humana e da nossa realidade e papel como família de Deus. 

Conclusão
Hoje preciso concluir esticando um pouco mais teologicamente o texto. Porque este texto que eu li e no qual meditamos, tem a ver com a família, sob as condições perfeitas e originais de retidão e justiça original. 
Salomão nos diz que Deus criou o homem perfeito, mas ele se meteu em muitas astúcias (Ec 7.29). Então, com toda razão você deve se perguntar e pensar: SOB O PECADO SERIA POSSÍVEL ESTA CONDIÇÃO? A resposta é NÃO! SOB O PECADO E VIVENDO DESEQUILIBRADAMENTE COMO FAMÍLIA NÃO CONSEGUIMOS FAZER ISTO. 
Deus prometeu restaurar a família após a queda e isso, por meio da vida familiar de Adão e Eva. Ele olhar para o estrago que o pecado fez e disse a Adão que a saída era que ele e Eva continuassem sua jornada, porque por meio da família é que Deus traria sobre toda a criação a vida novamente. 
Eu sei que a gente vive em família e pouco percebe do projeto criacional de Deus para nossa família e nos esquecemos de que temos de levar o SHALOM DE DEUS PARA TODOS OS LUGARES ONDE ESTIVERMOS. Mesmo depois da queda, quando Deus chamou Noé, ele disse: OS ABENÇOOU e lhes disse SEDE FECUNDOS, CRESCEI E MULTPLICAI-VOS, ENCHEI A TERRA. 
Sua família vive para espalhar paz? Quais são as suas prioridades, comprar uma casa? Comprar um carro? Encaminhar os filhos? Mas, e o Reino de Deus, o Shalom, onde está a paz? 
Precisamos recuperar nossa missão criacional e voltar a ser instrumentos de Deus para que o mundo seja um lugar melhor. Precisamos trazer nossas famílias de volta para os propósitos criacionais originais. 
Deus nos conceda graça e nos ABENÇOE!!

6 de maio de 2018

Hebreus 4.14-16

CONFIANÇA NA GRAÇA
Hebreus 4.14-16

Introdução
Mais uma vez, a Carta aos Hebreus é um convite a uma vida próxima de Cristo. Meus irmãos, precisamos ouvir este convite, porque nossa falha em viver de forma piedosa e apegada é uma das razões para as profundas guerras que travamos diariamente em nosso coração e alma, que nos fazem intranquilos, inseguros, tão sem paz. 
Nos capítulos 3 e 4, o tema foi os efeitos danosos da incredulidade. Entre estes efeitos danosos, a inconstância e naturalmente a falta de descanso na alma. Os que se aproximam de Cristo por meio da sua Palavra, entram em uma atmosfera de fé que os leva a construir uma mente que aprende a descansar. 
O contrário, isto é, a incredulidade na palavra de Cristo, no seu poder, na sua presença gloriosa e sua suficiência, impede o homem de entrar nesta atmosfera de descanso. 
E contra quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão contra os que foram desobedientes? Vemos, pois que não puderam entrar por causa da incredulidade (Hb 3.18-19). 
Por isso, o autor insiste em seu texto que ninguém endureça o coração. Não se fechar para ouvir Cristo é fundamental para entrar em uma condição de alma descansada. Veja o capítulo 3.7 e o 4.7. 
Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, seguindo o mesmo exemplo de desobediência. Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discenir os pensamentos e propósitos do coração. E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas (Hb 4.11-13). 
Ao final do capítulo 4, nos nossos versos para a meditação desta noite, o autor está propondo uma razão superior para que a vida cristã seja apegada a Cristo, o governo de sua graça, que é uma das maiores bênçãos da vida Cristo, pois é por graça que somos levados a descansar em Cristo. 
Considere atentamente neste texto esta razão superior para descansar em Cristo.

