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3 de março de 2013

Mateus 13.44 a 46


Reino de Cristo – O que falta para você se envolver completamente com ele?
MATEUS 13.44 a 46

Seres humanos foram criados para amar. Mas o que é amar? No sentido em que desejo empregar o termo esta noite, amar aponta para as coisas que valorizamos. Na verdade, amamos aquilo que nos é caro!
A capacidade de raciocinar dá ao ser humano a ferramenta da avaliação. O coração do homem considera a realidade, isto é, avalia sua existência, as coisas e pessoas ao seu redor; considera também valores, princípios etc.
O texto que vamos abordar nesta noite, a parábola do tesouro escondido e a da pérola de grande valor, nos propõe uma reflexão sobre o valor do Reino dos Céus para nós.
Devemos considerar que o valor do Reino dos Céus está se perdendo no coração do homem cristão moderno. Aparentemente, a nossa falta de engajamento na proposta de Jesus Cristo tem muito a ver com o pouco valor que damos às coisas que determinam a nossa relação com Deus.
Tem sido cada vez mais comum, embora alguns questionem este conceito, a ideia de “evangélicos não praticantes”. Crentes que se dispõe a declarar sua fé, mas não se empenham por ela. A questão que está na raiz deste comportamento é justamente o tema desta mensagem. Queremos conduzir-nos nas palavras de Jesus sobre o Reino e perceber nelas o que nos falta para que o envolvimento com o Reino dos Céus seja mais abrangente e dominante no transcorrer da nossa vida.

Quando o Seu Coração Considerar o Privilégio Que é Conhecer o Reino dos Céus, Então Você se Envolverá Completamente Com Ele
As duas parábolas tem início igual: “O reino dos céus é semelhante a...”. O enredo das duas é igual, ou seja, um tesouro é descoberto e o mesmo supera qualquer expectativa e, por isso, tanto o descobridor do tesouro, quanto o comerciante, vendem tudo o que tem para ficar com seus tesouros.
O que destaco neste ponto é que, tanto o tesouro escondido no campo, quanto a pérola de grande valor, estavam inicialmente, escondidos, ocultos e, em ambos os casos, foram descobertos por acaso.
Há duas diferenças nesta descoberta. O primeiro achou um tesouro que não estava procurando e o segundo, inquieto, procurava boas pérolas, mas, por acaso descobriu uma que excedia o valor de qualquer uma.
O ponto que desejo considerar é que, Jesus aparentemente está pontuando sobre algo que ele já havia dito antes sobre o Reino dos Céus. Quando ele explicou aos discípulos porque falava em parábolas, disse:
Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido (Mateus 13.11).
Jesus está nos conduzindo a considerar profundamente o fato de que o Reino dos Céus é como um presente que nos é dado a conhecer e que devemos considerar também o privilégio que temos de ter sido revelado a nós este mistério, este tesouro escondido.
Parte do nosso envolvimento com o Reino de Cristo seria seriamente transformado se em nosso coração pudéssemos assentar este pensamento: quão maravilhosa é a graça de conhecer os mistérios do Reino de Deus, que privilégio é este que temos de ver e ouvir estas coisas e podemos crer.
Muitas vezes, temos alguns privilégios maravilhosos nesta vida, mas só nos damos conta disto quando os perdemos. A falta deste tipo de mentalidade tem exercido uma influência negativa sobre o rebanho que não valoriza o Reino de Deus.
Nos dias do profeta Amós, Deus adverte Israel por ter desvalorizado no seu coração a sua Palavra:
Eis que vêm dias, diz o SENHOR Deus, em que enviarei fome sobre a terra, não de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR. Andarão de mar em mar e do Norte até o Oriente; correrão por toda parte, procurando a palavra do SENHOR, e não acharão (Amós 8.11 e 12).
Tanto o tesouro escondido, quanto a pérola de grande valor causaram surpresa àqueles que os encontraram. Eles reconheceram o privilégio de tê-los achado e isso os moveu. Notaram o homem do campo e o comerciante que estavam diante de um tesouro, um achado maravilhoso, o seu coração amou o seu achado, primeiramente porque se sentiram privilegiados com aquele encontro.



