3 de março de 2013

Mateus 13.44 a 46


Reino de Cristo – O que falta para você se envolver completamente com ele?
MATEUS 13.44 a 46

Seres humanos foram criados para amar. Mas o que é amar? No sentido em que desejo empregar o termo esta noite, amar aponta para as coisas que valorizamos. Na verdade, amamos aquilo que nos é caro!
A capacidade de raciocinar dá ao ser humano a ferramenta da avaliação. O coração do homem considera a realidade, isto é, avalia sua existência, as coisas e pessoas ao seu redor; considera também valores, princípios etc.
O texto que vamos abordar nesta noite, a parábola do tesouro escondido e a da pérola de grande valor, nos propõe uma reflexão sobre o valor do Reino dos Céus para nós.
Devemos considerar que o valor do Reino dos Céus está se perdendo no coração do homem cristão moderno. Aparentemente, a nossa falta de engajamento na proposta de Jesus Cristo tem muito a ver com o pouco valor que damos às coisas que determinam a nossa relação com Deus.
Tem sido cada vez mais comum, embora alguns questionem este conceito, a ideia de “evangélicos não praticantes”. Crentes que se dispõe a declarar sua fé, mas não se empenham por ela. A questão que está na raiz deste comportamento é justamente o tema desta mensagem. Queremos conduzir-nos nas palavras de Jesus sobre o Reino e perceber nelas o que nos falta para que o envolvimento com o Reino dos Céus seja mais abrangente e dominante no transcorrer da nossa vida.

Quando o Seu Coração Considerar o Privilégio Que é Conhecer o Reino dos Céus, Então Você se Envolverá Completamente Com Ele
As duas parábolas tem início igual: “O reino dos céus é semelhante a...”. O enredo das duas é igual, ou seja, um tesouro é descoberto e o mesmo supera qualquer expectativa e, por isso, tanto o descobridor do tesouro, quanto o comerciante, vendem tudo o que tem para ficar com seus tesouros.
O que destaco neste ponto é que, tanto o tesouro escondido no campo, quanto a pérola de grande valor, estavam inicialmente, escondidos, ocultos e, em ambos os casos, foram descobertos por acaso.
Há duas diferenças nesta descoberta. O primeiro achou um tesouro que não estava procurando e o segundo, inquieto, procurava boas pérolas, mas, por acaso descobriu uma que excedia o valor de qualquer uma.
O ponto que desejo considerar é que, Jesus aparentemente está pontuando sobre algo que ele já havia dito antes sobre o Reino dos Céus. Quando ele explicou aos discípulos porque falava em parábolas, disse:
Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido (Mateus 13.11).
Jesus está nos conduzindo a considerar profundamente o fato de que o Reino dos Céus é como um presente que nos é dado a conhecer e que devemos considerar também o privilégio que temos de ter sido revelado a nós este mistério, este tesouro escondido.
Parte do nosso envolvimento com o Reino de Cristo seria seriamente transformado se em nosso coração pudéssemos assentar este pensamento: quão maravilhosa é a graça de conhecer os mistérios do Reino de Deus, que privilégio é este que temos de ver e ouvir estas coisas e podemos crer.
Muitas vezes, temos alguns privilégios maravilhosos nesta vida, mas só nos damos conta disto quando os perdemos. A falta deste tipo de mentalidade tem exercido uma influência negativa sobre o rebanho que não valoriza o Reino de Deus.
Nos dias do profeta Amós, Deus adverte Israel por ter desvalorizado no seu coração a sua Palavra:
Eis que vêm dias, diz o SENHOR Deus, em que enviarei fome sobre a terra, não de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR. Andarão de mar em mar e do Norte até o Oriente; correrão por toda parte, procurando a palavra do SENHOR, e não acharão (Amós 8.11 e 12).
Tanto o tesouro escondido, quanto a pérola de grande valor causaram surpresa àqueles que os encontraram. Eles reconheceram o privilégio de tê-los achado e isso os moveu. Notaram o homem do campo e o comerciante que estavam diante de um tesouro, um achado maravilhoso, o seu coração amou o seu achado, primeiramente porque se sentiram privilegiados com aquele encontro.