Descansamos na Graça Porque a Graça nos deu um Sumo Sacerdote no Céu
Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão (Hb 4.16). 
A base do descanso que a nossa alma precisa para viver bem, existe uma confiança extrema em Cristo, no fato de que ele assumiu o controle absoluto de todas as coisas, especialmente o controle de tudo o que diz respeito à nossa salvação. 
Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus – esta descrição do autor tem a finalidade de revelar a grandiosidade da segurança, da paz que precisamos considerar como sendo a nossa segurança. Jesus não é um sacerdote, descendente simplesmente de Arão, ou um filho dos homens, estamos falando de uma representação pelo FILHO DE DEUS. Ele é a razão da nossa confiança, da nossa segurança, esperança, convicção de que não há o que temer. 
Como grande sumo sacerdote que penetrou nos céus- Em segundo lugar, nesta expressão ele aprofunda a ideia de glória e segurança ao dizer que este grande representante é o nosso GRANDE SUMO SACERDOTE (arquieréa megan) – o que é quase o mesmo que dizer “o mais-maior” dos sacerdotes (o que a gente não diz, por ser uma construção muito ruim na nossa língua). A figura do sumo-sacerdote aplicada a Cristo, pressupõe em sua ascensão, o Senhor, primordialmente vai trabalhar nossa Salvação. Jesus não vai fazer trabalho administrativo do Reino, não assume o governo, preocupado com as forças de segurança dos anjos, ele assume o controle de tudo para garantir que sua vida será resgatada do Império das Trevas. Irmãos, nós precisamos considerar esta prioridade de Cristo para repensar nossa prioridade e nossa segurança. 
Conservemos firmes a nossa confissão– Aqui, ele reforça a ideia de manter a proximidade e a confiança em Cristo. Precisamos descansar no trabalho de Cristo, seguindo em nossa vida com confiança em Cristo. A palavra “confissão” aqui é “confirmar a crença”, dar um testemunho da verdade. Conservar firme (kratomen) é ficar em uma posição constante, sem vacilo. 
Construa essa maneira de ver a sua vida em Cristo, construa uma mentalidade que é preciso confiar em uma obra sobrenatural que Cristo faz por você no céu. Ele é o seu sumo sacerdote, não é um trabalho qualquer, feito por um qualquer, é um governo poderoso contra o Império do Pecado, para que você seja realmente salvo das trevas. Você precisa entender que o Rei dos Reis trabalha para que você seja salvo... confie e mantenha essa confiança. Não seja tão inconstante, não se dobre para o pecado tão facilmente. 
A graça de Deus é uma obra que não olha para o que você oferece para te libertar do pecado. 

Descansamos na Graça Porque a Graça nos deu um Sumo Sacerdote que Verdadeiramente Sabe a Nossa Necessidade
Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado (Hb 4.15). 
Quando nós olhamos para nossa própria natureza pecaminosa e vivemos o dia a dia de nossa fé, muito facilmente desanimamos. O desânimo na vida do crente, quase sempre, tem uma relação direta com o fato de que sabemos que ainda estamos muito longe de onde já deveríamos estar. 
Aqui, o texto nos socorre, dizendo que podemos manter a nossa confissão e que ela ainda está valendo mesmo quando não somos tão bons, quanto sabemos que poderíamos ser. 
Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas– Meus irmãos, o autor da carta aos Hebreus compreendeu a importância desta psicologia da prisão do pecado e dos seus efeitos sobre nós. Se voltarmos um pouco na história do apóstolo Paulo, ele nos dá um exemplo claro disto. 
Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro e sim o que detesto. (...) Desventurado homem que sou! Quem pois me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas segundo a carne, da lei do pecado. Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus (Rm 7.15; 24-25; 8.1). 
Meus irmãos, o texto nos socorre mais uma vez ao nos mostrar que a obra de Cristo é suficiente para vencer o pecado que ainda age em nós. A mesma intranquilidade que Paulo sentia, pode ser a sua, mas a mesma segurança que ele tinha na graça de Cristo deve ser a sua. O texto nos diz que Jesus é um Sumo Sacerdote que pode nos socorrer em nossas fraquezas. Ele tem este poder (Dinamis). 
Antes, ele foi tentado em todas as coisas – O mais interessante do modo como ele constrói este conforto é que Jesus não usa de compaixão de uma forma distante, mas ele sabe claramente o que sentimos quando pecamos e como o pecado age para nos tirar a paz, o descanso. Aqui, ele enfatiza que “ele foi tentado, em todas as coisas”. Isto ele já havia dito antes, no capítulo 3, verso 18. 
O que a tentação faz? Este conceito é importante. Vou retomar uma mensagem que fiz neste texto. 