Quando o Seu Coração Considerar o Verdadeiro Valor do Reino dos Céus, Então Você se Envolverá Completamente Com Ele
O segundo ponto que desejo destacar das duas parábolas é que em ambas o achado é extremamente valioso. No primeiro ponto, trabalhamos com a Ideia de perceber que o Reino dos Céus estava escondido, oculto, distante, mas Deus nos concedeu o privilégio de conhecê-lo. Agora, entretanto, vamos falar do Reino dos Céus em si e do seu valor.
O que é o Reino dos Céus. O Reino dos Céus é uma nova condição existencial. É a proposta ao homem caído de que Deus irá restaurar o relacionamento, fazendo com que o mundo que nos cerca, funcione como deveria funcionar sempre, em torno da única realidade verdadeira, a centralidade de Deus na existência.
Quando Jesus Cristo conta a parábola do Joio, ele a encerra mostrando o quanto é mais bem-aventurado o trigo esperar, ainda que em meio a sofrimento, pela volta do Senhor, quando tudo realmente se tornará claro como a luz e a verdade de Cristo nos salvará completamente.
No caso destas duas parábolas, não na parábola em si, mas no conceito das palavras “tesouro” e “grande valor” (polítinus), percebemos que o Senhor deseja que seus discípulos desenvolvam no coração a capacidade de apreciar o valor do Reino dos Céus.
As duas parábolas nos mostram os descobridores vendendo tudo o que tinham para ficar com o seu “tesouro”. Ou seja, eles haviam considerado em seu coração a importância, a relevância e a necessidade extrema que tinham de ficar com o seu achado.
Uma das maneiras de considerar o valor do Reino dos Céus na sua vida, talvez seja considerando tudo o que Deus te oferece a partir do momento em que te dá o privilégio de conhecê-lo. Pense como João que disse o seguinte: mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus.
É de causar a mais profunda tristeza pensar em como a Igreja dos nossos dias perdeu a perspectiva do valor do Reino dos Céus. Para Jesus, o seu valor deveria nos mover a fazer coisas drásticas como deixar pai, mãe, casa, filhos etc...
E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, o pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais e herdará a vida eterna (Mateus 19.29).
Uma nova mentalidade deveria conduzi-lo a Cristo e amá-lo, quando você perceber a sublimidade de Cristo, a sua beleza e o valor do seu Reino.  

Quando o Seu Coração Considerar o Que Poderá Perder Se Não Buscar o Reino dos Céus. Então Você se Envolverá Completamente Com Ele
Uma das passagens mais conhecidas do Velho Testamento é Isaías 55.6. Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Talvez você pense o seguinte: sempre terei outra oportunidade, sempre poderei me voltar para o Senhor, sempre terei à minha disposição o Reino dos Céus. Mas, esse pensamento é um grande engano, porque pode ser que sua dureza de coração para o Reino dos Céus se torne crônica e nunca mais Deus lhe ofereça outra oportunidade, como juízo por sua frieza em relação à Ele.
Voltando às duas parábolas, gostaria de considerar a ação de cada um daqueles homens, tanto o do campo, quanto o comerciante. Eles tomam medidas urgentes para ter o Reino, eles sabem que se não forem urgentes na sua conquista, poderão perder a grande oportunidade.
O homem do campo, ele volta esconde o tesouro, possivelmente, volta a enterrá-lo para que ninguém o descubra até que providencie recursos para comprar aquelas terras. Ele, aparentemente, decidiu comprar a terra para não correr o risco de que o dono da terra o requeira para si e, assim, ele perca o seu achado precioso.
O mercador, mesmo estando acostumado com pérolas e o seu comércio, não perde tempo, vai e faz negócios com tudo o que tem para adquirir aquela pérola de grande valor.
Em ambos os casos, percebemos que eles perceberam que perder os seus tesouros achados seria o equivalente a perder algo muito mais precioso que tudo o que possuíam. Por isso, a medida que Jesus propõe é que tudo o que temos não é nada comparado com o que perderemos se não buscarmos a Deus.
Por estarmos envolvidos com muitos valores nesta vida, talvez tenhamos perdido a dimensão e o significado da nossa própria salvação eterna. Talvez tenhamos sido influenciados pelo modo de vida materialista de nosso tempo para não considerar atentamente todos os privilégios que temos no Reino dos Céus e como deveria ser precioso para nós.
Alguns têm medo de perder demais. Jesus contou a história de um moço rico, riquíssimo que não seguiu porque considerou que iria perder demais nesta vida (Mateus 19). Talvez seja o seu caso e, então, você acha que terá perdido demais se tiver de deixar algo para seguir Jesus.
Bem, o Reino dos Céus é tão precioso e, devemos considerar tão completamente o que iremos perder se não o buscarmos de todo o nosso coração e nos envolvermos com ele, que a única medida de fato digna é DEIXAR TUDO PARA TER A CRISTO.
Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, me Senhor, por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para conseguir Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé (Filipenses 3.7 a 9).

Você conhece este homem? É o apóstolo Paulo! Este homem, um dos mais capazes de sua geração, abriu mão de tudo, mas tudo mesmo. Abriu mão do própria vida, pois foi morto decapitado, depois de anos preso, mas recebeu a sua recompensa, da qual não se arrepende nem um segundo das escolhas que fez.

Conclusão
Eu considero que escolhas deste nível só podem ser feitas quando amamos. Amar é o resultado de nossa capacidade de valorizar as coisas, considerando atentamente o que são.
Eu o convido a pensar esta noite sobre o privilégio que é pertencer a Deus e a seu Reino. Considerar atentamente todas as bem-aventuranças que nos são concedidas quando nos envolvemos com o Reino. Pense no que você pode perder e o que perde a sua família por você não se envolver no Reino. Deixe de olhar para os outros, olhe para si mesmo. Encare Deus frente a frente e submeta sua vida ao crivo da Palavra de Deus.
Considere também como você está. Como você talvez tenha se distanciado do Reino, como o seu coração se apegou a outros amores e os valorizou acima de Deus. Você quer continuar a vida toda assim? Deseja arriscar com o endurecimento crônico do seu coração, dos seus filhos?
Deixe que a Palavra do Coração seja semeada no seu coração. Ouça, compreenda e produza os frutos do Reino de Deus. Não imponha limites, deixe tudo para ter a Cristo. Esse é o parâmetro radical proposto na Bíblia.  