Quando o Seu Coração Considerar o Verdadeiro Valor do Reino dos Céus, Então Você se Envolverá Completamente Com Ele
O segundo ponto que desejo destacar das duas parábolas é que em ambas o achado é extremamente valioso. No primeiro ponto, trabalhamos com a Ideia de perceber que o Reino dos Céus estava escondido, oculto, distante, mas Deus nos concedeu o privilégio de conhecê-lo. Agora, entretanto, vamos falar do Reino dos Céus em si e do seu valor.
O que é o Reino dos Céus. O Reino dos Céus é uma nova condição existencial. É a proposta ao homem caído de que Deus irá restaurar o relacionamento, fazendo com que o mundo que nos cerca, funcione como deveria funcionar sempre, em torno da única realidade verdadeira, a centralidade de Deus na existência.
Quando Jesus Cristo conta a parábola do Joio, ele a encerra mostrando o quanto é mais bem-aventurado o trigo esperar, ainda que em meio a sofrimento, pela volta do Senhor, quando tudo realmente se tornará claro como a luz e a verdade de Cristo nos salvará completamente.
No caso destas duas parábolas, não na parábola em si, mas no conceito das palavras “tesouro” e “grande valor” (polítinus), percebemos que o Senhor deseja que seus discípulos desenvolvam no coração a capacidade de apreciar o valor do Reino dos Céus.
As duas parábolas nos mostram os descobridores vendendo tudo o que tinham para ficar com o seu “tesouro”. Ou seja, eles haviam considerado em seu coração a importância, a relevância e a necessidade extrema que tinham de ficar com o seu achado.
Uma das maneiras de considerar o valor do Reino dos Céus na sua vida, talvez seja considerando tudo o que Deus te oferece a partir do momento em que te dá o privilégio de conhecê-lo. Pense como João que disse o seguinte: mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus.
É de causar a mais profunda tristeza pensar em como a Igreja dos nossos dias perdeu a perspectiva do valor do Reino dos Céus. Para Jesus, o seu valor deveria nos mover a fazer coisas drásticas como deixar pai, mãe, casa, filhos etc...
E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, o pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais e herdará a vida eterna (Mateus 19.29).
Uma nova mentalidade deveria conduzi-lo a Cristo e amá-lo, quando você perceber a sublimidade de Cristo, a sua beleza e o valor do seu Reino.  

Quando o Seu Coração Considerar o Que Poderá Perder Se Não Buscar o Reino dos Céus. Então Você se Envolverá Completamente Com Ele
Uma das passagens mais conhecidas do Velho Testamento é Isaías 55.6. Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Talvez você pense o seguinte: sempre terei outra oportunidade, sempre poderei me voltar para o Senhor, sempre terei à minha disposição o Reino dos Céus. Mas, esse pensamento é um grande engano, porque pode ser que sua dureza de coração para o Reino dos Céus se torne crônica e nunca mais Deus lhe ofereça outra oportunidade, como juízo por sua frieza em relação à Ele.
Voltando às duas parábolas, gostaria de considerar a ação de cada um daqueles homens, tanto o do campo, quanto o comerciante. Eles tomam medidas urgentes para ter o Reino, eles sabem que se não forem urgentes na sua conquista, poderão perder a grande oportunidade.
O homem do campo, ele volta esconde o tesouro, possivelmente, volta a enterrá-lo para que ninguém o descubra até que providencie recursos para comprar aquelas terras. Ele, aparentemente, decidiu comprar a terra para não correr o risco de que o dono da terra o requeira para si e, assim, ele perca o seu achado precioso.
O mercador, mesmo estando acostumado com pérolas e o seu comércio, não perde tempo, vai e faz negócios com tudo o que tem para adquirir aquela pérola de grande valor.
Em ambos os casos, percebemos que eles perceberam que perder os seus tesouros achados seria o equivalente a perder algo muito mais precioso que tudo o que possuíam. Por isso, a medida que Jesus propõe é que tudo o que temos não é nada comparado com o que perderemos se não buscarmos a Deus.
Por estarmos envolvidos com muitos valores nesta vida, talvez tenhamos perdido a dimensão e o significado da nossa própria salvação eterna. Talvez tenhamos sido influenciados pelo modo de vida materialista de nosso tempo para não considerar atentamente todos os privilégios que temos no Reino dos Céus e como deveria ser precioso para nós.
Alguns têm medo de perder demais. Jesus contou a história de um moço rico, riquíssimo que não seguiu porque considerou que iria perder demais nesta vida (Mateus 19). Talvez seja o seu caso e, então, você acha que terá perdido demais se tiver de deixar algo para seguir Jesus.
Bem, o Reino dos Céus é tão precioso e, devemos considerar tão completamente o que iremos perder se não o buscarmos de todo o nosso coração e nos envolvermos com ele, que a única medida de fato digna é DEIXAR TUDO PARA TER A CRISTO.
Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, me Senhor, por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para conseguir Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé (Filipenses 3.7 a 9).