CONCEITO DE TENTAÇÃO
Acredito que precisamos aqui falar um pouco sobre um conceito mais profundo do que é “ser tentado”. A Escritura qualifica o papel do Diabo, Satanaz, a antiga serpente, como sendo ele o TENTADOR (PEIRAMÓS).
Vou propor uma visão mais profunda e diferenciada de “Tentação”. Na verdade, em geral, entendemos como “tentação” todo o ato que procura nos persuadir a pecar. De fato, a tentação é isto. Mas quero ir um pouco além. 
Para mim, o pecado é o ato de errar o alvo da existência. Fomos criados para a glorificar a Deus, como dizem os nossos Catecismos e para desfrutar da sua presença na realidade. Essa é a verdadeira vida: VIVER E PERCEBER E SABOREAR A PRESENÇA DE DEUS EM TUDO, isto é plenitude de vida. Bem, pecado é justamente existir e não ter este encontro constante e bem fazejo. Viver no mundo de Deus sem Ele. 
A tentação é todo o ato que quer provocar um modo de vida em que Deus é banido da nossa vida. A tentação é todo estímulo a qualquer ato vivencial sem Deus. Portanto, quando vou a um restaurante e desfruto de excelente comida, mas meu coração fica infrutífero para perceber o amor, a bondade, a presença e a glória de Deus e me alegrar nEle com as coisas que me dá, estou diante de uma grandee tentação. 
Jesus Cristo foi tentado à nossa semelhança– o Diabo, o tentador, também tentou Jesus. Ele levou Jesus e procurou fazê-lo viver as delícias do mundo sem Deus: prometeu-lhe riquezas sem Deus; prometeu-lhe vida sem Deus; prometeu segurança sem Deus... Jesus, em tempo algum cedeu à qualquer ideia de uma existência sem Deus: 
Não só de pão viverá o homem; ao Senhor te Deus adorarás e só a ele darás culto; não tentarás o Senhor teu Deus
Nestas respostas, que geralmente identificamos como centralidade das Escrituras, o que vemos é a centralidade de Deus na vida de Cristo. Irmãos, este é o ponto. Cristo Jesus foi tentado à nossa semelhança, mas em tempo algum, viveu sem Deus.

Mas sem pecado-  Essa expressão tem como finalidade nos mostrar que Jesus é varão aprovado e por isso mesmo tem o direito de fazer a nossa expiação e perdoar o nosso pecado. 
Meus irmãos a graça age em nosso favor de uma maneira maravilhosa! Deus sabe muito bem quem você é e quem eu sou! Ele sabe exatamente que não conseguimos, que fracassamos, mas não desiste de nós. O AMOR DE DEUS É MARAVILHOSO!! QUE GRANDE DEUS É O NOSSO DEUS! Jesus faz toda a obra por nós, mesmo sendo nós ainda pecadores... ele nos salva e não desistirá de nos salvar. Por isso, é que devemos viver perto dele! Vejamos o verso 16.

Descansamos na Graça Porque a Graça se Faz um Valor Constante Para a Nossa Vida
Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna (Hb 4.16). 
Como uma espécie de conclusão necessária ou uma atitude necessária devemos olhar para Cristo e para o real estado de nossa condição como FILHOS DA GRAÇA SOBERANA.
Acheguemo-nos confiadamente(pros-erchometas) – quero destacar esta convocação – Esta é uma convocação para vir para perto, aproximar-se, manter uma posição ao lado para viver em companhia de alguém. Ele completa essa enfatizando que é como ir viver ao lado de alguém que te oferece total e completa segurança, você vai para perto e sente seguro ali. 
Junto ao trono da graça– curiosamente, ele substitui a figura de Cristo pelo TRONO DA GRAÇA. Evidentemente, ele sabe que quem está no Trono é Cristo, porque ele é o sumo sacerdote que penetrou nos céus na sua ascensão. Ele sabe que o Reino é de Cristo, mas prefere nos mostrar que este governo é marcado pelo REINADO DA GRAÇA. 
Veja como Paulo define isso: 
Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor (Rm 5.20-21).
A fim de recebermos misericórdia e acharmos graça– era comum na Igreja primitiva os irmãos se comprimentassem com “misericórdia e graça” ou “graça e paz”. O autor aos Hebreus enfatiza que Deus sabe como precisamos de ajuda e como a sua graça é abundante e reina sobre a nossa vida. Ele sabia que este conforto é necessário e precisamos. Você precisa saber que esta graça sempre estará disponível e pronta para agir soberanamente sobre a sua vida. 
Para socorro em ocasião oportuna– a graça soberna jamais será impedida de agir a seu favor e te alcançar. Nada pode impedir que a obra da graça se complete na sua vida. Isso deve fazer a diferença para você. Você precisa confiar, mas precisa viver perto para que o desfrute desta graça seja mais consciente e mais vivo no seu coração, produzindo DESCANSO PARA A SUA ALMA.

Conclusão
Evidentemente precisamos de uma atitude de vida mais próxima e mais apegada à Cristo, uma vez que ele é nosso SUMO SACERDOTE e que seu trabalho é nos dar a segurança mais absoluta da nossa salvação e nos levar ao descanso da alma. 
Ele sabe que você precisa e sabe exatamente como você se sente e te socorre de um modo como em toda a tentação que você sofre ele tem suporte e socorro para você. Ele sabe o que você precisa para ser fiel. Portanto fique firme na sua confissão! 
Desenvolva mais piedade, mais proximidade, mais vida com Deus. Tenha vergonha de ser tão pouco dedicado, entregue... Irmãos, não há motivo para que o pecado, seja o seu, seja o dos outros, te afaste. ISSO É SÓ DESCULPA!! Nossa fé aponta para o GOVERNO SOBERANO DA GRAÇA QUE AGE EM NOSSO FAVOR.