Aplicação para a Igreja Presbiteriana de Vila Formosa
Deus nos abençoou ricamente com uma Igreja excepcionalmente bem equipada e com um grande número de membros. Mas ainda temos muitos irmãos que não se engajaram na obra do Reino.
O que desejo para esta Igreja e para a minha vida é que Deus nos tome por seu poder e mude a face desta Igreja. Devo dizer que, felizmente, muitos irmãos já fizeram esse caminho e agora, pela graça de Deus, já estão comprometidos com a obra.
Você pode pensar assim: acho que não posso, pois não posso perder tempo, ou dinheiro, ou sei lá o quê... Mas, por outro lado, acho também que você pode pensar que viver para Deus é muito melhor.
Quero convidar a todos vocês, principalmente aqueles que estão mais frios em relação à sua participação efetiva, que considerem seriamente a dar um passo na direção de se envolver mais com a obra. Há muitos ministérios que precisam de trabalhadores e há outros tantos que ainda não puderam ser empreendidos por falto de quem o faça.
Será que você pode hoje, diante de Deus, pensar sobre isto? A partir de hoje, vamos criar um espaço para ouvir você e orientá-lo naquilo que precisa ser feito. Neste ano, queremos preparar a igreja para o serviço, desejamos oferecer as melhores condições para o nosso desenvolvimento como corpo de Cristo, como Reino dos Céus.
Então, pense, fale com Deus e decida. Lembre-se sempre, eis diante de você um grande tesouro que não pode ser perdido.
Deus o ilumine na sua escolha!

Em Cristo, que deu a vida por nós!
Rev. José Mauricio Passos Nepomuceno

17 de fevereiro de 2013

Mateus 13.1 a 23


Preparando o Coração Para
Frutificar
MATEUS 13.1 a 23

O conhecido texto da “Parábola do Semeador” é mais que uma passagem evangelística, que apela para que homens e mulheres estejam atentos ao modo como recebem a Palavra de Deus, este texto força-nos a uma reflexão profunda sobre aquelas coisas que nos impedem viver o Reino de Cristo em sua plenitude máxima.
Nesta meditação, quero lhes propor a leitura deste texto, observando um dos seus propósitos mais importantes, alertar para o fato de que aos Filhos do Reino é dado o privilégio de ouvir a voz de Deus. Partindo deste pressuposto, claro na estrutura do texto, devemos considerar o fato de que, mesmo os Filhos do Reino podem se tornar aqueles solos ruins onde a Palavra parece não frutificar mais.
Portanto, nossa meditação desta feita é uma proposta autorreflexiva. Exige coragem para encontrarmo-nos com o nosso “verdadeiro estado de coração” e penitentemente, segundo a Palavra de Deus, nos conduzirmos de volta à Cruz de Cristo. Muito melhor nos será sentir dores profundas para estar com Cristo, que viver em sossego de alma, caminhando para a margem oposta de onde Cristo está.

Um Coração Preparado Pela Palavra Recebe o Dom de Ouvir a Palavra de Deus e Praticá-la
Quero muito que você perceba que este texto de 23 versos tem uma estrutura relativamente simples. Então, considere o texto em si e note que podemos dividi-lo em três partes.
Do verso 1 a 9 – logo a pós uma pequena introdução, a parábola em si .
Do verso 10 a 17 – uma explicação sobre porque falou em parábolas
Do verso 18 a 23 – a explicação da parábola.
Se notarmos bem, veremos que muito deste belo texto foi dedicado ao ponto da discussão sobre o privilégio de ouvir a Palavra de Deus. Veremos que este propósito parece dominar o interesse de Mateus em vários pontos do seu Evangelho.
Desde o Sermão da Montanha, quando o desfecho era a comparação entre o homem prudente e o insensato, dizendo que a grande distinção estava no ouvir e praticar da Palavra. Até o capítulo 28, quando a Grande Comissão envolve o ato de anunciar e ensinar a Palavra, logo perceberemos que é central no pensamento de Mateus a importância do ouvir a Palavra de Deus e o fruto que ela produz em nós.
Comecemos com o verso que encerra este texto:
Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um (Mateus 13.23).
Algo me chamou a atenção neste texto em minha última leitura dele. Temos a tendência de ler o texto bipartidamente, separando a primeira frase da segunda. Então, admitimos uma compreensão completa na primeira parte do versículo e da mesma forma na segunda parte, isto seria o mesmo que dizer que a segunda parte não está intencionalmente unida à primeira.
Quando fazemos uma leitura unindo as duas partes, tornando-as complementares teremos uma compreensão diferente que eu posso o resumir da seguinte maneira: aquele que frutifica a cem, a sessenta e a trinta por um, este é o que ouviu e compreendeu a palavra que foi semeada no seu coração.
Esta perspectiva de leitura poderá causar um grande terror em muitos irmãos e irmãs que até então não tinham se dado conta de que sua vida cristã está morna, como a dos crentes de Laodicéia (Apocalipse 3).
Todo este texto é sobre a capacidade de ouvir e produzir frutos. Ele se refere ao fato de que muitos judeus, chamados para serem o povo da Aliança, tinham recebido os oráculos do Senhor e os guardavam sem absolutamente permitirem com que frutos de justiça brotassem em suas vidas, advindos do poder transformador da Palavra de Deus. Estes tornaram-se burocratas da fé.
Por isso, Jesus indica a profecia de Isaías como se cumprindo neles. O povo da Aliança, que não deu ouvidos à Palavra, tornou-se infrutífero e Deus os impediria de exercerem o seu papel, até que se convertessem de todo o seu coração (leia os versos 12 a 15).
Bem aventurados, porém, os vossos olhos, porque veem; e os vossos ouvidos porque ouvem (verso 16).
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça (verso 9).
Estes versos, compõem o pensamento de Mateus que é construído desde o capítulo 12, verso 33, onde faz menção que os frutos qualificam que tipo de árvore somos, ou ainda nos versos 46 a 50, onde afirma que sua família é a que faz a vontade de Deus.
A moldura se fecha com a parábola do trigo e do joio, onde a diferença será discernida no momento da colheita, quando os frutos de cada um forem considerados.
Enfim, é fácil perceber que não podemos nos considerar cristãos completos até que hajamos nos preocupado claramente com os frutos que temos produzidos.
John Piper, em um dos seus sermões sobre os versos 44 a 46 deste capítulo, considera que vivemos em um tempo em que milhares de cristãos vivem enganados quanto à sua fé.
We live in a superficially Christianized society where thousands of lost people think they do believe in Jesus – Nós vivemos em uma supercialmente cristianizada sociedade, onde milhares de pessoas perdidas pensam que creem em Jesus.
Não se engane sobre isto. Um coração preparado pela Palavra é capaz de ouvir e produzir bons frutos. Não refreie a sua alma quando ela pulsa por produzir bons frutos. Não permita com que os pensamentos do seu coração sufoquem a Palavra que está sendo fermentada dentro de você. Não impeça o seu crescimento.