Você conhece este homem? É o apóstolo Paulo! Este homem, um dos mais capazes de sua geração, abriu mão de tudo, mas tudo mesmo. Abriu mão do própria vida, pois foi morto decapitado, depois de anos preso, mas recebeu a sua recompensa, da qual não se arrepende nem um segundo das escolhas que fez.

Conclusão
Eu considero que escolhas deste nível só podem ser feitas quando amamos. Amar é o resultado de nossa capacidade de valorizar as coisas, considerando atentamente o que são.
Eu o convido a pensar esta noite sobre o privilégio que é pertencer a Deus e a seu Reino. Considerar atentamente todas as bem-aventuranças que nos são concedidas quando nos envolvemos com o Reino. Pense no que você pode perder e o que perde a sua família por você não se envolver no Reino. Deixe de olhar para os outros, olhe para si mesmo. Encare Deus frente a frente e submeta sua vida ao crivo da Palavra de Deus.
Considere também como você está. Como você talvez tenha se distanciado do Reino, como o seu coração se apegou a outros amores e os valorizou acima de Deus. Você quer continuar a vida toda assim? Deseja arriscar com o endurecimento crônico do seu coração, dos seus filhos?
Deixe que a Palavra do Coração seja semeada no seu coração. Ouça, compreenda e produza os frutos do Reino de Deus. Não imponha limites, deixe tudo para ter a Cristo. Esse é o parâmetro radical proposto na Bíblia.  

Aplicação para a Igreja Presbiteriana de Vila Formosa
Deus nos abençoou ricamente com uma Igreja excepcionalmente bem equipada e com um grande número de membros. Mas ainda temos muitos irmãos que não se engajaram na obra do Reino.
O que desejo para esta Igreja e para a minha vida é que Deus nos tome por seu poder e mude a face desta Igreja. Devo dizer que, felizmente, muitos irmãos já fizeram esse caminho e agora, pela graça de Deus, já estão comprometidos com a obra.
Você pode pensar assim: acho que não posso, pois não posso perder tempo, ou dinheiro, ou sei lá o quê... Mas, por outro lado, acho também que você pode pensar que viver para Deus é muito melhor.
Quero convidar a todos vocês, principalmente aqueles que estão mais frios em relação à sua participação efetiva, que considerem seriamente a dar um passo na direção de se envolver mais com a obra. Há muitos ministérios que precisam de trabalhadores e há outros tantos que ainda não puderam ser empreendidos por falto de quem o faça.
Será que você pode hoje, diante de Deus, pensar sobre isto? A partir de hoje, vamos criar um espaço para ouvir você e orientá-lo naquilo que precisa ser feito. Neste ano, queremos preparar a igreja para o serviço, desejamos oferecer as melhores condições para o nosso desenvolvimento como corpo de Cristo, como Reino dos Céus.
Então, pense, fale com Deus e decida. Lembre-se sempre, eis diante de você um grande tesouro que não pode ser perdido.
Deus o ilumine na sua escolha!

Em Cristo, que deu a vida por nós!
Rev. José Mauricio Passos Nepomuceno

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