Para Ter Um Coração Que Ouve, Compreende e Frutifica é Preciso Lutar Contra Forças Malignas
Não iremos nos deter em algumas explicações, que a maioria já ouviu e que o texto deixa bem claro, tais como, que a semente é a Palavra do Reino, que o semeador é o próprio Cristo, por meio dos seus instrumentos etc. Focaremos apenas em um detalhe: a força da malignidade como empecilho para levá-lo à frutificação.
Vem o Maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração.
Voltando ao sermão da Montanha, veremos que não podemos servir a dois senhores. Serviremos a Deus ou ao Maligno. Este ponto é central na Escritura: ou ouviremos a voz de Deus ou a do Maligno. Lembre-se da escolha de Eva no Éden e depois leia 2 Coríntios 11.1 a 6, e você verá esta guerra pela audiência do seu coração, que muito mais importante que a dos seus ouvidos.
Devemos notar que a parábola nos apresenta um quadro muito interessante, a semente foi arrebatada do coração, depois de ter sido efetivamente semeada. A falta de compreensão e frutificação não é explicada pela falta da verdadeira semeadura, mas do fato de que o Maligno agiu para arrebatar esta semente, os ensinos da Palavra de Deus.
Como isto pode ocorrer? Penso que podemos trabalhar com algumas hipóteses e deve haver outras. Primeiro, pense em uma pessoa que vive inserida em um sistema de vida pecaminoso. Um suposto cristão que se permite envolver em uma modelo pecaminoso. Talvez, alguém que se acerca de pessoas de hábitos mundanos, materialistas etc.
Há uma tendência grande de que o ambiente em que ele vive exerça grande influência sobre o que ele é e como pensa. O fato de se permitir viver assim, em lugar de fugir de toda a aparência do mal, o levará à estagnação espiritual diante dos ensinos da Palavra.
Talvez este seja um exemplo pequeno, mas ilustra muito bem, como muitas pessoas tornam-se infrutíferas, por menosprezarem a presença do mal e desprezarem os conselhos sábios da Palavra: Vigiai e orai para que não entreis em tentação... o vosso adversário anda em derredor rugindo como um leão... o mundo jaz no Maligno.
Não precisamos do ambiente para que o mal se manifeste na nossa vida. Na verdade, em nosso próprio coração podemos ter ainda muito enraizado modelos pecaminosos de vida, os quais ainda não tratamos, ou com os quais ainda enamoramos. Pense num crente que secretamente namora com a pornografia, com o adultério, com egoísmo etc.
Se queremos ter um coração que ouve, compreende e frutifica é preciso ter disposição de alma para lutar contra o Maligno, quer aquele que se localiza em nós, procurando constantemente a oração, o arrependimento, o quebrantamento, quanto aquele que está ao nosso redor, procurando fugir de toda aparência do mal, procurar mais a companhia dos santos e a santificação pessoal, quem sabe, se necessário, colocando-se em oposição aos que praticam maldades.

Para Ter Um Coração Que Ouve, Compreende e Frutifica é Preciso Lutar Contra a Imaturidade Espiritual
Alguém, creio que J.Parker, já disse que o cristianismo nos dias dos Puritanos  era como um pequeno lago bem profundo. Não era tão extenso, mas tinha grande distancia entre a superfície e o fundo do lago. A mesma pessoa disse que em nossos dias, o cristianismo é como imenso oceano de 10 cm de profundidade.
Você já percebeu como estamos rodeados de crentes imaturos? Pessoas que conhecem o Reino superficialmente e que se distraem facilmente com qualquer outra coisa, como as crianças se distraem? Pessoas que preferem ficar na fantasia da fé, a enfrentar as questões vitais da relação com Deus? Já Percebeu?
 O texto diz que estas pessoas “recebem a palavra logo, com alegria, mas não tem raiz em si mesmo, sendo antes de pouca duração”. Vocês devem conhecer alguém que lhe passou essa impressão! Eu posso dizer com muita certeza, não são poucos que preferem a imaturidade espiritual à tomar a decisão de um mergulhar profundo nas águas do Espírito Santo, isto é, na Palavra de Deus, o manancial de vida.
Volto a dizer o seguinte: o problema da falta de compreensão e frutificação não é por falha na semeadura. A semente foi semeada, a Palavra foi ouvida e foi recebida. Inclusive produziu o fruto inicial da alegria de ouvir a Palavra de Deus. O problema da falta de compreensão e frutificação foi a imaturidade que este coração continuou a sua jornada.
O traço mais característico deste tipo de coração infrutífero é o modo como ele enfrenta dificuldades e a perseguição. O texto diz que “em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza”. A palavra grega que deu origem ao verbo escandalizar é “eschandalizo” que carrega uma conatação de apostasia, distanciamento.
O Evangelho para essa pessoa não é uma pérola que se guarda com a vida. Tal pessoa imatura terá sempre o ego como o seu deus e servirá a ele antes que a Deus. Como as crianças, mais uma vez digo, que pensam mais em si mesmas que nos outros. É o amadurecimento que nos faz pensar no próximo e amar a Deus mais que nós mesmos.
Se desejamos um coração que ouve, compreende e frutifica precisamos usar todos os recursos disponíveis para o amadurecimento da nossa fé. Precisamos aprender com a vida e suas angústicas e não viver mais fugindo.
Para Ter Um Coração Que Ouve, Compreende e Frutifica é Preciso Lutar Contra a Impulso Natural de Se Viver Para Si Mesmo
Com certeza, mais uma vez, podemos afirmar que o problema não está nem no semeador, nem na semente, nem no processo da semeadura. O texto nos informa que o que foi semeado entre os espinhos, isto é, o homem que recebeu a palavra mas estava cercado destes espinhos, ouviu a palavra. A questão estava na sua relação com a vida material, mais que isso, no seu senso de propósito de todas as coisas.
Uma pessoa que compreende a Palavra de Deus frutificará o primeiro e mais valioso fruto que ela oferecerá a Deus é o morrer para si mesma e o viver para Deus.
Tenho guardado em meu coração um texto, para mim, muito importante. Este texto tem me ajudado a vencer grandes tentações. Também, quando eu caio, este texto me trás de volta a ficar em pé:
Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos e, se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor (Romanos 14.7 e 8).
Não que você deva perder qualquer vontade de ter isto ou aquilo, alcançar isto ou aquilo. O ponto não é este, como se Cristo quisesse que vivêssemos sem nenhuma perspectiva pessoal de progresso.
O ponto que Jesus está questionando sobre os corações que não compreendem a Palavra e, portanto, não frutificam é que eles estão concentrados em si mesmos. Portanto, Deus não é o fim de sua existência, mas um instrumento.
Este é um impulso natural, alguns chamam de senso de autopreservação. É verdade, mas é preciso lembrar aqui que, ainda somos muitíssimo dominados por uma inclinação natural ao pecado.
Na parábola temos as seguintes colocações: “porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera”. Minha experiência pastoral nem é tão grande, apenas 13 anos, depois de formado e alguns anos servindo como seminarista. Não obstante, já posso lhes dizer que muitas vezes, chorei, ainda que não externamente, tive o coração cheio de dor, por perceber que neste ponto, Jesus está falando sobre muitos dos crentes que conheci.
Quando compreendermos a Palavra morreremos, de fato, para nossos interesses e veremos que o Reino do Amor de Deus é tudo o que realmente importa. Até lá, ainda veremos tantos se impressionarem com o Evangelho da Prosperidade, com as orações materialistas e com os grandes investimentos nas coisas deste mundo e os parcos investimentos nas coisas eternas.
Se desejas um coração que ouve, compreende e frutifica reveja o seu conceito de significado da sua existência e reprima o impulso na natural de viver para si mesmo.

Conclusão
Você precisa ter coragem, como eu disse no início para fazer essa autorreflexão e encontrar o verdadeiro estado do seu coração. Não minta para si mesmo, não minta para ninguém, isto não lhe ajudará.
Você está satisfeito com os frutos que tem dado? Acha que pode dizer de si mesmo que está de consciência tranquila diante de Deus. Se sim, louvado seja Deus por que sua vida está guardada, bendiga ao Senhor por que lhe deu ouvidos para ouvir.
Mas, se por outro lado, você está incomodado com a sua participação no Reino, você pode falar a verdade com Deus. Diga que você tem recebido a Palavra, mas não tem reagido adequadamente. Fale com o Senhor.
Peça a Ele eu lhe dê ouvidos novos e um coração novo para compreender e praticar a Palavra. Rogue a Ele que a Cruz de Cristo realmente exerça toda  a sua influência sobre você e o sangue derramado ali, tenha um significado existencial novo para a sua vida. Não será vergonha alguma se você se reconhecer longe do ideal e voltar para Deus. A dureza de coração, junto com a idolatria é um dos pecados mais condenados na Escritura e, por incrível que pareça, Deus, muitas vezes, a apontou no contexto do seu próprio povo. Não obstante, Deus, muitas e muitas vezes disse que restauraria o seu povo se ele o buscasse de todo o seu coração.

Aplicação para a Igreja Presbiteriana de Vila Formosa
Que posso dizer a vocês irmãos queridos da IP Vila Formosa. Depois de tantos anos em sua companhia, vocês conhecem muito de perto minha vida e minhas falhas. Primeiro, eu lhes peço que não esmoreçam se eu sou fraco. Segundo, eu lhes peço que, como vocês sabem do meu interesse pelo progresso da sua fé, que vocês se voltem a Deus e persigam o ideal de ser uma Igreja engajada na obra da construção do Reino.
Eu apelo a vocês que não se deixem dominar pelo espírito deste mundo, nem se permitam ser tão imaturos que vivam na superfície da fé. Eu, sou limitado, mas me esforço para apresentar-lhes um Evangelho vivo e com sinceridade, diante de Deus o faço.
Aqueles que têm negligenciado grandemente o crescimento espiritual de suas almas e fugido de momentos como Escola Dominical, reuniões de oração e estudos bíblicos eu conclamo que revejam este grande erro que estão cometendo contra si mesmos.
Àqueles que fogem da comunhão com os irmãos e com frequência se ausentam da adoração, eu rogo que não precipitem suas almas na lama de uma fé nominal apenas. Aproximem-se! Não sejam tão insensatos, esperando uma igreja perfeita para depois servir a Deus, isto não será possível aqui.
Aos líderes, em particular aos pastores e presbíteros, eu peço: Santifiquem-se! Aos pais, que sejam poderosos nas orações! Às mães que conduzam seus filhos aos pés do Senhor. Aos jovens que vivam com Evangelho no seu dia-a-dia! Às crianças, que sejam obedientes a seus pais e amem a Deus.
A Deus eu peço: Aviva a tua obra, ó Senhor!


Em Cristo e no temor do Supremo
Rev. José Mauricio Passos Nepomuceno

23 de abril de 2010

Fidelidade - Um Preço a Pagar

Marcos 16.14 a 20


"Finalmente, apareceu Jesus aos onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, porque não deram crédito aos que o tinham visto já ressuscitado.


E disse-lhes: Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem , porém não crer será condenado. Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enferemos eles ficarão curados.

De fato, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu e assentou-se à destra de Deus. E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a apalavra por meio de sinais que se seguiam".







INTRODUÇÃO TEMÁTICA





Estamos acostumados a pagar pelas coisas que precisamos e sabemos que se queremos algo de valor, haveremos de pagar um bom preço por isso. Ainda que procuremos coisas no menor preço, sabemos que sempre haverá um preço mínimo a ser pago. Algumas vezes chegamos mesmo a descartar preços menores, com medo de que o produto oferecido não seja de qualidade, um bom exemplo disto é quando procuramos um posto de gasolina para abastecer o nosso carro. Se em todos os postos a gasolina está R$ 2,49 e você passa em frente a um posto de gasolina com a placa: gasolina - R$ 2,00, tenho certeza absoluta, que você irá se perguntar: será que é boa?





Eu tenho visto e ouvido as pessoas na igreja falando sobre vida com Deus. Muitos dizem que precisam de Deus e querem ter mais da manifestação da presença de Deus, que desejam ter mais comunhão com ele, e muitos dizem esperar que Deus faça uma obra em suas vidas. Mas, a maioria absoluta destas pessoas, não estão dispostas a pagar o preço por uma vida de tão grande valor.





Se você deseja seguir a Jesus e ter uma vida que agrada a Deus e viver a expectativa positiva para o dia da volta de Cristo Jesus, você deve saber: HÁ UM PREÇO A SER PAGO! A salvação é uma obra da graça, pois sequer seríamos capazes de pagar por ela, mas quando a ser discípulo de Jesus e viver como seu embaixador e ter vida suprida pela presença de comunhão do Espírito Santo, sentir-se filho de Deus e desfrutar de todas as bem-aventuranças da graça que nos foi concedida no Amado, isto requererá de você um preço.





Tão acostumados estamos a tratar a vida com Deus como um produto de segunda categoria, ou quem sabe terceira, que temos pago muito pouco por isso. Não é de se admirar que tantos crentes se contentem com uma vida tão miserável na fé, que sequer podem compartilhar seus dons e receber dos outros aquilo que eles têm à compartilhar. Preferindo suas vidas vazias de Deus e cheias de si mesmos, a pagarem o preço de uma total entrega ao Senhor da Vida.





CONTEXTO DA PASSAGEM





Os versos finais do evangelho de Marcos são contestados por muitas pessoas se de fato estariam inclusos no texto original do evangelho. Algumas das argumentações são bem convincentes de que, Marcos não teria escrito os versos 9 a 20 e que os mesmos teriam sido incluídos por algum irmão, com a finalidade de dar um desfecho mais adequado ao evangelho que parecia uma obra inacabada. Por outro lado, há também aqueles que crêem que, por se tratar de um livro escrito não em forma de papiro, mas em forma de códice, isto é, várias páginas separadas, por algum tempo esta última parte teria se extraviado e foi depois inclusa novamente na leitura deste evangelho.


Talvez jamais saibamos a resposta verdadeira para estas questões quanto ao final do Evangelho de Marcos. Particularmente, prefiro adotar a posição da Igreja antiga, que, apesar de compreender que havia alguma dúvida sobre este final, adotou-o como sendo parte do evangelho, mesmo que tivesse sido incluso mais tarde por um irmão, pois os dizeres dos versos finais, não são conflitantes com o restando do conteúdo bíblico e se harmoniza em parte, com a passagem do capítulo final de Mateus.



Como os outros evangelhos, Marcos também retrata a incredulidade dos discípulos após a ressurreição de Jesus. Quando Maria Madalena conta aos discípulos que Jesus havia ressuscitado, diz o texto: ...não acreditaram (Mc.16.11). Quando os dois que caminhavam para Emaús, chegaram de volta à Jerusalém e encontraram aos discípulos e lhes contaram como fora o seu encontro com Jesus, diz o texto: ...também a estes dois não deram crédito (Mc.16.13).
A incredulidade é a resposta do coração humano à revelação de Deus, quando o homem não está disposto a pagar o preço de abrir mão de si mesmo para seguir a Cristo. Há pessoas que até acham que o caminho do fé é interessante, mas tem valores demais para abrir mão, por isso, preferem a resposta da incredulidade.


Mas, os discípulos já haviam deixado tudo para seguir a Cristo Jesus, por que então não creram. Não seria mais lógico que viessem crer, já que a vida deles havia girado em torno de Jesus? Aparentemente, a incredulidade deles teria uma outra explicação, quem sabe, os homens que viram os pães e os peixes se multiplicarem, mortos ressurgindo, coxos, cegos, mudos, surdos, endemoninhados sendo curados... ainda não teriam fé o suficiente para crer na ressurreição, que aliás já era uma doutrina que os próprios judeus, em sua maioria, cria.



A Escritura nos diz que a incredulidade deles, nascia da dificuldade que tinham de dar crédito à Palavra de Deus, por isso, Lucas diz que somente depois, quando entenderam as Escrituras é que creram. Essa falta de fé na Palavra de Deus é também o motivo porque muitos crentes preferem viver a distância de qualquer comprometimento sua vida cristã.








Se você observar o texto que separamos, não terá dificuldade em perceber que ele está dividido em três partes. A primeira, Jesus censura os discípulos por sua incredulidade (verso 14); a segunda, o comissionamento deles a pregar com as observações sobre os sinais que haveriam de seguir os que crêem (versos 15 a 18); e a última, uma nota editorial de Marcos, afirmando que de fato, depois de Jesus subir aos céus e assumir a autoridade do trono celestial, aqueles sinais acompanharam os seus discípulos.








Minha intenção não é abordar o tema nas três partes, mas abordar inicialmente a terceira e a primeira, para depois explorar os meus argumentos sobre o PREÇO DA FIDELIDADE nos versos 15 a 18.








De Incrédulos e Descompromissados a Homens de Fidelidade Sem Igual

(versos 14, 19 e 20)





Em sua nota editorial, Marcos está mais ou menos nos dizendo assim: "de fato, depois que Cristo subiu ao céu e assentou-se no trono de sua glória, os discípulos saíram pelo mundo para pregar o evangelho e o Senhor ia com eles, como havia prometido, e os sinais da presença de Cristo os acompanhava".


O texto do Comissionamento Para Evangelização, é introduzido por Marcos dentro de um contexto de descomprometimento e incredulidade. A palavra grega que definia a sua incredulidade é "apistian", sendo esta proveniente da raiz: "pistis" - fé. Na verdade, o que Jesus está dizendo é que eles eram incrédulos, não "pistós", isto é, não crentes, lhes faltava "fé". Nesta mesma raiz encontraremos a palavra "fidelidade".

Fidelidade é a fé em sua obra prática. Fidelidade é a expressão do conteúdo da nossa fé, por isso, podemos encontrar na Escritura, textos como o de Tiago que dizem: a fé sem obras é morta. Em outras palavras, o modo como transformo o meu conhecimento de Cristo e sua obra em algo palpável é a minha entrega a Ele, em termos da minha fidelidade.


Eu insisto em dizer que um dos nossos problemas neste tema é quanto a questão: o que é fideldiade? Quando o Senhor Jesus, na parábola que contou sobre os trabalhadores que receberam talentos e termina com aquela terrível palavra para aquele homem que tinha apenas um talento e o enterrou, eu fico apavorado! Mas, certamente, a fidelidade que o Senhor exige de nós não pode ser confundida com a absoluta impecabilidade, isso seria o mesmo que condenar-nos a todos. A parábola não trata de uma competição pelo exercício dos dons, nem ressalta a nossa capacidade total de administrar as coisas de Deus. Creio que o ponto central da fidelidade se distingue na idéia: A QUEM SERVIMOS? PARA QUEM VIVEMOS? QUAL DEVE SER O NOSSO MAIOR INTERESSE ENQUANTO SERVOS?


Um escravo, no tempo dos apóstolos era considerado fiel não se fosse perfeito e fizesse tudo direito, mas se tivesse a mentalidade de entrega e pertencimento, isto é, sou escravo do senhor tal. Creio que a fidelidade que Deus exigirá de nós tem a ver com essa idéia geral: VIVEMOS E PERTENCEMOS AO SENHOR?


Para alcançar essa graça da FIDELIDADE, a fé em prática, precisamos nos dispor a pagar o preço de uma vida assim. Quero fazer uma avaliação dos versos 15 a 18 e depois 19 e 20 a guiza de conclusão, partindo desse pressuposto homilético: JESUS APRESENTA O PREÇO DA FIDELIDADE DO DISCÍPULO.


FIDELIDADE - PAGUE O PREÇO DE UMA VIDA PEREGRINA


Ide por todo o mundo


O texto apresenta aos discípulo o desafio de desaraigar-se do lugar onde viviam. Na verdade, a Escritura nos mostra, como o próprio Marcos (ou o autor do trecho) destaca, de fato os discípulos foram e pregaram em toda a parte.


Uma das coisas que mostrarão nossa fidelidade é a nossa capacidade de desaigar nossas paixões por este mundo. Uma das coisas que mais nos incomoda não somente no passado, mas sobretudo nos dias atuais são as nossas posses, em particular nossa moradia.


Lembrando uma das passagens dos evangelhos, quando alguns discípulos disseram que queriam seguir a Jesus, ele lhes disse: As raposas tem os seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do HOmem não tem onde reclinar a cabeça (Mt.8.20).


Para muitos isso é coisa de missionário, para Jesus, o desapêgo das coisas temporais é um preço a ser pago por todos os que desejam segui-lo. Tomo como ilustração uma passagem de 1 Coríntios 7.29 a 34a.


FIDELIDADE - PAGUE O PREÇO DE UMA VIDA DE TESTEMUNHO PARA A SALVAÇÃO DE ALMAS


Pregai o evangelho a toda criatura


Anunciar que Cristo é o Senhor pela vida e pala Palavra, esse é o compromisso que fazemos quando nos tornamos membros da Igreja. Muitos se acomodam em ouvir a Palavra e sua fidelidade não pode ser demonstrada apenas porque você aceita a verdade, mas sua fé se torna prática, quando você compartilha a verdade que você aceita e você se interessa em que outros também a conheçam e creiam nela.


Há pessoas na Igreja que não tem disposição de pregar o evangelho por simples acomodação e já estão na vida cristã há 20, 30 anos e nunca, vou repetir NUNCA falaram de Jesus com segurança, ou compartilharam sua fé com convicção, quer por simples comodismo, quer por medo... tomo mais uma vez Paulo por exemplo: ai de mim se não pregar o evangelho.


FIDELIDADE - PAGUE O PREÇO DE SER ACEITO OU NÃO


Quem crer e for batizado será salvo, porém, quem não crer será condenado


Eu sei que nós queremos gastar tiro com a caça certa. Por isso, esperamos somente aquela presa fácil, aquela que demonstra que nossa empreitada será facilitada. Alguns irmãos, querem ser fiéis ao SENHOR, mas desejam que sua fidelidade seja provada sempre na certeza absoluta de que serão compreendidas e bem recebidas sempre. Não pensam que a fidadelidade a Deus será mais evidente quando recebermos oposição ou quando nossa conquista, empreender lutas.



FIDELIDADE - PAGUE O PREÇO DE CORRER RISCOS



Estes sinais hão de acompanhar os que crêem: em meu nome, expelirão demônios; falarão em novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados.


A maior parte dos crentes lêem esses versos com uma ênfase fundamental na grandiosa descrição das capacitações dadas aos crêem. Eu, particularmente, faço uma leitura bem diferente. Baseado no modo como o evangelho, ao longo de seu percurso nos ensina sobre o preço do discípulado e que o próprio Jesus sofreu a injustiça da morte na cruz, eu prefiro ler o evangelho do ponto de vista dos sofrimentos que só seriam suplantados por uma ação sobrenatural de Deus no meio da comunidade dos que crêem.

Somente que viveu intensamente ministérios reais de expulsão de demônios, ou missionários que tentaram comunicar verdades a povos de linguas diferentes sabem, quanto é cansativo e de uma poder depressivo expor nossa alma a tamanha luta espiritual.



FIDELIDADE - ESTE É O PREÇO DA CERTEZA DA COMUNHÃO COM O SENHOR.


E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o SENHOR e confirmando a palavra por meio de sinais que se seguiam..



Este é o ganho da FIDELIDADE: a Comunhão do SEnhor, a manifestação de sua presença ao nosso lado. Portanto, a FIDELIDADE é o preço para esta segurança.